UFRJ concede título de professor emérito a Francisco Esteves

Francisco de Assis Esteves é o novo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de ser fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), com a honraria, o titular aposentado tornou-se o primeiro docente do Núcleo a ser contemplado com a homenagem. Professor Chico, como é carinhosamente chamado, também é pioneiro como ecólogo diplomado no país e na construção do campo da Limnologia, ciência multidisciplinar que estuda as águas continentais, tais como lagos, lagoas, rios, riachos, reservatórios e áreas úmidas. Ele também é autor do livro Fundamentos de Limnologia, uma das principais referências da área no Brasil e no exterior.

A concessão do título foi oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, realizada na quarta-feira, 14/10, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária. Além do homenageado, também participaram da mesa, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; a diretora do Nupem, Cíntia Barros; e os oradores do evento, o decano do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé (CMM), Thiago Lima, e o professor do Instituto de Biologia (IB), Reinaldo Bozelli. Além da presença da comissão de honra, a cerimônia foi marcada por diversas homenagens, com entrega de placas pelo corpo social da UFRJ. Na ocasião, o docente também foi agraciado com o título de cidadania macaense pelos relevantes serviços prestados àquele município.

Cerimônia de emerência aconteceu no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no CCS | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Francisco de Assis Esteves é graduado em Biologia pela UFRJ (1973) e concluiu seu doutorado summa cum laude no Instituto Max Planck, na Alemanha, em 1978. Inicialmente, o professor fixou-se na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), onde fundou o Laboratório de Ecologia de Macrófitas Aquáticas. O docente transferiu-se para a UFRJ em 1989, onde estruturou o Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Na instituição, atua na coordenação de projetos de educação ambiental, sendo um dos idealizadores da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER) da Universidade. Ao longo de sua carreira, Chico Esteves produziu mais de duas centenas de artigos científicos e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Limnologia.

Mesa de honra da solenidade| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além de destacar a relevância acadêmica do novo emérito, Roberto Medronho apresentou uma outra dimensão da trajetória do professor: a capacidade da convivência da vocação científica do docente com seus compromissos afetivos e familiares. O reitor afirmou que a homenagem do título se estende ao “homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim”.

“A ciência nunca foi justificativa para abandonar os seus vínculos. Chico Esteves não consegue deixar de ser professor nem durante o passeio com seus netos: cada árvore pode virar uma história; cada inseto, uma pergunta; cada lagoa, uma aula. Ele fala sobre plantas, animais, rios, florestas, ecossistema. Chico Esteves explica, pergunta, provoca e ensina a olhar e a se inspirar na natureza. Isso talvez seja uma das mais belas definições de educador. É alguém que ensina uma criança não apenas a saber mais, mas a querer saber mais. Uma vez, o próprio Chico me disse uma frase que ficou em minha memória e sintetiza bem essa vocação que eu acompanho por toda a vida: ‘O educador nunca se aposenta’. Chico é a prova viva disso”.

Novo professor emérito com o reitor da UFRJ, Roberto Medronho| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

O compromisso do emérito filho de Minerva

De fato, em seu discurso, o homenageado colocou em prática o que havia dito ao reitor da UFRJ. Com uma fala contextualizada pelo atual período brasileiro, o professor Chico Esteves enfatizou que segue atuante e comprometido com a educação e com o país:

“Pertenço a uma comunidade chamada de ‘sonhadores contumazes’, de que fazem parte filósofos, poetas e pescadores. Amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir. Especialmente neste momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva, e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios. É hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que possamos ajudar no caminho de uma sociedade mais equânime econômica, social e ambientalmente”.

Em defesa da interiorização

O docente, que também foi o principal articulador do movimento que resultou na criação, em 1998, do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, no norte do estado do Rio de Janeiro, teve papel central no processo de interiorização da UFRJ, que deu origem ao Campus Macaé, primeiro estabelecido fora da cidade do Rio.

