UFRJ apresenta descoberta inédita de ovos de pterossauros

Descoberta foi apresentada nesta quinta (30/11) pelo paleontólogo Alexander Kellner, um dos integrantes da equipe internacional de pesquisadores

É a primeira vez que embriões são encontrados com os ossos tridimensionais 

Pesquisadores brasileiros e chineses encontraram mais de 300 ovos e centenas de restos de esqueletos de pterossauros na região de Hami, noroeste da China. Trata-se da maior concentração de ovos de vertebrados extintos conhecidos até então e que estavam em um bloco com pouco mais de 3m². O material é procedente de rochas formadas há aproximadamente 100 milhões de anos, período geológico denominado de Cretáceo Inferior, e reúne, além de animais jovens e adultos, os primeiros embriões preservados em três dimensões desse grupo, já encontrados.

A descoberta foi apresentada nesta quinta-feira (30/11), em entrevista coletiva, no Museu Nacional da UFRJ, pelo paleontólogo Alexander Kellner, um dos brasileiros integrantes da equipe de pesquisadores na China. Além dele, outros pesquisadores do estudo estiveram presentes. Segundo Kellner, até a presente data somente se tinha conhecimento de três embriões: dois da China e um da Argentina, todos preservados compactados. 

“Essa é a primeira vez que embriões são encontrados com os ossos tridimensionais que possibilitaram, inclusive, a elaboração inédita de estudos de seções osteohistológicas - que são lâminas dos ossos - de embriões”, salienta o pesquisador. O estudo será publicado na edição da revista Science que circula a partir desta sexta (1/12).

Os pterossauros formam um grupo extinto de répteis alados, que foram os primeiros vertebrados a estabelecerem o voo ativo. Para isso eles desenvolveram um extenso quarto dígito (corresponde ao dedo anular), que se tornou a base de sustentação de uma membrana alar, além de ossos extremamente finos. Desta forma, o seu esqueleto é bem frágil, o que dificulta a sua fossilização.

Analises com tomografia computadorizada demonstraram que nos animais recém-nascidos os ossos vinculados ao voo ainda não estavam bem ossificados, ao contrário dos ossos das pernas. Tal fato sugere que pelo menos essa espécie de pterossauro, denominada de Hamipterus tianshanensis, desenvolveu cuidado parental, tendo os pais que cuidar de sua prole por algum tempo após o nascimento.

Outro ponto importante da descoberta é o fato de que foram encontradas, numa altura de 2,2 metros, oito camadas com concentrações de pterossauros, quatro delas contendo ovos. Cada uma representa um tempo diferente na escala de anos. Isso levou a conclusão de que esses pterossauros eram animais gregários, realizavam a postura de seus ovos em grupo e possivelmente voltavam sazonalmente para a mesma região para desovar.

Os paleontólogos Alexander Kellner do Museu Nacional/UFRJ e Xaolin Wang do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da China em campo, no momento da descoberta. Foto: Alexander Kellner

 

O público poderá conhecer a nova descoberta em uma pequena exposição com réplicas de parte dos achados que ficarão expostas, a partir desta sexta no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, Bairro Imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Esta é mais uma das ações do Museu Nacional, primeiro museu do Brasil e a mais antiga instituição científica de História Natural e Antropologia do país, que em 2018 comemora 200 anos de criação.   

arte: Chuang Zhao