UFRJ debate defesa da democracia, confrontos e estratégias de comunicação em reunião com professores eméritos

A Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reuniu-se na quinta-feira, 17/9, com o Conselho de Professores Eméritos em sessão focada na defesa da democracia, na segurança da comunidade universitária e no fortalecimento da comunicação institucional. Diante dos recentes acontecimentos no âmbito universitário, como o episódio de violência no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) e Instituto de História (IH), e uma ação intimidatória contra estudantes na Faculdade de Letras (FL), o encontro,  realizado no Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), concentrou-se na formulação de propostas de curto e longo prazo para garantir a liberdade de expressão, a proteção nos campi e a valorização do conhecimento produzido pela Universidade.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que presidiu a reunião, destacou a sabedoria do corpo docente emérito para orientar a Administração Central. Antes da sua fala, o reitor apresentou o vídeo institucional concebido para reforçar que a Universidade é um espaço de ciência, educação, liberdade e debate democrático, ressaltando a importância de não transformar provocações em espetáculos. Também fez um breve diagnóstico da segurança universitária: falou da redução progressiva do quadro da Coordenação de Segurança (Diseg), por conta da aposentadoria, e da atuação da vigilância terceirizada, focada na proteção patrimonial. Além disso, informou a instauração de sindicância para a apuração dos fatos e destacou o diálogo contínuo mantido pelas direções de unidades com os centros acadêmicos e entidades representativas.

Reitor Roberto Medronho presidiu a reunião | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

“A UFRJ não precisa de gritos para defender suas ideias, precisa de ciência, educação, políticas públicas consistentes, de financiamento contínuo e de democracia. Nós temos especialistas, os melhores do Brasil, aqui na nossa Universidade. A sociedade tem que sentir orgulho de ter uma UFRJ formando esses grandes brasileiros”, destacou Medronho.

Preservação da memória, orientação preventiva e propostas de ação

Durante o encontro, o professor emérito Ronaldo Lima ressaltou a importância da homenagem prestada pela UFRJ aos estudantes e professores mortos durante a ditadura militar e defendeu a realização de um seminário sobre memória e conhecimento. Para o docente, o resgate histórico é fundamental para evitar a repetição de ideologias autoritárias. Lima ponderou ainda que a busca pela paz deve vir acompanhada de firmeza institucional e atuação preventiva da segurança para conter provocadores nos espaços acadêmicos.

A professora emérita Ana Iwanicki endossou a relevância da cerimônia e apoiou a proposta levada pelo professor emérito Ricardo Medronho de confecção e afixação de cartazes como uma medida prática e preventiva para orientar a comunidade acadêmica diante de episódios de tensão.

Professores eméritos formularam propostas para garantir a liberdade de expressão e a valorização do conhecimento produzido pela Universidade | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

O professor emérito Antônio José Ledo dividiu suas propostas em de curto e longo prazos. Como medida emergencial, recomendou a divulgação de instruções diretas à comunidade, socializando um número telefônico de emergência da Diseg, orientando os estudantes a registrarem fatos sem confrontar agressores, além da emissão de notas oficiais curtas para evitar sensacionalismo.

Para o longo prazo, Ledo sugeriu consultar especialistas da Escola de Comunicação (ECO) para o desenvolvimento de um plano estruturado de divulgação e a abertura dos campi nos fins de semana para acolher a comunidade do entorno.

Difusão da produção universitária e acolhimento social

O professor emérito Luiz Bevilacqua defendeu uma postura ativa na comunicação da UFRJ, propondo transformar momentos de visibilidade em oportunidades para demonstrar a relevância científica e social da instituição: “É inacreditável a ênfase que se dá ao negativo, e a ignorância que se dá ao que é positivo”. Bevilacqua sugeriu que as decanias e unidades acadêmicas elaborem sínteses das pesquisas e contribuições desenvolvidas para que a sociedade conheça a dimensão do trabalho realizado pela UFRJ.

Comunicação e divulgação científica também foram pauta | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

A vice-reitora, Cássia Turci, destacou a complexidade do ambiente social e defendeu a intensificação das ações de divulgação científica direcionadas aos jovens e ao público externo em linguagem acessível. Enfatizou ainda a necessidade de aprimorar os canais de comunicação para tornar transparente o papel exercido pela UFRJ no desenvolvimento do país.

“Precisamos aprimorar a nossa comunicação para que as pessoas saibam, de fato, qual é o papel da Universidade para um país como o nosso. Defendo uma divulgação científica que seja feita não somente para falar entre os pares, mas para a população, de uma forma bastante simples”, explicou Turci.

Os avanços dos veículos próprios de comunicação da UFRJ foram levados ao conhecimento dos participantes pela chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, que citou a atuação da Rádio UFRJ FM (88.9 FM) e a parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Universidade Federal Fluminense (UFF) para a implementação do canal de TV UFRJ. 

Fabiana ressaltou que a Reitoria, em articulação com as unidades acadêmicas e a Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), promoveu uma agenda de eventos culturais e extensionistas na Faculdade de Letras, no Ifcs e em outras unidades como respostas pacíficas e culturais para integrar a comunidade universitária. A chefe de Gabinete destacou também a veiculação de conteúdos orientativos nas redes sociais institucionais para guiar os estudantes sobre como agir em situações de conflito.

UFRJ fortalece cooperação com centro educacional da China

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu na quinta-feira, 10/9, a delegação do Centro Nacional de Tecnologia Educacional (NCET), órgão subordinado ao Ministério da Educação da China, para discutir o fortalecimento de parcerias focadas na transformação digital da educação, inteligência artificial e cooperação acadêmica. A reunião foi realizada na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria, na Cidade Universitária. 

Durante o encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou o compromisso da UFRJ com o aprofundamento das relações com os países do BRICS, enfatizando que a Universidade assinou mais de 30 acordos com instituições de ensino e pesquisa chinesas nos últimos dois anos. O reitor relembrou sua participação na Conferência Internacional de Educação Digital em Wuhan e citou o impacto global de inovações tecnológicas de baixo custo desenvolvidas por pesquisadores chineses, como o modelo de inteligência artificial DeepSeek.

