Nota Pública da Faculdade de Educação

A Direção da Faculdade de Educação divulgou nota posicionando-se a respeito do artigo do professor Márcio da Costa, publicado no jornal O Globo no dia 25/9.

Leia a nota na íntegra:

 

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2016.

Posicionamento da Direção da Faculdade de Educação da UFRJ sobre artigo publicado no jornal O Globo em 25/9/2016, intitulado “Será que vai dar praia?”, do professor Márcio da Costa. 

A Direção da Faculdade de Educação da UFRJ vem a público se manifestar a propósito do artigo “Será que vai dar praia?” do colega professor Marcio da Costa, publicado no jornal O Globo em 25/9/2016. Tais ideias parecem ter sido motivadas pela suspensão das atividades acadêmicas da Faculdade de Educação que têm lugar no campus da Praia Vermelha (e exclusivamente dessas) no dia 22 de setembro, decisão sobre a qual são necessários alguns esclarecimentos. 

Como expressou em esfera externa à UFRJ opiniões crítico-destrutivas ao setor público, e agrediu toda uma comunidade de servidores públicos atribuindo-lhes a característica de trabalhadores negligentes, achamos por bem não nos calarmos, manifestando o nosso posicionamento como Direção da FE/UFRJ, como colegas e cidadãos que têm lutado com muito trabalho e dedicação por uma educação pública universal e de qualidade para todos. 

A motivação desta resposta deriva principalmente dos seguintes aspectos: 

  • o conteúdo deste artigo circulou no grupo de emails de professores e técnicos-administrativos da FE/UFRJ no dia 21/9. Entretanto, ao publicar o artigo em jornal de grande circulação, a imprecação do colega extrapolou os muros da universidade e não se trata mais apenas de "lavar nossa roupa suja em casa”; 
  • a manifestação do professor não é um ato isolado e se faz em tempos sombrios, numa conjuntura de recrudescimento do conservadorismo, do ultraliberalismo, de emergência de discursos autoritários, de enfraquecimento da instituição democrática, de retrocesso das conquistas educacionais e de desmantelamento do setor público; 
  • o que foi dito e escrito não representa nem de longe a complexidade das relações sociais do cotidiano acadêmico da FE e da UFRJ; 
  • a nossa indignação se amplia pela responsabilidade da direção que envolve toda uma equipe comprometida com a gestão pública em meio às dificuldades e ameaças atuais; 
  • o entendimento de que greve é um instrumento de luta suficientemente sério para ser tratado dessa forma. Desqualificar esse direito ou abusar de seu exercício são duas faces de uma mesma moeda: o descompromisso com o público e a negação de direitos sociais dos trabalhadores historicamente conquistados. 

 

Vamos, pois, aos esclarecimentos.

No dia 21/9/2016, a Direção da FE/UFRJ foi comunicada sobre a adesão da maioria dos servidores da FE/UFRJ à paralisação nacional, aprovada pelo SINTUFRJ. A partir desta informação, procuramos nos preparar para o dia 22/9 junto aos diferentes setores dos quais dependemos, para o funcionamento com segurança. Tais procedimentos se fazem indispensáveis e requerem diferentes níveis de negociação dada a situação atual singular na qual se encontra a FE/UFRJ, devido aos espaços diversos e dispersos que ocupa, cujo acesso não depende diretamente de seu corpo administrativo. 

Diante destas circunstâncias, a Direção da FE/UFRJ avaliou que seria melhor suspender as sua atividades administrativas e acadêmicas na Praia Vermelha no dia 22/9, comunicando tal decisão ao seu corpo acadêmico no dia anterior. Levamos ainda em conta as distâncias significativas que representam os deslocamentos de nossos estudantes e o risco de que eles os fizessem em vão. 

Destacamos que essa foi uma medida pontual desta gestão, resultante de uma análise que considerou diferentes variáveis e que de forma alguma pode ou deve ser generalizada para toda a UFRJ. 

Aliás, nesse mesmo dia, a UFRJ recebeu mais de três mil estudantes de ensino médio para conhecer a instituição e o CONSUNI se reuniu regularmente, discutindo um tema central para o futuro da universidade – a Assistência Estudantil. Vale sublinhar que as atividades da FE/UFRJ desenvolvidas em outros campi ocorreram normalmente. Do mesmo modo, iniciou-se ainda nesse mesmo dia, no IFCS, a 5ª Edição do ENSOC – Encontro Estadual de Ensino de Sociologia –, coordenado por professores da FE e com a participação da Direção dessa unidade na mesa da abertura. 

Essas diversas atividades, entre tantas outras, demonstram o dinamismo cotidiano da UFRJ, reconhecida em recente avaliação nacional como a melhor universidade brasileira, com especial destaque para seus cursos de Pedagogia e Licenciaturas. 

Esclarecemos também que sexta-feira, 23 de setembro, foi dia de expediente normal. 

 

Carmen Teresa Gabriel

Rosana Heringer

Direção FE/UFRJ