Uma comitiva do governo da Rússia foi recebida na quinta-feira, 6/8, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O encontro, realizado na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria na Cidade Universitária, foi organizado pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais (SGRI) da UFRJ e teve como objetivo estreitar a cooperação e fortalecer parcerias em áreas estratégicas como engenharia naval, tecnologia oceânica, pesquisas climáticas e exploração de recursos naturais.
Durante a reunião, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reforçou o papel da Universidade como parceira estratégica no desenvolvimento de projetos conjuntos no âmbito do BRICS, agrupamento político-diplomático e econômico de países emergentes, e destacou a urgência da defesa de um mundo multipolar, fundamentado no respeito mútuo e na ausência de hierarquias entre as nações.

“Estamos muito entusiasmados com a possibilidade de nossos pesquisadores interagirem com as tecnologias apresentadas. É um momento histórico em que precisamos aprofundar ainda mais os nossos laços na nossa cooperação científica, tecnológica e na área de inovação”, disse Medronho. A visita culminou em um convite oficial: a Universidade Estatal de Moscou (Lomonosov) anunciou que concederá o título de Doutor Honoris Causa ao reitor da UFRJ em sua próxima visita à Rússia.

A infraestrutura da UFRJ e a vanguarda em setores como engenharia e exploração submarina foram elogiadas por Nikolai Platonovich Patrushev, assessor do presidente da Rússia, que também é presidente do Conselho Marítimo da Federação da Rússia. Ele classificou o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) como um instrumento único para a indústria e peça fundamental para o desenvolvimento da construção naval e a exploração de depósitos marítimos. Patrushev ressaltou que a combinação entre ciência fundamental e desenvolvimento aplicado faz da Universidade uma parceira natural para o setor industrial, sugerindo a ampliação da cooperação com as universidades russas.
“No território da UFRJ existe o Parque Tecnológico, onde as escolas da Engenharia trabalham em ligação estreita com as esferas petrolífera e de energia do Brasil. Existem também as divisões de pesquisa que tratam das questões de exploração de depósitos de alta profundidade e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para a Marinha. Tal combinação é fundamental para elaborações práticas e cria base para o treinamento de especialistas que hoje trabalham nos estaleiros e escritórios de engenharia e institutos de pesquisa do Brasil”, afirmou Patrushev.

Os representantes da delegação russa destacaram ainda parcerias tecnológicas com o Instituto Kurchatov, apresentando veículos subaquáticos tripulados, além do Projeto Elena, que desenvolve usinas nucleares para fornecer energia a áreas remotas. As discussões técnicas também focaram no desenvolvimento de robótica autônoma e no uso de materiais compósitos resistentes à corrosão para a indústria naval e de extração de petróleo.
Do lado brasileiro, as apresentações enfatizaram a expertise da UFRJ em recursos naturais e infraestrutura oceânica, com o professor Leonardo Borghi, coordenador do Laboratório de Geologia Sedimentar (Lagesed), detalhando as pesquisas em reservatórios do pré-sal, as tecnologias de sequestro de CO2 e a importância do intercâmbio cultural entre jovens, gesto simbolizado pela oferta de um atlas das jazidas brasileiras.

Complementando a visão técnica, o professor emérito de Estruturas Oceânicas e Engenharia Submarina da Coppe/UFRJ, também diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Segen Farid Estefen, relembrou a influência histórica da Rússia na base do ensino naval brasileiro e manifestou interesse em parcerias com a Universidade Técnica Marítima de São Petersburgo e em colaborações no setor pesqueiro. Pela UFRJ, ainda estiveram presentes na reunião: Guilherme Antunes Ramos, da SGRI; a decana do Centro de Tecnologia (CT), Cláudia Morgado; e o professor do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da UFRJ, Fábio Krykhtine.
A comitiva russa reuniu, ainda, o embaixador Aleksei Kazimirovich Labetski, o Vice Ministro de Educação Superior e Ciências da Rússia, Konstantin Mogilevsky, além de autoridades da assessoria presidencial russa, do Ministério da Ciência e Ensino Superior e da Agência Federal de Pesca. No grupo estavam também diretores do Instituto de Pesquisa Kurchatov, Instituto de Pesquisa de Pesca e Oceanografia da Rússia (Vniro) e do Instituto do Ártico e Antártida, executivos das empresas de logística Dalreftrans e UK Delo, além do intérprete Egor Sergachev. Após a reunião, a comitiva russa visitou as instalações do LabOceano.



