“A transformação digital, a inteligência artificial e a crescente utilização de recursos educacionais digitais estão modificando profundamente a maneira como ensinamos, aprendemos, pesquisamos e formamos as nossas novas gerações. Nossa universidade entende que a inteligência artificial e as tecnologias digitais devem ser instrumentos para ampliar o acesso ao conhecimento, melhorar a qualidade de ensino e fortalecer a pesquisa”, disse Medronho.

O vice-diretor do NCET, Xiao Hang, e o reitor da UFRJ, Roberto Medronho | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além do reitor, a reunião contou com a presença da superintendente de Relações Internacionais e diretora brasileira do Instituto Confúcio da UFRJ, Andrea Belfort; do assessor internacional do Gabinete da Reitoria para cooperação com a China e diretor da Escola de Química da UFRJ, Papa Matar; do diretor chinês do Instituto Confúcio da UFRJ, que também é diretor executivo do Instituto de Inovação Beihang no Brasil e vice-diretor do Centro Beihang Brasil, Jiang Quanhong; do vice-diretor do Centro Beihang Brasil, Diao Xungang; da professora do Instituto Confúcio da UFRJ, Carolina/He Luhong; além de professores do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) do Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ.

Encontro discutiu o fortalecimento de parcerias focadas na transformação digital da educação, inteligência artificial e cooperação acadêmica | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Do NCET, participaram o vice-diretor, Xiao Hang; o diretor do Departamento de Planejamento de Desenvolvimento e Pesquisa, Zhang Gang; o diretor do Departamento de Desenvolvimento de Educação Profissional, Zhao Lin; o diretor adjunto do Departamento de Desenvolvimento da Educação Profissional, Liang Senshan; e a diretora adjunta do Departamento de Desenvolvimento de Educação Continuada, Chen Lan.

Avanços na digitalização e educação inteligente na China

Representantes da delegação chinesa detalharam os resultados da Ação Estratégica Nacional de Digitalização da Educação, iniciada em 2022. Um dos principais pilares dessa iniciativa é a Plataforma Nacional de Serviços Públicos de Educação Inteligente, que disponibiliza conteúdos digitais para o ensino básico, médio, profissionalizante e superior, além de recursos para formação docente.

UFRJ assinou mais de 30 acordos com instituições de ensino e pesquisa chinesas nos últimos dois anos | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Até agosto de 2026, a plataforma alcançou a marca de mais de 170 milhões de usuários cadastrados e ultrapassou 79 bilhões de acessos. O sistema conta ainda com um módulo dedicado ao ensino de inteligência artificial para escolas de nível básico e uma aba voltada para a cooperação internacional.

“Sabemos que Brasil e China são países de dimensões continentais. Creio que temos muitas semelhanças com relação ao nível de aprendizagem. Tecnologia, educação, digitalização, educação de qualidade, proteção, educação pública e nível de acesso justo para toda a população são questões que nós podemos compartilhar e que esperamos uma cooperação com a UFRJ”, afirmou o vice-diretor do NCET, Xiao Hang.

O Lipe e a extensão universitária

Um dos momentos centrais da reunião foi a apresentação do Laboratório de Informática para Educação (Lipe), localizado no CT da UFRJ. A professora Fernanda Duarte, diretora adjunta de Extensão e Cultura da Escola Politécnica e integrante do Nides, mostrou as atividades desenvolvidas pelo laboratório, fundado em 1994 no Departamento de Engenharia Eletrônica e de Computação, e que atualmente conta com cerca de 40 membros, entre docentes, técnicos e alunos de graduação e pós-graduação.

A professora Fernanda Duarte apresentou o Lipe | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A apresentação destacou o papel da extensão universitária do laboratório, que atua com base na metodologia “prática-reflexão-conceito”. Entre os projetos desenvolvidos ao longo de sua trajetória, estão cursos para estudantes indígenas de regiões remotas, atividades educacionais e tecnológicas para alunos de escolas públicas de nível fundamental e projetos de conscientização e reciclagem de lixo eletroeletrônico, visando aumentar a vida útil dos equipamentos e reduzir o impacto ambiental.

Após o encontro, os participantes realizaram uma visita técnica às instalações do Lipe, no CT. Representantes de ambas as instituições expressaram o desejo de avançar nas discussões e mapear projetos concretos de cooperação em tecnologias educacionais.

UFRJ outorga título de Doutor Honoris Causa ao embaixador Celso Amorim

O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou a sessão solene que outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata e embaixador Celso Amorim. A homenagem, que representa o reconhecimento máximo da Academia a personalidades que prestaram contribuições excepcionais à ciência, cultura e humanidade, celebrou a trajetória de um homem público cuja vida se confunde com a própria história da política externa e da cultura brasileiras. A proposta para a concessão do título partiu do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e foi formulada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE). 

A relação de Celso Amorim com a UFRJ carrega uma memória afetiva e histórica. Em seu discurso de agradecimento, o embaixador relembrou que ingressou no Instituto Rio Branco em 1963 e, na mesma época, prestou vestibular para o curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) da então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Contudo, com o golpe militar de 1964, o curso noturno foi extinto, inviabilizando as aulas com grandes intelectuais como Álvaro Vieira Pinto e José Américo de Almeida.

Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Há cerimônias que nos honram por sua importância institucional, e há outras que, além disso, nos tocam de maneira muito especial. Esta é, sem dúvida, uma delas. Conceder o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ a Celso Amorim é reconhecer uma das mais importantes trajetórias da vida pública brasileira. Celso pertence a uma geração de homens públicos que compreendeu que servir ao Brasil significa, antes de tudo, acreditar no Brasil. Amorim sempre soube que uma nação não se afirma no mundo apenas pela força de sua economia ou pela dimensão territorial. Afirma-se também por sua cultura, sua identidade, pela capacidade de produzir ideias e pela coragem de defender seus próprios interesses”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante a homenagem.

