UFRJ firma acordo de cooperação científica com universidade russa para monitoramento ambiental da Amazônia e do Cerrado

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinou, na quinta-feira, 5/2, um acordo de cooperação científica e tecnológica com a Universidade de Tyumen, da Rússia, voltado ao desenvolvimento de pesquisas ambientais estratégicas no Brasil. A parceria foi formalizada em cerimônia realizada no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Brasília, com a presença de autoridades brasileiras e russas.

O acordo, assinado pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e pelo reitor da Universidade de Tyumen, Ivan Romanchuk, integra uma articulação internacional que reúne, além da UFRJ e da instituição russa, a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). O foco da cooperação está na criação e no aprimoramento de uma estação de monitoramento ecológico da Amazônia e do Cerrado brasileiros.

O encontro contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do ministro da Ciência e Tecnologia da Federação da Rússia, Valery Falkov, reforçando o caráter estratégico da cooperação científica entre os dois países. A iniciativa busca ampliar o intercâmbio acadêmico, a produção conjunta de conhecimento e o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Para a UFRJ, a parceria fortalece a internacionalização da pesquisa e consolida o papel da universidade em projetos de grande relevância socioambiental. A atuação conjunta com instituições brasileiras e russas permite integrar expertises complementares e ampliar o alcance científico das investigações sobre dois dos biomas mais importantes do país.

“Este acordo representa um passo significativo para a ciência brasileira e para a cooperação internacional. Ao unir universidades de excelência do Brasil e da Rússia, ampliamos nossa capacidade de produzir conhecimento qualificado sobre a Amazônia e o Cerrado, biomas fundamentais não apenas para o país, mas para o equilíbrio ambiental global”, destacou Medronho.

Além da UFRJ e da Universidade de Tyumen, acordo integra uma articulação internacional que reúne a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e a UFNT | Foto: Divulgação

Agenda em Brasília

Também no dia 5/2, o reitor da UFRJ participou do Fórum Empresarial Brasil–Rússia, realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento reuniu autoridades dos dois países, entre elas o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o primeiro-ministro da Federação da Rússia, Mikhail Mishustin, e debateu perspectivas de cooperação bilateral em áreas como ciência, tecnologia, inovação, desenvolvimento sustentável e transição energética.

Reitoria da UFRJ recebe representantes de instituições de ensino da Rússia 

Nesta quarta-feira, 4/2, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, se reuniu com o reitor da Universidade Estatal Derzhavin Tambov, Pavel Moiseev, acompanhado pelo cônsul Alexander Korolev. Na sequência, foi a vez do chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Instituto Pushkin, Daniil Sin, ser recebido no Gabinete da Reitoria, na Cidade Universitária.  

De acordo com a Superintendência-Geral de Relações Internacionais (Sgri) da UFRJ, o objetivo dos dois encontros foi promover o fortalecimento da cooperação Brasil–Rússia por meio da ampliação do diálogo e da articulação entre as instituições de ensino. Como saldo da conversa, foram definidos encaminhamentos com vistas ao avanço das parcerias acadêmicas e da promoção de novas agendas de trabalho.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho, com chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Instituto Pushkin, Daniil Sin | Foto: Sônia Toledo

Conforme explica Medronho, a decisão da Universidade de expandir a internacionalização está alinhada com a política externa adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Estamos mudando a visão da nossa política externa. Acreditamos que o mundo precisa ser multipolar. Isso é possível com uma relação de parceria e cooperação, que  se alcança com respeito às diferenças e à soberania dos países. Temos testemunhado essa postura com as universidades russas e chinesas. Recentemente, inclusive, inauguramos o Centro Brasil-Rússia e tem nos impressionado bastante o interesse dos jovens pela cultura russa”.

Um cardápio educacional alinhado

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, e a chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, receberam nesta segunda-feira, 2/2, a visita de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI): o secretário-executivo do órgão, Luis Manuel Rebelo Fernandes, e a chefe de Gabinete do ministério, Maria Luiza Rangel.

