UFRJ concede título de doutor honoris causa ao historiador português Luís Reis Torgal

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, nesta terça-feira (9/6), o título de doutor honoris causa ao professor português Luís Manuel Soares dos Reis Torgal, docente catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e uma das mais importantes referências da historiografia contemporânea em língua portuguesa.

A homenagem foi realizada em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), por iniciativa do Instituto de História da UFRJ. A cerimônia contou com a participação remota do agraciado, que recebeu a mais alta distinção acadêmica concedida pela universidade. No Rio de Janeiro, o professor Angelo Brigato Ésther, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), representou o homenageado. A saudação oficial foi feita pela professora Maria Manuela Tavares Ribeiro, da Universidade de Coimbra, responsável por apresentar sua trajetória intelectual e acadêmica.

Ao longo de mais de cinco décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa e à produção científica, Reis Torgal consolidou-se como um dos principais estudiosos da História Moderna e Contemporânea. Sua obra trouxe contribuições fundamentais para a compreensão da história política, das ideias, das instituições e da própria construção do conhecimento histórico.

Professor da Universidade de Coimbra desde a década de 1970, foi membro fundador do Centro de Documentação 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20). Também atuou como professor convidado em universidades e centros de pesquisa na França, Inglaterra, Japão e Brasil, contribuindo para a formação de gerações de pesquisadores e para o fortalecimento da cooperação acadêmica internacional.

Sua produção intelectual ganhou projeção especialmente pelos estudos sobre liberalismo, autoritarismo, fascismo, salazarismo, memória, democracia e teoria da História, temas que o transformaram em referência internacional no campo das Humanidades.

Defesa da democracia

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a relevância da obra de Reis Torgal para a compreensão crítica da sociedade contemporânea e para a defesa dos valores democráticos. “Ao homenagear o professor Reis Torgal, a UFRJ afirma o valor da História como instrumento de compreensão crítica do mundo, como exercício de memória e como compromisso com a democracia”, disse.

Medronho ressaltou ainda que os estudos desenvolvidos pelo pesquisador sobre o Estado Novo português, os regimes autoritários e as relações entre memória e poder permanecem atuais em um cenário global marcado por desafios à democracia. “A democracia precisa ser cultivada, defendida e ensinada. Essa é uma lição que fala profundamente à universidade brasileira”, declarou o reitor.

Para Medronho, a homenagem também representa o reconhecimento da importância das Humanidades e do pensamento crítico em um período marcado pela circulação acelerada de informações e por tentativas de apagamento da memória histórica. “Em um tempo marcado pela pressa, pela desinformação e por tentativas de apagar a memória, a História nos devolve profundidade, contexto e responsabilidade”, afirmou.

Ao agradecer a honraria, Reis Torgal destacou a longa relação acadêmica e intelectual construída com o Brasil ao longo de décadas de intercâmbio, pesquisa e colaboração com universidades brasileiras. Em seu discurso, lembrou que visitou o país mais de 30 vezes e participou de congressos, projetos de pesquisa e atividades de ensino em diferentes regiões, além de orientar estudantes e desenvolver parcerias com pesquisadores brasileiros.

“Considero esta honra difícil de justificar, mas procuro explicá-la por uma longa trajetória de trabalho, de investigação e de colaboração com colegas brasileiros ao longo de muitos anos”, afirmou o homenageado. 

Ele ressaltou ainda o papel da pesquisa e da reflexão crítica na construção do conhecimento. “Sempre investigar, sempre interrogar-me sobre os resultados da minha pesquisa. Quem faz da investigação histórica um exercício crítico sabe que está sempre pronto a corrigir e a aprender”, observou o historiador.

Ao recordar sua trajetória, Reis Torgal mencionou a colaboração com pesquisadores brasileiros desde a década de 1980 e destacou a amizade acadêmica construída com nomes importantes da historiografia nacional, entre eles o professor Afonso Carlos Marques dos Santos, responsável pela proposição da homenagem aprovada pela UFRJ.

Em seu discurso, o reitor enfatizou que a homenagem fortalece as relações entre Brasil e Portugal e reafirma o papel da cooperação científica internacional na produção do conhecimento. “Somos países atravessados por memórias comuns, por encontros e tensões, por heranças coloniais, por lutas democráticas e por desafios contemporâneos que exigem cooperação científica, sensibilidade histórica e compromisso público”, argumentou Medronho.

