Diretor da Coppe defende consumo consciente de energia

O diretor da Coppe/UFRJ, professor Edson Watanabe, apresentou, nessa segunda-feira, à comunidade da UFRJ, recomendações que podem ajudar a instituição a concretizar a meta estabelecida pelo Programa UFRJ de Economia de Energia Elétrica. A proposta é reduzir em cerca de 20% as despesas da Universidade com energia elétrica, atualmente R$ 46,2 milhões por ano, resultando em uma economia da ordem de R$ 10 milhões. Na palestra “Energia Elétrica – Isto é da Sua Conta”, o professor esclareceu conceitos e apontou os impactos, explícitos e implícitos, das fontes de energia e do consumo.  

"Os bens que consumimos são comprados em diferentes unidades. Tomates e batatas são comprados por quilograma, por exemplo. A conta de luz é paga com base na unidade kWh, sendo que gerar um único watt-hora equivale à energia necessária para elevar 10 quilos à altura do 12º andar de um prédio. Um kWh equivale a mil vezes esse esforço", ensinou o professor.

Segundo o diretor da Coppe, para cada watt de energia consumido é necessário 1m² de área inundada para geração a partir de hidroeletricidade. “O pico do consumo de energia elétrica no Brasil ocorre às 19h, justamente quando a maior parte das pessoas já saiu do trabalho ou escola e, dizem, estão no banho, onde usam chuveiro elétrico, ou vendo TV. Qual o futuro de um país cujo pico de demanda por energia é quando estamos vendo TV ou tomando banho?", criticou.  

Compareceram ao evento professores, funcionários e alunos. A Reitoria esteve representada pela vice-reitora, professora Denise Nascimento, e pelos pró-reitores Roberto Gambine (Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento), Ivan Carmo (Pró-Reitoria de Gestão e Governança), Leila Rodrigues (Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa) e Maria Mello de Malta (Pró-Reitora de Extensão).  

Holanda: uma boa equação  

Apesar de haver muito desperdício, falta de conscientização e necessidade de investimentos em eficiência energética, o consumo per capita de energia elétrica ainda é muito baixo no Brasil, na avaliação do professor. Segundo Watanabe, o Brasil é o 98º país do mundo nesse quesito. Normalmente, há uma correlação entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o consumo per capita de energia. O Brasil também aparece em péssima posição (73ª) no ranking de IDH. Essa correlação se faz presente na Noruega, líder mundial em IDH e com o segundo maior consumo per capita de energia. “Talvez a resposta que procuramos esteja com a Holanda, quinta colocada em IDH com apenas o 32º maior consumo per capita de energia", analisou o professor.  

Segundo ele, caso o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) desse certo e o Brasil crescesse 5% ao ano, em média, o sistema elétrico teria que crescer 7% ao ano. O país precisaria dobrar a capacidade de geração de energia em 10 anos, saindo dos atuais 130 GWh para 260 GWh.  

Na busca por soluções, a experiência internacional pode prover parâmetros para que o Brasil estabeleça suas próprias políticas públicas. O diretor da Coppe, que estudou no Japão, citou uma lei japonesa de 1979 (atualizada em 2012) que estabeleceu que, no verão, não se poderia refrigerar os ambientes públicos abaixo de 28ºC de maio a setembro e que, no inverno, não seria permitido aquecer os ambientes acima de 19ºC. O intuito era conciliar o conforto da população e a economia de energia.  “Não precisamos ser tão rígidos quanto os japoneses, mas refrigerar, em dias quentes, até 25º a 26ºC já seria uma boa ajuda. Lá, também de maio a setembro, o governo dispensou o uso de paletó e gravata, esse hábito europeu que eleva a sensação térmica em até 3ºC e, consequentemente, aumenta o consumo de energia”, afirmou.

Outro exemplo de conscientização que o professor trouxe à apresentação veio de Portugal. "Um hotel em Lisboa avisava aos seus hóspedes: 'Se estiver calor, abra a janela: consumo zero de energia. Se ainda estiver calor, ligue o ventilador: consumo de 40 W. Se ainda assim estiver calor, feche a janela e ligue o ar-condicionado: consumo de 1600 W. Use o termostato. Economize!", relatou.  

Custo de energia e consumo consciente  

Além da importância de economizar, Watanabe destacou que é fundamental conhecer o custo da energia e como ele pode variar de acordo com a demanda. Na UFRJ, paga-se R$ 1,50 por kWh das 17h às 20h, o triplo do que é cobrado pela concessionária durante o resto do dia. O professor exortou a comunidade acadêmica que reduza ao mínimo o consumo nesta faixa de horário, programando o uso de equipamentos eletrointensivos para outros horários do dia.  

"Uma amiga usava um boiler que consumia 8 kW de energia. Eu avisei que para isso são necessários cerca de 8 mil metros quadrados de área inundada em algum lugar e que muitas árvores são mortas para atender essa carga. Ela parou de usar o boiler", relembrou Watanabe.  

Para o diretor da Coppe, as pessoas podem ajudar conscientizando colegas  acerca da necessidade de economizar energia elétrica, apagando as luzes e usando ar- condicionado, o grande vilão da conta de luz, apenas quando for realmente necessário, com o termostato a 25º ou 26ºC", afirmou.  

Dentre os investimentos de baixo custo, o professor sugeriu a troca de lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LED; o uso de sensores de presença; a instalação de interruptores acessíveis; o uso de aparelhos de ar-condicionado com inversores (têm custo inicial maior, porém são mais eficientes).  

De acordo com Ivan Carmo, a Universidade consome 5,5 GWh em julho e agosto, e 12,6 GWh em dezembro e janeiro. “A Reitoria acredita ser possível trazer o consumo desses meses mais quentes para o que é gasto em meses mais amenos, como maio (6,8 GWh). Depende da mudança de cultura e da capacidade de sensibilizar as pessoas", afirma o pró-reitor de Gestão e Governança.  

Recomendações

• Apagar as luzes que não são necessárias.

• Usar ar-condicionado apenas quando necessário (o grande vilão da conta de luz).

• Usar o termostato em 25ºC.

• Reduzir ao mínimo o consumo de energia das 17h às 20h, quando a tarifa de energia triplica de valor, programando o uso de equipamentos eletrointensivos para outros horários do dia.

• Evitar uso de paletó e gravata no verão.

• Conscientizar os colegas acerca da necessidade de economizar energia elétrica.

• Trocar lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LED.

• Usar sensores de presença.

• Instalar interruptores acessíveis.

• Usar aparelhos de ar-condicionado com inversores (têm custo inicial maior, porém são mais eficientes).