UFRJ aprova criação da Medalha Minerva de Mérito Administrativo para valorizar servidores da ativa

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou, em sessão ordinária híbrida realizada na quinta-feira, 27/8, a criação da Medalha Minerva do Mérito Administrativo e Espírito Público. A honraria é destinada a reconhecer servidores, tanto docentes quanto técnico-administrativos em Educação (TAEs), que se destaquem na gestão universitária e em ações de excepcional espírito público. A reunião do Conselho aconteceu na Sala de Sessões do Consuni, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM), na Cidade Universitária.

A proposta, idealizada pela Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4), busca corrigir uma lacuna histórica de reconhecimento na UFRJ. Até então, as homenagens institucionais ao corpo técnico limitavam-se a servidores aposentados, como o título de Técnico Emérito, ou medalhas por tempo de serviço. A nova honraria permite a valorização em vida funcional ativa.

Durante discussão na reunião do Conselho, o superintendente-geral de Pessoal da UFRJ, Rafael Pereira, defendeu a instituição da honraria como marco regulatório necessário para valorizar a atuação prática cotidiana daqueles que conduzem a gestão universitária. Ele apontou que, historicamente, o corpo técnico enfrentava um cenário de invisibilidade funcional, uma vez que as homenagens existentes exigiam a aposentadoria ou dependiam de critérios puramente acadêmicos, os quais raramente contemplam a complexidade do trabalho de apoio administrativo.

O superintendente-geral de Pessoal da UFRJ, Rafael Pereira, defendeu a instituição da honraria durante a reunião | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

“A medalha reconhece uma dimensão do trabalho, tanto dos técnicos quanto dos docentes, que é essencial para o funcionamento da Universidade, para a garantia do ensino, pesquisa e extensão, mas que em geral é invisibilizada, que é a dimensão administrativa. A medalha carrega a simbologia daquilo que é a Universidade do futuro: uma universidade que não tem diferenciação entre técnicos e docentes, entre estudantes, onde todo mundo tem a mesma importância”, destacou Rafael.

Força que faz a engrenagem funcionar

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a grande missão de todos que exercem o serviço público dentro da instituição é atuar com competência, ética e compromisso. Existe um trabalho essencial que muitas vezes não aparece: a dedicação diária de quem cuida da nossa administração.

“A criação da medalha nasce para celebrar justamente essa força. Ela é o nosso reconhecimento aos servidores que fazem essa engrenagem funcionar e que demonstram compromisso público em todos os  momentos. Aprovar a criação da Medalha Minerva de Mérito Administrativo é mais um diferencial da UFRJ”, concluiu o reitor.

Já para a pró-reitora de Pessoal da UFRJ, Neuza Luzia Pinto, a honraria carrega um simbolismo ainda mais expressivo para o corpo de TAEs ao celebrar a dedicação, competência e o compromisso que eles oferecem diariamente ao serviço público.

“A criação da Medalha de Mérito Administrativo e Espírito Público representa o reconhecimento do valor de um trabalho cotidiano, essencial e indispensável para o funcionamento da Universidade. Para os técnicos-administrativos em Educação, essa homenagem tem um simbolismo ainda maior. Ela reafirma a importância de uma categoria que sustenta a vida universitária e representa mais um passo no processo de retirar esses profissionais da invisibilidade, valorizando sua dedicação, competência e compromisso com o serviço público”, afirmou Neuza

Consuni cassa título de Doutor Honoris Causa de Salazar

Ainda durante a sessão ordinária híbrida realizada no dia 27/8, o Consuni aprovou a cassação do título de Doutor Honoris Causa concedido ao ditador português António de Oliveira Salazar em 5 de agosto de 1941. O processo concluiu que a manutenção da homenagem é incompatível com os valores constitucionais e democráticos da UFRJ. A decisão de descontinuidade dos efeitos honoríficos foi aprovada por maioria, mantendo-se preservados os arquivos históricos originais da concessão para fins de memória institucional.

UFRJ outorga título de Doutor Honoris Causa ao embaixador Celso Amorim

O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou a sessão solene que outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata e embaixador Celso Amorim. A homenagem, que representa o reconhecimento máximo da Academia a personalidades que prestaram contribuições excepcionais à ciência, cultura e humanidade, celebrou a trajetória de um homem público cuja vida se confunde com a própria história da política externa e da cultura brasileiras. A proposta para a concessão do título partiu do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e foi formulada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE). 

A relação de Celso Amorim com a UFRJ carrega uma memória afetiva e histórica. Em seu discurso de agradecimento, o embaixador relembrou que ingressou no Instituto Rio Branco em 1963 e, na mesma época, prestou vestibular para o curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) da então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Contudo, com o golpe militar de 1964, o curso noturno foi extinto, inviabilizando as aulas com grandes intelectuais como Álvaro Vieira Pinto e José Américo de Almeida.

Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Há cerimônias que nos honram por sua importância institucional, e há outras que, além disso, nos tocam de maneira muito especial. Esta é, sem dúvida, uma delas. Conceder o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ a Celso Amorim é reconhecer uma das mais importantes trajetórias da vida pública brasileira. Celso pertence a uma geração de homens públicos que compreendeu que servir ao Brasil significa, antes de tudo, acreditar no Brasil. Amorim sempre soube que uma nação não se afirma no mundo apenas pela força de sua economia ou pela dimensão territorial. Afirma-se também por sua cultura, sua identidade, pela capacidade de produzir ideias e pela coragem de defender seus próprios interesses”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante a homenagem.

As “Múltiplas Vidas” de Celso Amorim: Cinema e Diplomacia

A saudação oficial ao homenageado foi proferida pela professora emérita Andrea Daher, que traçou de forma poética as diferentes facetas e “vidas” vividas por Amorim. Daher destacou a precoce imersão de Amorim no cinema brasileiro, atuando como assistente de direção de Ruy Guerra no filme Os Cafajestes e, posteriormente, como diretor-geral da Embrafilme entre 1979 e 1982. 

Celso Amorim sendo recebido na cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Na diplomacia, Amorim construiu uma carreira de múltiplas competências desde sua formatura no Instituto Rio Branco, em 1965. Atuou em postos em Londres, Washington e chefiou a missão brasileira junto ao Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Foi duas vezes ministro das Relações Exteriores (de 1993 a 1995 e de 2003 a 2011), ministro da Defesa (de 2011 a 2015) e, atualmente, atua como assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. 

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta, comparou a vida pública de Amorim a viver dentro de um furacão. Ela pontuou os desafios das instituições multilaterais contemporâneas, como as pressões sobre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC, e destacou o papel do homenageado na consolidação de blocos como os Brics para desenhar um sistema internacional multipolar. Ruta trouxe uma curiosidade da juventude de Amorim: muito antes do cinema e do Itamaraty, o embaixador traduziu para o português o livro O Mágico de Oz, uma narrativa que começa justamente com a força de um furacão. “É difícil não ver nisso uma espécie de premonição literária das tempestades políticas que o embaixador Celso Amorim ainda atravessaria”, assinalou a coordenadora.

Desenvolvimento, Paz e Soberania Tecnológica

Durante a cerimônia, Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico, com a proliferação de conflitos mundiais. Dialogando com os conceitos dos pontífices Paulo VI, o embaixador propôs uma inversão necessária para o nosso tempo: “A paz é o novo nome do desenvolvimento”. Amorim também projetou os desafios éticos e geopolíticos da inteligência artificial, defendendo que o Sul Global precisa cooperar para que a tecnologia não se torne um novo instrumento de dominação seletiva.

Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“O Brasil não pode abrir mão da capacidade de diversificar parcerias. Devemos continuar dispostos a cooperar com todos os países, de todos os continentes, independentemente da sua orientação política. A tarefa principal da política externa hoje é assegurar uma posição altiva e soberana no novo equilíbrio global. A inserção nacional do Brasil passa necessariamente pela integração regional com a América Latina, em especial a América do Sul. Rejeitamos de maneira categórica a ideia de que a América Latina possa ser tratada como área de domínio de uma superpotência”, disse Amorim.

A Aliança com a África

A cerimônia contou com a  apresentação artística do coral Brasil Ensemble UFRJ, dirigido pela professora Maria José Chevita Rezende. O grupo apresentou clássicos e encerrou com África Unida, criação coletiva moçambicana regida por Feliciano Comé.

Coral Brasil Ensemble UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Roberto Medronho destacou a força simbólica dessa homenagem musical, lembrando que o repertório resgata um trecho de O Grito de Moeda, a primeira ópera moçambicana, que recria o histórico massacre de resistência colonial de 1960. Medronho aceitou o desafio de Amorim de estreitar ainda mais os laços acadêmicos com o continente africano, ressaltando com orgulho que a Universidade é embaixadora de ciência e educação da Associação das Universidades Africanas.

Além do reitor e do homenageado, também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a oradora e professora emérita da UFRJ, Andrea Daher; e a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.

UFRJ e instituição chinesa assinam acordo de cooperação em pesquisa na área nuclear

Em cerimônia realizada na quinta-feira, 27/8, na Sala Copacabana, na Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária, a UFRJ e a CNNC Overseas Limited, da China, firmaram um memorando de cooperação técnica e pesquisa no setor nuclear.

Com vigência de cinco anos, o memorando prevê o desenvolvimento conjunto de pequenos reatores modulares, pesquisas para o aprimoramento da exploração de urânio e intercâmbio de pesquisadores e estudantes.

O evento contou com a presença do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e de uma delegação chinesa, composta por representantes da China National Nuclear Corporation (CNNC) e das subsidiárias China National Uranium Corporation (CNUC) e CNNC Overseas Limited. A parceria consolida o alinhamento de interesses científicos entre as duas nações no campo da energia limpa, segura e de baixa emissão de carbono.  O acordo foi assinado pelo reitor e pelo diretor da CNNC Overseas Limited, Hu Pengfei.

