O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 26/2, a segunda reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, marcou a retomada da antiga sala no edifício Jorge Machado Moreira (JMM) como local oficial das reuniões e se concentrou majoritariamente na análise de recursos administrativos, envolvendo concursos públicos, carreira docente, políticas de assistência estudantil e estrutura institucional da Universidade.
Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a concessão do título de Professor Emérito ao docente Marcelo Macedo Corrêa e Castro, aprovada por aclamação pelos conselheiros. A honraria é atribuída aos professores titulares aposentados que, ao longo da carreira, prestaram serviços de excepcional relevância à Universidade.
Corrêa e Castro ingressou como docente na UFRJ em 1/3/1980 e se aposentou em 29/7/2024. Durante os mais de 44 anos em exercício, atuou no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão, sempre em defesa da educação, especialmente do ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.
“A minha presença aqui hoje tem a ver com o significado que o professor Marcelo tem para nossa unidade acadêmica, mas a gente sabe que não é só para nossa unidade”, afirmou a diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura. Segundo ela, o professor construiu uma carreira marcada por algo raro na vida universitária: a atuação simultânea e consistente em três dimensões: ensino, pesquisa e extensão, sem se afastar das funções de gestão e representação institucional.

Durante seu pronunciamento, a diretora relembrou o papel central do docente no processo de reconstrução da FE, especialmente no fim da década de 1990, período descrito como particularmente desafiador para a unidade. “O professor Marcelo teve um papel fundamental nesse processo, sem abrir mão de ser professor universitário, pesquisador e extensionista”, destacou.
Entre as contribuições mencionadas estão o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp), a ampliação da interlocução com as escolas públicas, a criação da Revista Contemporânea de Educação e a articulação permanente da Faculdade de Educação com outras unidades da UFRJ e instituições externas.
Por fim, Moura ressaltou o papel do professor como referência intelectual e institucional. “A gente brincava dizendo que, com a aposentadoria dele, perderíamos o ‘oráculo’, porque qualquer dúvida sobre a UFRJ era ao professor Marcelo que recorríamos”, afirmou. Ao concluir, destacou o caráter simbólico da concessão do título: “Esse reconhecimento não é apenas para uma unidade acadêmica ou para a UFRJ, mas para a educação brasileira. O professor Marcelo não apenas construiu sua trajetória, mas ajudou a construir a própria Universidade”.
Já o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, deu um depoimento no qual ressaltou não apenas a excelência acadêmica do homenageado, mas também seu caráter e a postura ética ao longo da trajetória na instituição. “Não abria mão das suas opiniões, mas sempre de forma muito cordata, sempre ouvindo as visões distintas”, disse Medronho, evidenciando a capacidade de diálogo do docente, mesmo diante de divergências.
Assistência e permanência estudantil
Durante a reunião do Consuni, a bancada estudantil fez um ato em protesto ao redimensionamento das bolsas de monitoria. Os estudantes levantaram cartazes que pediam “+ bolsas” e defendiam que “sem bolsas, a UFRJ não faz ciência”.
“Quando a gente corta essas bolsas, a gente está excluindo estudantes da produção científica e da democracia na nossa Universidade”, declarou a conselheira Isadora, que reconheceu o cenário de recursos escassos, no entanto ponderou que o debate central deve ser sobre os critérios de distribuição: “Nós sabemos que é pouco. Mas como vai ser destinado, como vai ser distribuído, é o que a gente precisa ter mais transparência, mais participação e mais seriedade”.
Em resposta, a superintendente-geral de Graduação, Georgia Correa Atella, esclareceu os critérios adotados na decisão, salientando que a medida foi motivada por questões orçamentárias e técnicas. Atella enfatizou que a importância da monitoria é reconhecida tanto pelos docentes quanto pela gestão universitária, e destacou que, após a ampliação das políticas de ações afirmativas, a demanda por políticas de permanência na Universidade aumentou: atualmente, cerca de 60% dos estudantes da UFRJ ingressam por ações afirmativas, o que reforça a necessidade de ampliação dos auxílios estudantis e das bolsas acadêmicas.
Estrutura institucional
Na segunda sessão ordinária do ano, foi aprovada a proposta de resolução que institui a Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin) e o seu Regimento Interno. Criada por portaria em 2015, a Corin tem por objetivo ser um canal institucional de relação da Universidade com os órgãos de Estado, incluindo os de controle, de representação jurídica da instituição, e com o Legislativo, quanto ao processo de elaboração de leis e normas pertinentes à educação superior e às políticas de ciência e tecnologia. A instituição da coordenação por meio de resolução possibilita o preenchimento de um dos requisitos da Controladoria-Geral da União (CGU) para que a mesma seja reconhecida como Unidade de Correição Instituída (UCI) – estrutura correcional formalizada em órgãos do Poder Executivo Federal, com autonomia e competência para conduzir processos disciplinares, inclusive aplicar penalidades expulsivas.






