Confira a série “Pessoas da UFRJ”

A Coordenadoria de Comunicação (CoordCOM) da UFRJ lançou nesta quinta-feira, 2 de junho, na página oficial da universidade,  a série "Pessoas da UFRJ". Com o objetivo de publicar histórias marcantes de pessoas que fazem e fizeram a história da universidade, os relatos serão publicados quinzenalmente na rede social e em outros canais. A postagem de estreia conta a história do servidor Ivan Hidalgo, da Secretaria dos Órgãos Colegiados, que completa esta semana 45 anos de universidade. Você já curte a página da UFRJ? Curta, compartilhe e confira informações exclusivas. Confira abaixo o relato do Ivan:

Meu nome é Ivan Hidalgo. Entrei na UFRJ como datilógrafo, em 2 de junho de 1971, hoje completo 45 anos de universidade. Eu vim por meio de um colega de infância que trabalhava aqui, já que naquela época não tinha concurso, para trabalhar num setor chamado Comissão Especial Supervisora de Aplicação de Recursos (Cesar), que era como uma contabilidade que funcionava apenas para as obras da Cidade Universitária.

Passado um tempo, as obras foram terminando e foi aberta a prova de ascensão profissional. Eu já tinha me formado, passei e pulei de datilógrafo para engenheiro profissional, mas na UFRJ eu nunca exerci o cargo, porque sempre trabalhei aqui no Gabinete junto com os reitores, e os reitores nunca me deixaram ir para nenhum lugar. Então fui permanecendo aqui. O secretário do conselho universitário era justamente esse amigo de infância que me trouxe pra cá.  Até que ele se aposentou e eu assumi a secretaria.

Era muito diferente. Quando entrei, a gente não tinha condução própria dentro do campus, eu me lembro que no início tinha uma Kombi que pegava as pessoas em Bonsucesso e deixava na prefeitura, ai esperava a “jardineira”, que era um vagão de bonde com rodas de pneu, puxadas por um trator movido a diesel. Quando eu vim pra cá não tinha asfalto, era o início do início.  Depois veio a jardineira tradicional, motorizada, que era tipo um ônibus aberto. A gente ia almoçar no bandejão do CCMN a pé e voltava a pé, não tinha como esperar o “trenzinho” passar.

Aqui, nós secretariamos três conselhos, que são os três colegiados presididos pelo reitor. Então a nossa missão é fazer um trabalho de secretaria e subsidiar as pessoas que vão se pronunciar sobre as matérias no plenário, os próprios pró-reitores procuram a gente para ter informações de como proceder em alguma proposta para que não conflite com as normas da universidade.

O nosso trabalho é muito duro, porque não é só o trabalho de analisar um processo, as pessoas também ligam pra mim quando há qualquer questão que envolve normas da universidade, ligam pra mim pra saber como é que faz e qual minha opinião. As pessoas sempre me buscam nessas horas [risos]. Mais ou menos o Google da universidade!

Tudo que passa por aqui marca, né? Sempre deixa alguma marca. As duas ocasiões em que tivemos mais dificuldades foram as discussões sobre o Reuni e a Ebserh, as mais polêmicas. Essas duas matérias deram discussões bastante acaloradas no Conselho Universitário. A votação do Reuni teve confusão, empurra-empurra, quebraram a porta, briga no CT no dia da aprovação. Foi muito complicado.

A parte normativa da universidade eu conheço bem, mas não só isso, conheço muito da história da universidade também. Eu tenho inclusive um trabalho de pesquisa em relação ao institucional e ando pesquisando sobre os reitores, decanos, pró-reitores e outros que passaram por aqui.

Fiz outros trabalhos de pesquisa também, mas que não têm muita divulgação, como o de concessão de títulos como doutor honoris causa, professor emérito, e outros em que eu fiz o levantamento desde 1920. É um trabalho que eu posso dizer que 99% é fidedigno. Muita gente me surpreendeu ao aparecer nessa pesquisa, tivemos ano passado a cassação do título do Garrastazu Médici, que era doutor honoris causa da universidade.

Ao todo, trabalhei com treze reitores. Em geral, tive um bom relacionamento com todos, mas tive uma relação bastante próxima com o professor Adolpho Polilo. Nós aqui da secretaria sempre tivemos um contato legal com os alunos, eles sempre respeitaram nosso trabalho, respeitaram nosso setor. Na primeira ocupação, eu estava aqui na sala e fui lá fora, quando voltei já tinha uma barraca de camping aqui dentro, mas conversei com os meninos e concordaram em sair. No dia seguinte, cheguei e estava todo mundo dormindo na porta. A gente chegava e pedia licença, entrava, trabalhava, na hora de ir embora trancava a porta e eles ficavam ali dormindo. Diziam que “não, a gente vai ficar aqui dormindo que a gente vai tomar conta para ninguém entrar”. A gente sempre teve um tratamento recíproco de respeito com os alunos.

Quando eu entrei, a participação de outros setores na universidade era bem menor, os servidores nem participavam dos conselhos. Ter os colegiados com maior participação de alunos e servidores na universidade foi uma vitória bastante grande. A secretaria não é do reitor, é dos conselhos, então sou secretário dos alunos também, já que eles fazem parte.

A universidade é minha vida, é minha família. Acho que talvez eu tenha me entregado mais até à universidade do que à minha própria família. Mas eu não tenho nenhum ressentimento, não. É muito bom.

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Entrevista: Iana Faini

Edição: Jean Souza