UFRJ inaugura Laboratório de Microplásticos do IMA

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 20/8, a inauguração oficial do Laboratório de Microplásticos do Instituto de Macromoléculas Professora Eloísa Mano (IMA), no  Centro de Tecnologia (CT). O projeto inovador chama a atenção não apenas pelo seu impacto científico, mas também por sua criatividade e sustentabilidade estrutural: o laboratório funciona integralmente dentro de um contêiner adaptado, doado à Universidade.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos. Com exceção das bancadas de trabalho e dos novos instrumentos científicos adquiridos, toda a sua estrutura interna e mobiliário foram reaproveitados de outros espaços. Para o financiamento da montagem e a modernização do laboratório, os pesquisadores captaram recursos especiais do CIP (Custo Indireto de Projeto), verba proveniente de projetos na área de petróleo destinados ao desenvolvimento de laboratórios acadêmicos.

Durante a cerimônia, no auditório do IMA, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a importância das atividades que serão desenvolvidas no laboratório, e trouxe uma perspectiva epidemiológica alarmante, apontando que a poluição por plásticos e microplásticos ultrapassou as barreiras ecológicas e consolidou-se como um grave desafio de saúde pública. Medronho recordou que partículas microscópicas de micro e nanoplásticos já foram identificadas em diversos tecidos e fluidos humanos, motivando uma convocação por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) para investigações científicas profundas sobre os impactos dessa exposição a longo prazo.

Reitor visitou as instalações do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Poucas instituições estão tão naturalmente vocacionadas para enfrentar esse problema como o nosso IMA. Este laboratório deve ser o lugar para compreender o problema e, sobretudo, para criar soluções inovadoras para identificar e quantificar microplásticos, compreender sua degradação e seus efeitos, desenvolver novos materiais, aperfeiçoar o processo de reciclagem e de economia circular, reduzir a geração de resíduos, apoiar políticas públicas públicas, transferir tecnologia e dialogar por empresas, governos e sociedade”, destacou Medronho.

Pesquisa prática, monitoramento e economia circular

No cotidiano das atividades laboratoriais, o novo espaço exercerá um papel amplo no monitoramento ambiental do Rio de Janeiro. Segundo a diretora do IMA, Maria Inês Bruno Tavares, a equipe se dedicará a identificar e caracterizar microplásticos na areia das praias, na água do mar, na Baía de Guanabara, em águas engarrafadas e em alimentos de consumo diário.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Paralelamente ao diagnóstico, o laboratório vai focar na pesquisa de mitigação de resíduos de descarte inadequado, com especial atenção ao isopor, amplamente utilizado em embalagens de refeições. A geração de microplásticos ocorre de forma indiscriminada pela população, pela indústria e pelo comércio. Se nós reaproveitarmos, reutilizarmos e reciclarmos esses materiais, recorrendo inclusive à reciclagem mecânica ou à incineração quando não houver outra alternativa, conseguiremos minimizar o impacto”, explicou Maria Inês.

O legado de Eloísa Mano e a defesa da racionalidade científica

A cerimônia de inauguração foi permeada por emoção e homenagens à professora Eloísa Biasotto Mano, falecida em 2019, pioneira no estudo de polímeros no Brasil e fundadora do IMA. A decana do CT, Cláudia do Rosário Vaz Morgado, e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, lembraram o DNA de excelência e a união coletiva consolidados pela professora que resultam hoje no compromisso acadêmico de destaque da unidade. Completaram a mesa de honra da cerimônia os coordenadores do Laboratório de Microplásticos, Fernando Altino Medeiros Rodrigues e Paulo Sérgio Rangel Cruz da Silva.

Mesa de honra da cerimônia de inauguração do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

UFRJ reinaugura espaço do Inova com foco em transformação social e integração científica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou na sexta-feira, 14/8, a reinauguração do Inova UFRJ, localizado no Parque HUB+, no Parque Tecnológico, na Cidade Universitária. O evento marcou a consolidação do espaço físico, ocupado desde janeiro de 2025, como um novo capítulo na estratégia de inovação da Universidade.

A Inova UFRJ é uma iniciativa voltada à aplicação e difusão dos múltiplos aspectos de transformação dentro da UFRJ. Entre suas atribuições, estão ainda o gerenciamento dos processos de proteção do conhecimento oriundos de pesquisas acadêmicas, o licenciamento de tecnologias e a promoção de parcerias entre empresas e a UFRJ, de modo que o conhecimento produzido na instituição possa, de fato, chegar à sociedade.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que a atual gestão está investindo pesadamente na área para garantir que a ciência e a tecnologia produzidas na Universidade se transformem em produtos e serviços tangíveis para a sociedade.

“É através da inovação que transformamos a ideia em produtos e serviços para que possamos desenvolver, do ponto de vista social e econômico, a nossa sociedade. Acredito que, quanto mais as pessoas souberem o que o Inova tem a oferecer, teremos muito mais produtos e serviços para disponibilizar à sociedade”, disse o reitor.

Reitor participou da reinauguração do Inova UFRJ, no Parque HUB+ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Na reinauguração, a Direção do Inova UFRJ apresentou um balanço das entregas operacionais nos últimos três anos, focando na otimização de processos por meio de dados.