“Para o Brasil, o domínio da tecnologia nuclear para fins pacíficos é uma questão de desenvolvimento sustentável, segurança energética e soberania científica. O país dispõe de importantes reservas de urânio, possui capacidade tecnológica relevante e reúne instituições acadêmicas e industriais preparadas para participar de projetos de elevada complexidade. Nossa responsabilidade é transformar esse potencial em conhecimento, inovação, energia limpa e benefícios concretos para a sociedade, sempre observando os mais rigorosos padrões internacionais de segurança, responsabilidade ambiental e utilização pacífica da energia nuclear”, disse o reitor da UFRJ.

A UFRJ tem uma contribuição histórica no desenvolvimento da Engenharia Nuclear no Brasil, que remonta à década de 1950. A Universidade abriga o Programa de Engenharia Nuclear da Coppe (PEN/UFRJ), fundado em 1968 e pioneiro na América Latina, o qual atua em integração com o Departamento de Engenharia Nuclear da Escola Politécnica (DNC) desde 1972.

Atualmente, a UFRJ destaca-se como a única universidade brasileira a oferecer um curso de graduação em Engenharia Nuclear (desde 2010). Sua pós-graduação já formou mais de 600 mestres e centenas de doutores, que hoje atuam em órgãos estratégicos como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), a Eletronuclear, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Marinha do Brasil. Os pesquisadores da UFRJ desenvolvem estudos de ponta em física e engenharia de reatores, termohidráulica, segurança nuclear, proteção radiológica, ciclo do combustível, análise de risco e novas tecnologias.

Escola de Química da UFRJ celebra 93 anos com inovação, debates e abertura da SEQ 2026

O Auditório da Escola de Química (EQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sediou, na quarta-feira, 26/8, a solenidade que marcou a celebração dos seus 93 anos de fundação e a abertura oficial da Semana da Escola de Química (SEQ) 2026. O evento reuniu docentes, técnicos administrativos, estudantes e representantes do setor produtivo para debater o papel estratégico da ciência e o desenvolvimento tecnológico nacional.

A mesa de abertura foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e foi composta pela vice-decana do Centro de Tecnologia (CT), Maria Inês Bruno Tavares; pelo diretor da EQ, Papa Matar; e pelo vice-diretor da unidade e presidente da SEQ 2026, Ladimir José de Carvalho. A edição deste ano da SEQ adotou um formato mais compacto, iniciando em uma quarta-feira, com uma programação dinâmica entre os dias 26 e 29/8.

Durante a cerimônia, Medronho defendeu que a solução para os grandes problemas nacionais reside em unir a competência científica acadêmica à criatividade nata do povo brasileiro, destacando a SEQ como um exemplo do protagonismo estudantil e da excelência que se espera de uma universidade pública. O reitor afirmou ainda que os estudantes que ingressam na EQ têm a oportunidade de atuar em um local de excelência, podendo interagir com todo o ecossistema da Universidade.

Reitor Roberto Medronho discursou durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Se o estudante tiver interesse em trabalhar nas áreas de bioquímica, biomedicina, nós temos não somente os departamentos, mas também a Faculdade de Farmácia, o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, a Faculdade de Medicina. Se o interesse for em tecnologia, temos a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia). Na área de inovação social, temos o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, o Instituto de História. Aqui nesta Universidade, a primeira criada neste país, vocês têm o privilégio de poder interagir e conviver com todas as áreas do conhecimento. E a Escola de Química é uma das instituições que ajuda a construir a história e o prestígio da UFRJ”, disse o reitor.

Tradição, parceria e sentimento de pertencimento

Ao refletir sobre os 93 anos de história e o vigor da instituição, o vice-diretor da EQ, Ladimir José de Carvalho, recorreu a uma metáfora baseada na Odisseia e comparou a Escola de Química à ilha de Ítaca, a terra natal pela qual Ulisses chorava de saudades mesmo diante de todos os confortos de um resort paradisíaco: “Aqui é a nossa Ítaca. É o lugar que nós queremos estar”, declarou, lembrando que em sete anos a instituição celebrará o seu centenário.

Cerimônia marcou a celebração dos 93 anos de fundação da EQ e a abertura oficial da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A importância de inovar e crescer mantendo a tradição de excelência também foi defendida pela vice-decana do CT, a professora Maria Inês Bruno Tavares. Ela celebrou a forte interação entre as cinco unidades do Centro de Tecnologia e a sólida parceria entre a EQ e o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ).

Já o diretor da EQ, Papa Matar, chamou a atenção para o que definiu como uma “nova realidade universitária”, caracterizada por mudanças profundas no perfil dos estudantes que hoje ingressam na instituição. Para Matar, esse novo cenário exige que docentes e técnicos dediquem especial atenção à criação de ambientes acolhedores. “Cabe a nós criarmos um ambiente para que o aluno se sinta acolhido”, afirmou o diretor, prestando também um reconhecimento às gestões anteriores que trabalharam continuamente para elevar o patamar acadêmico da unidade.

