O Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ipub/UFRJ) comemorou, nesta quinta-feira (7/8), no Auditório Leme Lopes, na Praia Vermelha, seus 88 anos de história com uma cerimônia que destacou a trajetória da instituição e seu corpo social e homenageou os Cancioneiros do Ipub, grupo que há três décadas utiliza a música como ferramenta de convivência, expressão e promoção da saúde mental. O evento também celebrou os 30 anos do Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas (Projad) e reafirmou o compromisso do Instituto com a assistência, a formação de profissionais, a produção de conhecimento, a extensão universitária e a defesa da reforma psiquiátrica brasileira.
A solenidade foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e reuniu docentes, técnicos administrativos, estudantes, pacientes, familiares e profissionais do Instituto. Também participaram da cerimônia o diretor do Complexo Hospitalar da UFRJ, Leôncio Feitosa, a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes, além da direção do Ipub, representada pelo diretor Pedro Gabriel Godinho Delgado e pelo vice-diretor Marcelo Santos Cruz.
Criado como um espaço de expressão artística e convivência, o grupo Cancioneiros do Ipub reúne pacientes, profissionais e colaboradores da instituição em torno da música. Ao longo de 30 anos, a iniciativa se consolidou como uma das ações que traduzem a proposta de cuidado humanizado desenvolvida pelo Instituto, aproximando arte e saúde mental.
Em seu pronunciamento, Medronho destacou a trajetória do Ipub como uma instituição fundamental para a história da saúde mental brasileira e para a formação de profissionais na área. Segundo ele, o Instituto reúne tradição e inovação ao articular ciência, humanismo e compromisso social. “Cuidar da saúde mental significa muito mais do que tratar sintomas. Significa reconhecer a dignidade da pessoa, promover a autonomia, combater o estigma e construir práticas de cuidado centradas no respeito aos direitos humanos”, afirmou.
O reitor também ressaltou o papel da arte e da cultura nas práticas desenvolvidas pelo Instituto, destacando a homenagem aos 30 anos dos Cancioneiros. “A literatura, a música, o teatro, as artes visuais e tantas outras formas de expressão deixaram de ser apenas atividades complementares para se tornarem parte integrante do cuidado. A arte devolve a voz, fortalece vínculos, amplia possibilidades de expressão e reafirma aquilo que há de mais humano em cada um de nós”, disse.
Durante a solenidade, o vice-diretor do Ipub, Marcelo Santos Cruz, destacou que, apesar das dificuldades orçamentárias enfrentadas pela Universidade nos últimos anos, o Instituto conseguiu manter suas atividades e avançar em diferentes frentes. “A gente conseguiu ultrapassar esse período mantendo o pleno funcionamento das atividades do Ipub em todos os seus campos: ensino, pesquisa, extensão e assistência. Mantivemos a excelência que sempre caracterizou essa instituição”, afirmou.
Entre os avanços da gestão, Marcelo ressaltou a recuperação de espaços importantes para a comunidade acadêmica, como a biblioteca, o Teatro Corpo Santo e os laboratórios do primeiro andar do prédio principal, que precisaram ser interditados por problemas estruturais antes de serem reformados.
Ao fazer um balanço da trajetória recente do Ipub, o diretor Pedro Gabriel Godinho Delgado ressaltou que os desafios fortaleceram a união da comunidade do Instituto. “Essa experiência revelou a força e a solidariedade do corpo social do Ipub. Foi essa comunidade que nos permitiu atravessar um período de enormes dificuldades”, disse.
Segundo Pedro Gabriel, além de preservar suas atividades de assistência, o Instituto ampliou ações de formação, extensão e pesquisa, fortalecendo projetos desenvolvidos em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial do município do Rio de Janeiro. Ele também destacou a transformação do modelo assistencial da unidade. “O Ipub está mudando sua configuração como instituição de atendimento. É uma mudança em direção a uma atuação cada vez mais territorializada, em consonância com a reforma psiquiátrica brasileira”, explicou.
O diretor ressaltou, contudo, que a mudança no perfil de atuação não significa o abandono da assistência hospitalar. “Todas as internações psiquiátricas solicitadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) municipal que cabem ao Ipub fazer são feitas. No entanto, há uma mudança na configuração do processo de atendimento, com maior participação das ações territoriais e ambulatoriais”, afirmou.
Em sua primeira participação em um evento oficial como decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes destacou a relevância histórica do Instituto para a formação de profissionais e para o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental. Para ela, a cerimônia expressou a identidade do Ipub ao reunir servidores, estudantes, pacientes e familiares em um mesmo espaço.
“Esse convite foi para servidores, docentes, técnicos, discentes, servidores terceirizados, familiares e usuários. Esse é o corpo social do Ipub. O papel da unidade, do tratamento humanizado, do tratar pela arte, do cuidar com arte é traduzido nessa cerimônia”, afirmou.
A decana também destacou a importância da atuação do Instituto na construção de novos paradigmas de cuidado em saúde mental. “Esse aprendizado vai além das questões relacionadas à saúde mental. É um aprendizado em humanidade e em humanização”, disse.
Incorporado à então Universidade do Brasil em 1938, o Ipub consolidou-se como uma das principais referências nacionais em assistência, formação, pesquisa e extensão na área da saúde mental. Ao completar 88 anos, a instituição reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento, a qualificação de profissionais e a construção de práticas de cuidado cada vez mais integradas ao SUS e à sociedade.