Durante o almoço na Reitoria, na Cidade Universitária, o que não faltou no cardápio da conversa foram agradecimentos, ênfase ao alinhamento da parceria estratégica entre a UFRJ e o MCTI, além da discussão sobre a recomposição do orçamento da Universidade:

“Primeiro, queremos agradecer formalmente à intervenção do secretário-executivo, Luis Fernandes, que possibilitou destravar a obra do Restaurante Universitário da Praia Vermelha. Também deixamos registrado que o MCTI é um dos nossos grandes parceiros estratégicos. Só em 2025, conseguimos R$ 97.7 milhões em editais da Finep, Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao MCTI”, frisou Medronho.

Na pauta, também foram abordados assuntos contemporâneos relacionados à ciência e tecnologia, área considerada pelos presentes como vetor de desenvolvimento para a política de soberania nacional: “Estamos concluindo a elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, cujas bases estão totalmente alinhadas com as reflexões e preocupações expostas pelo reitor”, expôs Fernandes, informando ainda que o documento será entregue para a ministra do MCTI, Luciana Santos, no próximo dia 10/2.

Medronho presenteia secretário-executivo do MCTI com revista de divulgação científica da UFRJ| Foto: Sônia Toledo

Durante o encontro, os integrantes do ministério também foram presenteados com exemplares da Minerva, revista de divulgação científica da UFRJ. Até o registro da contracapa recebeu elogios: “Estamos encantados com a Minervinha”, disse Rangel, referindo-se à personagem que irá ilustrar a versão infanto-juvenil da publicação.

UFRJ firma parceria com Prefeitura de Porciúncula para estudo de cheias urbanas

Sob os alertas de chuvas intensas no estado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola Politécnica, firmou, na sexta-feira, 23/1, uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porciúncula e a Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) para o desenvolvimento de um estudo técnico de modelagem das cheias urbanas no município, a partir de um diagnóstico detalhado das inundações fluviais e urbanas. 

O projeto visa avaliar o funcionamento da drenagem urbana do município, o mais setentrional do estado do Rio, no qual estruturas usuais de macrodrenagem falham e os escoamentos pluviais afetam o centro da cidade, somando-se aos efeitos das cheias do Rio Carangola e seus afluentes. Esse contexto se torna ainda mais urgente diante dos eventos registrados em 2020 e 2021, quando graves inundações impactaram significativamente a região, afetando, respectivamente, 26% e 46% da população de Porciúncula. 

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria “não é meramente um ato administrativo”, mas “um compromisso com vidas humanas, com a prevenção, com planejamento urbano inteligente, com a ciência a serviço da sociedade”. Segundo ele, diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos, investir em estudos técnicos torna-se fundamental para prevenir problemas e proteger a população.

Medronho também enfatizou o caráter colaborativo da iniciativa. “A UFRJ não chega apenas para entregar um produto. Chega para construir com o município, com seus dados, suas equipes e sua realidade territorial. É um trabalho conjunto”, afirmou. Para ele, a troca entre universidade e cidade fortalece tanto a gestão pública quanto a formação acadêmica: “Nossos estudantes e pesquisadores aprendem com o desafio real, com a cidade viva e com a urgência do cotidiano”.

Já a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, defendeu a ampliação da presença da UFRJ no interior do estado, ressaltando a importância da troca entre universidade e municípios. “Quando a gente interage com as cidades e com a nossa comunidade, nós levamos conhecimento, mas também temos muito a aprender”, afirmou Cássia, que acredita que a aproximação fortalece os cursos de graduação, os programas de pós-graduação e gera benefícios diretos para toda a comunidade acadêmica.

Egresso da UFRJ, o prefeito de Porciúncula, Guilherme Fonseca Cardoso, por sua vez, destacou a relevância do acordo para o enfrentamento de um desafio histórico do município: as enchentes. Em sua fala, ele enfatizou a confiança na universidade pública brasileira e classificou a parceria com a UFRJ como um legado para as próximas gerações. “Confiar o futuro de Porciúncula a esse projeto é uma decisão importante. O histórico do município em relação às enchentes é muito dramático”, disse.

A cerimônia de assinatura do acordo entre as instituições, realizada no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT), contou, ainda, com a participação da vice-decana do CT, Maria Inês Bruno Tavares; da diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado; do coordenador do projeto, Marcelo Gomes Miguez; e do secretário municipal de Urbanismo de Porciúncula, Gabriel Gonçalves.

