Fórum de Ciência e Cultura lança série de entrevistas

Foto: Eneraldo Carneiro (FCC/UFRJ)

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ lançou em agosto a série de entrevistas Por dentro do FCC. A ideia é, periodicamente, apresentar uma parte da unidade e seus órgãos suplementares, convidando gestores a falarem sobre suas expectativas e seus planos para os próximos quatro anos. Constituem o FCC o Museu Nacional, a Editora UFRJ, o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (SiBI), a Casa da Ciência, o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), a Universidade da Cidadania, o Núcleo de Rádio e TV e o Sistema de Museus, Acervos e Patrimônio (Simap).

As entrevistas são veiculadas no formato vídeo e texto, nos canais oficiais da instituição. A produção é de Bruna Rodrigues e Victor Terra; a reportagem, de Ana Claudia Souza; a fotografia, de Eneraldo Carneiro; e a produção audiovisual, de Tuker Marçal e Yuri Aby Haçan. A primeira a falar é Tatiana Roque, professora da UFRJ e coordenadora do FCC. A seguir, confira os principais trechos.

“É papel do Fórum mostrar para a sociedade o quanto a Universidade é essencial”  

Tatiana Roque tem carreira acadêmica marcada pela transdisciplinaridade. É graduada em Matemática, mestre em Matemática Aplicada e doutora em História e Filosofia das Ciências − todos os títulos obtidos pela UFRJ, onde ingressou como professora em 1996. Em 2013, foi vencedora do Prêmio Jabuti, com o livro História da matemática: uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas (Zahar). Na coordenação do FCC, quer acentuar o diálogo da UFRJ com a sociedade.

Quais são os maiores desafios para as universidades públicas neste momento em que vive o Brasil?

O país vive um momento muito difícil para as universidades públicas, de desmonte em termos de orçamento, diminuição do caráter público da universidade, desinvestimento do Estado. A gente precisa resistir a isso e uma das melhores maneiras é mostrar o quanto a Universidade produz de essencial para a sociedade como um todo. A gente vai precisar da sociedade do nosso lado.  E, no caso da UFRJ, esse é um papel do Fórum de Ciência e Cultura: mostrar para a população a relevância da universidade, do que é produzido aqui. É uma autocrítica que é preciso fazer: às vezes a gente não se preocupa em ter uma melhor comunicação com a sociedade e fica muito voltado para dentro. Isso é algo que essa gestão atual quer mudar e o Fórum vai ter um papel estratégico.  

Quais os principais objetivos da sua gestão?  

O papel institucional do FCC é reunir as diversas áreas da UFRJ, ter projetos inter ou transdisciplinares, com impacto externo. Isso é uma coisa que quero implementar: pensar projetos integradores e agregadores, de diversas pesquisas que são feitas na UFRJ, a partir de eixos temáticos que gerem impacto e maior visibilidade para a sociedade. Um exemplo disso é o curso interdisciplinar, que começa em agosto no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), voltado para o assunto das mudanças climáticas. Tem muitos pesquisadores da UFRJ que trabalham com esse tema, em áreas diferentes, mas que não têm muita integração. A UFRJ parece um arquipélago. Pela sua própria origem, que incorporou escolas e institutos que eram separados, ela tem essa estrutura muito fragmentada. Um dos objetivos do Fórum vai ser integrar pesquisas em campos que tenham afinidade, mas que são realizadas hoje em áreas muito fragmentadas. Queremos fazer isso de modo que a pesquisa não tenha apenas interesse acadêmico, mas também seja voltada para os problemas que o nosso mundo enfrenta neste momento. A questão das mudanças climáticas é exemplar disso.

Como tornar a universidade transdisciplinar?

Esse é um grande desafio porque, na verdade, o nosso sistema de pesquisa não incentiva muito a transdisciplinaridade. Nossos critérios de avaliação de pesquisa, da Capes, do CNPq, das pós-graduações, não são nada interdisciplinares. Em geral, quando a gente submete projetos às agências, a gente é avaliada segundo critérios de áreas disciplinares específicas. Existe muita dificuldade em ter projetos interdisciplinares, apesar de estarmos no século XXI. Ainda é uma batalha que a gente tem que enfrentar no sistema de avaliação e fomento da pesquisa.

A íntegra da entrevista está no site do FCC e no YouTube.