A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou nesta sexta-feira (8/5) a cerimônia de posse da nova direção da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) para a gestão 2026-2030. O professor Alexandre José de Souza Pessoa assumiu o cargo de diretor da unidade ao lado do vice-diretor, professor Carlos Eduardo Nunes Ferreira, em solenidade realizada no Salão Nobre do Conselho Universitário, no edifício Jorge Machado Moreira, na Cidade Universitária.
Em seu discurso, Alexandre Pessoa destacou a trajetória histórica da FAU e reafirmou o compromisso da nova gestão com a defesa da universidade pública, da inovação e da formação crítica dos estudantes. O novo diretor lembrou que a escola completa, em 2026, 200 anos do ensino de arquitetura no Brasil e 80 anos como unidade independente da UFRJ.
“200 anos não são apenas um número expressivo, são uma marca profunda na formação desse país. Por mais de um século fomos a única escola de arquitetura do Brasil. Isso significa que grande parte dos arquitetos que pensaram, desenharam e construíram esse país passaram por aqui”, afirmou Pessoa.
Ao longo do pronunciamento, o novo diretor ressaltou o papel histórico da FAU na formação da arquitetura e do urbanismo brasileiros, lembrou a participação da unidade na criação de instituições como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o CREA-RJ, além da atuação da faculdade em projetos estratégicos da universidade, como os estudos para moradias estudantis no campus da Cidade Universitária.
Alexandre Pessoa também destacou os desafios enfrentados pela universidade pública diante do subfinanciamento e defendeu a ampliação das políticas de inclusão e permanência estudantil.
“A Universidade pública brasileira é um patrimônio da sociedade, é um espaço de produção de conhecimento, de formação cidadã e de construção de alternativas para o país”, declarou.
O novo diretor ainda defendeu a aproximação entre arquitetura, tecnologia e compromisso social. Segundo ele, ferramentas como inteligência artificial, modelagem digital e fabricação avançada já fazem parte da realidade profissional e precisam integrar a formação acadêmica de forma crítica e responsável.
“Queremos uma escola que prepare profissionais capazes de atuar em múltiplas frentes, que saibam projetar, pesquisar, ensinar, inovar e também criar novas formas de inserção no mundo do trabalho”, disse.
Na cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou a relevância histórica da FAU para a universidade e para o desenvolvimento nacional, destacando a contribuição da unidade para o pensamento urbano, a formulação de políticas públicas e a transformação das cidades brasileiras.
“A FAU é uma dessas grandes expressões da nossa inteligência pública brasileira. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de arquitetos, urbanistas, pesquisadores, professores, gestores públicos e profissionais que ajudaram a pensar, a projetar e a transformar os espaços urbanos, as cidades, os edifícios, os territórios e mesmo o modo de vida”, afirmou o reitor.
Medronho também destacou o papel da arquitetura e do urbanismo diante dos desafios contemporâneos, como desigualdade social, sustentabilidade e planejamento urbano. “Em um país como o nosso, marcado por profundas desigualdades sociais e territoriais, a arquitetura e o urbanismo não podem ser vistos como mero campo técnico ou estético. São também campos políticos, científicos, econômicos e civilizatórios”, disse.
O reitor ainda enfatizou a importância da excelência acadêmica e da inovação como pilares da universidade pública e defendeu investimentos estruturantes para fortalecer a educação, a ciência e a tecnologia no país.
Ao passar o cargo para o novo diretor da FAU, Guilherme Carlos Lassance destacou em seu discurso o caráter coletivo da gestão encerrada e a importância da continuidade institucional na universidade pública. Ele ressaltou a parceria com Alexandre Pessoa ao longo dos últimos quatro anos e afirmou que muitas das realizações da gestão foram construídas de forma compartilhada.
“Queria reforçar a importância dessa continuidade. A gente entende também que existem projetos de Estado e não de governo. Numa democracia madura, precisamos compreender essas continuidades para além das veleidades de cada gestão”, afirmou Lassence. E lembrou que Alexandre Pessoa “já foi diretor durante quatro anos”, em referência à atuação como vice-diretor na gestão anterior.
A cerimônia contou ainda com a presença do decano do Centro de Letras e Artes, professor Afrânio Gonçalves Barbosa, além de docentes, técnicos-administrativos, estudantes e convidados.
