UFRJ concede título de professor emérito a Francisco Esteves

Francisco de Assis Esteves é o novo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de ser fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), com a honraria, o titular aposentado tornou-se o primeiro docente do Núcleo a ser contemplado com a homenagem. Professor Chico, como é carinhosamente chamado, também é pioneiro como ecólogo diplomado no país e na construção do campo da Limnologia, ciência multidisciplinar que estuda as águas continentais, tais como lagos, lagoas, rios, riachos, reservatórios e áreas úmidas. Ele também é autor do livro Fundamentos de Limnologia, uma das principais referências da área no Brasil e no exterior.

A concessão do título foi oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, realizada na quarta-feira, 14/10, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária. Além do homenageado, também participaram da mesa, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; a diretora do Nupem, Cíntia Barros; e os oradores do evento, o decano do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé (CMM), Thiago Lima, e o professor do Instituto de Biologia (IB), Reinaldo Bozelli. Além da presença da comissão de honra, a cerimônia foi marcada por diversas homenagens, com entrega de placas pelo corpo social da UFRJ. Na ocasião, o docente também foi agraciado com o título de cidadania macaense pelos relevantes serviços prestados àquele município.

Cerimônia de emerência aconteceu no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no CCS | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Francisco de Assis Esteves é graduado em Biologia pela UFRJ (1973) e concluiu seu doutorado summa cum laude no Instituto Max Planck, na Alemanha, em 1978. Inicialmente, o professor fixou-se na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), onde fundou o Laboratório de Ecologia de Macrófitas Aquáticas. O docente transferiu-se para a UFRJ em 1989, onde estruturou o Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Na instituição, atua na coordenação de projetos de educação ambiental, sendo um dos idealizadores da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER) da Universidade. Ao longo de sua carreira, Chico Esteves produziu mais de duas centenas de artigos científicos e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Limnologia.

Mesa de honra da solenidade| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além de destacar a relevância acadêmica do novo emérito, Roberto Medronho apresentou uma outra dimensão da trajetória do professor: a capacidade da convivência da vocação científica do docente com seus compromissos afetivos e familiares. O reitor afirmou que a homenagem do título se estende ao “homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim”.

“A ciência nunca foi justificativa para abandonar os seus vínculos. Chico Esteves não consegue deixar de ser professor nem durante o passeio com seus netos: cada árvore pode virar uma história; cada inseto, uma pergunta; cada lagoa, uma aula. Ele fala sobre plantas, animais, rios, florestas, ecossistema. Chico Esteves explica, pergunta, provoca e ensina a olhar e a se inspirar na natureza. Isso talvez seja uma das mais belas definições de educador. É alguém que ensina uma criança não apenas a saber mais, mas a querer saber mais. Uma vez, o próprio Chico me disse uma frase que ficou em minha memória e sintetiza bem essa vocação que eu acompanho por toda a vida: ‘O educador nunca se aposenta’. Chico é a prova viva disso”.

Novo professor emérito com o reitor da UFRJ, Roberto Medronho| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

O compromisso do emérito filho de Minerva

De fato, em seu discurso, o homenageado colocou em prática o que havia dito ao reitor da UFRJ. Com uma fala contextualizada pelo atual período brasileiro, o professor Chico Esteves enfatizou que segue atuante e comprometido com a educação e com o país:

“Pertenço a uma comunidade chamada de ‘sonhadores contumazes’, de que fazem parte filósofos, poetas e pescadores. Amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir. Especialmente neste momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva, e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios. É hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que possamos ajudar no caminho de uma sociedade mais equânime econômica, social e ambientalmente”.

Em defesa da interiorização

O docente, que também foi o principal articulador do movimento que resultou na criação, em 1998, do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, no norte do estado do Rio de Janeiro, teve papel central no processo de interiorização da UFRJ, que deu origem ao Campus Macaé, primeiro estabelecido fora da cidade do Rio.

Ao referir-se à trajetória de Chico Esteves, Cássia Turci, vice-reitora da UFRJ, relembrou as várias viagens realizadas a Macaé e o enfrentamento das muitas resistências para a interiorização da UFRJ: “Daria para escrever um livro sobre os casos de Macaé com o professor Chico Esteves e com os que fizeram parte dessa história. Não foi fácil. Muitos que nunca tinham ido a Macaé falavam mal sem conhecer o projeto. Esse título é muito merecido pelo professor Chico Esteves. Tenho certeza de que, com ele e com os outros eméritos, nosso corpo social da UFRJ conseguirá pensar um país melhor, mais justo, equânime, democrático, onde as pessoas se sintam felizes. Quem vence e ganha com mais um professor emérito, que fez tanto e ainda vai fazer muito pela educação deste país, é a UFRJ”, concluiu.

UFRJ concede título de professor emérito a Paulo Mourão e celebra trajetória pioneira na glicobiologia e na ciência nacional

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na segunda-feira, 28/09, o título honorífico de professor emérito a Paulo Antônio de Souza Mourão, em cerimônia realizada na Sala Copacabana, do gabinete da Reitoria. A solenidade homenageou a trajetória de mais de quatro décadas do pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) e reuniu dirigentes da instituição, familiares e membros da comunidade acadêmica. A proposta, apresentada pelo IBqM, foi aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Universitário (Consuni) da Universidade.

Com uma trajetória acadêmica de elevada distinção, Paulo Mourão graduou-se em Medicina e concluiu o doutorado em Biologia Molecular em 1975 pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Sua qualificação internacional consolidou-se durante o pós-doutorado no Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos (1979-1980). Na UFRJ, onde ingressou como docente em 1981, atuou como professor titular entre 1992 e 2025, somando 45 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa científica.

Mourão tornou-se referência internacional na área de glicobiologia, com a publicação de aproximadamente 240 artigos em periódicos, três livros e cinco capítulos, além do financiamento contínuo de agências de fomento como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Mizutani Foundation, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico e a soberania científica nacional traduz-se no registro de 10 patentes. No âmbito do ensino e da formação de recursos humanos, orientou 36 teses de doutorado e 40 dissertações de mestrado, mantendo-se plenamente ativo mesmo após a aposentadoria, com orientações em andamento e a coordenação de projetos de pesquisa.

