Porque descartar corretamente resíduos perfurocortantes

Presidente da Comissão de Biossegurança do CCS culpa desinformação pelos descartes irresponsáveis
 
 Em agosto de 2008, um funcionário da limpeza do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ se feriu ao manipular o lixo comum. Uma agulha contendo sangue penetrou sua coxa e o funcionário teve que ser atendido com urgência devido à incerteza do material presente no resíduo perfurocortante. Desde então, a Comissão de Biossegurança do CCS se mobiliza para esclarecer à comunidade acadêmica como descartar tais resíduos e atua de modo a disponibilizar recipientes para isso, conforme as normas de biossegurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com a professora Sônia Soares Costa, presidente da Comissão de Biossegurança do Centro de Ciências da Saúde, a melhor maneira encontrada pela comissão para orientar os pesquisadores e demais componentes dos laboratórios do centro foi a confecção de um folheto explicativo disponível em versão digitalizada. Em dezembro de 2008 foram impressos cerca de 3 mil folhetos, que passaram a ser distribuídos pelas unidades do CCS e ainda em eventos como as aulas inaugurais dos calouros e durante a disciplina “Bioética, biossegurança e boas práticas com animais em experimentação”, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-UFRJ). 

No folheto consta resolução da Anvisa com a seguinte definição: “materiais perfurocortantes podem ser definidos como objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontas ou protuberâncias rígidas e agudas capazes de cortar ou perfurar. Nessa categoria encontram-se as agulhas, lâminas de bisturi, lâminas e lamínulas, lâminas de barbear, lancetas, escalpes, espátulas, ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, micropipetas, pontas diamantadas, tubos capilares; e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas, tubos de coleta sanguínea etc.) e outros similares.”

Porém, a professora alerta que qualquer objeto para descarte que possa ferir quem o manipule deve seguir as normas de biossegurança. De maneira clara e direta, o folheto ainda aborda como deve ser feita a separação dos materiais perfurocortantes, o tratamento preliminar dos mesmos quando contaminados por agentes biológicos, até o seu descarte final. 

“Partimos do princípio que ninguém descarta intencionalmente para causar um mal a alguém, mas descarta por desconhecimento das normas. Achamos que se fizéssemos um folheto explicando como manipular, definir o que são os materiais perfurocortantes, onde eles estão, como trabalhar com esses objetos, minimizaríamos os riscos biológicos e de acidentes, principalmente, para quem recolhe o lixo”, explica a presidente da comissão. 

Além da distribuição do impresso, a Comissão de Biossegurança do CCS ofereceu aos laboratórios do Centro caixas para recolhimento de material perfurocortante. Sobre tal atitude, Sonia Costa justifica: “para minimizar os riscos, devemos disponibilizar as condições para que as pessoas não encontrem justificativa para não agir da maneira correta.” No entanto, desde 2009, a comissão não conseguiu renovar a distribuição das caixas. 

Mudança de comportamento e perspectivas

Desde o lançamento do folheto, apenas um descarte irregular foi registrado. “Recentemente, encontramos num dos corredores do CCS uma seringa contendo líquido com sangue e agulha ao lado da lixeira para descarte de lixo comum. Mas posso afirmar que esse tipo de comportamento está isolado, antes isso era mais comum”, avalia a professora. 

O folheto sobre o descarte de resíduos perfurocortantes é o primeiro de uma série. “Temos outros em vista que vão focalizar os riscos químicos, biológicos e como manipular e descartar algum material que foi radioativo. Quando se manipula algo que não se sabe o que é o risco aumenta”, analisa Sônia. E complementa: "temos que ter a comissão de biossegurança como um aliado do nosso cotidiano e não como um agente de policiamento. A biossegurança visa evitar danos à nossa saúde e preservar o meio ambiente. Quando se respeita às normas de biossegurança, contribuímos para que os nossos trabalhos de pesquisa tenham maior qualidade.”