Vantuil Pereira é reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas

O professor Vantuil Pereira foi reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH/UFRJ) para a gestão 2026-2030. A cerimônia de posse foi realizada nesta quarta-feira, 16/9, no campus da Praia Vermelha. Adriana Patrício Delgado assumiu a vice-decania, ocupada na gestão anterior por Paulo César Castro de Sousa.

À frente do CFCH desde 2022, Vantuil Pereira apontou a defesa dos direitos humanos e da dignidade humana entre os compromissos que pretende manter no segundo mandato. Também citou a autonomia universitária, a liberdade de cátedra, a transparência na gestão dos recursos públicos e a necessidade de recomposição do orçamento da Universidade.

“A recondução não é um cheque em branco. Eu recebo esse mandato com a obrigação e o compromisso de servir ao CFCH e à UFRJ”, afirmou.

Entre as prioridades para os próximos quatro anos, o decano mencionou melhorias na infraestrutura e nas condições de permanência estudantil e defendeu maior participação da comunidade universitária nas decisões da instituição. Vantuil Pereira também incluiu, entre os compromissos da gestão, o enfrentamento ao racismo e a outras formas de violência e discriminação.

O reitor, Roberto Medronho, dedicou parte da sua fala ao papel das Ciências Humanas em uma universidade que é também referência em outras áreas. “Em uma grande universidade, a pergunta ‘o que somos capazes de fazer?’ é absolutamente incompleta. Precisamos também perguntar: por que devemos fazer? Para quem devemos fazer? E que sociedade queremos construir?”, disse Medronho, ressaltando a contribuição das Ciências Humanas para a compreensão dos impactos sociais da produção científica e tecnológica.

Professora da UFRJ desde 2018, Adriana Patrício Delgado iniciou a carreira na educação básica e acumula experiência no ensino superior e em gestão. Em seu discurso de posse, ela apontou o diálogo com os diferentes segmentos da comunidade como princípio para o trabalho no CFCH.

“Nós nos colocamos em defesa do diálogo e da escuta. Um diálogo estabelecido com todos e todas que fazem essa Universidade viva cotidianamente”, declarou.

Paulo César Castro de Sousa deixou a vice-decania após quatro anos, mas permanece na Coordenação de Integração de Extensão do CFCH.

ICB homenageia Luiz Eurico Nasciutti e dá nome do professor a auditório

O Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ) prestou, nesta quarta-feira, 16/9, uma homenagem póstuma ao professor emérito Luiz Eurico Nasciutti, ex-diretor do Instituto e decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS) entre agosto de 2018 e julho de 2026. Durante a sessão solene da Congregação, o auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas (PCM) recebeu o nome do homenageado. A cerimônia também marcou a entrega do Prêmio Luiz Eurico Nasciutti de Melhor Tese de Doutorado de 2025.

Luiz Eurico Nasciutti desenvolveu grande parte de sua trajetória como professor, pesquisador e gestor no ICB. A atual diretora da unidade acadêmica, Patrícia Dias Fernandes, falou sobre a escolha de dar ao auditório o nome de Nasciutti.

“O seu nome já estava presente muito antes de qualquer placa ou homenagem. Está presente nas memórias, nas histórias que contamos, nas pessoas que formou, nos trabalhos que realizou, naquilo que ajudou a construir”, afirmou.

Familiares e integrantes da comunidade acadêmica durante o descerramento da placa que dá ao auditório do Programa de Ciências Morfológicas (PCM/ICB) o nome do professor emérito Luiz Eurico Nasciutti | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Luiz Eurico ingressou como docente da UFRJ em 1975. Foi chefe de departamento, coordenador de pós-graduação, diretor do ICB e vice-decano do CCS até assumir a decania do Centro, em 2018. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), fez mestrado em Histologia e Embriologia na UFRJ e doutorado em Biologia Celular e Molecular na Université Pierre et Marie Curie, em Paris. Em junho deste ano, recebeu o título de professor emérito da Universidade.

A forma como Luiz Eurico exercia funções de gestão foi uma das lembranças recorrentes entre os colegas que participaram da homenagem. A capacidade de ouvir e mediar divergências apareceu em diferentes depoimentos.

