Museu Nacional resgata Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil

Esqueleto foi retirado dos escombros do edifício e será restaurado

Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, e a professora Claudia Carvalho, coordenadora da equipe de resgate pós-incêndio, anunciaram, na sexta-feira (19/10), que Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil, foi retirada dos escombros do prédio, incendiado no mês passado.

O resgate aconteceu nesta semana

"Acreditamos que será possível recuperar quase todo o material encontrado: 80% do crânio que existia está visível e o restante ainda será trabalhado. Vamos finalizar a higienização, estabilizar e, a partir daí, reconstituir", disse Claudia Carvalho.

Kellner comemorou o resgate e afirmou que outras peças estão sendo recuperadas. Após identificação, a instituição anunciará os acervos.

Ele destacou que as obras no Museu estão em andamento dentro do cronograma estipulado e que a instituição pleiteia recursos junto a autoridades para a recuperação total do prédio. "Estamos discutindo com a bancada do Rio. O Congresso Nacional está reagindo com enorme sensibilidade", afirmou.

Luzia

O crânio e os ossos da coxa e da bacia de Luzia foram achados em 1975, no município de Pedro Leopoldo, Minas Gerais. Seu esqueleto foi datado de 11,5 mil anos atrás e ela deve ter morrido aos 25 anos. Seu rosto foi reconstituído na Inglaterra e trata-se do esqueleto humano mais antigo encontrado no Brasil.

Quase tudo que foi descoberto sobre Luzia fundou-se no estudo do que restou de seu esqueleto. A partir da análise de sua pelve (bacia), foi possível reconhecer que tais restos pertenceram a uma mulher com cerca de 25 anos à época de sua morte.

Pelo comprimento dos ossos longos, sua altura é estimada em torno de 1,5 metro. O que aconteceu com Luzia e seu povo ainda é um mistério. Provavelmente não haverá uma explicação única. Dispersos pelo continente, é possível que diferentes grupos, representantes dos primeiros colonizadores, tenham encontrado destinos variados, que apenas por meio de novas pesquisas serão conhecidos.

fotos de Raphael Pizzino - Coordcom/UFRJ