A professora Maria Manuela Tavares Ribeiro destacou, em sua saudação, o rigor intelectual do pesquisador, sua atuação como docente e sua contribuição para a formação de sucessivas gerações de historiadores em Portugal e no exterior. Segundo ela, sua obra é marcada pela defesa da liberdade, pelo compromisso com a democracia e pela permanente disposição para o diálogo acadêmico.

Com a concessão do título, Luís Reis Torgal passa a integrar o seleto grupo de personalidades nacionais e internacionais homenageadas pela UFRJ por suas contribuições excepcionais à ciência, à cultura, à educação e ao desenvolvimento do conhecimento humano. Além de reconhecer uma trajetória acadêmica de excelência, a honraria reafirma os laços históricos e intelectuais que unem a UFRJ e a Universidade de Coimbra há décadas.

Cinco décadas dedicadas à ciência: Luiz Eurico Nasciutti recebe título de professor emérito da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira, 8/6, o título de professor emérito ao professor Luiz Eurico Nasciutti, docente titular aposentado do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e atual decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS). A homenagem foi realizada em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), no auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), na Cidade Universitária.

A mais alta distinção acadêmica concedida pela universidade reconhece a trajetória de um professor que dedicou mais de 50 anos à UFRJ, formando gerações de estudantes, contribuindo para o avanço da ciência brasileira e exercendo importantes funções de gestão universitária.

Professor titular do ICB, Luiz Eurico graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília, concluiu o mestrado em Histologia e Embriologia na UFRJ e obteve o doutorado em Biologia Celular e Molecular pela Université Pierre et Marie Curie, na França. Sua produção científica se concentra nas áreas de biologia celular e tecidual, com destaque para pesquisas sobre endometriose, câncer de próstata e interações entre células e tecidos.

Em seu discurso, Luiz Eurico relembrou sua chegada à UFRJ em 1973, quando veio ao Rio de Janeiro para cursar o mestrado, e sua contratação como professor da universidade em 1975. Em uma fala marcada pela emoção, agradeceu a mestres, colegas, orientandos, familiares e amigos que fizeram parte de sua trajetória acadêmica e pessoal.

O professor recordou a influência de docentes que ajudaram a moldar sua formação, como Gilberto Leandro Santa Rosa, Carlos Chagas Filho, Francisco Bruno Lobo e Jorge Maia, entre outros. Também destacou sua experiência no Collège de France durante o doutorado e a construção do Laboratório de Interações Celulares, que se tornou referência nacional em pesquisas sobre fisiologia e patologias do sistema reprodutor.

Ao refletir sobre sua trajetória docente, afirmou ter buscado inspiração na pedagogia dialógica de Paulo Freire, defendendo uma universidade baseada na construção coletiva do conhecimento e no compromisso com a sociedade. “Procurei aplicar a pedagogia dialógica proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente, relacionando aprendizagem e consciência política”, afirmou.

Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, Luiz Eurico ressaltou a importância da família em sua caminhada e agradeceu à esposa, às filhas e aos amigos que o acompanharam ao longo de sua vida acadêmica. Encerrando seu pronunciamento, citou um trecho do poema Elogio do Aprendizado, de Bertolt Brecht: “Aprenda o mais simples. Não é suficiente, mas aprenda. Não desanime, comece. É preciso saber tudo. É preciso assumir o comando”.

Ao saudar o novo professor emérito, o reitor Roberto Medronho destacou a relevância da trajetória de Luiz Eurico para a história da UFRJ e para a formação de gerações de estudantes. “Hoje, como reitor, tenho a honra de saudar como professor emérito alguém que foi meu professor e participou da minha formação. Sua trajetória honra a história desta instituição”, disse.

Medronho também ressaltou o papel de Luiz Eurico na construção da universidade pública brasileira. “A universidade pública é feita, antes e acima de tudo, por pessoas. Por mestres, pesquisadores, servidores e estudantes que dedicam décadas à construção do conhecimento e da formação humana. E o professor Luiz Eurico é uma dessas pessoas.”

Na avaliação do reitor, a concessão do título ultrapassa o reconhecimento individual. “A concessão do título de professor emérito não é apenas uma homenagem ao passado. É também uma mensagem ao futuro. É a universidade dizendo às novas gerações que a ciência importa, que a educação importa e que o compromisso com o serviço público importa”, observou Medronho.

Bastante emocionado, Luiz Eurico Nasciutti recebeu o título de professor emérito no auditório Quinhentão, no Centro de Ciências da Saúde Foto: Sonia Toledo/ SGCOM

O discurso de saudação da comissão de honra foi feito pelo professor Antônio Palumbo Júnior, que destacou as contribuições de Luiz Eurico para a consolidação da pesquisa em biologia celular e morfologia na UFRJ, sua atuação decisiva na criação e fortalecimento do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas — atualmente nota máxima na Capes — e sua liderança na modernização do Instituto de Ciências Biomédicas.