Ao referir-se à trajetória de Chico Esteves, Cássia Turci, vice-reitora da UFRJ, relembrou as várias viagens realizadas a Macaé e o enfrentamento das muitas resistências para a interiorização da UFRJ: “Daria para escrever um livro sobre os casos de Macaé com o professor Chico Esteves e com os que fizeram parte dessa história. Não foi fácil. Muitos que nunca tinham ido a Macaé falavam mal sem conhecer o projeto. Esse título é muito merecido pelo professor Chico Esteves. Tenho certeza de que, com ele e com os outros eméritos, nosso corpo social da UFRJ conseguirá pensar um país melhor, mais justo, equânime, democrático, onde as pessoas se sintam felizes. Quem vence e ganha com mais um professor emérito, que fez tanto e ainda vai fazer muito pela educação deste país, é a UFRJ”, concluiu.

Jerson Lima da Silva é o novo professor emérito da UFRJ

Reconhecimento científico, memórias, gratidão e poesia marcaram a cerimônia que concedeu o título de professor emérito ao titular aposentado do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) Jerson Lima da Silva. A homenagem institucional foi oficializada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada na segunda-feira, 21/9, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, na Cidade Universitária. 

Além do docente, compuseram a mesa de honra: o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; o diretor do IBqM, Robson Monteiro; e o professor emérito Wanderley de Souza, orador da cerimônia. Referência no campo da biologia estrutural, Jerson Lima da Silva é responsável pelo desenvolvimento de pesquisas relevantes nas áreas de enovelamento proteico, montagem viral e entendimento dos mecanismos envolvidos no dobramento errado de proteínas, importante em muitas doenças como câncer e doença de Parkinson.

Integrantes da mesa e da comissão de honra durante solenidade de concessão do título de professor emérito ao docente Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Origem humilde e trajetória científica de impacto

Pós-doutor, o docente, que tem graduação em Medicina e doutorado em Biofísica pela UFRJ, iniciou sua trajetória profissional na Universidade em 1988, tornando-se titular no IBqM em 1997. De lá para cá, o professor construiu um legado científico de destaque. Foi diretor-fundador do Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear Jiri Jonas (CNRMN/UFRJ), principal centro da América Latina aparelhado com equipamentos de ressonância magnética nuclear (RMN) de alto campo, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia Mundial de Ciências  para o Avanço da Ciência em Países em Desenvolvimento (Twas, na sigla em inglês) e da Academia Nacional de Medicina (ANM). 

Medronho, contemporâneo de Jerson Lima na graduação na Faculdade de Medicina da UFRJ, trouxe lembranças de quando ainda eram estudantes: “Nós dois éramos moradores de subúrbio em uma época em que não havia ainda ação afirmativa. Muitas vezes, pedimos carona em frente à ‘perna seca’ do HU para conseguir sair do Fundão, já que quase não havia transporte no campus”. O reitor destacou, ainda, o papel complementar da ciência e da poesia na trajetória do homenageado:   

“Em Jerson, ciência e poesia não são territórios opostos. Ambas nascem do espanto diante do mundo, da curiosidade, da procura por aquilo que ainda não conhecemos inteiramente. O cientista interroga a realidade, o poeta amplia o sentido dessa realidade. Jerson reúne essas duas formas de inquietação, o rigor de quem busca compreender e a delicadeza de quem sabe contemplar. Professor, que a ciência continue alimentando suas perguntas, que a poesia continue iluminando suas palavras, e que sua presença continue inspirando esta Universidade que você ajudou e continua ajudando a construir. Muito obrigado, Jerson Lima!”

Professor emérito Jerson Lima da Silva sendo saudado pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Gestão humanizada

Cássia Turci enfatizou um outro aspecto marcante na trajetória do homenageado: “O que mais me toca na atuação do professor Jerson é que além da excelência no ensino, na pesquisa, na extensão, na inovação, ele construiu uma gestão humanizada, com capacidade de ouvir e considerar as variadas opiniões em prol do melhor para nossa UFRJ. Ele é uma liderança muito importante para nossa instituição e para o nosso país, pois reúne capacidade técnica e o cuidado com as pessoas, que é a maior riqueza que temos dentro das universidades públicas. Parabéns, professor Jerson!”.