O reitor Roberto Medronho, que foi aluno de Luiz Eurico no fim da década de 1970, recordou que o professor continuou assumindo tarefas institucionais mesmo depois da aposentadoria. Já durante o tratamento de saúde, aceitou integrar uma comissão responsável por avaliar projetos de inovação da Universidade.

“Ele não negava nenhum pedido, nenhum desafio em prol da UFRJ. Era de uma delicadeza e de um compromisso absolutamente inspiradores”, disse.

Atual decana do CCS, Avany Fernandes Pereira, conviveu com Luiz Eurico durante os oito anos em que ele esteve à frente do Centro e foi convidada por ele para integrar a decania. Ao falar sobre essa convivência, destacou a maneira como ele exercia a autoridade acadêmica e de gestão.

“Ele mostrou para a gente que não precisa ser arrogante, estar num pedestal, para ser um pesquisador respeitado. Ele era humano, acolhedor”, contou.

Durante a cerimônia, o PCM entregou a Felipe Saceanur Leser o Prêmio Luiz Eurico Nasciutti de Melhor Tese de Doutorado de 2025. O pesquisador, que participou da solenidade remotamente, foi premiado por uma tese desenvolvida na área de neurociências.

Entrega do Prêmio Luiz Eurico Nasciutti de Melhor Tese de Doutorado a Felipe Saceanur Leser, que participou da cerimônia remotamente | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A sessão terminou com o descerramento da placa do Auditório Luiz Eurico Nasciutti por familiares e integrantes da Universidade.

UFRJ participa de pesquisa sobre ampliação do acesso à saúde e redução de desigualdades

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade de São Paulo (USP) se reuniram nesta terça-feira, 8/9, no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC/UFRJ), para o lançamento da segunda nota técnica do projeto “Avaliação do Programa Agora Tem Especialistas (Pate): estudos sobre extensão de coberturas e ampliação do acesso à atenção especializada no SUS”.

Coordenado por Ligia Bahia, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc/UFRJ), Jairnilson Paim, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, Mário Scheffer e Lucas Andrietta, da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Saúde Pública da USP, respectivamente, o estudo é desenvolvido pelas quatro unidades acadêmicas, com financiamento do Ministério da Saúde.

O objetivo é acompanhar as mudanças na atenção especializada (que inclui consultas com especialistas, exames, cirurgias e outros procedimentos) e analisar em que medida elas contribuem para ampliar o acesso aos serviços de saúde e reduzir desigualdades.

Mas a pesquisa não se limita a uma avaliação da oferta desses serviços. “Nosso objeto é o sistema de saúde, não é a atenção básica, não é a atenção especializada, é o sistema de saúde”, afirmou Ligia Bahia durante a abertura do evento.

Entre os eixos de análise estão as desigualdades e as relações entre os setores público e privado. A nota técnica aponta, por exemplo, que o uso de parcerias com prestadores privados no enfrentamento das filas do SUS reacende o debate sobre o papel do setor suplementar e os riscos de dependência estrutural.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, os efeitos das políticas sobre a rede pública também devem ser considerados na investigação. “Avaliar uma política pública não é enfraquecê-la. Ao contrário, é contribuir para que ela seja mais justa, eficiente e fiel aos princípios que a originaram”, disse. Para Medronho, a análise deve considerar não apenas a quantidade de procedimentos realizados, mas também a redução das desigualdades e a capacidade de o Estado responder às necessidades da população.

Na mesa que sucedeu a abertura do encontro, dedicada aos desafios para a pesquisa, o coordenador Mário Scheffer abordou o papel da produção científica no acompanhamento de políticas públicas. “Como a pesquisa pode fundamentar essas decisões?”, questionou. Scheffer explicou ainda que o trabalho se encontra em fase de monitoramento, anterior à avaliação de resultados.

O objetivo do estudo é acompanhar as mudanças na atenção especializada e analisar em que medida elas contribuem para ampliar o acesso aos serviços de saúde e reduzir desigualdades | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Nesta primeira etapa, a nota lançada no encontro busca delinear uma linha de base para acompanhar a implementação e subsidiar análises posteriores. O documento reúne estudos sobre aspectos jurídico-normativos, oferta de serviços, mecanismos de financiamento, créditos financeiros, ressarcimento ao SUS, características dos hospitais credenciados e produção assistencial.