Evento aconteceu no Salão Nobre da Decania do CT | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Metodologia do estudo

O projeto prevê o desenvolvimento de um modelo hidrológico e hidrodinâmico capaz de simular os eventos de inundação e testar a efetividade de diferentes cenários de intervenção. A metodologia inclui o reconhecimento da área, a caracterização de chuvas intensas, simulações do sistema atual e de soluções propostas, além da integração com o ambiente construído e diretrizes para o planejamento urbano.

“O estudo pretende apresentar um conjunto de soluções para mitigação das inundações nas sub-bacias do Rio Carangola dentro do território municipal, avaliadas por meio de simulações matemáticas. As diretrizes adotadas se baseiam na abordagem de infraestrutura verde e azul, que considera o território na escala da bacia hidrográfica e organiza as intervenções a partir das conexões entre áreas de interesse ecológico e áreas urbanas, utilizando a própria rede hidrográfica como elemento estruturador do planejamento da paisagem e do projeto de controle de inundações”, explicou o coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez.

O coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

UFRJ firma parceria com SMS-Rio para implantação do Super Centro Carioca de Saúde Digital

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio) formalizaram, nesta quinta-feira, 22/1, uma parceria que permitirá a implantação do Super Centro Carioca de Saúde Digital, com serviço de telessaúde nas áreas de cardiologia, ginecologia, neuropediatria, ortopedia e otorrinolaringologia. O projeto integra o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, e tem como objetivos, além da prestação dos serviços, a qualificação da atenção primária e a ampliação da atenção especializada, integrada aos demais eixos de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS). Na reunião, realizada na Cidade Universitária, estiveram presentes o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a subsecretária-geral da SMS, Fernanda Adães, e o professor da UFRJ Luiz Felipe Pinto.

UFRJ formaliza concessão de uso de espaço no CT 2 para a Coppetec

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) formalizou, nesta sexta-feira, 19/12, a concessão onerosa de uso de uma área de 2.040 metros quadrados, localizada no bloco 1 do Centro de Tecnologia 2 (CT 2), na Cidade Universitária, para a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec). A assinatura do contrato marca mais um importante passo no processo de regularização das concessões existentes na Universidade, garantindo maior segurança jurídica, transparência e conformidade administrativa.

A iniciativa segue o mesmo modelo adotado em outros casos, como o da Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) e o da AdUFRJ Seção Sindical, o sindicato dos docentes da UFRJ, e integra o esforço contínuo da instituição, liderado pela Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6), para atender aos órgãos de controle.

“A Coppetec é uma fundação de excelência. A gente sabe que grande parte do sucesso de muitas ações, não apenas da Coppe, mas de várias outras unidades, é graças ao trabalho competente que a Coppetec oferece. Nós temos aqui o poder de criação e o poder de execução. O poder de criação cabe a todos nós, enquanto pesquisadores. O poder de execução a gente faz de forma eficiente, usando, muitas vezes, de forma muito importante, as nossas fundações. Acho que essa aliança é que ajuda a gente a alavancar a nossa UFRJ”, afirmou o reitor da Universidade, professor Roberto Medronho, na cerimônia de celebração do contrato.

A Fundação Coppetec é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, destinada a apoiar a realização de projetos de desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, de ensino e de extensão do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e demais unidades da UFRJ. Seu público é composto por órgãos governamentais, privados, entidades multilaterais e empresas privadas nacionais e estrangeiras, sendo um elo entre a Universidade e a sociedade. Além dos serviços prestados na gestão dos projetos, a Coppetec atua na proteção de patentes, marcas e outros direitos do sistema de propriedade intelectual.

UFRJ encerra o ano com mais sustentabilidade orçamentária, amplia inclusão e avança em rankings e na internacionalização

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encerra 2025 com resultados expressivos em áreas estratégicas como finanças, ensino, inclusão social e governança institucional. O balanço da gestão foi apresentado na última Plenária de Decanos e Diretores do ano, realizada na quarta-feira, 17/12, na antiga sala do Consuni, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM), e reuniu os principais indicadores e ações desenvolvidas ao longo deste ano.

