Francisco de Assis Esteves é o novo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de ser fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), com a honraria, o titular aposentado tornou-se o primeiro docente do Núcleo a ser contemplado com a homenagem. Professor Chico, como é carinhosamente chamado, também é pioneiro como ecólogo diplomado no país e na construção do campo da Limnologia, ciência multidisciplinar que estuda as águas continentais, tais como lagos, lagoas, rios, riachos, reservatórios e áreas úmidas. Ele também é autor do livro Fundamentos de Limnologia, uma das principais referências da área no Brasil e no exterior.
A concessão do título foi oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, realizada na quarta-feira, 14/10, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária. Além do homenageado, também participaram da mesa, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; a diretora do Nupem, Cíntia Barros; e os oradores do evento, o decano do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé (CMM), Thiago Lima, e o professor do Instituto de Biologia (IB), Reinaldo Bozelli. Além da presença da comissão de honra, a cerimônia foi marcada por diversas homenagens, com entrega de placas pelo corpo social da UFRJ. Na ocasião, o docente também foi agraciado com o título de cidadania macaense pelos relevantes serviços prestados àquele município.

Francisco de Assis Esteves é graduado em Biologia pela UFRJ (1973) e concluiu seu doutorado summa cum laude no Instituto Max Planck, na Alemanha, em 1978. Inicialmente, o professor fixou-se na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), onde fundou o Laboratório de Ecologia de Macrófitas Aquáticas. O docente transferiu-se para a UFRJ em 1989, onde estruturou o Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Na instituição, atua na coordenação de projetos de educação ambiental, sendo um dos idealizadores da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER) da Universidade. Ao longo de sua carreira, Chico Esteves produziu mais de duas centenas de artigos científicos e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Limnologia.

Além de destacar a relevância acadêmica do novo emérito, Roberto Medronho apresentou uma outra dimensão da trajetória do professor: a capacidade da convivência da vocação científica do docente com seus compromissos afetivos e familiares. O reitor afirmou que a homenagem do título se estende ao “homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim”.
“A ciência nunca foi justificativa para abandonar os seus vínculos. Chico Esteves não consegue deixar de ser professor nem durante o passeio com seus netos: cada árvore pode virar uma história; cada inseto, uma pergunta; cada lagoa, uma aula. Ele fala sobre plantas, animais, rios, florestas, ecossistema. Chico Esteves explica, pergunta, provoca e ensina a olhar e a se inspirar na natureza. Isso talvez seja uma das mais belas definições de educador. É alguém que ensina uma criança não apenas a saber mais, mas a querer saber mais. Uma vez, o próprio Chico me disse uma frase que ficou em minha memória e sintetiza bem essa vocação que eu acompanho por toda a vida: ‘O educador nunca se aposenta’. Chico é a prova viva disso”.

O compromisso do emérito filho de Minerva
De fato, em seu discurso, o homenageado colocou em prática o que havia dito ao reitor da UFRJ. Com uma fala contextualizada pelo atual período brasileiro, o professor Chico Esteves enfatizou que segue atuante e comprometido com a educação e com o país:
“Pertenço a uma comunidade chamada de ‘sonhadores contumazes’, de que fazem parte filósofos, poetas e pescadores. Amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir. Especialmente neste momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva, e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios. É hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que possamos ajudar no caminho de uma sociedade mais equânime econômica, social e ambientalmente”.

Francisco Esteves é o primeiro professor emérito do Nupem

Fotos: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)
Em defesa da interiorização
O docente, que também foi o principal articulador do movimento que resultou na criação, em 1998, do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, no norte do estado do Rio de Janeiro, teve papel central no processo de interiorização da UFRJ, que deu origem ao Campus Macaé, primeiro estabelecido fora da cidade do Rio.
Ao referir-se à trajetória de Chico Esteves, Cássia Turci, vice-reitora da UFRJ, relembrou as várias viagens realizadas a Macaé e o enfrentamento das muitas resistências para a interiorização da UFRJ: “Daria para escrever um livro sobre os casos de Macaé com o professor Chico Esteves e com os que fizeram parte dessa história. Não foi fácil. Muitos que nunca tinham ido a Macaé falavam mal sem conhecer o projeto. Esse título é muito merecido pelo professor Chico Esteves. Tenho certeza de que, com ele e com os outros eméritos, nosso corpo social da UFRJ conseguirá pensar um país melhor, mais justo, equânime, democrático, onde as pessoas se sintam felizes. Quem vence e ganha com mais um professor emérito, que fez tanto e ainda vai fazer muito pela educação deste país, é a UFRJ”, concluiu.


















