Primeira plenária de decanos e diretores da UFRJ discute cenário de 2026 e apresenta iniciativas de extensão e inovação

O Salão Nobre do Conselho Universitário (Consuni), no Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou, na manhã de quinta-feira, 5/3, a primeira plenária de decanos e diretores da instituição deste ano. O encontro teve como objetivo discutir e deliberar sobre projetos, além de questões administrativas e estratégicas. Representantes dos campi de Duque de Caxias e Macaé acompanharam a reunião de forma remota.

No início da plenária, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que 2026 tende a ser um ano difícil para as universidades, marcado por questionamentos e pressões externas sobre as instituições públicas de ensino superior. Destacou, porém, que a melhor resposta da instituição é continuar produzindo conhecimento. “O que nós podemos fazer é ampliar as nossas entregas à sociedade e reafirmar nossa excelência acadêmica”, disse o reitor.

Como exemplo do reconhecimento social, mencionou que a UFRJ, pela terceira vez consecutiva, conquistou o 1º lugar na categoria Educação do prêmio Os Mais Amados do Rio, da Revista Veja, que revela lugares, marcas e serviços preferidos dos cariocas. Em menos de 20 dias, 10.000 pessoas escolheram seus favoritos em 50 setores relacionados à vida cotidiana.

Apresentação da PR-5

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou que a gestão iniciou um mutirão para ampliar a inserção curricular da extensão em todos os cursos de graduação da Universidade. Segundo ela, a discussão sobre essa inserção começou em 2013, mas ainda não alcançou todos os cursos. Ela ressaltou que uma resolução do Conselho Nacional de Educação de 2018 determinou que 10% da carga horária dos cursos seja composta por atividades de extensão, o que exige mudanças nos projetos pedagógicos e registro das ações no sistema da Universidade para que possam ser contabilizadas pelo MEC.

A  pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, mostrou ações da PR-5 durante o encontro | Foto: Divulgação (SGCOM)

Ivana destacou o papel social da extensão universitária e lembrou que ela concretiza o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão ao promover a troca entre universidade e sociedade. A pró-reitora mencionou ainda iniciativas da gestão para simplificar registros, ampliar ações e fortalecer a comunicação. “Hoje nós temos 2.200 ações de extensão. É um número enorme! Temos projetos, programas, cursos de extensão e eventos. Acabamos de aprovar recentemente a prestação de serviço gratuita também”, afirmou Bentes.

Concurso de Soluções Inovadoras – Prêmio Engaja UFRJ

Na reunião, o pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o edital do I Concurso de Soluções Inovadoras da instituição. O objetivo é identificar, selecionar, valorizar e premiar até dez soluções inovadoras que contribuam para a modernização e melhoria da qualidade de vida da comunidade universitária. As sete áreas de enfoque são: segurança nos campi, acessibilidade, limpeza urbana e gestão de resíduos, alimentação coletiva sustentável, mobilidade, conectividade/telecomunicações e uso eficiente de água e energia.

O pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ, Fernando Peregrino, falou sobre o Concurso de Soluções Inovadoras da instituição | Foto: Divulgação (PR-6)

“Toda a comunidade universitária poderá participar: docentes, discentes, técnicos administrativos, integrantes das startups criadas na UFRJ, concessionários, permissionários e o corpo de servidores visitantes. Serão avaliados os potenciais de inovação e economia financeira da ideia, o impacto social, a facilidade de implementação e escalabilidade, o uso eficiente de recursos, a adequação da proposta ao tema e ao desafio, além da previsão da emissão de carbono”, explicou Peregrino.

As inscrições começam no dia 16/3 e vão até o dia 15/5, com propostas submetidas por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página da PR-6. Confira o edital do concurso aqui.

Reitor da UFRJ visita instalações do Centro de Saúde Pública de Precisão

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, participou nesta segunda-feira, 2/3, da visita técnica às futuras instalações do Centro de Saúde Pública de Precisão (Cespp) do Complexo Hospitalar da UFRJ (CH-UFRJ), na Cidade Universitária. Com foco na medicina de precisão e na inovação tecnológica aplicada ao Sistema Único de Saúde (SUS), o projeto ampliará a capacidade de pesquisa e assistência em doenças de alta complexidade.

