Nova direção do Nides é empossada | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)
A posse da nova direção do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para a gestão 2026-2030, reuniu, na sexta-feira, 9/10, autoridades acadêmicas, servidores, estudantes e lideranças de movimentos sociais no Salão Nobre do Centro de Tecnologia (CT). O ato marcou a transmissão de cargo do professor Felipe Addor para o técnico-administrativo em Educação (TAE) Flávio Chedid, acompanhado pelo professor Paulo Cézar Maia na vice-direção.
Além dos novos empossados, a mesa de honra da solenidade foi composta pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora da Universidade, Cássia Turci; e pelo diretor da gestão 2022-2026, Felipe Addor.
Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da solenidade | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)
“O Nides expressa uma das mais importantes razões de ser da universidade pública: colocar o conhecimento a serviço da dignidade humana. Desenvolver tecnologias sociais significa contribuir para melhorar a condição de trabalho, fortalecer a autonomia das comunidades, proteger o meio ambiente e apoiar políticas públicas que ampliem os direitos e a qualidade de vida”, afirmou o reitor durante a solenidade.
Um dos pontos de destaque da cerimônia foi o significado institucional da posse de Flávio Chedid. TAE da UFRJ e com trajetória ligada a projetos de extensão como o Núcleo de Solidariedade Técnica (Soltec) da Universidade, ele enfatizou a importância de um técnico-administrativo em Educação assumir a direção de uma unidade acadêmica.
O novo diretor do Nides, Flávio Chedid Henriques | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)
“Felipe Addor conduziu o Nides nos últimos 8 anos, e manter o patamar de conquistas não vai ser nada fácil. Passamos de um para sete docentes, reformamos o Hangar, conquistando projetos que permitiam formar equipes”, lembrou o novo diretor do núcleo.
Entre os compromissos para o mandato, Chedid apontou a estruturação de uma nova sede para o Nides, o fortalecimento da integração com as demais unidades do CT e o andamento dos trâmites para a criação do doutorado em Tecnologia para o Desenvolvimento Social.
Balanço da gestão
Ao encerrar um ciclo de oito anos na direção e mais de duas décadas de atuação na UFRJ, o professor Felipe Addor fez um resgate histórico das origens do Nides, comentando sobre os momentos críticos enfrentados ao longo da gestão, como os cortes orçamentários e as restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Ele destacou o fortalecimento do trabalho coletivo a partir de 2022 e homenageou precursores eapoiadores do núcleo, como o professor Walter Suemitsu, o ex-reitor Carlos Levi, e o professor aposentado Sidney Lianza (o Sidão). Citou também projetos marcantes desenvolvidos, como o Tangará, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Centro de Formação em Economia do Mar (CFEcoMar), em cooperação com o Movimento Baía Viva.
Flávio Chedid Henriques e Felipe Addor | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)
Durante a solenidade, a nova direção prestou homenagem a Addor com a entrega de uma placa de agradecimento pelo seu empenho institucional.
Cássia Turci celebrou a diversidade da plateia e ressaltou o caráter inclusivo da cerimônia. A vice-reitora destacou ainda a relevância de manter um núcleo interdisciplinar focado em desenvolvimento social dentro do Centro de Tecnologia, aproximando a formação técnica das demandas humanas e consolidadas pela extensão universitária.
Sala de Sessões do Consuni, no edifício JMM | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acompanhou, em sessão ordinária realizada na quinta-feira, 8/10, uma apresentação do relatório de gestão da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), relativo ao período de julho de 2023 a setembro de 2026. Conduzida pelo pró-reitor João Ramos Torres de Mello Neto, a exposição ofereceu um diagnóstico detalhado que combinou conquistas em inovação, governança e captação de recursos externos com uma preocupação sobre o estrangulamento financeiro imposto pelas agências de fomento à pesquisa no país.
A reunião do Conselho aconteceu na Sala de Sessões do Consuni, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM), na Cidade Universitária.
Avanços em governança, apoio a laboratórios e inclusão Durante a prestação de contas, o pró-reitor destacou o fortalecimento de mecanismos de apoio à pesquisa dentro da instituição. Entre os marcos apresentados, esteve a consolidação do edital do Programa de Apoio a Docente Recém-Doutor Antônio Luiz Vianna (ALV), direcionado ao financiamento de projetos de jovens doutores e docentes, com incentivo especial à inteligência artificial, cujo investimento saltou para R$ 1,65 milhão com o aporte suplementar da Reitoria.
“Gostaria de destacar toda a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa pelo trabalho que vem desenvolvendo. E também parabenizar, em especial, o professor João que, pelo menos dos pesquisadores que conheço, é o único que tem quatro publicações com o atual prêmio Nobel da física”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.
Outro ponto foi o edital de laboratórios, que recebeu 314 propostas aptas e mobilizou uma demanda total de R$ 54 milhões em solicitações de infraestrutura. No campo normativo e administrativo, a PR-2 apresentou um pacote de resoluções e instruções normativas aprovadas no Conselho de Ensino para Graduados (Cepg) da UFRJ, incluindo a desburocratização e entrega digital de documentos acadêmicos, o fluxo de revalidação e reconhecimento de diplomas estrangeiros via Portal Carolina Bori, do Ministério da Educação, o regramento para o cadastro de docentes externos no Siga e a implementação da política de ações afirmativas na pós-graduação, com procedimento de heteroidentificação e registro formal das formas de ingresso.
O pró-reitor de de Pós-Graduação e Pesquisa, João Ramos Torres de Mello Neto | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
O pró-reitor também esclareceu a adesão institucional da UFRJ ao sistema do Programa de Governança Colaborativa de Informações da Pós-Graduação (GoPG) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), projetado para simplificar a prestação de dados pelos coordenadores de pós-graduação e reduzir a sobrecarga no sistema Sucupira.