SEQ consolida diálogo entre Universidade e mercado

Após a solenidade, a programação da SEQ 2026 deu início à sua primeira atividade, a palestra “Pesquisa e Inovação no Grupo L’Oréal – Institucional, Sustentabilidade, Oportunidades e Desafios”, proferida pela diretora científica da L’Oréal Brasil, Verônica Oliveira, e pelo diretor de pesquisa avançada, Túlio Ceretta.

Representantes da L’Oréal Brasil realizaram a primeira palestra da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)


A Semana da Escola de Química já faz parte do calendário acadêmico da Escola de Química, contando com uma média de 1.000 inscritos todos os anos. Abrangendo diversas áreas de interesse, com a participação de palestrantes reconhecidos nacionalmente e empresas atuantes no mundo inteiro, o planejamento e a execução da SEQ são liderados pela diretoria, professores e pelo Diretório Acadêmico da Escola de Química (Daeq). A programação completa das atividades pode ser conferida no site oficial do evento.

Escola de Serviço Social da UFRJ empossa nova diretoria em solenidade marcada por afeto e representatividade

O auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Praia Vermelha, foi palco, na sexta-feira, 21/8, de uma emocionante cerimônia de posse da nova diretoria da instituição. Com o auditório ornamentado e repleto de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados, a professora Gracyelle Costa Ferreira assumiu o cargo de diretora, tendo ao seu lado o professor Luis Eduardo Acosta como vice-diretor.

A solenidade, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, marcou a transição da gestão liderada anteriormente pelos professores Ana Izabel Moura de Carvalho e Guilherme Silva de Almeida. Também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira.

Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho resgatou a história da Escola de Serviço Social, iniciada na década de 1930, ainda na Universidade do Brasil, consolidando-se como referência intelectual nacional e internacional. Medronho homenageou os professores eméritos José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho, reafirmando que a excelência acadêmica não se dissocia do compromisso prático com a sociedade.

Reitor Roberto Medronho participou da cerimônia na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

“Nossa missão não é formar técnicos para o mercado de trabalho, é formar cidadãos para transformar o mundo. Dirigir uma unidade universitária é assumir a responsabilidade de cuidar das pessoas, defender a pluralidade, promover o diálogo e, ao mesmo tempo, preservar a inquietação intelectual que faz uma universidade avançar”, destacou o reitor.

Despedida emocionada dos ex-diretores 

Os diretores que estão deixando a gestão da ESS expressaram profunda gratidão pela jornada à frente da instituição. O professor Guilherme de Almeida destacou o papel fundamental dos técnicos administrativos e recorreu à poesia de Cora Coralina para resumir o sentimento de dever cumprido: “O que vale da vida não é o ponto de partida, e sim nossa caminhada”.

Mesa de honra da cerimônia de posse na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Por sua vez, a professora Ana Izabel relembrou os desafios cotidianos e o esforço constante para fortalecer o trabalho coletivo. Citando o educador Paulo Freire, ela enfatizou que “não há educação sem amor”, desejando pleno sucesso aos novos gestores.

Os desafios e as bandeiras da nova gestão

O novo vice-diretor, Luis Eduardo Acosta, destacou sua origem uruguaia e sua vinculação histórica à tradição da reforma universitária de Córdoba. Acosta evocou o pensamento de Álvaro Vieira Pinto, professor histórico da casa, para defender uma universidade que olhe continuamente para os trabalhadores e setores populares que ainda não conseguiram nela ingressar. Ele também alertou para os desafios da “revolução cognitiva” provocada pela inteligência artificial e afirmou que a tecnologia deve ser capitaneada a favor da humanidade e não contra ela.

Gracyelle Costa Ferreira assinou o termo de posse como nova diretora da ESS da UFRJ | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

A nova diretora, Gracyelle Costa Ferreira, compartilhou uma memória marcante de sua caminhada. Em 2025, ao subir as escadas do auditório, ouviu de um trabalhador terceirizado que ela seria a próxima diretora da Escola. Na época, ela sorriu e recusou a ideia, mas a lembrança daquele momento a fez refletir sobre a força coletiva da comunidade escolar, que engloba docentes, técnicos, estudantes e terceirizados. Gracyelle prestou homenagem às suas ancestrais, mulheres trabalhadoras domésticas a quem foi negado o direito à alfabetização, e afirmou com orgulho ser produto direto das políticas de ações afirmativas na graduação. 

“Nós apostaremos na esperança como a práxis coletiva que transforma a escuta em planejamento, que transforma o planejamento em ação compartilhada e ação em aprendizado e construção propositiva. Essa esperança coletiva é maior do que uma equipe de gestão. Ela se concretiza através de vocês, através de nós, porque pessoas que aceitam assumir este ciclo aceitam junto também reafirmar a defesa de uma universidade pública, popular, fundada nos direitos e defendendo os seus direitos mais profundos no que envolve a democracia e os direitos humanos e sociais. É por isso que defender a Escola e o serviço social é também defender a capacidade da UFRJ de responder aos grandes problemas e desafios nacionais”, disse Gracyelle.