O desenvolvimento de dashboards de patentes, calculadoras de contrapartida para compartilhamento de infraestrutura e o aplicativo “Polaris” para valoração de ativos foram algumas das inovações apresentadas. Também foi possível observar dados do “Conecta UFRJ”, desenvolvido para facilitar o mapeamento das competências da UFRJ. Programas de empreendedorismo também ganharam destaque, por meio de iniciativas como o “InovAÇÃO” e o “InovaSeed”, que fomentam desde ideias de alunos de graduação até projetos maduros em transição energética e saúde.

“O novo ambiente foi pensado para integrar diferentes saberes. A proposta central é construir “pontes” entre pesquisadores de bancada e áreas como artes e comunicação, promovendo a colaboração interdisciplinar. A ideia realmente é fazer as pessoas se conhecerem, e quem não conhece o nosso espaço passar a frequentá-lo”, explicou a diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel.

A diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Olhando para o futuro, Uziel manifestou o desejo de fomentar eixos temáticos, como parkinson e acessibilidade, para unir expertises moleculares, mecânicas e elétricas de diferentes unidades da UFRJ em torno de desafios comuns.

A cerimônia contou ainda com apresentações dos óculos de realidade virtual, com a professora Cátia Marciel, na sala Sala de Descompressão, e da Partitura Encenada, com o professor Lenini Vasconcelos, na sala Arena.

Belita Koiller recebe título de professora emérita da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta sexta-feira, 7/8, o título de professora emérita à docente titular aposentada do Instituto de Física (IF) Belita Koiller. A homenagem, oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), ocorreu na sexta-feira, 7/8, no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A iniciativa institucional visa ao reconhecimento de mais de cinco décadas de contribuições singulares de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas.

Além da homenageada, a mesa de honra, presidida pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, teve a seguinte composição: o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor do IF, Bruno Souza de Paula; e o professor emérito Luiz Davidovich, orador da solenidade e um dos integrantes da comissão de honra, que acompanhou a entrada da docente na cerimônia. Juntamente com ele, estiveram os professores do IF Érica Macedo, Eduardo Fraga, Rodrigo Capaz e Thereza Lacerda.

O título reconhece mais de cinco décadas de contribuições e dedicação de Belita à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

A trajetória de Belita na UFRJ teve início em 1994, quando ingressou no corpo docente. De lá para cá, ela também exerceu funções de liderança acadêmica na Universidade, incluindo a direção do IF. Graduada em Física pela PUC-Rio, concluiu o doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1975. Com mais de uma centena de artigos científicos publicados, a professora tornou-se referência internacional na área de Teoria da Matéria Condensada. Atualmente, suas pesquisas concentram-se no comportamento quântico de sistemas eletrônicos e em sua aplicação no desenvolvimento de dispositivos quânticos. 

Ao longo da carreira, a docente recebeu diversas distinções da comunidade científica. Em 1982, foi contemplada com a Guggenheim Fellowship, que lhe permitiu desenvolver pesquisas nos Estados Unidos.  Em 1995, tornou-se a primeira mulher eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Físicas. Dez anos depois, foi agraciada com o International Award for Women in Science, em reconhecimento à relevância de sua produção científica.

Entre outras honrarias, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2010), foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da Academia de Ciências da América Latina, além de conquistar a Medalha Ângelo da Cunha Pinto (2021) e o Prêmio Joaquim Costa Ribeiro da Sociedade Brasileira de Física (2025).

Além de exaltar o rigor acadêmico da homenageada durante a cerimônia, Cássia Turci pontuou o compromisso de Belita com a infraestrutura da Universidade, mencionando sua persistência na construção do novo prédio do Instituto de Física, e celebrou seu entusiasmo inabalável pelo ensino e pelo sentimento de pertencimento à instituição, o que a torna uma figura brilhante e generosa na história da ciência brasileira.

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e a homenageada, Belita Koiller | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“A presença da Belita no Instituto de Física não só incentivou o desenvolvimento de muitos projetos de pesquisa, mas também atraiu nossos jovens, principalmente as meninas, para a área de ciência. Belita não perde o entusiasmo, a dedicação para com a universidade. Valores que nós precisamos, de fato, incentivar aqui. A empatia e a preocupação em você preparar uma boa aula para os nossos estudantes, que são a nossa maior razão de ser”, disse Turci.

Em sua saudação, o professor Luiz Davidovich ressaltou que o título concedido a Belita simboliza que a Universidade se tornou “maior e melhor” por meio de seu trabalho e exemplo, integrando-a permanentemente à história da instituição. Relembrou a trajetória compartilhada desde os tempos de graduação na PUC-Rio e destacou o pioneirismo e a coragem de Belita ao enfrentar o doutorado em Berkeley como a única mulher de sua turma. Ele enfatizou que essa determinação em ocupar espaços majoritariamente masculinos, aliada a uma curiosidade científica sempre renovada, permitiu que ela construísse uma carreira brilhante, marcada pela sensibilidade em identificar e formular as questões científicas que realmente importam.

Além da excelência acadêmica, o orador exaltou a obra científica ampla e original da homenageada, especialmente suas contribuições fundamentais na área de computação quântica, que uniram de forma indissociável a ciência básica à inovação tecnológica.