A iniciativa contempla a instalação de laboratórios e plataformas tecnológicas capazes de realizar análises genéticas e identificação de biomarcadores, essenciais para o diagnóstico e o acompanhamento de doenças raras, neoplasias e outras condições de alta complexidade. Durante a visita, também estiveram presentes os seguintes representantes do CH-UFRJ: o superintendente-geral, Amâncio de Carvalho; o superintendente de ensino, Marcelo Land; a superintendente-administrativa, Roberta Coelho; e a chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica, Soniza Vieira Alves Leon.

A infraestrutura científica e tecnológica do Cespp está sendo viabilizada por meio de recursos obtidos em editais públicos, principalmente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cuja liberação financeira ocorreu no final de 2025. No total, foram disponibilizados mais de R$ 14 milhões. Em relação à relevância estratégica do projeto para o enfrentamento das doenças de alta complexidade no país, Medronho foi enfático: “As estimativas hoje são de 13 milhões de brasileiros com uma doença de alta complexidade. Muitas vezes, o diagnóstico tardio aumenta os custos do sistema. Então, esse tipo de iniciativa é absolutamente fantástico, nos orgulha muito”.

A implantação do Cespp faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à pesquisa e inovação no Complexo Hospitalar da UFRJ, que inclui o desenvolvimento de plataformas digitais para análise de dados clínicos e genéticos e a criação de um biobanco institucional. Além disso, o projeto fortalece a integração entre as unidades do CH e as unidades acadêmicas do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e outros centros universitários da UFRJ. O resultado é a ampliação colaborativa entre pesquisadores e profissionais de saúde com uma formação altamente qualificada: “Essa estrutura permitirá a pesquisa e também viabilizará o diagnóstico e o tratamento precoce, além do monitoramento”, destacou Soniza Leon.

Consuni retoma antiga sala no edifício JMM e aprova por aclamação emerência do professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quinta-feira, 26/2, a segunda reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, marcou a retomada da antiga sala no edifício Jorge Machado Moreira (JMM) como local oficial das reuniões e se concentrou majoritariamente na análise de recursos administrativos, envolvendo concursos públicos, carreira docente, políticas de assistência estudantil e estrutura institucional da Universidade.

Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a concessão do título de Professor Emérito ao docente Marcelo Macedo Corrêa e Castro, aprovada por aclamação pelos conselheiros. A honraria é atribuída aos professores titulares aposentados que, ao longo da carreira, prestaram serviços de excepcional relevância à Universidade.

Corrêa e Castro ingressou como docente na UFRJ em 1/3/1980 e se aposentou em 29/7/2024. Durante os mais de 44 anos em exercício, atuou no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão, sempre em defesa da educação, especialmente do ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

“A minha presença aqui hoje tem a ver com o significado que o professor Marcelo tem para nossa unidade acadêmica, mas a gente sabe que não é só para nossa unidade”, afirmou a diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura. Segundo ela, o professor construiu uma carreira marcada por algo raro na vida universitária: a atuação simultânea e consistente em três dimensões: ensino, pesquisa e extensão, sem se afastar das funções de gestão e representação institucional.

A diretora da Faculdade de Educação (FE), Ana Paula Moura | Foto: Sonia Toledo (SGCOM/UFRJ)

Durante seu pronunciamento, a diretora relembrou o papel central do docente no processo de reconstrução da FE, especialmente no fim da década de 1990, período descrito como particularmente desafiador para a unidade. “O professor Marcelo teve um papel fundamental nesse processo, sem abrir mão de ser professor universitário, pesquisador e extensionista”, destacou.

Entre as contribuições mencionadas estão o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp), a ampliação da interlocução com as escolas públicas, a criação da Revista Contemporânea de Educação e a articulação permanente da Faculdade de Educação com outras unidades da UFRJ e instituições externas.