Leia o documento na íntegra aqui.

UFRJ inaugura Laboratório de Estudos Russos na Faculdade de Letras

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na terça-feira, 11/8, no bloco F da Faculdade de Letras (FL), o Laboratório de Estudos Russos Innopraktika. O novo espaço amplia a cooperação acadêmica e cultural entre o Brasil e a Rússia e cria oportunidades para atividades de ensino, pesquisa, intercâmbio e programação cultural voltadas à comunidade universitária.

A cerimônia reuniu o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; o decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Barbosa; o diretor da FL, Roberto de Freitas Junior; a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte; e o cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, Feodosii Alexandrovich Vladyshevskii. Também estiveram presentes alunos e professores da FL.

Para Medronho, o laboratório representa um marco na aproximação entre os dois países. O reitor ressaltou o papel da língua e da cultura na aproximação entre os povos e destacou a trajetória da UFRJ na formação de tradutores, professores e pesquisadores. Segundo ele, o espaço permitirá que estudantes e servidores possam “aprofundar o estudo da língua russa em um ambiente equipado, moderno e voltado à inovação”, disse.

Em participação virtual, a primeira vice-diretora-geral da Innopraktika, Natália Popova, explicou que a iniciativa vai além do ensino da língua russa e funcionará como uma plataforma de aproximação cultural entre os dois países. “Tenho certeza de que nossa cooperação está apenas começando. Temos pela frente muitas palestras, diferentes projetos, estreias de filmes”, afirmou. 

A cooperação com a Rússia integra a estratégia de internacionalização da UFRJ. De acordo com a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte, os acordos firmados entre instituições dos dois países abrangem diferentes áreas do conhecimento e podem ampliar a mobilidade de estudantes, professores e pesquisadores, além do desenvolvimento de projetos conjuntos e da formação de redes internacionais de pesquisa. “Queremos transformar cada acordo em ações efetivas, duradouras e capazes de gerar benefícios para as nossas comunidades universitárias e para as nossas sociedades”, declarou.

A Innopraktika desenvolve projetos educacionais e culturais voltados ao intercâmbio internacional. A iniciativa reúne professores de instituições de ensino de referência da Rússia para trabalhar com estudantes de diferentes países, valorizando experiências culturais e questões contemporâneas e estimulando, por meio da educação e da arte, o diálogo entre diferentes tradições.

UFRJ sedia V Workshop de Algicultura

O auditório da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebe, nos dias 16 e 17/7, a quinta edição do Workshop de Algicultura. O encontro busca aproximar pesquisadores, empresas, gestores públicos e demais integrantes da cadeia produtiva para debater estratégias que ajudem a consolidar o cultivo de algas como atividade essencial para o desenvolvimento econômico, a segurança alimentar, a bioeconomia e a transição energética no Brasil.

Coordenadora do evento, a professora do curso de Engenharia de Alimentos da UFRJ Ana Lúcia Vendramini destacou, durante a cerimônia de abertura, que esta edição do workshop consolida um movimento iniciado na Baía da Ilha Grande e hoje mobiliza pesquisadores e instituições de diferentes regiões do país. Segundo ela, o principal objetivo é criar um ambiente de cooperação capaz de impulsionar o desenvolvimento da Algicultura por meio da aproximação entre pesquisa científica, setor produtivo e poder público.

“Nossa proposta é promover fomento, integração e segurança para a transição energética. Precisamos compreender os gargalos da cadeia produtiva e garantir que o apoio à pesquisa e à inovação seja contínuo e estratégico. O Brasil reúne universidades, empresas e pesquisadores com capacidade para desenvolver tecnologias, produtos e processos de ponta, e queremos que o país avance não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas também como protagonista no desenvolvimento tecnológico da bioeconomia”, destacou.

Também presente na mesa de abertura, a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, ressaltou que enfrentar os desafios da sustentabilidade exige uma atuação conjunta entre universidades, centros de pesquisa e diferentes instâncias do poder público. Para ela, a diversidade de instituições representadas no workshop evidencia o potencial da colaboração para impulsionar a inovação e ampliar o impacto da produção científica.

