Mulheres à frente da ciência, da arte e dos novos tempos

As mulheres foram soldadas invisíveis das revoluções no século XX. Nas ciências e nas artes, nas fábricas e nas plantações, consolidaram, com seu labor cotidiano e extraordinário, nossas formas de fazer e transformar a vida. Poucos de seus nomes foram para os livros de História, mas a história se faz com mulheres, sempre. 

O movimento de mulheres expandiu-se, consolidou-se e ampliou-se, ganhando novas pautas e novas frentes a cada passo que dava, em uma picada aberta a foice e flores, em um mundo majoritariamente repressor. Nos últimos cem anos, as mulheres se transformaram. Lutaram incessantemente por uma universidade mais aberta em Córdoba, em 1918; conseguiram o direito ao voto na Inglaterra, em 1928; “queimaram” os padrões opressivos de beleza em Atlantic City, em 1968; sustentaram o maio de greves gerais na França; combateram o Ato Institucional nº5 no Brasil e seguiram o século com as pautas de inclusão igualitária no mercado de trabalho, melhorias nas condições de saúde, ampliação de direitos civis e reprodutivos. Nos dias atuais temos mulheres de várias cores, formas e tamanhos à frente de diversos postos de trabalho em todos os campos de produção do conhecimento social.  Quase já não observamos profissões e áreas de conhecimento em que não haja mulheres. Conquistamos espaços, inclusive aqueles historicamente considerados exclusivamente masculinos. À frente da ciência e do conhecimento, nós, mulheres, ocupamos posição de destaque de forma equânime aos homens, apesar de em muitos casos ser preciso lutar intensamente contra atitudes misóginas e assédios de todos os tipos.

Embora tenhamos alcançado muitas conquistas, é  impossível não pensar nas mulheres que continuam obrigadas a contrair matrimônio e levar a termo gestações por imposição de credos e culturas. Muito ainda é preciso  avançar na descriminalização de direitos reprodutivos e sociais. Mesmo sendo maioria em números absolutos em nosso país,  além de chefes das nossas famílias, especialmente nas faixas de renda em que a população é mais pobre e numerosa, ainda há mulheres que recebem remuneração inferior aos homens por igual trabalho, ainda existem   as vítimas de violência doméstica, de feminicídio, discriminação de gênero, interrupção  e expropriação masculinas,  gaslighting (violência emocional e psicológica para descrédito social da mulher), entre tantas outras formas de opressão de gênero no ambiente laboral ou familiar.

Em nossa Universidade nos orgulhamos de buscar construir permanentemente condições igualitárias de trabalho, de ter carreiras com igual remuneração para igual trabalho e de não tolerar nenhuma forma de violência e assédio por questão de gênero em nenhuma das categorias ou entre elas.

Celebremos o Dia Internacional da MULHER por uma UFRJ inclusiva e sem diferença de gênero!

Denise Nascimento - vice-reitora da UFRJ

Leila Rodrigues da Silva - pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Maria Mello de Malta - pró-reitora de Extensão