A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lamenta profundamente o falecimento do professor Guilherme Ramos da Silva Muricy, do Departamento de Invertebrados do Museu Nacional, na madrugada de quinta-feira, 19/8. Guilherme tinha 62 anos. Formou-se em Biologia Marinha pela UFRJ, cursou mestrado em Oceanografia na Université d’Aix-Marseille, na França, e doutorado em Bioquímica pela UFRJ. Em 1996, ingressou como professor assistente no Instituto de Biologia e, pouco tempo depois, passou a atuar no Museu Nacional, onde construiu grande parte de sua trajetória acadêmica como professor titular.
Apaixonado pelo mar e pelas esponjas, Guilherme começou a transformar a história da espongologia na UFRJ muito antes de se tornar professor. Em 1986, ainda estudante de graduação, liderou um movimento para reativar o Laboratório de Porifera do então Departamento de Zoologia da UFRJ. Ao seu redor, outros estudantes se reuniram, movidos pela mesma curiosidade e pelo desejo de estudar um grupo de organismos que, até então, recebia pouca atenção.
A iniciativa daqueles jovens pesquisadores cresceu e se transformou em um dos mais importantes grupos de pesquisa em Porifera do Brasil. Uma coleção que enfrentava dificuldades de conservação tornou-se a base para a construção de uma escola científica. O que começou com a iniciativa dele tornou-se, ao longo das décadas, um grupo de pesquisa reconhecido internacionalmente, formando novas gerações de pesquisadores e conferindo à UFRJ uma posição de destaque mundial no estudo das esponjas marinhas.
Talvez esta seja uma das partes mais inspiradoras do legado de Guilherme: mostrar que a Universidade também é transformada por aqueles que acreditam que é possível fazer mais. Uma coleção pode se tornar um centro de referência, um laboratório pode renascer, a curiosidade de alguns estudantes pode dar origem a uma tradição científica que atravessa gerações.
Ao longo de sua carreira, Guilherme publicou artigos científicos, livros e capítulos de livros, orientou estudantes de mestrado e doutorado e estabeleceu colaborações com dezenas de pesquisadores no Brasil e no exterior. Contudo, seu legado não pode ser medido apenas em números. Ele permanece nas coleções que ajudou a construir, nos pesquisadores que formou, nas perguntas científicas que inspirou e, sobretudo, na comunidade que cresceu ao seu redor.
A UFRJ perde um professor e pesquisador extraordinário, e a espongologia brasileira e mundial perde uma de suas grandes referências. No entanto, a história que Guilherme ajudou a construir continuará viva em cada estudante e pesquisador e em cada esponja coletada e descoberta publicada que nascerem desse legado.
Sentiremos profundamente sua falta e nos lembraremos, com orgulho, de tudo o que ele tornou possível.