Entre os destaques está a reorganização financeira da Universidade, que iniciou o ano sem dívidas com a concessionária de energia elétrica Light, um marco considerado fundamental para a sustentabilidade orçamentária da instituição. Segundo o reitor Roberto Medronho, a decisão de judicializar o passivo, em vez de apenas repactuá-lo administrativamente, teve como objetivo evitar a transferência do problema para gestões futuras. A administração também estabeleceu como diretriz não contrair novas dívidas com a concessionária, reduzindo riscos de interrupção no fornecimento de energia, como as registradas em anos anteriores.

Ao longo de 2025, a UFRJ avançou, ainda, no fortalecimento acadêmico, com resultados positivos na graduação e na pós-graduação, na ampliação das políticas de permanência estudantil e no reconhecimento em rankings internacionais. O período também foi marcado pelo lançamento de iniciativas nas áreas de governança, cultura, extensão e comunicação, além de progressos na valorização dos servidores, na infraestrutura, na segurança dos campi e na promoção da diversidade.

Mesmo em um contexto de restrições orçamentárias, a Universidade ampliou sua projeção institucional e internacional, com a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos e a liderança em fóruns globais. Para a gestão, os resultados refletem um esforço coordenado de planejamento e responsabilidade institucional, voltado à redução de desigualdades internas, ao fortalecimento do diálogo com a sociedade e à reafirmação do papel da UFRJ como universidade pública de excelência.

Avanços na graduação e políticas de permanência

Na área acadêmica, 2025 foi marcado por resultados relevantes. Diversos cursos de graduação avaliados neste ano obtiveram nota máxima (5), reforçando a qualidade do ensino oferecido pela UFRJ. 

Outro destaque foi a ampliação das políticas de permanência estudantil, com a implantação do serviço de café da manhã em oito unidades (quatro no Fundão, uma no Centro, uma na Praia Vermelha, uma em Duque de Caxias e uma em Macaé) e a instalação do serviço de alimentação na Faculdade Nacional de Direito (FND), beneficiando, inclusive, estudantes de unidades do entorno, como a Escola de Enfermagem Anna Nery (Eean).

Em relação ao acesso à universidade, a UFRJ implementou cotas para pessoas trans nos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu, com a reserva de 2% das vagas para esse grupo social. A decisão histórica marca um avanço institucional na promoção da diversidade e no combate às desigualdades no ensino superior.

A Universidade registrou, ainda, o marco de 95% de ocupação das vagas ofertadas via Sisu, além de ter conseguido triplicar a taxa de ocupação das vagas ociosas. 

Também tiveram início as obras do novo prédio acadêmico e do restaurante universitário (RU) na Praia Vermelha, após intenso esforço técnico e administrativo para viabilizar os projetos, que ampliam a infraestrutura e melhoram a oferta de serviços à comunidade universitária.

Pós-graduação e reconhecimento internacional

Apesar da redução de bolsas por parte de agências de fomento à pesquisa e da adoção de novos parâmetros de distribuição nacional que desfavorecem a UFRJ, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) atuou no redimensionamento interno dos subsídios para minimizar impactos nos programas. 

Ainda com as restrições orçamentárias, a UFRJ foi considerada a segunda melhor instituição de ensino superior do Brasil de acordo com um levantamento realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR), que avaliou 21.462 instituições em 94 países. A Universidade subiu 70 posições no ranking global em comparação com o último levantamento, passando do 401º lugar para o 331º, desempenho que o reitor atribui à excelência do corpo docente, técnico-administrativo e discente.

“Mesmo com parcos recursos, a Universidade se destaca nos rankings internacionais. Imagine se recebêssemos o que nos é devido? Isso teria um grande impacto”, enfatizou Medronho, ao comparar a situação das universidades federais com o modelo de financiamento das estaduais paulistas.

O ano de 2025 também marcou o lançamento da revista Minerva, publicação bimestral dedicada a divulgar as pesquisas, a produção intelectual e o pensamento científico da instituição. A iniciativa busca aproximar, cada vez mais, a Universidade da sociedade.