Ex-aluno de Nasciutti, Palumbo também ressaltou características pessoais do homenageado, como a capacidade de construir consensos, estimular a colaboração acadêmica e acolher estudantes e pesquisadores ao longo de sua trajetória.

Ao longo da cerimônia, a trajetória acadêmica, científica e institucional de Nasciutti foi lembrada por colegas, alunos e gestores da universidade. A diretora do Instituto de Ciências Biomédicas, Patrícia Dias Fernandes; a vice-decana do Centro de Ciências da Saúde, Lina Zingali; e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; também discursaram em homenagem ao professor. 

Docente da UFRJ desde 1975, Luiz Eurico Nasciutti participou da criação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas, presidiu a Sociedade Brasileira de Biologia Celular, dirigiu o Instituto de Ciências Biomédicas e, desde 2019, ocupa a Decania do Centro de Ciências da Saúde.

Também se destacou pela liderança do Laboratório de Interações Celulares, referência nacional em estudos sobre matriz extracelular, endometriose e câncer de próstata. Bolsista de produtividade do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj, orientou dezenas de mestres, doutores e pós-doutores ao longo da carreira.

UFRJ concede título de doutor honoris causa ao cardiologista português Fausto Pinto

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira (5/5) o título de doutor honoris causa ao médico cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto. A homenagem, realizada em sessão solene do Conselho Universitário, reconhece a trajetória internacional do pesquisador e sua contribuição para a ciência, a formação médica e o fortalecimento da cooperação acadêmica entre Brasil e Portugal na área da saúde. A cerimônia ocorreu no Auditório Halley Pacheco, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto tem uma trajetória marcada pela atuação em instituições científicas internacionais e pela defesa da cooperação entre universidades e sistemas de saúde dos países de língua portuguesa. Ao longo da carreira, presidiu entidades como a European Society of Cardiology e a World Heart Federation, além de dirigir a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 2015 e 2022.

Em seu discurso, o homenageado destacou a importância histórica da UFRJ para a ciência e o ensino superior no Brasil e ressaltou os vínculos acadêmicos entre Portugal e Brasil. “A Universidade Federal do Rio de Janeiro é incontestavelmente uma das grandes referências do ensino superior no espaço ibero-americano e global”, afirmou. Segundo Fausto Pinto, a história da instituição “confunde-se com a própria evolução da ciência, da medicina e do pensamento crítico do Brasil”.

O cardiologista também enfatizou o papel da cooperação internacional diante dos desafios contemporâneos da saúde. “Nenhum país, nenhuma instituição poderá enfrentar isoladamente os grandes desafios globais da saúde. É através de redes de colaboração, de partilha de conhecimento e de construção de soluções conjuntas que conseguiremos avançar”, disse.

Ao mencionar a relação entre a Universidade de Lisboa e a UFRJ, Fausto Pinto afirmou que as instituições “partilham valores, objetivos e uma visão comum do futuro”. Para ele, o Brasil exerce papel central nesse processo de integração científica no espaço lusófono. “Pela sua dimensão, pela sua capacidade científica e pela qualidade dos seus recursos humanos, o Brasil assume-se como um verdadeiro motor desta comunidade na medicina”, argumentou.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou não apenas a trajetória acadêmica e científica do homenageado, mas também sua dimensão humana e sua atuação internacional em defesa da medicina e da formação médica. “Fausto Pinto é um grande cidadão do mundo. Visitou mais de 120 países levando a mensagem da medicina, da cardiologia, da assistência digna, do ensino e da pesquisa”, afirmou Medronho.

O reitor também relembrou o primeiro contato com o cardiologista português, durante as tratativas para ampliar a cooperação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. “De imediato percebi que era uma pessoa diferente. O brilho no olhar e o carinho com que trata o outro mostram uma dimensão humana rara”, declarou.

Segundo Medronho, as reflexões apresentadas por Fausto Pinto sobre o futuro da cardiologia e da medicina dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da área da saúde. “Ali estavam lançadas as bases da medicina de precisão, da inteligência artificial e do uso racional das tecnologias”, disse.

A professora Gláucia Maria Moraes de Oliveira, da Faculdade de Medicina da UFRJ, também discursou em homenagem ao cardiologista português. Em sua fala, destacou o papel de Fausto Pinto na consolidação da cooperação acadêmica entre a UFRJ e a Universidade de Lisboa, especialmente nos acordos de validação automática de diplomas, dupla titulação e intercâmbio estudantil. “A excelência é uma construção diária, professor”, afirmou.

