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Nota de Pesar

Adeus a Heloisa Teixeira

Professora emérita da UFRJ e imortal na ABL era reconhecida como uma das maiores pensadoras do feminismo brasileiro

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lamenta, com profundo pesar, o falecimento da professora emérita e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Heloisa Teixeira, ocorrido nesta sexta-feira, 28/3. A professora e escritora, de 85 anos, morreu após complicações de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda. Ela estava internada na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea. O velório será neste sábado, 29/3, na sede da ABL, no centro do Rio de Janeiro.

Nascida em 26 de julho de 1939, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Heloisa se mudou com a família para o Rio de Janeiro aos 4 anos. Em 1961, formou-se em Letras Clássicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). De 1964 a 1965, especializou-se em teoria da literatura. Fez mestrado e doutorado em Literatura Brasileira na UFRJ e pós-doutorado em Sociologia da Cultura na Universidade de Columbia, em Nova York. 

Heloisa ingressou na UFRJ em 1964 como docente auxiliar, ministrando aulas sobre Lima Barreto, José de Alencar e Mário de Andrade. Em 1969, tornou-se professora titular da Universidade. Durante sua trajetória na instituição, desenvolveu pesquisas com foco na relação entre cultura e desenvolvimento, com atenção voltada a áreas como poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital.

Na década de 1980, assumiu a direção do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro – MIS/RJ. Em 1986, criou a Coordenação Interdisciplinar de Estudos Culturais (Ciec), laboratório de pesquisa de pós-graduação da Escola de Comunicação da UFRJ, que marca a passagem de seu foco de pesquisa da literatura marginal para as questões literárias de raça e gênero. Ao mesmo tempo, atuou como cronista do Jornal do Brasil.

Uma das principais vozes do feminismo

Segundo a biografia “Helô Teixeira: crítica como vida”, lançada em 2024, pelos autores André Botelho e Caroline Tresoldi, em meados da década de 1980, ela passou a atuar intensamente em questões voltadas à raça e ao gênero. A partir daí, a professora e escritora tornou-se uma das maiores pensadoras do feminismo brasileiro. Lançou obras marcantes como “Macunaíma, da literatura ao cinema”, “O feminismo como crítica da cultura”; “Marginais anos 70”, “Rebeldes e marginais: Cultura nos anos de chumbo” e “26 Poetas hoje”. 

Em 2010, foi reconhecida como professora emérita da UFRJ por todo o trabalho desenvolvido na Universidade. Em 2023, foi eleita para ocupar a trigésima cadeira da ABL, sucedendo a escritora Nélida Piñon. Heloisa  tomou posse na ABL, em 28 de julho de 2023, com uma nova identidade. Onze dias antes da cerimônia, ela deixou de usar o sobrenome do primeiro marido, o advogado e galerista Luiz Buarque de Hollanda. Na época, aos 83 anos, passou a adotar o sobrenome materno Teixeira.

Na UFRJ, a professora foi diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coordenou o Laboratório de Tecnologias Sociais, do projeto Universidade das Quebradas, e o Fórum Mulher (Fórum M), espaço aberto para o debate sobre a questão da mulher. Dirigiu ainda a Aeroplano Editora e Consultoria e a Editora UFRJ. Também esteve à frente do Programa Culturama, na TVE; do Café com Letra, na Rádio MEC; além de dirigir documentários como “Dr. Alceu” e “Joaquim Cardozo”.

Filha de um médico, professor, e uma dona de casa, Heloísa teve três filhos, os cineastas Lula, André e Pedro. O velório será neste sábado, 29/3, na sede da ABL, no centro do Rio de Janeiro.

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