“Temos uma universidade extremamente diversa e essa diversidade é a nossa força. Quando trabalhamos em conjunto, com nossos parceiros e com as esferas federal, estadual e municipal, criamos as condições para avançar em áreas estratégicas para o país. Investir em educação de qualidade, pesquisa, inovação e infraestrutura é essencial para transformar conhecimento em desenvolvimento”, afirmou.

A vice-reitora também destacou o potencial da Algicultura para contribuir com a transição energética e com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo ela, as pesquisas na área dialogam com diferentes campos do conhecimento e representam uma oportunidade para que o Brasil valorize sua biodiversidade e amplie sua participação no desenvolvimento de soluções sustentáveis.

“Essa é uma área que dialoga diretamente com a sustentabilidade e com os desafios do futuro. Precisamos fortalecer iniciativas, como este workshop, que aproximam pesquisadores, estudantes, gestores públicos e o setor produtivo em torno de soluções para o desenvolvimento do país”, concluiu.

A programação do V Workshop de Algicultura reúne palestras e mesas-redondas sobre temas como segurança jurídica e ambiental; o papel do biobanco da Kappaphycus alvarezii na sustentabilidade e na inovação; o uso de extratos da macroalga na agricultura, em fertilizantes e bioinsumos; e a ficoeconomia, com foco em ingredientes, bioprodutos e processos baseados em algas.

O evento é gratuito e acontece em formato híbrido, com transmissão pelo YouTube. As inscrições podem ser feitas pela plataforma Even3 (https://www.even3.com.br/v-workshop-da-algicultura-706810/).

Consuni retoma antiga sala no edifício JMM e aprova por aclamação emerência do professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 26/2, a segunda reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, marcou a retomada da antiga sala no edifício Jorge Machado Moreira (JMM) como local oficial das reuniões e se concentrou majoritariamente na análise de recursos administrativos, envolvendo concursos públicos, carreira docente, políticas de assistência estudantil e estrutura institucional da Universidade.

Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a concessão do título de Professor Emérito ao docente Marcelo Macedo Corrêa e Castro, aprovada por aclamação pelos conselheiros. A honraria é atribuída aos professores titulares aposentados que, ao longo da carreira, prestaram serviços de excepcional relevância à Universidade.

Corrêa e Castro ingressou como docente na UFRJ em 1/3/1980 e se aposentou em 29/7/2024. Durante os mais de 44 anos em exercício, atuou no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão, sempre em defesa da educação, especialmente do ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

“A minha presença aqui hoje tem a ver com o significado que o professor Marcelo tem para nossa unidade acadêmica, mas a gente sabe que não é só para nossa unidade”, afirmou a diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura. Segundo ela, o professor construiu uma carreira marcada por algo raro na vida universitária: a atuação simultânea e consistente em três dimensões: ensino, pesquisa e extensão, sem se afastar das funções de gestão e representação institucional.

A diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura | Foto: Sonia Toledo (SGCOM/UFRJ)

Durante seu pronunciamento, a diretora relembrou o papel central do docente no processo de reconstrução da FE, especialmente no fim da década de 1990, período descrito como particularmente desafiador para a unidade. “O professor Marcelo teve um papel fundamental nesse processo, sem abrir mão de ser professor universitário, pesquisador e extensionista”, destacou.

Entre as contribuições mencionadas estão o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp), a ampliação da interlocução com as escolas públicas, a criação da Revista Contemporânea de Educação e a articulação permanente da Faculdade de Educação com outras unidades da UFRJ e instituições externas.

Por fim, Moura ressaltou o papel do professor como referência intelectual e institucional. “A gente brincava dizendo que, com a aposentadoria dele, perderíamos o ‘oráculo’, porque qualquer dúvida sobre a UFRJ era ao professor Marcelo que recorríamos”, afirmou. Ao concluir, destacou o caráter simbólico da concessão do título: “Esse reconhecimento não é apenas para uma unidade acadêmica ou para a UFRJ, mas para a educação brasileira. O professor Marcelo não apenas construiu sua trajetória, mas ajudou a construir a própria Universidade”.