Paulo Mourão e o reitor Roberto Medronho | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

“Conferir este título ao professor Paulo Mourão é um certificado da excelência da UFRJ e uma demonstração de que a ciência é vida. Precisamos cada vez mais de pessoas como ele: de uma simplicidade enorme, um carinho com as pessoas e uma visão disruptiva. Seja muito bem-vindo ao nosso panteão de glória, que são os nossos eméritos. Seu nome agora está inscrito com pena de ouro na história desta universidade centenária”, destacou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

A excelência do percurso de Paulo Mourão é chancelada por honrarias como a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, o título de Fellow da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, a membresia titular na Academia Brasileira de Ciências (ABC) e na Academia Mundial de Ciências (TWAS), a ex-presidência da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) e a atuação nos Comitês de Produtos Biológicos das Farmacopeias Brasileira e Americana. Destaca-se ainda a criação e coordenação do Laboratório de Tecido Conjuntivo no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), projeto pioneiro de integração entre a ciência básica e a medicina clínica que busca equilibrar a pesquisa fundamental e aplicada com impacto direto na saúde e na soberania farmacêutica do país.

A decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ, Avany Fernandes Pereira, enfatizou o orgulho do centro universitário com a outorga do título. Segundo a professora, a honraria vai além da formalidade regimental, configurando um ato de congraçamento de carreira e de vida. Avany ressaltou que, para além do incontestável mérito científico e do denso currículo acadêmico, o percurso de Paulo Mourão destaca-se como um modelo de defesa democrática e de compromisso social.

Em seu pronunciamento, o professor Paulo Mourão expressou profunda gratidão ao IBqM, ao CCS e ao Consuni, compartilhando a homenagem com os estudantes, pós-doutorandos, pesquisadores e técnicos que colaboraram em seus projetos. O cientista afirmou que a construção científica depende essencialmente do trabalho coletivo. Ao fazer uma retrospectiva de sua carreira, destacou o sentimento de liberdade que encontrou ao chegar à UFRJ e relembrou a transferência de seu laboratório para o HUCFF e como a crise internacional da heparina impulsionou uma nova linha de pesquisa de grande impacto regulatório e tecnológico, integrando a ciência básica à prática clínica.

Paulo Mourão é o novo professor emérito da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

“Não tenho nenhuma vergonha em dizer ‘não sei’, pois a construção científica é um trabalho essencialmente coletivo e depende da ajuda de todos. Fiquei muito honrado com o título, mas recebo esta homenagem como um recado da Universidade de que estamos lhe concedendo um tempo a mais, tendo o desafio de continuar trabalhando, inovando e avançando em nossos projetos”, disse o novo professor emérito da UFRJ.

Ao projetar o futuro, Mourão afirmou que a honraria representa um verdadeiro desafio para continuar produzindo e transformando a Universidade. Nesse sentido, destacou sua atual coordenação de um novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em glicobiologia, voltado para o avanço na inovação de medicamentos, o apoio a grupos de pesquisa em todo o país e o aprimoramento do ensino de graduação.

Jerson Lima da Silva é o novo professor emérito da UFRJ

Reconhecimento científico, memórias, gratidão e poesia marcaram a cerimônia que concedeu o título de professor emérito ao titular aposentado do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) Jerson Lima da Silva. A homenagem institucional foi oficializada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada na segunda-feira, 21/9, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, na Cidade Universitária. 

Além do docente, compuseram a mesa de honra: o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; o diretor do IBqM, Robson Monteiro; e o professor emérito Wanderley de Souza, orador da cerimônia. Referência no campo da biologia estrutural, Jerson Lima da Silva é responsável pelo desenvolvimento de pesquisas relevantes nas áreas de enovelamento proteico, montagem viral e entendimento dos mecanismos envolvidos no dobramento errado de proteínas, importante em muitas doenças como câncer e doença de Parkinson.

Integrantes da mesa e da comissão de honra durante solenidade de concessão do título de professor emérito ao docente Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Origem humilde e trajetória científica de impacto

Pós-doutor, o docente, que tem graduação em Medicina e doutorado em Biofísica pela UFRJ, iniciou sua trajetória profissional na Universidade em 1988, tornando-se titular no IBqM em 1997. De lá para cá, o professor construiu um legado científico de destaque. Foi diretor-fundador do Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear Jiri Jonas (CNRMN/UFRJ), principal centro da América Latina aparelhado com equipamentos de ressonância magnética nuclear (RMN) de alto campo, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia Mundial de Ciências  para o Avanço da Ciência em Países em Desenvolvimento (Twas, na sigla em inglês) e da Academia Nacional de Medicina (ANM). 

Medronho, contemporâneo de Jerson Lima na graduação na Faculdade de Medicina da UFRJ, trouxe lembranças de quando ainda eram estudantes: “Nós dois éramos moradores de subúrbio em uma época em que não havia ainda ação afirmativa. Muitas vezes, pedimos carona em frente à ‘perna seca’ do HU para conseguir sair do Fundão, já que quase não havia transporte no campus”. O reitor destacou, ainda, o papel complementar da ciência e da poesia na trajetória do homenageado:   

“Em Jerson, ciência e poesia não são territórios opostos. Ambas nascem do espanto diante do mundo, da curiosidade, da procura por aquilo que ainda não conhecemos inteiramente. O cientista interroga a realidade, o poeta amplia o sentido dessa realidade. Jerson reúne essas duas formas de inquietação, o rigor de quem busca compreender e a delicadeza de quem sabe contemplar. Professor, que a ciência continue alimentando suas perguntas, que a poesia continue iluminando suas palavras, e que sua presença continue inspirando esta Universidade que você ajudou e continua ajudando a construir. Muito obrigado, Jerson Lima!”

Professor emérito Jerson Lima da Silva sendo saudado pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Gestão humanizada

Cássia Turci enfatizou um outro aspecto marcante na trajetória do homenageado: “O que mais me toca na atuação do professor Jerson é que além da excelência no ensino, na pesquisa, na extensão, na inovação, ele construiu uma gestão humanizada, com capacidade de ouvir e considerar as variadas opiniões em prol do melhor para nossa UFRJ. Ele é uma liderança muito importante para nossa instituição e para o nosso país, pois reúne capacidade técnica e o cuidado com as pessoas, que é a maior riqueza que temos dentro das universidades públicas. Parabéns, professor Jerson!”.

Formação acadêmica como missão

Ao discorrer sobre a trajetória de Jerson Lima, a decana do CCS, Avany Fernandes, chamou a atenção para a generosidade acadêmica do homenageado: “Gostaria de destacar a formação acadêmica como missão, que faz parte da história do professor Jerson Lima, que contribui para a formação de diversos alunos de graduação e pós-graduação stricto sensu. Seus trabalhos, majoritariamente, envolvendo esses estudantes, também comprovam isso. Essa generosidade científica não é desprendida de uma formação de excelência, mas é participativa e inclusiva. A grandiosidade do recebimento de um título como esse se percebe pela grande quantidade de convidados distribuídos em autoridades, amigos, familiares, alunos, ex-alunos, colegas docentes”. 

