UFRJ instala Gabinete de Crise para atuação em situações de violência urbana

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) instalou oficialmente nesta quarta-feira (3/6) o gabinete de crise previsto na Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana, aprovada pelo Conselho Universitário (Consuni), em 19/5. A iniciativa marca mais uma etapa da implementação das diretrizes que orientam a tomada de decisões da universidade em situações que possam afetar a segurança da comunidade acadêmica.

Durante a reunião de instalação, foi definida a revisão do Plano de Contingência da UFRJ Frente a Eventos de Violência Urbana para adequação às diretrizes estabelecidas pela Resolução Consuni nº 474. O documento reúne os protocolos de atuação da universidade em situações de risco, incluindo procedimentos operacionais, fluxos de comunicação e critérios para tomada de decisões. A expectativa é que a versão atualizada seja concluída na próxima semana. 

De acordo com a resolução, o gabinete de crise é a instância responsável pela coordenação e pela tomada de decisões institucionais durante eventos de violência urbana, atuando na avaliação de riscos, definição de medidas de proteção, comunicação com a comunidade universitária e eventual suspensão ou retomada de atividades presenciais.

Além dos integrantes com função executiva, o gabinete contará com representantes consultivos dos diferentes segmentos da universidade, ampliando a participação da comunidade acadêmica nas discussões relacionadas à gestão de riscos e à segurança institucional.

Composição do Gabinete de Crise

Membros executivos

  • Reitoria;
  • Pró-Reitoria de Graduação (PR-1);
  • Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2);
  • Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4);
  • Prefeitura Universitária;
  • Superintendência-Geral de Comunicação Social (SGCOM).

Membros consultivos

  • Representação estudantil da graduação;
  • Representação estudantil da pós-graduação;
  • Representação da Educação Básica (CAp-UFRJ);
  • Representação dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs);
  • Representação docente.

Reitoria amplia investimento em jovens doutores da UFRJ e eleva para 50 o número de projetos contemplados pelo ALV 2025

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) certificou, nesta segunda-feira (1º/6), os 50 docentes contemplados na 16ª edição do Programa de Apoio a Docente Recém-Doutor Antônio Luiz Vianna (ALV 2025). A cerimônia, realizada no Salão Nobre do Conselho Universitário, marcou um reforço importante no investimento institucional em pesquisa e inovação: graças a um aporte adicional aprovado pela Reitoria, o número de projetos apoiados foi ampliado de 35 para 50, elevando o investimento total do programa para R$ 1,7 milhão.

A solenidade reuniu 38 dos docentes contemplados, que receberam seus certificados em reconhecimento à excelência de suas propostas e à contribuição para o fortalecimento da pesquisa, da inovação e da produção científica na universidade.

Nesta edição, o edital teve como foco o desenvolvimento e a aplicação da Inteligência Artificial (IA), em consonância com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Ao todo, foram submetidos 141 projetos. Destes, 50 foram selecionados para financiamento. Os 35 primeiros classificados receberão apoio de até R$ 40 mil cada, enquanto os 15 demais contarão com recursos de até R$ 20 mil.

O aumento do número de auxílios foi destacado pela administração central como uma demonstração do compromisso da universidade com a renovação de seu quadro de pesquisadores e com o fortalecimento da ciência produzida na instituição.

Durante a cerimônia, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, João Ramos Torres de Mello Neto, ressaltou a qualidade dos projetos apresentados e o papel estratégico da pesquisa para a identidade da universidade. “A UFRJ tem excelentes cursos de graduação e excelentes projetos de extensão, mas o que realmente a distingue é a excelência do seu corpo docente e a pesquisa que produzimos aqui”, afirmou.

O pró-reitor também destacou que a elevada qualidade das propostas tornou o processo de seleção especialmente desafiador. “É uma alegria saber que nós sofremos pelo excesso de qualidade da UFRJ. Escolher apenas 50 nomes entre tantos projetos qualificados é uma tarefa extremamente difícil”, disse.

João Torres ainda anunciou novas perspectivas de apoio à pesquisa. Segundo ele, a PR-2 já trabalha para lançar ainda este ano uma nova edição do edital ALV e um novo programa voltado ao fortalecimento de laboratórios de pesquisa da universidade.

Criado pela PR-2 e pelo Conselho de Ensino para Graduados (CEPG), o Programa Antônio Luiz Vianna homenageia um dos pesquisadores mais importantes da história da UFRJ e busca apoiar docentes recém-doutores na consolidação de suas atividades acadêmicas e científicas. Nesta edição, os recursos serão geridos pela Fundação Coppetec e poderão ser utilizados na aquisição de equipamentos, materiais de consumo e contratação de serviços especializados para o desenvolvimento dos projetos aprovados.

