Claudio Luiz Baraúna Vieira recebe título de professor emérito da UFRJ

O titular aposentado da Escola Politécnica, Claudio Luiz Baraúna Vieira, recebeu na terça-feira, 27/10, o título de professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A honraria foi concedida durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT), na Cidade Universitária. Referência nacional na Engenharia Naval e Oceânica, o docente construiu uma trajetória acadêmica com relevantes contribuições ao ensino, à pesquisa e à gestão universitária.

Além do novo emérito, a mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, também contou com as seguintes presenças: a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do CT, Cláudia Morgado; o diretor da Escola Politécnica, Sérgio Lima Netto; e o professor emérito, Paulo Alcântara Gomes, orador da solenidade e membro da comissão de honra. Integrantes do corpo social da instituição, colegas, familiares e amigos acompanharam atentos os discursos, que relembraram as várias contribuições do professor Baraúna, como é conhecido.

“Esta é uma homenagem à competência, à dedicação e a uma vida comprometida com a universidade pública e com o Brasil. Baraúna contribuiu para a formação de gerações de engenheiros e para a consolidação de uma área estratégica para o país. Como diretor da Escola de Engenharia e decano do CT, ajudou a fortalecer nossa instituição e a ampliar as condições para que o conhecimento florescesse. Professor Baraúna, sua contribuição permanece em todos os profissionais que o senhor formou, nas iniciativas que ajudou a construir e no exemplo que oferece aos mais jovens. A UFRJ expressa hoje seu reconhecimento e gratidão” , enfatizou Medronho.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante discurso sobre a trajetória do homenageado | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“A emerência faz com que enriqueçamos a nossa universidade com a experiência, tornando nossa instituição cada vez mais soberana, um lugar onde as pessoas desenvolvem um sentimento de pertencimento. Além de pesquisador e gestor, Baraúna é um professor de fato, que gosta de dar aula. Hoje, é a UFRJ que é a homenageada com a emerência de Cláudio Baraúna”, disse Cássia Turci.

Trajetória

Claudio Luiz Baraúna Vieira é graduado em Engenharia Naval pela antiga Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil (1968), mestre em Engenharia Oceânica pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/UFRJ), em 1971, e doutor em Naval Architecture and Shipbuilding pela Newcastle University (1979).

Ao longo da carreira, o docente desenvolveu estudos nas áreas de construção naval, transporte aquaviário, análise estrutural de navios e pesquisa operacional aplicada ao transporte aquaviário. Na gestão, entre os anos de 1990 a 1994, foi diretor da então Escola de Engenharia, atual Politécnica, além de exercer, em diferentes mandatos, o cargo de decano do CT.

O novo emérito e o orador da cerimônia, o professor emérito Paulo Alcântara Gomes | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Na Escola Politécnica, existem professores que são um exemplo para a sociedade, e o Baraúna é um deles. A instituição está concedendo o título de professor emérito a um professor a quem a UFRJ deve agradecer pela sua competência, qualidade, seriedade, pelo seu compromisso com o país, pela sua formação técnica e pelo que ele deixou e continua deixando aqui na Universidade. Sinto-me extremamente honrado em poder ter feito essa saudação”, expressou o professor emérito Paulo Alcântara Gomes.

Baraúna: reforço para o time de ouro

Falando de maneira metafórica, o diretor da Escola Politécnica, Sérgio Lima Netto, fez questão de mencionar o veterano corpo docente da unidade, que já foi contemplado com a mesma honraria do novo emérito: “A Escola Politécnica, nossa instituição de mais de 200 anos, tem a grande honra de ter um time de professores eméritos que até então era de futebol de salão, com cinco membros, e hoje, com a entrada do professor Baraúna, formamos um time de vôlei, com seis, o sexteto de ouro. Parabenizo todo o nosso time e o nosso novo reforço para a equipe, nosso jovem Baraúna”.

A decana do CT, Cláudia Morgado, destacou a contribuição do homenageado, o sexto emérito da Escola Politécnica | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A decana do CT, Cláudia Morgado, parabenizou o homenageado e destacou a relevância da atuação do docente na UFRJ: “É notória a contribuição e a dedicação do professor Baraúna, principalmente porque ele é uma pessoa que pensa a Universidade. Hoje, merecidamente, ele se torna emérito e vai ter seu assento cativo na congregação da Escola Politécnica”, assegurou.

O homenageado e sua alma mater

Durante seu discurso, Baraúna fez uma sintética retrospectiva de uma carreira de mais de 50 anos de trabalho, discorrendo sobre alguns marcos de sua trajetória, entre eles: a consolidação dos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Naval e Oceânica da UFRJ; a realização de encontros técnicos e científicos dentro e fora do país; a criação de novos laboratórios no Centro de Tecnologia; a reestruturação da Biblioteca Central do CT, que deu origem à plataforma Minerva de Bibliotecas e Museus da UFRJ; e a implantação do LabOceano.

Professor Baraúna durante seu discurso na emerência | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“A Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade do Brasil, é a minha alma mater. Receber o título de professor emérito é a mais alta dignidade acadêmica concedida a um professor e  significa o coroamento de toda uma vida profissional de dedicação e trabalho. No meu caso, posso dizer que é uma declaração de amor incondicional que me enche de alegria nesta fase final da vida. Além da honra, este título traz consigo uma enorme responsabilidade de continuar contribuindo dentro das minhas limitações pessoais para o contínuo desenvolvimento da engenharia brasileira. Ressalto que esse título não é só meu. É também de todos os colegas, professores, pesquisadores, técnicos administrativos e alunos com os quais tive a honra de conviver ao longo desta caminhada e sem os quais nada teria sido possível”, finalizou o homenageado, agradecendo ainda ao fundamental apoio de sua família.

Emerência coletiva homenageia seis docentes da Faculdade de Letras

Seis titulares aposentados da Faculdade de Letras (FL) tornaram-se os novos professores eméritos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). São eles: Godofredo de Oliveira Neto, João Antônio de Moraes, Maria Aparecida Pauliukonis, Maria Cecília Mollica, Maria Eugenia Lammoglia Duarte e Silvia Figueiredo Brandão. A cerimônia coletiva foi realizada na segunda-feira, 26/10, no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), no Flamengo, um dia após o resultado da eleição presidencial do último domingo, fato comemorado por muitos dos que discursaram no evento.

A mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, contou com a presença  da vice-reitora, Cássia Turci; do decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Barbosa; do diretor da Faculdade de Letras, Roberto de Freitas Júnior; e da professora emérita Dinah Isensee Callou, oradora da solenidade.

