Viroses amazônicas podem agravar leishmaniose

Vista aérea do Rio Amazonas com casas sobre o rio e a floresta ao lado.
Foto: Rodrigo Kugnharski/Unsplash

Insetos vetores do parasita Leishmania podem transmitir arboviroses pertencentes ao grupo Phlebovirus. Com isso, a leishmaniose cutânea, doença endêmica no Brasil, corre o risco de agravar ainda mais o quadro da população atingida. A descoberta é da UFRJ, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Evandro Chagas do Ministério da Saúde (IEC/MS) e a Universidade de Lausanne (Unil/Suíça).

A partir de pesquisas efetuadas por Carolina Rath, doutora egressa da UFRJ, em projeto coordenado pelos professores Ulisses Gazos Lopes e Renata Meirelles Pereira, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ) e Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG/UFRJ), respectivamente, foi possível conhecer o efeito de coinfecções por phlebovirus, transmitidas pelos mesmos mosquitos vetores da Leishmania amazonensis, no agravamento da leishmaniose. As análises foram feitas em espécies de parasitas e de vírus que circulam no mesmo ambiente e que são transmitidos pelos mesmos insetos vetores. No caso, a investigação, realizada principalmente na UFRJ, concentrou-se em um phlebovírus transmitido pelos vetores da Leishmania e da Leishmania amazonensis.  

Os resultados do estudo demonstraram que o parasita se propagou mais intensamente em células coinfectadas com o phlebovirus amazônico do que em células infectadas somente pela Leishmania. Outra consequência percebida, a partir de testes em laboratório, foi em relação à piora da doença. “A coinfecção em camundongos resultou em lesões cutâneas maiores, contendo maior número de parasitas”, explica Gazos Lopes, que coordena o Laboratório de Parasitologia Molecular do IBCCF.

Com o desmatamento nas áreas de floresta e com a urbanização desordenada dessas áreas, as pessoas podem estar mais expostas a essa dupla infecção. E casos graves de leishmaniose cutânea podem se tornar mais frequentes. Assim, conforme prevê Gazos Lopes, “fica evidente a necessidade de mais pesquisas para determinar o índice de coinfecção em pacientes e em insetos transmissores e o alerta para o maior planejamento e vigilância epidemiológica nas áreas impactadas neste processo”.

A Leishmania é transmitida por insetos vetores denominados flebótomos, popularmente conhecidos como “mosquito-palha”, “birigui”, “cangalha” ou “tatuquira”. Em contato com o organismo humano, o parasita pode causar ulcerações e lesões deformantes em mucosas do rosto, atingindo nariz e faringe. O tratamento é longo e pode apresentar efeitos colaterais. Detalhes sobre a investigação foram publicados em revista internacional sobre doenças tropicais negligenciadas, atualmente com mais de 1.800 acessos. Para ler o artigo completo, clique aqui.