UFRJ firma parceria com Prefeitura de Porciúncula para estudo de cheias urbanas

Sob os alertas de chuvas intensas no estado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola Politécnica, firmou, na sexta-feira, 23/1, uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porciúncula e a Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) para o desenvolvimento de um estudo técnico de modelagem das cheias urbanas no município, a partir de um diagnóstico detalhado das inundações fluviais e urbanas. 

O projeto visa avaliar o funcionamento da drenagem urbana do município, o mais setentrional do estado do Rio, no qual estruturas usuais de macrodrenagem falham e os escoamentos pluviais afetam o centro da cidade, somando-se aos efeitos das cheias do Rio Carangola e seus afluentes. Esse contexto se torna ainda mais urgente diante dos eventos registrados em 2020 e 2021, quando graves inundações impactaram significativamente a região, afetando, respectivamente, 26% e 46% da população de Porciúncula. 

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria “não é meramente um ato administrativo”, mas “um compromisso com vidas humanas, com a prevenção, com planejamento urbano inteligente, com a ciência a serviço da sociedade”. Segundo ele, diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos, investir em estudos técnicos torna-se fundamental para prevenir problemas e proteger a população.

Medronho também enfatizou o caráter colaborativo da iniciativa. “A UFRJ não chega apenas para entregar um produto. Chega para construir com o município, com seus dados, suas equipes e sua realidade territorial. É um trabalho conjunto”, afirmou. Para ele, a troca entre universidade e cidade fortalece tanto a gestão pública quanto a formação acadêmica: “Nossos estudantes e pesquisadores aprendem com o desafio real, com a cidade viva e com a urgência do cotidiano”.

Já a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, defendeu a ampliação da presença da UFRJ no interior do estado, ressaltando a importância da troca entre universidade e municípios. “Quando a gente interage com as cidades e com a nossa comunidade, nós levamos conhecimento, mas também temos muito a aprender”, afirmou Cássia, que acredita que a aproximação fortalece os cursos de graduação, os programas de pós-graduação e gera benefícios diretos para toda a comunidade acadêmica.

Egresso da UFRJ, o prefeito de Porciúncula, Guilherme Fonseca Cardoso, por sua vez, destacou a relevância do acordo para o enfrentamento de um desafio histórico do município: as enchentes. Em sua fala, ele enfatizou a confiança na universidade pública brasileira e classificou a parceria com a UFRJ como um legado para as próximas gerações. “Confiar o futuro de Porciúncula a esse projeto é uma decisão importante. O histórico do município em relação às enchentes é muito dramático”, disse.

A cerimônia de assinatura do acordo entre as instituições, realizada no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT), contou, ainda, com a participação da vice-decana do CT, Maria Inês Bruno Tavares; da diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado; do coordenador do projeto, Marcelo Gomes Miguez; e do secretário municipal de Urbanismo de Porciúncula, Gabriel Gonçalves.

Evento aconteceu no Salão Nobre da Decania do CT | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Metodologia do estudo

O projeto prevê o desenvolvimento de um modelo hidrológico e hidrodinâmico capaz de simular os eventos de inundação e testar a efetividade de diferentes cenários de intervenção. A metodologia inclui o reconhecimento da área, a caracterização de chuvas intensas, simulações do sistema atual e de soluções propostas, além da integração com o ambiente construído e diretrizes para o planejamento urbano.

“O estudo pretende apresentar um conjunto de soluções para mitigação das inundações nas sub-bacias do Rio Carangola dentro do território municipal, avaliadas por meio de simulações matemáticas. As diretrizes adotadas se baseiam na abordagem de infraestrutura verde e azul, que considera o território na escala da bacia hidrográfica e organiza as intervenções a partir das conexões entre áreas de interesse ecológico e áreas urbanas, utilizando a própria rede hidrográfica como elemento estruturador do planejamento da paisagem e do projeto de controle de inundações”, explicou o coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez.

O coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

UFRJ firma parceria com SMS-Rio para implantação do Super Centro Carioca de Saúde Digital

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio) formalizaram, nesta quinta-feira, 22/1, uma parceria que permitirá a implantação do Super Centro Carioca de Saúde Digital, com serviço de telessaúde nas áreas de cardiologia, ginecologia, neuropediatria, ortopedia e otorrinolaringologia. O projeto integra o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, e tem como objetivos, além da prestação dos serviços, a qualificação da atenção primária e a ampliação da atenção especializada, integrada aos demais eixos de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS). Na reunião, realizada na Cidade Universitária, estiveram presentes o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a subsecretária-geral da SMS, Fernanda Adães, e o professor da UFRJ Luiz Felipe Pinto.

UFRJ formaliza concessão de uso de espaço no CT 2 para a Coppetec

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) formalizou, nesta sexta-feira, 19/12, a concessão onerosa de uso de uma área de 2.040 metros quadrados, localizada no bloco 1 do Centro de Tecnologia 2 (CT 2), na Cidade Universitária, para a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec). A assinatura do contrato marca mais um importante passo no processo de regularização das concessões existentes na Universidade, garantindo maior segurança jurídica, transparência e conformidade administrativa.

A iniciativa segue o mesmo modelo adotado em outros casos, como o da Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) e o da AdUFRJ Seção Sindical, o sindicato dos docentes da UFRJ, e integra o esforço contínuo da instituição, liderado pela Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6), para atender aos órgãos de controle.

“A Coppetec é uma fundação de excelência. A gente sabe que grande parte do sucesso de muitas ações, não apenas da Coppe, mas de várias outras unidades, é graças ao trabalho competente que a Coppetec oferece. Nós temos aqui o poder de criação e o poder de execução. O poder de criação cabe a todos nós, enquanto pesquisadores. O poder de execução a gente faz de forma eficiente, usando, muitas vezes, de forma muito importante, as nossas fundações. Acho que essa aliança é que ajuda a gente a alavancar a nossa UFRJ”, afirmou o reitor da Universidade, professor Roberto Medronho, na cerimônia de celebração do contrato.

A Fundação Coppetec é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, destinada a apoiar a realização de projetos de desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, de ensino e de extensão do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e demais unidades da UFRJ. Seu público é composto por órgãos governamentais, privados, entidades multilaterais e empresas privadas nacionais e estrangeiras, sendo um elo entre a Universidade e a sociedade. Além dos serviços prestados na gestão dos projetos, a Coppetec atua na proteção de patentes, marcas e outros direitos do sistema de propriedade intelectual.

UFRJ encerra o ano com mais sustentabilidade orçamentária, amplia inclusão e avança em rankings e na internacionalização

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encerra 2025 com resultados expressivos em áreas estratégicas como finanças, ensino, inclusão social e governança institucional. O balanço da gestão foi apresentado na última Plenária de Decanos e Diretores do ano, realizada na quarta-feira, 17/12, na antiga sala do Consuni, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM), e reuniu os principais indicadores e ações desenvolvidas ao longo deste ano.

Entre os destaques está a reorganização financeira da Universidade, que iniciou o ano sem dívidas com a concessionária de energia elétrica Light, um marco considerado fundamental para a sustentabilidade orçamentária da instituição. Segundo o reitor Roberto Medronho, a decisão de judicializar o passivo, em vez de apenas repactuá-lo administrativamente, teve como objetivo evitar a transferência do problema para gestões futuras. A administração também estabeleceu como diretriz não contrair novas dívidas com a concessionária, reduzindo riscos de interrupção no fornecimento de energia, como as registradas em anos anteriores.

Ao longo de 2025, a UFRJ avançou, ainda, no fortalecimento acadêmico, com resultados positivos na graduação e na pós-graduação, na ampliação das políticas de permanência estudantil e no reconhecimento em rankings internacionais. O período também foi marcado pelo lançamento de iniciativas nas áreas de governança, cultura, extensão e comunicação, além de progressos na valorização dos servidores, na infraestrutura, na segurança dos campi e na promoção da diversidade.