Em discurso, Medronho sintetizou as principais áreas de atuação dos contemplados pela honraria e o significado da concessão do título de emérito:

“Celebrar seis trajetórias de excelência é reconhecer o que uma instituição aprende com seus mestres. Hoje a Faculdade de Letras da UFRJ transforma gratidão em memória e reconhecimento em compromisso coletivo. Os percursos de cada um dos novos eméritos dão corpo à missão central da FL: promover o estudo, a pesquisa e o ensino da linguagem, da literatura e das culturas. Os homenageados desta cerimônia representam, por caminhos próprios, essa dedicação que produz conhecimento e o devolve à vida coletiva. Queridos professores e professoras, recebam nossa profunda admiração! O título de emérito inscreve suas contribuições na história desta casa e inspira quem continuará a tarefa”.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enaltece os novos professores eméritos da UFRJ | Foto: Sônia Toledo

Para Cássia Turci, a solenidade representou um ato de gratidão, memória e afirmação da identidade institucional: “Conceder o título de professor emérito é a formalização pública de que essas trajetórias se fundiram à própria história da Universidade. Em tempos que tantas vezes a ciência, a cultura e a humanidade são desafiadas, reunir em uma mesma sessão solene seis nomes com essa sensibilidade acadêmica e humana é um privilégio raro e um retrato da força da nossa Universidade”.

Continuidade, reconhecimento e saberes diversos

“Hoje, temos mais uma confirmação de quão vale a pena esse trabalho desenvolvido exaustivamente por todos os docentes, quando olhamos para os nossos queridos professores aqui na frente, que de um modo muito legítimo recebem este título de emérito”, pontuou  Freitas Júnior. “Aqui há um testemunho de pessoas que nunca estancaram em seus caminhos, tanto na formação de alunos quanto na orientação de pesquisa. Até hoje eles continuam fazendo o que sempre fizeram por esta Universidade. Com muita honra, digo a vocês: muito obrigado!”, frisou Barbosa.

Os novos professores eméritos da UFRJ | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

“Essa cerimônia outorgou o título de emérito a esse grupo de seis colegas com saberes diferenciados, interesses variados, posições, teorias e práticas distintas, mas unidos por objetivos comuns. Cinco deles são pertencentes ao Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas, que reúne língua e literaturas de língua portuguesa, e um ao Programa de Linguística”, afirmou Dinah Callou.

Os eméritos

Professor emérito Godofredo de Oliveira Neto | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

Há 46 anos, Godofredo de Oliveira Neto é professor do Departamento de Letras Vernáculas da FL. Além de lecionar disciplinas de Literatura Brasileira, o docente também desenvolve atividades literárias como ficcionista, contista e cronista. Desde 2022, ele ocupa a cadeira 35 da Academia Brasileira de Letras (ABL). “Receber da comunidade da UFRJ, através dos seus Conselhos, o título de professor emérito da maior universidade federal do Brasil me emociona e me honra”,  disse o homenageado.

Professor emérito João Antônio de Moraes | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

João Antônio de Moraes é graduado em Letras e em Medicina, mas foi se dedicando à área do primeiro curso que construiu o legado acadêmico de destaque. Seus estudos se centram na linguística do Português, com ênfase em fonética acústica, especialmente entoação, prosódia, nasalidade e fonologia experimental: “Há quatro décadas, a UFRJ vem ocupando um lugar muito particular na minha vida. Prefiro entender este título não como uma conclusão, mas como uma espécie de liberdade ou licença para continuar curioso,  perguntando, pesquisando e aprendendo”, avaliou o novo emérito.

Professora emérita Maria Eugênia Lammoglia Duarte | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

Teoria e análise linguística, assim como sociolinguística são as áreas de principal interesse de Maria Eugenia Lammoglia Duarte. Ao investigar a variação e a mudança sintática do português, especialmente no sistema pronominal, nas modalidades falada e escrita, os estudos da docente oferecem bases teóricas para compreender a transformação da língua. Referindo-se a sua trajetória, a homenageada analisou: “Tenho sido premiada pelo acaso, que agora já se confunde com o que é de fato: o resultado de um trabalho que foi feito com entusiasmo e muito empenho, sempre com o apoio de uma legião de veteranos e de novos colegas da FL. Agradeço a todos que me ajudaram a chegar a este momento tão importante e único da minha vida”.

Professora emérita Maria Aparecida Lino Pauliukonis | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

Já Maria Aparecida Lino Pauliukonis atua desde 1982 na FL, com contribuições na graduação e na pós-graduação, nas áreas de linguística do texto, língua e ensino, com ênfase em estudos textuais e discursivos. Além disso, a docente tem pesquisas e publicações em semântica lexical, linguística do texto e análise do discurso de base comunicacional.“Esse momento é a valorização de uma trajetória construída com aprendizados, desafios e com a ajuda de muitas pessoas que fazem parte de minha história. Agradeço sinceramente a todos que contribuíram para que esta ocasião se tornasse tão especial”, afirmou a emérita.

Professora emérita Maria Cecilia de Magalhães Mollica | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

Maria Cecilia de Magalhães Mollica é titular em linguística na FL e integrante do Programa de Estudos sobre os Usos da Língua (Peul/UFRJ), além de ter sido coordenadora do ProfLetras, o mestrado profissional em Letras, por quatro anos. A docente associa a pesquisa sobre variação linguística às questões da alfabetização e da educação de jovens e adultos: “Tenho orgulho de pertencer à UFRJ e mantenho meu compromisso de seguir colaborando na qualificação de mestres, doutores e investigadores. Renovo aqui meu propósito de dedicação à universidade pública e à ciência brasileira. Muito obrigada!”, agradeceu a professora emérita. 

Professora emérita Silvia Figueiredo Brandão | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)

Desde 1978, Silvia Figueiredo Brandão é professora na área de Língua Portuguesa, no Departamento de Letras Vernáculas da FL. Além de orientar pesquisas, ela desenvolve estudos relacionados à sociolinguística variacionista e à dialectologia, em especial nos campos da fonética-fonologia e da morfossintaxe: “Estar aqui com meus pares para receber esta homenagem e reconhecimento da UFRJ pelo empenho e dedicação à docência, pesquisa e extensão é uma alegria comparável à que senti ontem na grande virada [referindo-se ao resultado das eleições presidenciais]”, enfatizou a homenageada.

Comissão de honra da cerimônia coletiva | Foto: Fernando Souza (AdUFRJ)



UFRJ concede título de professor emérito a Luiz César de Queiroz Ribeiro

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de professor emérito ao docente e pesquisador Luiz César de Queiroz Ribeiro, em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) realizada na sexta-feira, 16/10, no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito (FND), no centro do Rio. A cerimônia, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho,  celebrou quase 50 anos de dedicação do docente ao magistério e à pesquisa urbana crítica, e reuniu dirigentes, professores, técnicos-administrativos em Educação (TAEs), estudantes e familiares do homenageado.

Durante a solenidade, Medronho ressaltou a importância do papel das pesquisas de Luiz César para demonstrar como a segregação espacial afeta diretamente o acesso a oportunidades básicas de vida, afirmando ainda que o conhecimento gerado na Universidade deve servir como ferramenta decisiva para combater a barbárie, reduzir desigualdades e ampliar a cidadania.

Luiz César de Queiroz Ribeiro e o reitor Roberto Medronho durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Ao longo de sua atuação, os seus estudos sobre a moradia, a segregação e as desigualdades socioespaciais ajudaram a iluminar uma questão decisiva: o lugar onde uma pessoa vive influencia profundamente as oportunidades de vida. Essa questão tem a expressão concreta do cotidiano. Está no tempo gasto no deslocamento para o trabalho, no acesso à escola, à saúde, ao saneamento, na possibilidade de morar com segurança, desfrutar de espaços públicos, participar das decisões sobre o próprio território. Compreender essas diferenças é indispensável para construir políticas públicas mais justas”, destacou Medronho.