Robson Monteiro, por sua vez, enfatizou o papel diferenciado do novo professor emérito da UFRJ na Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj): “Também quero destacar a trajetória do professor Jerson Lima na Faperj, onde atuou de 2003 até 2018 como diretor científico e, posteriormente, de 2019 a 2024 como presidente, somando quase 21 anos nesta agência de fomento. Sua atuação mudou radicalmente o perfil do fomento da pesquisa do estado do Rio de Janeiro, posicionando essa FAP como uma das principais no Brasil. Isso foi fundamental para elevar a qualidade da pesquisa fluminense, possibilitando um salto na relevância científica do nosso estado”, afirmou. 

Do subúrbio para a UFRJ com ciência e poesia

Discurso emocionado e poético do novo professor emérito da UFRJ Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“É com profunda honra e imensa gratidão que recebo o título de professor emérito desta Universidade, a Universidade do Brasil, onde entrei aos 19 anos como estudante de Medicina e onde quase 50 anos depois ainda me sinto um aprendiz. Nenhuma honraria em ciência é verdadeiramente individual. Ela é sempre a fotografia do esforço coletivo. Agradeço a todo o apoio recebido dos colegas, do administrativo, da família, alunos, professores, enfim, de todos que estiveram comigo ao longo dessa trajetória”, disse o homenageado.  

O discurso do professor Jerson Lima também foi permeado por lembranças afetivas e citações poéticas de sua própria autoria. Desde 2016, o homenageado também é atuante na literatura como escritor das seguintes obras: Quase Poesia (2016), Cinzas de Luz (2023), Poemas de Papel (2025) e Vidas Emaranhadas (2026), primeiro romance do docente. Emocionado, o professor fez referência à saudosa mãe, dona Janete, boleira e artesã de flores artificiais, que estimulou as pioneiras curiosidades científicas nos tempos de menino e a sensibilidade artística. Com romantismo, a professora do IBqM, Débora Foguel, integrante de sua comissão de honra e esposa, também teve destaque nas palavras do homenageado, que a designou como sua “perene e amada musa”. 

Homenageado com a professora do IBqM  Débora Foguel, integrante da comissão de honra e esposa | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Foi na Vila Santa Teresa, em Coelho Neto, subúrbio do Rio de Janeiro, que minha mãe nutria todas as nossas buscas pelo conhecimento. A mesada virava fascículos de revistas de divulgação científica no jornaleiro da esquina. Com suas curtas e parcas economias, ela convencia meu pai, com salário relativamente humilde, a comprar coleções de livros”. Baseado em sua própria vivência, o docente enfatizou ainda a importância do reforço em recursos e políticas públicas direcionadas à educação: “Investir em ciência, educação e saúde é também política de reparação. Permite que o filho da boleira de Coelho Neto seja professor emérito de uma universidade pública”, finalizou o novo professor emérito da UFRJ.

UFRJ concede título de Professora Emérita à Ana Luiza Coelho Netto 

Ana Luiza Coelho Netto recebeu na segunda-feira, 14/9, o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A honraria formaliza o reconhecimento institucional da trajetória acadêmica da titular aposentada do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (Igeo) que, nos últimos cinquenta anos, dedicou-se  ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de geógrafos e pesquisadores. A docente é considerada referência em estudos sobre evolução das paisagens, processos hidrológicos e erosivos de encostas, geomorfologia, geoecologia e gestão de riscos de desastres. 

A cerimônia, realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), aconteceu no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. Na ocasião, além da homenageada, também participaram da mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho: a vice-reitora, Cássia Turci; o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor Edson Farias Mello e o orador da solenidade, o professor Marcelo Lopes de Souza, ambos do Igeo.  

Cerimônia de concessão do título de Professora Emérita à docente Ana Luiza Coelho Netto | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Medronho enfatizou o significado da obra da professora Ana Luiza para a ciência e, sobretudo, para a sociedade, afirmando que, atualmente, poucas áreas são tão diretamente relacionadas à vida das pessoas como o campo de atuação da referida docente:  

“Quando estudamos deslizamentos, inundações, erosão, ocupação de encostas, transformação das bacias hidrográficas, estamos falando de ciência, mas também de moradia, planejamento urbano, meio ambiente, desigualdade social e, muitas vezes, de vida e morte. A chuva pode cair para todos, mas seus efeitos são profundamente desiguais na sociedade. Nesse sentido, as relevantes contribuições da área de pesquisa da nossa homenageada tornam-se absolutamente fundamentais para lidarmos preventivamente com estes desastrosos impactos das mudanças climáticas, principalmente junto às populações mais vulneráveis. Parabéns pelo belo e relevante trabalho, professora Ana Luiza!” 

Por sua vez, Cássia Turci frisou o significado daquela solenidade em relação à importância do investimento na representatividade de gênero na instituição: “É muito importante estar no CCMN concedendo o título de emérita para uma mulher, já que, comparativamente, o número de professoras agraciadas com a honraria ainda é pequeno, apesar da crescente valorização do papel das mulheres na nossa Universidade. Nesse sentido, é extremamente gratificante o reconhecimento e a homenagem prestada à professora Ana Luiza, que além de ter a emerência aprovada por aclamação pelo Consuni, continua trazendo suas relevantes contribuições para a sociedade, por meio dos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos dedicados à UFRJ”, afirmou.

Trajetória de referência

Durante sua fala, Ana Luiza, que também fundou e presidiu a União da Geomorfologia Brasileira (UGB), contou que escolheu tornar-se professora de Geografia por ter sido influenciada pela atuação inspiradora de uma docente dos tempos de colégio. De lá para cá, formou-se bacharel em Geografia  (1973) e  mestre em Geografia Física e Geomorfologia (1979) pela UFRJ;  doutora em Geomorfologia e Geoecologia (1985) com distinção máxima (Summa cum laude) pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica; e pós-doutora (1988) pela Universidade da Califórnia-Berkeley, nos Estados Unidos.