Liderança científica nacional, captação e comunicação pública Mesmo diante do acirramento da competição nacional, os números da UFRJ mantêm a instituição em posição de destaque no cenário acadêmico. A Universidade lidera dez redes de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), articulando centenas de pesquisadores em todo o país, além de ostentar a marca de segunda universidade brasileira com maior captação de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) nesta década. Na internacionalização, destaca-se a coordenação da Rede Diálogos Globais, com orçamento de R$ 71 milhões no âmbito do Programa Institucional de Internacionalização (Capes-PrInt), e a aprovação de projetos internacionais na Universidade em Rede do Brics (Brics NU).
UFRJ lidera dez redes de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia | Foto: Divulgação (Consuni/UFRJ)
João Mello enfatizou também o sucesso de projetos de divulgação e valorização da ciência, como a RevistaMinerva e o 3 Minutos de Tese (3MT), concurso que alcançou mais de 1,9 milhão de impressões no YouTube. As iniciativas foram fundamentais no combate à desinformação e na aproximação da sociedade com o conhecimento produzido na UFRJ. O pró-reitor também destacou o lançamento do dashboard da PR-2, plataforma de transparência com dados abertos sobre programas, docentes, alunos e indicadores de impacto.
Alerta para a queda das bolsas e do pós-doutorado
Durante a apresentação, foram projetados os dados de fomento às bolsas de formação e pesquisa. O relatório apontou uma retração contínua das cotas concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre 2015 e 2023, com perdas de 62% nas bolsas de mestrado e 52% nas de doutorado. A situação mais grave, segundo o pró-reitor, reside nas bolsas de pós-doutorado na UFRJ. “O pós-doutorado na UFRJ em termos de bolsa saiu de 460 pós-doutores em 2015 para 90 em 2025. Isso é o massacre da serra elétrica, é realmente estarrecedor esse número”, denunciou João Mello.
Apresentação foi realizada durante sessão do Consuni | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Em resposta, os conselheiros expressaram apoio ao pró-reitor, rebatendo críticas externas sobre a redução de bolsas e destacando que os cortes decorrem das políticas de órgãos federais de fomento, além de celebrarem os esforços de resistência e a excelência científica da PR-2.
Cerimônia foi realizada na Sala Copacabana, do gabinete da Reitoria | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na segunda-feira, 28/09, o título honorífico de professor emérito a Paulo Antônio de Souza Mourão, em cerimônia realizada na Sala Copacabana, do gabinete da Reitoria. A solenidade homenageou a trajetória de mais de quatro décadas do pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) e reuniu dirigentes da instituição, familiares e membros da comunidade acadêmica. A proposta, apresentada pelo IBqM, foi aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Universitário (Consuni) da Universidade.
Com uma trajetória acadêmica de elevada distinção, Paulo Mourão graduou-se em Medicina e concluiu o doutorado em Biologia Molecular em 1975 pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Sua qualificação internacional consolidou-se durante o pós-doutorado no Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos (1979-1980). Na UFRJ, onde ingressou como docente em 1981, atuou como professor titular entre 1992 e 2025, somando 45 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa científica.
Mourão tornou-se referência internacional na área de glicobiologia, com a publicação de aproximadamente 240 artigos em periódicos, três livros e cinco capítulos, além do financiamento contínuo de agências de fomento como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Mizutani Foundation, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico e a soberania científica nacional traduz-se no registro de 10 patentes. No âmbito do ensino e da formação de recursos humanos, orientou 36 teses de doutorado e 40 dissertações de mestrado, mantendo-se plenamente ativo mesmo após a aposentadoria, com orientações em andamento e a coordenação de projetos de pesquisa.
Paulo Mourão e o reitor Roberto Medronho | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
“Conferir este título ao professor Paulo Mourão é um certificado da excelência da UFRJ e uma demonstração de que a ciência é vida. Precisamos cada vez mais de pessoas como ele: de uma simplicidade enorme, um carinho com as pessoas e uma visão disruptiva. Seja muito bem-vindo ao nosso panteão de glória, que são os nossos eméritos. Seu nome agora está inscrito com pena de ouro na história desta universidade centenária”, destacou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.
A excelência do percurso de Paulo Mourão é chancelada por honrarias como a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, o título de Fellow da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, a membresia titular na Academia Brasileira de Ciências (ABC) e na Academia Mundial de Ciências (TWAS), a ex-presidência da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) e a atuação nos Comitês de Produtos Biológicos das Farmacopeias Brasileira e Americana. Destaca-se ainda a criação e coordenação do Laboratório de Tecido Conjuntivo no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), projeto pioneiro de integração entre a ciência básica e a medicina clínica que busca equilibrar a pesquisa fundamental e aplicada com impacto direto na saúde e na soberania farmacêutica do país.
A decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ, Avany Fernandes Pereira, enfatizou o orgulho do centro universitário com a outorga do título. Segundo a professora, a honraria vai além da formalidade regimental, configurando um ato de congraçamento de carreira e de vida. Avany ressaltou que, para além do incontestável mérito científico e do denso currículo acadêmico, o percurso de Paulo Mourão destaca-se como um modelo de defesa democrática e de compromisso social.
Em seu pronunciamento, o professor Paulo Mourão expressou profunda gratidão ao IBqM, ao CCS e ao Consuni, compartilhando a homenagem com os estudantes, pós-doutorandos, pesquisadores e técnicos que colaboraram em seus projetos. O cientista afirmou que a construção científica depende essencialmente do trabalho coletivo. Ao fazer uma retrospectiva de sua carreira, destacou o sentimento de liberdade que encontrou ao chegar à UFRJ e relembrou a transferência de seu laboratório para o HUCFF e como a crise internacional da heparina impulsionou uma nova linha de pesquisa de grande impacto regulatório e tecnológico, integrando a ciência básica à prática clínica.