Trajetória acadêmica e legado intelectual

Graduado em Ciências Sociais, com mestrado e doutorado na área de Planejamento Urbano e Regional, Luiz César ingressou na UFRJ em 1979. Teve papel decisivo na reorganização do antigo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PPGPUR) no contexto da transição democrática e da resistência ao desmonte promovido pela ditadura militar, liderando a construção coletiva que deu origem ao atual Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur/UFRJ).

O pesquisador desenvolveu abordagens pioneiras sobre a urbanização capitalista e a produção do espaço sob a ótica do capitalismo dependente. Sua produção bibliográfica soma mais de 150 livros e cerca de 700 artigos científicos publicados. Entre suas obras de referência na literatura acadêmica nacional estão os livros Dos Cortiços aos Condomínios Fechados e Cidade, Povo e Nação. Ribeiro orientou e supervisionou mais de 300 estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, muitos dos quais atuam hoje em universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior. Teve presença ativa no Movimento Nacional da Reforma Urbana e no assessoramento a governos populares, conselhos de gestão e movimentos sociais.

Sessão solene do Consuni foi realizada no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

O novo professor emérito da UFRJ idealizou o Observatório das Metrópoles, projeto iniciado em 1995 em parceria com a ONG Fase, consolidado como rede nacional interdisciplinar. Desde 2009, a iniciativa é reconhecida como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), articulando 22 núcleos regionais em 18 estados. Mesmo após a aposentadoria, mantém atividade acadêmica como pesquisador visitante emérito da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e professor associado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Defesa da universidade pública e do povo brasileiro

Na cerimônia, Luiz César de Queiroz Ribeiro prestou homenagens à família  e aos colegas fundadores do Ippur/UFRJ e do Observatório das Metrópoles. Ao examinar o cenário contemporâneo, alertou para a encruzilhada histórica marcada pela exaustão do padrão de acumulação rentista e pelo avanço do racismo ambiental. Invocando a bússola teórica de Milton Santos, ele também aconselhou a nova geração de pesquisadores a manter acesas a indignação ética e a paixão pelo conhecimento.

“Aprendi nesta casa que o mérito acadêmico jamais é individual. Ele pertence a um coral. É essa síntese viva das vozes que me interpelaram, das divergências generosas que me ensinaram a pensar, dos afetos que me sustentaram e dos projetos coletivos que ousamos erguer juntos”, disse Luiz César.

Em discurso, o novo professor emérito da UFRJ, Luiz César de Queiroz Ribeiro | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Ribeiro assegurou que continuará a atuar na rede de pesquisa e comparou o conhecimento verdadeiro a um mapa de navegação cuja finalidade não é acorrentar a rotas prontas, e sim conferir coragem para inventar novos caminhos e fazer das cidades a casa comum de uma sociedade justa e sustentável.

“É no lugar, no chão compartilhado do cotidiano e na resistência das periferias que se gestam as contracondicionalidades e as solidariedades horizontais. É dos despossuídos e marginalizados que brota a força viva capaz de inaugurar uma outra civilização e devolver à história o seu sentido ético”, destacou o homenageado.

Construção coletiva da pesquisa urbana

A cerimônia reuniu pronunciamentos que resgataram aspectos humanos, metodológicos e institucionais da carreira do homenageado, com destaque para a insistência na construção de uma narrativa para explicar a realidade urbana brasileira, fundamentada na articulação entre a teoria marxista e a história, e apontando a generosidade intelectual como pré-requisito fundamental para o êxito de uma vasta rede nacional de pesquisa.

Os discursos sublinharam ainda o rigor na orientação da pós-graduação, o domínio transdisciplinar por áreas como sociologia, economia política e geografia, bem como o prazer de Luiz César em lecionar e compartilhar o conhecimento. Os oradores destacaram também a difícil tarefa exercida pelo homenageado de conciliar a excelência acadêmica com o engajamento político e a relevância social, reafirmando que a concessão do título reconhece não apenas um mérito individual, mas a história coletiva da pesquisa urbana e a consolidação institucional do próprio instituto.

“Sua contribuição para a formação de pesquisadores e para a consolidação de uma comunidade acadêmica dedicada à compreensão crítica da sociedade brasileira. Para ele, esse processo exige continuidade, dedicação e rigor. Formar um pesquisador não significa apenas orientar a execução de um trabalho, mas desenvolver sua capacidade de formular problemas, construir argumentos e estabelecer relações consistentes entre teoria, método e investigação pública”, salientou o professor  Marcelo Gomes Ribeiro, do Ippur.

Ao destacar a trajetória do homenageado e o papel do Ippur, a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, afirmou que o conhecimento científico produzido pelo instituto é fundamental para responder aos desafios sociais e urbanos do estado e do país. Ela enfatizou ainda que a homenagem honra a própria Universidade ao celebrar quem dedica a vida à educação pública.

“Quando eu vejo a concessão de um título como este, não é o professor ou a professora que ganha, mas é a UFRJ. É fundamental reconhecer as pessoas que realmente trabalham pela educação deste país e por uma sociedade mais justa, igualitária e democrática, com cidades sustentáveis e acolhedoras para as pessoas”, declarou  Turci.

Luiz César de Queiroz Ribeiro recebeu o título de professor emérito da UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Mesa da solenidade

Além de Luiz César, compuseram a mesa de honra o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que presidiu a sessão; a vice-reitora, Cássia Turci; o vice-decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), João Luiz Simas Pondé de Souza; e o diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), Luis Régis Coli Silva Júnior. Já a comissão de honra, responsável por conduzir o homenageado, reuniu representantes do próprio instituto, do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides/UFRJ), do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (Irid/UFRJ) e do Departamento de Geografia do Colégio Pedro II, além da equipe de gestão do Observatório das Metrópoles, colaboradores de projetos da instituição e lideranças da sociedade civil.

UFRJ concede título de professor emérito a Francisco Esteves

Francisco de Assis Esteves é o novo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de ser fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem), com a honraria, o titular aposentado tornou-se o primeiro docente do Núcleo a ser contemplado com a homenagem. Professor Chico, como é carinhosamente chamado, também é pioneiro como ecólogo diplomado no país e na construção do campo da Limnologia, ciência multidisciplinar que estuda as águas continentais, tais como lagos, lagoas, rios, riachos, reservatórios e áreas úmidas. Ele também é autor do livro Fundamentos de Limnologia, uma das principais referências da área no Brasil e no exterior.

A concessão do título foi oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, realizada na quarta-feira, 14/10, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária. Além do homenageado, também participaram da mesa, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; a diretora do Nupem, Cíntia Barros; e os oradores do evento, o decano do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé (CMM), Thiago Lima, e o professor do Instituto de Biologia (IB), Reinaldo Bozelli. Além da presença da comissão de honra, a cerimônia foi marcada por diversas homenagens, com entrega de placas pelo corpo social da UFRJ. Na ocasião, o docente também foi agraciado com o título de cidadania macaense pelos relevantes serviços prestados àquele município.