Segundo Gláucia, a atuação do homenageado ajudou a fortalecer iniciativas de integração entre escolas médicas de países lusófonos e ampliou as possibilidades de formação e circulação internacional de estudantes e pesquisadores. “Há um verdadeiro oceano de possibilidades em cada uma dessas conquistas, uma visão clara do futuro que desejamos para as nossas escolas e para os nossos países”, declarou.

A cerimônia foi presidida pelo reitor Roberto Medronho e contou com a participação do decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti; do diretor da Faculdade de Medicina, Alberto Schanaider; do professor emérito Manuel Domingos da Cruz Gonçalves; e do superintendente-geral do Complexo Hospitalar UFRJ-Ebserh, Amâncio Paulino de Carvalho. 

Trajetória

Fausto José da Conceição Alexandre Pinto nasceu em 3 de novembro de 1960, em Santarém, Portugal. Com atuação destacada na cardiologia mundial, Fausto Pinto é professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e ex-presidente da European Society of Cardiology e da World Heart Federation. 

Ao longo da carreira, publicou mais de mil artigos científicos e participou de centenas de conferências internacionais, consolidando-se como uma das principais referências da cardiologia contemporânea. Suas áreas de atuação incluem imagiologia cardiovascular, cardiologia de intervenção, insuficiência cardíaca, anticoagulação, cardiologia digital e saúde cardiovascular global.

O médico português foi pioneiro no uso da ultrassonografia intravascular aplicada ao estudo do coração transplantado e mantém forte relação acadêmica e científica com o Brasil. É membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Academia de Medicina da Bahia, além de ter recebido, em 2022, a Medalha da Ordem do Mérito Médico, na classe de Grande Oficial.

Fausto Pinto também teve papel central na aproximação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Durante sua gestão à frente da instituição portuguesa, foram fortalecidos acordos de intercâmbio, dupla titulação, cotutela e validação automática de diplomas entre universidades brasileiras e portuguesas.

Entre os resultados dessa cooperação está o acordo que permitiu, entre 2019 e 2024, a validação automática de diplomas médicos entre as duas instituições. Mais de 1.700 médicos formados pela UFRJ utilizaram o mecanismo para reconhecimento profissional em Portugal.

O cardiologista também é um dos idealizadores da Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa (CODEM-LP), criada em 2019 com participação da UFRJ e da Universidade de Lisboa, reunindo instituições de países lusófonos como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Macau.

José Sérgio Leite Lopes recebe o título de professor emérito da UFRJ

O professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (PPGAS/MN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Sérgio Leite Lopes, recebeu nesta segunda-feira, 15/12, o título de professor emérito da UFRJ. A cerimônia ocorreu na sala Copacabana, no prédio da Reitoria da Universidade. A solicitação de concessão do título foi realizada pelo PPGAS/MN e aprovada por aclamação pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ em 13/6/2024.

“O professor emérito é aquele que contribuiu, para além do seu fazer diário, para o desenvolvimento da Universidade. O professor José Sérgio encarna isso com muita propriedade, não apenas pela sua imensa contribuição à ciência e à memória, mas também pela luta contra a ditadura e contra as desigualdades”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

O antropólogo José Sérgio Leite Lopes graduou-se em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1969 e fez mestrado e doutorado em Antropologia Social pela UFRJ em 1975 e 1986. O pós-doutorado foi realizado na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris entre 1988 e 1990. Leite Lopes é professor do Museu Nacional desde 1978, tendo atuado como professor visitante na Universidade Federal de Pernambuco entre 2003 e 2006. Além de coordenar o Programa de Memória dos Movimentos Sociais (Memov), sediado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), é também coordenador da Comissão Memória e Verdade (CMV) da UFRJ.

Representantes do PPGAS/MN e da CMV também participaram da cerimônia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Leite Lopes destacou-se por pesquisas pioneiras sobre o trabalho e as classes trabalhadoras, especialmente no Nordeste canavieiro, articulando investigação empírica rigorosa e inserção institucional estratégica. Sua dissertação de mestrado, O Vapor do Diabo, e, posteriormente, a tese de doutorado, A tecelagem dos conflitos de classe na cidade das chaminés, tornaram-se referências na antropologia do trabalho no Brasil. Paralelamente à carreira acadêmica, teve papel central na articulação entre o PPGAS/MN e órgãos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contribuindo para a consolidação de grandes projetos coletivos de pesquisa e para a própria sustentabilidade institucional do Programa.

