A Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reuniu-se na quinta-feira, 17/9, com o Conselho de Professores Eméritos em sessão focada na defesa da democracia, na segurança da comunidade universitária e no fortalecimento da comunicação institucional. Diante dos recentes acontecimentos no âmbito universitário, como o episódio de violência no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) e Instituto de História (IH), e uma ação intimidatória contra estudantes na Faculdade de Letras (FL), o encontro, realizado no Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), concentrou-se na formulação de propostas de curto e longo prazo para garantir a liberdade de expressão, a proteção nos campi e a valorização do conhecimento produzido pela Universidade.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que presidiu a reunião, destacou a sabedoria do corpo docente emérito para orientar a Administração Central. Antes da sua fala, o reitor apresentou o vídeo institucional concebido para reforçar que a Universidade é um espaço de ciência, educação, liberdade e debate democrático, ressaltando a importância de não transformar provocações em espetáculos. Também fez um breve diagnóstico da segurança universitária: falou da redução progressiva do quadro da Coordenação de Segurança (Diseg), por conta da aposentadoria, e da atuação da vigilância terceirizada, focada na proteção patrimonial. Além disso, informou a instauração de sindicância para a apuração dos fatos e destacou o diálogo contínuo mantido pelas direções de unidades com os centros acadêmicos e entidades representativas.

“A UFRJ não precisa de gritos para defender suas ideias, precisa de ciência, educação, políticas públicas consistentes, de financiamento contínuo e de democracia. Nós temos especialistas, os melhores do Brasil, aqui na nossa Universidade. A sociedade tem que sentir orgulho de ter uma UFRJ formando esses grandes brasileiros”, destacou Medronho.
Preservação da memória, orientação preventiva e propostas de ação
Durante o encontro, o professor emérito Ronaldo Lima ressaltou a importância da homenagem prestada pela UFRJ aos estudantes e professores mortos durante a ditadura militar e defendeu a realização de um seminário sobre memória e conhecimento. Para o docente, o resgate histórico é fundamental para evitar a repetição de ideologias autoritárias. Lima ponderou ainda que a busca pela paz deve vir acompanhada de firmeza institucional e atuação preventiva da segurança para conter provocadores nos espaços acadêmicos.
A professora emérita Ana Iwanicki endossou a relevância da cerimônia e apoiou a proposta levada pelo professor emérito Ricardo Medronho de confecção e afixação de cartazes como uma medida prática e preventiva para orientar a comunidade acadêmica diante de episódios de tensão.

O professor emérito Antônio José Ledo dividiu suas propostas em de curto e longo prazos. Como medida emergencial, recomendou a divulgação de instruções diretas à comunidade, socializando um número telefônico de emergência da Diseg, orientando os estudantes a registrarem fatos sem confrontar agressores, além da emissão de notas oficiais curtas para evitar sensacionalismo.
Para o longo prazo, Ledo sugeriu consultar especialistas da Escola de Comunicação (ECO) para o desenvolvimento de um plano estruturado de divulgação e a abertura dos campi nos fins de semana para acolher a comunidade do entorno.
Difusão da produção universitária e acolhimento social
O professor emérito Luiz Bevilacqua defendeu uma postura ativa na comunicação da UFRJ, propondo transformar momentos de visibilidade em oportunidades para demonstrar a relevância científica e social da instituição: “É inacreditável a ênfase que se dá ao negativo, e a ignorância que se dá ao que é positivo”. Bevilacqua sugeriu que as decanias e unidades acadêmicas elaborem sínteses das pesquisas e contribuições desenvolvidas para que a sociedade conheça a dimensão do trabalho realizado pela UFRJ.

A vice-reitora, Cássia Turci, destacou a complexidade do ambiente social e defendeu a intensificação das ações de divulgação científica direcionadas aos jovens e ao público externo em linguagem acessível. Enfatizou ainda a necessidade de aprimorar os canais de comunicação para tornar transparente o papel exercido pela UFRJ no desenvolvimento do país.
“Precisamos aprimorar a nossa comunicação para que as pessoas saibam, de fato, qual é o papel da Universidade para um país como o nosso. Defendo uma divulgação científica que seja feita não somente para falar entre os pares, mas para a população, de uma forma bastante simples”, explicou Turci.
Os avanços dos veículos próprios de comunicação da UFRJ foram levados ao conhecimento dos participantes pela chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, que citou a atuação da Rádio UFRJ FM (88.9 FM) e a parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Universidade Federal Fluminense (UFF) para a implementação do canal de TV UFRJ.
Fabiana ressaltou que a Reitoria, em articulação com as unidades acadêmicas e a Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), promoveu uma agenda de eventos culturais e extensionistas na Faculdade de Letras, no Ifcs e em outras unidades como respostas pacíficas e culturais para integrar a comunidade universitária. A chefe de Gabinete destacou também a veiculação de conteúdos orientativos nas redes sociais institucionais para guiar os estudantes sobre como agir em situações de conflito.































































