Cerimônia de emerência aconteceu no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, no CCS | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Francisco de Assis Esteves é graduado em Biologia pela UFRJ (1973) e concluiu seu doutorado summa cum laude no Instituto Max Planck, na Alemanha, em 1978. Inicialmente, o professor fixou-se na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), onde fundou o Laboratório de Ecologia de Macrófitas Aquáticas. O docente transferiu-se para a UFRJ em 1989, onde estruturou o Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Na instituição, atua na coordenação de projetos de educação ambiental, sendo um dos idealizadores da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER) da Universidade. Ao longo de sua carreira, Chico Esteves produziu mais de duas centenas de artigos científicos e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Limnologia.

Mesa de honra da solenidade| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além de destacar a relevância acadêmica do novo emérito, Roberto Medronho apresentou uma outra dimensão da trajetória do professor: a capacidade da convivência da vocação científica do docente com seus compromissos afetivos e familiares. O reitor afirmou que a homenagem do título se estende ao “homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim”.

“A ciência nunca foi justificativa para abandonar os seus vínculos. Chico Esteves não consegue deixar de ser professor nem durante o passeio com seus netos: cada árvore pode virar uma história; cada inseto, uma pergunta; cada lagoa, uma aula. Ele fala sobre plantas, animais, rios, florestas, ecossistema. Chico Esteves explica, pergunta, provoca e ensina a olhar e a se inspirar na natureza. Isso talvez seja uma das mais belas definições de educador. É alguém que ensina uma criança não apenas a saber mais, mas a querer saber mais. Uma vez, o próprio Chico me disse uma frase que ficou em minha memória e sintetiza bem essa vocação que eu acompanho por toda a vida: ‘O educador nunca se aposenta’. Chico é a prova viva disso”.

Novo professor emérito com o reitor da UFRJ, Roberto Medronho| Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

O compromisso do emérito filho de Minerva

De fato, em seu discurso, o homenageado colocou em prática o que havia dito ao reitor da UFRJ. Com uma fala contextualizada pelo atual período brasileiro, o professor Chico Esteves enfatizou que segue atuante e comprometido com a educação e com o país:

“Pertenço a uma comunidade chamada de ‘sonhadores contumazes’, de que fazem parte filósofos, poetas e pescadores. Amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir. Especialmente neste momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva, e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios. É hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que possamos ajudar no caminho de uma sociedade mais equânime econômica, social e ambientalmente”.

Em defesa da interiorização

O docente, que também foi o principal articulador do movimento que resultou na criação, em 1998, do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, no norte do estado do Rio de Janeiro, teve papel central no processo de interiorização da UFRJ, que deu origem ao Campus Macaé, primeiro estabelecido fora da cidade do Rio.

Ao referir-se à trajetória de Chico Esteves, Cássia Turci, vice-reitora da UFRJ, relembrou as várias viagens realizadas a Macaé e o enfrentamento das muitas resistências para a interiorização da UFRJ: “Daria para escrever um livro sobre os casos de Macaé com o professor Chico Esteves e com os que fizeram parte dessa história. Não foi fácil. Muitos que nunca tinham ido a Macaé falavam mal sem conhecer o projeto. Esse título é muito merecido pelo professor Chico Esteves. Tenho certeza de que, com ele e com os outros eméritos, nosso corpo social da UFRJ conseguirá pensar um país melhor, mais justo, equânime, democrático, onde as pessoas se sintam felizes. Quem vence e ganha com mais um professor emérito, que fez tanto e ainda vai fazer muito pela educação deste país, é a UFRJ”, concluiu.

UFRJ concede título de professor emérito a Paulo Mourão e celebra trajetória pioneira na glicobiologia e na ciência nacional

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na segunda-feira, 28/09, o título honorífico de professor emérito a Paulo Antônio de Souza Mourão, em cerimônia realizada na Sala Copacabana, do gabinete da Reitoria. A solenidade homenageou a trajetória de mais de quatro décadas do pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) e reuniu dirigentes da instituição, familiares e membros da comunidade acadêmica. A proposta, apresentada pelo IBqM, foi aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Universitário (Consuni) da Universidade.

Com uma trajetória acadêmica de elevada distinção, Paulo Mourão graduou-se em Medicina e concluiu o doutorado em Biologia Molecular em 1975 pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Sua qualificação internacional consolidou-se durante o pós-doutorado no Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos (1979-1980). Na UFRJ, onde ingressou como docente em 1981, atuou como professor titular entre 1992 e 2025, somando 45 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa científica.

Mourão tornou-se referência internacional na área de glicobiologia, com a publicação de aproximadamente 240 artigos em periódicos, três livros e cinco capítulos, além do financiamento contínuo de agências de fomento como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Mizutani Foundation, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico e a soberania científica nacional traduz-se no registro de 10 patentes. No âmbito do ensino e da formação de recursos humanos, orientou 36 teses de doutorado e 40 dissertações de mestrado, mantendo-se plenamente ativo mesmo após a aposentadoria, com orientações em andamento e a coordenação de projetos de pesquisa.

Paulo Mourão e o reitor Roberto Medronho | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

“Conferir este título ao professor Paulo Mourão é um certificado da excelência da UFRJ e uma demonstração de que a ciência é vida. Precisamos cada vez mais de pessoas como ele: de uma simplicidade enorme, um carinho com as pessoas e uma visão disruptiva. Seja muito bem-vindo ao nosso panteão de glória, que são os nossos eméritos. Seu nome agora está inscrito com pena de ouro na história desta universidade centenária”, destacou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

A excelência do percurso de Paulo Mourão é chancelada por honrarias como a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, o título de Fellow da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, a membresia titular na Academia Brasileira de Ciências (ABC) e na Academia Mundial de Ciências (TWAS), a ex-presidência da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) e a atuação nos Comitês de Produtos Biológicos das Farmacopeias Brasileira e Americana. Destaca-se ainda a criação e coordenação do Laboratório de Tecido Conjuntivo no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), projeto pioneiro de integração entre a ciência básica e a medicina clínica que busca equilibrar a pesquisa fundamental e aplicada com impacto direto na saúde e na soberania farmacêutica do país.

A decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ, Avany Fernandes Pereira, enfatizou o orgulho do centro universitário com a outorga do título. Segundo a professora, a honraria vai além da formalidade regimental, configurando um ato de congraçamento de carreira e de vida. Avany ressaltou que, para além do incontestável mérito científico e do denso currículo acadêmico, o percurso de Paulo Mourão destaca-se como um modelo de defesa democrática e de compromisso social.

Em seu pronunciamento, o professor Paulo Mourão expressou profunda gratidão ao IBqM, ao CCS e ao Consuni, compartilhando a homenagem com os estudantes, pós-doutorandos, pesquisadores e técnicos que colaboraram em seus projetos. O cientista afirmou que a construção científica depende essencialmente do trabalho coletivo. Ao fazer uma retrospectiva de sua carreira, destacou o sentimento de liberdade que encontrou ao chegar à UFRJ e relembrou a transferência de seu laboratório para o HUCFF e como a crise internacional da heparina impulsionou uma nova linha de pesquisa de grande impacto regulatório e tecnológico, integrando a ciência básica à prática clínica.