A carreira na UFRJ teve início em 1976 como auxiliar de ensino. Posteriormente, Ana Luiza tornou-se professora assistente, professora adjunta e, em 1998, assumiu o cargo de docente titular. Em 1992, fundou o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos (Geoheco), onde são estudados os efeitos das mudanças climáticas e ambientais na dinâmica dos processos geomorfológicos que governam a evolução das encostas, com foco especial nos perigos naturais e indutores de desastres socioambientais.

Entrada da homenageada e da comissão de honra na solenidade realizada no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Integração: conhecimento científico e vivência popular

No discurso da nova professora emérita da UFRJ não faltaram lembranças emocionadas, agradecimentos, relatos de marcos profissionais, como a atuação pós-desastre climático na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e o destaque para a importância da integração dos conhecimentos científicos e da vivência popular, enfatizando a relevância do protagonismo das comunidades na gestão territorial dos riscos: 

“Cada vez mais,  buscamos ampliar essa rede de conexões no circuito multitransdisciplinar nacional e internacional, cujo foco em comum é o interesse na redução dos riscos de desastres. Esta postura envolve um outro modo de pensar coletivamente, buscando novos padrões e funcionalidades no ordenamento territorial e instituindo procedimentos de gestão territorial participativa, integrando o conhecimento científico e o conhecimento da vivência. Nesse contexto, consideramos igualmente relevante dedicar atenção especial à educação formal e à educação coletiva das comunidades expostas a riscos associados a eventos climáticos extremos, para melhor enfrentarmos as ameaças e perigos naturais, especialmente diante das mudanças climáticas e ambientais em curso”, enfatizou Ana Luiza.

UFRJ outorga título de Doutor Honoris Causa ao embaixador Celso Amorim

O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou a sessão solene que outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata e embaixador Celso Amorim. A homenagem, que representa o reconhecimento máximo da Academia a personalidades que prestaram contribuições excepcionais à ciência, cultura e humanidade, celebrou a trajetória de um homem público cuja vida se confunde com a própria história da política externa e da cultura brasileiras. A proposta para a concessão do título partiu do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e foi formulada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE). 

A relação de Celso Amorim com a UFRJ carrega uma memória afetiva e histórica. Em seu discurso de agradecimento, o embaixador relembrou que ingressou no Instituto Rio Branco em 1963 e, na mesma época, prestou vestibular para o curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) da então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Contudo, com o golpe militar de 1964, o curso noturno foi extinto, inviabilizando as aulas com grandes intelectuais como Álvaro Vieira Pinto e José Américo de Almeida.

Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Há cerimônias que nos honram por sua importância institucional, e há outras que, além disso, nos tocam de maneira muito especial. Esta é, sem dúvida, uma delas. Conceder o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ a Celso Amorim é reconhecer uma das mais importantes trajetórias da vida pública brasileira. Celso pertence a uma geração de homens públicos que compreendeu que servir ao Brasil significa, antes de tudo, acreditar no Brasil. Amorim sempre soube que uma nação não se afirma no mundo apenas pela força de sua economia ou pela dimensão territorial. Afirma-se também por sua cultura, sua identidade, pela capacidade de produzir ideias e pela coragem de defender seus próprios interesses”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante a homenagem.

As “Múltiplas Vidas” de Celso Amorim: Cinema e Diplomacia

A saudação oficial ao homenageado foi proferida pela professora emérita Andrea Daher, que traçou de forma poética as diferentes facetas e “vidas” vividas por Amorim. Daher destacou a precoce imersão de Amorim no cinema brasileiro, atuando como assistente de direção de Ruy Guerra no filme Os Cafajestes e, posteriormente, como diretor-geral da Embrafilme entre 1979 e 1982. 

Celso Amorim sendo recebido na cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Na diplomacia, Amorim construiu uma carreira de múltiplas competências desde sua formatura no Instituto Rio Branco, em 1965. Atuou em postos em Londres, Washington e chefiou a missão brasileira junto ao Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Foi duas vezes ministro das Relações Exteriores (de 1993 a 1995 e de 2003 a 2011), ministro da Defesa (de 2011 a 2015) e, atualmente, atua como assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. 

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta, comparou a vida pública de Amorim a viver dentro de um furacão. Ela pontuou os desafios das instituições multilaterais contemporâneas, como as pressões sobre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC, e destacou o papel do homenageado na consolidação de blocos como os Brics para desenhar um sistema internacional multipolar. Ruta trouxe uma curiosidade da juventude de Amorim: muito antes do cinema e do Itamaraty, o embaixador traduziu para o português o livro O Mágico de Oz, uma narrativa que começa justamente com a força de um furacão. “É difícil não ver nisso uma espécie de premonição literária das tempestades políticas que o embaixador Celso Amorim ainda atravessaria”, assinalou a coordenadora.

Desenvolvimento, Paz e Soberania Tecnológica

Durante a cerimônia, Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico, com a proliferação de conflitos mundiais. Dialogando com os conceitos dos pontífices Paulo VI, o embaixador propôs uma inversão necessária para o nosso tempo: “A paz é o novo nome do desenvolvimento”. Amorim também projetou os desafios éticos e geopolíticos da inteligência artificial, defendendo que o Sul Global precisa cooperar para que a tecnologia não se torne um novo instrumento de dominação seletiva.

Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“O Brasil não pode abrir mão da capacidade de diversificar parcerias. Devemos continuar dispostos a cooperar com todos os países, de todos os continentes, independentemente da sua orientação política. A tarefa principal da política externa hoje é assegurar uma posição altiva e soberana no novo equilíbrio global. A inserção nacional do Brasil passa necessariamente pela integração regional com a América Latina, em especial a América do Sul. Rejeitamos de maneira categórica a ideia de que a América Latina possa ser tratada como área de domínio de uma superpotência”, disse Amorim.

A Aliança com a África

A cerimônia contou com a  apresentação artística do coral Brasil Ensemble UFRJ, dirigido pela professora Maria José Chevita Rezende. O grupo apresentou clássicos e encerrou com África Unida, criação coletiva moçambicana regida por Feliciano Comé.

Coral Brasil Ensemble UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Roberto Medronho destacou a força simbólica dessa homenagem musical, lembrando que o repertório resgata um trecho de O Grito de Moeda, a primeira ópera moçambicana, que recria o histórico massacre de resistência colonial de 1960. Medronho aceitou o desafio de Amorim de estreitar ainda mais os laços acadêmicos com o continente africano, ressaltando com orgulho que a Universidade é embaixadora de ciência e educação da Associação das Universidades Africanas.

Além do reitor e do homenageado, também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a oradora e professora emérita da UFRJ, Andrea Daher; e a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.