Mesmo em um contexto de restrições orçamentárias, a Universidade ampliou sua projeção institucional e internacional, com a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos e a liderança em fóruns globais. Para a gestão, os resultados refletem um esforço coordenado de planejamento e responsabilidade institucional, voltado à redução de desigualdades internas, ao fortalecimento do diálogo com a sociedade e à reafirmação do papel da UFRJ como universidade pública de excelência.

Avanços na graduação e políticas de permanência

Na área acadêmica, 2025 foi marcado por resultados relevantes. Diversos cursos de graduação avaliados neste ano obtiveram nota máxima (5), reforçando a qualidade do ensino oferecido pela UFRJ. 

Outro destaque foi a ampliação das políticas de permanência estudantil, com a implantação do serviço de café da manhã em oito unidades (quatro no Fundão, uma no Centro, uma na Praia Vermelha, uma em Duque de Caxias e uma em Macaé) e a instalação do serviço de alimentação na Faculdade Nacional de Direito (FND), beneficiando, inclusive, estudantes de unidades do entorno, como a Escola de Enfermagem Anna Nery (Eean).

Em relação ao acesso à universidade, a UFRJ implementou cotas para pessoas trans nos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu, com a reserva de 2% das vagas para esse grupo social. A decisão histórica marca um avanço institucional na promoção da diversidade e no combate às desigualdades no ensino superior.

A Universidade registrou, ainda, o marco de 95% de ocupação das vagas ofertadas via Sisu, além de ter conseguido triplicar a taxa de ocupação das vagas ociosas. 

Também tiveram início as obras do novo prédio acadêmico e do restaurante universitário (RU) na Praia Vermelha, após intenso esforço técnico e administrativo para viabilizar os projetos, que ampliam a infraestrutura e melhoram a oferta de serviços à comunidade universitária.

Pós-graduação e reconhecimento internacional

Apesar da redução de bolsas por parte de agências de fomento à pesquisa e da adoção de novos parâmetros de distribuição nacional que desfavorecem a UFRJ, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) atuou no redimensionamento interno dos subsídios para minimizar impactos nos programas. 

Ainda com as restrições orçamentárias, a UFRJ foi considerada a segunda melhor instituição de ensino superior do Brasil de acordo com um levantamento realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR), que avaliou 21.462 instituições em 94 países. A Universidade subiu 70 posições no ranking global em comparação com o último levantamento, passando do 401º lugar para o 331º, desempenho que o reitor atribui à excelência do corpo docente, técnico-administrativo e discente.

“Mesmo com parcos recursos, a Universidade se destaca nos rankings internacionais. Imagine se recebêssemos o que nos é devido? Isso teria um grande impacto”, enfatizou Medronho, ao comparar a situação das universidades federais com o modelo de financiamento das estaduais paulistas.

O ano de 2025 também marcou o lançamento da revista Minerva, publicação bimestral dedicada a divulgar as pesquisas, a produção intelectual e o pensamento científico da instituição. A iniciativa busca aproximar, cada vez mais, a Universidade da sociedade.

Gestão de Pessoal e valorização dos servidores

Na área de pessoal, a Universidade enfrentou um volume elevado de aposentadorias – cerca de 600 apenas nos primeiros oito meses – e conseguiu reduzir o tempo médio de tramitação desses processos de 15 para cerca de três meses. Também foram retomados direitos represados há anos, como o pagamento de adicionais de insalubridade, que voltarão a ser analisados a partir de janeiro.

A gestão inaugurou a nova sede da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) e avançou na construção da nova Clínica de Saúde do Trabalhador, ambas situadas na antiga Bio-Rio, iniciativas alinhadas a uma nova filosofia de cuidado e prevenção. 