Paulo Mourão é o novo professor emérito da UFRJ | Foto: Vitor Ramos (SGCOM/UFRJ)

“Não tenho nenhuma vergonha em dizer ‘não sei’, pois a construção científica é um trabalho essencialmente coletivo e depende da ajuda de todos. Fiquei muito honrado com o título, mas recebo esta homenagem como um recado da Universidade de que estamos lhe concedendo um tempo a mais, tendo o desafio de continuar trabalhando, inovando e avançando em nossos projetos”, disse o novo professor emérito da UFRJ.

Ao projetar o futuro, Mourão afirmou que a honraria representa um verdadeiro desafio para continuar produzindo e transformando a Universidade. Nesse sentido, destacou sua atual coordenação de um novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em glicobiologia, voltado para o avanço na inovação de medicamentos, o apoio a grupos de pesquisa em todo o país e o aprimoramento do ensino de graduação.

Jerson Lima da Silva é o novo professor emérito da UFRJ

Reconhecimento científico, memórias, gratidão e poesia marcaram a cerimônia que concedeu o título de professor emérito ao titular aposentado do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) Jerson Lima da Silva. A homenagem institucional foi oficializada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada na segunda-feira, 21/9, no Auditório Professor Rodolpho Paulo Rocco, na Cidade Universitária. 

Além do docente, compuseram a mesa de honra: o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; a vice-reitora, Cássia Turci; a decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes; o diretor do IBqM, Robson Monteiro; e o professor emérito Wanderley de Souza, orador da cerimônia. Referência no campo da biologia estrutural, Jerson Lima da Silva é responsável pelo desenvolvimento de pesquisas relevantes nas áreas de enovelamento proteico, montagem viral e entendimento dos mecanismos envolvidos no dobramento errado de proteínas, importante em muitas doenças como câncer e doença de Parkinson.

Integrantes da mesa e da comissão de honra durante solenidade de concessão do título de professor emérito ao docente Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Origem humilde e trajetória científica de impacto

Pós-doutor, o docente, que tem graduação em Medicina e doutorado em Biofísica pela UFRJ, iniciou sua trajetória profissional na Universidade em 1988, tornando-se titular no IBqM em 1997. De lá para cá, o professor construiu um legado científico de destaque. Foi diretor-fundador do Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear Jiri Jonas (CNRMN/UFRJ), principal centro da América Latina aparelhado com equipamentos de ressonância magnética nuclear (RMN) de alto campo, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia Mundial de Ciências  para o Avanço da Ciência em Países em Desenvolvimento (Twas, na sigla em inglês) e da Academia Nacional de Medicina (ANM). 

Medronho, contemporâneo de Jerson Lima na graduação na Faculdade de Medicina da UFRJ, trouxe lembranças de quando ainda eram estudantes: “Nós dois éramos moradores de subúrbio em uma época em que não havia ainda ação afirmativa. Muitas vezes, pedimos carona em frente à ‘perna seca’ do HU para conseguir sair do Fundão, já que quase não havia transporte no campus”. O reitor destacou, ainda, o papel complementar da ciência e da poesia na trajetória do homenageado:   

“Em Jerson, ciência e poesia não são territórios opostos. Ambas nascem do espanto diante do mundo, da curiosidade, da procura por aquilo que ainda não conhecemos inteiramente. O cientista interroga a realidade, o poeta amplia o sentido dessa realidade. Jerson reúne essas duas formas de inquietação, o rigor de quem busca compreender e a delicadeza de quem sabe contemplar. Professor, que a ciência continue alimentando suas perguntas, que a poesia continue iluminando suas palavras, e que sua presença continue inspirando esta Universidade que você ajudou e continua ajudando a construir. Muito obrigado, Jerson Lima!”

Professor emérito Jerson Lima da Silva sendo saudado pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Gestão humanizada

Cássia Turci enfatizou um outro aspecto marcante na trajetória do homenageado: “O que mais me toca na atuação do professor Jerson é que além da excelência no ensino, na pesquisa, na extensão, na inovação, ele construiu uma gestão humanizada, com capacidade de ouvir e considerar as variadas opiniões em prol do melhor para nossa UFRJ. Ele é uma liderança muito importante para nossa instituição e para o nosso país, pois reúne capacidade técnica e o cuidado com as pessoas, que é a maior riqueza que temos dentro das universidades públicas. Parabéns, professor Jerson!”.

Formação acadêmica como missão

Ao discorrer sobre a trajetória de Jerson Lima, a decana do CCS, Avany Fernandes, chamou a atenção para a generosidade acadêmica do homenageado: “Gostaria de destacar a formação acadêmica como missão, que faz parte da história do professor Jerson Lima, que contribui para a formação de diversos alunos de graduação e pós-graduação stricto sensu. Seus trabalhos, majoritariamente, envolvendo esses estudantes, também comprovam isso. Essa generosidade científica não é desprendida de uma formação de excelência, mas é participativa e inclusiva. A grandiosidade do recebimento de um título como esse se percebe pela grande quantidade de convidados distribuídos em autoridades, amigos, familiares, alunos, ex-alunos, colegas docentes”. 

Robson Monteiro, por sua vez, enfatizou o papel diferenciado do novo professor emérito da UFRJ na Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj): “Também quero destacar a trajetória do professor Jerson Lima na Faperj, onde atuou de 2003 até 2018 como diretor científico e, posteriormente, de 2019 a 2024 como presidente, somando quase 21 anos nesta agência de fomento. Sua atuação mudou radicalmente o perfil do fomento da pesquisa do estado do Rio de Janeiro, posicionando essa FAP como uma das principais no Brasil. Isso foi fundamental para elevar a qualidade da pesquisa fluminense, possibilitando um salto na relevância científica do nosso estado”, afirmou. 

Do subúrbio para a UFRJ com ciência e poesia

Discurso emocionado e poético do novo professor emérito da UFRJ Jerson Lima da Silva | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“É com profunda honra e imensa gratidão que recebo o título de professor emérito desta Universidade, a Universidade do Brasil, onde entrei aos 19 anos como estudante de Medicina e onde quase 50 anos depois ainda me sinto um aprendiz. Nenhuma honraria em ciência é verdadeiramente individual. Ela é sempre a fotografia do esforço coletivo. Agradeço a todo o apoio recebido dos colegas, do administrativo, da família, alunos, professores, enfim, de todos que estiveram comigo ao longo dessa trajetória”, disse o homenageado.  