Marcelo Macedo Corrêa e Castro é o novo professor emérito da UFRJ 

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nessa segunda-feira, 17/8, o título de professor emérito ao docente titular aposentado da Faculdade de Educação (FE) e ex-decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) Marcelo Macedo Corrêa e Castro. Com mais de 44 anos de dedicação à Minerva, em atividades de ensino,  pesquisa, extensão e gestão, sempre defendeu a educação, especialmente o ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

A cerimônia, que aconteceu no Salão Dourado do Palácio Universitário, no Campus Praia Vermelha, na Urca, marcou uma dupla comemoração. É que, oficialmente, o  reconhecimento institucional da significativa trajetória acadêmica de Corrêa e Castro foi realizada na data de aniversário de 70 anos do docente. Além do homenageado, a mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, teve a seguinte composição: a diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura; o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira; e a professora Marlene de Carvalho, oradora da solenidade.  

 “Educador é educador até o último suspiro, não se aposenta. O professor Marcelo formou gerações e gerações de cidadãos críticos e empáticos, que hoje também ajudam a formar gerações e gerações. Reforço aqui que quem faz a beleza e a pujança da Universidade são as pessoas. Fico muito feliz de hoje termos um professor emérito que, além de educador, é poeta. Hoje, o professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro entra para o panteão de glória dos eméritos, grupo que mensalmente reúno para ouvir a sapiência, representando uma área de grande relevância”, destacou Medronho.

Mesa de honra da cerimônia de emerência: professora Marlene de Carvalho; professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro; reitor Roberto Medronho; decano do CFCH, Vantuil Pereira; e diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Um oráculo muito especial

Durante a solenidade, muitas contribuições do docente foram destacadas, entre elas: a relevante contribuição do professor no processo de reconstrução da Faculdade de Educação; o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp); a intensificação da interlocução com as escolas públicas; a criação da Revista Contemporânea de Educação; e a articulação permanente da FE tanto com outras unidades da UFRJ quanto com as instituições externas.

Simbolizando o respeito à experiência e à relevância intelectual e institucional de Corrêa e Castro, Ana Paula Abreu Moura lembrou a forma carinhosa e brincalhona que, por vezes, os colegas da FE se referem ao homenageado no dia a dia: “Em caso de dúvidas, é só perguntar para o nosso oráculo”. Pereira, por sua vez, enfatizou as qualidades essenciais que identifica no professor: “Ocupa um lugar muito especial e próprio. Além de ser uma liderança fantástica, é uma figura humana excepcional, franco, sempre disponível para ouvir e aprender, afetuoso, acolhedor e generoso, mesmo na discordância”.

Emoção e reconhecimento durante cerimônia no Palácio Universitário | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Educador para sempre

Durante seu discurso, repleto de emoção e agradecimentos aos familiares, amigos, colegas, ex-estudantes, e servidores técnicos-administrativos em Educação (TAEs),  Marcelo Macedo Corrêa e Castro compartilhou um fato relacionado ao período que antecedeu sua aposentadoria e que o fez compreender que, na vida de um educador, não existe uma última aula: 

“Em dezembro de 2023, minha última turma descobriu que iria me aposentar e organizou uma festinha para o último dia de aula, mas houve um contratempo que não foi possível realizar o planejado. Enquanto tentava lidar com o vazio e a frustração por ter sido privado de oferecer minha última aula à turma, recebi a seguinte mensagem de um estudante de pedagogia: ‘Gostei muito das aulas e de ter conhecido o senhor. Já estava me preparando para levar o bolo e o café para que você soubesse o quanto é querido, não só por mim, mas por toda a turma. Muito obrigado por todo o conhecimento compartilhado, conversas e conselhos em relação à monografia. Você conseguiu tornar um prazer acordar sexta-feira de manhã. Isso é um grande feito!’. A mensagem me ajudou a entender que, apesar das dificuldades vividas, valeu a pena acordar para o mundo naquela sexta-feira de manhã em 17 de agosto de 1956”, relatou o professor.

Homenageado acompanhado pela sua comissão de honra | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Belita Koiller recebe título de professora emérita da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta sexta-feira, 7/8, o título de professora emérita à docente titular aposentada do Instituto de Física (IF) Belita Koiller. A homenagem, oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), ocorreu na sexta-feira, 7/8, no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A iniciativa institucional visa ao reconhecimento de mais de cinco décadas de contribuições singulares de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas.

Além da homenageada, a mesa de honra, presidida pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, teve a seguinte composição: o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor do IF, Bruno Souza de Paula; e o professor emérito Luiz Davidovich, orador da solenidade e um dos integrantes da comissão de honra, que acompanhou a entrada da docente na cerimônia. Juntamente com ele, estiveram os professores do IF Érica Macedo, Eduardo Fraga, Rodrigo Capaz e Thereza Lacerda.

O título reconhece mais de cinco décadas de contribuições e dedicação de Belita à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

A trajetória de Belita na UFRJ teve início em 1994, quando ingressou no corpo docente. De lá para cá, ela também exerceu funções de liderança acadêmica na Universidade, incluindo a direção do IF. Graduada em Física pela PUC-Rio, concluiu o doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1975. Com mais de uma centena de artigos científicos publicados, a professora tornou-se referência internacional na área de Teoria da Matéria Condensada. Atualmente, suas pesquisas concentram-se no comportamento quântico de sistemas eletrônicos e em sua aplicação no desenvolvimento de dispositivos quânticos. 

Ao longo da carreira, a docente recebeu diversas distinções da comunidade científica. Em 1982, foi contemplada com a Guggenheim Fellowship, que lhe permitiu desenvolver pesquisas nos Estados Unidos.  Em 1995, tornou-se a primeira mulher eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Físicas. Dez anos depois, foi agraciada com o International Award for Women in Science, em reconhecimento à relevância de sua produção científica.

Entre outras honrarias, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2010), foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da Academia de Ciências da América Latina, além de conquistar a Medalha Ângelo da Cunha Pinto (2021) e o Prêmio Joaquim Costa Ribeiro da Sociedade Brasileira de Física (2025).

Além de exaltar o rigor acadêmico da homenageada durante a cerimônia, Cássia Turci pontuou o compromisso de Belita com a infraestrutura da Universidade, mencionando sua persistência na construção do novo prédio do Instituto de Física, e celebrou seu entusiasmo inabalável pelo ensino e pelo sentimento de pertencimento à instituição, o que a torna uma figura brilhante e generosa na história da ciência brasileira.