Paulo Mourão é o novo professor emérito da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
“Não tenho nenhuma vergonha em dizer ‘não sei’, pois a construção científica é um trabalho essencialmente coletivo e depende da ajuda de todos. Fiquei muito honrado com o título, mas recebo esta homenagem como um recado da Universidade de que estamos lhe concedendo um tempo a mais, tendo o desafio de continuar trabalhando, inovando e avançando em nossos projetos”, disse o novo professor emérito da UFRJ.
Ao projetar o futuro, Mourão afirmou que a honraria representa um verdadeiro desafio para continuar produzindo e transformando a Universidade. Nesse sentido, destacou sua atual coordenação de um novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em glicobiologia, voltado para o avanço na inovação de medicamentos, o apoio a grupos de pesquisa em todo o país e o aprimoramento do ensino de graduação.
O LRAP, vinculado à Coppe, recebeu a visita do reitor e da chefe de gabinete da Reitoria da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, e a chefe de gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, realizaram uma visita institucional, na sexta-feira, 25/9, ao Laboratório de Recuperação Avançada de Petróleo (LRAP), vinculado ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe). Durante o encontro, as lideranças universitárias percorreram as instalações experimentais do laboratório e conheceram os projetos científicos desenvolvidos em parceria com a indústria de energia. Além disso, ocorreu a apresentação formal do Centro de Excelência em Reservatórios e Meios Porosos (Ceres). A iniciativa foi idealizada para consolidar uma infraestrutura multidisciplinar e multiusuária focada em investigação experimental, imageamento avançado e tecnologias voltadas à transição energética e ao armazenamento geológico de CO₂.
A primeira unidade visitada foi a Sala de Rocha Digital, coordenada pela pesquisadora Mayra Santos, recentemente aprovada em concurso para docente da UFRJ. O local é equipado com um microtomógrafo multirresolução capaz de operar desde a escala de tomografia médica até a alta resolução micrométrica, permitindo visualizar detalhadamente a estrutura porosa das rochas. O grande diferencial do setor consiste no imageamento dinâmico com injeção simultânea de fluidos (água salgada e óleo), possibilitando medir ângulos de contato em 3D, analisar a molhabilidade e testar diferentes métodos de recuperação avançada de petróleo.
Microtomógrafo multirresolução é utilizado na Sala de Rocha Digital | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
“Estamos construindo um legado muito importante. Já possuímos um grande laboratório na parte de rocha digital, mas a tendência agora, com os novos projetos, é ter um aumento exponencial da capacidade de imageamento. Nosso trabalho também pode ser aplicado em diferentes áreas. Conseguimos ajudar, no caso de fósseis, como aconteceu depois do acidente no Museu Nacional, quando tentamos ajudar a obter a imagem tridimensional de um fóssil para análise”, explicou Mayra.
Os visitantes puderam conhecer também o laboratório de petrofísica de fenômenos de interface, liderado pela Química da UFRJ, Ágatha Francisco. A unidade dedica-se ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a produção de petróleo, utilizando o CO₂ para otimizar o fator de recuperação dos reservatórios. Por meio de um analisador em forma de gota e medições de ângulo de contato, a equipe avalia a tensão interfacial entre água, óleo e rocha sob diferentes pressões e temperaturas. O setor destaca-se na determinação da pressão mínima de miscibilidade (MMP), parâmetro essencial para que as empresas identifiquem se o escoamento no reservatório ocorre em regime miscível e maximizem a produção.
A química da UFRJ, Ágatha Francisco, que lidera o laboratório de petrofísica de fenômenos de interface, apresentou o local | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
O reitor e a chefe de gabinete da UFRJ conheceram, posteriormente, o laboratório de Core Flooding, que realiza testes de escoamento em amostras reais de rochas extraídas dos reservatórios petrolíferos. O espaço conta com estufas que simulam com precisão as condições reais de pressão e temperatura do poço, permitindo medir a permeabilidade da rocha e gerar dados estratégicos para alimentar modelos de simulação em computador. A unidade dispõe ainda de micromodelos em lâminas, nos quais fatias microscópicas do meio poroso são impressas para permitir a observação visual direta do comportamento dos fluidos e aprisionamento de gases nos poros.
A última unidade visitada foi o laboratório de PVT (pressão, volume e temperatura), onde é realizado o mapeamento do comportamento termodinâmico de amostras de óleo sob variações de pressão e temperatura. Durante a subida do petróleo do reservatório até a plataforma, a queda de pressão provoca a transição de fase do líquido para o gás com transferência de massa. Fazer o mapeamento preciso desse processo é vital para que as operadoras dimensionem adequadamente o tamanho das plataformas e evitem falhas graves na estimativa de produção de poços marítimos.
Reitor e chefe de gabinete da Reitoria da UFRJ conheceram as atividades desenvolvidas no LRAP | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
“Eu fiquei absolutamente fascinado com o que é feito aqui no LRAP e, mais do que isso, além das questões relacionadas ao petróleo e ao escoamento, há a possibilidade de ampliar os horizontes e interagir com outros centros de pesquisa, como, por exemplo, a própria área da saúde. Então, eu saio daqui muito bem impressionado, porque esta é a UFRJ que a gente quer para a sociedade”, destacou o reitor, Roberto Medronho.
Criado em 2014, com o objetivo de investigar técnicas de recuperação avançada para maximizar a produção energética, o LRAP teve papel fundamental na consolidação da UFRJ na liderança científica internacional na área. “Hoje, só quem nos supera ainda é a Universidade do Wyoming, nos Estados Unidos. Com a inauguração de uma nova infraestrutura no início do ano que vem, tenho plena certeza de que vamos poder ter uma instalação única no mundo, que poderemos usar para formar pessoal”, explicou o coordenador do LRAP e professor da Coppe, Paulo Couto.
