Coronavírus: grávidas e puérperas na pandemia

Mulher segura dos bebês
Grávidas e puérperas são grupo de risco Foto: William Santos/UFRJ

Atualizado em 15/4, às 14h

Muitos questionamentos e emoções envolvem a chegada de uma nova vida. Do descobrimento da gravidez até o momento do parto, as incertezas e a insegurança mexem com a cabeça de mães e pais. O período após o nascimento do bebê também não é diferente. Nos últimos meses, uma nova preocupação entrou na lista: o coronavírus.

Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde informou sobre uma mudança de protocolo que inclui grávidas e puérperas no grupo de risco para a COVID-19. Esse novo status exige maior atenção nos cuidados individuais e coletivos, já que essas mulheres podem apresentar casos mais graves da doença. Marcus Renato de Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e pediatra, afirma que o momento deve ser de observação e cuidados. “É importante que elas tomem ainda mais precauções para se proteger e relatem possíveis sintomas para seus provedores de cuidados de saúde”, disse, completando que o distanciamento também é uma das formas de proteção para as gestantes.

Estas são algumas das indicações para esse público: trabalho remoto ou  afastamento, principalmente para trabalhadoras da saúde; apenas consultas e exames essenciais do pré-natal, com utilização da teleconsulta sempre que possível; ausência de visitas durante a gestação e o pós-parto; atenção redobrada à higiene dos cuidadores da mulher e do bebê.

O momento do parto também exige cuidados redobrados. Procedimentos dispensáveis, como cesáreas eletivas e indução desnecessária, devem ser evitados para que a parturiente não precise ficar mais tempo no hospital. Carvalho afirma que é preciso avaliar a presença do acompanhante, que não deve apresentar sintomas nem ser dos grupos de risco, minimizando assim as chances de infecção. “Mas isso não quer dizer que a presença do acompanhante deve ser negada”, ressalta.

Aleitamento é necessário

Não há nenhuma evidência científica que aponte o leite materno como uma possível fonte de transmissão da doença. O professor reitera que a orientação do MS é de que a amamentação não deve ser suspensa em casos de a mãe ter a suspeita de infecção pelo novo coronavírus, mas que é preciso seguir um protocolo de cuidados mais rígido. O uso de máscara é indispensável nesses casos, assim como a higienização das mãos antes e depois do aleitamento.

 “Salvo alguma intercorrência que exija a separação do binômio, como, por exemplo, o agravamento das condições de saúde maternas, é perfeitamente possível que mãe e filho permaneçam em sistema de alojamento conjunto na maternidade até a alta hospitalar”, explica.

Isolamento não é abandono

Um dos momentos mais delicados para uma nova família é o puerpério. Conhecido como “blues puerperal”, o período que se segue ao parto é, muitas vezes, solitário. Segundo Carvalho, alguns casos podem ser o início de um quadro de depressão pós-parto. “O apoio da família e a participação do companheiro ou companheira são essenciais para que a mulher sinta-se segura nesse momento”.

A rede de apoio, essencial nessa fase, precisa continuar dando suporte à nova família, e as novas tecnologias podem ajudar, seja por vídeo, ligações ou mensagens. “E, também, não deve ser abandonada pelo obstetra, pediatra, enfermeira obstetra, doula, psicóloga ou alguém da equipe perinatal com quem ela tenha feito uma melhor conexão ou vínculo afetivo”, declara.

O professor lembra também que, mais do que nunca, os pais precisam assumir seus papéis na criação dos filhos, valendo-se de suas licenças-paternidades e antecipação de férias para dividirem as tarefas de maneira justa, cuidando dos afazeres domésticos, do bebê e, claro, da mãe.