O discurso do professor Jerson Lima também foi permeado por lembranças afetivas e citações poéticas de sua própria autoria. Desde 2016, o homenageado também é atuante na literatura como escritor das seguintes obras: Quase Poesia (2016), Cinzas de Luz (2023), Poemas de Papel (2025) e Vidas Emaranhadas (2026), primeiro romance do docente. Emocionado, o professor fez referência à saudosa mãe, dona Janete, boleira e artesã de flores artificiais, que estimulou as pioneiras curiosidades científicas nos tempos de menino e a sensibilidade artística. Com romantismo, a professora do IBqM, Débora Foguel, integrante de sua comissão de honra e esposa, também teve destaque nas palavras do homenageado, que a designou como sua “perene e amada musa”. 

Homenageado com a professora do IBqM  Débora Foguel, integrante da comissão de honra e esposa | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Foi na Vila Santa Teresa, em Coelho Neto, subúrbio do Rio de Janeiro, que minha mãe nutria todas as nossas buscas pelo conhecimento. A mesada virava fascículos de revistas de divulgação científica no jornaleiro da esquina. Com suas curtas e parcas economias, ela convencia meu pai, com salário relativamente humilde, a comprar coleções de livros”. Baseado em sua própria vivência, o docente enfatizou ainda a importância do reforço em recursos e políticas públicas direcionadas à educação: “Investir em ciência, educação e saúde é também política de reparação. Permite que o filho da boleira de Coelho Neto seja professor emérito de uma universidade pública”, finalizou o novo professor emérito da UFRJ.

UFRJ concede título de Professora Emérita à Ana Luiza Coelho Netto 

Ana Luiza Coelho Netto recebeu na segunda-feira, 14/9, o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A honraria formaliza o reconhecimento institucional da trajetória acadêmica da titular aposentada do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (Igeo) que, nos últimos cinquenta anos, dedicou-se  ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de geógrafos e pesquisadores. A docente é considerada referência em estudos sobre evolução das paisagens, processos hidrológicos e erosivos de encostas, geomorfologia, geoecologia e gestão de riscos de desastres. 

A cerimônia, realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), aconteceu no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. Na ocasião, além da homenageada, também participaram da mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho: a vice-reitora, Cássia Turci; o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor Edson Farias Mello e o orador da solenidade, o professor Marcelo Lopes de Souza, ambos do Igeo.  

Cerimônia de concessão do título de Professora Emérita à docente Ana Luiza Coelho Netto | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Medronho enfatizou o significado da obra da professora Ana Luiza para a ciência e, sobretudo, para a sociedade, afirmando que, atualmente, poucas áreas são tão diretamente relacionadas à vida das pessoas como o campo de atuação da referida docente:  

“Quando estudamos deslizamentos, inundações, erosão, ocupação de encostas, transformação das bacias hidrográficas, estamos falando de ciência, mas também de moradia, planejamento urbano, meio ambiente, desigualdade social e, muitas vezes, de vida e morte. A chuva pode cair para todos, mas seus efeitos são profundamente desiguais na sociedade. Nesse sentido, as relevantes contribuições da área de pesquisa da nossa homenageada tornam-se absolutamente fundamentais para lidarmos preventivamente com estes desastrosos impactos das mudanças climáticas, principalmente junto às populações mais vulneráveis. Parabéns pelo belo e relevante trabalho, professora Ana Luiza!” 

Por sua vez, Cássia Turci frisou o significado daquela solenidade em relação à importância do investimento na representatividade de gênero na instituição: “É muito importante estar no CCMN concedendo o título de emérita para uma mulher, já que, comparativamente, o número de professoras agraciadas com a honraria ainda é pequeno, apesar da crescente valorização do papel das mulheres na nossa Universidade. Nesse sentido, é extremamente gratificante o reconhecimento e a homenagem prestada à professora Ana Luiza, que além de ter a emerência aprovada por aclamação pelo Consuni, continua trazendo suas relevantes contribuições para a sociedade, por meio dos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos dedicados à UFRJ”, afirmou.

Trajetória de referência

Durante sua fala, Ana Luiza, que também fundou e presidiu a União da Geomorfologia Brasileira (UGB), contou que escolheu tornar-se professora de Geografia por ter sido influenciada pela atuação inspiradora de uma docente dos tempos de colégio. De lá para cá, formou-se bacharel em Geografia  (1973) e  mestre em Geografia Física e Geomorfologia (1979) pela UFRJ;  doutora em Geomorfologia e Geoecologia (1985) com distinção máxima (Summa cum laude) pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica; e pós-doutora (1988) pela Universidade da Califórnia-Berkeley, nos Estados Unidos.

A carreira na UFRJ teve início em 1976 como auxiliar de ensino. Posteriormente, Ana Luiza tornou-se professora assistente, professora adjunta e, em 1998, assumiu o cargo de docente titular. Em 1992, fundou o Laboratório de Geo-Hidroecologia e Gestão de Riscos (Geoheco), onde são estudados os efeitos das mudanças climáticas e ambientais na dinâmica dos processos geomorfológicos que governam a evolução das encostas, com foco especial nos perigos naturais e indutores de desastres socioambientais.

Entrada da homenageada e da comissão de honra na solenidade realizada no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Wallace Pereira  (CCMN/UFRJ)

Integração: conhecimento científico e vivência popular

No discurso da nova professora emérita da UFRJ não faltaram lembranças emocionadas, agradecimentos, relatos de marcos profissionais, como a atuação pós-desastre climático na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e o destaque para a importância da integração dos conhecimentos científicos e da vivência popular, enfatizando a relevância do protagonismo das comunidades na gestão territorial dos riscos: 

“Cada vez mais,  buscamos ampliar essa rede de conexões no circuito multitransdisciplinar nacional e internacional, cujo foco em comum é o interesse na redução dos riscos de desastres. Esta postura envolve um outro modo de pensar coletivamente, buscando novos padrões e funcionalidades no ordenamento territorial e instituindo procedimentos de gestão territorial participativa, integrando o conhecimento científico e o conhecimento da vivência. Nesse contexto, consideramos igualmente relevante dedicar atenção especial à educação formal e à educação coletiva das comunidades expostas a riscos associados a eventos climáticos extremos, para melhor enfrentarmos as ameaças e perigos naturais, especialmente diante das mudanças climáticas e ambientais em curso”, enfatizou Ana Luiza.

UFRJ outorga título de Doutor Honoris Causa ao embaixador Celso Amorim

O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediou a sessão solene que outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao diplomata e embaixador Celso Amorim. A homenagem, que representa o reconhecimento máximo da Academia a personalidades que prestaram contribuições excepcionais à ciência, cultura e humanidade, celebrou a trajetória de um homem público cuja vida se confunde com a própria história da política externa e da cultura brasileiras. A proposta para a concessão do título partiu do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e foi formulada pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE). 

A relação de Celso Amorim com a UFRJ carrega uma memória afetiva e histórica. Em seu discurso de agradecimento, o embaixador relembrou que ingressou no Instituto Rio Branco em 1963 e, na mesma época, prestou vestibular para o curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) da então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Contudo, com o golpe militar de 1964, o curso noturno foi extinto, inviabilizando as aulas com grandes intelectuais como Álvaro Vieira Pinto e José Américo de Almeida.

Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“Há cerimônias que nos honram por sua importância institucional, e há outras que, além disso, nos tocam de maneira muito especial. Esta é, sem dúvida, uma delas. Conceder o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ a Celso Amorim é reconhecer uma das mais importantes trajetórias da vida pública brasileira. Celso pertence a uma geração de homens públicos que compreendeu que servir ao Brasil significa, antes de tudo, acreditar no Brasil. Amorim sempre soube que uma nação não se afirma no mundo apenas pela força de sua economia ou pela dimensão territorial. Afirma-se também por sua cultura, sua identidade, pela capacidade de produzir ideias e pela coragem de defender seus próprios interesses”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, durante a homenagem.

As “Múltiplas Vidas” de Celso Amorim: Cinema e Diplomacia

A saudação oficial ao homenageado foi proferida pela professora emérita Andrea Daher, que traçou de forma poética as diferentes facetas e “vidas” vividas por Amorim. Daher destacou a precoce imersão de Amorim no cinema brasileiro, atuando como assistente de direção de Ruy Guerra no filme Os Cafajestes e, posteriormente, como diretor-geral da Embrafilme entre 1979 e 1982. 

Celso Amorim sendo recebido na cerimônia realizada no Palácio Universitário | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Na diplomacia, Amorim construiu uma carreira de múltiplas competências desde sua formatura no Instituto Rio Branco, em 1965. Atuou em postos em Londres, Washington e chefiou a missão brasileira junto ao Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Foi duas vezes ministro das Relações Exteriores (de 1993 a 1995 e de 2003 a 2011), ministro da Defesa (de 2011 a 2015) e, atualmente, atua como assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. 

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta, comparou a vida pública de Amorim a viver dentro de um furacão. Ela pontuou os desafios das instituições multilaterais contemporâneas, como as pressões sobre a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC, e destacou o papel do homenageado na consolidação de blocos como os Brics para desenhar um sistema internacional multipolar. Ruta trouxe uma curiosidade da juventude de Amorim: muito antes do cinema e do Itamaraty, o embaixador traduziu para o português o livro O Mágico de Oz, uma narrativa que começa justamente com a força de um furacão. “É difícil não ver nisso uma espécie de premonição literária das tempestades políticas que o embaixador Celso Amorim ainda atravessaria”, assinalou a coordenadora.

Desenvolvimento, Paz e Soberania Tecnológica

Durante a cerimônia, Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico, com a proliferação de conflitos mundiais. Dialogando com os conceitos dos pontífices Paulo VI, o embaixador propôs uma inversão necessária para o nosso tempo: “A paz é o novo nome do desenvolvimento”. Amorim também projetou os desafios éticos e geopolíticos da inteligência artificial, defendendo que o Sul Global precisa cooperar para que a tecnologia não se torne um novo instrumento de dominação seletiva.

Celso Amorim fez uma análise do atual cenário geopolítico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

“O Brasil não pode abrir mão da capacidade de diversificar parcerias. Devemos continuar dispostos a cooperar com todos os países, de todos os continentes, independentemente da sua orientação política. A tarefa principal da política externa hoje é assegurar uma posição altiva e soberana no novo equilíbrio global. A inserção nacional do Brasil passa necessariamente pela integração regional com a América Latina, em especial a América do Sul. Rejeitamos de maneira categórica a ideia de que a América Latina possa ser tratada como área de domínio de uma superpotência”, disse Amorim.

A Aliança com a África

A cerimônia contou com a  apresentação artística do coral Brasil Ensemble UFRJ, dirigido pela professora Maria José Chevita Rezende. O grupo apresentou clássicos e encerrou com África Unida, criação coletiva moçambicana regida por Feliciano Comé.

Coral Brasil Ensemble UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ).

Roberto Medronho destacou a força simbólica dessa homenagem musical, lembrando que o repertório resgata um trecho de O Grito de Moeda, a primeira ópera moçambicana, que recria o histórico massacre de resistência colonial de 1960. Medronho aceitou o desafio de Amorim de estreitar ainda mais os laços acadêmicos com o continente africano, ressaltando com orgulho que a Universidade é embaixadora de ciência e educação da Associação das Universidades Africanas.

Além do reitor e do homenageado, também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a oradora e professora emérita da UFRJ, Andrea Daher; e a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Christine Ruta.

Marcelo Macedo Corrêa e Castro é o novo professor emérito da UFRJ 

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nessa segunda-feira, 17/8, o título de professor emérito ao docente titular aposentado da Faculdade de Educação (FE) e ex-decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) Marcelo Macedo Corrêa e Castro. Com mais de 44 anos de dedicação à Minerva, em atividades de ensino,  pesquisa, extensão e gestão, sempre defendeu a educação, especialmente o ensino de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e da formação de professores, com destaque para a valorização do ensino público.

A cerimônia, que aconteceu no Salão Dourado do Palácio Universitário, no Campus Praia Vermelha, na Urca, marcou uma dupla comemoração. É que, oficialmente, o  reconhecimento institucional da significativa trajetória acadêmica de Corrêa e Castro foi realizada na data de aniversário de 70 anos do docente. Além do homenageado, a mesa de honra, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, teve a seguinte composição: a diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura; o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira; e a professora Marlene de Carvalho, oradora da solenidade.  

 “Educador é educador até o último suspiro, não se aposenta. O professor Marcelo formou gerações e gerações de cidadãos críticos e empáticos, que hoje também ajudam a formar gerações e gerações. Reforço aqui que quem faz a beleza e a pujança da Universidade são as pessoas. Fico muito feliz de hoje termos um professor emérito que, além de educador, é poeta. Hoje, o professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro entra para o panteão de glória dos eméritos, grupo que mensalmente reúno para ouvir a sapiência, representando uma área de grande relevância”, destacou Medronho.

Mesa de honra da cerimônia de emerência: professora Marlene de Carvalho; professor Marcelo Macedo Corrêa e Castro; reitor Roberto Medronho; decano do CFCH, Vantuil Pereira; e diretora da FE, Ana Paula Abreu Moura | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Um oráculo muito especial

Durante a solenidade, muitas contribuições do docente foram destacadas, entre elas: a relevante contribuição do professor no processo de reconstrução da Faculdade de Educação; o fortalecimento do diálogo com o Colégio de Aplicação (CAp); a intensificação da interlocução com as escolas públicas; a criação da Revista Contemporânea de Educação; e a articulação permanente da FE tanto com outras unidades da UFRJ quanto com as instituições externas.

Simbolizando o respeito à experiência e à relevância intelectual e institucional de Corrêa e Castro, Ana Paula Abreu Moura lembrou a forma carinhosa e brincalhona que, por vezes, os colegas da FE se referem ao homenageado no dia a dia: “Em caso de dúvidas, é só perguntar para o nosso oráculo”. Pereira, por sua vez, enfatizou as qualidades essenciais que identifica no professor: “Ocupa um lugar muito especial e próprio. Além de ser uma liderança fantástica, é uma figura humana excepcional, franco, sempre disponível para ouvir e aprender, afetuoso, acolhedor e generoso, mesmo na discordância”.