Participaram também da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a diretora-superintendente da Fundação Coppetec, Amanda Xavier; a presidente da Câmara de Corpo Docente e Pesquisa do CEPG, Adriana Santarosa Vivacqua; a chefe de gabinete da reitoria, Fabiana Fonseca; além dos 38 docentes contemplados presentes à solenidade, representantes de unidades acadêmicas, pesquisadores, técnicos-administrativos e integrantes da comunidade universitária.

Docentes contemplados no ALV 2025

  1. Pedro de Sena Murteira Pinheiro (Instituto de Ciências Biomédicas – ICB)
  2. Luana Barros Furtado (Escola de Química)
  3. Danielle Henrique Magalhães (Faculdade de Letras)
  4. Laiana Azevedo Quagliato (Instituto de Psiquiatria)
  5. Isadora Cristina Pereira Matias (Instituto de Ciências Biomédicas – ICB)
  6. Daniel Tinôco Campos Neto (Escola de Química)
  7. Claudia Paiva Carvalho (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR)
  8. Cláudio Ernesto Taveira Parente (Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho – IBCCF)
  9. Jefferson Antônio Leite (Instituto de Microbiologia Paulo de Góes)
  10. Paulo Roberto Mann Marques Júnior (Instituto de Computação)
  11. Allan Amorim Santos (Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho – IBCCF)
  12. Daniela Fernandes Alarcon (Museu Nacional)
  13. Bráulio César de Oliveira (Escola Politécnica)
  14. Raissa Alves da Conceição (Faculdade de Farmácia)
  15. Daniella Assemany da Guia (Colégio de Aplicação – CAp)
  16. Ingrid Azevedo de Oliveira Young (Escola de Química)
  17. Hugo Musso Gualandi (Instituto de Computação)
  18. Márcia Leonardi Baldisserotto (Instituto de Psicologia)
  19. Thayron Rodrigues Rangel (Faculdade de Administração e Ciências Contábeis – FACC)
  20. Matheus Ferreira de Barros (Instituto Politécnico)
  21. Aline Assis de Andrade (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU)
  22. Pedro Henrique Zubcich Caiado de Castro (Faculdade de Educação)
  23. Simony Carvalho Mendonça (Faculdade de Farmácia)
  24. Gabriel Batalha Leoni (Escola de Química)
  25. Sarah Almeida de Oliveira (Colégio de Aplicação – CAp)
  26. Claudio Roberto Comas Brandão (Escola de Belas Artes – EBA)
  27. Bruno Eduardo Morgado (Observatório do Valongo)
  28. Raiane Rosales Diniz (Instituto de Ciências Farmacêuticas)
  29. Felipe Campos Ribeiro (Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis)
  30. Eliane Silva Barbosa (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU)
  31. Mayra de Amorim Marques (Faculdade de Farmácia)
  32. Ana Slade Carlos de Oliveira (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU)
  33. Andréa Pereira Parente (Escola de Química)
  34. Vitor Won-Held Rabelo (Instituto de Microbiologia Paulo de Góes)
  35. Rodrigo da Silva (COPPE)
  36. Guilherme Gonçalves Baptista (Escola de Educação Física e Desportos – EEFD)
  37. Bianca Bruno Bárbara (Instituto de Psiquiatria)
  38. Astrid Johana Pardo Gonzalez (Faculdade de Letras)
  39. Mariana Mazzini Marcondes (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR)
  40. Murilo Eduardo Casteroba Bento (Escola Politécnica)
  41. Bruna Caroline Chaves Garcia (Instituto de Ciências Médicas)
  42. Juliana Molina Queiroz (Faculdade de Administração e Ciências Contábeis – FACC)
  43. Marcela Baraúna Magno (Faculdade de Odontologia)
  44. Laisa Eleonora Maróstica Stroher (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU)
  45. Letícia Barroso Vertulli Carneiro (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva – IESC)
  46. Vinicius Ferreira Mattos (Escola de Belas Artes – EBA)
  47. Rodrigo Moulin Ribeiro Pierott (Escola Politécnica)
  48. Luisa Arueira Chaves (Instituto de Ciências Farmacêuticas)
  49. Rafaela Raffaele Corrêa Vidal (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU)
  50. George Victor Brigagão (Escola Politécnica)

Diretores e decanos debatem protocolo institucional para situações de violência urbana

A Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveu, na terça-feira (12/5), uma reunião com diretores de unidades e decanos para discutir a proposta de Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana, que deverá ser votada amanhã (14/5) no Conselho Universitário (Consuni). O texto estabelece diretrizes para a atuação institucional em situações de operações policiais, confrontos armados e outros episódios de violência que impactam a rotina acadêmica e administrativa da universidade.