Por fim, Moura ressaltou o papel do professor como referência intelectual e institucional. “A gente brincava dizendo que, com a aposentadoria dele, perderíamos o ‘oráculo’, porque qualquer dúvida sobre a UFRJ era ao professor Marcelo que recorríamos”, afirmou. Ao concluir, destacou o caráter simbólico da concessão do título: “Esse reconhecimento não é apenas para uma unidade acadêmica ou para a UFRJ, mas para a educação brasileira. O professor Marcelo não apenas construiu sua trajetória, mas ajudou a construir a própria Universidade”.

Já o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, deu um depoimento no qual ressaltou não apenas a excelência acadêmica do homenageado, mas também seu caráter e a postura ética ao longo da trajetória na instituição. “Não abria mão das suas opiniões, mas sempre de forma muito cordata, sempre ouvindo as visões distintas”, disse Medronho, evidenciando a capacidade de diálogo do docente, mesmo diante de divergências.

Assistência e permanência estudantil

Durante a reunião do Consuni, a bancada estudantil fez um ato em protesto ao redimensionamento das bolsas de monitoria. Os estudantes levantaram cartazes que pediam “+ bolsas” e defendiam que “sem bolsas, a UFRJ não faz ciência”. 

“Quando a gente corta essas bolsas, a gente está excluindo estudantes da produção científica e da democracia na nossa Universidade”, declarou a conselheira Isadora, que reconheceu o cenário de recursos escassos, no entanto ponderou que o debate central deve ser sobre os critérios de distribuição: “Nós sabemos que é pouco. Mas como vai ser destinado, como vai ser distribuído, é o que a gente precisa ter mais transparência, mais participação e mais seriedade”. 

Em resposta, a superintendente-geral de Graduação, Georgia Correa Atella, esclareceu os critérios adotados na decisão, salientando que a medida foi motivada por questões orçamentárias e técnicas. Atella enfatizou que a importância da monitoria é reconhecida tanto pelos docentes quanto pela gestão universitária, e destacou que, após a ampliação das políticas de ações afirmativas, a demanda por políticas de permanência na Universidade aumentou: atualmente, cerca de 60% dos estudantes da UFRJ ingressam por ações afirmativas, o que reforça a necessidade de ampliação dos auxílios estudantis e das bolsas acadêmicas. 

Estrutura institucional

Na segunda sessão ordinária do ano, foi aprovada a proposta de resolução que institui a Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin) e o seu Regimento Interno. Criada por portaria em 2015, a Corin tem por objetivo ser um canal institucional de relação da Universidade com os órgãos de Estado, incluindo os de controle, de representação jurídica da instituição, e com o Legislativo, quanto ao processo de elaboração de leis e normas pertinentes à educação superior e às políticas de ciência e tecnologia. A instituição da coordenação por meio de resolução possibilita o preenchimento de um dos requisitos da Controladoria-Geral da União (CGU) para que a mesma seja reconhecida como Unidade de Correição Instituída (UCI) – estrutura correcional formalizada em órgãos do Poder Executivo Federal, com autonomia e competência para conduzir processos disciplinares, inclusive aplicar penalidades expulsivas.

UFRJ recebe delegação da Rússia para fortalecer cooperação acadêmica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu, nos dias 19 e 20/2, uma delegação da Moscow State Linguistic University (MSLU) para discutir novas frentes de cooperação, com destaque para iniciativas conjuntas de ensino, pesquisa e intercâmbio acadêmico.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria com a universidade russa é estratégica e reforça valores em comum, contribuindo para o fortalecimento de uma agenda internacional baseada no diálogo, na diversidade cultural e na produção de conhecimento. 

“A Moscow State Linguistic University é um verdadeiro farol da diplomacia linguística e um centro de formação intelectual de excelência, responsável por preparar especialistas capazes de transpor ideias complexas entre diferentes contextos culturais. Ao longo de décadas, a MSLU tem desempenhado um papel central na construção de pontes acadêmicas, culturais e institucionais entre a Rússia e o mundo”, afirmou Medronho.