Belita Koiller e o professor Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“Belita defendeu a qualidade da ciência, a internacionalização da pesquisa brasileira, a formação de novas gerações e a construção de instituições sólidas. Defendeu também, com firmeza, a igualdade e oportunidades para as mulheres na ciência. É uma cientista de grande rigor intelectual, uma colega solidária e interlocutora generosa. Sua franqueza é conhecida por todos. Não evita os debates difíceis e não se acomoda diante de ideias estabelecidas; sua firmeza nasce sempre de um compromisso profundo com a ciência, com a universidade e com os colegas”, afirmou Davidovich.

O diretor do IF, Bruno Souza de Paula, enfatizou a dedicação de Belita ao coletivo, lembrando que ela exerceu a Direção do Instituto em um período especialmente desafiador: durante a pandemia de covid-19. Além disso, ressaltou sua contribuição acadêmica administrativa como coordenadora, por duas vezes, do curso de pós-graduação em Física.

Em vez de seguir o protocolo de um discurso formal, Belita Koiller optou por ministrar o que chamou de “seminário”, utilizando sua experiência didática para explicar as bases da física que permitem as tecnologias modernas. Tratou desde a evolução do átomo e da matéria, passando pela história dos semicondutores, da amplificação de sons e sinais, da criação de computadores portáteis, até falar do futuro na computação quântica.

Título foi concedido em cerimônia no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“É muito gratificante ter esse reconhecimento, que eu não sei se mereço, mas também tem a parte triste que diz que é o fim de uma carreira. Me lembro do fato de eu ter vindo da PUC, onde as condições físicas eram excelentes. Sempre quis trazer para cá o mesmo conforto e dignidade que eu tinha em uma instituição particular. Sempre tentamos melhorar e acho que conseguimos. Nossas instalações estão cada vez melhores e hoje também está mais feminino”, ressaltou Belita.

UFRJ recebe comitiva russa para ampliar cooperação científica e tecnológica

Uma comitiva do governo da Rússia foi recebida na quinta-feira, 6/8, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O encontro, realizado na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria na Cidade Universitária, foi organizado pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais (SGRI) da UFRJ e teve como objetivo estreitar a cooperação e fortalecer parcerias em áreas estratégicas como engenharia naval, tecnologia oceânica, pesquisas climáticas e exploração de recursos naturais.

Durante a reunião, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reforçou o papel da Universidade como parceira estratégica no desenvolvimento de projetos conjuntos no âmbito do BRICS, agrupamento político-diplomático e econômico de países emergentes, e destacou a urgência da defesa de um mundo multipolar, fundamentado no respeito mútuo e na ausência de hierarquias entre as nações. 

Comitiva foi recebida na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

“Estamos muito entusiasmados com a possibilidade de nossos pesquisadores interagirem com as tecnologias apresentadas. É um momento histórico em que precisamos aprofundar ainda mais os nossos laços na nossa cooperação científica, tecnológica e na área de inovação”, disse Medronho.  A visita culminou em um convite oficial: a Universidade Estatal de Moscou (Lomonosov) anunciou que concederá o título de Doutor Honoris Causa ao reitor da UFRJ em sua próxima visita à Rússia. 

Reunião foi organizada pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

A infraestrutura da UFRJ e a vanguarda em setores como engenharia e exploração submarina foram elogiadas por Nikolai Platonovich Patrushev, assessor do presidente da Rússia, que também é presidente do Conselho Marítimo da Federação da Rússia. Ele classificou o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação  e Pesquisa de  Engenharia (Coppe/UFRJ)  como um instrumento único para a indústria e peça fundamental para o desenvolvimento da construção naval e a exploração de depósitos marítimos. Patrushev ressaltou que a combinação entre ciência fundamental e desenvolvimento aplicado faz da Universidade uma parceira natural para o setor industrial, sugerindo a ampliação da cooperação com as universidades russas.

“No território da UFRJ existe o Parque Tecnológico, onde as escolas da Engenharia trabalham em ligação estreita com as esferas petrolífera e de energia do Brasil. Existem também as divisões de pesquisa que tratam das questões de exploração de depósitos de alta profundidade e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para a Marinha. Tal combinação é fundamental para elaborações práticas e cria base para o treinamento de especialistas que hoje trabalham nos estaleiros e escritórios de engenharia e institutos de pesquisa do Brasil”, afirmou Patrushev.

O diretor do Instituto Pan-Russo de Pesquisa Científica da Pesca e Oceanografia, Kirill Viktorovich Kolontchin, e o assessor do presidente da Rússia, Nikolai Platonovich Patrushev | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

Os representantes da delegação russa destacaram ainda parcerias tecnológicas com o Instituto Kurchatov, apresentando veículos subaquáticos tripulados, além do Projeto Elena, que desenvolve usinas nucleares para fornecer energia a áreas remotas. As discussões técnicas também focaram no desenvolvimento de robótica autônoma e no uso de materiais compósitos resistentes à corrosão para a indústria naval e de extração de petróleo.

Do lado brasileiro, as apresentações enfatizaram a expertise da UFRJ em recursos naturais e infraestrutura oceânica, com o professor Leonardo Borghi, coordenador do Laboratório de Geologia Sedimentar (Lagesed), detalhando as pesquisas em reservatórios do pré-sal, as tecnologias de sequestro de CO2 e a importância do intercâmbio cultural entre jovens, gesto simbolizado pela oferta de um atlas das jazidas brasileiras.

