Professor da UFRJ toma posse na Academia de Letras da Bahia

Foto: Ezileusa Barbosa (Divulgação)

Na noite de quinta-feira (31/10), um professor da UFRJ tornou-se imortal. Muniz Sodré de Araújo Cabral, jornalista, sociólogo, tradutor e emérito da Escola de Comunicação (ECO), tomou posse na Academia de Letras da Bahia (ALB). A cerimônia, aberta ao público, foi realizada no Palacete Góes Calmon, sede da ALB, em Salvador. O lugar guarda as memórias da Academia Brasílica dos Esquecidos, a primeira do Brasil.

Muniz é o sexto titular da cadeira n° 33, que foi de Mãe Stella de Oxóssi e tem Castro Alves como patrono. Nascido em São Gonçalo dos Campos (BA), em 1942, Muniz cresceu em Feira de Santana e iniciou sua vida profissional em Salvador, no Jornal da Bahia. Com 36 livros publicados, entre obras acadêmicas e de ficção, seu trabalho é referência para os estudos sobre comunicação, cultura brasileira e a condição da população afrodescendente e suas formas de resistência cultural.

“Para mim, é importante ocupar uma cadeira já mantida pela ialorixá da comunidade litúrgica a que pertenço (o Ilê Axé Opô Afonjá), porque Mãe Stella de Oxóssi foi um ponto alto e intelectualizado da governança espiritual. É preciso sempre reiterar que a experiência da cultura jeje-nagô-ketu reflete exemplarmente a ancestralidade e a visão de mundo características da civilização africana. Em torno da família de santo ou das comunidades litúrgicas de origem africana, conhecidas como candomblés, criou-se um modelo singular de organização social de frações amplas do povo nacional, mas principalmente um lócus antitético à violência da assimilação cultural por meio da monocultura europeia. Tenho como crucial o forte sentido ético-político nos modos de persistência dos cultos, ao combinarem a força interna de sua liturgia com as alianças simbólicas implícitas entre eles e determinados segmentos da sociedade global. Ao desvario integrista, é fundamental opor o empenho ancestral por dignidade de crença. Isso é ética coletiva, é educação pública. Para o indivíduo da comunidade litúrgica, tão bem representado por Mãe Stella de Oxóssi, sempre se tratou de um empenho ético e político (embora não político-partidário) para inscrever a singularidade afro-brasileira no espaço da coexistência nacional”, escreveu o professor, antes da posse.