Emoção e reconhecimento durante cerimônia no Palácio Universitário | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Educador para sempre

Durante seu discurso, repleto de emoção e agradecimentos aos familiares, amigos, colegas, ex-estudantes, e servidores técnicos-administrativos em Educação (TAEs),  Marcelo Macedo Corrêa e Castro compartilhou um fato relacionado ao período que antecedeu sua aposentadoria e que o fez compreender que, na vida de um educador, não existe uma última aula: 

“Em dezembro de 2023, minha última turma descobriu que iria me aposentar e organizou uma festinha para o último dia de aula, mas houve um contratempo que não foi possível realizar o planejado. Enquanto tentava lidar com o vazio e a frustração por ter sido privado de oferecer minha última aula à turma, recebi a seguinte mensagem de um estudante de pedagogia: ‘Gostei muito das aulas e de ter conhecido o senhor. Já estava me preparando para levar o bolo e o café para que você soubesse o quanto é querido, não só por mim, mas por toda a turma. Muito obrigado por todo o conhecimento compartilhado, conversas e conselhos em relação à monografia. Você conseguiu tornar um prazer acordar sexta-feira de manhã. Isso é um grande feito!’. A mensagem me ajudou a entender que, apesar das dificuldades vividas, valeu a pena acordar para o mundo naquela sexta-feira de manhã em 17 de agosto de 1956”, relatou o professor.

Homenageado acompanhado pela sua comissão de honra | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Belita Koiller recebe título de professora emérita da UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta sexta-feira, 7/8, o título de professora emérita à docente titular aposentada do Instituto de Física (IF) Belita Koiller. A homenagem, oficializada durante a sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), ocorreu na sexta-feira, 7/8, no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A iniciativa institucional visa ao reconhecimento de mais de cinco décadas de contribuições singulares de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas.

Além da homenageada, a mesa de honra, presidida pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, teve a seguinte composição: o decano do CCMN, Cabral Lima; o diretor do IF, Bruno Souza de Paula; e o professor emérito Luiz Davidovich, orador da solenidade e um dos integrantes da comissão de honra, que acompanhou a entrada da docente na cerimônia. Juntamente com ele, estiveram os professores do IF Érica Macedo, Eduardo Fraga, Rodrigo Capaz e Thereza Lacerda.

O título reconhece mais de cinco décadas de contribuições e dedicação de Belita à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

A trajetória de Belita na UFRJ teve início em 1994, quando ingressou no corpo docente. De lá para cá, ela também exerceu funções de liderança acadêmica na Universidade, incluindo a direção do IF. Graduada em Física pela PUC-Rio, concluiu o doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1975. Com mais de uma centena de artigos científicos publicados, a professora tornou-se referência internacional na área de Teoria da Matéria Condensada. Atualmente, suas pesquisas concentram-se no comportamento quântico de sistemas eletrônicos e em sua aplicação no desenvolvimento de dispositivos quânticos. 

Ao longo da carreira, a docente recebeu diversas distinções da comunidade científica. Em 1982, foi contemplada com a Guggenheim Fellowship, que lhe permitiu desenvolver pesquisas nos Estados Unidos.  Em 1995, tornou-se a primeira mulher eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Físicas. Dez anos depois, foi agraciada com o International Award for Women in Science, em reconhecimento à relevância de sua produção científica.

Entre outras honrarias, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2010), foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da Academia de Ciências da América Latina, além de conquistar a Medalha Ângelo da Cunha Pinto (2021) e o Prêmio Joaquim Costa Ribeiro da Sociedade Brasileira de Física (2025).

Além de exaltar o rigor acadêmico da homenageada durante a cerimônia, Cássia Turci pontuou o compromisso de Belita com a infraestrutura da Universidade, mencionando sua persistência na construção do novo prédio do Instituto de Física, e celebrou seu entusiasmo inabalável pelo ensino e pelo sentimento de pertencimento à instituição, o que a torna uma figura brilhante e generosa na história da ciência brasileira.

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e a homenageada, Belita Koiller | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“A presença da Belita no Instituto de Física não só incentivou o desenvolvimento de muitos projetos de pesquisa, mas também atraiu nossos jovens, principalmente as meninas, para a área de ciência. Belita não perde o entusiasmo, a dedicação para com a universidade. Valores que nós precisamos, de fato, incentivar aqui. A empatia e a preocupação em você preparar uma boa aula para os nossos estudantes, que são a nossa maior razão de ser”, disse Turci.

Em sua saudação, o professor Luiz Davidovich ressaltou que o título concedido a Belita simboliza que a Universidade se tornou “maior e melhor” por meio de seu trabalho e exemplo, integrando-a permanentemente à história da instituição. Relembrou a trajetória compartilhada desde os tempos de graduação na PUC-Rio e destacou o pioneirismo e a coragem de Belita ao enfrentar o doutorado em Berkeley como a única mulher de sua turma. Ele enfatizou que essa determinação em ocupar espaços majoritariamente masculinos, aliada a uma curiosidade científica sempre renovada, permitiu que ela construísse uma carreira brilhante, marcada pela sensibilidade em identificar e formular as questões científicas que realmente importam.

Além da excelência acadêmica, o orador exaltou a obra científica ampla e original da homenageada, especialmente suas contribuições fundamentais na área de computação quântica, que uniram de forma indissociável a ciência básica à inovação tecnológica.

Belita Koiller e o professor Luiz Davidovich | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“Belita defendeu a qualidade da ciência, a internacionalização da pesquisa brasileira, a formação de novas gerações e a construção de instituições sólidas. Defendeu também, com firmeza, a igualdade e oportunidades para as mulheres na ciência. É uma cientista de grande rigor intelectual, uma colega solidária e interlocutora generosa. Sua franqueza é conhecida por todos. Não evita os debates difíceis e não se acomoda diante de ideias estabelecidas; sua firmeza nasce sempre de um compromisso profundo com a ciência, com a universidade e com os colegas”, afirmou Davidovich.

O diretor do IF, Bruno Souza de Paula, enfatizou a dedicação de Belita ao coletivo, lembrando que ela exerceu a Direção do Instituto em um período especialmente desafiador: durante a pandemia de covid-19. Além disso, ressaltou sua contribuição acadêmica administrativa como coordenadora, por duas vezes, do curso de pós-graduação em Física.

Em vez de seguir o protocolo de um discurso formal, Belita Koiller optou por ministrar o que chamou de “seminário”, utilizando sua experiência didática para explicar as bases da física que permitem as tecnologias modernas. Tratou desde a evolução do átomo e da matéria, passando pela história dos semicondutores, da amplificação de sons e sinais, da criação de computadores portáteis, até falar do futuro na computação quântica.

Título foi concedido em cerimônia no Salão Nobre da Decania do CCMN | Foto: Fernando Souza/ Adufrj

“É muito gratificante ter esse reconhecimento, que eu não sei se mereço, mas também tem a parte triste que diz que é o fim de uma carreira. Me lembro do fato de eu ter vindo da PUC, onde as condições físicas eram excelentes. Sempre quis trazer para cá o mesmo conforto e dignidade que eu tinha em uma instituição particular. Sempre tentamos melhorar e acho que conseguimos. Nossas instalações estão cada vez melhores e hoje também está mais feminino”, ressaltou Belita.