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e a homenageada, Belita Koiller | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“A presença da Belita no Instituto de Física não só incentivou o desenvolvimento de muitos projetos de pesquisa, mas também atraiu nossos jovens, principalmente as meninas, para a área de ciência. Belita não perde o entusiasmo, a dedicação para com a universidade. Valores que nós precisamos, de fato, incentivar aqui. A empatia e a preocupação em você preparar uma boa aula para os nossos estudantes, que são a nossa maior razão de ser”, disse Turci.

Em sua saudação, o professor Luiz Davidovich ressaltou que o título concedido a Belita simboliza que a Universidade se tornou “maior e melhor” por meio de seu trabalho e exemplo, integrando-a permanentemente à história da instituição. Relembrou a trajetória compartilhada desde os tempos de graduação na PUC-Rio e destacou o pioneirismo e a coragem de Belita ao enfrentar o doutorado em Berkeley como a única mulher de sua turma. Ele enfatizou que essa determinação em ocupar espaços majoritariamente masculinos, aliada a uma curiosidade científica sempre renovada, permitiu que ela construísse uma carreira brilhante, marcada pela sensibilidade em identificar e formular as questões científicas que realmente importam.

Além da excelência acadêmica, o orador exaltou a obra científica ampla e original da homenageada, especialmente suas contribuições fundamentais na área de computação quântica, que uniram de forma indissociável a ciência básica à inovação tecnológica.

Belita Koiller e o professor Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“Belita defendeu a qualidade da ciência, a internacionalização da pesquisa brasileira, a formação de novas gerações e a construção de instituições sólidas. Defendeu também, com firmeza, a igualdade e oportunidades para as mulheres na ciência. É uma cientista de grande rigor intelectual, uma colega solidária e interlocutora generosa. Sua franqueza é conhecida por todos. Não evita os debates difíceis e não se acomoda diante de ideias estabelecidas; sua firmeza nasce sempre de um compromisso profundo com a ciência, com a universidade e com os colegas”, afirmou Davidovich.

O diretor do IF, Bruno Souza de Paula, enfatizou a dedicação de Belita ao coletivo, lembrando que ela exerceu a Direção do Instituto em um período especialmente desafiador: durante a pandemia de covid-19. Além disso, ressaltou sua contribuição acadêmica administrativa como coordenadora, por duas vezes, do curso de pós-graduação em Física.

Em vez de seguir o protocolo de um discurso formal, Belita Koiller optou por ministrar o que chamou de “seminário”, utilizando sua experiência didática para explicar as bases da física que permitem as tecnologias modernas. Tratou desde a evolução do átomo e da matéria, passando pela história dos semicondutores, da amplificação de sons e sinais, da criação de computadores portáteis, até falar do futuro na computação quântica.

Título foi concedido em cerimônia no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“É muito gratificante ter esse reconhecimento, que eu não sei se mereço, mas também tem a parte triste que diz que é o fim de uma carreira. Me lembro do fato de eu ter vindo da PUC, onde as condições físicas eram excelentes. Sempre quis trazer para cá o mesmo conforto e dignidade que eu tinha em uma instituição particular. Sempre tentamos melhorar e acho que conseguimos. Nossas instalações estão cada vez melhores e hoje também está mais feminino”, ressaltou Belita.

UFRJ concede título de doutor honoris causa ao historiador português Luís Reis Torgal

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, nesta terça-feira (9/6), o título de doutor honoris causa ao professor português Luís Manuel Soares dos Reis Torgal, docente catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e uma das mais importantes referências da historiografia contemporânea em língua portuguesa.

A homenagem foi realizada em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), por iniciativa do Instituto de História da UFRJ. A cerimônia contou com a participação remota do agraciado, que recebeu a mais alta distinção acadêmica concedida pela universidade. No Rio de Janeiro, o professor Angelo Brigato Ésther, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), representou o homenageado. A saudação oficial foi feita pela professora Maria Manuela Tavares Ribeiro, da Universidade de Coimbra, responsável por apresentar sua trajetória intelectual e acadêmica.

Ao longo de mais de cinco décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa e à produção científica, Reis Torgal consolidou-se como um dos principais estudiosos da História Moderna e Contemporânea. Sua obra trouxe contribuições fundamentais para a compreensão da história política, das ideias, das instituições e da própria construção do conhecimento histórico.

Professor da Universidade de Coimbra desde a década de 1970, foi membro fundador do Centro de Documentação 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20). Também atuou como professor convidado em universidades e centros de pesquisa na França, Inglaterra, Japão e Brasil, contribuindo para a formação de gerações de pesquisadores e para o fortalecimento da cooperação acadêmica internacional.

Sua produção intelectual ganhou projeção especialmente pelos estudos sobre liberalismo, autoritarismo, fascismo, salazarismo, memória, democracia e teoria da História, temas que o transformaram em referência internacional no campo das Humanidades.

Defesa da democracia

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a relevância da obra de Reis Torgal para a compreensão crítica da sociedade contemporânea e para a defesa dos valores democráticos. “Ao homenagear o professor Reis Torgal, a UFRJ afirma o valor da História como instrumento de compreensão crítica do mundo, como exercício de memória e como compromisso com a democracia”, disse.

Medronho ressaltou ainda que os estudos desenvolvidos pelo pesquisador sobre o Estado Novo português, os regimes autoritários e as relações entre memória e poder permanecem atuais em um cenário global marcado por desafios à democracia. “A democracia precisa ser cultivada, defendida e ensinada. Essa é uma lição que fala profundamente à universidade brasileira”, declarou o reitor.

Para Medronho, a homenagem também representa o reconhecimento da importância das Humanidades e do pensamento crítico em um período marcado pela circulação acelerada de informações e por tentativas de apagamento da memória histórica. “Em um tempo marcado pela pressa, pela desinformação e por tentativas de apagar a memória, a História nos devolve profundidade, contexto e responsabilidade”, afirmou.

Ao agradecer a honraria, Reis Torgal destacou a longa relação acadêmica e intelectual construída com o Brasil ao longo de décadas de intercâmbio, pesquisa e colaboração com universidades brasileiras. Em seu discurso, lembrou que visitou o país mais de 30 vezes e participou de congressos, projetos de pesquisa e atividades de ensino em diferentes regiões, além de orientar estudantes e desenvolver parcerias com pesquisadores brasileiros.