As “Múltiplas Vidas” de Celso Amorim: Cinema e Diplomacia

A saudação oficial ao homenageado foi proferida pela professora emérita Andrea Daher, que traçou de forma poética as diferentes facetas e “vidas” vividas por Amorim. Daher destacou a precoce imersão de Amorim no cinema brasileiro, atuando como assistente de direção de Ruy Guerra no filme Os Cafajestes e, posteriormente, como diretor-geral da Embrafilme entre 1979 e 1982. 

Celso Amorim sendo recebido na cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Na diplomacia, Amorim construiu uma carreira de múltiplas competências desde sua formatura no Instituto Rio Branco, em 1965. Atuou em postos em Londres, Washington e chefiou a missão brasileira junto ao Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Foi duas vezes ministro das Relações Exteriores (de 1993 a 1995 e de 2003 a 2011), ministro da Defesa (de 2011 a 2015) e, atualmente, atua como assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. 

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta, comparou a vida pública de Amorim a viver dentro de um furacão. Ela pontuou os desafios das instituições multilaterais contemporâneas, como as pressões sobre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC, e destacou o papel do homenageado na consolidação de blocos como os Brics para desenhar um sistema internacional multipolar. Ruta trouxe uma curiosidade da juventude de Amorim: muito antes do cinema e do Itamaraty, o embaixador traduziu para o português o livro O Mágico de Oz, uma narrativa que começa justamente com a força de um furacão. “É difícil não ver nisso uma espécie de premonição literária das tempestades políticas que o embaixador Celso Amorim ainda atravessaria”, assinalou a coordenadora.

Desenvolvimento, Paz e Soberania Tecnológica

Durante a cerimônia, Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico, com a proliferação de conflitos mundiais. Dialogando com os conceitos dos pontífices Paulo VI, o embaixador propôs uma inversão necessária para o nosso tempo: “A paz é o novo nome do desenvolvimento”. Amorim também projetou os desafios éticos e geopolíticos da inteligência artificial, defendendo que o Sul Global precisa cooperar para que a tecnologia não se torne um novo instrumento de dominação seletiva.

Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“O Brasil não pode abrir mão da capacidade de diversificar parcerias. Devemos continuar dispostos a cooperar com todos os países, de todos os continentes, independentemente da sua orientação política. A tarefa principal da política externa hoje é assegurar uma posição altiva e soberana no novo equilíbrio global. A inserção nacional do Brasil passa necessariamente pela integração regional com a América Latina, em especial a América do Sul. Rejeitamos de maneira categórica a ideia de que a América Latina possa ser tratada como área de domínio de uma superpotência”, disse Amorim.

A Aliança com a África

A cerimônia contou com a  apresentação artística do coral Brasil Ensemble UFRJ, dirigido pela professora Maria José Chevita Rezende. O grupo apresentou clássicos e encerrou com África Unida, criação coletiva moçambicana regida por Feliciano Comé.

Coral Brasil Ensemble UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Roberto Medronho destacou a força simbólica dessa homenagem musical, lembrando que o repertório resgata um trecho de O Grito de Moeda, a primeira ópera moçambicana, que recria o histórico massacre de resistência colonial de 1960. Medronho aceitou o desafio de Amorim de estreitar ainda mais os laços acadêmicos com o continente africano, ressaltando com orgulho que a Universidade é embaixadora de ciência e educação da Associação das Universidades Africanas.

Além do reitor e do homenageado, também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a oradora e professora emérita da UFRJ, Andrea Daher; e a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.

Sérgio Fracalanzza recebe o título de professor emérito da UFRJ

O Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi cenário, na quinta-feira, 27/8, da solenidade de outorga do título de Professor Emérito a Sérgio Eduardo Longo Fracalanzza, docente titular aposentado do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG). A honraria celebra uma trajetória de 50 anos pautada pela relação entre o ensino de excelência, a pesquisa e a vocação para a gestão pública.

A indicação foi proposta pelo Departamento de Microbiologia Médica (DMM), aprovada por unanimidade pela Congregação do IMPG e chancelada pelo Conselho de Coordenação do CCS, culminando na aprovação final, por unanimidade e aclamação, pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ.

A mesa diretora da solenidade foi formada pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora, Cássia Turci; pela decana do CCS, Avany Fernandes Pereira; pela diretora do IMPG, Fernanda de Ávila Abreu; além da oradora oficial da cerimônia e professora do IMPG, Lúcia Martins Teixeira.

O homenageado com os componentes da mesa e da comissão de honra  | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ) 

“Algumas cerimônias acadêmicas celebram uma conquista, outras seguem uma trajetória. Mas algumas, como esta, celebram algo ainda maior: uma vida que se tornou parte da própria história da Universidade. É com esse sentimento de enorme alegria que saudamos a concessão deste título que não é um fim, não é um destino; é o início de uma nova jornada. A Universidade está declarando hoje que, a partir de agora, a sua trajetória passa a integrar de forma definitiva e permanente a própria história desta instituição”, destacou o reitor.

Uma vida dedicada à microbiologia, à docência e à gestão

Graduado em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Araraquara em 1973, Fracalanzza iniciou sua história na UFRJ em 1974. No início de seu mestrado, em 1975, assumiu o desafio da docência na instituição como auxiliar de ensino. Após uma breve passagem como professor assistente na Unesp entre 1978 e 1980, retornou definitivamente à UFRJ, onde concluiu seu doutorado em 1986, e se consolidou como uma das maiores referências do país em microbiologia médica.

Na pesquisa, Sérgio Fracalanzza foi pioneiro nacional no estudo de bactérias do gênero Streptococcus, com destaque para o Streptococcus agalactiae (estreptococos do grupo B), causador de infecções graves em recém-nascidos. Suas investigações científicas abriram portas para inúmeras colaborações pelo Brasil e resultaram em uma robusta produção científica, composta por mais de 60 artigos publicados e um livro. Como orientador e mentor, formou gerações de cientistas, liderando a conclusão de 11 dissertações de mestrado e 9 teses de doutorado, além de idealizar e coordenar a Coleção de Culturas do IMPG. Sua liderança científica também se estendeu nacionalmente, tendo presidido a Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) entre 1997 e 1999.

