Ana Luiza Coelho Netto recebeu na segunda-feira, 14/9, o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A honraria formaliza o reconhecimento institucional da trajetória acadêmica da titular aposentada do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (Igeo) que, nos últimos cinquenta anos, dedicou-se ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de geógrafos e pesquisadores. A docente é considerada referência em estudos sobre evolução das paisagens, processos hidrológicos e erosivos de encostas, geomorfologia, geoecologia e gestão de riscos de desastres.
A cerimônia, realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), aconteceu no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. Na ocasião, além da homenageada, também participaram da mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho: a vice-reitora, Cássia Turci; o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor Edson Farias Mello e o orador da solenidade, o professor Marcelo Lopes de Souza, ambos do Igeo.

Medronho enfatizou o significado da obra da professora Ana Luiza para a ciência e, sobretudo, para a sociedade, afirmando que, atualmente, poucas áreas são tão diretamente relacionadas à vida das pessoas como o campo de atuação da referida docente:
“Quando estudamos deslizamentos, inundações, erosão, ocupação de encostas, transformação das bacias hidrográficas, estamos falando de ciência, mas também de moradia, planejamento urbano, meio ambiente, desigualdade social e, muitas vezes, de vida e morte. A chuva pode cair para todos, mas seus efeitos são profundamente desiguais na sociedade. Nesse sentido, as relevantes contribuições da área de pesquisa da nossa homenageada tornam-se absolutamente fundamentais para lidarmos preventivamente com estes desastrosos impactos das mudanças climáticas, principalmente junto às populações mais vulneráveis. Parabéns pelo belo e relevante trabalho, professora Ana Luiza!”
Por sua vez, Cássia Turci frisou o significado daquela solenidade em relação à importância do investimento na representatividade de gênero na instituição: “É muito importante estar no CCMN concedendo o título de emérita para uma mulher, já que, comparativamente, o número de professoras agraciadas com a honraria ainda é pequeno, apesar da crescente valorização do papel das mulheres na nossa Universidade. Nesse sentido, é extremamente gratificante o reconhecimento e a homenagem prestada à professora Ana Luiza, que além de ter a emerência aprovada por aclamação pelo Consuni, continua trazendo suas relevantes contribuições para a sociedade, por meio dos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos dedicados à UFRJ”, afirmou.
Trajetória de referência
Durante sua fala, Ana Luiza, que também fundou e presidiu a União da Geomorfologia Brasileira (UGB), contou que escolheu tornar-se professora de Geografia por ter sido influenciada pela atuação inspiradora de uma docente dos tempos de colégio. De lá para cá, formou-se bacharel em Geografia (1973) e mestre em Geografia Física e Geomorfologia (1979) pela UFRJ; doutora em Geomorfologia e Geoecologia (1985) com distinção máxima (Summa cum laude) pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica; e pós-doutora (1988) pela Universidade da Califórnia-Berkeley, nos Estados Unidos.
A carreira na UFRJ teve início em 1976 como auxiliar de ensino. Posteriormente, Ana Luiza tornou-se professora assistente, professora adjunta e, em 1998, assumiu o cargo de docente titular. Em 1992, fundou o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos (Geoheco), onde são estudados os efeitos das mudanças climáticas e ambientais na dinâmica dos processos geomorfológicos que governam a evolução das encostas, com foco especial nos perigos naturais e indutores de desastres socioambientais.

Integração: conhecimento científico e vivência popular
No discurso da nova professora emérita da UFRJ não faltaram lembranças emocionadas, agradecimentos, relatos de marcos profissionais, como a atuação pós-desastre climático na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e o destaque para a importância da integração dos conhecimentos científicos e da vivência popular, enfatizando a relevância do protagonismo das comunidades na gestão territorial dos riscos:
“Cada vez mais, buscamos ampliar essa rede de conexões no circuito multitransdisciplinar nacional e internacional, cujo foco em comum é o interesse na redução dos riscos de desastres. Esta postura envolve um outro modo de pensar coletivamente, buscando novos padrões e funcionalidades no ordenamento territorial e instituindo procedimentos de gestão territorial participativa, integrando o conhecimento científico e o conhecimento da vivência. Nesse contexto, consideramos igualmente relevante dedicar atenção especial à educação formal e à educação coletiva das comunidades expostas a riscos associados a eventos climáticos extremos, para melhor enfrentarmos as ameaças e perigos naturais, especialmente diante das mudanças climáticas e ambientais em curso”, enfatizou Ana Luiza.