O coordenador do LRAP, Paulo Couto, conduziu a visita | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
Além de formar mestres, doutores e futuros docentes da própria Universidade, o docente explicou ainda que as pesquisas podem resultar em retorno socioeconômico para o país: “1% de aumento na produção de petróleo dos reservatórios do pré-sal pode gerar 8 bilhões de dólares de novos investimentos no mercado. As nossas pesquisas visam contribuir com esse aumento de produção, sempre objetivando que esses recursos sejam aplicados em prol da sociedade brasileira”, salientou Couto.
Solenidade foi realizada no auditório do Polo de Xistoquímica da UFRJ | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na sexta-feira, 25/9, as novas instalações do Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real (NQTR), localizado no Polo de Xistoquímica Professor Cláudio Costa Neto (PXQ), na Cidade Universitária. A cerimônia, realizada no auditório do PXQ, reuniu lideranças acadêmicas e do setor produtivo. A mesa de honra foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e composta pela vice-reitora, Cássia Turci; o gerente-geral de PDI em exploração e produção do Cenpes/Petrobras, Henrique Penteado; o coordenador do NQTR, João Francisco Cajaíba; e a diretora do Instituto de Química (IQ), Marlice Aparecida Sípoli Marques.
Em seu discurso, o reitor da UFRJ ressaltou o papel estratégico da ciência aplicada produzida na universidade pública e a relevância do desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias para o país. Medronho enfatizou que a instituição demonstra diariamente sua alta capacidade científica em cooperação com grandes empresas nacionais e defendeu a necessidade de um orçamento adequado para a Universidade.
“Este é um trabalho que mostra a força e a importância da ciência e da sua aplicação, a necessidade de procurarmos soluções próprias para resolver nossos problemas. A UFRJ precisa ser reconhecida por tudo o que faz e receber o orçamento adequado às suas necessidades. No mundo atual, ou nós desenvolvemos nossas próprias tecnologias e inovações, ou nós nunca seremos uma nação soberana”, disse o reitor.
O público presente pôde acompanhar um resgate histórico da trajetória do laboratório, realizado pelo professor João Francisco Cajaíba, que recordou as origens no Projeto Umbral, na década de 1980, concebido pelo professor emérito Cláudio Costa Neto. Durante a sua fala, o coordenador do NQTR destacou a evolução gradual da unidade, desde as primeiras instalações e as parcerias de pesquisa com a Petrobras até a consolidação de uma estrutura moderna focada em análises em tempo real, garantia de escoamento e novas frentes em geoquímica e saúde pública.
A inauguração também foi marcada por momentos de profunda emoção e reconhecimento ao legado acadêmico. A congregação do Instituto de Química anunciou a aprovação unânime da criação da Medalha Cláudio Costa Neto de Inovação, destinada a homenagear quem transforma conhecimento científico em desenvolvimento tecnológico. Durante a solenidade, foram entregues placas comemorativas de homenagem ao professor emérito Cláudio Costa Neto, patrono do PXQ, onde o núcleo está sediado, à professora emérita Hatsumi Nakayama e à pesquisadora da Petrobras Francisca do Rosário. A cerimônia contou ainda com a presença dos professores eméritos Luiz Antônio d’Ávila e Francisco Radler de Aquino Neto. Logo depois da solenidade, foi realizado um ato simbólico de inauguração e uma visita guiada aos laboratórios.
O professor emérito Cláudio Costa Neto participou do ato simbólico de inauguração das novas instalações do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
“É um momento muito especial estar podendo ver, assistir e ouvir tudo o que ouvi sobre o crescimento. Eu sempre disse que o que gratifica um professor é o que um aluno faz. Um bom aluno gratifica o professor. E essa gratificação chega hoje à inauguração deste superlaboratório, este nirvana, com uma maravilha de condições”, destacou Cláudio Costa Neto.
Visita guiada aos laboratórios do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real
O NQTR, vinculado ao Instituto de Química da UFRJ, atua na criação de metodologias analíticas, processos químicos e soluções tecnológicas para atender a demandas científicas e industriais complexas. Aliando pesquisa aplicada, inovação e formação de recursos humanos especializados, o centro estrutura suas atividades em quatro principais linhas de pesquisa: garantia do escoamento, voltada à prevenção, controle e simulação de problemas no transporte de fluidos; geoquímica orgânica, focada no estudo da origem e transformação da matéria orgânica em rochas e fluidos; química fina, dedicada à síntese de compostos de alto valor agregado para os setores farmacêutico, alimentício e agroquímico; e química, saúde e tabagismo, voltada à caracterização de produtos fumígenos e suas emissões para subsidiar ações de saúde pública e regulação.
Para operacionalizar essas pesquisas, o NQTR conta com uma infraestrutura de ponta que abrange técnicas de caracterização elementar e espectroscópica, análises térmicas, sistemas cromatográficos diversos, reatores automatizados e células de alta pressão e temperatura capazes de simular variadas condições de processos.
O grande diferencial do núcleo reside no fato de que, além de utilizar instrumentação comercial avançada, a equipe projeta e desenvolve seus próprios equipamentos, protótipos, sistemas de aquisição de dados e softwares para monitoramento físico-químico em tempo real. Essa capacidade integrada permite ao laboratório oferecer desde a caracterização de materiais e testes de inibidores até o desenvolvimento de metodologias sob medida em parcerias de pesquisa e desenvolvimento com órgãos de fomento e grandes empresas.
Encontro foi realizado no Gabinete da Reitoria | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, recebeu na sexta-feira, 18/9, no Gabinete da Reitoria, a cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, a embaixadora Joana Gaspar. O encontro, que teve como objetivo debater o avanço de parcerias institucionais, contou com a presença da superintendente de Relações Internacionais da UFRJ, Andrea Belfort, e do decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da UFRJ e presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), Flávio Alves Martins.
