A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lamenta profundamente a morte do sambista, compositor e baluarte da cultura popular brasileira Noca da Portela, ocorrida neste domingo (17/5), aos 93 anos. Autor de mais de 500 canções e um dos nomes mais importantes da história da Portela e do samba carioca, Noca deixa um legado marcado pela defesa da cultura popular, pela militância política e por uma obra que atravessou gerações.
Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, com o nome de Osvaldo Alves Pereira, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Começou cedo na música e, aos 14 anos, já compunha sambas-enredo. Em 1967, a convite de Paulinho da Viola, passou a integrar a ala de compositores da Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, tornando-se um de seus principais baluartes e autor de sambas campeões que marcaram a história da agremiação.
Além da trajetória na avenida, Noca construiu uma carreira marcada pelo engajamento social e político. Participou de movimentos culturais e democráticos, compôs jingles históricos e fez do samba também instrumento de memória, resistência e afirmação popular.
Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura brasileira, a UFRJ concedeu ao sambista o título de doutor honoris causa em agosto de 2020, em cerimônia virtual realizada durante a pandemia de Covid-19. A homenagem foi celebrada presencialmente em junho de 2022, em sessão solene marcada pela emoção e pelo reconhecimento à importância de sua obra para o cancioneiro nacional e para a história da resistência à ditadura civil-militar de 1964.
Na ocasião, Noca agradeceu à Universidade pela honraria e afirmou estar “recebendo flores em vida”. O parecer que fundamentou a concessão do título destacou sua relevância para a música brasileira e seu papel como voz ativa da cultura popular e da memória democrática do país.
Ao longo dos anos, Noca manteve uma relação próxima com a UFRJ e participou de diferentes iniciativas ligadas à valorização da cultura popular. Em fevereiro deste ano, a Universidade apoiou o projeto do Centro Cultural Casa do Noca, iniciativa voltada à preservação de seu acervo e de sua trajetória artística, articulada pela Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA).
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, amigo de longa data do compositor, também dividiu com Noca parcerias musicais e composições de samba ao longo dos anos. Ele lamentou a perda do artista e lembrou sua generosidade e alegria: “Era uma pessoa cheia de vida”.
O velório será realizado amanhã (19/5), na quadra da Portela, em Madureira, com cerimônia aberta ao público. Noca da Portela deixa filhos, netos, bisnetos e uma obra fundamental para a história do samba e da cultura brasileira.