A honraria celebra uma trajetória de 50 anos  | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ) 

A trajetória do homenageado foi destacada pela oradora da cerimônia, Lúcia Martins Teixeira, que lembrou que a caminhada de Fracalanzza se confunde com a história da própria UFRJ. O novo professor emérito da instituição ocupou posições em praticamente todas as esferas de gestão, como a chefia do DMM, por múltiplos mandatos, entre 1986 e 2025; direção do IMPG entre 1994 e 1998, período em que capitaneou a criação do curso de bacharelado em Microbiologia e Imunologia, hoje um dos maiores polos formadores da área no estado; decania do CCS, entre 1998 e 2002; vice-reitoria e Reitoria da UFRJ entre 2002 e 2006 (eleito vice-reitor na chapa de Carlos Lessa, tendo assumido interinamente a Reitoria em 2003 com a ida de Lessa para a presidência do BNDES).

Durante seu pronunciamento, Fracalanzza revisitou suas cinco décadas de trajetória, destacando que ser professor sempre foi o seu verdadeiro “sonho de vida”. O homenageado expressou profunda gratidão aos milhares de estudantes com quem compartilhou salas de aula e laboratórios, e ressaltou que é no contato direto com os alunos e nas orientações que sua paixão pela ciência e pela didática verdadeiramente floresce.

Sérgio Fracalanzza sendo homenageado no Quinhentão | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

“É uma grande honra ter sido lembrado pela UFRJ depois de mais de 50 anos de trabalho, ter esse trabalho reconhecido, e eu posso garantir que toda a minha vida foi dedicada a construir uma Universidade melhor, contribuindo para o ensino público de qualidade e transformando todos os saberes aqui produzidos, em todas as áreas, em benefícios para a nossa comunidade”, disse Fracalanzza. 

Para além dos números acadêmicos e cargos ocupados, o homenageado é reconhecido como um docente extraordinário e profundamente querido pela comunidade acadêmica. Sua empatia, compromisso ético e respeito ao corpo social refletem-se no número de convites para patrono, paraninfo e professor homenageado recebidos ao longo dos anos pelas turmas de graduação de Ciências Biológicas (Microbiologia e Imunologia), Farmácia e até do curso de Dança.

Escola de Química da UFRJ celebra 93 anos com inovação, debates e abertura da SEQ 2026

O Auditório da Escola de Química (EQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sediou, na quarta-feira, 26/8, a solenidade que marcou a celebração dos seus 93 anos de fundação e a abertura oficial da Semana da Escola de Química (SEQ) 2026. O evento reuniu docentes, técnicos administrativos, estudantes e representantes do setor produtivo para debater o papel estratégico da ciência e o desenvolvimento tecnológico nacional.

A mesa de abertura foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e foi composta pela vice-decana do Centro de Tecnologia (CT), Maria Inês Bruno Tavares; pelo diretor da EQ, Papa Matar; e pelo vice-diretor da unidade e presidente da SEQ 2026, Ladimir José de Carvalho. A edição deste ano da SEQ adotou um formato mais compacto, iniciando em uma quarta-feira, com uma programação dinâmica entre os dias 26 e 29/8.

Durante a cerimônia, Medronho defendeu que a solução para os grandes problemas nacionais reside em unir a competência científica acadêmica à criatividade nata do povo brasileiro, destacando a SEQ como um exemplo do protagonismo estudantil e da excelência que se espera de uma universidade pública. O reitor afirmou ainda que os estudantes que ingressam na EQ têm a oportunidade de atuar em um local de excelência, podendo interagir com todo o ecossistema da Universidade.

Reitor Roberto Medronho discursou durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Se o estudante tiver interesse em trabalhar nas áreas de bioquímica, biomedicina, nós temos não somente os departamentos, mas também a Faculdade de Farmácia, o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, a Faculdade de Medicina. Se o interesse for em tecnologia, temos a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia). Na área de inovação social, temos o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, o Instituto de História. Aqui nesta Universidade, a primeira criada neste país, vocês têm o privilégio de poder interagir e conviver com todas as áreas do conhecimento. E a Escola de Química é uma das instituições que ajuda a construir a história e o prestígio da UFRJ”, disse o reitor.

Tradição, parceria e sentimento de pertencimento

Ao refletir sobre os 93 anos de história e o vigor da instituição, o vice-diretor da EQ, Ladimir José de Carvalho, recorreu a uma metáfora baseada na Odisseia e comparou a Escola de Química à ilha de Ítaca, a terra natal pela qual Ulisses chorava de saudades mesmo diante de todos os confortos de um resort paradisíaco: “Aqui é a nossa Ítaca. É o lugar que nós queremos estar”, declarou, lembrando que em sete anos a instituição celebrará o seu centenário.

Cerimônia marcou a celebração dos 93 anos de fundação da EQ e a abertura oficial da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A importância de inovar e crescer mantendo a tradição de excelência também foi defendida pela vice-decana do CT, a professora Maria Inês Bruno Tavares. Ela celebrou a forte interação entre as cinco unidades do Centro de Tecnologia e a sólida parceria entre a EQ e o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ).

Já o diretor da EQ, Papa Matar, chamou a atenção para o que definiu como uma “nova realidade universitária”, caracterizada por mudanças profundas no perfil dos estudantes que hoje ingressam na instituição. Para Matar, esse novo cenário exige que docentes e técnicos dediquem especial atenção à criação de ambientes acolhedores. “Cabe a nós criarmos um ambiente para que o aluno se sinta acolhido”, afirmou o diretor, prestando também um reconhecimento às gestões anteriores que trabalharam continuamente para elevar o patamar acadêmico da unidade.