“Considero esta honra difícil de justificar, mas procuro explicá-la por uma longa trajetória de trabalho, de investigação e de colaboração com colegas brasileiros ao longo de muitos anos”, afirmou o homenageado. 

Ele ressaltou ainda o papel da pesquisa e da reflexão crítica na construção do conhecimento. “Sempre investigar, sempre interrogar-me sobre os resultados da minha pesquisa. Quem faz da investigação histórica um exercício crítico sabe que está sempre pronto a corrigir e a aprender”, observou o historiador.

Ao recordar sua trajetória, Reis Torgal mencionou a colaboração com pesquisadores brasileiros desde a década de 1980 e destacou a amizade acadêmica construída com nomes importantes da historiografia nacional, entre eles o professor Afonso Carlos Marques dos Santos, responsável pela proposição da homenagem aprovada pela UFRJ.

Em seu discurso, o reitor enfatizou que a homenagem fortalece as relações entre Brasil e Portugal e reafirma o papel da cooperação científica internacional na produção do conhecimento. “Somos países atravessados por memórias comuns, por encontros e tensões, por heranças coloniais, por lutas democráticas e por desafios contemporâneos que exigem cooperação científica, sensibilidade histórica e compromisso público”, argumentou Medronho.

A professora Maria Manuela Tavares Ribeiro destacou, em sua saudação, o rigor intelectual do pesquisador, sua atuação como docente e sua contribuição para a formação de sucessivas gerações de historiadores em Portugal e no exterior. Segundo ela, sua obra é marcada pela defesa da liberdade, pelo compromisso com a democracia e pela permanente disposição para o diálogo acadêmico.

Com a concessão do título, Luís Reis Torgal passa a integrar o seleto grupo de personalidades nacionais e internacionais homenageadas pela UFRJ por suas contribuições excepcionais à ciência, à cultura, à educação e ao desenvolvimento do conhecimento humano. Além de reconhecer uma trajetória acadêmica de excelência, a honraria reafirma os laços históricos e intelectuais que unem a UFRJ e a Universidade de Coimbra há décadas.

Cinco décadas dedicadas à ciência: Luiz Eurico Nasciutti recebe título de professor emérito da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira, 8/6, o título de professor emérito ao professor Luiz Eurico Nasciutti, docente titular aposentado do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e atual decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS). A homenagem foi realizada em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), no auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), na Cidade Universitária.

A mais alta distinção acadêmica concedida pela universidade reconhece a trajetória de um professor que dedicou mais de 50 anos à UFRJ, formando gerações de estudantes, contribuindo para o avanço da ciência brasileira e exercendo importantes funções de gestão universitária.

Professor titular do ICB, Luiz Eurico graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília, concluiu o mestrado em Histologia e Embriologia na UFRJ e obteve o doutorado em Biologia Celular e Molecular pela Université Pierre et Marie Curie, na França. Sua produção científica se concentra nas áreas de biologia celular e tecidual, com destaque para pesquisas sobre endometriose, câncer de próstata e interações entre células e tecidos.

Em seu discurso, Luiz Eurico relembrou sua chegada à UFRJ em 1973, quando veio ao Rio de Janeiro para cursar o mestrado, e sua contratação como professor da universidade em 1975. Em uma fala marcada pela emoção, agradeceu a mestres, colegas, orientandos, familiares e amigos que fizeram parte de sua trajetória acadêmica e pessoal.

O professor recordou a influência de docentes que ajudaram a moldar sua formação, como Gilberto Leandro Santa Rosa, Carlos Chagas Filho, Francisco Bruno Lobo e Jorge Maia, entre outros. Também destacou sua experiência no Collège de France durante o doutorado e a construção do Laboratório de Interações Celulares, que se tornou referência nacional em pesquisas sobre fisiologia e patologias do sistema reprodutor.

Ao refletir sobre sua trajetória docente, afirmou ter buscado inspiração na pedagogia dialógica de Paulo Freire, defendendo uma universidade baseada na construção coletiva do conhecimento e no compromisso com a sociedade. “Procurei aplicar a pedagogia dialógica proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente, relacionando aprendizagem e consciência política”, afirmou.

Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, Luiz Eurico ressaltou a importância da família em sua caminhada e agradeceu à esposa, às filhas e aos amigos que o acompanharam ao longo de sua vida acadêmica. Encerrando seu pronunciamento, citou um trecho do poema Elogio do Aprendizado, de Bertolt Brecht: “Aprenda o mais simples. Não é suficiente, mas aprenda. Não desanime, comece. É preciso saber tudo. É preciso assumir o comando”.

Ao saudar o novo professor emérito, o reitor Roberto Medronho destacou a relevância da trajetória de Luiz Eurico para a história da UFRJ e para a formação de gerações de estudantes. “Hoje, como reitor, tenho a honra de saudar como professor emérito alguém que foi meu professor e participou da minha formação. Sua trajetória honra a história desta instituição”, disse.

Medronho também ressaltou o papel de Luiz Eurico na construção da universidade pública brasileira. “A universidade pública é feita, antes e acima de tudo, por pessoas. Por mestres, pesquisadores, servidores e estudantes que dedicam décadas à construção do conhecimento e da formação humana. E o professor Luiz Eurico é uma dessas pessoas.”

Na avaliação do reitor, a concessão do título ultrapassa o reconhecimento individual. “A concessão do título de professor emérito não é apenas uma homenagem ao passado. É também uma mensagem ao futuro. É a universidade dizendo às novas gerações que a ciência importa, que a educação importa e que o compromisso com o serviço público importa”, observou Medronho.

Bastante emocionado, Luiz Eurico Nasciutti recebeu o título de professor emérito no auditório Quinhentão, no Centro de Ciências da Saúde Foto: Sonia Toledo/ SGCOM

O discurso de saudação da comissão de honra foi feito pelo professor Antônio Palumbo Júnior, que destacou as contribuições de Luiz Eurico para a consolidação da pesquisa em biologia celular e morfologia na UFRJ, sua atuação decisiva na criação e fortalecimento do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas — atualmente nota máxima na Capes — e sua liderança na modernização do Instituto de Ciências Biomédicas.

Ex-aluno de Nasciutti, Palumbo também ressaltou características pessoais do homenageado, como a capacidade de construir consensos, estimular a colaboração acadêmica e acolher estudantes e pesquisadores ao longo de sua trajetória.

