UFRJ pode transformar lixo em energia

Produção de energia a partir de rejeitos. Esta foi a proposta que o Comitê Técnico do Plano Diretor UFRJ 2020 conheceu no último dia 28. O projeto da usina, de autoria do engenheiro Sérgio Guerreiro, funcionário da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) cedido ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), tem um custo estimado entre R$ 55 e R$ 60 milhões e prevê uma eficiência energética de 22 a 33% através do aproveitamento de resíduos e gás natural.

O Ciclo Combinado Otimizado (CCO) já teria despertado o interesse de Furnas/Eletrobrás, contaria com parcerias com a construtora Odebrecht e a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), e utilizaria recursos do BNDES. Segundo Guerreiro, a proposta baseia-se em experiências já existentes em países como Holanda e Espanha, mas com o diferencial da maior eficiência energética e o baixo custo. "Aproveitei o modelo que já funciona na Europa e procurei aprimorá-lo", define.

A expectativa é que a iniciativa desperte o interesse dos governos Federal e Estadual e que os representantes dessas esferas sejam sensibilizados da necessidade de isenção de PIS/Cofins e de ICMS para a viabilidade do projeto. Guerreiro afirmou que as negociações com Furnas estão avançadas e que é do interesse da empresa a construção de um empreendimento nos moldes da Usina de Lixo e Energia (WTE) – já em funcionamento em diversos países - e o CCO atenderia a essas expectativas.

Segundo Pablo Benetti, a proposta vai ao encontro dos objetivos do Plano Diretor, bastando apenas a definição da área de instalação da usina. Além da Cidade Universitária, outro local cotado para receber o empreendimento é nas proximidades da Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria, no bairro do Caju.

Com a comprovada inviabilidade de continuação das operações do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, a partir de estudos técnicos da Comlurb, e a promessa do prefeito eleito de não instalar um novo "lixão" em Paciência, para Guerreiro é de interesse do Estado e do Município criar uma alternativa para a destinação dos rejeitos. "O Rio não tem mais onde colocar lixo. Esta proposta é de interesse não apenas da universidade, como de toda a sociedade", aponta.

Gestão Ambiental, Saúde e Segurança
Outra proposta recebida pelo grupo de trabalho foi levada pela professora Alessandra Magrini, do Programa de Planejamento Energético da Coppe. A idéia é a implantação de uma pesquisa para análise e desenvolvimento de um programa que abrangeria cinco áreas: segurança; abastecimento de água; sistema elétrico e fornecimento de energia; gestão de resíduos; e monitoramento e controle ambiental.

O objetivo é a criação de um modelo de Gestão Ambiental, Saúde e Segurança que seria gestado no Centro de Tecnologia (CT) para posterior extensão a toda universidade. A equipe de trabalho comandada pela docente já trabalha na análise de experiências em instituições de ensino e pesquisa dentro e fora do país que obtiveram sucesso com iniciativas nestes moldes. A meta é adaptar o modelo a ser implantado na universidade à NBR ISO 14001 e à OHSAS 18001, referências nacional e internacional em projetos de gestão ambiental, segurança e saúde do trabalhador.

O professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) Carlos Vainer destacou a importância do projeto. "Proponho um grupo de estudo para assuntos de Ecologia para incorporar esta proposta ao Plano Diretor. No entanto, acredito que um projeto ambiental da UFRJ deve levar em consideração a comunidade da Maré", ponderou.

Zoneamento e edificações
O vice-prefeito, Ivan Carmo, também esteve presente ao encontro e apresentou um projeto para zoneamento e normas para as edificações da Cidade Universitária. A proposta é estabelecer um conceito que priorize a circulação de pedestres e de transporte público e ativo (veículos não-motorizados) e contemple ainda a manutenção de uma identidade visual do campus universitário, estacionamentos em áreas periféricas das edificações, gabaritos diferenciados, sinalização eficiente, mobiliário adequado, entre outros.

Segundo o conceito proposto, os edifícios da Cidade Universitária seriam adequados ao princípio de acessibilidade universal estabelecido pela NBR 9050 e pelo Código de Segurança contra Incêndio e Pânico do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro (CBMERJ).

Com relação aos estudos sobre a taxa de ocupação da área da Cidade Universitária, a proposta já conta com dois modelos a serem seguidos: a Rua General Glicério e adjacências, em Laranjeiras, e a Rua Lauro Muller, em Botafogo, conhecida como Nova Urca. "São localidades que aliam vitalidade urbana, sem ser saturada, à qualidade de vida", define Carmo.