A discussão expôs diferentes preocupações da comunidade universitária sobre os impactos da violência urbana na vida acadêmica, na mobilidade e na permanência estudantil, além dos limites legais e operacionais da universidade diante de uma crise de segurança pública que afeta diariamente a cidade do Rio de Janeiro.

Durante a reunião, o reitor Roberto Medronho destacou que a universidade precisa atuar dentro dos limites legais previstos pelo ordenamento jurídico brasileiro. “O que nós vamos precisar ter muita sabedoria na decisão do Conselho Universitário é assegurar a legalidade das nossas decisões e o acolhimento real do corpo social que está vulnerável à violência urbana”, afirmou o reitor.

Medronho também ressaltou que a autonomia universitária não permite decisões à margem da legislação. “Alguns colegas confundem autonomia com soberania. Soberania é uma coisa, autonomia é outra. A autonomia universitária é prevista na Constituição, mas não nos coloca à margem do arcabouço jurídico do Estado Democrático de Direito”, disse.

No início da reunião, Carlos Frederico Leão Rocha, do Instituto de Economia, um dos conselheiros que pediu vistas ao processo no Consuni, apresentou suas considerações sobre a proposta e destacou a necessidade de clareza jurídica e administrativa nas decisões tomadas pela universidade. Segundo ele, a resolução surge em resposta à pressão para que a UFRJ tenha protocolos definidos diante de operações policiais e confrontos armados.

Um dos pontos centrais do debate foi a impossibilidade jurídica de abono de faltas em casos relacionados à violência urbana. Carlos Frederico ressaltou que a legislação não permite esse tipo de medida e alertou para os riscos administrativos e jurídicos envolvidos.

Ele também chamou atenção para o debate sobre o conceito de atividades essenciais dentro da universidade. Carlos Frederico observou que a legislação não permite tratar aulas como atividades essenciais nos termos previstos em lei. “As aulas não podem ser realizadas como atividades essenciais”, disse, ao ponderar que hospitais universitários, segurança e setores estratégicos precisam permanecer funcionando mesmo em situações críticas.

A definição de quais atividades podem ser consideradas essenciais em situações de crise foi um dos pontos que esteve no centro do debate. Na reunião, os participantes destacaram que a legislação federal já estabelece critérios para a caracterização jurídica de serviços essenciais, relacionados a atividades inadiáveis, como assistência médica, abastecimento de água, energia e transporte, o que impede o enquadramento das atividades de ensino nessa categoria.

Ao longo do encontro, os professores relataram as dificuldades enfrentadas diariamente para tomar decisões em meio a operações policiais e interrupções na mobilidade urbana. A preocupação com a comunicação rápida à comunidade universitária foi um dos temas mais recorrentes.

A diretora da Faculdade de Educação, Ana Paula de Abreu Costa de Moura, defendeu cautela em relação à suspensão de aulas presenciais e ao uso recorrente do ensino remoto como alternativa diante da violência urbana. Para ela, a universidade não pode naturalizar a substituição das atividades presenciais. “Está se tornando muito recorrente e costumeiro esse negócio de ‘vamos suspender aula’, ‘vamos colocar no remoto’”, afirmou.

Ana Paula também criticou o que considera uma transferência indevida da responsabilidade pela crise de segurança pública para a universidade. “Parece que todo o problema de segurança pública do Rio de Janeiro é responsabilidade da UFRJ”, disse.

Em sua avaliação, a instituição precisa denunciar a escalada da violência e seus impactos sobre estudantes e trabalhadores, sem abrir mão da ocupação dos espaços universitários. Ana Paula alertou ainda para os efeitos do avanço do ensino remoto sobre a vida acadêmica e para o risco de esvaziamento dos campi.

Outros dirigentes também destacaram os impactos desiguais da violência sobre estudantes de baixa renda e moradores de territórios periféricos. Ana Izabel Moura de Carvalho, diretora da Escola de Serviço Social, relatou as dificuldades enfrentadas por alunos que vivem em áreas conflagradas e dependem de longos deslocamentos para chegar aos campi.

Ao encerrar a reunião, o reitor Roberto Medronho afirmou que a intenção da administração central é construir decisões coletivas e mais seguras para toda a universidade. “O que nós queremos é manter nossas atividades e, fundamentalmente, garantir a segurança de todo o nosso corpo social, incluindo também os nossos terceirizados e os nossos pacientes”, declarou.

A proposta em discussão no Consuni prevê a criação de um gabinete de crise responsável por coordenar respostas institucionais diante de episódios de violência urbana, além da adoção de um sistema de níveis de segurança sinalizados por cores (azul, verde, amarelo e vermelho) para orientar medidas e protocolos de atuação.