Já o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, deu um depoimento no qual ressaltou não apenas a excelência acadêmica do homenageado, mas também seu caráter e a postura ética ao longo da trajetória na instituição. “Não abria mão das suas opiniões, mas sempre de forma muito cordata, sempre ouvindo as visões distintas”, disse Medronho, evidenciando a capacidade de diálogo do docente, mesmo diante de divergências.

Assistência e permanência estudantil

Durante a reunião do Consuni, a bancada estudantil fez um ato em protesto ao redimensionamento das bolsas de monitoria. Os estudantes levantaram cartazes que pediam “+ bolsas” e defendiam que “sem bolsas, a UFRJ não faz ciência”. 

“Quando a gente corta essas bolsas, a gente está excluindo estudantes da produção científica e da democracia na nossa Universidade”, declarou a conselheira Isadora, que reconheceu o cenário de recursos escassos, no entanto ponderou que o debate central deve ser sobre os critérios de distribuição: “Nós sabemos que é pouco. Mas como vai ser destinado, como vai ser distribuído, é o que a gente precisa ter mais transparência, mais participação e mais seriedade”. 

Em resposta, a superintendente-geral de Graduação, Georgia Correa Atella, esclareceu os critérios adotados na decisão, salientando que a medida foi motivada por questões orçamentárias e técnicas. Atella enfatizou que a importância da monitoria é reconhecida tanto pelos docentes quanto pela gestão universitária, e destacou que, após a ampliação das políticas de ações afirmativas, a demanda por políticas de permanência na Universidade aumentou: atualmente, cerca de 60% dos estudantes da UFRJ ingressam por ações afirmativas, o que reforça a necessidade de ampliação dos auxílios estudantis e das bolsas acadêmicas. 

Estrutura institucional

Na segunda sessão ordinária do ano, foi aprovada a proposta de resolução que institui a Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin) e o seu Regimento Interno. Criada por portaria em 2015, a Corin tem por objetivo ser um canal institucional de relação da Universidade com os órgãos de Estado, incluindo os de controle, de representação jurídica da instituição, e com o Legislativo, quanto ao processo de elaboração de leis e normas pertinentes à educação superior e às políticas de ciência e tecnologia. A instituição da coordenação por meio de resolução possibilita o preenchimento de um dos requisitos da Controladoria-Geral da União (CGU) para que a mesma seja reconhecida como Unidade de Correição Instituída (UCI) – estrutura correcional formalizada em órgãos do Poder Executivo Federal, com autonomia e competência para conduzir processos disciplinares, inclusive aplicar penalidades expulsivas.

UFRJ recebe delegação da Rússia para fortalecer cooperação acadêmica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu, nos dias 19 e 20/2, uma delegação da Moscow State Linguistic University (MSLU) para discutir novas frentes de cooperação, com destaque para iniciativas conjuntas de ensino, pesquisa e intercâmbio acadêmico.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria com a universidade russa é estratégica e reforça valores em comum, contribuindo para o fortalecimento de uma agenda internacional baseada no diálogo, na diversidade cultural e na produção de conhecimento. 

“A Moscow State Linguistic University é um verdadeiro farol da diplomacia linguística e um centro de formação intelectual de excelência, responsável por preparar especialistas capazes de transpor ideias complexas entre diferentes contextos culturais. Ao longo de décadas, a MSLU tem desempenhado um papel central na construção de pontes acadêmicas, culturais e institucionais entre a Rússia e o mundo”, afirmou Medronho.

Participaram das reuniões de trabalho, pela UFRJ, a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andrea Belfort; a professora Patricia Maria Campos de Almeida, do Setor de Português como Língua Estrangeira (SePLE); e o reitor, Roberto Medronho. Pela MSLU, estiveram presentes a vice-reitora, Olga Iriskhanova; e a professora associada do Departamento de Língua Portuguesa Zoya Dolgikh.

Além da área de línguas, a parceria estrutura-se em interface com outras áreas do conhecimento. “É uma perspectiva multidisciplinar, visando ao desenvolvimento de pesquisas, à articulação de iniciativas acadêmicas e à promoção da mobilidade de docentes e estudantes”, explicou Andrea Belfort. 