Ao longo das décadas seguintes, como professor do PPGAS/MN, o antropólogo ampliou seu campo de investigação para temas como antropologia do esporte, história social da sociologia do trabalho, ambientalização dos conflitos sociais e memória dos movimentos sociais, com forte inserção internacional, especialmente na França, em colaboração com Pierre Bourdieu e seu grupo. Foi coordenador de programas e núcleos de pesquisa de grande impacto, além de exercer funções acadêmicas e institucionais de destaque na UFRJ e em associações científicas nacionais. Sua atuação combina produção intelectual extensa, formação de gerações de pesquisadores, produção audiovisual etnográfica e compromisso com a pesquisa coletiva, a memória social e a interlocução pública das ciências sociais no Brasil.

“Celebramos hoje não só essa carreira vasta, rica e longa, mas também um modo de fazer a nossa universidade. Um modo responsável, com muita intelectualidade e também um modo de vida relacionado com a democracia, que precisamos muito reforçar na nossa universidade. Tem uma história relacionada ao campesinato, às classes trabalhadoras, aos movimentos sociais, às violações dos direitos que atravessam, infelizmente, até hoje, a história do Brasil. Sua obra é extremamente extensa e necessária”, destacou a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Christine Ruta.

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Christine Ruta, destacou a trajetória de José Sérgio Leite Lopes durante a cerimônia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Ao longo de toda a sua trajetória acadêmica, José Sérgio Leite Lopes orientou 26 mestres e 26 doutores e supervisionou oito pós-doutorados. Seu trabalho resultou em uma extensa lista de publicações no Brasil e no exterior, destacando-se 76 artigos publicados em periódicos, 16 livros publicados/organizados, 61 capítulos de livros publicados e produção em antropologia visual de cinco documentários (filmes) e cinco documentários de trajetórias biográficas. O antropólogo é bolsista 1A do CNPq, onde mantém a bolsa de produtividade continuamente desde 1983.

Beatriz Vieira de Resende recebe título de Professora Emérita da UFRJ

Beatriz Vieira de Resende é a mais recente professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Titular da Faculdade de Letras (FL), a docente teve o título outorgado na sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, realizada na tarde desta terça, 25/11, no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito (FND), no Centro do Rio. A homenageada, especialista no autor Lima Barreto, também já ministrou aulas de artes cênicas e ocupou cargos na gestão institucional, quando foi coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura e esteve na direção da Editora UFRJ. 

Na mesa da cerimônia, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, também estavam a vice-reitora, Cássia Turci; o decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Barbosa; a diretora da Faculdade de Letras, Sonia Cristina Reis; e o professor emérito Eduardo Coutinho, integrante da comissão de honra, responsável pelo discurso de saudação à docente. Com uma biografia marcada pela paixão pelos livros, pela defesa da democracia e por um apreço especial pela educação pública, o que não faltou foi o reconhecimento de sua relevante trajetória por parte da Administração Central da UFRJ: 

“A professora Beatriz tem sua história ligada à faculdade pública. Ela é bacharel e licenciada em Português e Literaturas pela UFRJ, mestre em Teoria da Literatura e doutora em Letras também pela Universidade, além de ter realizado estágio de pós-doutorado no Museu Nacional da UFRJ. Enfim, ela é cria da casa, filha da Minerva, que está em seu DNA. Parabéns, professora Beatriz Resende,  muito bem-vinda a este panteão de glória!”,  enfatizou Medronho. 

Cássia Turci, por sua vez, destacou que ficou maravilhada com a escolha da homenageada em compor sua comissão de honra com integrantes que ilustram a representatividade do corpo social da Universidade, ou seja, técnicos administrativos em educação, docentes e alunos: A professora Beatriz espelha o que temos de mais precioso na UFRJ: o capital humano. Ela mostra em sua trajetória não só sua competência técnica, mas algo muito maior, ao juntar a questão da arte, da literatura e a preocupação social. Que sorte a centenária Minerva ter professores eméritos como nossa homenageada!”, elogiou.