Participaram das reuniões de trabalho, pela UFRJ, a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andrea Belfort; a professora Patricia Maria Campos de Almeida, do Setor de Português como Língua Estrangeira (SePLE); e o reitor, Roberto Medronho. Pela MSLU, estiveram presentes a vice-reitora, Olga Iriskhanova; e a professora associada do Departamento de Língua Portuguesa Zoya Dolgikh.

Além da área de línguas, a parceria estrutura-se em interface com outras áreas do conhecimento. “É uma perspectiva multidisciplinar, visando ao desenvolvimento de pesquisas, à articulação de iniciativas acadêmicas e à promoção da mobilidade de docentes e estudantes”, explicou Andrea Belfort. 

As atividades foram realizadas em consonância com a política de internacionalização da UFRJ e contribuem para a consolidação de uma cooperação internacional sustentável e de longo prazo.

Reunião de trabalho entre o SePLE, representado pela professora Patricia Almeida, e a MSLU, representada pela vice-reitora, Olga Iriskhanova, e a professora Zoya Dolgikh. O encontro foi presidido pela superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ | Foto: Divulgação

UFRJ celebra 200 anos de expedição russa e impulsiona monitoramento ambiental no Bico do Papagaio

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na manhã de 13/2, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), na Praia do Flamengo, o painel Às vésperas do 200º aniversário da primeira expedição russa à Amazônia. O encontro marcou a retomada histórica da cooperação científica entre Brasil e Rússia e discutiu a implantação da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio, iniciativa voltada ao estudo dos ciclos do carbono e das dinâmicas climáticas na Amazônia.

O evento reuniu professores da UFRJ, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que participaram remotamente, e representantes da Universidade Estatal de Tyumen (UTMN), instituição russa fundada em 1930. O painel resgatou o legado da Expedição Langsdorff (1821–1829), financiada pelo Império Russo e considerada o mais amplo inventário científico do Brasil no século XIX. A expedição produziu registros fundamentais sobre biodiversidade, geografia, clima, populações indígenas e paisagens naturais, muitos dos quais relacionados a áreas hoje estratégicas para o monitoramento ambiental.

Durante o encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou que a realização do painel carrega um significado histórico profundo para a cooperação científica entre os dois países visto que o projeto pode ser compreendido como uma versão contemporânea, mais sofisticada e tecnologicamente avançada, da expedição realizada no século XIX.

“Temos certeza de que a parceria que estamos aprofundando aqui hoje será muito importante para o mundo inteiro. Este é o início de uma longa caminhada para novos conhecimentos científicos e para que possamos contribuir com um dos temas mais relevantes da atualidade: as mudanças climáticas”, disse o reitor.

Painel comemorou os 200 anos da primeira expedição russa à Amazônia | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ)

A programação do painel incluiu mesa de debates, sessão de perguntas e respostas, além de apresentação on-line sobre o estado da arte do projeto Bico do Papagaio. Ao estabelecer um paralelo entre passado e presente, os participantes destacaram que, se há dois séculos o território brasileiro era objeto de observação científica pioneira, atualmente o país se consolida como espaço de coprodução de conhecimento, voltado a desafios globais como as mudanças climáticas, a proteção da sociobiodiversidade e a governança ambiental baseada em dados.

A proposta de construção da Estação de Monitoramento do Bico do Papagaio foi apresentada como continuidade histórica dessa cooperação, agora sob o paradigma da ciência aberta, colaborativa e orientada à sustentabilidade. A integração da futura estação à Rede Polígono do Carbono Espelho, da Federação Russa, deverá fortalecer o papel da Amazônia e das áreas de transição ecológica como laboratórios naturais para a compreensão dos ciclos do carbono e de seus impactos climáticos globais.

O pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) da UFRJ, João Ramos Torres de Mello Neto, destacou a posição da Universidade no cenário acadêmico nacional e internacional. Ressaltou ainda que a UFRJ possui áreas de excelência consolidadas, especialmente em engenharia e medicina, mas enfatizou o potencial estratégico das pesquisas em ecologia e mudanças climáticas. “Se antes o Brasil era sobretudo observado, hoje ele é parte de uma rede de cooperação horizontal, com ciência aberta, colaboração internacional e infraestrutura de pesquisa voltada para a sustentabilidade”, disse Torres de Mello.