O texto também estabelece competências para diferentes setores da administração central, incluindo Reitoria, Pró-Reitorias, Prefeitura Universitária e Superintendência-Geral de Comunicação Social (SGCOM), responsáveis pelo monitoramento, comunicação e operacionalização das medidas previstas no plano de contingência.

A proposta será apreciada pelo Consuni na reunião desta quinta-feira (14/5). O debate mobiliza diferentes setores da universidade em torno do desafio de conciliar segurança, continuidade das atividades acadêmicas e preservação da vida universitária em uma cidade marcada pela violência armada.

UFRJ e universidade russa avançam em cooperação acadêmica no âmbito dos BRICS

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, recebeu, na última quinta-feira (30/4), uma comitiva da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov, uma das mais antigas e conceituadas instituições de ensino superior da Rússia, fundada em 1755. O encontro teve como foco o fortalecimento da cooperação acadêmica e científica entre as duas universidades, com vistas à criação de grupos de trabalho e projetos conjuntos no contexto dos BRICS.

O BRICS é um agrupamento formado por onze países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O bloco atua como foro de articulação político-diplomática entre países do Sul Global e promove cooperação em diversas áreas.

A delegação foi recebida, além do reitor, pela superintendente de Relações Internacionais, Andrea Belfort, por representantes de diferentes unidades acadêmicas e pelo diretor da Escola de Química, Papa Matar Ndiaye. Também participaram os professores Daniel Barreiros e Wladimir Neves, além do estudante de mobilidade Serguei Gulov.

Durante a reunião, Medronho destacou a importância de ampliar a cooperação entre instituições estratégicas de ensino superior. Segundo ele, o intercâmbio entre a UFRJ e a universidade russa pode impulsionar projetos interinstitucionais e multidisciplinares, além de fortalecer a mobilidade acadêmica e as redes internacionais de produção de conhecimento.

A comitiva russa foi integrada pelo diretor da Faculdade de Processos Globais da universidade, Ilya V. Ilyin, pelo assessor Sergey V. Borisov, pelo pós-graduando Konstantin S. Gaidarov e pelo cônsul-geral da Federação Russa no Rio de Janeiro, Dmitry Pentin.

Ilyin ressaltou o papel estratégico da parceria entre duas instituições públicas de referência no bloco dos BRICS. Para ele, a cooperação pode contribuir diretamente para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países envolvidos, em um cenário de crescente integração internacional. O professor também ressaltou a importância das relações com o Brasil.

O encontro dá continuidade a uma agenda já em curso entre as duas universidades. Em outubro de 2024, uma delegação da UFRJ visitou o Centro de Pesquisa Marinha (Marine Research Center – MRC), localizado no Parque Tecnológico da universidade russa. Na ocasião, foram discutidas possibilidades de parceria em áreas como exploração de petróleo em águas profundas e monitoramento ambiental da Baía de Guanabara.

A universidade russa leva o nome de Mikhail Lomonosov, considerado um dos maiores cientistas da história do país. Nascido em 1711, teve atuação destacada em diversas áreas do conhecimento, como física, química, biologia, astronomia e geografia. Foi responsável por formular a Lei da Conservação das Massas anos antes de Antoine Lavoisier, além de ter produzido a primeira gramática da língua russa.

A aproximação entre UFRJ e a universidade russa reforça o papel das instituições públicas de ensino superior na construção de redes internacionais de pesquisa e inovação, especialmente em temas estratégicos para o desenvolvimento global.

UFRJ avança em governança com programa de integridade e ações afirmativas

O Comitê Interno de Governança da UFRJ (CIGov/UFRJ), presidido pelo reitor Roberto Medronho, realizou reunião nesta segunda-feira (27/4), no prédio da Reitoria, para discutir medidas estratégicas voltadas ao fortalecimento da gestão institucional. Entre os principais pontos da pauta estiveram a estruturação da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada) e a apresentação da proposta preliminar do Programa de Integridade da Universidade.

A proposta do Programa de Integridade atende às diretrizes estabelecidas pela Portaria nº 57/2019 da Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Decreto 11.529/2023 instituindo a adoção de mecanismos institucionais para prevenção, detecção e remediação de práticas de corrupção e fraude, de irregularidades, ilícitos e outros desvios éticos e de conduta. A iniciativa busca consolidar práticas de transparência e controle interno, contribuindo para o aprimoramento da governança na universidade.

Durante o encontro, também foi analisada a proposta de revisão do regimento interno da Sgaada, estrutura que articula políticas voltadas à promoção da equidade, da inclusão e da acessibilidade no âmbito da UFRJ. A proposta integra um conjunto de ações institucionais voltadas à ampliação de direitos e ao fortalecimento de um ambiente acadêmico mais diverso.

