Comer é um ato político

Em tempos em que a alimentação vira debate nas redes sociais e tem destaque na mídia, as universidades públicas assumem o importante papel de desmitificar e popularizar a nutrição saudável. Nesse cenário, nasce o projeto Comer pra quê?, uma parceria entre a UFRJ, a UniRio, a Uerj e o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, que busca estimular os jovens não só a terem uma alimentação saudável, mas também a compreenderem que comer é um ato político e social.

A alimentação do brasileiro, antes considerada equilibrada, foi tomada por produtos industrializados e prejudiciais à saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, o sobrepeso já afeta mais da metade da população. Além disso, a cesta básica brasileira é líder no uso de agrotóxicos e o crescimento da influência das redes sociais em questões alimentares insere os jovens em um contexto de grande vulnerabilidade. Diante da carência de políticas públicas para jovens na faixa dos 15 anos, o projeto Comer pra quê? quer mobilizar a juventude e despertar a consciência crítica sobre como os hábitos alimentares podem ser instrumentos de posicionamento político em um mundo conectado e midiatizado. O movimento baseia sua ação no Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, e nas experiências construídas no dia a dia com os jovens. “Valorizamos a alimentação baseada em produtos in natura e minimamente processados, a culinária como prática emancipatória, a cultura alimentar como aspecto importante para a soberania nacional, o sistema alimentar social e ambientalmente sustentável como fundamento para a alimentação adequada e sustentável, entre outros aspectos”, afirmou Amábela Avelar, professora de Nutrição do Campus Macaé e coordenadora do projeto.

Para disputar um espaço cada vez mais ocupado por celebridades da web e da televisão, que pregam dietas da moda, a equipe, que conta com nutricionistas e professores das instituições envolvidas, promoveu encontros em diversas cidades para compreender como é a relação dos jovens com o alimento. “Os jovens de todas as cidades identificaram a 'falta de tempo' como algo que influencia suas escolhas. A influência da publicidade e a ausência de ações educativas nas escolas também foram citadas como aspectos que concorrem para uma alimentação pouco adequada”, ressaltou a professora.

Ao longo das reuniões, a equipe pretende também desenvolver novas estratégias a serem utilizadas no movimento, a exemplo de uma abordagem mais dinâmica, em redes sociais, com o uso de recursos visuais e interativos mais adequados a seu público-alvo. “O projeto desenvolveu materiais que abordam a alimentação a partir de temas pouco comuns, mas com grande potencial de mobilização, tais como gênero, cultura, sustentabilidade, publicidade, culinária, convivência e conveniência.”, explicou Avelar.

O lançamento nacional do movimento acontecerá entre os meses de abril e maio, no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e São Paulo, com atividades como oficinas de fanzine, estêncil e cinema-carta. 

Serviço:                       

ESTÊNCIL

Data: 18/04

Local: Escola de Nutrição da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio)/ 4º andar, sala 9

Endereço: Av. Pasteur, 296, Urca, Rio de Janeiro

Horário: 14h às 18h

Próximas sessões: 08, 12 e 19 de maio

FANZINE

Data: 19/04

Local: Escola de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)/ sala 12020/ Bloco E

Endereço: R. São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro

Horário das 14h às 18h

Próxima sessão: 04 de maio.

CINEMA-CARTA

Data: 24 e 25/04 e 05/05

Hora: 13h às 17h

Local: FIOCRUZ

Endereço: Av. Brasil 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro

Horário: 13h às 17h

Saiba mais sobre a iniciativa em www.comerpraque.com.br