O professor do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem/UFRJ), Francisco Esteves, lembrou da influência da tradição científica russa em sua formação e destacou o papel histórico de Langsdorff na organização de um núcleo multidisciplinar que produziu conhecimentos fundamentais sobre a flora e a fauna brasileiras. Para ele, o projeto atual retoma esse legado à luz da crise climática.

“Essa parceria que se inicia hoje representa o começo de uma caminhada que nos levará a uma grande contribuição para o conhecimento da biodiversidade, tanto terrestre quanto aquática, dos ecossistemas amazônicos e das áreas que os circundam”, afirmou Esteves.

 O encontro também reafirmou o valor simbólico da celebração dos 200 anos de intercâmbio científico entre Brasil e Rússia, projetando o legado histórico para o futuro por meio de infraestrutura de pesquisa capaz de formar recursos humanos e subsidiar políticas públicas ambientais. Participaram também do evento o professor João Paulo Machado Torres, da UFRJ, e Freud Romão, da UFNT, que realizou apresentação on-line. Pela Universidade russa estiveram presentes o reitor, Ivan Sergeevich Romanchuk; o primeiro vice-reitor, Andrey Viktorovich Tolstikov; o vice-reitor e diretor da Escola de Direito e Gestão, Sergey Sergeevich Zenin; o assessor do reitor, Ivan Sergeevich Prokhorov; o chefe do Departamento de Inovação e Ciência, Georgy Nikolaevich Suvorov; o chefe do Departamento de Política Estudantil, Denis Yuryevich Stepanchuk; o especialista em Brasil e tradutor de português, Ruslan Igorevich Proklov; e o cônsul da Federação Russa, Alexandr Alexandrovich Korolev.

Primeira reunião de 2026 do Consuni aprova por unanimidade nova titular da PR-3, títulos e debate segurança na UFRJ

O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, na quarta-feira, 12/2, a primeira reunião ordinária de 2026. A sessão, em formato híbrido, ocorreu às 9h30, na sala E-212 da Escola de Química, no Centro de Tecnologia, na Cidade Universitária.

Na abertura dos trabalhos, os conselheiros apreciaram a ata da sessão anterior, realizada em 11/12/2025. Em seguida, a pauta avançou sobre temas estratégicos para a administração central, a organização interna do colegiado e a vida acadêmica da Universidade.

“É importante demonstrar que na Universidade nós somos diversos, temos opiniões divergentes, mas que lidamos com ela de forma democrática, num momento que vemos vários tipos de violência na sociedade. Estamos juntos na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade e da ciência, tecnologia e inovação como verdadeiros sentidos da soberania nacional”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

Entre os principais pontos da ordem do dia esteve a discussão acerca da proposta de resolução que institui a Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana e formaliza o respectivo Plano de Contingência no âmbito da UFRJ. A iniciativa busca estabelecer diretrizes institucionais para prevenção e resposta a situações de risco nos campi.

Foram apresentadas três propostas de encaminhamento: apreciação do tema como primeiro ponto de pauta para a reunião do Conselho, no dia 12/3; recomendação de que já seja iniciada a contribuição de propostas de alteração para o documento encaminhado aos conselheiros, para agilizar a discussão; implementação de um protocolo parcial até que seja aprovado um definitivo. 

O Conselho aprovou, por unanimidade, a indicação da professora Gisele Viana Pires para o cargo de pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, em cumprimento ao Estatuto da Universidade. Ela deixou o cargo de diretora de Desenvolvimento da Educação em Saúde que ocupava na Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/Mec).

