Resíduos do RU são transformados em terra fértil

Foto: Raphael Pizzino - Coordcom/UFRJ

Resíduos orgânicos sem destinação apropriada são prejudiciais ao meio ambiente, contribuem para a emissão de gases de efeito estufa e atraem animais vetores de doenças. Com essa preocupação, o Mutirão de Agroecologia da UFRJ (Muda), programa vinculado à Escola Politécnica (Poli), experimenta formas de reaproveitar a comida que sobra no Restaurante Universitário (RU) do Centro de Tecnologia (CT).

A equipe trabalha com compostagem, técnica de baixo custo que converte resíduos em adubo. “Nossa proposta é fazer experimentos, criar um modelo e conseguir replicar isso para toda a UFRJ”, explica Monica Pertel, professora do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (DRHIMA) e orientadora de pesquisa sobre o tema. Como resultado parcial, o Muda consegue reaproveitar cerca de 200 quilos de alimentos por semana.

Além da destinação correta do lixo, a iniciativa também pode implicar redução de custos para a instituição. "Seria possível economizar mais de R$ 30 mil por ano e ainda produzir mais de R$ 170 mil em composto bruto”, calcula Tomé de Almeida e Lima, estudante de Engenharia Ambiental que investiga o assunto em iniciação científica. A conta que ele faz é referente a uma possível compostagem na Cidade Universitária, considerando resíduos acumulados nos RUs do CT, da Faculdade de Letras e Central. Ao vislumbrar a possibilidade de estender o trabalho para toda a UFRJ, o estudante complementa: “os valores estariam na ordem de dez vezes mais”.

Processo

Durante a compostagem, os resíduos são postos em estruturas conhecidas como leiras, envolvidas por pallets e montadas intercalando folhas de varrição, grama de roçado e galhos ou pedaços de tronco oriundos da poda das árvores. A matéria orgânica não fica diretamente em contato com a terra, mas, ao sofrer a ação de microrganismos, decompõe-se e é transformada em adubo. Em 90 dias, o ciclo da renovação se completa e a terra está pronta para ser utilizada na recuperação de áreas degradadas e na agricultura. Conforme calculam os integrantes do Muda, somente em 2016 foram produzidos quase 600 quilos de composto orgânico.

Oficinas

A regularidade dessa experiência depende, entre outros quesitos, de mão de obra. Para ampliar esse corpo de colaboradores, o Muda oferece com frequência formação gratuita sobre temas relacionados à agricultura urbana. Atualmente, há três cursos em andamento: um sobre compostagem, que acontece todas as segundas-feiras, das 15h às 17h30; outro sobre sistemas agroflorestais, às quartas-feiras, das 8h às 10h; e o terceiro com foco na construção de ecopontos, também às quartas, das 15h às 17h30.

Foto: Diogo Vasconcellos - Coordcom/UFRJ

Renato Meneses, estudante do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, é um voluntário das atividades do Muda. Ele começou a frequentar os mutirões em maio de 2017 e, atualmente, participa do curso de compostagem. Em sua leitura, essa é uma oportunidade para “agregar valor” ao que produz. “Ver algo considerado ruim sendo transformado em bom foi o que me atraiu. Hoje, penso em expandir a ação para outros espaços”, completa. Qualquer interessado pode participar.

Onde encontrar?

O resultado da compostagem está disponível ao público, por meio de contribuição consciente, na Feira Agroecológica da UFRJ, realizada às quintas-feiras em quatro pontos da Cidade Universitária: CT, Faculdade de Letras, Parque Tecnológico e Centro de Ciências da Saúde (CCS). Já as atividades do Muda são realizadas no Laboratório Vivo de Agroecologia e Permacultura (Lavaper), espaço de experiências localizado no estacionamento do bloco A do CT. Para mais informações, acesse: www.muda.poli.ufrj.br