Homenagens da comunidade acadêmica

O encerramento da solenidade foi coroado por um momento de emoção, conduzido por aqueles que representam a própria razão de ser da instituição.  O estudante Ezequiel subiu ao palco para presentear a nova diretora com o poema “Flores para você”. Ele dedicou os versos a quem, segundo suas palavras, o incentivou a seguir em frente e a continuar caminhando quando parecia não haver mais saída. 

A nova diretoria da ESS foi homenageada por alunos e ex-alunos | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Logo em seguida, a assistente social Cristiane, que trilhou toda a sua trajetória acadêmica na Escola, da graduação ao mestrado, e hoje atua na instituição após ser aprovada em concurso público, tomou a palavra. Relembrando com carinho que o vice-diretor Luiz Acosta foi seu professor na graduação e que a nova diretora é uma “colega de trabalho incrível”, Cristiane expressou os sentimentos de toda a comunidade acadêmica. Em nome dos técnicos administrativos, docentes e estudantes, ela desejou à nova gestão uma caminhada repleta de energia, esperança, renovação, compromisso e afeto. Os participantes ainda caíram no samba no final da cerimônia, com a presença de uma bateria que animou o público.

Com uma equipe de gestão motivada, a Escola de Serviço Social da UFRJ inicia este novo capítulo reafirmando seu papel histórico de defesa dos direitos sociais e humanos no Brasil.

UFRJ inaugura Laboratório de Microplásticos do IMA

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 20/8, a inauguração oficial do Laboratório de Microplásticos do Instituto de Macromoléculas Professora Eloísa Mano (IMA), no  Centro de Tecnologia (CT). O projeto inovador chama a atenção não apenas pelo seu impacto científico, mas também por sua criatividade e sustentabilidade estrutural: o laboratório funciona integralmente dentro de um contêiner adaptado, doado à Universidade.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos. Com exceção das bancadas de trabalho e dos novos instrumentos científicos adquiridos, toda a sua estrutura interna e mobiliário foram reaproveitados de outros espaços. Para o financiamento da montagem e a modernização do laboratório, os pesquisadores captaram recursos especiais do CIP (Custo Indireto de Projeto), verba proveniente de projetos na área de petróleo destinados ao desenvolvimento de laboratórios acadêmicos.

Durante a cerimônia, no auditório do IMA, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a importância das atividades que serão desenvolvidas no laboratório, e trouxe uma perspectiva epidemiológica alarmante, apontando que a poluição por plásticos e microplásticos ultrapassou as barreiras ecológicas e consolidou-se como um grave desafio de saúde pública. Medronho recordou que partículas microscópicas de micro e nanoplásticos já foram identificadas em diversos tecidos e fluidos humanos, motivando uma convocação por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) para investigações científicas profundas sobre os impactos dessa exposição a longo prazo.

Reitor visitou as instalações do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Poucas instituições estão tão naturalmente vocacionadas para enfrentar esse problema como o nosso IMA. Este laboratório deve ser o lugar para compreender o problema e, sobretudo, para criar soluções inovadoras para identificar e quantificar microplásticos, compreender sua degradação e seus efeitos, desenvolver novos materiais, aperfeiçoar o processo de reciclagem e de economia circular, reduzir a geração de resíduos, apoiar políticas públicas públicas, transferir tecnologia e dialogar por empresas, governos e sociedade”, destacou Medronho.

Pesquisa prática, monitoramento e economia circular

No cotidiano das atividades laboratoriais, o novo espaço exercerá um papel amplo no monitoramento ambiental do Rio de Janeiro. Segundo a diretora do IMA, Maria Inês Bruno Tavares, a equipe se dedicará a identificar e caracterizar microplásticos na areia das praias, na água do mar, na Baía de Guanabara, em águas engarrafadas e em alimentos de consumo diário.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Paralelamente ao diagnóstico, o laboratório vai focar na pesquisa de mitigação de resíduos de descarte inadequado, com especial atenção ao isopor, amplamente utilizado em embalagens de refeições. A geração de microplásticos ocorre de forma indiscriminada pela população, pela indústria e pelo comércio. Se nós reaproveitarmos, reutilizarmos e reciclarmos esses materiais, recorrendo inclusive à reciclagem mecânica ou à incineração quando não houver outra alternativa, conseguiremos minimizar o impacto”, explicou Maria Inês.

O legado de Eloísa Mano e a defesa da racionalidade científica

A cerimônia de inauguração foi permeada por emoção e homenagens à professora Eloísa Biasotto Mano, falecida em 2019, pioneira no estudo de polímeros no Brasil e fundadora do IMA. A decana do CT, Cláudia do Rosário Vaz Morgado, e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, lembraram o DNA de excelência e a união coletiva consolidados pela professora que resultam hoje no compromisso acadêmico de destaque da unidade. Completaram a mesa de honra da cerimônia os coordenadores do Laboratório de Microplásticos, Fernando Altino Medeiros Rodrigues e Paulo Sérgio Rangel Cruz da Silva.