Gisele Viana Pires foi aprovada, por unanimidade, para o cargo de pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças da UFRJ | Foto: Sônia Toledo (SGCOM/UFRJ)

“Esse convite foi alicerçado em confiança, respeito e reconhecimento. Agradeço ao reitor e ao Conselho Universitário por terem referendado meu nome por unanimidade, o que me deixa muito feliz e aumenta a minha responsabilidade. Também gostaria de destacar o grande acolhimento que tive por toda a equipe de pró-reitores. Sei que teremos enormes desafios, mas nossa trajetória mostra que não temos medo de enfrentá-los, destacou Gisele.  

No campo das homenagens acadêmicas, o Conselho Universitário aprovou por unanimidade e aclamação a concessão do título de doutor honoris causa ao professor Fausto José da Conceição Alexandre Pinto, além dos títulos de professora emérita à professora Belita Koiller e de professores eméritos aos docentes Clemax do Couto Sant’Anna e Jerson Lima da Silva. As distinções, já aprovadas pelas respectivas congregações e conselhos de coordenação das unidades, reconhecem a trajetória, a excelência acadêmica e a contribuição dos homenageados para o ensino, a pesquisa e o desenvolvimento institucional da UFRJ.

“Fiz questão de registrar minha admiração pelo professor Clemax Sant’Anna, uma grande inspiração para todos nós: pessoa simples e humilde, mas de competência absoluta, reconhecido como grande especialista em tuberculose infantil do Brasil e da América. Foi meu professor homenageado da turma e enfrentou muitas barreiras por causa da cor da sua pele, em uma época em que não havia políticas reparatórias. Sua importância na minha formação e na de várias gerações de médicos e médicas é inegável. Da mesma forma, destaco o professor Jerson Lima, meu contemporâneo de faculdade, que sempre sobressaiu pela excelência. Além de grande cientista, reúne uma capacidade de gestão impressionante”, disse o reitor.

Outro item de destaque foi a eleição dos membros das comissões permanentes do Consuni, Legislação e Normas, Ensino e Títulos e Desenvolvimento, conforme prevê o Regimento Interno, que determina a escolha dos integrantes na primeira sessão de cada ano.

A pauta incluiu ainda a apreciação de proposta de resolução para criação da Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin), com aprovação de seu regimento interno, além da análise da atuação da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB) como fundação de apoio à Fundação Casa de Rui Barbosa e à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

No campo acadêmico, o Consuni deliberou sobre recursos relacionados a concursos públicos para docentes, pedidos de reposicionamento e alteração de regime de trabalho, bem como promoções e incentivos à qualificação. Também foram apreciados recursos contra cancelamento de matrícula por autodeclaração racial não confirmada por comissão de heteroidentificação.

Reunião tratou de temas estratégicos para a UFRJ | Foto: Sônia Toledo (SGCOM/UFRJ)

Com uma pauta extensa, composta por 40 itens, a primeira sessão do ano apontou  que 2026 será de grandes realizações.

UFRJ firma acordo de cooperação científica com universidade russa para monitoramento ambiental da Amazônia e do Cerrado

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinou, na quinta-feira, 5/2, um acordo de cooperação científica e tecnológica com a Universidade de Tyumen, da Rússia, voltado ao desenvolvimento de pesquisas ambientais estratégicas no Brasil. A parceria foi formalizada em cerimônia realizada no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Brasília, com a presença de autoridades brasileiras e russas.

O acordo, assinado pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e pelo reitor da Universidade de Tyumen, Ivan Romanchuk, integra uma articulação internacional que reúne, além da UFRJ e da instituição russa, a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). O foco da cooperação está na criação e no aprimoramento de uma estação de monitoramento ecológico da Amazônia e do Cerrado brasileiros.

O encontro contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do ministro da Ciência e Tecnologia da Federação da Rússia, Valery Falkov, reforçando o caráter estratégico da cooperação científica entre os dois países. A iniciativa busca ampliar o intercâmbio acadêmico, a produção conjunta de conhecimento e o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Para a UFRJ, a parceria fortalece a internacionalização da pesquisa e consolida o papel da universidade em projetos de grande relevância socioambiental. A atuação conjunta com instituições brasileiras e russas permite integrar expertises complementares e ampliar o alcance científico das investigações sobre dois dos biomas mais importantes do país.