Criado pela Portaria UFRJ nº 6.611, de 28 de setembro de 2020, o CIGov/UFRJ tem como função assessorar a Reitoria na condução da política de governança da Universidade. O comitê atua na formulação e no acompanhamento de diretrizes que garantam a adoção contínua de boas práticas, em consonância com as recomendações do Comitê Interministerial de Governança da Presidência da República.

UFRJ reúne professores eméritos em articulação permanente por ideias e soluções para a universidade


Uma articulação inédita entre gestão e experiência acadêmica marcou a reunião do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, com 17 professores eméritos da instituição. O encontro estabeleceu um espaço permanente de diálogo e construção de propostas para o futuro da universidade, com reuniões bimensais voltadas ao debate de ideias e à formulação de soluções.

Ao abrir a reunião, Medronho convidou os docentes a contribuírem diretamente com sugestões para enfrentar os desafios da UFRJ. A proposta é transformar o grupo em um núcleo ativo de reflexão estratégica, capaz de reunir conhecimento acumulado e apontar caminhos para a gestão universitária.

Durante o encontro, o reitor detalhou o cenário enfrentado pela universidade, marcado por restrições orçamentárias e pela necessidade de garantir o funcionamento cotidiano da instituição. Segundo ele, a escassez de recursos para áreas essenciais, como manutenção e infraestrutura, convive com a exigência de manter a universidade ativa e produtiva, o que impõe uma rotina de gestão marcada por urgências constantes.

Na avaliação de Medronho, o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação é central para a soberania nacional. O reitor defendeu a ampliação da produção de conhecimento próprio e a redução da dependência externa, além da necessidade de repensar os modelos de financiamento à pesquisa, ainda muito concentrados em métricas como número de publicações, sem conexão direta com os desafios do desenvolvimento social e econômico.

Ele também apresentou iniciativas em curso na UFRJ, como a criação de um novo modelo para importação de insumos e equipamentos científicos com base na imunidade tributária, medida que deve reduzir a burocracia e acelerar pesquisas. Outro ponto destacado foi a mobilização da própria comunidade acadêmica para propor soluções a problemas estruturais da universidade, com dezenas de projetos já submetidos por estudantes e pesquisadores.

Medronho defendeu ainda mudanças mais amplas na cultura acadêmica, com incentivo à inovação aplicada, maior integração entre universidade e sociedade e valorização de soluções concretas para problemas reais. Nesse contexto, ressaltou o papel estratégico dos professores eméritos. “Precisamos combinar conhecimento e experiência para orientar os rumos da universidade”, afirmou.

Durante a encontro, o debate reuniu propostas voltadas à modernização do ensino superior, com sugestões de revisão da estrutura curricular, fortalecimento do papel formador da universidade e maior centralidade da pesquisa na vida acadêmica. Também foram apontados desafios relacionados ao esgotamento de modelos tradicionais de gestão e à necessidade de superar limitações estruturais e orçamentárias.

Outro eixo importante da discussão foi a comunicação institucional. Houve consenso sobre a necessidade de ampliar o alcance das ações da universidade, com estratégias capazes de dialogar melhor com a sociedade e dar visibilidade ao que é produzido na UFRJ.

Os participantes também defenderam maior envolvimento dos professores eméritos nas decisões institucionais e sugeriram o fortalecimento desse espaço de diálogo contínuo com a Reitoria.

Ao final da reunião, foi definida a realização de encontros a cada dois meses, com o objetivo de consolidar um processo permanente de troca de ideias e construção coletiva.

A reunião também marcou a transição da representação dos professores eméritos no Conselho Universitário (Consuni). O professor Ricardo Medronho, da Escola de Química, deixou a função após o término de seu mandato. “Chegar a emérito não é uma posição trivial”, afirmou. Em seu lugar, assume a professora Ana Ivenicki, da Faculdade de Educação, tendo como vice o professor Gilberto Dumont, do Instituto de Química.

UFRJ firma contratos inéditos e passa a importar insumos com base na imunidade tributária

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinou, na segunda-feira (23/3), contratos que inauguram um novo modelo de importação de insumos e equipamentos para pesquisa, baseado na aplicação direta da imunidade tributária das autarquias públicas. Trata-se de um princípio constitucional que passa a ser aplicado de forma estruturada pela instituição.

A iniciativa, formalizada pelo reitor Roberto Medronho, estabelece um novo arranjo operacional com o apoio das fundações universitárias, tornando os processos mais ágeis, eficientes e alinhados ao Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação. 

