UFRJ concede título de doutor honoris causa a Ziraldo

foto: Jean Souza - CoordCOM/UFRJ

 

O multifacetado Ziraldo recebeu na noite de ontem (27/11) o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com 85 anos recém completados em outubro, ele fez um discurso emocionado, destacando a importância da família e amigos para a carreira. “Ao fim e ao cabo, o que importa são nossas relações de afeto”, disse.

Ele recebeu o título no Colégio de Altos Estudos da UFRJ, no Flamengo, rodeado de crianças, uma das imagens mais comuns em sua carreira como escritor e ilustrador. Também falou sobre a experiência da velhice.

“Avisei à imprensa que fiquei velho semana passada. É muito assustador você se perceber velho, mas tem uma vantagem. Você vai subindo uma escada, cada ano é uma escada que você sobe. Eu Cheguei no alto da torre e daqui do alto a vista é linda”, disse emocionado.

“A incomensurável contribuição dada à formação e educação de crianças e jovens, com uma produção marcada por temas nacionais” foi um dos motivos para a universidade aprovar sua diplomação, de acordo com um documento aprovado pelo conselho diretor do Fórum de Ciência e Cultura e pela congregação da Escola de Belas Artes.

“Ziraldo é, fortemente, representante de uma geração extraordinária de pessoas corajosas, que no exercício da criação sabia trabalhar o humor, a poesia, a cultura popular”, elogiou o reitor da UFRJ, Roberto Leher, ao falar sobre sua atuação na imprensa alternativa, durante a ditadura militar. Mencionando o Pasquim, Leher afirmou que Ziraldo atuava “carnavalizando a feiura da ditatura, desconcertando generais”.

Carlos Vainer, diretor do Fórum de Ciência e Cultura, destacou os mais de 10 milhões de livros vendidos pelo artista em diversos idiomas, sua contribuição para a ilustração de cartazes do cinema nacional e para as artes gráficas. “Nas artes plásticas, Picasso, Paul Klee e Kandinsky foram referências para o trabalho de Ziraldo”, destacou.

A cerimônia contou com uma homenagem da cineasta Daniela Thomas, filha do cartunista, que destacou a importância do pai para a imprensa alternativa brasileira e revelou traços da vida em família. “Ele parece não ter sono, preguiça, cansaço ou dúvida”, disse, ao comentar a avidez de Ziraldo para iniciar novos projetos.

Flora de Paoli, decana do Centro de Letras e Artes ressaltou que a obra infanto-juvenil do escritor continua marcando gerações de crianças.

Painel no antigo Canecão será restaurado

Carlos Vainer e o diretor da Escola de Belas Artes, Carlos Terra, mencionaram o projeto da UFRJ para restaurar o painel A última ceia, pintado pelo artista em 1967, no antigo Canecão, escondido por tapumes durante anos. A universidade descobriu quase metade da obra de 32mx6m intacta e busca recursos para o restauro. “A decisão de preservar a obra aumenta o valor sentimental do prêmio”, agradeceu Ziraldo.