"É possível eliminar população de mosquitos", afirma Maulori Cabral

As chuvas e o verão provocam um aumento nos casos de dengue, chikungunya e zika no país. De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado em janeiro pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, os números preocupam. Foram registrados quase 1,5 milhão de casos prováveis de dengue no país em 2016, dos quais 629 óbitos foram confirmados. 

Os dados também são altos quando se fala de chikungunya e zika, doenças que acometeram mais de 200 mil pessoas cada, tendo causado 159 mortes a primeira e mais de 2 mil casos de microcefalia a segunda. Na UFRJ, a questão aparece por meio de diferentes abordagens. 

O ensino de microbiologia e virologia, ainda na graduação, está presente na formação dos estudantes de Medicina, Ciências Biológicas e Farmácia da Universidade. Além disso, diversas pesquisas estudam tanto formas mais eficazes de combate ao vetor –  que transmite as três doenças – quanto métodos para alcançar a cura. 

O envolvimento da Universidade

Uma dessas pesquisas, realizada pelo Instituto de Microbiologia em parceria com o Departamento de Reumatologia da Faculdade de Medicina, estuda casos de artrite/artralgia crônica em pacientes que tiveram chikungunya, tendo em vista os sintomas de dores fortes que a doença causa. A pesquisadora Luiza Hyga atua nesse estudo e com experimentações que visam `a produção de antivirais. Para ela, apesar da existência de vários grupos atuando em diversos aspectos da pesquisa na área, o ideal é focar no controle do mosquito. “No atual momento, não temos nenhuma vacina ou terapia disponível na clínica e o método de prevenção mais eficaz é o combate ao vetor, o Aedes aegypti”, alerta Hyga.

Foto: Nathália Werneck - CoordCOM/UFRJ

Maulori Cabral, professor do Instituto de Microbiologia (IM/UFRJ) e coordenador do projeto de extensão Divulgação das Bases Microbiológicas e Virológicas para a Cidadania, vai além na sua crença. Para ele, a única forma de garantir a saúde da população é a erradicação do vetor, feito alcançado em 1955. Após a identificação do Aedes aegypti como vetor da febre amarela, diversas políticas públicas foram implementadas a fim de eliminar criadouros, garantindo que o Brasil fosse considerado livre do vetor pela Organização Mundial de Saúde (OMS), assegura Cabral.

No entanto, o professor acredita que o descaso nas medidas preventivas permitiu o reaparecimento do mosquito. Segundo ele, o país tem condições de voltar ao patamar ideal de erradicação. “Em 50 dias, é possível eliminar a população de mosquitos. Mas só tem um jeito. É preciso conscientização e uma movimentação coletiva. Esse é o papel da Universidade”.

Campi da UFRJ são exemplos 

Em contato com programas de extensão e pesquisa, a Prefeitura da UFRJ realiza ações de combate ao mosquito Aedes aegypti há dez anos. Nessa prevenção, são colocadas armadilhas para captura de ovos de mosquitos em locais aparentemente propícios à proliferação. Os dados recolhidos são tabulados e fornecem indicações dos locais para os quais são necessárias medidas de combate (aplicação de larvicidas).

Desde 2015, por meio de uma parceria entre a equipe de Vigilância Municipal de Saúde e a Coordenação de Meio Ambiente da Prefeitura da UFRJ, vem sendo realizada uma série de cursos e palestras para orientar servidores e funcionários terceirizados ligados à administração predial a identificarem os possíveis focos de mosquito. Com aulas práticas, os grupos saíram a campo para inspeção e eliminação de iminentes depósitos de ovos e larvas do mosquito. 

Além disso, atividades de conscientização e combate ao mosquito têm sido realizadas constantemente em unidades da UFRJ. No dia 15/2, a Comissão Interna de Saúde do Servidor Público (Cissp) promoverá a palestra Dengue: o Desafio da UFRJ. A partir das 10h, no auditório do Horto Universitário, o agente do Serviço de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, João Roberto Mendes dos Santos, esclarecerá como contribuir para eliminar focos do mosquito na Cidade Universitária.