Universidades e Prefeitura discutem futuro da educação em Macaé

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, mediou no dia 27/3 um debate com diretores da Cidade Universitária de Macaé e com o secretário-adjunto de Educação do município, Márcio Magini, dedicado a avaliar o desempenho acadêmico e projetar perspectivas para o campus universitário local. Pela UFRJ, também participaram a vice-reitora, Denise Nascimento, e a diretora do campus da Universidade em Macaé, Arlene Gaspar. Estiveram no evento Claudia Bastos, diretora da Faculdade Professor Miguel Ângelo da Silva Santos (Femass), instituição municipal, e Daniel Arruda, diretor do Instituto de Ciências da Sociedade da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Residência estudantil com 76 vagas

Magini destacou os investimentos que a Prefeitura de Macaé tem feito na educação superior, com infraestrutura e bolsas. Durante o debate, ele entregou simbolicamente ao reitor as chaves de um hotel no município que será cedido à UFRJ para abrigar uma residência estudantil. O imóvel terá vaga para 76 estudantes, em quartos duplos, e a tramitação para uso passará pela Procuradoria Federal.

Leher classificou a nova opção de moradia como “um marco muito importante”. Ele afirmou que a mobilização estudantil “instou à Reitoria que buscasse alternativas”, e informou que chegou a tentar alugar imóveis para instalar alojamentos, mas não foi possível por causa de um decreto federal que impede que as universidades públicas façam esse tipo de contratação.

Docentes defendem mais integração entre instituições

Unir ainda mais instituições universitárias diferentes que convivem no mesmo campus foi uma ideia apontada pela mesa e pelo público que acompanhou o evento.

Arlene Gaspar apontou dificuldades. Segundo ela, muitos servidores não permanecem na cidade: fazem concurso, mas depois vão embora. A diretora afirmou que o quadro de pesquisadores é muito grande, “a infraestrutura é um gargalo”. Mas ela também apontou soluções que o campus vem encontrando, como o compartilhamento de laboratórios entre cursos e universidades. “Essa integração entre as universidades vem tendo crescimento bastante profícuo e acelerado”, disse.

“Tenho sido acolhido de forma positiva pela UFRJ”, afirmou Daniel. Ele destacou a criação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Cidade Universitária de Macaé como um exemplo de ação desenvolvida simultaneamente pela UFF e UFRJ.

Claudia Bastos, à frente de uma das poucas instituições municipais de ensino superior do país, ressaltou que as interações não se limitam a questões de espaço. “Estamos aprendendo a fazer o que uma universidade de grande porte faz”, comemorou.

Atuar regionalmente

“Precisamos planejar juntos, podemos ter programas de pós-graduação integrados”, propôs o reitor, ainda destacando a necessidade de cooperação. Ele afirmou que é necessário fazer um balanço positivo da presença da UFRJ em Macaé e que as dificuldades locais “não são exclusivas desse campus”. Leher destacou a forte interação entre os cursos da Universidade e a área de saúde do município. Afirmou que os cursos da UFRJ são caracterizados por “ousadia epistemológica” e destacou a importância para a região das graduações em Engenharia, Nutrição, Química e Enfermagem e Obstetrícia.

“Devemos ter uma forte pertinência regional. A saúde pública da Região Norte do estado não pode ser a mesma após a vinda de seis instituições universitárias. Temos que fazer disso algo sistematizado que sirva de exemplo para outras experiências sócio-históricas”, defendeu.

Institucionalização

Denise também comentou o trabalho que a UFRJ vem fazendo para qualificar a interação e formação de professores do estado por meio do Complexo de Formação de Professores, que reúne licenciaturas, escolas, municípios e diversos outros agentes: “É um complexo que perpassa todas as nossas pró-reitorias acadêmicas. Sei que vários cursos têm integração com a rede pública, mas agora precisamos materializar de forma institucional essa integração.”

A institucionalização acadêmica esteve muito presente no discurso da Reitoria. Leher defendeu que esse deve ser um caminho diante do cenário de “incerteza, instabilidade e muita preocupação” com a democracia no país. “Não vamos abrir mão, em nenhuma hipótese, da participação do campus nos colegiados superiores. Tudo que puder ser institucionalizado deve ser institucionalizado”, reforçou o reitor.

foto: Raphael Pizzino - Coordcom/UFRJ