Governança e finanças

No campo financeiro, a UFRJ passou a divulgar de forma sistemática a execução orçamentária e o uso de recursos críticos, como os destinados à manutenção da Universidade. 

Também avançou na redistribuição da chamada verba CIP (Custos Indiretos dos Projetos), direcionando recursos para unidades com menor capacidade de captação, especialmente nas áreas de humanidades e cultura.

Como resultado dessa política, unidades como a Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) serão beneficiadas, o que possibilitará a realização de reformas estruturais urgentes. “Não é justo que áreas que não têm petróleo fiquem sem recursos. Diminuir desigualdades internas é uma decisão política desta Reitoria”, garantiu o reitor.

Outro destaque foi a criação do Escritório de Projetos da UFRJ, coordenado por um professor da Coppe, com o objetivo de apoiar docentes e unidades na captação de recursos. A iniciativa se soma ao crescimento expressivo das emendas parlamentares destinadas à Universidade: de R$ 22 milhões no ano anterior para R$ 43 milhões em 2025.

Cultura, museus e extensão universitária

A atuação da UFRJ nas artes e na cultura ganhou visibilidade ao longo do ano, com eventos de grande repercussão, como as celebrações dos 105 anos da UFRJ, realizadas no salão nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), exposições e concertos da Orquestra da UFRJ, que completou 101 anos de atividade ininterrupta, além do apoio à última récita de O Grito de Mueda – primeira ópera nacional moçambicana, com forte simbolismo histórico e político – na Escola de Música.

O Museu Nacional iniciou sua reabertura e terá novas áreas disponíveis ao público a partir de 2026, reafirmando o compromisso com o patrimônio científico e cultural do país.

Na extensão, a Universidade teve participação histórica na Rio Innovation Week, com um estande unificado da UFRJ, que se tornou o mais visitado do evento e obteve ampla repercussão na mídia nacional. Projetos como o robô 14 Bis reforçaram a imagem da Universidade como polo de inovação. 

Outro avanço foi o reconhecimento da prestação de serviços como atividade de extensão.

Segurança e comunicação

Em 2025, a UFRJ avançou na área de segurança, com a implantação de cancelas eletrônicas na Praia Vermelha, convênio com o 17º Batalhão da Polícia Militar para rondas permanentes e ações integradas que resultaram no desmantelamento de uma quadrilha envolvida em roubos de veículos dentro dos campi. Medidas preventivas de manutenção também evitaram alagamentos e quedas de árvores durante fortes temporais.

A comunicação institucional foi apontada como área em crescimento, com expansão significativa do alcance das redes oficiais da Universidade e maior presença na imprensa. A gestão reconhece avanços, mas afirma que o fortalecimento da comunicação seguirá como prioridade estratégica.

Compromisso com a diversidade e o futuro

Ao encerrar o balanço, o reitor da UFRJ destacou a atuação da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada) e das ouvidorias Geral e da Mulher, com o fortalecimento de políticas de combate ao assédio, ao racismo e a todas as formas de discriminação. Para a gestão, criar um ambiente universitário seguro, diverso e livre de medo é condição essencial para a excelência acadêmica.

Outros pontos destacados foram a assinatura de dezenas de acordos acadêmicos internacionais e da realização do Fórum de Reitores das Universidades do Brics+, consolidando a posição da UFRJ no cenário global. “A internacionalização é estratégica para a UFRJ. Em apenas um ano, assinamos mais de 60 convênios internacionais, o que demonstra o reconhecimento da Universidade no mundo todo”, disse Medronho.

Tática universitária contra violência de gênero

Promover a reflexão e o debate sobre táticas de enfrentamento em casos de violência contra a mulher no ambiente universitário: Esse foi o intuito do 1° Encontro Ouvidoria da Mulher e Coletivos Femininos Discentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado na segunda-feira, 15/12, no Auditório Professor Manoel Maurício de Almeida Albuquerque, situado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus Praia Vermelha. A iniciativa faz parte do programa Movendo Estruturas, desenvolvido pela Ouvidoria da Mulher e pela Ouvidoria-Geral da Universidade.

