UFRJ prevê mais de mil casos em Macaé e mais de 400 em Rio das Ostras


foto: Artur Moês (Coordcom/UFRJ)

Pesquisadores da UFRJ pertencentes ao Grupo de Trabalho (GT) Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19 no campus Macaé analisaram os casos de infecção acumulados, dia a dia, até 15/5, para Macaé e Rio das Ostras. Eles notaram uma redução na velocidade de propagação da doença em ambas as cidades, embora o número básico de reprodução (efetivo – Rt), que mede a capacidade do vírus em se propagar entre as pessoas depois de iniciada a transmissão comunitária, ainda esteja elevado.

Nessas cidades, em média, uma pessoa infectada consegue transmitir a doença para outras duas. A consequência direta desse elevado valor de Rt é a possibilidade de mais de mil casos em Macaé e mais de 400 em Rio das Ostras antes do final de maio. Para se ter uma ideia, a fim de que o crescimento do número de casos estacione, é necessário que o Rt caia para 1,0 – situação que pode ser atingida se aplicadas políticas de isolamento social, por exemplo. 

O número de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) utilizadas pode chegar a 50 e 20 leitos simultâneos nos dois municípios, respectivamente. No entanto, levando-se em conta a provável subnotificação de casos, tais números podem ser, pelo menos, dez vezes maiores. Assim, as políticas de redução de contágio devem ser reforçadas em ambas as cidades, considerando que os efeitos da mitigação seriam vistos, aproximadamente, 14 dias depois.

O modelo matemático adotado pelos pesquisadores do GT é o SIR, sigla para Suscetíveis, Infectados e Removidos, no qual a população é dividida nessas três categorias, que mudam com o tempo. Embora seja o mais simples para o estudo de epidemias, o modelo proporciona estimativas de quantidades como: Rt, dia do pico de infecção, quantidade máxima de infectados, tempo de duração da infecção e percentual de suscetíveis – que sobram sem se contaminar – no final da epidemia.

Os pesquisadores alertam que os valores podem não refletir a realidade e, por isso, optaram por não divulgar todos os resultados. Como a doença é muito dinâmica e medidas não farmacêuticas de combate mudam as previsões, elas precisam ser reavaliadas a cada uma ou duas semanas. Os cientistas pontuam, ainda, que mesmo modelos matemáticos mais precisos – com mais categorias – devem ser encarados com cautela em longo prazo.

Os professores trazem também o estudo da dependência de Rt com o tempo de remoção da doença, uma espécie de média do tempo de recuperação ou de óbito de um doente por COVID-19. Esse estudo é necessário porque, dentro das informações divulgadas, não é mostrado explicitamente o tempo de recuperação, mas apenas uma faixa de valores. Portanto, os pesquisadores variaram esse tempo entre 10 e 20 dias, percebendo que o Rt tem variado entre 1,7 e 2,6, aproximadamente, nessas cidades. Eles pretendem fazer previsões de tendências da infecção e do número básico de reprodução efetivo para outras cidades da região, além de aperfeiçoar o modelo matemático em breve. 

O trabalho completo pode ser acessado aqui.

O Grupo de Trabalho em Macaé é multidisciplinar e conta com a participação de mais de 100 docentes, técnicos-administrativos e alunos da UFRJ no campus Macaé e outras instituições regionais. Eles desenvolvem análises que acompanham o comportamento da pandemia no Norte Fluminense e na Baixada Litorânea. O GT também tem dialogado com os municípios vizinhos, oferecendo apoio técnico e científico para o enfrentamento da COVID-19.

Da Assessoria de Comunicação Social da UFRJ no campus Macaé, com adaptações