Profissionais debatem Comunicação Pública e Universitária

Da primeira edição do ciclo de debates “A Comunicação na UFRJ”, realizada no dia 27 de julho, participaram a professora Suzy Santos, da Escola de Comunicação da UFRJ, e a jornalista Akemi Nitahara, representante dos funcionários do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Com mediação do assessor de imprensa da UFRJ, Jean Souza, elas conversaram com o público e responderam às suas perguntas acerca do tema “Democracia e Comunicação Pública”.

Considerando a dificuldade para integrar cerca de 20 assessorias de imprensa dentro da UFRJ e a relevância de questões sobre democracia e estrutura dos meios de comunicação no Brasil, o ciclo de debates vem acrescentar conteúdo e fomentar discussões. O objetivo final é pensar uma política de comunicação para a universidade.

Incentivado pela Reitoria, o evento foi organizado pelos membros dos dois Grupos de Trabalho (GTs) formados neste ano para as discussões. 

Jean Souza informou que os GTs “Política de Comunicação” e “Integração, Infraestrutura e Tecnologia” estão abertos para a participação da comunidade universitária, por meio da CoordCOM. 

Akemi apresentou ao público o funcionamento da EBC, desde a criação dos primeiros veículos de mídia pública no Brasil até a atual estrutura da rede. Segundo ela, a importância da Comunicação Pública não se restringe à comunicação de informações oficiais, mas também tem participação fundamental na transmissão da cidadania e educação. “A EBC atinge populações que são ignoradas por redes privadas por não serem interessantes comercialmente”, afirmou. “E como a legislação própria estabelece uma cota mínima de conteúdo regional, a EBC também tem como objetivo fomentar a produção de mídia independente”. Akemi também apontou os ataques políticos e midiáticos que a EBC vem sofrendo nos últimos meses, com a destituição ilegal do presidente da Empresa (já devolvido ao cargo pelo Supremo Tribunal Federal), listas de demissões e até mesmo censura, com a interrupção do sinal para transmissão de pronunciamento político, que geraram, inclusive, a campanha #FicaEBC, promovida por funcionários e apoiadores. A relevância do debate sobre Comunicação Pública foi ressaltada pela professora Suzy. Ela afirmou que, em determinados momentos, a necessidade das pautas se impõe, apesar do histórico brasileiro de esforço político pela despolitização dos cursos de Comunicação Social, um reflexo dos anos de ditadura militar. “Discutir Comunicação Pública neste contexto é algo muito embrionário”, disse a professora. “Nisso, a EBC já tem um grande papel, apesar dos vários problemas que se podem elencar, como algumas partes da programação infantil”. Outro tema trazido ao debate foi a necessidade de se fomentar um modelo de mídia pública adaptado ao público brasileiro. Para Suzy, é fundamental analisar grandes nomes estrangeiros, como o canal alemão Deutsche Welle e a rede britânica BBC, mas “precisamos desmitificar esses mitos e pensar especificamente no caso brasileiro” e não cair no que a professora chama de “gosto elitista como pauta”. Assim, a universidade, como ambiente fértil de experimentação, seria um terreno bastante rico para produções do tipo. “A Universidade tem o papel de oferecer uma comunicação diferente da institucional e deve servir à comunidade”, pontuou. O evento foi transmitido ao vivo na íntegra e estará disponível na WebTV UFRJ.  

Akemi Nitahara
Akemi Nitahara, da EBC

O segundo debate do ciclo, “Experiências de Comunicação na UFRJ”, acontecerá no mês de setembro, com as presenças de Fernando Salis (professor da ECO/UFRJ e superintendente de Comunicação, TV e Rádio do Fórum de Ciência e Cultura) e Fernando Pedro Lopes (assessor de imprensa da Casa da Ciência e ex-assessor de comunicação da UFRJ na gestão Aloisio Teixeira).

Fotos de Diogo Vasconcellos - CoordCOM/UFRJ