UFRJ completa 95 anos e anuncia digitalização de acervo histórico sobre a formação da universidade

Reitoria lançará projeto para resgatar a história da UFRJ através de acervo multimídia, com foco nas comemorações dos cem anos da universidade, em 2020. Composta inicialmente por apenas três faculdades, instituição possui hoje mais de 260 graduações.

Os primeiros registros sobre a formação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) passarão por um processo de restauração, conservação e digitalização a partir deste ano, como parte das comemorações dos 95 anos da instituição, celebrados nesta segunda-feira, 7 de setembro.

Cerca de 10 mil páginas manuscritas serão preservadas por uma equipe de profissionais do Museu Nacional da UFRJ, especializada na recuperação de acervos. Com a digitalização e divulgação on-line do patrimônio, a Reitoria pretende contribuir para que pesquisadores e sociedade tenham acesso facilitado e possam compreender melhor a história da universidade e sua influência sobre a trajetória do país.

Entre os documentos, está a ata que registra a primeira reunião entre as Faculdades de Medicina, Escola Politécnica e Faculdade de Direito, as três escolas criadas no século XIX, cuja união deu origem à então Universidade do Rio de Janeiro (URJ). Assinada pelo reitor Benjamin Franklin Ramiz Galvão, o documento data de 11 de outubro de 1920.

Nas páginas seguintes, é possível acompanhar as discussões entre os diretores das escolas, membros das congregações e conselhos superiores de ensino da universidade, que nasce com pouca integração entre as suas unidades, e que ao longo dos anos tem o desafio de se compor como uma instituição de saberes de fato articulados.

“O levantamento da documentação é parte de um esforço institucional do conhecimento histórico. Existem muitas iniciativas que já coligiram e examinaram parte desse material, como o excelente trabalho do Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (Proedes), por exemplo, mas restam muitas lacunas e, não menos importante, existe um risco muito grande de perdermos esse precioso acervo documental”, afirma o reitor da UFRJ, Roberto Leher.

“A digitalização é crucial para que possamos fazer um cuidadoso e rigoroso balanço das transformações que possibilitaram erigir, em um curto espaço de tempo, menos de um século, uma universidade reconhecida mundialmente, e que segue pioneira na produção de conhecimento novo de alta relevância teórica e social, em todos os domínios do conhecimento, articulando, de modo original, cultura, arte, ciência e tecnologia”, avalia.

Já pensando nos cem anos da instituição, em 2020, a Reitoria lançará nos próximos meses, um projeto para resgate da memória da universidade, através da preservação e divulgação de vídeos, imagens, textos e entrevistas sobre fatos, personagens e momentos marcantes da história de docentes, servidores técnico-administrativos, alunos e ex-alunos da UFRJ.

Histórico de mudanças

Criada no dia 7 de setembro de 1920, através do Decreto 14.343, assinado pelo presidente Epitácio Pessoa, a Universidade do Rio de Janeiro, ao longo do tempo, sofreu uma série de intervenções em sua composição e denominação. A partir de 1937, por determinação do Estado Novo, passou a se chamar Universidade do Brasil, como parte de um projeto que a colocava como modelo para as demais instituições de ensino superior existentes, e que deveria receber os melhores alunos do país.

A atual denominação veio apenas em 1965, durante a ditadura, quando o Governo Federal instituiu que as universidades e escolas técnicas federais deveriam ser qualificadas como federais, identificando o seu respectivo estado.

A universidade hoje

Referência nacional e internacional no campo das ciências, artes, cultura e tecnologia, a UFRJ enfrenta o desafio de pensar e propor soluções para as grandes questões nacionais. Com 62 mil alunos na graduação, pós-graduação e Colégio de Aplicação, tem mais de 9800 servidores técnico-administrativos, 5 mil terceirizados e 4 mil docentes, atuando em 266 graduações e habilitações. Com presença na capital do estado, nos últimos anos passou a atuar em Duque de Caxias e Macaé, levando ao interior graduações estratégicas para o desenvolvimento do país.