Marcelo Macedo Corrêa e Castro é o novo professor emérito da UFRJ 

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nessa segunda-feira, 17/8, o título de professor emérito ao docente titular aposentado da Faculdade de Educação (FE) e ex-decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) Marcelo Macedo Corrêa e Castro. Com mais de 44 anos de dedicação à Minerva, em atividades de ensino,  pesquisa, extensão e gestão, sempre defendeu a educação, especialmente o ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

A cerimônia, que aconteceu no Salão Dourado do Palácio Universitário, no Campus Praia Vermelha, na Urca, marcou uma dupla comemoração. É que, oficialmente, o  reconhecimento institucional da significativa trajetória acadêmica de Corrêa e Castro foi realizada na data de aniversário de 70 anos do docente. Além do homenageado, a mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, teve a seguinte composição: a diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura; o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira; e a professora Marlene de Carvalho, oradora da solenidade.  

 “Educador é educador até o último suspiro, não se aposenta. O professor Marcelo formou gerações e gerações de cidadãos críticos e empáticos, que hoje também ajudam a formar gerações e gerações. Reforço aqui que quem faz a beleza e a pujança da Universidade são as pessoas. Fico muito feliz de hoje termos um professor emérito que, além de educador, é poeta. Hoje, o professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro entra para o panteão de glória dos eméritos, grupo que mensalmente reúno para ouvir a sapiência, representando uma área de grande relevância”, destacou Medronho.

Mesa de honra da cerimônia de emerência: professora Marlene de Carvalho; professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro; reitor Roberto Medronho; decano do CFCH, Vantuil Pereira; e diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Um oráculo muito especial

Durante a solenidade, muitas contribuições do docente foram destacadas, entre elas: a relevante contribuição do professor no processo de reconstrução da Faculdade de Educação; o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp); a intensificação da interlocução com as escolas públicas; a criação da Revista Contemporânea de Educação; e a articulação permanente da FE tanto com outras unidades da UFRJ quanto com as instituições externas.

Simbolizando o respeito à experiência e à relevância intelectual e institucional de Corrêa e Castro, Ana Paula Abreu Moura lembrou a forma carinhosa e brincalhona que, por vezes, os colegas da FE se referem ao homenageado no dia a dia: “Em caso de dúvidas, é só perguntar para o nosso oráculo”. Pereira, por sua vez, enfatizou as qualidades essenciais que identifica no professor: “Ocupa um lugar muito especial e próprio. Além de ser uma liderança fantástica, é uma figura humana excepcional, franco, sempre disponível para ouvir e aprender, afetuoso, acolhedor e generoso, mesmo na discordância”.

Emoção e reconhecimento durante cerimônia no Palácio Universitário | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Educador para sempre

Durante seu discurso, repleto de emoção e agradecimentos aos familiares, amigos, colegas, ex-estudantes, e servidores técnicos-administrativos em Educação (TAEs),  Marcelo Macedo Corrêa e Castro compartilhou um fato relacionado ao período que antecedeu sua aposentadoria e que o fez compreender que, na vida de um educador, não existe uma última aula: 

“Em dezembro de 2023, minha última turma descobriu que iria me aposentar e organizou uma festinha para o último dia de aula, mas houve um contratempo que não foi possível realizar o planejado. Enquanto tentava lidar com o vazio e a frustração por ter sido privado de oferecer minha última aula à turma, recebi a seguinte mensagem de um estudante de pedagogia: ‘Gostei muito das aulas e de ter conhecido o senhor. Já estava me preparando para levar o bolo e o café para que você soubesse o quanto é querido, não só por mim, mas por toda a turma. Muito obrigado por todo o conhecimento compartilhado, conversas e conselhos em relação à monografia. Você conseguiu tornar um prazer acordar sexta-feira de manhã. Isso é um grande feito!’. A mensagem me ajudou a entender que, apesar das dificuldades vividas, valeu a pena acordar para o mundo naquela sexta-feira de manhã em 17 de agosto de 1956”, relatou o professor.

Homenageado acompanhado pela sua comissão de honra | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Professores eméritos ampliam contribuição para pensar o futuro da UFRJ

A experiência acumulada por algumas das maiores referências acadêmicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) passa a integrar, de forma cada vez mais permanente, as reflexões sobre o futuro da instituição. Em reunião realizada nesta quinta-feira (2/7), o reitor Roberto Medronho recebeu 38 professores eméritos para discutir desafios estratégicos da universidade e fortalecer um espaço contínuo de diálogo voltado à construção de soluções para os desafios da instituição.

Mais do que discutir questões do cotidiano, o encontro reafirmou a proposta de transformar esse grupo em um espaço de pensamento estratégico, capaz de contribuir para a formulação de projetos voltados ao fortalecimento da UFRJ e ao planejamento da universidade para os próximos 20 ou 30 anos.

Na abertura da reunião, Medronho destacou que a universidade enfrenta desafios cada vez mais complexos, marcados por restrições orçamentárias, excesso de burocracia e pela necessidade permanente de defender a ciência, a tecnologia e a inovação como pilares da soberania nacional. Segundo o reitor, administrar uma universidade do porte da UFRJ exige enfrentar diariamente problemas urgentes, mas também criar condições para pensar o futuro.

“Gostaria de ouvi-los, com toda a sabedoria e experiência de vocês, para trazer soluções mais inovadoras e criativas”, conclamou Medronho, na abertura do segundo encontro com professores eméritos. O reitor também ressaltou que a UFRJ é um patrimônio da sociedade brasileira e precisa preservar sua autonomia para cumprir sua missão pública. Para Medronho, a experiência acumulada pelos professores eméritos representa um patrimônio intelectual capaz de contribuir para aperfeiçoar processos, reduzir entraves burocráticos e construir caminhos para o desenvolvimento institucional.

Ao longo da reunião, os participantes defenderam a consolidação desse espaço permanente de reflexão entre os professores eméritos e a reitoria, voltado a pensar os rumos da universidade diante das transformações científicas, tecnológicas, sociais e políticas do país. Para o professor emérito Carlos Vainer, a iniciativa deve funcionar como “o think tank da universidade”, reunindo diferentes experiências para pensar soluções e formular ideias capazes de orientar o desenvolvimento institucional.

Durante a reunião, o professor emérito José Sergio Leite Lopes, coordenador da Comissão Memória e Verdade da UFRJ, apresentou a proposta de diplomação simbólica de 25 estudantes da universidade mortos e desaparecidos entre 1970 e 1974. A iniciativa busca promover uma ação de reparação histórica, o reconhecimento das vítimas e a valorização da memória institucional, em consonância com recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

Ao final do encontro, ficou reafirmado o compromisso de manter reuniões periódicas entre a reitoria e os professores eméritos, fortalecendo esse espaço permanente de reflexão e construção coletiva. A expectativa é que o grupo ajude a pensar os rumos da UFRJ nas próximas décadas, oferecendo contribuições estratégicas para enfrentar os desafios da universidade e fortalecer seu papel na produção de conhecimento e no desenvolvimento do país.