Museu Nacional recebe bolsas de pesquisa da Faperj


Foto: Lécio Augusto Ramos (Faperj)

Medida contribui para a retomada de pesquisas depois do incêndio

O Museu Nacional (MN) recebeu recursos no total de 2 milhões e 592 mil reais, distribuídos em 72 bolsas de pesquisa. A cerimônia de outorga das bolsas ocorreu no Palácio Guanabara em 13/3. Os recursos destinados a um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas são provenientes da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), por meio do edital Apoio Emergencial ao Museu Nacional - 2018. Cada pesquisador será contemplado com 3 mil reais por mês durante um ano. Com a medida, o MN poderá ter suas pesquisas restabelecidas.

O governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, esteve presente na cerimônia. “Esta é uma importante contribuição do estado do Rio de Janeiro para que possamos reconstruir o nosso Museu Nacional. É a primeira ação. Estes pesquisadores vão resgatar aquilo que foi perdido no incêndio em termos de pesquisa. São mais de 70 profissionais, cada um na sua área”, ressaltou.

Roberto Leher, reitor da UFRJ, apontou que o processo de reconstrução do Museu Nacional abrange três linhas gerais, e a infraestrutura cotidiana da pesquisa, consolidada com o apoio da Faperj, é a terceira delas. “A primeira linha é a reconstrução e a requalificação da edificação principal. A segunda é a necessidade de manter a nossa infraestrutura de pesquisa organizada, bem estruturada, naquilo que denominamos de anexo ao Museu Nacional, onde vamos organizar os espaços de acervo, laboratórios e laboratórios multiusuários”, destacou. “Este programa de fomento é importantíssimo para a nossa instituição”, comemorou.

O sentimento de comemoração também vem do diretor do MN, Alexander Kellner, que lembra os apoios já recebidos. “Muitos viram, incrédulos e chocados, a instituição mais antiga do país em chamas, mas já conseguimos muito. Tivemos o apoio oficial do Ministério da Educação, de diversas organizações nacionais e internacionais e de governos, que, dentro das suas possibilidades de ação, procuraram auxiliar o Museu Nacional”, disse.

Segundo a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Leila Rodrigues da Silva, as bolsas são preponderantes para a continuidade da pesquisa na instituição científica mais antiga do país. “As bolsas de bancada concedidas pelo edital de apoio emergencial da Faperj auxiliarão na continuidade dos projetos de pesquisa desenvolvidos no âmbito do Museu Nacional impactados pela tragédia que acometeu a instituição. As bolsas serão, assim, parte importante do apoio que o Museu Nacional tem recebido para a continuidade de suas atividades científicas e culturais. São muitos os desafios, mas a comunidade está fortalecida e tem seu ânimo renovado a cada ação desta natureza. A Faperj foi extremamente sensível e ágil na proposição do edital, cumprindo, com excelência, seu papel de promotora da ciência e do conhecimento”, enfatizou.

De acordo com o presidente da Faperj e professor da UFRJ Jerson Lima Silva, a contribuição por meio do edital significa um impulso para restabelecer parte das coleções danificadas. “O Rio de Janeiro perdeu um dos seus maiores patrimônios com o incêndio, mas seu conhecimento, não. Ele é perene. O Museu Nacional sempre estará vivo e poderá contar com o estado do Rio, através da Faperj. Se uma boa parte do patrimônio físico do Museu Nacional foi perdida, cabe a todos, incluindo a Faperj, apoiar o patrimônio intelectual desta instituição”, salientou.

 

Acervo do Museu Nacional
Foto: Marco Fernandes (Panorama UFRJ)

Alguns dos projetos que receberão auxílio

Dinossauros, múmias, meteoritos e muito mais: recuperação estrutural e operacional do Laboratório de Processamento de Imagem Digital

O projeto pretende recuperar a capacidade computacional do laboratório. A estrutura era composta por 20 computadores de alto desempenho, além de scanners tridimensionais de superfície, tomografia tridimensional helicoidal, fotogrametria e equipamentos para impressão tridimensional, a partir dos quais mais de 500 peças do acervo, como múmias, meteoritos, estrelas egípcias, urnas e vasos e o crânio de Luzia, foram digitalizadas e, em alguns casos, reproduzidas.

 

 

Os pretos novos contam sua história: bioarqueologia dos africanos enterrados no cemitério de escravizados do Valongo/RJ nos séculos XVIII e XIX

O projeto aprofunda o conhecimento sobre os remanescentes humanos recuperados no cemitério Pretos Velhos, no Cais do Valongo. A pesquisa investigará os ossos que estavam sob a guarda temporária do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Velhos e, por conta disso, foram salvos do incêndio. A descoberta do cemitério, em 1996, trouxe uma quantidade relevante de remanescentes humanos que possibilitam a construção de alguns cenários sobre o estilo de vida dos africanos trazidos como escravos para o Rio de Janeiro, assim como a forma dos seus corpos serem tratados após a morte. Curiosidades são encontradas em dentes, queima dos corpos antes dos enterros, entre outras.

 

Humilhação e excesso: caminhos de análise para uma antropologia da diferença e da desigualdade social em relação à raça, gênero e sexualidade

Situado em uma atualidade de ânimos acirrados e violência social, o projeto se propõe a discutir como gênero, raça e sexualidade são abordados por meio da prática da humilhação, como também no sentir-se humilhado, e se debruçará na pesquisa sobre estupro, feminicídio, castigo racial, abandono social, e nos ataques com ácido a mulheres por ex-parceiros.

 

Identificação, classificação, restauração, catalogação e reconstrução de meteoritos do acervo do Museu Nacional

É objetivo da pesquisa reconhecer e catalogar amostras do Sistema Solar, que tem entre 4,5 e 4,6 bilhões de anos. Icônico ao incêndio do Museu Nacional, o Bendegó intacto foi apenas um dos diversos exemplares que ali existiam. Muitos, porém, se desintegraram. Com o projeto, busca-se resgatar exemplares da considerada a maior coleção de meteoritos do país.

 

Reconstrução e informatização da Coleção Entomológica do Museu Nacional

A pesquisa dará andamento ao projeto de reconstrução desta coleção, apontada como uma das maiores, mais antigas e representativas da América Latina, contando com cerca de cinco milhões de espécimes e mais de 3.600 tipos de primatas. A equipe do Museu conseguiu recuperar parte do material que havia sido digitalizado.

 

(Com informações da Agência Brasil e da assessoria de imprensa do governo do estado do Rio de Janeiro)