Gestão de Pessoal e valorização dos servidores

Na área de pessoal, a Universidade enfrentou um volume elevado de aposentadorias – cerca de 600 apenas nos primeiros oito meses – e conseguiu reduzir o tempo médio de tramitação desses processos de 15 para cerca de três meses. Também foram retomados direitos represados há anos, como o pagamento de adicionais de insalubridade, que voltarão a ser analisados a partir de janeiro.

A gestão inaugurou a nova sede da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) e avançou na construção da nova Clínica de Saúde do Trabalhador, ambas situadas na antiga Bio-Rio, iniciativas alinhadas a uma nova filosofia de cuidado e prevenção. 

Governança e finanças

No campo financeiro, a UFRJ passou a divulgar de forma sistemática a execução orçamentária e o uso de recursos críticos, como os destinados à manutenção da Universidade. 

Também avançou na redistribuição da chamada verba CIP (Custos Indiretos dos Projetos), direcionando recursos para unidades com menor capacidade de captação, especialmente nas áreas de humanidades e cultura.

Como resultado dessa política, unidades como a Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) serão beneficiadas, o que possibilitará a realização de reformas estruturais urgentes. “Não é justo que áreas que não têm petróleo fiquem sem recursos. Diminuir desigualdades internas é uma decisão política desta Reitoria”, garantiu o reitor.

Outro destaque foi a criação do Escritório de Projetos da UFRJ, coordenado por um professor da Coppe, com o objetivo de apoiar docentes e unidades na captação de recursos. A iniciativa se soma ao crescimento expressivo das emendas parlamentares destinadas à Universidade: de R$ 22 milhões no ano anterior para R$ 43 milhões em 2025.

Cultura, museus e extensão universitária

A atuação da UFRJ nas artes e na cultura ganhou visibilidade ao longo do ano, com eventos de grande repercussão, como as celebrações dos 105 anos da UFRJ, realizadas no salão nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), exposições e concertos da Orquestra da UFRJ, que completou 101 anos de atividade ininterrupta, além do apoio à última récita de O Grito de Mueda – primeira ópera nacional moçambicana, com forte simbolismo histórico e político – na Escola de Música.

O Museu Nacional iniciou sua reabertura e terá novas áreas disponíveis ao público a partir de 2026, reafirmando o compromisso com o patrimônio científico e cultural do país.

Na extensão, a Universidade teve participação histórica na Rio Innovation Week, com um estande unificado da UFRJ, que se tornou o mais visitado do evento e obteve ampla repercussão na mídia nacional. Projetos como o robô 14 Bis reforçaram a imagem da Universidade como polo de inovação. 

Outro avanço foi o reconhecimento da prestação de serviços como atividade de extensão.

Segurança e comunicação

Em 2025, a UFRJ avançou na área de segurança, com a implantação de cancelas eletrônicas na Praia Vermelha, convênio com o 17º Batalhão da Polícia Militar para rondas permanentes e ações integradas que resultaram no desmantelamento de uma quadrilha envolvida em roubos de veículos dentro dos campi. Medidas preventivas de manutenção também evitaram alagamentos e quedas de árvores durante fortes temporais.

A comunicação institucional foi apontada como área em crescimento, com expansão significativa do alcance das redes oficiais da Universidade e maior presença na imprensa. A gestão reconhece avanços, mas afirma que o fortalecimento da comunicação seguirá como prioridade estratégica.

Compromisso com a diversidade e o futuro

Ao encerrar o balanço, o reitor da UFRJ destacou a atuação da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada) e das ouvidorias Geral e da Mulher, com o fortalecimento de políticas de combate ao assédio, ao racismo e a todas as formas de discriminação. Para a gestão, criar um ambiente universitário seguro, diverso e livre de medo é condição essencial para a excelência acadêmica.

Outros pontos destacados foram a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos internacionais e da realização do Fórum de Reitores das Universidades do Brics+, consolidando a posição da UFRJ no cenário global. “A internacionalização é estratégica para a UFRJ. Em apenas um ano, assinamos mais de 60 convênios internacionais, o que demonstra o reconhecimento da Universidade no mundo todo”, disse Medronho.

