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UFRJ celebra 200 anos de expedição russa e impulsiona monitoramento ambiental no Bico do Papagaio

Encontro resgata o legado da Expedição Langsdorff e projeta cooperação com a Universidade Estatal de Tyumen diante da crise climática

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na manhã de 13/2, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), na Praia do Flamengo, o painel Às vésperas do 200º aniversário da primeira expedição russa à Amazônia. O encontro marcou a retomada histórica da cooperação científica entre Brasil e Rússia e discutiu a implantação da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio, iniciativa voltada ao estudo dos ciclos do carbono e das dinâmicas climáticas na Amazônia.

O evento reuniu professores da UFRJ, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que participaram remotamente, e representantes da Universidade Estatal de Tyumen (UTMN), instituição russa fundada em 1930. O painel resgatou o legado da Expedição Langsdorff (1821–1829), financiada pelo Império Russo e considerada o mais amplo inventário científico do Brasil no século XIX. A expedição produziu registros fundamentais sobre biodiversidade, geografia, clima, populações indígenas e paisagens naturais, muitos dos quais relacionados a áreas hoje estratégicas para o monitoramento ambiental.

Durante o encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou que a realização do painel carrega um significado histórico profundo para a cooperação científica entre os dois países visto que o projeto pode ser compreendido como uma versão contemporânea, mais sofisticada e tecnologicamente avançada, da expedição realizada no século XIX.

“Temos certeza de que a parceria que estamos aprofundando aqui hoje será muito importante para o mundo inteiro. Este é o início de uma longa caminhada para novos conhecimentos científicos e para que possamos contribuir com um dos temas mais relevantes da atualidade: as mudanças climáticas”, disse o reitor.

Painel comemorou os 200 anos da primeira expedição russa à Amazônia | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ)

A programação do painel incluiu mesa de debates, sessão de perguntas e respostas, além de apresentação on-line sobre o estado da arte do projeto Bico do Papagaio. Ao estabelecer um paralelo entre passado e presente, os participantes destacaram que, se há dois séculos o território brasileiro era objeto de observação científica pioneira, atualmente o país se consolida como espaço de coprodução de conhecimento, voltado a desafios globais como as mudanças climáticas, a proteção da sociobiodiversidade e a governança ambiental baseada em dados.

A proposta de construção da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio foi apresentada como continuidade histórica dessa cooperação, agora sob o paradigma da ciência aberta, colaborativa e orientada à sustentabilidade. A integração da futura estação à Rede Polígono do Carbono Espelho, da Federação Russa, deverá fortalecer o papel da Amazônia e das áreas de transição ecológica como laboratórios naturais para a compreensão dos ciclos do carbono e de seus impactos climáticos globais.

O pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) da UFRJ, João Ramos Torres de Mello Neto, destacou a posição da Universidade no cenário acadêmico nacional e internacional. Ressaltou ainda que a UFRJ possui áreas de excelência consolidadas, especialmente em engenharia e medicina, mas enfatizou o potencial estratégico das pesquisas em ecologia e mudanças climáticas. “Se antes o Brasil era sobretudo observado, hoje ele é parte de uma rede de cooperação horizontal, com ciência aberta, colaboração internacional e infraestrutura de pesquisa voltada para a sustentabilidade”, disse Torres de Mello.

O professor do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem/UFRJ), Francisco Esteves, lembrou da influência da tradição científica russa em sua formação e destacou o papel histórico de Langsdorff na organização de um núcleo multidisciplinar que produziu conhecimentos fundamentais sobre a flora e a fauna brasileiras. Para ele, o projeto atual retoma esse legado à luz da crise climática.

“Essa parceria que se inicia hoje representa o começo de uma caminhada que nos levará a uma grande contribuição para o conhecimento da biodiversidade, tanto terrestre quanto aquática, dos ecossistemas amazônicos e das áreas que os circundam”, afirmou Esteves.

 O encontro também reafirmou o valor simbólico da celebração dos 200 anos de intercâmbio científico entre Brasil e Rússia, projetando o legado histórico para o futuro por meio de infraestrutura de pesquisa capaz de formar recursos humanos e subsidiar políticas públicas ambientais. Participaram também do evento o professor João Paulo Machado Torres, da UFRJ, e Freud Romão, da UFNT, que realizou apresentação on-line. Pela Universidade russa estiveram presentes o reitor, Ivan Sergeevich Romanchuk; o primeiro vice-reitor, Andrey Viktorovich Tolstikov; o vice-reitor e diretor da Escola de Direito e Gestão, Sergey Sergeevich Zenin; o assessor do reitor, Ivan Sergeevich Prokhorov; o chefe do Departamento de Inovação e Ciência, Georgy Nikolaevich Suvorov; o chefe do Departamento de Política Estudantil, Denis Yuryevich Stepanchuk; o especialista em Brasil e tradutor de português, Ruslan Igorevich Proklov; e o cônsul da Federação Russa, Alexandr Alexandrovich Korolev.