“Este acordo representa um passo significativo para a ciência brasileira e para a cooperação internacional. Ao unir universidades de excelência do Brasil e da Rússia, ampliamos nossa capacidade de produzir conhecimento qualificado sobre a Amazônia e o Cerrado, biomas fundamentais não apenas para o país, mas para o equilíbrio ambiental global”, destacou Medronho.

Além da UFRJ e da Universidade de Tyumen, acordo integra uma articulação internacional que reúne a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e a UFNT | Foto: Divulgação

Agenda em Brasília

Também no dia 5/2, o reitor da UFRJ participou do Fórum Empresarial Brasil–Rússia, realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento reuniu autoridades dos dois países, entre elas o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o primeiro-ministro da Federação da Rússia, Mikhail Mishustin, e debateu perspectivas de cooperação bilateral em áreas como ciência, tecnologia, inovação, desenvolvimento sustentável e transição energética.

Reitoria da UFRJ recebe representantes de instituições de ensino da Rússia 

Nesta quarta-feira, 4/2, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, se reuniu com o reitor da Universidade Estatal Derzhavin Tambov, Pavel Moiseev, acompanhado pelo cônsul Alexander Korolev. Na sequência, foi a vez do chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Instituto Pushkin, Daniil Sin, ser recebido no Gabinete da Reitoria, na Cidade Universitária.  

De acordo com a Superintendência-Geral de Relações Internacionais (Sgri) da UFRJ, o objetivo dos dois encontros foi promover o fortalecimento da cooperação Brasil–Rússia por meio da ampliação do diálogo e da articulação entre as instituições de ensino. Como saldo da conversa, foram definidos encaminhamentos com vistas ao avanço das parcerias acadêmicas e da promoção de novas agendas de trabalho.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho, com chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Instituto Pushkin, Daniil Sin | Foto: Sônia Toledo

Conforme explica Medronho, a decisão da Universidade de expandir a internacionalização está alinhada com a política externa adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Estamos mudando a visão da nossa política externa. Acreditamos que o mundo precisa ser multipolar. Isso é possível com uma relação de parceria e cooperação, que  se alcança com respeito às diferenças e à soberania dos países. Temos testemunhado essa postura com as universidades russas e chinesas. Recentemente, inclusive, inauguramos o Centro Brasil-Rússia e tem nos impressionado bastante o interesse dos jovens pela cultura russa”.

Um cardápio educacional alinhado

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, e a chefe de Gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, receberam nesta segunda-feira, 2/2, a visita de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI): o secretário-executivo do órgão, Luis Manuel Rebelo Fernandes, e a chefe de Gabinete do ministério, Maria Luiza Rangel.

Durante o almoço na Reitoria, na Cidade Universitária, o que não faltou no cardápio da conversa foram agradecimentos, ênfase ao alinhamento da parceria estratégica entre a UFRJ e o MCTI, além da discussão sobre a recomposição do orçamento da Universidade:

“Primeiro, queremos agradecer formalmente à intervenção do secretário-executivo, Luis Fernandes, que possibilitou destravar a obra do Restaurante Universitário da Praia Vermelha. Também deixamos registrado que o MCTI é um dos nossos grandes parceiros estratégicos. Só em 2025, conseguimos R$ 97.7 milhões em editais da Finep, Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao MCTI”, frisou Medronho.

Na pauta, também foram abordados assuntos contemporâneos relacionados à ciência e tecnologia, área considerada pelos presentes como vetor de desenvolvimento para a política de soberania nacional: “Estamos concluindo a elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, cujas bases estão totalmente alinhadas com as reflexões e preocupações expostas pelo reitor”, expôs Fernandes, informando ainda que o documento será entregue para a ministra do MCTI, Luciana Santos, no próximo dia 10/2.

Medronho presenteia secretário-executivo do MCTI com revista de divulgação científica da UFRJ| Foto: Sônia Toledo

Durante o encontro, os integrantes do ministério também foram presenteados com exemplares da Minerva, revista de divulgação científica da UFRJ. Até o registro da contracapa recebeu elogios: “Estamos encantados com a Minervinha”, disse Rangel, referindo-se à personagem que irá ilustrar a versão infanto-juvenil da publicação.