Formação acadêmica como missão

Ao discorrer sobre a trajetória de Jerson Lima, a decana do CCS, Avany Fernandes, chamou a atenção para a generosidade acadêmica do homenageado: “Gostaria de destacar a formação acadêmica como missão, que faz parte da história do professor Jerson Lima, que contribui para a formação de diversos alunos de graduação e pós-graduação stricto sensu. Seus trabalhos, majoritariamente, envolvendo esses estudantes, também comprovam isso. Essa generosidade científica não é desprendida de uma formação de excelência, mas é participativa e inclusiva. A grandiosidade do recebimento de um título como esse se percebe pela grande quantidade de convidados distribuídos em autoridades, amigos, familiares, alunos, ex-alunos, colegas docentes”. 

Robson Monteiro, por sua vez, enfatizou o papel diferenciado do novo professor emérito da UFRJ na Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj): “Também quero destacar a trajetória do professor Jerson Lima na Faperj, onde atuou de 2003 até 2018 como diretor científico e, posteriormente, de 2019 a 2024 como presidente, somando quase 21 anos nesta agência de fomento. Sua atuação mudou radicalmente o perfil do fomento da pesquisa do estado do Rio de Janeiro, posicionando essa FAP como uma das principais no Brasil. Isso foi fundamental para elevar a qualidade da pesquisa fluminense, possibilitando um salto na relevância científica do nosso estado”, afirmou. 

Do subúrbio para a UFRJ com ciência e poesia

Discurso emocionado e poético do novo professor emérito da UFRJ Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“É com profunda honra e imensa gratidão que recebo o título de professor emérito desta Universidade, a Universidade do Brasil, onde entrei aos 19 anos como estudante de Medicina e onde quase 50 anos depois ainda me sinto um aprendiz. Nenhuma honraria em ciência é verdadeiramente individual. Ela é sempre a fotografia do esforço coletivo. Agradeço a todo o apoio recebido dos colegas, do administrativo, da família, alunos, professores, enfim, de todos que estiveram comigo ao longo dessa trajetória”, disse o homenageado.  

O discurso do professor Jerson Lima também foi permeado por lembranças afetivas e citações poéticas de sua própria autoria. Desde 2016, o homenageado também é atuante na literatura como escritor das seguintes obras: Quase Poesia (2016), Cinzas de Luz (2023), Poemas de Papel (2025) e Vidas Emaranhadas (2026), primeiro romance do docente. Emocionado, o professor fez referência à saudosa mãe, dona Janete, boleira e artesã de flores artificiais, que estimulou as pioneiras curiosidades científicas nos tempos de menino e a sensibilidade artística. Com romantismo, a professora do IBqM, Débora Foguel, integrante de sua comissão de honra e esposa, também teve destaque nas palavras do homenageado, que a designou como sua “perene e amada musa”. 

Homenageado com a professora do IBqM  Débora Foguel, integrante da comissão de honra e esposa | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Foi na Vila Santa Teresa, em Coelho Neto, subúrbio do Rio de Janeiro, que minha mãe nutria todas as nossas buscas pelo conhecimento. A mesada virava fascículos de revistas de divulgação científica no jornaleiro da esquina. Com suas curtas e parcas economias, ela convencia meu pai, com salário relativamente humilde, a comprar coleções de livros”. Baseado em sua própria vivência, o docente enfatizou ainda a importância do reforço em recursos e políticas públicas direcionadas à educação: “Investir em ciência, educação e saúde é também política de reparação. Permite que o filho da boleira de Coelho Neto seja professor emérito de uma universidade pública”, finalizou o novo professor emérito da UFRJ.

UFRJ concede título de Professora Emérita à Ana Luiza Coelho Netto 

Ana Luiza Coelho Netto recebeu na segunda-feira, 14/9, o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A honraria formaliza o reconhecimento institucional da trajetória acadêmica da titular aposentada do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (Igeo) que, nos últimos cinquenta anos, dedicou-se  ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de geógrafos e pesquisadores. A docente é considerada referência em estudos sobre evolução das paisagens, processos hidrológicos e erosivos de encostas, geomorfologia, geoecologia e gestão de riscos de desastres. 

