Conheça a nova gestão da UFRJ

Consuni
Sala do Consuni - foto: Artur Moês (Coordcom/UFRJ)

A reitora da UFRJ, Denise Carvalho, tomou posse em Brasília na terça-feira, 2/7, e submeteu na sessão ordinária do Conselho Universitário (Consuni), em 4/7, mesmo dia em que o vice-reitor Carlos Frederico Rocha foi nomeado, sua indicação para as pró-reitorias. Todos os nomes foram aprovados por unanimidade.

A nova gestão afirmou que o trabalho será embasado em cinco princípios: transparência, integração, avaliação, planejamento e comunicação. Entre os pontos defendidos pela reitora estão a recuperação da infraestrutrura da Universidade, a criação de uma UFRJ neutra em carbono, a consolidação do Complexo de Formação de Professores e o fortalecimento do tripé ensino, pesquisa e extensão.

Durante a sessão, a professora associada da Faculdade de Medicina (FM) e nova pró-reitora de Graduação (PR-1), Gisele Pires, apresentou a formação de sua pró-reitoria,  as prioridades e a importância da graduação para a comunidade universitária. “Ter a oportunidade de conversar e discutir sobre os aspectos mais relevantes, quer sejam acadêmicos ou políticos, sobre a graduação e, principalmente, a UFRJ muito me alegra. Temos aproximadamente 53 mil alunos de graduação matriculados, 47.500 no presencial e 6.400 em modalidade a distância. Só por esses dados podemos falar aqui sobre a relevante participação da graduação na Universidade.”

Os demais nomes para a nova gestão são Denise Freire, Eduardo Raupp, Luzia Araújo, Ivana Bentes, André Esteves, Roberto Vieira e Marcos Maldonado. Eles farão a apresentação das pastas ao Consuni nas próximas reuniões.

Confira a seguir a composição das pró-reitorias e da Prefeitura Universitária, além dos pontos que cada gestor considera mais importantes nos próximos quatro anos:

Gisele Pires
Gisele Pires - foto: Artur Moés (Coordcom/UFRJ)

Graduação

A gestão de Pires será centrada em dois eixos: um vertical, responsável pela integração e fortalecimento dos cursos de graduação; outro horizontal, destinado a integrar as ações da PR-1 com outras pastas.

Pires define como principal meta para o próximo quadriênio diminuir as taxas de evasão e retenção escolar. Para tanto, a professora elenca algumas ações prioritárias: “Fortalecer políticas de acolhimento para estudantes ingressantes, intensificar o acompanhamento acadêmico, consolidar um programa institucional voltado à saúde mental, ampliar o programa de bolsas, estimular a mobilidade acadêmica nacional e internacional”.

Pós-Graduação e Pesquisa

Denise Freire, professora titular do Instituto de Química (IQ) e coordenadora do Laboratório de Biotecnologia Microbiana (Labim), será responsável pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2). A prioridade de sua pasta será a inovação: “A UFRJ vem perdendo muito em inovação nos últimos anos, vem caindo nos rankings, está abaixo de muitas universidades brasileiras, e isso não é possível numa universidade tão grande, tão rica e tão cheia de elementos inovadores. Então, a intenção é criar um ecossistema de inovação”, defende.

Freire apresenta a chave conceitual desse “ecossistema” como um ambiente físico e virtual que reúna todas as informações sobre as pesquisas da UFRJ e, assim, favoreça a relação da Universidade com empresas. No que diz respeito à pós-graduação, a pró-reitora apresenta como meta a internacionalização dos programas e o estímulo ao empreendedorismo. “Nossos alunos precisam ter a possibilidade de ir para o mercado. Como a pós-graduação pode ajudá-los em contextos de crise e desemprego?”, indaga.

Planejamento, Desenvolvimento e Finanças

A Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3) será liderada pelo professor associado Eduardo Raupp, do Instituto Coppead de Administração. Enfrentar a questão orçamentária é o principal desafio do docente, considerando o contexto de corte de verbas em todo o setor público desde a aprovação da Emenda Constitucional n° 95 – que congela o teto de gastos até 2038. “Queremos dar condições e trabalhar efetivamente na questão da gestão do nosso orçamento, fazendo o que a Universidade puder fazer para se adequar a esse contexto de crise”, declara.

Denise e Fred
Reitora e vice-reitor - foto: Artur Moés (Coordcom/UFRJ)

Outro ponto ressaltado por Raupp é a recuperação da capacidade de planejamento da Universidade. Por isso, debates referentes ao Plano Diretor e ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) deverão ser retomados. O pró-reitor prevê ainda a criação de um Comitê de Gestão Orçamentária para garantir transparência às decisões tomadas. Ele também não descarta o desafio de buscar novas fontes de receita.