UFRJ firma parceria com Prefeitura de Porciúncula para estudo de cheias urbanas

Sob os alertas de chuvas intensas no estado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola Politécnica, firmou, na sexta-feira, 23/1, uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porciúncula e a Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) para o desenvolvimento de um estudo técnico de modelagem das cheias urbanas no município, a partir de um diagnóstico detalhado das inundações fluviais e urbanas. 

O projeto visa avaliar o funcionamento da drenagem urbana do município, o mais setentrional do estado do Rio, no qual estruturas usuais de macrodrenagem falham e os escoamentos pluviais afetam o centro da cidade, somando-se aos efeitos das cheias do Rio Carangola e seus afluentes. Esse contexto se torna ainda mais urgente diante dos eventos registrados em 2020 e 2021, quando graves inundações impactaram significativamente a região, afetando, respectivamente, 26% e 46% da população de Porciúncula. 

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria “não é meramente um ato administrativo”, mas “um compromisso com vidas humanas, com a prevenção, com planejamento urbano inteligente, com a ciência a serviço da sociedade”. Segundo ele, diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos, investir em estudos técnicos torna-se fundamental para prevenir problemas e proteger a população.

Medronho também enfatizou o caráter colaborativo da iniciativa. “A UFRJ não chega apenas para entregar um produto. Chega para construir com o município, com seus dados, suas equipes e sua realidade territorial. É um trabalho conjunto”, afirmou. Para ele, a troca entre universidade e cidade fortalece tanto a gestão pública quanto a formação acadêmica: “Nossos estudantes e pesquisadores aprendem com o desafio real, com a cidade viva e com a urgência do cotidiano”.

Já a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, defendeu a ampliação da presença da UFRJ no interior do estado, ressaltando a importância da troca entre universidade e municípios. “Quando a gente interage com as cidades e com a nossa comunidade, nós levamos conhecimento, mas também temos muito a aprender”, afirmou Cássia, que acredita que a aproximação fortalece os cursos de graduação, os programas de pós-graduação e gera benefícios diretos para toda a comunidade acadêmica.

Egresso da UFRJ, o prefeito de Porciúncula, Guilherme Fonseca Cardoso, por sua vez, destacou a relevância do acordo para o enfrentamento de um desafio histórico do município: as enchentes. Em sua fala, ele enfatizou a confiança na universidade pública brasileira e classificou a parceria com a UFRJ como um legado para as próximas gerações. “Confiar o futuro de Porciúncula a esse projeto é uma decisão importante. O histórico do município em relação às enchentes é muito dramático”, disse.

A cerimônia de assinatura do acordo entre as instituições, realizada no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT), contou, ainda, com a participação da vice-decana do CT, Maria Inês Bruno Tavares; da diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado; do coordenador do projeto, Marcelo Gomes Miguez; e do secretário municipal de Urbanismo de Porciúncula, Gabriel Gonçalves.

Evento aconteceu no Salão Nobre da Decania do CT | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Metodologia do estudo

O projeto prevê o desenvolvimento de um modelo hidrológico e hidrodinâmico capaz de simular os eventos de inundação e testar a efetividade de diferentes cenários de intervenção. A metodologia inclui o reconhecimento da área, a caracterização de chuvas intensas, simulações do sistema atual e de soluções propostas, além da integração com o ambiente construído e diretrizes para o planejamento urbano.

“O estudo pretende apresentar um conjunto de soluções para mitigação das inundações nas sub-bacias do Rio Carangola dentro do território municipal, avaliadas por meio de simulações matemáticas. As diretrizes adotadas se baseiam na abordagem de infraestrutura verde e azul, que considera o território na escala da bacia hidrográfica e organiza as intervenções a partir das conexões entre áreas de interesse ecológico e áreas urbanas, utilizando a própria rede hidrográfica como elemento estruturador do planejamento da paisagem e do projeto de controle de inundações”, explicou o coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez.

O coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)