Mesa de honra da cerimônia de inauguração do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

UFRJ reinaugura espaço do Inova com foco em transformação social e integração científica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou na sexta-feira, 14/8, a reinauguração do Inova UFRJ, localizado no Parque HUB+, no Parque Tecnológico, na Cidade Universitária. O evento marcou a consolidação do espaço físico, ocupado desde janeiro de 2025, como um novo capítulo na estratégia de inovação da Universidade.

A Inova UFRJ é uma iniciativa voltada à aplicação e difusão dos múltiplos aspectos de transformação dentro da UFRJ. Entre suas atribuições, estão ainda o gerenciamento dos processos de proteção do conhecimento oriundos de pesquisas acadêmicas, o licenciamento de tecnologias e a promoção de parcerias entre empresas e a UFRJ, de modo que o conhecimento produzido na instituição possa, de fato, chegar à sociedade.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que a atual gestão está investindo pesadamente na área para garantir que a ciência e a tecnologia produzidas na Universidade se transformem em produtos e serviços tangíveis para a sociedade.

“É através da inovação que transformamos a ideia em produtos e serviços para que possamos desenvolver, do ponto de vista social e econômico, a nossa sociedade. Acredito que, quanto mais as pessoas souberem o que o Inova tem a oferecer, teremos muito mais produtos e serviços para disponibilizar à sociedade”, disse o reitor.

Reitor participou da reinauguração do Inova UFRJ, no Parque HUB+ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Na reinauguração, a Direção do Inova UFRJ apresentou um balanço das entregas operacionais nos últimos três anos, focando na otimização de processos por meio de dados.

O desenvolvimento de dashboards de patentes, calculadoras de contrapartida para compartilhamento de infraestrutura e o aplicativo “Polaris” para valoração de ativos foram algumas das inovações apresentadas. Também foi possível observar dados do “Conecta UFRJ”, desenvolvido para facilitar o mapeamento das competências da UFRJ. Programas de empreendedorismo também ganharam destaque, por meio de iniciativas como o “InovAÇÃO” e o “InovaSeed”, que fomentam desde ideias de alunos de graduação até projetos maduros em transição energética e saúde.

“O novo ambiente foi pensado para integrar diferentes saberes. A proposta central é construir “pontes” entre pesquisadores de bancada e áreas como artes e comunicação, promovendo a colaboração interdisciplinar. A ideia realmente é fazer as pessoas se conhecerem, e quem não conhece o nosso espaço passar a frequentá-lo”, explicou a diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel.

A diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Olhando para o futuro, Uziel manifestou o desejo de fomentar eixos temáticos, como parkinson e acessibilidade, para unir expertises moleculares, mecânicas e elétricas de diferentes unidades da UFRJ em torno de desafios comuns.

A cerimônia contou ainda com apresentações dos óculos de realidade virtual, com a professora Cátia Marciel, na sala Sala de Descompressão, e da Partitura Encenada, com o professor Lenini Vasconcelos, na sala Arena.

Gestão representativa e resgate da memória institucional marcam decisões do Conselho Universitário

A antiga sala no edifício Jorge Machado Moreira (JMM) na Cidade Universitária foi palco, na quinta-feira, 13/8, da sessão ordinária híbrida do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em sessão marcada por decisões históricas e debates sobre a infraestrutura da instituição, o Conselho avançou em pautas administrativas, éticas e estudantis.

A sessão promoveu a recomposição da Comissão de Desenvolvimento do Consuni, visando preencher as vacâncias deixadas pelos conselheiros Walter Suemitsu e Luiz Eurico Nasciutti. A eleição foi marcada pelo entendimento de que a comissão necessita de equilíbrio técnico entre os centros acadêmicos para tratar de questões estruturantes da Universidade. Como resultado, elegeram-se, por maioria, as professoras Avani Fernandes, decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), e Cláudia Morgado, decana do Centro de Tecnologia (CT). A chegada das novas conselheiras foi celebrada pela Reitoria como um reforço da presença feminina na gestão e uma renovação necessária para o Conselho.

“Nós agora temos na comissão duas mulheres de dois centros muito importantes. Isso é uma demonstração de quanto nós, da UFRJ, buscamos lutar contra o machismo, contra a misoginia. Além disso, são pessoas com uma dedicação imensa à Universidade, e com uma competência administrativa gerencial muito grande, já comprovada. A professora Cláudia Morgado já foi diretora da Escola Politécnica e a professora Avani foi diretora do Instituto de Nutrição Josué de Castro”, destacou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

Um dos pontos altos da reunião foi a cassação do título de Doutor Honoris Causa concedido ao diplomata norte-americano Lincoln Gordon, em 1968. A relatora Gilda Alvarenga fundamentou-se no parecer pela incompatibilidade da honraria com os valores democráticos da UFRJ, citando o apoio de Gordon ao golpe de 1964 e ao regime autoritário. A proposta foi aprovada por unanimidade e aclamação.