A cerimônia, realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), aconteceu no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. Na ocasião, além da homenageada, também participaram da mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho: a vice-reitora, Cássia Turci; o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor Edson Farias Mello e o orador da solenidade, o professor Marcelo Lopes de Souza, ambos do Igeo.  

Cerimônia de concessão do título de Professora Emérita à docente Ana Luiza Coelho Netto | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Medronho enfatizou o significado da obra da professora Ana Luiza para a ciência e, sobretudo, para a sociedade, afirmando que, atualmente, poucas áreas são tão diretamente relacionadas à vida das pessoas como o campo de atuação da referida docente:  

“Quando estudamos deslizamentos, inundações, erosão, ocupação de encostas, transformação das bacias hidrográficas, estamos falando de ciência, mas também de moradia, planejamento urbano, meio ambiente, desigualdade social e, muitas vezes, de vida e morte. A chuva pode cair para todos, mas seus efeitos são profundamente desiguais na sociedade. Nesse sentido, as relevantes contribuições da área de pesquisa da nossa homenageada tornam-se absolutamente fundamentais para lidarmos preventivamente com estes desastrosos impactos das mudanças climáticas, principalmente junto às populações mais vulneráveis. Parabéns pelo belo e relevante trabalho, professora Ana Luiza!” 

Por sua vez, Cássia Turci frisou o significado daquela solenidade em relação à importância do investimento na representatividade de gênero na instituição: “É muito importante estar no CCMN concedendo o título de emérita para uma mulher, já que, comparativamente, o número de professoras agraciadas com a honraria ainda é pequeno, apesar da crescente valorização do papel das mulheres na nossa Universidade. Nesse sentido, é extremamente gratificante o reconhecimento e a homenagem prestada à professora Ana Luiza, que além de ter a emerência aprovada por aclamação pelo Consuni, continua trazendo suas relevantes contribuições para a sociedade, por meio dos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos dedicados à UFRJ”, afirmou.

Trajetória de referência

Durante sua fala, Ana Luiza, que também fundou e presidiu a União da Geomorfologia Brasileira (UGB), contou que escolheu tornar-se professora de Geografia por ter sido influenciada pela atuação inspiradora de uma docente dos tempos de colégio. De lá para cá, formou-se bacharel em Geografia  (1973) e  mestre em Geografia Física e Geomorfologia (1979) pela UFRJ;  doutora em Geomorfologia e Geoecologia (1985) com distinção máxima (Summa cum laude) pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica; e pós-doutora (1988) pela Universidade da Califórnia-Berkeley, nos Estados Unidos.

A carreira na UFRJ teve início em 1976 como auxiliar de ensino. Posteriormente, Ana Luiza tornou-se professora assistente, professora adjunta e, em 1998, assumiu o cargo de docente titular. Em 1992, fundou o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos (Geoheco), onde são estudados os efeitos das mudanças climáticas e ambientais na dinâmica dos processos geomorfológicos que governam a evolução das encostas, com foco especial nos perigos naturais e indutores de desastres socioambientais.

Entrada da homenageada e da comissão de honra na solenidade realizada no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Integração: conhecimento científico e vivência popular

No discurso da nova professora emérita da UFRJ não faltaram lembranças emocionadas, agradecimentos, relatos de marcos profissionais, como a atuação pós-desastre climático na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e o destaque para a importância da integração dos conhecimentos científicos e da vivência popular, enfatizando a relevância do protagonismo das comunidades na gestão territorial dos riscos: 

“Cada vez mais,  buscamos ampliar essa rede de conexões no circuito multitransdisciplinar nacional e internacional, cujo foco em comum é o interesse na redução dos riscos de desastres. Esta postura envolve um outro modo de pensar coletivamente, buscando novos padrões e funcionalidades no ordenamento territorial e instituindo procedimentos de gestão territorial participativa, integrando o conhecimento científico e o conhecimento da vivência. Nesse contexto, consideramos igualmente relevante dedicar atenção especial à educação formal e à educação coletiva das comunidades expostas a riscos associados a eventos climáticos extremos, para melhor enfrentarmos as ameaças e perigos naturais, especialmente diante das mudanças climáticas e ambientais em curso”, enfatizou Ana Luiza.