As atividades foram realizadas em consonância com a política de internacionalização da UFRJ e contribuem para a consolidação de uma cooperação internacional sustentável e de longo prazo.

Reunião de trabalho entre o SePLE, representado pela professora Patricia Almeida, e a MSLU, representada pela vice-reitora, Olga Iriskhanova, e a professora Zoya Dolgikh. O encontro foi presidido pela superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ | Foto: Divulgação

UFRJ formaliza concessão de uso de espaço no CT 2 para a Coppetec

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) formalizou, nesta sexta-feira, 19/12, a concessão onerosa de uso de uma área de 2.040 metros quadrados, localizada no bloco 1 do Centro de Tecnologia 2 (CT 2), na Cidade Universitária, para a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec). A assinatura do contrato marca mais um importante passo no processo de regularização das concessões existentes na Universidade, garantindo maior segurança jurídica, transparência e conformidade administrativa.

A iniciativa segue o mesmo modelo adotado em outros casos, como o da Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) e o da AdUFRJ Seção Sindical, o sindicato dos docentes da UFRJ, e integra o esforço contínuo da instituição, liderado pela Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6), para atender aos órgãos de controle.

“A Coppetec é uma fundação de excelência. A gente sabe que grande parte do sucesso de muitas ações, não apenas da Coppe, mas de várias outras unidades, é graças ao trabalho competente que a Coppetec oferece. Nós temos aqui o poder de criação e o poder de execução. O poder de criação cabe a todos nós, enquanto pesquisadores. O poder de execução a gente faz de forma eficiente, usando, muitas vezes, de forma muito importante, as nossas fundações. Acho que essa aliança é que ajuda a gente a alavancar a nossa UFRJ”, afirmou o reitor da Universidade, professor Roberto Medronho, na cerimônia de celebração do contrato.

A Fundação Coppetec é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, destinada a apoiar a realização de projetos de desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, de ensino e de extensão do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e demais unidades da UFRJ. Seu público é composto por órgãos governamentais, privados, entidades multilaterais e empresas privadas nacionais e estrangeiras, sendo um elo entre a Universidade e a sociedade. Além dos serviços prestados na gestão dos projetos, a Coppetec atua na proteção de patentes, marcas e outros direitos do sistema de propriedade intelectual.

UFRJ encerra o ano com mais sustentabilidade orçamentária, amplia inclusão e avança em rankings e na internacionalização

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encerra 2025 com resultados expressivos em áreas estratégicas como finanças, ensino, inclusão social e governança institucional. O balanço da gestão foi apresentado na última Plenária de Decanos e Diretores do ano, realizada na quarta-feira, 17/12, na antiga sala do Consuni, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM), e reuniu os principais indicadores e ações desenvolvidas ao longo deste ano.

Entre os destaques está a reorganização financeira da Universidade, que iniciou o ano sem dívidas com a concessionária de energia elétrica Light, um marco considerado fundamental para a sustentabilidade orçamentária da instituição. Segundo o reitor Roberto Medronho, a decisão de judicializar o passivo, em vez de apenas repactuá-lo administrativamente, teve como objetivo evitar a transferência do problema para gestões futuras. A administração também estabeleceu como diretriz não contrair novas dívidas com a concessionária, reduzindo riscos de interrupção no fornecimento de energia, como as registradas em anos anteriores.

Ao longo de 2025, a UFRJ avançou, ainda, no fortalecimento acadêmico, com resultados positivos na graduação e na pós-graduação, na ampliação das políticas de permanência estudantil e no reconhecimento em rankings internacionais. O período também foi marcado pelo lançamento de iniciativas nas áreas de governança, cultura, extensão e comunicação, além de progressos na valorização dos servidores, na infraestrutura, na segurança dos campi e na promoção da diversidade.

Mesmo em um contexto de restrições orçamentárias, a Universidade ampliou sua projeção institucional e internacional, com a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos e a liderança em fóruns globais. Para a gestão, os resultados refletem um esforço coordenado de planejamento e responsabilidade institucional, voltado à redução de desigualdades internas, ao fortalecimento do diálogo com a sociedade e à reafirmação do papel da UFRJ como universidade pública de excelência.