Leonardo Borghi, coordenador do Laboratório de Geologia Sedimentar | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

Complementando a visão técnica, o professor emérito de Estruturas Oceânicas e Engenharia Submarina da Coppe/UFRJ, também  diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Segen Farid Estefen, relembrou a influência histórica da Rússia na base do ensino naval brasileiro e manifestou interesse em parcerias com a Universidade Técnica Marítima de São Petersburgo e em colaborações no setor pesqueiro. Pela UFRJ,  ainda estiveram presentes na reunião:  Guilherme Antunes Ramos, da SGRI; a decana do Centro de Tecnologia (CT), Cláudia Morgado; e o professor do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da UFRJ, Fábio Krykhtine.

A comitiva russa reuniu, ainda, o embaixador Aleksei Kazimirovich Labetski, o Vice Ministro de Educação Superior e Ciências da Rússia, Konstantin Mogilevsky, além de autoridades da assessoria presidencial russa, do Ministério da Ciência e Ensino Superior e da Agência Federal de Pesca. No grupo estavam  também diretores do Instituto de Pesquisa Kurchatov, Instituto de Pesquisa de Pesca e Oceanografia da Rússia (Vniro) e do Instituto do Ártico e Antártida, executivos das empresas de logística Dalreftrans e UK Delo, além do intérprete Egor Sergachev. Após a reunião, a comitiva russa visitou as instalações do LabOceano. 

Primeira plenária de decanos e diretores da UFRJ discute cenário de 2026 e apresenta iniciativas de extensão e inovação

O Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), no Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou, na manhã de quinta-feira, 5/3, a primeira plenária de decanos e diretores da instituição deste ano. O encontro teve como objetivo discutir e deliberar sobre projetos, além de questões administrativas e estratégicas. Representantes dos campi de Duque de Caxias e Macaé acompanharam a reunião de forma remota.

No início da plenária, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que 2026 tende a ser um ano difícil para as universidades, marcado por questionamentos e pressões externas sobre as instituições públicas de ensino superior. Destacou, porém, que a melhor resposta da instituição é continuar produzindo conhecimento. “O que nós podemos fazer é ampliar as nossas entregas à sociedade e reafirmar nossa excelência acadêmica”, disse o reitor.

Como exemplo do reconhecimento social, mencionou que a UFRJ, pela terceira vez consecutiva, conquistou o 1º lugar na categoria Educação do prêmio Os Mais Amados do Rio, da Revista Veja, que revela lugares, marcas e serviços preferidos dos cariocas. Em menos de 20 dias, 10.000 pessoas escolheram seus favoritos em 50 setores relacionados à vida cotidiana.

Apresentação da PR-5

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou que a gestão iniciou um mutirão para ampliar a inserção curricular da extensão em todos os cursos de graduação da Universidade. Segundo ela, a discussão sobre essa inserção começou em 2013, mas ainda não alcançou todos os cursos. Ela ressaltou que uma resolução do Conselho Nacional de Educação de 2018 determinou que 10% da carga horária dos cursos seja composta por atividades de extensão, o que exige mudanças nos projetos pedagógicos e registro das ações no sistema da Universidade para que possam ser contabilizadas pelo MEC.

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou ações da PR-5 durante o encontro | Foto: Divulgação (SGCOM)

Ivana destacou o papel social da extensão universitária e lembrou que ela concretiza o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão ao promover a troca entre universidade e sociedade. A pró-reitora mencionou ainda iniciativas da gestão para simplificar registros, ampliar ações e fortalecer a comunicação. “Hoje nós temos 2.200 ações de extensão. É um número enorme! Temos projetos, programas, cursos de extensão e eventos. Acabamos de aprovar recentemente a prestação de serviço gratuita também”, afirmou Bentes.

Concurso de Soluções Inovadoras – Prêmio Engaja UFRJ

Na reunião, o pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o edital do I Concurso de Soluções Inovadoras da instituição. O objetivo é identificar, selecionar, valorizar e premiar até dez soluções inovadoras que contribuam para a modernização e melhoria da qualidade de vida da comunidade universitária. As sete áreas de enfoque são: segurança nos campi, acessibilidade, limpeza urbana e gestão de resíduos, alimentação coletiva sustentável, mobilidade, conectividade/telecomunicações e uso eficiente de água e energia.

O pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o Concurso de Soluções Inovadoras da instituição | Foto: Divulgação (PR-6)

“Toda a comunidade universitária poderá participar: docentes, discentes, técnicos administrativos, integrantes das startups criadas na UFRJ, concessionários, permissionários e o corpo de servidores visitantes. Serão avaliados os potenciais de inovação e economia financeira da ideia, o impacto social, a facilidade de implementação e escalabilidade, o uso eficiente de recursos, a adequação da proposta ao tema e ao desafio, além da previsão da emissão de carbono”, explicou Peregrino.

As inscrições começam no dia 16/3 e vão até o dia 15/5, com propostas submetidas por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página da PR-6. Confira o edital do concurso aqui.