SEQ consolida diálogo entre Universidade e mercado

Após a solenidade, a programação da SEQ 2026 deu início à sua primeira atividade, a palestra “Pesquisa e Inovação no Grupo L’Oréal – Institucional, Sustentabilidade, Oportunidades e Desafios”, proferida pela diretora científica da L’Oréal Brasil, Verônica Oliveira, e pelo diretor de pesquisa avançada, Túlio Ceretta.

Representantes da L’Oréal Brasil realizaram a primeira palestra da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)


A Semana da Escola de Química já faz parte do calendário acadêmico da Escola de Química, contando com uma média de 1.000 inscritos todos os anos. Abrangendo diversas áreas de interesse, com a participação de palestrantes reconhecidos nacionalmente e empresas atuantes no mundo inteiro, o planejamento e a execução da SEQ são liderados pela diretoria, professores e pelo Diretório Acadêmico da Escola de Química (Daeq). A programação completa das atividades pode ser conferida no site oficial do evento.

Escola de Serviço Social da UFRJ empossa nova diretoria em solenidade marcada por afeto e representatividade

O auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Praia Vermelha, foi palco, na sexta-feira, 21/8, de uma emocionante cerimônia de posse da nova diretoria da instituição. Com o auditório ornamentado e repleto de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados, a professora Gracyelle Costa Ferreira assumiu o cargo de diretora, tendo ao seu lado o professor Luis Eduardo Acosta como vice-diretor.

A solenidade, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, marcou a transição da gestão liderada anteriormente pelos professores Ana Izabel Moura de Carvalho e Guilherme Silva de Almeida. Também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira.

Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho resgatou a história da Escola de Serviço Social, iniciada na década de 1930, ainda na Universidade do Brasil, consolidando-se como referência intelectual nacional e internacional. Medronho homenageou os professores eméritos José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho, reafirmando que a excelência acadêmica não se dissocia do compromisso prático com a sociedade.

Reitor Roberto Medronho participou da cerimônia na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

“Nossa missão não é formar técnicos para o mercado de trabalho, é formar cidadãos para transformar o mundo. Dirigir uma unidade universitária é assumir a responsabilidade de cuidar das pessoas, defender a pluralidade, promover o diálogo e, ao mesmo tempo, preservar a inquietação intelectual que faz uma universidade avançar”, destacou o reitor.

Despedida emocionada dos ex-diretores 

Os diretores que estão deixando a gestão da ESS expressaram profunda gratidão pela jornada à frente da instituição. O professor Guilherme de Almeida destacou o papel fundamental dos técnicos administrativos e recorreu à poesia de Cora Coralina para resumir o sentimento de dever cumprido: “O que vale da vida não é o ponto de partida, e sim nossa caminhada”.

Mesa de honra da cerimônia de posse na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Por sua vez, a professora Ana Izabel relembrou os desafios cotidianos e o esforço constante para fortalecer o trabalho coletivo. Citando o educador Paulo Freire, ela enfatizou que “não há educação sem amor”, desejando pleno sucesso aos novos gestores.

Os desafios e as bandeiras da nova gestão

O novo vice-diretor, Luis Eduardo Acosta, destacou sua origem uruguaia e sua vinculação histórica à tradição da reforma universitária de Córdoba. Acosta evocou o pensamento de Álvaro Vieira Pinto, professor histórico da casa, para defender uma universidade que olhe continuamente para os trabalhadores e setores populares que ainda não conseguiram nela ingressar. Ele também alertou para os desafios da “revolução cognitiva” provocada pela inteligência artificial e afirmou que a tecnologia deve ser capitaneada a favor da humanidade e não contra ela.

Gracyelle Costa Ferreira assinou o termo de posse como nova diretora da ESS da UFRJ | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

A nova diretora, Gracyelle Costa Ferreira, compartilhou uma memória marcante de sua caminhada. Em 2025, ao subir as escadas do auditório, ouviu de um trabalhador terceirizado que ela seria a próxima diretora da Escola. Na época, ela sorriu e recusou a ideia, mas a lembrança daquele momento a fez refletir sobre a força coletiva da comunidade escolar, que engloba docentes, técnicos, estudantes e terceirizados. Gracyelle prestou homenagem às suas ancestrais, mulheres trabalhadoras domésticas a quem foi negado o direito à alfabetização, e afirmou com orgulho ser produto direto das políticas de ações afirmativas na graduação. 

“Nós apostaremos na esperança como a práxis coletiva que transforma a escuta em planejamento, que transforma o planejamento em ação compartilhada e ação em aprendizado e construção propositiva. Essa esperança coletiva é maior do que uma equipe de gestão. Ela se concretiza através de vocês, através de nós, porque pessoas que aceitam assumir este ciclo aceitam junto também reafirmar a defesa de uma universidade pública, popular, fundada nos direitos e defendendo os seus direitos mais profundos no que envolve a democracia e os direitos humanos e sociais. É por isso que defender a Escola e o serviço social é também defender a capacidade da UFRJ de responder aos grandes problemas e desafios nacionais”, disse Gracyelle.

Homenagens da comunidade acadêmica

O encerramento da solenidade foi coroado por um momento de emoção, conduzido por aqueles que representam a própria razão de ser da instituição.  O estudante Ezequiel subiu ao palco para presentear a nova diretora com o poema “Flores para você”. Ele dedicou os versos a quem, segundo suas palavras, o incentivou a seguir em frente e a continuar caminhando quando parecia não haver mais saída. 

A nova diretoria da ESS foi homenageada por alunos e ex-alunos | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Logo em seguida, a assistente social Cristiane, que trilhou toda a sua trajetória acadêmica na Escola, da graduação ao mestrado, e hoje atua na instituição após ser aprovada em concurso público, tomou a palavra. Relembrando com carinho que o vice-diretor Luiz Acosta foi seu professor na graduação e que a nova diretora é uma “colega de trabalho incrível”, Cristiane expressou os sentimentos de toda a comunidade acadêmica. Em nome dos técnicos administrativos, docentes e estudantes, ela desejou à nova gestão uma caminhada repleta de energia, esperança, renovação, compromisso e afeto. Os participantes ainda caíram no samba no final da cerimônia, com a presença de uma bateria que animou o público.