Avanços na graduação e políticas de permanência

Na área acadêmica, 2025 foi marcado por resultados relevantes. Diversos cursos de graduação avaliados neste ano obtiveram nota máxima (5), reforçando a qualidade do ensino oferecido pela UFRJ. 

Outro destaque foi a ampliação das políticas de permanência estudantil, com a implantação do serviço de café da manhã em oito unidades (quatro no Fundão, uma no Centro, uma na Praia Vermelha, uma em Duque de Caxias e uma em Macaé) e a instalação do serviço de alimentação na Faculdade Nacional de Direito (FND), beneficiando, inclusive, estudantes de unidades do entorno, como a Escola de Enfermagem Anna Nery (Eean).

Em relação ao acesso à universidade, a UFRJ implementou cotas para pessoas trans nos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu, com a reserva de 2% das vagas para esse grupo social. A decisão histórica marca um avanço institucional na promoção da diversidade e no combate às desigualdades no ensino superior.

A Universidade registrou, ainda, o marco de 95% de ocupação das vagas ofertadas via Sisu, além de ter conseguido triplicar a taxa de ocupação das vagas ociosas. 

Também tiveram início as obras do novo prédio acadêmico e do restaurante universitário (RU) na Praia Vermelha, após intenso esforço técnico e administrativo para viabilizar os projetos, que ampliam a infraestrutura e melhoram a oferta de serviços à comunidade universitária.

Pós-graduação e reconhecimento internacional

Apesar da redução de bolsas por parte de agências de fomento à pesquisa e da adoção de novos parâmetros de distribuição nacional que desfavorecem a UFRJ, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) atuou no redimensionamento interno dos subsídios para minimizar impactos nos programas. 

Ainda com as restrições orçamentárias, a UFRJ foi considerada a segunda melhor instituição de ensino superior do Brasil de acordo com um levantamento realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR), que avaliou 21.462 instituições em 94 países. A Universidade subiu 70 posições no ranking global em comparação com o último levantamento, passando do 401º lugar para o 331º, desempenho que o reitor atribui à excelência do corpo docente, técnico-administrativo e discente.

“Mesmo com parcos recursos, a Universidade se destaca nos rankings internacionais. Imagine se recebêssemos o que nos é devido? Isso teria um grande impacto”, enfatizou Medronho, ao comparar a situação das universidades federais com o modelo de financiamento das estaduais paulistas.

O ano de 2025 também marcou o lançamento da revista Minerva, publicação bimestral dedicada a divulgar as pesquisas, a produção intelectual e o pensamento científico da instituição. A iniciativa busca aproximar, cada vez mais, a Universidade da sociedade.

Gestão de Pessoal e valorização dos servidores

Na área de pessoal, a Universidade enfrentou um volume elevado de aposentadorias – cerca de 600 apenas nos primeiros oito meses – e conseguiu reduzir o tempo médio de tramitação desses processos de 15 para cerca de três meses. Também foram retomados direitos represados há anos, como o pagamento de adicionais de insalubridade, que voltarão a ser analisados a partir de janeiro.

A gestão inaugurou a nova sede da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) e avançou na construção da nova Clínica de Saúde do Trabalhador, ambas situadas na antiga Bio-Rio, iniciativas alinhadas a uma nova filosofia de cuidado e prevenção. 

Governança e finanças

No campo financeiro, a UFRJ passou a divulgar de forma sistemática a execução orçamentária e o uso de recursos críticos, como os destinados à manutenção da Universidade. 

Também avançou na redistribuição da chamada verba CIP (Custos Indiretos dos Projetos), direcionando recursos para unidades com menor capacidade de captação, especialmente nas áreas de humanidades e cultura.

Como resultado dessa política, unidades como a Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) serão beneficiadas, o que possibilitará a realização de reformas estruturais urgentes. “Não é justo que áreas que não têm petróleo fiquem sem recursos. Diminuir desigualdades internas é uma decisão política desta Reitoria”, garantiu o reitor.