UFRJ celebra 200 anos de expedição russa e impulsiona monitoramento ambiental no Bico do Papagaio

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na manhã de 13/2, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), na Praia do Flamengo, o painel Às vésperas do 200º aniversário da primeira expedição russa à Amazônia. O encontro marcou a retomada histórica da cooperação científica entre Brasil e Rússia e discutiu a implantação da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio, iniciativa voltada ao estudo dos ciclos do carbono e das dinâmicas climáticas na Amazônia.

O evento reuniu professores da UFRJ, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que participaram remotamente, e representantes da Universidade Estatal de Tyumen (UTMN), instituição russa fundada em 1930. O painel resgatou o legado da Expedição Langsdorff (1821–1829), financiada pelo Império Russo e considerada o mais amplo inventário científico do Brasil no século XIX. A expedição produziu registros fundamentais sobre biodiversidade, geografia, clima, populações indígenas e paisagens naturais, muitos dos quais relacionados a áreas hoje estratégicas para o monitoramento ambiental.

Durante o encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou que a realização do painel carrega um significado histórico profundo para a cooperação científica entre os dois países visto que o projeto pode ser compreendido como uma versão contemporânea, mais sofisticada e tecnologicamente avançada, da expedição realizada no século XIX.

“Temos certeza de que a parceria que estamos aprofundando aqui hoje será muito importante para o mundo inteiro. Este é o início de uma longa caminhada para novos conhecimentos científicos e para que possamos contribuir com um dos temas mais relevantes da atualidade: as mudanças climáticas”, disse o reitor.

Painel comemorou os 200 anos da primeira expedição russa à Amazônia | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ)

A programação do painel incluiu mesa de debates, sessão de perguntas e respostas, além de apresentação on-line sobre o estado da arte do projeto Bico do Papagaio. Ao estabelecer um paralelo entre passado e presente, os participantes destacaram que, se há dois séculos o território brasileiro era objeto de observação científica pioneira, atualmente o país se consolida como espaço de coprodução de conhecimento, voltado a desafios globais como as mudanças climáticas, a proteção da sociobiodiversidade e a governança ambiental baseada em dados.

A proposta de construção da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio foi apresentada como continuidade histórica dessa cooperação, agora sob o paradigma da ciência aberta, colaborativa e orientada à sustentabilidade. A integração da futura estação à Rede Polígono do Carbono Espelho, da Federação Russa, deverá fortalecer o papel da Amazônia e das áreas de transição ecológica como laboratórios naturais para a compreensão dos ciclos do carbono e de seus impactos climáticos globais.

O pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) da UFRJ, João Ramos Torres de Mello Neto, destacou a posição da Universidade no cenário acadêmico nacional e internacional. Ressaltou ainda que a UFRJ possui áreas de excelência consolidadas, especialmente em engenharia e medicina, mas enfatizou o potencial estratégico das pesquisas em ecologia e mudanças climáticas. “Se antes o Brasil era sobretudo observado, hoje ele é parte de uma rede de cooperação horizontal, com ciência aberta, colaboração internacional e infraestrutura de pesquisa voltada para a sustentabilidade”, disse Torres de Mello.

O professor do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem/UFRJ), Francisco Esteves, lembrou da influência da tradição científica russa em sua formação e destacou o papel histórico de Langsdorff na organização de um núcleo multidisciplinar que produziu conhecimentos fundamentais sobre a flora e a fauna brasileiras. Para ele, o projeto atual retoma esse legado à luz da crise climática.

“Essa parceria que se inicia hoje representa o começo de uma caminhada que nos levará a uma grande contribuição para o conhecimento da biodiversidade, tanto terrestre quanto aquática, dos ecossistemas amazônicos e das áreas que os circundam”, afirmou Esteves.

 O encontro também reafirmou o valor simbólico da celebração dos 200 anos de intercâmbio científico entre Brasil e Rússia, projetando o legado histórico para o futuro por meio de infraestrutura de pesquisa capaz de formar recursos humanos e subsidiar políticas públicas ambientais. Participaram também do evento o professor João Paulo Machado Torres, da UFRJ, e Freud Romão, da UFNT, que realizou apresentação on-line. Pela Universidade russa estiveram presentes o reitor, Ivan Sergeevich Romanchuk; o primeiro vice-reitor, Andrey Viktorovich Tolstikov; o vice-reitor e diretor da Escola de Direito e Gestão, Sergey Sergeevich Zenin; o assessor do reitor, Ivan Sergeevich Prokhorov; o chefe do Departamento de Inovação e Ciência, Georgy Nikolaevich Suvorov; o chefe do Departamento de Política Estudantil, Denis Yuryevich Stepanchuk; o especialista em Brasil e tradutor de português, Ruslan Igorevich Proklov; e o cônsul da Federação Russa, Alexandr Alexandrovich Korolev.

Primeira reunião de 2026 do Consuni aprova por unanimidade nova titular da PR-3, títulos e debate segurança na UFRJ

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quarta-feira, 12/2, a primeira reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, ocorreu às 9h30, na sala E-212 da Escola de Química, no Centro de Tecnologia, na Cidade Universitária.

Na abertura dos trabalhos, os conselheiros apreciaram a ata da sessão anterior, realizada em 11/12/2025. Em seguida, a pauta avançou sobre temas estratégicos para a administração central, a organização interna do colegiado e a vida acadêmica da Universidade.