A pauta abrangeu desde temas como a mobilidade estudantil e parcerias em pesquisa avançada até o incentivo à cultura lusófona contemporânea. Durante a reunião, destacou-se o fluxo contínuo de estudantes entre os dois países. Segundo Joana Gaspar, atualmente há cerca de 280 jovens portugueses em mobilidade acadêmica pelo programa Erasmus no Rio de Janeiro, com grande procura pelos cursos da UFRJ.
“Recebemos muitos alunos de Portugal, e eles amam. Na UFRJ, eles conseguem conjugar o conhecimento intelectual com o conhecimento da cidade e uma experiência de vida fantástica. A Universidade está sempre de braços abertos para receber, em especial os nossos irmãos portugueses”, destacou o reitor da UFRJ.
Reunião debateu o avanço de parcerias institucionais | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Em contrapartida, universidades de cidades portuguesas como Lisboa, Porto e Coimbra continuam entre os destinos mais buscados por estudantes brasileiros. Para otimizar essa troca, a estrutura do consulado foi colocada à disposição da UFRJ para facilitar trâmites burocráticos de vistos e orientar os alunos sobre as melhores opções de mobilidade acadêmica em Portugal.
Outro ponto discutido foi o fortalecimento do ensino da literatura portuguesa no Departamento de Letras Vernáculas da UFRJ. O Consulado ofereceu seu programa de difusão cultural para aproximar os estudantes de expressões artísticas contemporâneas de Portugal, conectando os alunos a vertentes culturais atuais portuguesas, além do compartilhamento de boletins informativos e newsletters culturais para manter o corpo docente e discente informados sobre eventos e oportunidades no Rio de Janeiro.
“Para além da sua missão de apoio aos portugueses que residem ou visitam o Rio, os consulados têm também uma missão de promoção cultural. Temos um grande programa que inclui a vinda de autores e atores portugueses. Hoje em dia, é tão difícil motivar os alunos, não só para o estudo da literatura em geral, mas para estarem na sala de aula. Havendo interesse dos professores, poderíamos trazer à Universidade um escritor que venha ao Rio, um ator ou um professor convidado para uma aula especial”, disse a cônsul Joana Gaspar.
A cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Joana Gaspar, foi recebida no Gabinete da Reitoria da UFRJ | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
No campo da pesquisa, a reunião articulou ainda uma possível integração entre pesquisadores portugueses e o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) da UFRJ, para promover a colaboração na área de biologia molecular.
A diplomata portuguesa também abordou a repercussão em Portugal quanto à cassação do título de Doutor Honoris Causa, concedido, em 1941, a António de Oliveira Salazar. Os representantes da UFRJ esclareceram que a medida foi deliberada pelo Conselho Universitário (Consuni) a partir dos trabalhos conduzidos pela Comissão da Memória e Verdade.
Encontro foi realizado no Salão Nobre do Conselho Universitário | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
A Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reuniu-se na quinta-feira, 17/9, com o Conselho de Professores Eméritos em sessão focada na defesa da democracia, na segurança da comunidade universitária e no fortalecimento da comunicação institucional. Diante dos recentes acontecimentos no âmbito universitário, como o episódio de violência no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) e Instituto de História (IH), e uma ação intimidatória contra estudantes na Faculdade de Letras (FL), o encontro, realizado no Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), concentrou-se na formulação de propostas de curto e longo prazo para garantir a liberdade de expressão, a proteção nos campi e a valorização do conhecimento produzido pela Universidade.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que presidiu a reunião, destacou a sabedoria do corpo docente emérito para orientar a Administração Central. Antes da sua fala, o reitor apresentou o vídeo institucional concebido para reforçar que a Universidade é um espaço de ciência, educação, liberdade e debate democrático, ressaltando a importância de não transformar provocações em espetáculos. Também fez um breve diagnóstico da segurança universitária: falou da redução progressiva do quadro da Coordenação de Segurança (Diseg), por conta da aposentadoria, e da atuação da vigilância terceirizada, focada na proteção patrimonial. Além disso, informou a instauração de sindicância para a apuração dos fatos e destacou o diálogo contínuo mantido pelas direções de unidades com os centros acadêmicos e entidades representativas.
“A UFRJ não precisa de gritos para defender suas ideias, precisa de ciência, educação, políticas públicas consistentes, de financiamento contínuo e de democracia. Nós temos especialistas, os melhores do Brasil, aqui na nossa Universidade. A sociedade tem que sentir orgulho de ter uma UFRJ formando esses grandes brasileiros”, destacou Medronho.
Preservação da memória, orientação preventiva e propostas de ação
Durante o encontro, o professor emérito Ronaldo Lima ressaltou a importância da homenagem prestada pela UFRJ aos estudantes e professores mortos durante a ditadura militar e defendeu a realização de um seminário sobre memória e conhecimento. Para o docente, o resgate histórico é fundamental para evitar a repetição de ideologias autoritárias. Lima ponderou ainda que a busca pela paz deve vir acompanhada de firmeza institucional e atuação preventiva da segurança para conter provocadores nos espaços acadêmicos.
A professora emérita Ana Iwanicki endossou a relevância da cerimônia e apoiou a proposta levada pelo professor emérito Ricardo Medronho de confecção e afixação de cartazes como uma medida prática e preventiva para orientar a comunidade acadêmica diante de episódios de tensão.
Professores eméritos formularam propostas para garantir a liberdade de expressão e a valorização do conhecimento produzido pela Universidade | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
O professor emérito Antônio José Ledo dividiu suas propostas em de curto e longo prazos. Como medida emergencial, recomendou a divulgação de instruções diretas à comunidade, socializando um número telefônico de emergência da Diseg, orientando os estudantes a registrarem fatos sem confrontar agressores, além da emissão de notas oficiais curtas para evitar sensacionalismo.