“Documentos oficiais do governo dos Estados Unidos, bem como os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade 2014, consolidaram o entendimento de que o então embaixador norte-americano desempenhou relevante atuação diplomática e política de apoio ao movimento que culminou no golpe civil-militar de 1964. A revisão da homenagem não implica apagamento histórico nem censura, representa o reconhecimento de que uma universidade pública pode preservar criticamente sua memória institucional, distinguindo entre estudar historicamente determinado personagem e manter-lhe uma distinção honorífica institucional”, afirmou Gilda. 

Durante o encontro, o pró-reitor de Gestão e Governança, Fernando Peregrino, apresentou também a evolução das obras no campus da Praia Vermelha. Os principais marcos incluem o novo restaurante universitário (RU), com capacidade para 2 mil refeições diárias e entrega prevista para março de 2027; um prédio que contará com 68 salas de aula, com conclusão prevista para setembro de 2027; além do Complexo Cultural do  Canecão, que deverá ser entregue em março de 2028.

Pró-reitor de Gestão e Governança, Fernando Peregrino | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Também foi aprovada, na reunião, a revogação da resolução que tratava do reposicionamento de docentes vindos de outras instituições federais. A decisão seguiu pareceres jurídicos que apontaram a contrariedade ao ordenamento jurídico vigente, uma vez que um novo concurso estabelece novo vínculo funcional. Embora os conselheiros tenham lamentado a “crueldade” da lei que desestimula a mobilidade de professores experientes, a revogação foi considerada necessária para evitar a insegurança jurídica.

Comissão aprova regimento e avança na implementação do RSC-TAE na UFRJ

O Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária, recebeu na quarta-feira, 12/8, a reunião que marcou a instalação oficial da Comissão de Reconhecimento de Saberes e Competências (CRSC) do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE), que discute a implementação do programa na instituição. Criado pela Portaria nº 7.520/2026, o grupo, composto de maneira conjunta por representantes da administração, de órgãos de supervisão e da Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4), tem como objetivo garantir a organização e celeridade da implementação, além de estudar e propor os procedimentos necessários à implantação na UFRJ.

O RSC-TAE, instituído pela Lei nº 15.367/2026, alterando a Lei nº 11.091/2005, é um instrumento que permite reconhecer oficialmente conhecimentos, habilidades e experiências adquiridos pelo servidor ao longo de sua trajetória profissional, inclusive aqueles desenvolvidos fora da educação formal. Na prática, possibilita a equivalência a níveis de titulação para fins de desenvolvimento na carreira, conforme os critérios estabelecidos na normativa.

Durante a reunião, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que, ao longo das trajetórias profissionais, os servidores acumulam conhecimentos, experiências e competências que muitas vezes não cabem em um diploma formal.  Ou seja, desenvolvem saberes construídos no cotidiano, na solução de problemas, na inovação de processos, na relação com estudantes, professores e a sociedade.

Grupo reuniu-se no Salão Nobre da Decania do CCMN da UFRJ | Foto: Renan Silva (Sintufrj).

“Valorizar os técnicos-administrativos em Educação é reconhecer que eles não são apenas suporte à atividade acadêmica, são parte indissociável da própria missão da Universidade, participando do ensino, da pesquisa, da extensão, da inovação, da assistência e da gestão. Defender o RSC é defender uma universidade mais justa, que reconheça todos os que constroem sua experiência e a sua excelência. A Universidade é feita de pessoas, por nós. E nenhuma instituição será verdadeiramente grande sem o trabalho, o conhecimento, a dedicação de uma parte fundamental de sua comunidade”, disse Medronho.

As discussões dos integrantes da comissão concentraram-se na estruturação do regimento interno e nos fluxos operacionais para a implementação do RSC-TAE. Elas  abordaram desde definições conceituais da comissão geral até as prioridades processuais. 

O grupo ainda debateu critérios técnicos para a análise de memoriais e documentos, a transparência e a segurança de dados, além da sistematização do fluxo de trabalho, garantindo que a distribuição de processos e os prazos de diligência sigam ritos institucionais objetivos. O encontro culminou na aprovação do regimento interno, consolidando as normas e a criação de manuais que guiarão o reconhecimento de saberes na UFRJ. O documento foi encaminhado ao gabinete do reitor.

Belita Koiller recebe título de professora emérita da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta sexta-feira, 7/8, o título de professora emérita à docente titular aposentada do Instituto de Física (IF) Belita Koiller. A homenagem, oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), ocorreu na sexta-feira, 7/8, no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A iniciativa institucional visa ao reconhecimento de mais de cinco décadas de contribuições singulares de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas.

Além da homenageada, a mesa de honra, presidida pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, teve a seguinte composição: o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor do IF, Bruno Souza de Paula; e o professor emérito Luiz Davidovich, orador da solenidade e um dos integrantes da comissão de honra, que acompanhou a entrada da docente na cerimônia. Juntamente com ele, estiveram os professores do IF Érica Macedo, Eduardo Fraga, Rodrigo Capaz e Thereza Lacerda.