 A mesa de abertura contou com a presença do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e da vice-reitora, Cássia Turci. Também participaram desse momento inicial, a pró-reitora de Graduação, Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes; a superintendente-geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada), Denise Góes; o decano do  CFCH, Vantuil Pereira; a ouvidora-geral, Katya Gualter; e a representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata e do Coletivo de Mulheres Carolina Maria de Jesus da Faculdade Nacional de Direito (FND), Leticia Maia. 

 Durante o  encontro  foi possível conhecer ações já instituídas pela Universidade no enfrentamento à problemática, assim como aprender a identificar e agir frente aos episódios de violência de gênero. Representantes do Comitê Gestor do Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) também trouxeram contribuições importantes. Além disso, grupos de trabalho discutiram temáticas como encorajamento à denúncia, protocolos de acolhimento e práticas cotidianas de enfrentamento.  

“Estamos atentas ao clamor da UFRJ para extinguir todas as formas de violência das quais as mulheres são alvo. Iniciamos essa ação pelos coletivos femininos de nossas estudantes por serem uma parcela vulnerável do conjunto de mulheres da nossa Universidade. Há uma possibilidade de aproximação pela escuta, pela busca por táticas de enfrentamento às violências que atingem as mulheres no ambiente institucional. Táticas entendidas como a arte do fazer dos mais fracos, conforme conceitua Michel de Certeau”, explicou a ouvidora da Mulher, Angela Brêtas, mediadora do evento.

Paz sem voz, é medo!

Para Medronho, não é possível haver excelência acadêmica onde há silenciamento, medo e violência nas suas diferentes formas:

“Estou me referindo a todos os tipos de violência, seja ela física, psicológica, sexual, moral, institucional ou expressa em discriminações e desigualdades que se repetem e são naturalizadas. A Ouvidoria da Mulher existe para ser a porta de entrada e de confiança, um lugar onde a palavra encontra acolhimento, a dor não é tratada como exagero, nem como uma questão menor. Trata-se de uma estrutura de garantia de direitos dentro da UFRJ, que atua em quatro dimensões: acolhimento qualificado; encaminhamento e articulação; prevenção e formação; memória institucional e transparência responsável. Que saiamos deste encontro com encaminhamentos concretos, pois esta é a melhor homenagem que podemos fazer a quem sofreu ou sofre violência”.

Reitor da UFRJ defende combate a todas as formas de violência e silenciamento | Foto: Renan Silva (Sintufrj)

A  representante da Associação dos Pós-Graduandos (APG) da UFRJ, Julia Garcia, fez uma alerta: “O assédio moral na pós-graduação tem afetado muito a saúde mental dos estudantes de modo geral. Mas o marcador de gênero agrava ainda mais a situação das mulheres”. Por sua vez, a discente que representou o DCE lançou um questionamento direto: “Como fazer a UFRJ ser um lugar melhor e mais acolhedor para as mulheres?” 

Cássia Turci compartilhou o que considera fundamental para a construção de uma universidade livre de violência e assédio: “Para mudar este cenário, precisamos discutir o tema sem medo. Não podemos nos calar nunca! É por meio do diálogo franco que as questões emergem. A maioria dos assédios acontece dentro das universidades, principalmente aqueles velados. Isso é muito grave e tem provocado muito  adoecimento mental. A universidade deve ser um lugar onde as pessoas se sintam bem”. 