Integrantes da mesa e da comissão de honra da professora Beatriz Resende durante a sessão solene do Consuni | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além dos colegas, Beatriz Vieira fez questão de frisar, com gratidão, a contribuição recebida de familiares, amigos e mestres, fundamentais para a construção de seu legado e de sua postura. Dentre outros, a docente lembrou o papel do ex-diretor da Faculdade de Letras e ex-ministro da Educação, Eduardo Portella; da amiga e docente Heloísa Buarque de Hollanda (depois, Teixeira); e do ex-reitor da UFRJ Aloísio Teixeira, ao longo de sua formação. Lima Barreto e as Letras também receberam homenagem literária da nova emérita que, durante sua fala, alertou que as artes, assim como as ciências, precisam de autonomia para existir: 

“Há uma crônica de Lima Barreto, desse autor negro que sempre me comove, que diz o seguinte: ‘Queimei os meus navios, deixei tudo por essa coisa de Letras. Abandonei todos os caminhos por esse das Letras; e o fiz conscien­temente, superiormente, sem nada de mais forte que me desviasse de qualquer outra ambição’. O curso de Letras me deu tudo o que desejava”, falou emocionada.

Familiares, amigos e corpo social da UFRJ aplaudem significativa trajetória da nova emérita da Universidade | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

UFRJ homenageia servidores com mais de cinco décadas de serviços prestados

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu medalhas, nesta segunda-feira, 3/11, a 18 docentes e técnicos-administrativos em educação com mais de 50 anos de trabalho na instituição. A cerimônia foi marcada pela emoção dos agraciados e de seus familiares, que lotaram o auditório do Quinhentão, no Centro de Ciências da Saúde (CCS). A atividade integrou a programação da Semana do Servidor 2025.

No evento, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reconheceu a dedicação diária dos homenageados, que, por mais de cinco décadas, contribuíram para alcançar altos padrões de excelência no ensino, na pesquisa e na extensão. “A Universidade é feita de pessoas, de quem nela trabalha. O nosso maior patrimônio são vocês, que trabalharam ao longo destes anos todos, sejam técnicos-administrativos em educação ou docentes. E também os nossos alunos, que não são servidores, mas ajudam a aprimorar o nome da UFRJ, que tem tanto prestígio”, disse. 

Para a vice-reitora, Cássia Turci, a homenagem é uma importante forma de valorização dos servidores da Universidade. “Este reconhecimento faz diferença, porque, quando os novos servidores chegam e veem uma pessoa que está aqui há tanto tempo, eles ficam sabendo que este é um bom lugar para se trabalhar. A gente tem que se esforçar para isso, para que tenhamos um ambiente acolhedor, para que a gente consiga, de fato, trabalhar com todas as pessoas de uma forma harmoniosa, com muito respeito”, defendeu. 

Servidora celebra reconhecimento pelos 50 anos de serviços prestados à UFRJ | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A cerimônia também agraciou nove servidores técnico-administrativos da Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4) com uma placa de reconhecimento ao mérito administrativo e ao espírito público pela dedicação em garantir a implementação dos direitos dos trabalhadores da Universidade, no contexto da Lei n. 15.141/2025, que alterou as carreiras dos docentes e dos técnicos-administrativos em educação. Foram implementadas mais de 7 mil progressões em tempo recorde. “Foi uma demonstração imensa de compromisso e dedicação. Queremos, com esta homenagem, registrar que o mérito acadêmico e o mérito administrativo são indissociáveis na formação e no fortalecimento da UFRJ”, afirmou a pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia Pinto.

Compondo a mesa ao lado do reitor, da vice-reitora e da pró-reitora de Pessoal, o decano do CCS, Luiz Eurico Nasciutti, um dos 18 homenageados, se emocionou ao receber a medalha. “Fico realmente muito contente de ver esse auditório cheio por um momento que representa muito, não só para os homenageados que aqui estão, mas também pelo que a UFRJ representa para nós e para a nossa sociedade”, disse.

Veja a lista dos servidores agraciados

・com a medalha em homenagem aos 50 anos de serviço público federal:

Ana Regina Machado de Sousa

Angela Maria Camardella Rabello 

Carlos Humberto Lionel de Souza 

Claudio Luis De Amorim 

Fatima Santos Abdalla 

Floriano Carlos Martins Pires Junior 

Joaquim Inacio de Nonno 

Jorge Luis Souza Barradas 

Jorge Luiz do Nascimento 

Luiz Eurico Nasciutti 

Marlei Gomes da Silva 

Marlene dos Santos Lima de Souza Ressur 

Nilson Costa Roberty 

Paulo Raimundo Ferreira 

Paulo Roberto Ribeiro Costa 

Reginaldo Pedro dos Santos Roosevelt Rodrigues Mota 

Sandra Maria de Brito Oliveira 

Sandra Regina Guedes Alves

・com a placa de reconhecimento ao mérito administrativo e espírito público:

