Consciência ambiental no II Encontro Saúde e Educação para a Cidadania


 Fotos: Marco Fernandes
  

Música, dança e folclore marcaram a abertura do II Encontro Saúde e Educação para a Cidadania, organizado pela coordenação de extensão do Centro de Ciências da Saúde (CCS). O encontro ocorreu no dia 10 de outubro, no próprio Centro. A apresentação do grupo Folclorear, da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD/UFRJ), arrancou aplausos de pé dos presentes no auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), que reviveram os tempos de infância.

Interpretações de brincadeiras e danças tradicionais, como “escravos de jó” e cantigas de roda em pequenos quadros relembraram a importância do folclore para a formação de adultos saudáveis e preservação da cultura nacional.

 A mesa de abertura contou com a presença do decano do CCS, professor Almir Fraga Valadares. Além dele, estavam presentes na mesa a professora Ana Inês Souza, representando a pró-reitora de extensão; o superintendente do CCS, professor Roberto Leal; a professora Diana Maul de Carvalho, coordenadora de extensão do Centro e a professora Florence Viana, organizadora do evento.

O decano ressaltou a importância do evento e da extensão como um todo. “A Universidade se sustenta no famoso tripé pesquisa, ensino e extensão. Acredito que, na extensão, conseguimos abranger os três: na extensão se pesquisa; na extensão se ensina e, ainda, se cumpre com o dever maior de uma universidade pública: o de retornar à sociedade que a financia sua produção”, afirmou o decano, parabenizando o evento, bem como os outros integrantes da mesa.

Para Almir Fraga, a cidadania, motivo central do evento, passa pela saúde, pela educação, e também pelo bem-estar social, físico e ambiental. “Com essa segurança ambiental, a saúde psicológica do indivíduo e garantida, e mantida por um processo de educação”, concluiu o decano.

Cidadania e meio ambiente

Esse foi o tema da conferência principal do encontro, ministrada por Vinicius Farjalla, professor do Instituto de Biologia e do Núcleo de Pesquisas Ecológicas de Macaé (NUPEM), da UFRJ. O professor apresentou ao público um panorama geral da situação do planeta e abordou algumas hipóteses sobre causas e possíveis conseqüências do planeta.

Com a imagem de satélite do furacão Katrina permanente durante toda a apresentação de slides, Farjalla trouxe à tona para debate desastres pouco ou nada conhecidos, como o caso do lago Chad, na África. “Esse lago era o maior corpo de água doce de toda a África, abastecendo milhões de pessoas”, contou o professor. Hoje, o lago encontra-se com suas proporções extremamente reduzidas e principal causa apontada para esse efeito é o uso de suas águas para irrigação, considerado um mau uso. Segundo o professor, nunca houve tantos recordes de mudanças climáticas na história do planeta. Em um ano, ocorre o período mais seco, em outro, o mais chuvoso, e assim por diante. Por isso, o mundo passou a falar mais também sobre o assunto. Revistas científicas internacionais renomadas já somam centenas de matérias sobre as mudanças climáticas e o aparente “fim do mundo”, para as mais catastróficas.

Independente de especulações, há de se levar em conta os fatos. Por exemplo, uma estimativa aponta que a temperatura global aumentou 0,75 °C. “Esse número pode parecer pequeno e imperceptível, mas o problema é que isso é a média, que engana demais. Não vivemos a média. Por exemplo, no deserto, a média diária é em torno de 20 °C , porém temos 50 °C durante o dia e -20 °C à noite, o que é insuportável”, explicou Farjalla.

Esses números são apenas alguns dos dados que confirmam que algo de estranho está acontecendo no planeta. Segundo o professor, relacionar esses dados com a ação do homem ainda está no campo da especulação. De qualquer forma, a dúvida já é suficiente para começar a agir, segundo o professor.

Nem tudo, contudo, são más notícias. Farjalla relata que a luta contra a destruição da camada de ozônio já surtiu efeitos. “A emissão de cloro-flúor-carbono já sofreu uma redução significativa. Isso está relacionado à conscientização. Quem emite CFC hoje em dia, já é considerado um monstro. Por que não também não pensar assim de alguém que dirige um carro imensa movido a diesel, por exemplo?”, disse o professor.

O trabalho coletivo é fundamental, para Farjalla. “A ação individual muitas vezes só serve para atenuar o peso na consciência, mas não surte efeitos claros”, opinou o professor, discordando da célebre história do beija-flor que fazia a sua parte tentando apagar o incêndio com um pouco de água no bico. “A menos que sejam muitos deles carregando um balde, não bastaria para apagar o fogo”, concluiu, ainda referindo-se à fábula, o professor Vinícius Farjalla.