A medida marca uma mudança relevante em relação ao modelo tradicional, no qual as universidades dependem de cotas orçamentárias operadas por agências, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para viabilizar importações. Com a nova sistemática, a UFRJ poderá realizar diretamente a aquisição de bens no exterior com base nesse regime constitucional, eliminando limitações que, em muitos casos, interrompem projetos ainda no meio do ano por esgotamento de recursos.

Na prática, a universidade será a compradora dos bens, enquanto suas fundações de apoio — a Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB) e a Fundação Coppetec — atuarão como agentes importadores, responsáveis pela operacionalização dos processos, incluindo negociação, pagamento e despacho aduaneiro.

O novo modelo está alinhado a um parecer recente da Receita Federal, obtido a partir de demanda apresentada pela própria UFRJ, em dezembro de 2025, que reconhece a aplicação da imunidade tributária nas importações realizadas por universidades federais. Trata-se de um avanço jurídico relevante, uma vez que essa imunidade não é um benefício, mas um dever constitucional previsto para as autarquias públicas.

Com isso, equipamentos e insumos destinados a projetos de ensino, pesquisa e extensão podem ser importados sem a incidência de tributos, reduzindo custos e ampliando significativamente a capacidade de investimento da universidade em ciência e tecnologia.

Para o reitor Roberto Medronho, a iniciativa coloca a UFRJ em posição de liderança na gestão das instituições federais de ensino superior. “Estamos num movimento muito interessante de inovação na gestão. Conseguimos um parecer favorável à imunidade tributária nas importações utilizando as fundações FUJB e Coppetec para operacionalizar esse processo. Por isso, estamos recriando a divisão de importação da PR-6 e, com isso, facilitar a vida dos nossos pesquisadores aqui da UFRJ”, afirmou.

Além de reduzir a burocracia, o novo modelo tem impacto direto na infraestrutura científica da universidade. Sem a limitação imposta pelas cotas anuais do CNPq, a UFRJ passa a ter maior previsibilidade e autonomia para planejar e executar suas aquisições, o que deve acelerar pesquisas e permitir a ampliação de laboratórios e projetos estratégicos.

A iniciativa também dialoga com um novo entendimento da Procuradoria-Geral Federal (PGF/AGU), que fortalece a autonomia das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) públicas federais na gestão de receitas próprias vinculadas a projetos de pesquisa, desde que respeitados critérios de governança, transparência e controle.

Os contratos firmados estabelecem ainda mecanismos rigorosos de prestação de contas e rastreabilidade dos recursos, garantindo segurança jurídica e conformidade com a legislação vigente.

Como desdobramento, a UFRJ já solicitou à Receita Federal a emissão de um parecer vinculante, com o objetivo de estender esse entendimento jurídico a todas as universidades federais do país. A medida pode abrir caminho para uma transformação mais ampla na forma como as instituições públicas de ensino e pesquisa realizam importações.

“Com essa iniciativa, a UFRJ se posiciona na vanguarda entre as universidades federais ao adotar soluções que combinam autonomia, segurança jurídica e eficiência administrativa — elementos essenciais para o fortalecimento da ciência e da inovação no país”, concluiu o pró-reitor de Gestão e Governança, Fernando Peregrino.

Primeira plenária de decanos e diretores da UFRJ discute cenário de 2026 e apresenta iniciativas de extensão e inovação

O Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), no Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou, na manhã de quinta-feira, 5/3, a primeira plenária de decanos e diretores da instituição deste ano. O encontro teve como objetivo discutir e deliberar sobre projetos, além de questões administrativas e estratégicas. Representantes dos campi de Duque de Caxias e Macaé acompanharam a reunião de forma remota.

No início da plenária, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que 2026 tende a ser um ano difícil para as universidades, marcado por questionamentos e pressões externas sobre as instituições públicas de ensino superior. Destacou, porém, que a melhor resposta da instituição é continuar produzindo conhecimento. “O que nós podemos fazer é ampliar as nossas entregas à sociedade e reafirmar nossa excelência acadêmica”, disse o reitor.

Como exemplo do reconhecimento social, mencionou que a UFRJ, pela terceira vez consecutiva, conquistou o 1º lugar na categoria Educação do prêmio Os Mais Amados do Rio, da Revista Veja, que revela lugares, marcas e serviços preferidos dos cariocas. Em menos de 20 dias, 10.000 pessoas escolheram seus favoritos em 50 setores relacionados à vida cotidiana.

Apresentação da PR-5

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou que a gestão iniciou um mutirão para ampliar a inserção curricular da extensão em todos os cursos de graduação da Universidade. Segundo ela, a discussão sobre essa inserção começou em 2013, mas ainda não alcançou todos os cursos. Ela ressaltou que uma resolução do Conselho Nacional de Educação de 2018 determinou que 10% da carga horária dos cursos seja composta por atividades de extensão, o que exige mudanças nos projetos pedagógicos e registro das ações no sistema da Universidade para que possam ser contabilizadas pelo MEC.