Outro destaque foi a criação do Escritório de Projetos da UFRJ, coordenado por um professor da Coppe, com o objetivo de apoiar docentes e unidades na captação de recursos. A iniciativa se soma ao crescimento expressivo das emendas parlamentares destinadas à Universidade: de R$ 22 milhões no ano anterior para R$ 43 milhões em 2025.

Cultura, museus e extensão universitária

A atuação da UFRJ nas artes e na cultura ganhou visibilidade ao longo do ano, com eventos de grande repercussão, como as celebrações dos 105 anos da UFRJ, realizadas no salão nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), exposições e concertos da Orquestra da UFRJ, que completou 101 anos de atividade ininterrupta, além do apoio à última récita de O Grito de Mueda – primeira ópera nacional moçambicana, com forte simbolismo histórico e político – na Escola de Música.

O Museu Nacional iniciou sua reabertura e terá novas áreas disponíveis ao público a partir de 2026, reafirmando o compromisso com o patrimônio científico e cultural do país.

Na extensão, a Universidade teve participação histórica na Rio Innovation Week, com um estande unificado da UFRJ, que se tornou o mais visitado do evento e obteve ampla repercussão na mídia nacional. Projetos como o robô 14 Bis reforçaram a imagem da Universidade como polo de inovação. 

Outro avanço foi o reconhecimento da prestação de serviços como atividade de extensão.

Segurança e comunicação

Em 2025, a UFRJ avançou na área de segurança, com a implantação de cancelas eletrônicas na Praia Vermelha, convênio com o 17º Batalhão da Polícia Militar para rondas permanentes e ações integradas que resultaram no desmantelamento de uma quadrilha envolvida em roubos de veículos dentro dos campi. Medidas preventivas de manutenção também evitaram alagamentos e quedas de árvores durante fortes temporais.

A comunicação institucional foi apontada como área em crescimento, com expansão significativa do alcance das redes oficiais da Universidade e maior presença na imprensa. A gestão reconhece avanços, mas afirma que o fortalecimento da comunicação seguirá como prioridade estratégica.

Compromisso com a diversidade e o futuro

Ao encerrar o balanço, o reitor da UFRJ destacou a atuação da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada) e das ouvidorias Geral e da Mulher, com o fortalecimento de políticas de combate ao assédio, ao racismo e a todas as formas de discriminação. Para a gestão, criar um ambiente universitário seguro, diverso e livre de medo é condição essencial para a excelência acadêmica.

Outros pontos destacados foram a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos internacionais e da realização do Fórum de Reitores das Universidades do Brics+, consolidando a posição da UFRJ no cenário global. “A internacionalização é estratégica para a UFRJ. Em apenas um ano, assinamos mais de 60 convênios internacionais, o que demonstra o reconhecimento da Universidade no mundo todo”, disse Medronho.

UFRJ discute caminhos para o fortalecimento da cooperação acadêmica com a França

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, reuniu-se, nesta segunda-feira, 15/12, na Cidade Universitária, com o novo cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, Eric Tallon, para discutir o fortalecimento da cooperação acadêmica entre a UFRJ e universidades francesas. 

O objetivo de ampliar os programas de intercâmbio entre os dois países alinha-se à meta estabelecida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o da França, Emmanuel Macron, de alcançar 8 mil estudantes brasileiros em instituições francesas até 2026. “A UFRJ está muito alinhada com a atual política externa de ampliação da internacionalização e dos laços com a França. Certamente teremos grande demanda nas áreas de engenharias, biomédicas, ciências humanas e sociais”, afirmou Medronho durante o encontro.  

Atualmente, a França é o país com o qual a UFRJ possui o maior número de acordos acadêmicos internacionais, totalizando mais de 80, dentre acordos de intercâmbio de estudantes, acordos de duplo diploma, acordos para cooperação científica e tecnológica e protocolos de intenções.

Além do reitor da UFRJ e do cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, participaram da reunião o superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ, Papa Matar Ndiaye, e o adido para a Ciência e Tecnologia, Vincent Brignol | Foto: SGCOM

Confira a lista de universidades francesas parceiras da UFRJ no site da Superintendência-Geral de Relações Internacionais (Sgri).