“É importante demonstrar que na Universidade nós somos diversos, temos opiniões divergentes, mas que lidamos com ela de forma democrática, num momento que vemos vários tipos de violência na sociedade. Estamos juntos na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade e da ciência, tecnologia e inovação como verdadeiros sentidos da soberania nacional”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a discussão acerca da proposta de resolução que institui a Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana e formaliza o respectivo Plano de Contingência no âmbito da UFRJ. A iniciativa busca estabelecer diretrizes institucionais para prevenção e resposta a situações de risco nos campi.

Foram apresentadas três propostas de encaminhamento: apreciação do tema como primeiro ponto de pauta para a reunião do Conselho, no dia 12/3; recomendação de que já seja iniciada a contribuição de propostas de alteração para o documento encaminhado aos conselheiros, para agilizar a discussão; implementação de um protocolo parcial até que seja aprovado um definitivo. 

O Conselho aprovou, por unanimidade, a indicação da professora Gisele Viana Pires para o cargo de pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, em cumprimento ao Estatuto da Universidade. Ela deixou o cargo de diretora de Desenvolvimento da Educação em Saúde que ocupava na Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/Mec).

Gisele Viana Pires foi aprovada, por unanimidade, para o cargo de pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças da UFRJ | Foto: Sônia Toledo (SGCOM/UFRJ)

“Esse convite foi alicerçado em confiança, respeito e reconhecimento. Agradeço ao reitor e ao Conselho Universitário por terem referendado meu nome por unanimidade, o que me deixa muito feliz e aumenta a minha responsabilidade. Também gostaria de destacar o grande acolhimento que tive por toda a equipe de pró-reitores. Sei que teremos enormes desafios, mas nossa trajetória mostra que não temos medo de enfrentá-los, destacou Gisele.  

No campo das homenagens acadêmicas, o Conselho Universitário aprovou por unanimidade e aclamação a concessão do título de doutor honoris causa ao professor Fausto José da Conceição Alexandre Pinto, além dos títulos de professora emérita à professora Belita Koiller e de professores eméritos aos docentes Clemax do Couto Sant’Anna e Jerson Lima da Silva. As distinções, já aprovadas pelas respectivas congregações e conselhos de coordenação das unidades, reconhecem a trajetória, a excelência acadêmica e a contribuição dos homenageados para o ensino, a pesquisa e o desenvolvimento institucional da UFRJ.

“Fiz questão de registrar minha admiração pelo professor Clemax Sant’Anna, uma grande inspiração para todos nós: pessoa simples e humilde, mas de competência absoluta, reconhecido como grande especialista em tuberculose infantil do Brasil e da América. Foi meu professor homenageado da turma e enfrentou muitas barreiras por causa da cor da sua pele, em uma época em que não havia políticas reparatórias. Sua importância na minha formação e na de várias gerações de médicos e médicas é inegável. Da mesma forma, destaco o professor Jerson Lima, meu contemporâneo de faculdade, que sempre sobressaiu pela excelência. Além de grande cientista, reúne uma capacidade de gestão impressionante”, disse o reitor.

Outro item de destaque foi a eleição dos membros das comissões permanentes do Consuni, Legislação e Normas, Ensino e Títulos e Desenvolvimento, conforme prevê o Regimento Interno, que determina a escolha dos integrantes na primeira sessão de cada ano.

A pauta incluiu ainda a apreciação de proposta de resolução para criação da Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin), com aprovação de seu regimento interno, além da análise da atuação da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB) como fundação de apoio à Fundação Casa de Rui Barbosa e à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

No campo acadêmico, o Consuni deliberou sobre recursos relacionados a concursos públicos para docentes, pedidos de reposicionamento e alteração de regime de trabalho, bem como promoções e incentivos à qualificação. Também foram apreciados recursos contra cancelamento de matrícula por autodeclaração racial não confirmada por comissão de heteroidentificação.

Reunião tratou de temas estratégicos para a UFRJ | Foto: Sônia Toledo (SGCOM/UFRJ)

Com uma pauta extensa, composta por 40 itens, a primeira sessão do ano apontou  que 2026 será de grandes realizações.

José Sérgio Leite Lopes recebe o título de professor emérito da UFRJ

O professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (PPGAS/MN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Sérgio Leite Lopes, recebeu nesta segunda-feira, 15/12, o título de professor emérito da UFRJ. A cerimônia ocorreu na sala Copacabana, no prédio da Reitoria da Universidade. A solicitação de concessão do título foi realizada pelo PPGAS/MN e aprovada por aclamação pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ em 13/6/2024.

“O professor emérito é aquele que contribuiu, para além do seu fazer diário, para o desenvolvimento da Universidade. O professor José Sérgio encarna isso com muita propriedade, não apenas pela sua imensa contribuição à ciência e à memória, mas também pela luta contra a ditadura e contra as desigualdades”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

O antropólogo José Sérgio Leite Lopes graduou-se em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1969 e fez mestrado e doutorado em Antropologia Social pela UFRJ em 1975 e 1986. O pós-doutorado foi realizado na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris entre 1988 e 1990. Leite Lopes é professor do Museu Nacional desde 1978, tendo atuado como professor visitante na Universidade Federal de Pernambuco entre 2003 e 2006. Além de coordenar o Programa de Memória dos Movimentos Sociais (Memov), sediado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), é também coordenador da Comissão Memória e Verdade (CMV) da UFRJ.