Tática universitária contra violência de gênero

Promover a reflexão e o debate sobre táticas de enfrentamento em casos de violência contra a mulher no ambiente universitário: Esse foi o intuito do 1° Encontro Ouvidoria da Mulher e Coletivos Femininos Discentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado na segunda-feira, 15/12, no Auditório Professor Manoel Maurício de Almeida Albuquerque, situado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus Praia Vermelha. A iniciativa faz parte do programa Movendo Estruturas, desenvolvido pela Ouvidoria da Mulher e pela Ouvidoria-Geral da Universidade.

 A mesa de abertura contou com a presença do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e da vice-reitora, Cássia Turci. Também participaram desse momento inicial, a pró-reitora de Graduação, Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes; a superintendente-geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada), Denise Góes; o decano do  CFCH, Vantuil Pereira; a ouvidora-geral, Katya Gualter; e a representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata e do Coletivo de Mulheres Carolina Maria de Jesus da Faculdade Nacional de Direito (FND), Leticia Maia. 

 Durante o  encontro  foi possível conhecer ações já instituídas pela Universidade no enfrentamento à problemática, assim como aprender a identificar e agir frente aos episódios de violência de gênero. Representantes do Comitê Gestor do Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) também trouxeram contribuições importantes. Além disso, grupos de trabalho discutiram temáticas como encorajamento à denúncia, protocolos de acolhimento e práticas cotidianas de enfrentamento.  

“Estamos atentas ao clamor da UFRJ para extinguir todas as formas de violência das quais as mulheres são alvo. Iniciamos essa ação pelos coletivos femininos de nossas estudantes por serem uma parcela vulnerável do conjunto de mulheres da nossa Universidade. Há uma possibilidade de aproximação pela escuta, pela busca por táticas de enfrentamento às violências que atingem as mulheres no ambiente institucional. Táticas entendidas como a arte do fazer dos mais fracos, conforme conceitua Michel de Certeau”, explicou a ouvidora da Mulher, Angela Brêtas, mediadora do evento.

Paz sem voz, é medo!

Para Medronho, não é possível haver excelência acadêmica onde há silenciamento, medo e violência nas suas diferentes formas:

“Estou me referindo a todos os tipos de violência, seja ela física, psicológica, sexual, moral, institucional ou expressa em discriminações e desigualdades que se repetem e são naturalizadas. A Ouvidoria da Mulher existe para ser a porta de entrada e de confiança, um lugar onde a palavra encontra acolhimento, a dor não é tratada como exagero, nem como uma questão menor. Trata-se de uma estrutura de garantia de direitos dentro da UFRJ, que atua em quatro dimensões: acolhimento qualificado; encaminhamento e articulação; prevenção e formação; memória institucional e transparência responsável. Que saiamos deste encontro com encaminhamentos concretos, pois esta é a melhor homenagem que podemos fazer a quem sofreu ou sofre violência”.

Reitor da UFRJ defende combate a todas as formas de violência e silenciamento | Foto: Renan Silva (Sintufrj)

A  representante da Associação dos Pós-Graduandos (APG) da UFRJ, Julia Garcia, fez uma alerta: “O assédio moral na pós-graduação tem afetado muito a saúde mental dos estudantes de modo geral. Mas o marcador de gênero agrava ainda mais a situação das mulheres”. Por sua vez, a discente que representou o DCE lançou um questionamento direto: “Como fazer a UFRJ ser um lugar melhor e mais acolhedor para as mulheres?” 

Cássia Turci compartilhou o que considera fundamental para a construção de uma universidade livre de violência e assédio: “Para mudar este cenário, precisamos discutir o tema sem medo. Não podemos nos calar nunca! É por meio do diálogo franco que as questões emergem. A maioria dos assédios acontece dentro das universidades, principalmente aqueles velados. Isso é muito grave e tem provocado muito  adoecimento mental. A universidade deve ser um lugar onde as pessoas se sintam bem”. 

