A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 20/8, a inauguração oficial do Laboratório de Microplásticos do Instituto de Macromoléculas Professora Eloísa Mano (IMA), no Centro de Tecnologia (CT). O projeto inovador chama a atenção não apenas pelo seu impacto científico, mas também por sua criatividade e sustentabilidade estrutural: o laboratório funciona integralmente dentro de um contêiner adaptado, doado à Universidade.
O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos. Com exceção das bancadas de trabalho e dos novos instrumentos científicos adquiridos, toda a sua estrutura interna e mobiliário foram reaproveitados de outros espaços. Para o financiamento da montagem e a modernização do laboratório, os pesquisadores captaram recursos especiais do CIP (Custo Indireto de Projeto), verba proveniente de projetos na área de petróleo destinados ao desenvolvimento de laboratórios acadêmicos.
Durante a cerimônia, no auditório do IMA, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a importância das atividades que serão desenvolvidas no laboratório, e trouxe uma perspectiva epidemiológica alarmante, apontando que a poluição por plásticos e microplásticos ultrapassou as barreiras ecológicas e consolidou-se como um grave desafio de saúde pública. Medronho recordou que partículas microscópicas de micro e nanoplásticos já foram identificadas em diversos tecidos e fluidos humanos, motivando uma convocação por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) para investigações científicas profundas sobre os impactos dessa exposição a longo prazo.

“Poucas instituições estão tão naturalmente vocacionadas para enfrentar esse problema como o nosso IMA. Este laboratório deve ser o lugar para compreender o problema e, sobretudo, para criar soluções inovadoras para identificar e quantificar microplásticos, compreender sua degradação e seus efeitos, desenvolver novos materiais, aperfeiçoar o processo de reciclagem e de economia circular, reduzir a geração de resíduos, apoiar políticas públicas públicas, transferir tecnologia e dialogar por empresas, governos e sociedade”, destacou Medronho.
Pesquisa prática, monitoramento e economia circular
No cotidiano das atividades laboratoriais, o novo espaço exercerá um papel amplo no monitoramento ambiental do Rio de Janeiro. Segundo a diretora do IMA, Maria Inês Bruno Tavares, a equipe se dedicará a identificar e caracterizar microplásticos na areia das praias, na água do mar, na Baía de Guanabara, em águas engarrafadas e em alimentos de consumo diário.

“Paralelamente ao diagnóstico, o laboratório vai focar na pesquisa de mitigação de resíduos de descarte inadequado, com especial atenção ao isopor, amplamente utilizado em embalagens de refeições. A geração de microplásticos ocorre de forma indiscriminada pela população, pela indústria e pelo comércio. Se nós reaproveitarmos, reutilizarmos e reciclarmos esses materiais, recorrendo inclusive à reciclagem mecânica ou à incineração quando não houver outra alternativa, conseguiremos minimizar o impacto”, explicou Maria Inês.
O legado de Eloísa Mano e a defesa da racionalidade científica
A cerimônia de inauguração foi permeada por emoção e homenagens à professora Eloísa Biasotto Mano, falecida em 2019, pioneira no estudo de polímeros no Brasil e fundadora do IMA. A decana do CT, Cláudia do Rosário Vaz Morgado, e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, lembraram o DNA de excelência e a união coletiva consolidados pela professora que resultam hoje no compromisso acadêmico de destaque da unidade. Completaram a mesa de honra da cerimônia os coordenadores do Laboratório de Microplásticos, Fernando Altino Medeiros Rodrigues e Paulo Sérgio Rangel Cruz da Silva.




























