Representantes do PPGAS/MN e da CMV também participaram da cerimônia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Leite Lopes destacou-se por pesquisas pioneiras sobre o trabalho e as classes trabalhadoras, especialmente no Nordeste canavieiro, articulando investigação empírica rigorosa e inserção institucional estratégica. Sua dissertação de mestrado, O Vapor do Diabo, e, posteriormente, a tese de doutorado, A tecelagem dos conflitos de classe na cidade das chaminés, tornaram-se referências na antropologia do trabalho no Brasil. Paralelamente à carreira acadêmica, teve papel central na articulação entre o PPGAS/MN e órgãos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contribuindo para a consolidação de grandes projetos coletivos de pesquisa e para a própria sustentabilidade institucional do Programa.

Ao longo das décadas seguintes, como professor do PPGAS/MN, o antropólogo ampliou seu campo de investigação para temas como antropologia do esporte, história social da sociologia do trabalho, ambientalização dos conflitos sociais e memória dos movimentos sociais, com forte inserção internacional, especialmente na França, em colaboração com Pierre Bourdieu e seu grupo. Foi coordenador de programas e núcleos de pesquisa de grande impacto, além de exercer funções acadêmicas e institucionais de destaque na UFRJ e em associações científicas nacionais. Sua atuação combina produção intelectual extensa, formação de gerações de pesquisadores, produção audiovisual etnográfica e compromisso com a pesquisa coletiva, a memória social e a interlocução pública das ciências sociais no Brasil.

“Celebramos hoje não só essa carreira vasta, rica e longa, mas também um modo de fazer a nossa universidade. Um modo responsável, com muita intelectualidade e também um modo de vida relacionado com a democracia, que precisamos muito reforçar na nossa universidade. Tem uma história relacionada ao campesinato, às classes trabalhadoras, aos movimentos sociais, às violações dos direitos que atravessam, infelizmente, até hoje, a história do Brasil. Sua obra é extremamente extensa e necessária”, destacou a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Christine Ruta.

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Christine Ruta, destacou a trajetória de José Sérgio Leite Lopes durante a cerimônia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Ao longo de toda a sua trajetória acadêmica, José Sérgio Leite Lopes orientou 26 mestres e 26 doutores e supervisionou oito pós-doutorados. Seu trabalho resultou em uma extensa lista de publicações no Brasil e no exterior, destacando-se 76 artigos publicados em periódicos, 16 livros publicados/organizados, 61 capítulos de livros publicados e produção em antropologia visual de cinco documentários (filmes) e cinco documentários de trajetórias biográficas. O antropólogo é bolsista 1A do CNPq, onde mantém a bolsa de produtividade continuamente desde 1983.

UFRJ celebra os 15 anos do Instituto de História

Uma importante cerimônia comemorou, na terça-feira, 9/12, os 15 anos do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Criado em dezembro de 2010, a partir da extinção do antigo Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs), o IH usufrui de autonomia institucional, integrando-se como unidade universitária independente do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH). A celebração foi realizada no Salão Nobre do instituto, no Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro.

“A UFRJ nos mostra que estamos sempre andando, acompanhando o crescimento do que nós precisamos para a educação desse país. Nosso maior capital é o capital humano, e precisamos investir muito para que tenhamos uma infraestrutura física que seja compatível com o nosso corpo social. Criamos um grupo de trabalho e, juntamente com a direção do instituto, temos feito reuniões com diferentes órgãos públicos para conseguir melhorias de infraestrutura. Vamos lutar juntos para conseguir melhorar as condições também para os nossos servidores técnico-administrativos em Educação, professores, para que os nossos estudantes tenham o melhor possível para mudar um pouco a situação tão precária que nós temos ainda nesse país”, disse a vice-reitora da UFRJ, professora Cássia Turci.

A vice-reitora da UFRJ, professora Cássia Turci, durante a cerimônia que comemorou os 15 anos do Instituto de História da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

Durante o evento, representantes do Centro Acadêmico Manoel Maurício de Albuquerque (Camma) pediram investimentos em melhorias estruturais no IH, além de destacarem a importância do instituto na construção da memória e da identidade nacional. Também enfatizaram o papel do Camma na organização de atividades acadêmicas e culturais ao longo dos últimos anos. Jessie Jane Vieira, diretora do Ifcs na época da criação do IH, lembrou a longa luta dos docentes pela transformação do departamento em instituto, reconhecendo as dificuldades administrativas enfrentadas, especialmente relacionadas à gestão e às estruturas institucionais.

Também compuseram a mesa solene o decano do CFCH, Vantuil Pereira; a diretora do IH, Marta Mega; a vice-diretora do IH, Lise Fernanda Sedrez; e a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho. Eles apontaram a importância histórica e simbólica do Instituto de História, lembrando que sua criação representou mais do que uma mudança administrativa, mas a consolidação de um projeto coletivo construído ao longo de décadas. Destacaram ainda o protagonismo da graduação, o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, além do papel central do instituto na formação de professores e historiadores. 