Ao longo da cerimônia, a trajetória acadêmica, científica e institucional de Nasciutti foi lembrada por colegas, alunos e gestores da universidade. A diretora do Instituto de Ciências Biomédicas, Patrícia Dias Fernandes; a vice-decana do Centro de Ciências da Saúde, Lina Zingali; e a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; também discursaram em homenagem ao professor. 

Docente da UFRJ desde 1975, Luiz Eurico Nasciutti participou da criação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas, presidiu a Sociedade Brasileira de Biologia Celular, dirigiu o Instituto de Ciências Biomédicas e, desde 2019, ocupa a Decania do Centro de Ciências da Saúde.

Também se destacou pela liderança do Laboratório de Interações Celulares, referência nacional em estudos sobre matriz extracelular, endometriose e câncer de próstata. Bolsista de produtividade do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj, orientou dezenas de mestres, doutores e pós-doutores ao longo da carreira.

UFRJ concede título de doutor honoris causa ao cardiologista português Fausto Pinto

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira (5/5) o título de doutor honoris causa ao médico cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto. A homenagem, realizada em sessão solene do Conselho Universitário, reconhece a trajetória internacional do pesquisador e sua contribuição para a ciência, a formação médica e o fortalecimento da cooperação acadêmica entre Brasil e Portugal na área da saúde. A cerimônia ocorreu no Auditório Halley Pacheco, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto tem uma trajetória marcada pela atuação em instituições científicas internacionais e pela defesa da cooperação entre universidades e sistemas de saúde dos países de língua portuguesa. Ao longo da carreira, presidiu entidades como a European Society of Cardiology e a World Heart Federation, além de dirigir a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 2015 e 2022.

Em seu discurso, o homenageado destacou a importância histórica da UFRJ para a ciência e o ensino superior no Brasil e ressaltou os vínculos acadêmicos entre Portugal e Brasil. “A Universidade Federal do Rio de Janeiro é incontestavelmente uma das grandes referências do ensino superior no espaço ibero-americano e global”, afirmou. Segundo Fausto Pinto, a história da instituição “confunde-se com a própria evolução da ciência, da medicina e do pensamento crítico do Brasil”.

O cardiologista também enfatizou o papel da cooperação internacional diante dos desafios contemporâneos da saúde. “Nenhum país, nenhuma instituição poderá enfrentar isoladamente os grandes desafios globais da saúde. É através de redes de colaboração, de partilha de conhecimento e de construção de soluções conjuntas que conseguiremos avançar”, disse.

Ao mencionar a relação entre a Universidade de Lisboa e a UFRJ, Fausto Pinto afirmou que as instituições “partilham valores, objetivos e uma visão comum do futuro”. Para ele, o Brasil exerce papel central nesse processo de integração científica no espaço lusófono. “Pela sua dimensão, pela sua capacidade científica e pela qualidade dos seus recursos humanos, o Brasil assume-se como um verdadeiro motor desta comunidade na medicina”, argumentou.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou não apenas a trajetória acadêmica e científica do homenageado, mas também sua dimensão humana e sua atuação internacional em defesa da medicina e da formação médica. “Fausto Pinto é um grande cidadão do mundo. Visitou mais de 120 países levando a mensagem da medicina, da cardiologia, da assistência digna, do ensino e da pesquisa”, afirmou Medronho.

O reitor também relembrou o primeiro contato com o cardiologista português, durante as tratativas para ampliar a cooperação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. “De imediato percebi que era uma pessoa diferente. O brilho no olhar e o carinho com que trata o outro mostram uma dimensão humana rara”, declarou.

Segundo Medronho, as reflexões apresentadas por Fausto Pinto sobre o futuro da cardiologia e da medicina dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da área da saúde. “Ali estavam lançadas as bases da medicina de precisão, da inteligência artificial e do uso racional das tecnologias”, disse.

A professora Gláucia Maria Moraes de Oliveira, da Faculdade de Medicina da UFRJ, também discursou em homenagem ao cardiologista português. Em sua fala, destacou o papel de Fausto Pinto na consolidação da cooperação acadêmica entre a UFRJ e a Universidade de Lisboa, especialmente nos acordos de validação automática de diplomas, dupla titulação e intercâmbio estudantil. “A excelência é uma construção diária, professor”, afirmou.

Segundo Gláucia, a atuação do homenageado ajudou a fortalecer iniciativas de integração entre escolas médicas de países lusófonos e ampliou as possibilidades de formação e circulação internacional de estudantes e pesquisadores. “Há um verdadeiro oceano de possibilidades em cada uma dessas conquistas, uma visão clara do futuro que desejamos para as nossas escolas e para os nossos países”, declarou.

A cerimônia foi presidida pelo reitor Roberto Medronho e contou com a participação do decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti; do diretor da Faculdade de Medicina, Alberto Schanaider; do professor emérito Manuel Domingos da Cruz Gonçalves; e do superintendente-geral do Complexo Hospitalar UFRJ-Ebserh, Amâncio Paulino de Carvalho. 

Trajetória

Fausto José da Conceição Alexandre Pinto nasceu em 3 de novembro de 1960, em Santarém, Portugal. Com atuação destacada na cardiologia mundial, Fausto Pinto é professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e ex-presidente da European Society of Cardiology e da World Heart Federation. 

Ao longo da carreira, publicou mais de mil artigos científicos e participou de centenas de conferências internacionais, consolidando-se como uma das principais referências da cardiologia contemporânea. Suas áreas de atuação incluem imagiologia cardiovascular, cardiologia de intervenção, insuficiência cardíaca, anticoagulação, cardiologia digital e saúde cardiovascular global.

O médico português foi pioneiro no uso da ultrassonografia intravascular aplicada ao estudo do coração transplantado e mantém forte relação acadêmica e científica com o Brasil. É membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Academia de Medicina da Bahia, além de ter recebido, em 2022, a Medalha da Ordem do Mérito Médico, na classe de Grande Oficial.

Fausto Pinto também teve papel central na aproximação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Durante sua gestão à frente da instituição portuguesa, foram fortalecidos acordos de intercâmbio, dupla titulação, cotutela e validação automática de diplomas entre universidades brasileiras e portuguesas.

Entre os resultados dessa cooperação está o acordo que permitiu, entre 2019 e 2024, a validação automática de diplomas médicos entre as duas instituições. Mais de 1.700 médicos formados pela UFRJ utilizaram o mecanismo para reconhecimento profissional em Portugal.

O cardiologista também é um dos idealizadores da Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa (CODEM-LP), criada em 2019 com participação da UFRJ e da Universidade de Lisboa, reunindo instituições de países lusófonos como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Macau.