Com uma equipe de gestão motivada, a Escola de Serviço Social da UFRJ inicia este novo capítulo reafirmando seu papel histórico de defesa dos direitos sociais e humanos no Brasil.

UFRJ inaugura Laboratório de Microplásticos do IMA

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 20/8, a inauguração oficial do Laboratório de Microplásticos do Instituto de Macromoléculas Professora Eloísa Mano (IMA), no  Centro de Tecnologia (CT). O projeto inovador chama a atenção não apenas pelo seu impacto científico, mas também por sua criatividade e sustentabilidade estrutural: o laboratório funciona integralmente dentro de um contêiner adaptado, doado à Universidade.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos. Com exceção das bancadas de trabalho e dos novos instrumentos científicos adquiridos, toda a sua estrutura interna e mobiliário foram reaproveitados de outros espaços. Para o financiamento da montagem e a modernização do laboratório, os pesquisadores captaram recursos especiais do CIP (Custo Indireto de Projeto), verba proveniente de projetos na área de petróleo destinados ao desenvolvimento de laboratórios acadêmicos.

Durante a cerimônia, no auditório do IMA, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a importância das atividades que serão desenvolvidas no laboratório, e trouxe uma perspectiva epidemiológica alarmante, apontando que a poluição por plásticos e microplásticos ultrapassou as barreiras ecológicas e consolidou-se como um grave desafio de saúde pública. Medronho recordou que partículas microscópicas de micro e nanoplásticos já foram identificadas em diversos tecidos e fluidos humanos, motivando uma convocação por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) para investigações científicas profundas sobre os impactos dessa exposição a longo prazo.

Reitor visitou as instalações do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Poucas instituições estão tão naturalmente vocacionadas para enfrentar esse problema como o nosso IMA. Este laboratório deve ser o lugar para compreender o problema e, sobretudo, para criar soluções inovadoras para identificar e quantificar microplásticos, compreender sua degradação e seus efeitos, desenvolver novos materiais, aperfeiçoar o processo de reciclagem e de economia circular, reduzir a geração de resíduos, apoiar políticas públicas públicas, transferir tecnologia e dialogar por empresas, governos e sociedade”, destacou Medronho.

Pesquisa prática, monitoramento e economia circular

No cotidiano das atividades laboratoriais, o novo espaço exercerá um papel amplo no monitoramento ambiental do Rio de Janeiro. Segundo a diretora do IMA, Maria Inês Bruno Tavares, a equipe se dedicará a identificar e caracterizar microplásticos na areia das praias, na água do mar, na Baía de Guanabara, em águas engarrafadas e em alimentos de consumo diário.

O laboratório foi montado buscando máxima sustentabilidade e aproveitamento de recursos | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Paralelamente ao diagnóstico, o laboratório vai focar na pesquisa de mitigação de resíduos de descarte inadequado, com especial atenção ao isopor, amplamente utilizado em embalagens de refeições. A geração de microplásticos ocorre de forma indiscriminada pela população, pela indústria e pelo comércio. Se nós reaproveitarmos, reutilizarmos e reciclarmos esses materiais, recorrendo inclusive à reciclagem mecânica ou à incineração quando não houver outra alternativa, conseguiremos minimizar o impacto”, explicou Maria Inês.

O legado de Eloísa Mano e a defesa da racionalidade científica

A cerimônia de inauguração foi permeada por emoção e homenagens à professora Eloísa Biasotto Mano, falecida em 2019, pioneira no estudo de polímeros no Brasil e fundadora do IMA. A decana do CT, Cláudia do Rosário Vaz Morgado, e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, lembraram o DNA de excelência e a união coletiva consolidados pela professora que resultam hoje no compromisso acadêmico de destaque da unidade. Completaram a mesa de honra da cerimônia os coordenadores do Laboratório de Microplásticos, Fernando Altino Medeiros Rodrigues e Paulo Sérgio Rangel Cruz da Silva.

Mesa de honra da cerimônia de inauguração do Laboratório de Microplásticos no IMA | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

UFRJ reinaugura espaço do Inova com foco em transformação social e integração científica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou na sexta-feira, 14/8, a reinauguração do Inova UFRJ, localizado no Parque HUB+, no Parque Tecnológico, na Cidade Universitária. O evento marcou a consolidação do espaço físico, ocupado desde janeiro de 2025, como um novo capítulo na estratégia de inovação da Universidade.

A Inova UFRJ é uma iniciativa voltada à aplicação e difusão dos múltiplos aspectos de transformação dentro da UFRJ. Entre suas atribuições, estão ainda o gerenciamento dos processos de proteção do conhecimento oriundos de pesquisas acadêmicas, o licenciamento de tecnologias e a promoção de parcerias entre empresas e a UFRJ, de modo que o conhecimento produzido na instituição possa, de fato, chegar à sociedade.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que a atual gestão está investindo pesadamente na área para garantir que a ciência e a tecnologia produzidas na Universidade se transformem em produtos e serviços tangíveis para a sociedade.

“É através da inovação que transformamos a ideia em produtos e serviços para que possamos desenvolver, do ponto de vista social e econômico, a nossa sociedade. Acredito que, quanto mais as pessoas souberem o que o Inova tem a oferecer, teremos muito mais produtos e serviços para disponibilizar à sociedade”, disse o reitor.

Reitor participou da reinauguração do Inova UFRJ, no Parque HUB+ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Na reinauguração, a Direção do Inova UFRJ apresentou um balanço das entregas operacionais nos últimos três anos, focando na otimização de processos por meio de dados.