“Nesses 15 anos, o instituto é reconhecido como referência nacional na formação de historiadores. Oferece cursos de bacharelado e licenciatura em História, além de programas de pós-graduação reconhecidos. Os diferentes programas de pesquisa renovam continuamente a investigação histórica no Brasil, promovendo o diálogo interdisciplinar e a produção do conhecimento crítico. O Instituto de História também se destaca pelas atividades de extensão que aproximam a Universidade da sociedade, promovendo debates, jornadas de estudos, conferências e projetos que fortalecem o vínculo entre saber histórico e cidadania”, observou Marta Mega.

A diretora do IH, Marta Mega | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

Passado, presente e futuro do IH entrelaçaram-se na celebração, que contou com plateia lotada. Gratidão e esperança marcaram os 15 anos como um ponto de partida para novas conquistas. Os participantes reafirmaram, ainda, a inserção do instituto em um projeto mais amplo de revitalização cultural do centro do Rio, com o reconhecimento da importância do capital humano formado por docentes, técnicos e estudantes.

A celebração foi realizada no Salão Nobre do instituto, no Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

UFRJ celebra cinco anos do Instituto de Computação 

Uma cerimônia nesta segunda-feira, 1º/12, no Auditório Horta Barbosa, do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comemorou os cinco anos do Instituto de Computação (IC). Criado da transformação do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática (IM), foi instituído em 10/12/2020 com caráter permanente. Atualmente, está localizado na primeira ala do bloco E do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN).

Um vídeo institucional, apresentado no início da celebração, mostrou como foi a história do Departamento de Ciência da Computação e como se deu a criação do IC. No início da década de 1970, a computação na UFRJ se destacou pela ênfase inédita em computação aplicada, o que impulsionou a criação do curso de Informática em 1974 e, posteriormente, da secretaria do então departamento, inaugurada em 1988, quando o setor ganhou seu primeiro espaço próprio. O avanço institucional prosseguiu com a criação do Programa de Pós-Graduação em Informática em 1997 e do doutorado em 2010, fortalecendo a área.

Mesa solene da cerimônia que comemorou os 5 anos do Instituto de Computação da UFRJ | Foto: Ani Coutinho (SGCOM/UFRJ)

A proposta de transformar o Departamento de Ciência da Computação em Instituto de Computação amadureceu ao longo de anos e foi finalmente aprovada pelo Conselho Universitário em dezembro de 2020, após discussões intensas, especialmente entre 2019 e 2020, durante a pandemia. Os primeiros anos do novo instituto foram marcados por desafios estruturais e orçamentários, atendendo mais de 600 estudantes de graduação e cerca de 200 da pós-graduação. Desde então, o IC tem ampliado sua atuação acadêmica, administrativa e curricular, consolidando-se como unidade essencial da UFRJ.

“A história do Instituto de Computação se confunde com a do Departamento de Ciência da Computação. Na verdade, deveríamos estar celebrando 50 anos, contando desde a criação do departamento. Hoje, tecnologicamente, temos uma outra realidade do que existia naquela época. O IC está inserido em uma área em que pode ajudar muito o desenvolvimento da UFRJ, seja a partir de softwares ou da integração com outros setores da Universidade, como a Superintendência-Geral de Tecnologia de Informação e Comunicação (SGTIC) e também as pró-reitorias. Nós precisamos trabalhar para ter uma melhor infraestrutura física, porque já temos o capital humano, que é o que nós temos de maior valor aqui na UFRJ”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

Além do reitor e da vice-reitora, Cássia Turci, também compuseram a mesa solene o decano do CCMN, Josefino Cabral Melo Lima; a diretora do IC, Anamaria Martins Moreira, e a vice-diretora do Instituto, Carla Amor Divino Moreira Delgado. Eles apontaram os desafios  enfrentados, como a atual estrutura física do IC e o tamanho do quadro de técnicos administrativos. Enfatizaram ainda o papel do Instituto em ampliar oportunidades e parcerias, e reforçaram o compromisso com a excelência acadêmica, com a interação com a sociedade e com a contribuição estratégica para a UFRJ. Uma representante do Centro Acadêmico de Informática também discursou na solenidade em nome dos estudantes.

Giovana Aguiar, representante do Centro Acadêmico de Informática, discursou durante solenidade | Foto: Ani Coutinho (SGCOM (UFRJ)

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, que também é professora do CCMN, destacou a importância da criação do bacharelado em Inteligência Artificial no Instituto de Computação. A proposta, que já foi aprovada na congregação da unidade acadêmica, está sendo analisada pelo Conselho de Ensino de Graduação (CEG), órgão responsável por normatizar e supervisionar o ensino de graduação na Universidade.

Atualmente, o Instituto de Computação da UFRJ é responsável pelo bacharelado em Ciência da Computação, pela habilitação em Análise de Dados do bacharelado em Ciências Matemáticas e da Terra do CCMN, pelo Programa de Pós-Graduação em Informática, por disciplinas de cálculo numérico e computação para diversos cursos de Engenharia da Escola Politécnica, e por disciplinas de computação para os cursos de Astronomia, Biofísica, Física, Matemática, Meteorologia, Nanotecnologia e Química.