 Ao falar sobre a participação das mulheres na Administração Central da UFRJ, a chefe de Gabinete da Reitoria lembrou um episódio vivenciado, no passado, como diretora  da Escola de Química. Fabiana Fonseca narrou que, certa vez, um docente entrou de maneira abrupta e desrespeitosa na sala destinada à gestão, que era ocupada por mulheres, para questionar uma norma institucional: 

“O professor não teve pudor algum em agir desta forma e questionar o motivo pelo qual eu utilizava uma vaga no estacionamento, tradicionalmente reservada para quem ocupava o cargo na direção da unidade. Duvido, se no meu lugar estivesse um homem, que ele teria tido esse tipo de atitude. Mas ainda bem que a UFRJ está caminhando, de modo irreversível, para um perfil cada vez mais diverso. Atualmente, 13 mulheres maravilhosas e competentes integram a equipe desta gestão”, disse, orgulhosa.

UFRJ discute caminhos para o fortalecimento da cooperação acadêmica com a França

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, reuniu-se, nesta segunda-feira, 15/12, na Cidade Universitária, com o novo cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, Eric Tallon, para discutir o fortalecimento da cooperação acadêmica entre a UFRJ e universidades francesas. 

O objetivo de ampliar os programas de intercâmbio entre os dois países alinha-se à meta estabelecida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o da França, Emmanuel Macron, de alcançar 8 mil estudantes brasileiros em instituições francesas até 2026. “A UFRJ está muito alinhada com a atual política externa de ampliação da internacionalização e dos laços com a França. Certamente teremos grande demanda nas áreas de engenharias, biomédicas, ciências humanas e sociais”, afirmou Medronho durante o encontro.  

Atualmente, a França é o país com o qual a UFRJ possui o maior número de acordos acadêmicos internacionais, totalizando mais de 80, dentre acordos de intercâmbio de estudantes, acordos de duplo diploma, acordos para cooperação científica e tecnológica e protocolos de intenções.

Além do reitor da UFRJ e do cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, participaram da reunião o superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ, Papa Matar Ndiaye, e o adido para a Ciência e Tecnologia, Vincent Brignol | Foto: SGCOM

Confira a lista de universidades francesas parceiras da UFRJ no site da Superintendência-Geral de Relações Internacionais (Sgri).

UFRJ recebe presidente da Faperj

O Gabinete da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu nesta terça-feira, 9/12, a visita da presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves da Costa. Um dos temas abordados,  durante a reunião na Cidade Universitária, foi a possibilidade de intensificar o apoio da agência de fomento na resolução de questões enfrentadas pela instituição. Um desses desafios foi a perda de 1.300 bolsas de mestrado e doutorado, entre 2018 e 2025, que eram subsidiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pedido do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), João Torres de Mello Neto, apresentou sinteticamente alguns dos muitos projetos beneficiados pelo financiamento do órgão, entre eles: o LabOceano, o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), o Museu Nacional Vive e o Espaço Ciência do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), em Macaé. A conversa também teve a presença da vice-reitora, Cássia Turci; da chefe de gabinete, Fabiana Fonseca; e dos professores eméritos da UFRJ, Adalberto Vieyra e Luiz Davidovich.

Pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), João Torres de Mello Neto, apresenta projetos da UFRJ financiados pela Faperj | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Presidente da Faperj: “Fortalecimento no orçamento da Fundação em 2026 irá espelhar na UFRJ” | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A presidente da Faperj elogiou o comprometimento da UFRJ com a ciência e com o desenvolvimento de projetos de alto impacto social, como é o caso do luminol, utilizado para revelar vestígios invisíveis em investigações criminais e como aliado no combate à contaminação hospitalar. Caroline Costa também destacou o fato de a Universidade sempre ser a primeira colocada nas submissões da Fundação e a preocupação do órgão com o referido corte de bolsas. No entanto, também apresentou melhores perspectivas para o próximo ano:  

“O orçamento da Faperj tende a aumentar. Possivelmente, iniciaremos 2026 com mais R$70 milhões. Esse fortalecimento vai espelhar na UFRJ. Em 2025, saímos de 21 para 40 editais. Em 2026, pretendemos criar uma espécie de site para conectar todos os nossos bolsistas e as pesquisas desenvolvidas. Com a iniciativa, teremos um mapa do nosso investimento. Além disso, vamos criar algumas câmaras para promover uma escuta mais ativa sobre o que as universidades esperam da Faperj em relação a uma política de continuidade que contribua para o fortalecimento da ciência”, enfatizou.