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou ações da PR-5 durante o encontro | Foto: Divulgação (SGCOM)

Ivana destacou o papel social da extensão universitária e lembrou que ela concretiza o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão ao promover a troca entre universidade e sociedade. A pró-reitora mencionou ainda iniciativas da gestão para simplificar registros, ampliar ações e fortalecer a comunicação. “Hoje nós temos 2.200 ações de extensão. É um número enorme! Temos projetos, programas, cursos de extensão e eventos. Acabamos de aprovar recentemente a prestação de serviço gratuita também”, afirmou Bentes.

Concurso de Soluções Inovadoras – Prêmio Engaja UFRJ

Na reunião, o pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o edital do I Concurso de Soluções Inovadoras da instituição. O objetivo é identificar, selecionar, valorizar e premiar até dez soluções inovadoras que contribuam para a modernização e melhoria da qualidade de vida da comunidade universitária. As sete áreas de enfoque são: segurança nos campi, acessibilidade, limpeza urbana e gestão de resíduos, alimentação coletiva sustentável, mobilidade, conectividade/telecomunicações e uso eficiente de água e energia.

O pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o Concurso de Soluções Inovadoras da instituição | Foto: Divulgação (PR-6)

“Toda a comunidade universitária poderá participar: docentes, discentes, técnicos administrativos, integrantes das startups criadas na UFRJ, concessionários, permissionários e o corpo de servidores visitantes. Serão avaliados os potenciais de inovação e economia financeira da ideia, o impacto social, a facilidade de implementação e escalabilidade, o uso eficiente de recursos, a adequação da proposta ao tema e ao desafio, além da previsão da emissão de carbono”, explicou Peregrino.

As inscrições começam no dia 16/3 e vão até o dia 15/5, com propostas submetidas por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página da PR-6. Confira o edital do concurso aqui.

Reitor da UFRJ visita instalações do Centro de Saúde Pública de Precisão

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, participou nesta segunda-feira, 2/3, da visita técnica às futuras instalações do Centro de Saúde Pública de Precisão (Cespp) do Complexo Hospitalar da UFRJ (CH-UFRJ), na Cidade Universitária. Com foco na medicina de precisão e na inovação tecnológica aplicada ao Sistema Único de Saúde (SUS), o projeto ampliará a capacidade de pesquisa e assistência em doenças de alta complexidade.

A iniciativa contempla a instalação de laboratórios e plataformas tecnológicas capazes de realizar análises genéticas e identificação de biomarcadores, essenciais para o diagnóstico e o acompanhamento de doenças raras, neoplasias e outras condições de alta complexidade. Durante a visita, também estiveram presentes os seguintes representantes do CH-UFRJ: o superintendente-geral, Amâncio de Carvalho; o superintendente de ensino, Marcelo Land; a superintendente-administrativa, Roberta Coelho; e a chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica, Soniza Vieira Alves Leon.

A infraestrutura científica e tecnológica do Cespp está sendo viabilizada por meio de recursos obtidos em editais públicos, principalmente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cuja liberação financeira ocorreu no final de 2025. No total, foram disponibilizados mais de R$ 14 milhões. Em relação à relevância estratégica do projeto para o enfrentamento das doenças de alta complexidade no país, Medronho foi enfático: “As estimativas hoje são de 13 milhões de brasileiros com uma doença de alta complexidade. Muitas vezes, o diagnóstico tardio aumenta os custos do sistema. Então, esse tipo de iniciativa é absolutamente fantástico, nos orgulha muito”.

A implantação do Cespp faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à pesquisa e inovação no Complexo Hospitalar da UFRJ, que inclui o desenvolvimento de plataformas digitais para análise de dados clínicos e genéticos e a criação de um biobanco institucional. Além disso, o projeto fortalece a integração entre as unidades do CH e as unidades acadêmicas do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e outros centros universitários da UFRJ. O resultado é a ampliação colaborativa entre pesquisadores e profissionais de saúde com uma formação altamente qualificada: “Essa estrutura permitirá a pesquisa e também viabilizará o diagnóstico e o tratamento precoce, além do monitoramento”, destacou Soniza Leon.

Consuni retoma antiga sala no edifício JMM e aprova por aclamação emerência do professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 26/2, a segunda reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, marcou a retomada da antiga sala no edifício Jorge Machado Moreira (JMM) como local oficial das reuniões e se concentrou majoritariamente na análise de recursos administrativos, envolvendo concursos públicos, carreira docente, políticas de assistência estudantil e estrutura institucional da Universidade.

Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a concessão do título de Professor Emérito ao docente Marcelo Macedo Corrêa e Castro, aprovada por aclamação pelos conselheiros. A honraria é atribuída aos professores titulares aposentados que, ao longo da carreira, prestaram serviços de excepcional relevância à Universidade.

Corrêa e Castro ingressou como docente na UFRJ em 1/3/1980 e se aposentou em 29/7/2024. Durante os mais de 44 anos em exercício, atuou no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão, sempre em defesa da educação, especialmente do ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

“A minha presença aqui hoje tem a ver com o significado que o professor Marcelo tem para nossa unidade acadêmica, mas a gente sabe que não é só para nossa unidade”, afirmou a diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura. Segundo ela, o professor construiu uma carreira marcada por algo raro na vida universitária: a atuação simultânea e consistente em três dimensões: ensino, pesquisa e extensão, sem se afastar das funções de gestão e representação institucional.

A diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura | Foto: Sonia Toledo (SGCOM/UFRJ)

Durante seu pronunciamento, a diretora relembrou o papel central do docente no processo de reconstrução da FE, especialmente no fim da década de 1990, período descrito como particularmente desafiador para a unidade. “O professor Marcelo teve um papel fundamental nesse processo, sem abrir mão de ser professor universitário, pesquisador e extensionista”, destacou.

Entre as contribuições mencionadas estão o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp), a ampliação da interlocução com as escolas públicas, a criação da Revista Contemporânea de Educação e a articulação permanente da Faculdade de Educação com outras unidades da UFRJ e instituições externas.

Por fim, Moura ressaltou o papel do professor como referência intelectual e institucional. “A gente brincava dizendo que, com a aposentadoria dele, perderíamos o ‘oráculo’, porque qualquer dúvida sobre a UFRJ era ao professor Marcelo que recorríamos”, afirmou. Ao concluir, destacou o caráter simbólico da concessão do título: “Esse reconhecimento não é apenas para uma unidade acadêmica ou para a UFRJ, mas para a educação brasileira. O professor Marcelo não apenas construiu sua trajetória, mas ajudou a construir a própria Universidade”.

Já o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, deu um depoimento no qual ressaltou não apenas a excelência acadêmica do homenageado, mas também seu caráter e a postura ética ao longo da trajetória na instituição. “Não abria mão das suas opiniões, mas sempre de forma muito cordata, sempre ouvindo as visões distintas”, disse Medronho, evidenciando a capacidade de diálogo do docente, mesmo diante de divergências.

Assistência e permanência estudantil

Durante a reunião do Consuni, a bancada estudantil fez um ato em protesto ao redimensionamento das bolsas de monitoria. Os estudantes levantaram cartazes que pediam “+ bolsas” e defendiam que “sem bolsas, a UFRJ não faz ciência”. 

“Quando a gente corta essas bolsas, a gente está excluindo estudantes da produção científica e da democracia na nossa Universidade”, declarou a conselheira Isadora, que reconheceu o cenário de recursos escassos, no entanto ponderou que o debate central deve ser sobre os critérios de distribuição: “Nós sabemos que é pouco. Mas como vai ser destinado, como vai ser distribuído, é o que a gente precisa ter mais transparência, mais participação e mais seriedade”. 

Em resposta, a superintendente-geral de Graduação, Georgia Correa Atella, esclareceu os critérios adotados na decisão, salientando que a medida foi motivada por questões orçamentárias e técnicas. Atella enfatizou que a importância da monitoria é reconhecida tanto pelos docentes quanto pela gestão universitária, e destacou que, após a ampliação das políticas de ações afirmativas, a demanda por políticas de permanência na Universidade aumentou: atualmente, cerca de 60% dos estudantes da UFRJ ingressam por ações afirmativas, o que reforça a necessidade de ampliação dos auxílios estudantis e das bolsas acadêmicas. 

Estrutura institucional

Na segunda sessão ordinária do ano, foi aprovada a proposta de resolução que institui a Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin) e o seu Regimento Interno. Criada por portaria em 2015, a Corin tem por objetivo ser um canal institucional de relação da Universidade com os órgãos de Estado, incluindo os de controle, de representação jurídica da instituição, e com o Legislativo, quanto ao processo de elaboração de leis e normas pertinentes à educação superior e às políticas de ciência e tecnologia. A instituição da coordenação por meio de resolução possibilita o preenchimento de um dos requisitos da Controladoria-Geral da União (CGU) para que a mesma seja reconhecida como Unidade de Correição Instituída (UCI) – estrutura correcional formalizada em órgãos do Poder Executivo Federal, com autonomia e competência para conduzir processos disciplinares, inclusive aplicar penalidades expulsivas.