O que é uma pandemia?

Em primeiro plano uma placa onde se lê Central Analítica. Por uma janela na porta se vê quatro profissionais de jaleco trabalhando.
Foto: Marco Fernandes - Acervo Coordcom/UFRJ

Surgido na China no final de 2019, o SARS-CoV-2 não tem encontrado barreiras capazes de deter sua expansão. O novo coronavírus, causador da doença COVID-19, já alcançou – até o momento – 115 países, com mais de 100.000 infectados e 4.000 mortos. Em 11/3, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a crise se tornou uma pandemia. Mas o que caracteriza pandemia?

O prefixo -pan presente na palavra significa, segundo o dicionário Houaiss, “o povo inteiro”. A OMS, por sua vez, afirma que pandemia é a disseminação global de uma doença nova, indicando que um vírus se espalhou por mais de um continente. A última pandemia aconteceu em 2009, com a H1N1. À época a gripe suína, também surgida na China, infectou mais de um bilhão de pessoas, segundo estimativas da organização.

Roberto Medronho, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, afirmou que a mudança de status não altera os protocolos de cuidados. “Países como o Brasil, que ainda não têm a epidemia instalada, devem manter as ações para impedir uma maior disseminação do vírus. Já os países que têm um processo epidêmico instalado, como a Itália, por exemplo, devem desenvolver ações de saúde pública, de atenção aos doentes, que serão fundamentais porque não é possível impedir a entrada do vírus em qualquer país do mundo, mas temos como evitar o óbito”, ressalta.

A elevação do status da doença vem causando ainda mais comoção na população, com estoques de álcool em gel e máscaras esgotados. O médico enfatizou que não é necessário entrar em pânico. “Temos que ter as preocupações necessárias para tomar as medidas de cuidados individuais e cobrar das autoridades que façam as ações de saúde coletiva adequadas para conter essa ameaça.”

Embora a taxa de mortalidade do vírus não seja considerada tão alta como outras grandes epidemias, a rápida transmissão do vírus é o que causou a sua expansão. Transmitida por meio de gotículas vindas da fala, tosse ou espirro, a COVID-19 tem um período de incubação que pode variar entre dois e 14 dias. “Na grande maioria dos casos, as pessoas infectadas levam, em média, cinco dias para apresentar os sintomas”, explicou.  

Fontes do governo chinês acreditam que, até o meio do ano, a pandemia possa estar controlada caso os países unam esforços a fim de conter o vírus. Embora a China tenha sido o local mais afetado, o número de novos registros vem apresentando uma queda vertiginosa nos últimos dias.

Infodemia: uma outra epidemia para se preocupar

O professor também falou sobre como as notícias são importantes para esclarecer a população sobre os cuidados necessários e os procedimentos corretos diante da epidemia. Porém Medronho enfatizou que nem tudo que está na mídia pode ser considerado.  “As informações válidas são absolutamente fundamentais para contribuir com o processo de promoção da saúde. Então, o que nos preocupa é aquela ‘infodemia’, que é a epidemia de fake news, de ações mirabolantes que não têm nenhum substrato técnico.”

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