O título reconhece mais de cinco décadas de contribuições e dedicação de Belita à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

A trajetória de Belita na UFRJ teve início em 1994, quando ingressou no corpo docente. De lá para cá, ela também exerceu funções de liderança acadêmica na Universidade, incluindo a direção do IF. Graduada em Física pela PUC-Rio, concluiu o doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1975. Com mais de uma centena de artigos científicos publicados, a professora tornou-se referência internacional na área de Teoria da Matéria Condensada. Atualmente, suas pesquisas concentram-se no comportamento quântico de sistemas eletrônicos e em sua aplicação no desenvolvimento de dispositivos quânticos. 

Ao longo da carreira, a docente recebeu diversas distinções da comunidade científica. Em 1982, foi contemplada com a Guggenheim Fellowship, que lhe permitiu desenvolver pesquisas nos Estados Unidos.  Em 1995, tornou-se a primeira mulher eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Físicas. Dez anos depois, foi agraciada com o International Award for Women in Science, em reconhecimento à relevância de sua produção científica.

Entre outras honrarias, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2010), foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da Academia de Ciências da América Latina, além de conquistar a Medalha Ângelo da Cunha Pinto (2021) e o Prêmio Joaquim Costa Ribeiro da Sociedade Brasileira de Física (2025).

Além de exaltar o rigor acadêmico da homenageada durante a cerimônia, Cássia Turci pontuou o compromisso de Belita com a infraestrutura da Universidade, mencionando sua persistência na construção do novo prédio do Instituto de Física, e celebrou seu entusiasmo inabalável pelo ensino e pelo sentimento de pertencimento à instituição, o que a torna uma figura brilhante e generosa na história da ciência brasileira.

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e a homenageada, Belita Koiller | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“A presença da Belita no Instituto de Física não só incentivou o desenvolvimento de muitos projetos de pesquisa, mas também atraiu nossos jovens, principalmente as meninas, para a área de ciência. Belita não perde o entusiasmo, a dedicação para com a universidade. Valores que nós precisamos, de fato, incentivar aqui. A empatia e a preocupação em você preparar uma boa aula para os nossos estudantes, que são a nossa maior razão de ser”, disse Turci.

Em sua saudação, o professor Luiz Davidovich ressaltou que o título concedido a Belita simboliza que a Universidade se tornou “maior e melhor” por meio de seu trabalho e exemplo, integrando-a permanentemente à história da instituição. Relembrou a trajetória compartilhada desde os tempos de graduação na PUC-Rio e destacou o pioneirismo e a coragem de Belita ao enfrentar o doutorado em Berkeley como a única mulher de sua turma. Ele enfatizou que essa determinação em ocupar espaços majoritariamente masculinos, aliada a uma curiosidade científica sempre renovada, permitiu que ela construísse uma carreira brilhante, marcada pela sensibilidade em identificar e formular as questões científicas que realmente importam.

Além da excelência acadêmica, o orador exaltou a obra científica ampla e original da homenageada, especialmente suas contribuições fundamentais na área de computação quântica, que uniram de forma indissociável a ciência básica à inovação tecnológica.

Belita Koiller e o professor Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“Belita defendeu a qualidade da ciência, a internacionalização da pesquisa brasileira, a formação de novas gerações e a construção de instituições sólidas. Defendeu também, com firmeza, a igualdade e oportunidades para as mulheres na ciência. É uma cientista de grande rigor intelectual, uma colega solidária e interlocutora generosa. Sua franqueza é conhecida por todos. Não evita os debates difíceis e não se acomoda diante de ideias estabelecidas; sua firmeza nasce sempre de um compromisso profundo com a ciência, com a universidade e com os colegas”, afirmou Davidovich.

O diretor do IF, Bruno Souza de Paula, enfatizou a dedicação de Belita ao coletivo, lembrando que ela exerceu a Direção do Instituto em um período especialmente desafiador: durante a pandemia de covid-19. Além disso, ressaltou sua contribuição acadêmica administrativa como coordenadora, por duas vezes, do curso de pós-graduação em Física.

Em vez de seguir o protocolo de um discurso formal, Belita Koiller optou por ministrar o que chamou de “seminário”, utilizando sua experiência didática para explicar as bases da física que permitem as tecnologias modernas. Tratou desde a evolução do átomo e da matéria, passando pela história dos semicondutores, da amplificação de sons e sinais, da criação de computadores portáteis, até falar do futuro na computação quântica.

Título foi concedido em cerimônia no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“É muito gratificante ter esse reconhecimento, que eu não sei se mereço, mas também tem a parte triste que diz que é o fim de uma carreira. Me lembro do fato de eu ter vindo da PUC, onde as condições físicas eram excelentes. Sempre quis trazer para cá o mesmo conforto e dignidade que eu tinha em uma instituição particular. Sempre tentamos melhorar e acho que conseguimos. Nossas instalações estão cada vez melhores e hoje também está mais feminino”, ressaltou Belita.