Para o longo prazo, Ledo sugeriu consultar especialistas da Escola de Comunicação (ECO) para o desenvolvimento de um plano estruturado de divulgação e a abertura dos campi nos fins de semana para acolher a comunidade do entorno.
Difusão da produção universitária e acolhimento social
O professor emérito Luiz Bevilacqua defendeu uma postura ativa na comunicação da UFRJ, propondo transformar momentos de visibilidade em oportunidades para demonstrar a relevância científica e social da instituição: “É inacreditável a ênfase que se dá ao negativo, e a ignorância que se dá ao que é positivo”. Bevilacqua sugeriu que as decanias e unidades acadêmicas elaborem sínteses das pesquisas e contribuições desenvolvidas para que a sociedade conheça a dimensão do trabalho realizado pela UFRJ.
Comunicação e divulgação científica também foram pauta | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)
A vice-reitora, Cássia Turci, destacou a complexidade do ambiente social e defendeu a intensificação das ações de divulgação científica direcionadas aos jovens e ao público externo em linguagem acessível. Enfatizou ainda a necessidade de aprimorar os canais de comunicação para tornar transparente o papel exercido pela UFRJ no desenvolvimento do país.
“Precisamos aprimorar a nossa comunicação para que as pessoas saibam, de fato, qual é o papel da Universidade para um país como o nosso. Defendo uma divulgação científica que seja feita não somente para falar entre os pares, mas para a população, de uma forma bastante simples”, explicou Turci.
Os avanços dos veículos próprios de comunicação da UFRJ foram levados ao conhecimento dos participantes pela chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, que citou a atuação da Rádio UFRJ FM (88.9 FM) e a parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Universidade Federal Fluminense (UFF) para a implementação do canal de TV UFRJ.
Fabiana ressaltou que a Reitoria, em articulação com as unidades acadêmicas e a Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), promoveu uma agenda de eventos culturais e extensionistas na Faculdade de Letras, no Ifcs e em outras unidades como respostas pacíficas e culturais para integrar a comunidade universitária. A chefe de Gabinete destacou também a veiculação de conteúdos orientativos nas redes sociais institucionais para guiar os estudantes sobre como agir em situações de conflito.
Encontro foi realizado na Sala Copacabana | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu na quinta-feira, 10/9, a delegação do Centro Nacional de Tecnologia Educacional (NCET), órgão subordinado ao Ministério da Educação da China, para discutir o fortalecimento de parcerias focadas na transformação digital da educação, inteligência artificial e cooperação acadêmica. A reunião foi realizada na Sala Copacabana, no prédio da Reitoria, na Cidade Universitária.
Durante o encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou o compromisso da UFRJ com o aprofundamento das relações com os países do BRICS, enfatizando que a Universidade assinou mais de 30 acordos com instituições de ensino e pesquisa chinesas nos últimos dois anos. O reitor relembrou sua participação na Conferência Internacional de Educação Digital em Wuhan e citou o impacto global de inovações tecnológicas de baixo custo desenvolvidas por pesquisadores chineses, como o modelo de inteligência artificial DeepSeek.
“A transformação digital, a inteligência artificial e a crescente utilização de recursos educacionais digitais estão modificando profundamente a maneira como ensinamos, aprendemos, pesquisamos e formamos as nossas novas gerações. Nossa universidade entende que a inteligência artificial e as tecnologias digitais devem ser instrumentos para ampliar o acesso ao conhecimento, melhorar a qualidade de ensino e fortalecer a pesquisa”, disse Medronho.
O vice-diretor do NCET, Xiao Hang, e o reitor da UFRJ, Roberto Medronho | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Além do reitor, a reunião contou com a presença da superintendente de Relações Internacionais e diretora brasileira do Instituto Confúcio da UFRJ, Andrea Belfort; do assessor internacional do Gabinete da Reitoria para cooperação com a China e diretor da Escola de Química da UFRJ, Papa Matar; do diretor chinês do Instituto Confúcio da UFRJ, que também é diretor executivo do Instituto de Inovação Beihang no Brasil e vice-diretor do Centro Beihang Brasil, Jiang Quanhong; do vice-diretor do Centro Beihang Brasil, Diao Xungang; da professora do Instituto Confúcio da UFRJ, Carolina/He Luhong; além de professores do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) do Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ.
Encontro discutiu o fortalecimento de parcerias focadas na transformação digital da educação, inteligência artificial e cooperação acadêmica | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Do NCET, participaram o vice-diretor, Xiao Hang; o diretor do Departamento de Planejamento de Desenvolvimento e Pesquisa, Zhang Gang; o diretor do Departamento de Desenvolvimento de Educação Profissional, Zhao Lin; o diretor adjunto do Departamento de Desenvolvimento da Educação Profissional, Liang Senshan; e a diretora adjunta do Departamento de Desenvolvimento de Educação Continuada, Chen Lan.
Avanços na digitalização e educação inteligente na China
Representantes da delegação chinesa detalharam os resultados da Ação Estratégica Nacional de Digitalização da Educação, iniciada em 2022. Um dos principais pilares dessa iniciativa é a Plataforma Nacional de Serviços Públicos de Educação Inteligente, que disponibiliza conteúdos digitais para o ensino básico, médio, profissionalizante e superior, além de recursos para formação docente.
UFRJ assinou mais de 30 acordos com instituições de ensino e pesquisa chinesas nos últimos dois anos | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Até agosto de 2026, a plataforma alcançou a marca de mais de 170 milhões de usuários cadastrados e ultrapassou 79 bilhões de acessos. O sistema conta ainda com um módulo dedicado ao ensino de inteligência artificial para escolas de nível básico e uma aba voltada para a cooperação internacional.
