Hesfa discute sobre a saúde da população negra em ciclo de debates

Foto: Raphael Pizzino/ CoordCOM-UFRJ

 

O Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (Hesfa/UFRJ) recebeu o IV ciclo de debates do ano na última quarta-feira (26/7). Com quatro palestrantes, os presentes discutiram o tema Saúde da População Negra sob a perspectiva histórica e no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). O evento é gratuito e voltado para profissionais,  discentes, docentes e gestores atuantes no campo da Saúde e áreas afins.

Celso Vergne, doutor em Psicologia, apresentou dados sobre a construção cotidiana do genocídio negro no Rio de Janeiro, tema de sua tese de doutorado. O mapa da violência mostra que a taxa de homicídios de negros no estado caiu de 65,2 para 29,1 a cada 100 mil habitantes entre 2003 e 2014, mas segundo o pesquisador o número de desaparecimentos cresceu nos últimos anos no estado. Para Celso, o país vive um momento muito delicado e o povo precisa se juntar para construir vida em meio às tempestades.

No âmbito da Saúde, Joice Aragão vê o SUS como uma grande conquista. A pediatra e médica sanitarista trabalhou na implantação do Sistema no estado fluminense e afirma que o serviço foi construído sob a ótica da diversidade brasileira. “Não há dúvidas de que a gente morre, adoece e se cura de acordo com a conta bancária. Não temos que fazer concessão nenhuma, temos que nos posicionar sempre. Ser consciente é uma coisa incrivelmente maravilhosa para cada um de nós.”

O encontro foi finalizado com uma dinâmica comandada por Janete Ribeiro, professora de Literatura. A caminhada do privilégio começa com um grupo de pessoas de pé, lado a lado, e elas se movem dando um passo à frente ou atrás de acordo com as perguntas feitas. Os participantes declararam que o jogo conseguiu, rapidamente, tornar palpável a desigualdade racial e de gênero. Um dos vídeos de apoio pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=MuOE3IJZoZU

Para Luciene Lacerda, coordenadora do Laboratório de Ética nas Relações de Trabalho e Educação (Laberte/UFRJ), é preciso ouvir a população negra, sua história e seu cotidiano. “É importante saber que o seu privilégio mostra muito sobre as dificuldades dos outros.”