 Ao falar sobre a participação das mulheres na Administração Central da UFRJ, a chefe de Gabinete da Reitoria lembrou um episódio vivenciado, no passado, como diretora  da Escola de Química. Fabiana Fonseca narrou que, certa vez, um docente entrou de maneira abrupta e desrespeitosa na sala destinada à gestão, que era ocupada por mulheres, para questionar uma norma institucional: 

“O professor não teve pudor algum em agir desta forma e questionar o motivo pelo qual eu utilizava uma vaga no estacionamento, tradicionalmente reservada para quem ocupava o cargo na direção da unidade. Duvido, se no meu lugar estivesse um homem, que ele teria tido esse tipo de atitude. Mas ainda bem que a UFRJ está caminhando, de modo irreversível, para um perfil cada vez mais diverso. Atualmente, 13 mulheres maravilhosas e competentes integram a equipe desta gestão”, disse, orgulhosa.

UFRJ discute caminhos para o fortalecimento da cooperação acadêmica com a França

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, reuniu-se, nesta segunda-feira, 15/12, na Cidade Universitária, com o novo cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, Eric Tallon, para discutir o fortalecimento da cooperação acadêmica entre a UFRJ e universidades francesas. 

O objetivo de ampliar os programas de intercâmbio entre os dois países alinha-se à meta estabelecida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o da França, Emmanuel Macron, de alcançar 8 mil estudantes brasileiros em instituições francesas até 2026. “A UFRJ está muito alinhada com a atual política externa de ampliação da internacionalização e dos laços com a França. Certamente teremos grande demanda nas áreas de engenharias, biomédicas, ciências humanas e sociais”, afirmou Medronho durante o encontro.  

Atualmente, a França é o país com o qual a UFRJ possui o maior número de acordos acadêmicos internacionais, totalizando mais de 80, dentre acordos de intercâmbio de estudantes, acordos de duplo diploma, acordos para cooperação científica e tecnológica e protocolos de intenções.

Além do reitor da UFRJ e do cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, participaram da reunião o superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ, Papa Matar Ndiaye, e o adido para a Ciência e Tecnologia, Vincent Brignol | Foto: SGCOM

Confira a lista de universidades francesas parceiras da UFRJ no site da Superintendência-Geral de Relações Internacionais (Sgri).

UFRJ recebe presidente da Faperj

O Gabinete da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu nesta terça-feira, 9/12, a visita da presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves da Costa. Um dos temas abordados,  durante a reunião na Cidade Universitária, foi a possibilidade de intensificar o apoio da agência de fomento na resolução de questões enfrentadas pela instituição. Um desses desafios foi a perda de 1.300 bolsas de mestrado e doutorado, entre 2018 e 2025, que eram subsidiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pedido do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), João Torres de Mello Neto, apresentou sinteticamente alguns dos muitos projetos beneficiados pelo financiamento do órgão, entre eles: o LabOceano, o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), o Museu Nacional Vive e o Espaço Ciência do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), em Macaé. A conversa também teve a presença da vice-reitora, Cássia Turci; da chefe de gabinete, Fabiana Fonseca; e dos professores eméritos da UFRJ, Adalberto Vieyra e Luiz Davidovich.

Pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), João Torres de Mello Neto, apresenta projetos da UFRJ financiados pela Faperj | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Presidente da Faperj: “Fortalecimento no orçamento da Fundação em 2026 irá espelhar na UFRJ” | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A presidente da Faperj elogiou o comprometimento da UFRJ com a ciência e com o desenvolvimento de projetos de alto impacto social, como é o caso do luminol, utilizado para revelar vestígios invisíveis em investigações criminais e como aliado no combate à contaminação hospitalar. Caroline Costa também destacou o fato de a Universidade sempre ser a primeira colocada nas submissões da Fundação e a preocupação do órgão com o referido corte de bolsas. No entanto, também apresentou melhores perspectivas para o próximo ano:  

“O orçamento da Faperj tende a aumentar. Possivelmente, iniciaremos 2026 com mais R$70 milhões. Esse fortalecimento vai espelhar na UFRJ. Em 2025, saímos de 21 para 40 editais. Em 2026, pretendemos criar uma espécie de site para conectar todos os nossos bolsistas e as pesquisas desenvolvidas. Com a iniciativa, teremos um mapa do nosso investimento. Além disso, vamos criar algumas câmaras para promover uma escuta mais ativa sobre o que as universidades esperam da Faperj em relação a uma política de continuidade que contribua para o fortalecimento da ciência”, enfatizou.