O desenvolvimento de dashboards de patentes, calculadoras de contrapartida para compartilhamento de infraestrutura e o aplicativo “Polaris” para valoração de ativos foram algumas das inovações apresentadas. Também foi possível observar dados do “Conecta UFRJ”, desenvolvido para facilitar o mapeamento das competências da UFRJ. Programas de empreendedorismo também ganharam destaque, por meio de iniciativas como o “InovAÇÃO” e o “InovaSeed”, que fomentam desde ideias de alunos de graduação até projetos maduros em transição energética e saúde.

“O novo ambiente foi pensado para integrar diferentes saberes. A proposta central é construir “pontes” entre pesquisadores de bancada e áreas como artes e comunicação, promovendo a colaboração interdisciplinar. A ideia realmente é fazer as pessoas se conhecerem, e quem não conhece o nosso espaço passar a frequentá-lo”, explicou a diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel.

A diretora do Inova UFRJ, Daniela Uziel | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Olhando para o futuro, Uziel manifestou o desejo de fomentar eixos temáticos, como parkinson e acessibilidade, para unir expertises moleculares, mecânicas e elétricas de diferentes unidades da UFRJ em torno de desafios comuns.

A cerimônia contou ainda com apresentações dos óculos de realidade virtual, com a professora Cátia Marciel, na sala Sala de Descompressão, e da Partitura Encenada, com o professor Lenini Vasconcelos, na sala Arena.

Belita Koiller recebe título de professora emérita da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta sexta-feira, 7/8, o título de professora emérita à docente titular aposentada do Instituto de Física (IF) Belita Koiller. A homenagem, oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), ocorreu na sexta-feira, 7/8, no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A iniciativa institucional visa ao reconhecimento de mais de cinco décadas de contribuições singulares de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas.

Além da homenageada, a mesa de honra, presidida pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, teve a seguinte composição: o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor do IF, Bruno Souza de Paula; e o professor emérito Luiz Davidovich, orador da solenidade e um dos integrantes da comissão de honra, que acompanhou a entrada da docente na cerimônia. Juntamente com ele, estiveram os professores do IF Érica Macedo, Eduardo Fraga, Rodrigo Capaz e Thereza Lacerda.

O título reconhece mais de cinco décadas de contribuições e dedicação de Belita à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

A trajetória de Belita na UFRJ teve início em 1994, quando ingressou no corpo docente. De lá para cá, ela também exerceu funções de liderança acadêmica na Universidade, incluindo a direção do IF. Graduada em Física pela PUC-Rio, concluiu o doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1975. Com mais de uma centena de artigos científicos publicados, a professora tornou-se referência internacional na área de Teoria da Matéria Condensada. Atualmente, suas pesquisas concentram-se no comportamento quântico de sistemas eletrônicos e em sua aplicação no desenvolvimento de dispositivos quânticos. 

Ao longo da carreira, a docente recebeu diversas distinções da comunidade científica. Em 1982, foi contemplada com a Guggenheim Fellowship, que lhe permitiu desenvolver pesquisas nos Estados Unidos.  Em 1995, tornou-se a primeira mulher eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Físicas. Dez anos depois, foi agraciada com o International Award for Women in Science, em reconhecimento à relevância de sua produção científica.

Entre outras honrarias, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2010), foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da Academia de Ciências da América Latina, além de conquistar a Medalha Ângelo da Cunha Pinto (2021) e o Prêmio Joaquim Costa Ribeiro da Sociedade Brasileira de Física (2025).

Além de exaltar o rigor acadêmico da homenageada durante a cerimônia, Cássia Turci pontuou o compromisso de Belita com a infraestrutura da Universidade, mencionando sua persistência na construção do novo prédio do Instituto de Física, e celebrou seu entusiasmo inabalável pelo ensino e pelo sentimento de pertencimento à instituição, o que a torna uma figura brilhante e generosa na história da ciência brasileira.

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e a homenageada, Belita Koiller | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“A presença da Belita no Instituto de Física não só incentivou o desenvolvimento de muitos projetos de pesquisa, mas também atraiu nossos jovens, principalmente as meninas, para a área de ciência. Belita não perde o entusiasmo, a dedicação para com a universidade. Valores que nós precisamos, de fato, incentivar aqui. A empatia e a preocupação em você preparar uma boa aula para os nossos estudantes, que são a nossa maior razão de ser”, disse Turci.

Em sua saudação, o professor Luiz Davidovich ressaltou que o título concedido a Belita simboliza que a Universidade se tornou “maior e melhor” por meio de seu trabalho e exemplo, integrando-a permanentemente à história da instituição. Relembrou a trajetória compartilhada desde os tempos de graduação na PUC-Rio e destacou o pioneirismo e a coragem de Belita ao enfrentar o doutorado em Berkeley como a única mulher de sua turma. Ele enfatizou que essa determinação em ocupar espaços majoritariamente masculinos, aliada a uma curiosidade científica sempre renovada, permitiu que ela construísse uma carreira brilhante, marcada pela sensibilidade em identificar e formular as questões científicas que realmente importam.

Além da excelência acadêmica, o orador exaltou a obra científica ampla e original da homenageada, especialmente suas contribuições fundamentais na área de computação quântica, que uniram de forma indissociável a ciência básica à inovação tecnológica.

Belita Koiller e o professor Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“Belita defendeu a qualidade da ciência, a internacionalização da pesquisa brasileira, a formação de novas gerações e a construção de instituições sólidas. Defendeu também, com firmeza, a igualdade e oportunidades para as mulheres na ciência. É uma cientista de grande rigor intelectual, uma colega solidária e interlocutora generosa. Sua franqueza é conhecida por todos. Não evita os debates difíceis e não se acomoda diante de ideias estabelecidas; sua firmeza nasce sempre de um compromisso profundo com a ciência, com a universidade e com os colegas”, afirmou Davidovich.

O diretor do IF, Bruno Souza de Paula, enfatizou a dedicação de Belita ao coletivo, lembrando que ela exerceu a Direção do Instituto em um período especialmente desafiador: durante a pandemia de covid-19. Além disso, ressaltou sua contribuição acadêmica administrativa como coordenadora, por duas vezes, do curso de pós-graduação em Física.