Sérgio Fracalanzza recebe o título de professor emérito da UFRJ

O Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi cenário, na quinta-feira, 27/8, da solenidade de outorga do título de Professor Emérito a Sérgio Eduardo Longo Fracalanzza, docente titular aposentado do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG). A honraria celebra uma trajetória de 50 anos pautada pela relação entre o ensino de excelência, a pesquisa e a vocação para a gestão pública.

A indicação foi proposta pelo Departamento de Microbiologia Médica (DMM), aprovada por unanimidade pela Congregação do IMPG e chancelada pelo Conselho de Coordenação do CCS, culminando na aprovação final, por unanimidade e aclamação, pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ.

A mesa diretora da solenidade foi formada pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora, Cássia Turci; pela decana do CCS, Avany Fernandes Pereira; pela diretora do IMPG, Fernanda de Ávila Abreu; além da oradora oficial da cerimônia e professora do IMPG, Lúcia Martins Teixeira.

O homenageado com os componentes da mesa e da comissão de honra  | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ) 

“Algumas cerimônias acadêmicas celebram uma conquista, outras seguem uma trajetória. Mas algumas, como esta, celebram algo ainda maior: uma vida que se tornou parte da própria história da Universidade. É com esse sentimento de enorme alegria que saudamos a concessão deste título que não é um fim, não é um destino; é o início de uma nova jornada. A Universidade está declarando hoje que, a partir de agora, a sua trajetória passa a integrar de forma definitiva e permanente a própria história desta instituição”, destacou o reitor.

Uma vida dedicada à microbiologia, à docência e à gestão

Graduado em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Araraquara em 1973, Fracalanzza iniciou sua história na UFRJ em 1974. No início de seu mestrado, em 1975, assumiu o desafio da docência na instituição como auxiliar de ensino. Após uma breve passagem como professor assistente na Unesp entre 1978 e 1980, retornou definitivamente à UFRJ, onde concluiu seu doutorado em 1986, e se consolidou como uma das maiores referências do país em microbiologia médica.

Na pesquisa, Sérgio Fracalanzza foi pioneiro nacional no estudo de bactérias do gênero Streptococcus, com destaque para o Streptococcus agalactiae (estreptococos do grupo B), causador de infecções graves em recém-nascidos. Suas investigações científicas abriram portas para inúmeras colaborações pelo Brasil e resultaram em uma robusta produção científica, composta por mais de 60 artigos publicados e um livro. Como orientador e mentor, formou gerações de cientistas, liderando a conclusão de 11 dissertações de mestrado e 9 teses de doutorado, além de idealizar e coordenar a Coleção de Culturas do IMPG. Sua liderança científica também se estendeu nacionalmente, tendo presidido a Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) entre 1997 e 1999.

A honraria celebra uma trajetória de 50 anos  | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ) 

A trajetória do homenageado foi destacada pela oradora da cerimônia, Lúcia Martins Teixeira, que lembrou que a caminhada de Fracalanzza se confunde com a história da própria UFRJ. O novo professor emérito da instituição ocupou posições em praticamente todas as esferas de gestão, como a chefia do DMM, por múltiplos mandatos, entre 1986 e 2025; direção do IMPG entre 1994 e 1998, período em que capitaneou a criação do curso de bacharelado em Microbiologia e Imunologia, hoje um dos maiores polos formadores da área no estado; decania do CCS, entre 1998 e 2002; vice-reitoria e Reitoria da UFRJ entre 2002 e 2006 (eleito vice-reitor na chapa de Carlos Lessa, tendo assumido interinamente a Reitoria em 2003 com a ida de Lessa para a presidência do BNDES).

Durante seu pronunciamento, Fracalanzza revisitou suas cinco décadas de trajetória, destacando que ser professor sempre foi o seu verdadeiro “sonho de vida”. O homenageado expressou profunda gratidão aos milhares de estudantes com quem compartilhou salas de aula e laboratórios, e ressaltou que é no contato direto com os alunos e nas orientações que sua paixão pela ciência e pela didática verdadeiramente floresce.