UFRJ celebra os 15 anos do Instituto de História

Uma importante cerimônia comemorou, na terça-feira, 9/12, os 15 anos do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Criado em dezembro de 2010, a partir da extinção do antigo Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs), o IH usufrui de autonomia institucional, integrando-se como unidade universitária independente do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH). A celebração foi realizada no Salão Nobre do instituto, no Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro.

“A UFRJ nos mostra que estamos sempre andando, acompanhando o crescimento do que nós precisamos para a educação desse país. Nosso maior capital é o capital humano, e precisamos investir muito para que tenhamos uma infraestrutura física que seja compatível com o nosso corpo social. Criamos um grupo de trabalho e, juntamente com a direção do instituto, temos feito reuniões com diferentes órgãos públicos para conseguir melhorias de infraestrutura. Vamos lutar juntos para conseguir melhorar as condições também para os nossos servidores técnico-administrativos em Educação, professores, para que os nossos estudantes tenham o melhor possível para mudar um pouco a situação tão precária que nós temos ainda nesse país”, disse a vice-reitora da UFRJ, professora Cássia Turci.

A vice-reitora da UFRJ, professora Cássia Turci, durante a cerimônia que comemorou os 15 anos do Instituto de História da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

Durante o evento, representantes do Centro Acadêmico Manoel Maurício de Albuquerque (Camma) pediram investimentos em melhorias estruturais no IH, além de destacarem a importância do instituto na construção da memória e da identidade nacional. Também enfatizaram o papel do Camma na organização de atividades acadêmicas e culturais ao longo dos últimos anos. Jessie Jane Vieira, diretora do Ifcs na época da criação do IH, lembrou a longa luta dos docentes pela transformação do departamento em instituto, reconhecendo as dificuldades administrativas enfrentadas, especialmente relacionadas à gestão e às estruturas institucionais.

Também compuseram a mesa solene o decano do CFCH, Vantuil Pereira; a diretora do IH, Marta Mega; a vice-diretora do IH, Lise Fernanda Sedrez; e a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho. Eles apontaram a importância histórica e simbólica do Instituto de História, lembrando que sua criação representou mais do que uma mudança administrativa, mas a consolidação de um projeto coletivo construído ao longo de décadas. Destacaram ainda o protagonismo da graduação, o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, além do papel central do instituto na formação de professores e historiadores. 

“Nesses 15 anos, o instituto é reconhecido como referência nacional na formação de historiadores. Oferece cursos de bacharelado e licenciatura em História, além de programas de pós-graduação reconhecidos. Os diferentes programas de pesquisa renovam continuamente a investigação histórica no Brasil, promovendo o diálogo interdisciplinar e a produção do conhecimento crítico. O Instituto de História também se destaca pelas atividades de extensão que aproximam a Universidade da sociedade, promovendo debates, jornadas de estudos, conferências e projetos que fortalecem o vínculo entre saber histórico e cidadania”, observou Marta Mega.

A diretora do IH, Marta Mega | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

Passado, presente e futuro do IH entrelaçaram-se na celebração, que contou com plateia lotada. Gratidão e esperança marcaram os 15 anos como um ponto de partida para novas conquistas. Os participantes reafirmaram, ainda, a inserção do instituto em um projeto mais amplo de revitalização cultural do centro do Rio, com o reconhecimento da importância do capital humano formado por docentes, técnicos e estudantes.

A celebração foi realizada no Salão Nobre do instituto, no Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

Por um mundo multipolar

“A Universidade Federal do Rio de Janeiro está alinhada com a criação de um mundo multipolar”. Essa afirmação foi feita nesta segunda-feira, 8/12, pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante o Brazil–China Science and Technology Innovation Forum, realizado no auditório do Centro de Convenções do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), na Cidade Universitária. Na ocasião, a Minerva também foi representada pela diretora de Tecnologia e Inovação do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe),  Marysilvia da Costa.  

