Ação afirmativa para pessoas com deficiência chega à UFRJ

Imagem: Diogo Vasconcellos/CoordCOM-UFRJ

 

No início de julho, a UFRJ recepcionou novos alunos para iniciar mais um semestre. Mas esse período de matrícula teve um gosto especial. A Universidade recebe pela primeira vez estudantes com deficiência por meio de ações afirmativas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

 

São esperadas 83 matrículas de alunos com algum tipo de deficiência, que vai de auditiva, visual e de locomoção a problemas cognitivos. O Fórum Permanente de Acessibilidade foi responsável pela acolhida dos estudantes, fazendo o mapeamento das necessidades individuais e apresentando-os às ações da Universidade.

 

Gustavo Curty é agora estudante da Faculdade de Direito (FND) e espera se tornar juiz para ajudar sua mãe e servir de incentivo para sua comunidade. Aluno de escola pública por toda a vida, Gustavo se animou com a recepção e com os espaços de discussão sobre acessibilidade na Universidade. “Isso sempre foi um problema nas escolas em que estudei, a falta de rampas e de acesso, além da aceitação pelos outros alunos. Eu sempre sonhei em vir para a UFRJ”, disse.

 

Para sua mãe, Aldilene Curty, essa é uma vitória depois de anos de luta por um sistema de educação mais acessível e inclusivo. Segundo ela, o caminho difícil compensa por ver o filho conquistar seus objetivos, formado no ensino médio e, agora, ingressando na Universidade.

 

Angélica Dias, pesquisadora e técnica-administrativa do Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (NCE/UFRJ), participou da acolhida aos estudantes e ressalta a emoção do momento. “Foi marcante ver como os alunos e os pais se emocionavam com a conquista. Acredito que esse momento ajudará na sensibilidade de toda a comunidade acadêmica.”

 

Para o professor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFRJ) e membro do Instituto de Pesquisa e Reabilitação do Sistema Neurolocomotor (ReAbilitArte), Jean Houzel, a principal mudança será na cabeça do corpo docente. “O professor precisará compreender cada aluno individualmente, não mais uma turma de 30 alunos presentes naquele dia, preparando e enviando o material com antecedência, tendo outra postura dentro da sala”, enfatizou.

 

Professora da Faculdade de Educação (FE/UFRJ) e presidente da Coordenação Executiva do Fórum Permanente de Acessibilidade, Mônica dos Santos afirma que as palavras e posturas da acolhida podem construir bases de uma relação saudável no futuro. “Por saudável quero dizer uma relação em que, mesmo com recursos ainda em construção, possamos fazer com que nossos alunos se sintam parte efetiva, com voz e vez, desta grande comunidade que é a UFRJ”, conclui.