Sérgio Fracalanzza sendo homenageado no Quinhentão | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

“É uma grande honra ter sido lembrado pela UFRJ depois de mais de 50 anos de trabalho, ter esse trabalho reconhecido, e eu posso garantir que toda a minha vida foi dedicada a construir uma Universidade melhor, contribuindo para o ensino público de qualidade e transformando todos os saberes aqui produzidos, em todas as áreas, em benefícios para a nossa comunidade”, disse Fracalanzza. 

Para além dos números acadêmicos e cargos ocupados, o homenageado é reconhecido como um docente extraordinário e profundamente querido pela comunidade acadêmica. Sua empatia, compromisso ético e respeito ao corpo social refletem-se no número de convites para patrono, paraninfo e professor homenageado recebidos ao longo dos anos pelas turmas de graduação de Ciências Biológicas (Microbiologia e Imunologia), Farmácia e até do curso de Dança.

Marcelo Macedo Corrêa e Castro é o novo professor emérito da UFRJ 

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nessa segunda-feira, 17/8, o título de professor emérito ao docente titular aposentado da Faculdade de Educação (FE) e ex-decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) Marcelo Macedo Corrêa e Castro. Com mais de 44 anos de dedicação à Minerva, em atividades de ensino,  pesquisa, extensão e gestão, sempre defendeu a educação, especialmente o ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

A cerimônia, que aconteceu no Salão Dourado do Palácio Universitário, no Campus Praia Vermelha, na Urca, marcou uma dupla comemoração. É que, oficialmente, o  reconhecimento institucional da significativa trajetória acadêmica de Corrêa e Castro foi realizada na data de aniversário de 70 anos do docente. Além do homenageado, a mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, teve a seguinte composição: a diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura; o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira; e a professora Marlene de Carvalho, oradora da solenidade.  

 “Educador é educador até o último suspiro, não se aposenta. O professor Marcelo formou gerações e gerações de cidadãos críticos e empáticos, que hoje também ajudam a formar gerações e gerações. Reforço aqui que quem faz a beleza e a pujança da Universidade são as pessoas. Fico muito feliz de hoje termos um professor emérito que, além de educador, é poeta. Hoje, o professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro entra para o panteão de glória dos eméritos, grupo que mensalmente reúno para ouvir a sapiência, representando uma área de grande relevância”, destacou Medronho.

Mesa de honra da cerimônia de emerência: professora Marlene de Carvalho; professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro; reitor Roberto Medronho; decano do CFCH, Vantuil Pereira; e diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Um oráculo muito especial

Durante a solenidade, muitas contribuições do docente foram destacadas, entre elas: a relevante contribuição do professor no processo de reconstrução da Faculdade de Educação; o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp); a intensificação da interlocução com as escolas públicas; a criação da Revista Contemporânea de Educação; e a articulação permanente da FE tanto com outras unidades da UFRJ quanto com as instituições externas.

Simbolizando o respeito à experiência e à relevância intelectual e institucional de Corrêa e Castro, Ana Paula Abreu Moura lembrou a forma carinhosa e brincalhona que, por vezes, os colegas da FE se referem ao homenageado no dia a dia: “Em caso de dúvidas, é só perguntar para o nosso oráculo”. Pereira, por sua vez, enfatizou as qualidades essenciais que identifica no professor: “Ocupa um lugar muito especial e próprio. Além de ser uma liderança fantástica, é uma figura humana excepcional, franco, sempre disponível para ouvir e aprender, afetuoso, acolhedor e generoso, mesmo na discordância”.