Em vez de seguir o protocolo de um discurso formal, Belita Koiller optou por ministrar o que chamou de “seminário”, utilizando sua experiência didática para explicar as bases da física que permitem as tecnologias modernas. Tratou desde a evolução do átomo e da matéria, passando pela história dos semicondutores, da amplificação de sons e sinais, da criação de computadores portáteis, até falar do futuro na computação quântica.

Título foi concedido em cerimônia no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“É muito gratificante ter esse reconhecimento, que eu não sei se mereço, mas também tem a parte triste que diz que é o fim de uma carreira. Me lembro do fato de eu ter vindo da PUC, onde as condições físicas eram excelentes. Sempre quis trazer para cá o mesmo conforto e dignidade que eu tinha em uma instituição particular. Sempre tentamos melhorar e acho que conseguimos. Nossas instalações estão cada vez melhores e hoje também está mais feminino”, ressaltou Belita.

UFRJ recebe comitiva russa para ampliar cooperação científica e tecnológica

Uma comitiva do governo da Rússia foi recebida na quinta-feira, 6/8, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O encontro, realizado na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria na Cidade Universitária, foi organizado pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais (SGRI) da UFRJ e teve como objetivo estreitar a cooperação e fortalecer parcerias em áreas estratégicas como engenharia naval, tecnologia oceânica, pesquisas climáticas e exploração de recursos naturais.

Durante a reunião, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reforçou o papel da Universidade como parceira estratégica no desenvolvimento de projetos conjuntos no âmbito do BRICS, agrupamento político-diplomático e econômico de países emergentes, e destacou a urgência da defesa de um mundo multipolar, fundamentado no respeito mútuo e na ausência de hierarquias entre as nações. 

Comitiva foi recebida na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

“Estamos muito entusiasmados com a possibilidade de nossos pesquisadores interagirem com as tecnologias apresentadas. É um momento histórico em que precisamos aprofundar ainda mais os nossos laços na nossa cooperação científica, tecnológica e na área de inovação”, disse Medronho.  A visita culminou em um convite oficial: a Universidade Estatal de Moscou (Lomonosov) anunciou que concederá o título de Doutor Honoris Causa ao reitor da UFRJ em sua próxima visita à Rússia. 

Reunião foi organizada pela Superintendência-Geral de Relações Internacionais da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

A infraestrutura da UFRJ e a vanguarda em setores como engenharia e exploração submarina foram elogiadas por Nikolai Platonovich Patrushev, assessor do presidente da Rússia, que também é presidente do Conselho Marítimo da Federação da Rússia. Ele classificou o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação  e Pesquisa de  Engenharia (Coppe/UFRJ)  como um instrumento único para a indústria e peça fundamental para o desenvolvimento da construção naval e a exploração de depósitos marítimos. Patrushev ressaltou que a combinação entre ciência fundamental e desenvolvimento aplicado faz da Universidade uma parceira natural para o setor industrial, sugerindo a ampliação da cooperação com as universidades russas.

“No território da UFRJ existe o Parque Tecnológico, onde as escolas da Engenharia trabalham em ligação estreita com as esferas petrolífera e de energia do Brasil. Existem também as divisões de pesquisa que tratam das questões de exploração de depósitos de alta profundidade e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para a Marinha. Tal combinação é fundamental para elaborações práticas e cria base para o treinamento de especialistas que hoje trabalham nos estaleiros e escritórios de engenharia e institutos de pesquisa do Brasil”, afirmou Patrushev.

O diretor do Instituto Pan-Russo de Pesquisa Científica da Pesca e Oceanografia, Kirill Viktorovich Kolontchin, e o assessor do presidente da Rússia, Nikolai Platonovich Patrushev | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

Os representantes da delegação russa destacaram ainda parcerias tecnológicas com o Instituto Kurchatov, apresentando veículos subaquáticos tripulados, além do Projeto Elena, que desenvolve usinas nucleares para fornecer energia a áreas remotas. As discussões técnicas também focaram no desenvolvimento de robótica autônoma e no uso de materiais compósitos resistentes à corrosão para a indústria naval e de extração de petróleo.

Do lado brasileiro, as apresentações enfatizaram a expertise da UFRJ em recursos naturais e infraestrutura oceânica, com o professor Leonardo Borghi, coordenador do Laboratório de Geologia Sedimentar (Lagesed), detalhando as pesquisas em reservatórios do pré-sal, as tecnologias de sequestro de CO2 e a importância do intercâmbio cultural entre jovens, gesto simbolizado pela oferta de um atlas das jazidas brasileiras.

Leonardo Borghi, coordenador do Laboratório de Geologia Sedimentar | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ).

Complementando a visão técnica, o professor emérito de Estruturas Oceânicas e Engenharia Submarina da Coppe/UFRJ, também  diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Segen Farid Estefen, relembrou a influência histórica da Rússia na base do ensino naval brasileiro e manifestou interesse em parcerias com a Universidade Técnica Marítima de São Petersburgo e em colaborações no setor pesqueiro. Pela UFRJ,  ainda estiveram presentes na reunião:  Guilherme Antunes Ramos, da SGRI; a decana do Centro de Tecnologia (CT), Cláudia Morgado; e o professor do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da UFRJ, Fábio Krykhtine.

A comitiva russa reuniu, ainda, o embaixador Aleksei Kazimirovich Labetski, o Vice Ministro de Educação Superior e Ciências da Rússia, Konstantin Mogilevsky, além de autoridades da assessoria presidencial russa, do Ministério da Ciência e Ensino Superior e da Agência Federal de Pesca. No grupo estavam  também diretores do Instituto de Pesquisa Kurchatov, Instituto de Pesquisa de Pesca e Oceanografia da Rússia (Vniro) e do Instituto do Ártico e Antártida, executivos das empresas de logística Dalreftrans e UK Delo, além do intérprete Egor Sergachev. Após a reunião, a comitiva russa visitou as instalações do LabOceano.