Pessoal

A Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4) ficará a cargo de Luzia Araújo, servidora técnico-administrativa vinculada ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Segundo ela, as ações serão ancoradas por quatro pilares: pessoas, trabalho, capacitação e saúde. “Acreditamos que o desenvolvimento das atividades deva ser pautado nos princípios da igualdade, da equidade, da justiça e do respeito, visando à humanização e à preservação de relações justas”, afirma.

A PR-4 se proporá a identificar e mapear o trabalho de gestões anteriores, no sentido de garantir experiências avaliadas como positivas pelos servidores. Além disso, prevê a criação do Conselho Administrativo de Pessoal e a realização de um Programa de Dimensionamento a fim de tratar da alocação de vagas e movimentação de cargos na UFRJ. Ações relativas à capacitação e promoção da saúde dos servidores também estão no escopo da pasta. A pró-reitora destaca, ainda, a importância de iniciativas de prevenção e acompanhamento dos casos de assédio moral e sexual na Universidade.

Extensão

Na Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), a prioridade será abrir as portas da Universidade para a cidade do Rio de Janeiro. A professora titular e diretora da Escola de Comunicação (ECO), Ivana Bentes, entende como fundamental articular sua pasta a processos de inovação social, tecnológica e de formação. “A extensão é o campo menos engessado da nossa comunidade acadêmica. Então queremos simplificar as ações, sua validação, articulando-as aos projetos da cidade do Rio de Janeiro”, anuncia.

De acordo com Bentes, é crucial consolidar a extensão em todas as unidades da UFRJ. Ela diz que terá um olhar especial para as áreas que ainda não conseguiram incorporar essa base do tripé universitário aos currículos. A PR-5 incentivará a oferta de cursos de extensão, entendendo-os como instrumentos de acesso à instituição. “Quem não pode entrar na Universidade pela graduação ou pela pós-graduação entra pela extensão”, defende.

Gestão e Governança

O servidor técnico-administrativo André Esteves, que foi pró-reitor entre 2017 e 2019, no reitorado de Roberto Leher, se manterá à frente da Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6). Ele dará continuidade a processos de modernização atualmente em curso, como a gestão de custos de contratos de limpeza e a revisão de instrumentos que outorgam a terceiros o uso e a exploração de espaços da UFRJ: “Apesar dos avanços positivos, há uma nítida percepção de que o nível de complexidade das soluções para o cenário atual é crescente e desafiador, fato que também exigirá o engajamento de toda a instituição”.

A PR-6 elaborou um plano de metas para o próximo quadriênio, defendendo a atuação em cinco eixos: aperfeiçoamento da gestão e governança, instrumentação normativa para processos e contratos administrativos, otimização de gestão do patrimônio, capacitação de pessoal e ampliação dos serviços de alimentação. A respeito do último item, Esteves entende a urgência da construção de novos restaurantes universitários para atender aos campi e anuncia uma inovação, que é “inserir, no âmbito dos contratos de alimentação que atendem os RUs, o fornecimento de gêneros alimentícios provenientes da agricultura familiar”.

Políticas Estudantis

A Pró-Reitoria de Políticas Estudantis (PR-7) será comandada por Roberto Vieira, servidor técnico-administrativo que atuou como superintendente executivo de Acesso e Registro na PR-1 durante a última gestão. Segundo ele, a PR-7 terá como objetivos: “Fortalecer condições que favoreçam o acolhimento, o sentimento de pertença, o bem-estar biopsicossocial, a segurança, a permanência qualitativa, a redução dos efeitos das desigualdades sociais e regionais na trajetória acadêmica; contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico; atuar para a redução de índices de evasão e retenção, entre outros”.

Nesse sentido, programas e projetos em andamento serão aprimorados. O Grupo de Trabalho para a Política de Atenção à Saúde Mental do(a) Estudante da UFRJ será reativado. A Residência Estudantil terá as seguintes prioridades: reedificação do bloco B; criação de áreas de esportes, lazer e convivência nas áreas externas; atualização do regimento a partir do diálogo com os estudantes residentes. A PR-7 ainda prevê a implantação do Sistema Integrado de Gestão de Políticas Estudantis e a criação de um setor da pró-reitoria no campus Duque de Caxias.

Prefeitura Universitária

A Prefeitura Universitária (PU) tem como responsabilidade articular o bem viver em todas as áreas da UFRJ, cuidando da infraestrutura dos campi. Para tanto, o novo prefeito, Marcos Maldonado, lista como objetivos gerais: aperfeiçoar práticas de ronda noturna da Coordenação de Segurança, reestruturar os abrigos de pontos de ônibus, melhorar a iluminação em áreas comuns, reorganizar as práticas de poda e capina nas áreas verdes, tratar da questão de abandono de animais, entre outras ações.

Para o prefeito, é preciso “fortalecer a relação da PU com a administração central, decanias, centros e unidades da UFRJ” e “estabelecer práticas sociais de integração entre toda a comunidade universitária”. Maldonado fala também em “aprimorar métodos de controle da frota interna com relação a combustível e manutenção” e, ainda, de “acesso aos campi”.