Emoção e reconhecimento durante cerimônia no Palácio Universitário | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Educador para sempre

Durante seu discurso, repleto de emoção e agradecimentos aos familiares, amigos, colegas, ex-estudantes, e servidores técnicos-administrativos em Educação (TAEs),  Marcelo Macedo Corrêa e Castro compartilhou um fato relacionado ao período que antecedeu sua aposentadoria e que o fez compreender que, na vida de um educador, não existe uma última aula: 

“Em dezembro de 2023, minha última turma descobriu que iria me aposentar e organizou uma festinha para o último dia de aula, mas houve um contratempo que não foi possível realizar o planejado. Enquanto tentava lidar com o vazio e a frustração por ter sido privado de oferecer minha última aula à turma, recebi a seguinte mensagem de um estudante de pedagogia: ‘Gostei muito das aulas e de ter conhecido o senhor. Já estava me preparando para levar o bolo e o café para que você soubesse o quanto é querido, não só por mim, mas por toda a turma. Muito obrigado por todo o conhecimento compartilhado, conversas e conselhos em relação à monografia. Você conseguiu tornar um prazer acordar sexta-feira de manhã. Isso é um grande feito!’. A mensagem me ajudou a entender que, apesar das dificuldades vividas, valeu a pena acordar para o mundo naquela sexta-feira de manhã em 17 de agosto de 1956”, relatou o professor.

Homenageado acompanhado pela sua comissão de honra | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Professores eméritos ampliam contribuição para pensar o futuro da UFRJ

A experiência acumulada por algumas das maiores referências acadêmicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) passa a integrar, de forma cada vez mais permanente, as reflexões sobre o futuro da instituição. Em reunião realizada nesta quinta-feira (2/7), o reitor Roberto Medronho recebeu 38 professores eméritos para discutir desafios estratégicos da universidade e fortalecer um espaço contínuo de diálogo voltado à construção de soluções para os desafios da instituição.

Mais do que discutir questões do cotidiano, o encontro reafirmou a proposta de transformar esse grupo em um espaço de pensamento estratégico, capaz de contribuir para a formulação de projetos voltados ao fortalecimento da UFRJ e ao planejamento da universidade para os próximos 20 ou 30 anos.

Na abertura da reunião, Medronho destacou que a universidade enfrenta desafios cada vez mais complexos, marcados por restrições orçamentárias, excesso de burocracia e pela necessidade permanente de defender a ciência, a tecnologia e a inovação como pilares da soberania nacional. Segundo o reitor, administrar uma universidade do porte da UFRJ exige enfrentar diariamente problemas urgentes, mas também criar condições para pensar o futuro.

“Gostaria de ouvi-los, com toda a sabedoria e experiência de vocês, para trazer soluções mais inovadoras e criativas”, conclamou Medronho, na abertura do segundo encontro com professores eméritos. O reitor também ressaltou que a UFRJ é um patrimônio da sociedade brasileira e precisa preservar sua autonomia para cumprir sua missão pública. Para Medronho, a experiência acumulada pelos professores eméritos representa um patrimônio intelectual capaz de contribuir para aperfeiçoar processos, reduzir entraves burocráticos e construir caminhos para o desenvolvimento institucional.

Ao longo da reunião, os participantes defenderam a consolidação desse espaço permanente de reflexão entre os professores eméritos e a reitoria, voltado a pensar os rumos da universidade diante das transformações científicas, tecnológicas, sociais e políticas do país. Para o professor emérito Carlos Vainer, a iniciativa deve funcionar como “o think tank da universidade”, reunindo diferentes experiências para pensar soluções e formular ideias capazes de orientar o desenvolvimento institucional.

Durante a reunião, o professor emérito José Sergio Leite Lopes, coordenador da Comissão Memória e Verdade da UFRJ, apresentou a proposta de diplomação simbólica de 25 estudantes da universidade mortos e desaparecidos entre 1970 e 1974. A iniciativa busca promover uma ação de reparação histórica, o reconhecimento das vítimas e a valorização da memória institucional, em consonância com recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

Ao final do encontro, ficou reafirmado o compromisso de manter reuniões periódicas entre a reitoria e os professores eméritos, fortalecendo esse espaço permanente de reflexão e construção coletiva. A expectativa é que o grupo ajude a pensar os rumos da UFRJ nas próximas décadas, oferecendo contribuições estratégicas para enfrentar os desafios da universidade e fortalecer seu papel na produção de conhecimento e no desenvolvimento do país.