O evento, que reúne executivos, pesquisadores e representantes do segmento, reforça a colaboração e as conexões estratégicas entre a UFRJ, por meio da Coppe; a Petrobras; a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), empresa petrolífera chinesa; e a China University of Petroleum (CUP). Entre as temáticas abordadas na programação, destacam-se apresentações sobre o futuro da energia e a utilização de inteligência artificial no setor.

Diretora de Tecnologia e Inovação da Coppe, Marysilvia da Costa, no Brazil–China Science and Technology Innovation Forum

Durante seu discurso, Medronho frisou a ampla colaboração existente entre as instituições de ensino de ambos os países do Sul Global, citando ainda a criação do Instituto de Engenheiros de Alto Desempenho, fruto de uma parceria entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,  e o da China,  Xi Jinping. Além disso, em sua fala, também houve destaque à consolidada relação da UFRJ com a Petrobras: 

“É com muita honra que nós, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da parceria com a Petrobras, com as universidades e com as empresas chinesas, estamos  buscando avançar não apenas nas questões de prospecção de óleo e gás, mas, principalmente, no que se refere à sustentabilidade, à transição energética e aos novos combustíveis. Hoje temos grandes desafios na área de engenharia e sustentabilidade, mas, sem dúvida, o Brasil e a China podem dar lições não só para os países dos BRICS, mas para todo o mundo. Não queremos mais parcerias em que haja uma dominação, ao contrário, queremos cooperação. É por meio do respeito à diversidade, às especificidades de cada povo, cultura e história, que conseguiremos construir um mundo melhor, mais fraterno, mais justo e mais sustentável”, enfatizou o reitor da UFRJ, que também  integra o Conselho Econômico de Desenvolvimento Social e Sustentável do Governo Federal. 

Cooperação: linha mestra para transformação social

Na última sexta-feira, 5/12, o gabinete da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro sediou o encontro entre os responsáveis pela administração central de duas expressivas instituições de ensino do Sul Global: Roberto Medronho, da UFRJ; e LI Luming, da Universidade de Tsinghua, considerada a 12ª melhor do mundo. Além dos dois reitores, a reunião também contou com a presença de uma delegação chinesa; do superintendente-geral de relações internacionais da UFRJ, Papa Matar Ndiaye; e da representante do Centro China Brasil, Rejane Rocha.  

A ocasião foi mais uma oportunidade para estreitar a cooperação relacionada às atividades de ensino, pesquisa e inovação entre as respectivas universidades. O entrosamento, em consonância com as diretrizes do Governo Federal em fortalecer os laços com os integrantes dos BRICS, vem sendo construído de modo bilateral, por meio de viagens e do reconhecimento das potencialidades locais e culturais.

Delegação da Universidade de Tsinghua com representantes da UFRJ | Foto: Sonia Toledo

Durante sua fala, Medronho lembrou a recente visita feita pelo presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil, e o fato de o Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ ter decidido conceder o título de Doutor Honoris Causa ao dirigente chinês. A experiência de ter integrado a comitiva presidencial, quando Luiz Inácio Lula da Silva esteve no país asiático, também foi citada: 

“Depois que assumi a Reitoria em julho de 2023, realizei algumas visitas à China. Fiquei encantado com o país, não apenas pela sua cultura milenar, mas pelo seu grau de desenvolvimento social e econômico, que é uma lição para todo o mundo. Precisamos criar um mundo multipolar em que a cooperação seja a linha mestra para as transformações sociais. Precisamos aprofundar e já trabalhar para fazer os acordos específicos. Acredito que esta relação e este estreitamento ainda maior das nossas duas universidades contribuirão muito para o desenvolvimento social e econômico dos nossos países e para a construção de um mundo mais sustentável”, afirmou.