Anne Elise Reis da Paixão

Cinthya de Melo Franca

Francisco Diogo Lima Gonçalves

Gildelia Maria de Oliveira

Luciana Snaider Ribeiro

Maria Tereza da Cunha Ramos

Moizes Guanabara de Carvalho

Raiani dos Santos Fernandes Gouveia

Roselea Barbosa Julio Paradella

Mario Adnet recebe título de notório saber

Pela segunda vez, em mais de 177 anos de história, a Escola de Música (EM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concede o título de notório saber, entregue a quem tem papel relevante para a música brasileira. Desta vez, o agraciado foi o compositor, violonista, arranjador, pesquisador e produtor musical brasileiro Mario Adnet. A cerimônia ocorreu na tarde de terça-feira (21/10), no Salão Leopoldo Miguez, no Centro, Rio de Janeiro. O diploma foi entregue pela reitora em exercício, Cássia Curan Turci.

O título é concedido mediante a comprovação cumulativa de experiência e desempenho de atividades e ações profissionais desenvolvidas no Brasil e no exterior que contribuem significativamente para o fortalecimento do ensino e da pesquisa em determinada área do conhecimento. Como ressaltou a superintendente acadêmica da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), Ethel Pinheiro, é um título diferente de outros, pois é concedido a quem pode ministrar aulas, está apto a produzir conhecimento e formar novos músicos. “É uma honraria que permite aos outros pensarem a partir do ponto de vida e experiência em que a pessoa está”, disse ela. 

O homenageado abriu a cerimônia se apresentando ao lado dos músicos e amigos Jorge Helder (baixo), Marcos Nimrichter (piano) e Marcelo Costa (percussão), reverenciando a quem fez parte da própria trajetória musical. Primeiro, com a composição autoral Pedra Bonita, em seguida com Coisa nº 10, de Moacir Santos, e por último com Correnteza, de Antônio Carlos Jobim.

Ganhador de dois Grammys Latinos, Mario Cesar Gonçalves Adnet tem 68 anos e, modesto, agradeceu ao reconhecimento “diferente” da própria carreira. “Esse reconhecimento acadêmico pelo meu trabalho muito me orgulha, me dá uma felicidade enorme, pois de uma forma ou outra eu fui para a vida aprender a fazer. Agora, eu estou de olho nos jovens. Tem muita gente boa e muita coisa boa para acontecer e estou pensando o que fazer agora com essa responsabilidade”, brincou.

O proponente da honraria, o professor do Departamento de Composição da EM Carlos Almada destacou a trajetória musical de Adnet, mas também o envolvimento dele em trabalhos atuais como arranjador e produtor do primeiro álbum de Luísa Gilberto, filha mais nova de João Gilberto, e o do músico baiano Cézar Mendes, que ensinou artistas como Vanessa da Matta, Ben Gil, Daniela Mercury e Margareth Menezes, entre outros, a tocar violão. Adnet também produz mais um trabalho autoral e realiza a direção musical de um documentário sobre Tom Jobim, de Miguel Faria Júnior.

O diretor da Escola de Música, Ronal Silveira, lembrou que era a segunda vez que ele participava de igual homenagem. A primeira, em 2023, foi a concessão do título ao pesquisador afrodescendente Antônio José do Espírito Santo, que não teve a oportunidade de frequentar espaços acadêmicos, mas tinha experiência na área da etnomusicologia, com ênfase em música e cultura africana geral no Brasil. “A própria Universidade se engrandece com homenagens como essas, mostrando como ela é importante para a construção de nossa identidade nacional, como povo”, destacou.

Mario Adnet recebe o diploma das mãos da reitora em exercício, Cássia Turci, e é aplaudido pelo professor Carlos Almada, proponente do título | Foto: Sidney Coutinho (SGCOM)

A reitora em exercício, Cássia Turci, ressaltou que, apesar das restrições orçamentárias que dificultam as atividades da Universidade, a maioria dos cursos ainda recebe altas notas nas avaliações do Ministério da Educação, graças ao imenso potencial do corpo acadêmico, técnico e dos alunos. “Esse não é um título que qualquer um pode receber. É preciso passar por uma avaliação rigorosa do Conselho de Graduação e Pesquisa, depois, pelo Conselho Universitário, até chegar neste momento. Sabemos o quanto Mario Adnet poderá contribuir não apenas com o ensino e a pesquisa, mas também com a extensão universitária, da comunicação direta com a sociedade como um todo. Precisamos trazer os jovens para a nossa Universidade para que tenham um futuro melhor. Vamos trabalhar juntos para que a gente consiga avançar cada vez mais em prol de nosso país, pois só a educação poderá mudar o Brasil”, disse ela, encerrando a cerimônia.