“Sabemos que Brasil e China são países de dimensões continentais. Creio que temos muitas semelhanças com relação ao nível de aprendizagem. Tecnologia, educação, digitalização, educação de qualidade, proteção, educação pública e nível de acesso justo para toda a população são questões que nós podemos compartilhar e que esperamos uma cooperação com a UFRJ”, afirmou o vice-diretor do NCET, Xiao Hang.
O Lipe e a extensão universitária
Um dos momentos centrais da reunião foi a apresentação do Laboratório de Informática para Educação (Lipe), localizado no CT da UFRJ. A professora Fernanda Duarte, diretora adjunta de Extensão e Cultura da Escola Politécnica e integrante do Nides, mostrou as atividades desenvolvidas pelo laboratório, fundado em 1994 no Departamento de Engenharia Eletrônica e de Computação, e que atualmente conta com cerca de 40 membros, entre docentes, técnicos e alunos de graduação e pós-graduação.
A professora Fernanda Duarte apresentou o Lipe | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
A apresentação destacou o papel da extensão universitária do laboratório, que atua com base na metodologia “prática-reflexão-conceito”. Entre os projetos desenvolvidos ao longo de sua trajetória, estão cursos para estudantes indígenas de regiões remotas, atividades educacionais e tecnológicas para alunos de escolas públicas de nível fundamental e projetos de conscientização e reciclagem de lixo eletroeletrônico, visando aumentar a vida útil dos equipamentos e reduzir o impacto ambiental.
Após o encontro, os participantes realizaram uma visita técnica às instalações do Lipe, no CT. Representantes de ambas as instituições expressaram o desejo de avançar nas discussões e mapear projetos concretos de cooperação em tecnologias educacionais.
Celso Amorim recebeu o título em cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).
O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou a sessão solene que outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata e embaixador Celso Amorim. A homenagem, que representa o reconhecimento máximo da Academia a personalidades que prestaram contribuições excepcionais à ciência, cultura e humanidade, celebrou a trajetória de um homem público cuja vida se confunde com a própria história da política externa e da cultura brasileiras. A proposta para a concessão do título partiu do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e foi formulada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE).
A relação de Celso Amorim com a UFRJ carrega uma memória afetiva e histórica. Em seu discurso de agradecimento, o embaixador relembrou que ingressou no Instituto Rio Branco em 1963 e, na mesma época, prestou vestibular para o curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) da então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Contudo, com o golpe militar de 1964, o curso noturno foi extinto, inviabilizando as aulas com grandes intelectuais como Álvaro Vieira Pinto e José Américo de Almeida.
Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).
“Há cerimônias que nos honram por sua importância institucional, e há outras que, além disso, nos tocam de maneira muito especial. Esta é, sem dúvida, uma delas. Conceder o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ a Celso Amorim é reconhecer uma das mais importantes trajetórias da vida pública brasileira. Celso pertence a uma geração de homens públicos que compreendeu que servir ao Brasil significa, antes de tudo, acreditar no Brasil. Amorim sempre soube que uma nação não se afirma no mundo apenas pela força de sua economia ou pela dimensão territorial. Afirma-se também por sua cultura, sua identidade, pela capacidade de produzir ideias e pela coragem de defender seus próprios interesses”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante a homenagem.
As “Múltiplas Vidas” de Celso Amorim: Cinema e Diplomacia
A saudação oficial ao homenageado foi proferida pela professora emérita Andrea Daher, que traçou de forma poética as diferentes facetas e “vidas” vividas por Amorim. Daher destacou a precoce imersão de Amorim no cinema brasileiro, atuando como assistente de direção de Ruy Guerra no filme Os Cafajestes e, posteriormente, como diretor-geral da Embrafilme entre 1979 e 1982.
Celso Amorim sendo recebido na cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).
Na diplomacia, Amorim construiu uma carreira de múltiplas competências desde sua formatura no Instituto Rio Branco, em 1965. Atuou em postos em Londres, Washington e chefiou a missão brasileira junto ao Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Foi duas vezes ministro das Relações Exteriores (de 1993 a 1995 e de 2003 a 2011), ministro da Defesa (de 2011 a 2015) e, atualmente, atua como assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais.
A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta, comparou a vida pública de Amorim a viver dentro de um furacão. Ela pontuou os desafios das instituições multilaterais contemporâneas, como as pressões sobre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC, e destacou o papel do homenageado na consolidação de blocos como os Brics para desenhar um sistema internacional multipolar. Ruta trouxe uma curiosidade da juventude de Amorim: muito antes do cinema e do Itamaraty, o embaixador traduziu para o português o livro O Mágico de Oz, uma narrativa que começa justamente com a força de um furacão. “É difícil não ver nisso uma espécie de premonição literária das tempestades políticas que o embaixador Celso Amorim ainda atravessaria”, assinalou a coordenadora.
Desenvolvimento, Paz e Soberania Tecnológica
Durante a cerimônia, Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico, com a proliferação de conflitos mundiais. Dialogando com os conceitos dos pontífices Paulo VI, o embaixador propôs uma inversão necessária para o nosso tempo: “A paz é o novo nome do desenvolvimento”. Amorim também projetou os desafios éticos e geopolíticos da inteligência artificial, defendendo que o Sul Global precisa cooperar para que a tecnologia não se torne um novo instrumento de dominação seletiva.
Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).
“O Brasil não pode abrir mão da capacidade de diversificar parcerias. Devemos continuar dispostos a cooperar com todos os países, de todos os continentes, independentemente da sua orientação política. A tarefa principal da política externa hoje é assegurar uma posição altiva e soberana no novo equilíbrio global. A inserção nacional do Brasil passa necessariamente pela integração regional com a América Latina, em especial a América do Sul. Rejeitamos de maneira categórica a ideia de que a América Latina possa ser tratada como área de domínio de uma superpotência”, disse Amorim.
