Resposta à Revista IstoÉ

A reportagem veiculada na edição nº 253 da Revista IstoÉ, de 22/8/2018, intitulada A farra bilionária dos barnabés, causa extrema preocupação à UFRJ. A matéria está inscrita no movimento de indiferenciação entre verdade e pós-verdade, entre notícia e fake news, o que é uma lástima, considerando tratar-se de um importante meio de comunicação que deveria estar comprometido com a ética e a verdade.

No que diz respeito à UFRJ, a matéria traz as seguintes ilações: “Neste período, por exemplo, chamou atenção o verdadeiro descontrole das contas da UFRJ. Somente no ano de 2012, foram diagnosticadas aproximadamente 19,3 mil inconsistências nas folhas de pagamento da instituição" (p. 39).  A matéria não explicita quais foram as inconsistências e se, de fato, geraram a farra bilionária, visto que, no caso da UFRJ, muitos servidores sequer percebem como salário o montante equivalente ao auxílio-moradia do Judiciário. E entre os mais qualificados, doutores, responsáveis por pesquisas de enorme alcance social, a maioria recebe remuneração semelhante a de um servidor graduado do Judiciário. Nesse sentido, em termos de remuneração, os servidores da UFRJ estão mais próximos do significado dicionarizado de “barnabé” (funcionário público de categoria modesta, conforme Caldas Aulete), a despeito de estarem no topo dos mais qualificados do serviço público brasileiro.

Em relação às acumulações indevidas, de fato a CGU realizou um vasto e importante levantamento de possíveis acumulações ilegais (nas trilhas da auditoria), identificando, entre os mais de 14 mil servidores, cerca de 150 possíveis participações de servidores no controle de empresas. Foram instalados procedimentos administrativos, acompanhados pela Procuradoria Federal, que permitiram concluir que, entre os que foram listados como participantes de sociedades empresariais, 95% não possuíam vínculo efetivo com qualquer sociedade empresarial. A UFRJ instaurou processo administrativo disciplinar para examinar, com rigor, os demais possíveis casos de acumulação indevida. Em relação à acumulação de cargos, é possível identificar que, entre 165 casos analisados pela Pró-Reitoria de Pessoal, 40% das acumulações foram consideradas lícitas e 60% estão em monitoramento, na fase de entrega de documentos pelos servidores, em respeito à ampla defesa e ao contraditório.

Em nome do bom jornalismo, a Revista IstoÉ  poderia ter procurado a UFRJ, que, prontamente, teria esclarecido o andamento da trilha da auditoria da CGU e, dessa forma, constataria que a instituição é extremamente zelosa em relação aos princípios que norteiam, constitucionalmente, as práticas administrativas do serviço público.

Reitoria da UFRJ

24 de agosto de 2018