Uma trajetória de muito valor

O mais recente professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao referir-se à sua trajetória acadêmica, se autodefiniu como um “cara de muita sorte!”, no sentido darwiniano, tal qual frisou. Essas foram as primeiras palavras ditas por Paulo Mascarello Bisch, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), durante cerimônia para concessão do título, na terça-feira, 17/6, no Auditório Professora Hertha Meyer, localizado no Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRJ) . 

A honraria é conferida aos docentes titulares aposentados da Universidade, cuja carreira no magistério tenha sido marcada por excepcional relevância para a instituição e para o país.   No caso do homenageado, os impactos de sua atuação estenderam-se a outras universidades nacionais e internacionais. Afinal, transitando entre a física, a físico-química, a biofísica molecular e celular, Bisch tornou-se referência em temas como biologia estrutural, sistemas biológicos, microscopia de força atômica, modelagem molecular, bioinformática, genômica e proteômica. 

Mesa celebra honraria concedida ao docente do IBCCF | Foto: Ana Marina Coutinho (SGCOM/UFRJ)

Além do homenageado, a mesa oficial foi composta pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora, Cássia Turci; pelo decano do CCS, Luiz Nasciutti; pela vice-diretora do IBCCF,  Adriane Todeschini; e pelo professor do Instituto de Biofísica, Pedro Geraldo Pascutti, que foi o orador da sessão solene, promovida pelo Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ. De acordo com Medronho, que conhece Bisch há três décadas, a tranquilidade e humildade do docente foram marcas deixadas pelo colega sempre que, nos corredores do CCS, conversavam sobre ciência, tecnologia, ensino e inovação. Mas, além disso, o reitor da UFRJ também destacou outra característica do professor: 

“Para mim, o homenageado é a essência mais pura da tradução da interdisciplinaridade. Físico de formação, graduação e pós-graduação, atuando num centro de excelência, que é o nosso IBCCF, interagindo com médicos, dentistas, pessoal da enfermagem, nutrição, todas as áreas das profissões da saúde, e trabalhando sempre na ponta do conhecimento, com reconhecimento dentro e fora do país.”  

Honra de ser professor

Bisch entrou na cerimônia conduzido por sua Comissão de Honra, integrada por Celso Caruso Neves, Gilberto Weissmuller, Wanderley de Souza e Pascutti, professores do IBCCF; pela docente Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM); pelo pesquisador Laurent Dardenne, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); e pela presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, que também é professora do IBCCF. 

Além de parabenizar Bisch, a vice-reitora da UFRJ também destacou, em seu discurso, algo que certamente deixa o docente muito honrado: 

“O professor Paulo falou que foi homenageado com o nome dele no centro acadêmico de Biofísica. Além disso, em uma cerimônia como esta, ver esta sala cheia de estudantes também é algo que aumenta ainda mais nossa alegria e esperança.  Nossa entrada nesta casa, que é a UFRJ, deu-se por meio de concurso para ser professores. Então, para docentes como nós, esse tipo de reconhecimento é muito valoroso!”. 

Sorte compartilhada

Referindo-se ao homenageado, a vice-diretora do IBCCF corroborou com o que já havia sido colocado pelo orador da sessão solene: “Um mestre, um cientista brilhante, um formador de pessoas e, como disse Pedro Pascutti, um construtor de pontes entre a física e a biologia, entre a teoria e a prática, entre diferentes gerações de cientistas e, especialmente, entre pessoas”, falou emocionada. 

Convidados lotam auditório da sessão solene | Foto: Ana Marina Coutinho (SGCOM/UFRJ)

Também era possível ver a emoção presente na plateia: professores eméritos, diretores de unidades, representantes de pró-reitorias, docentes, pesquisadores, amigos e muitos alunos que acompanharam de pé a entrega da medalha e do título ao homenageado. Mas, além deles, Bisch lembrou e agradeceu aos seus pais, irmãos e àquela que, segundo ele, foi um dos maiores golpes de sorte de sua vida:  “Finalmente tenho que confessar a imensa sorte de estar casado há mais de 40 anos com Marta Teles, uma parceira de companheirismo inigualável… Devo tudo a ela!”. Pela fala do decano do CCS, a centenária Minerva também deve muito ao homenageado: 

“Essa cerimônia é o reconhecimento formal de que o professor Paulo Bisch é e continuará sendo uma referência intelectual e humana para esta Universidade. Sua trajetória nos honra, sua presença nos engrandece e seu legado seguirá iluminando os caminhos de tantos que ainda virão. Parabéns! A UFRJ é melhor porque teve e tem o senhor na sua história!”.