A Aliança com a África
A cerimônia contou com a apresentação artística do coral Brasil Ensemble UFRJ, dirigido pela professora Maria José Chevita Rezende. O grupo apresentou clássicos e encerrou com ÁfricaUnida, criação coletiva moçambicana regida por Feliciano Comé.
Coral Brasil Ensemble UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).
Roberto Medronho destacou a força simbólica dessa homenagem musical, lembrando que o repertório resgata um trecho de O Grito de Moeda, a primeira ópera moçambicana, que recria o histórico massacre de resistência colonial de 1960. Medronho aceitou o desafio de Amorim de estreitar ainda mais os laços acadêmicos com o continente africano, ressaltando com orgulho que a Universidade é embaixadora de ciência e educação da Associação das Universidades Africanas.
Além do reitor e do homenageado, também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a oradora e professora emérita da UFRJ, Andrea Daher; e a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.
Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026Cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim. Campus Praia Vermelha, UFRJ, rJ, 28/08/2026
Sérgio Fracalanzza recebeu o título no Quinhentão | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
O Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi cenário, na quinta-feira, 27/8, da solenidade de outorga do título de Professor Emérito a Sérgio Eduardo Longo Fracalanzza, docente titular aposentado do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG). A honraria celebra uma trajetória de 50 anos pautada pela relação entre o ensino de excelência, a pesquisa e a vocação para a gestão pública.
A indicação foi proposta pelo Departamento de Microbiologia Médica (DMM), aprovada por unanimidade pela Congregação do IMPG e chancelada pelo Conselho de Coordenação do CCS, culminando na aprovação final, por unanimidade e aclamação, pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ.
A mesa diretora da solenidade foi formada pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora, Cássia Turci; pela decana do CCS, Avany Fernandes Pereira; pela diretora do IMPG, Fernanda de Ávila Abreu; além da oradora oficial da cerimônia e professora do IMPG, Lúcia Martins Teixeira.
O homenageado com os componentes da mesa e da comissão de honra | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
“Algumas cerimônias acadêmicas celebram uma conquista, outras seguem uma trajetória. Mas algumas, como esta, celebram algo ainda maior: uma vida que se tornou parte da própria história da Universidade. É com esse sentimento de enorme alegria que saudamos a concessão deste título que não é um fim, não é um destino; é o início de uma nova jornada. A Universidade está declarando hoje que, a partir de agora, a sua trajetória passa a integrar de forma definitiva e permanente a própria história desta instituição”, destacou o reitor.
Uma vida dedicada à microbiologia, à docência e à gestão
Graduado em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Araraquara em 1973, Fracalanzza iniciou sua história na UFRJ em 1974. No início de seu mestrado, em 1975, assumiu o desafio da docência na instituição como auxiliar de ensino. Após uma breve passagem como professor assistente na Unesp entre 1978 e 1980, retornou definitivamente à UFRJ, onde concluiu seu doutorado em 1986, e se consolidou como uma das maiores referências do país em microbiologia médica.
Na pesquisa, Sérgio Fracalanzza foi pioneiro nacional no estudo de bactérias do gênero Streptococcus, com destaque para o Streptococcus agalactiae (estreptococos do grupo B), causador de infecções graves em recém-nascidos. Suas investigações científicas abriram portas para inúmeras colaborações pelo Brasil e resultaram em uma robusta produção científica, composta por mais de 60 artigos publicados e um livro. Como orientador e mentor, formou gerações de cientistas, liderando a conclusão de 11 dissertações de mestrado e 9 teses de doutorado, além de idealizar e coordenar a Coleção de Culturas do IMPG. Sua liderança científica também se estendeu nacionalmente, tendo presidido a Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) entre 1997 e 1999.
A honraria celebra uma trajetória de 50 anos | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
A trajetória do homenageado foi destacada pela oradora da cerimônia, Lúcia Martins Teixeira, que lembrou que a caminhada de Fracalanzza se confunde com a história da própria UFRJ. O novo professor emérito da instituição ocupou posições em praticamente todas as esferas de gestão, como a chefia do DMM, por múltiplos mandatos, entre 1986 e 2025; direção do IMPG entre 1994 e 1998, período em que capitaneou a criação do curso de bacharelado em Microbiologia e Imunologia, hoje um dos maiores polos formadores da área no estado; decania do CCS, entre 1998 e 2002; vice-reitoria e Reitoria da UFRJ entre 2002 e 2006 (eleito vice-reitor na chapa de Carlos Lessa, tendo assumido interinamente a Reitoria em 2003 com a ida de Lessa para a presidência do BNDES).
Durante seu pronunciamento, Fracalanzza revisitou suas cinco décadas de trajetória, destacando que ser professor sempre foi o seu verdadeiro “sonho de vida”. O homenageado expressou profunda gratidão aos milhares de estudantes com quem compartilhou salas de aula e laboratórios, e ressaltou que é no contato direto com os alunos e nas orientações que sua paixão pela ciência e pela didática verdadeiramente floresce.
Sérgio Fracalanzza sendo homenageado no Quinhentão | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
“É uma grande honra ter sido lembrado pela UFRJ depois de mais de 50 anos de trabalho, ter esse trabalho reconhecido, e eu posso garantir que toda a minha vida foi dedicada a construir uma Universidade melhor, contribuindo para o ensino público de qualidade e transformando todos os saberes aqui produzidos, em todas as áreas, em benefícios para a nossa comunidade”, disse Fracalanzza.
Para além dos números acadêmicos e cargos ocupados, o homenageado é reconhecido como um docente extraordinário e profundamente querido pela comunidade acadêmica. Sua empatia, compromisso ético e respeito ao corpo social refletem-se no número de convites para patrono, paraninfo e professor homenageado recebidos ao longo dos anos pelas turmas de graduação de Ciências Biológicas (Microbiologia e Imunologia), Farmácia e até do curso de Dança.