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Tática universitária contra violência de gênero

1° Encontro Ouvidoria da Mulher e Coletivos Femininos Discentes reforça compromisso da UFRJ com extinção de todas as formas de violência contra à mulher

Promover a reflexão e o debate sobre táticas de enfrentamento em casos de violência contra a mulher no ambiente universitário: Esse foi o intuito do 1° Encontro Ouvidoria da Mulher e Coletivos Femininos Discentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado na segunda-feira, 15/12, no Auditório Professor Manoel Maurício de Almeida Albuquerque, situado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus Praia Vermelha. A iniciativa faz parte do programa Movendo Estruturas, desenvolvido pela Ouvidoria da Mulher e pela Ouvidoria-Geral da Universidade.

 A mesa de abertura contou com a presença do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e da vice-reitora, Cássia Turci. Também participaram desse momento inicial, a pró-reitora de Graduação, Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes; a superintendente-geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada), Denise Góes; o decano do  CFCH, Vantuil Pereira; a ouvidora-geral, Katya Gualter; e a representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata e do Coletivo de Mulheres Carolina Maria de Jesus da Faculdade Nacional de Direito (FND), Leticia Maia. 

 Durante o  encontro  foi possível conhecer ações já instituídas pela Universidade no enfrentamento à problemática, assim como aprender a identificar e agir frente aos episódios de violência de gênero. Representantes do Comitê Gestor do Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) também trouxeram contribuições importantes. Além disso, grupos de trabalho discutiram temáticas como encorajamento à denúncia, protocolos de acolhimento e práticas cotidianas de enfrentamento.  

“Estamos atentas ao clamor da UFRJ para extinguir todas as formas de violência das quais as mulheres são alvo. Iniciamos essa ação pelos coletivos femininos de nossas estudantes por serem uma parcela vulnerável do conjunto de mulheres da nossa Universidade. Há uma possibilidade de aproximação pela escuta, pela busca por táticas de enfrentamento às violências que atingem as mulheres no ambiente institucional. Táticas entendidas como a arte do fazer dos mais fracos, conforme conceitua Michel de Certeau”, explicou a ouvidora da Mulher, Angela Brêtas, mediadora do evento.

Paz sem voz, é medo!

Para Medronho, não é possível haver excelência acadêmica onde há silenciamento, medo e violência nas suas diferentes formas:

“Estou me referindo a todos os tipos de violência, seja ela física, psicológica, sexual, moral, institucional ou expressa em discriminações e desigualdades que se repetem e são naturalizadas. A Ouvidoria da Mulher existe para ser a porta de entrada e de confiança, um lugar onde a palavra encontra acolhimento, a dor não é tratada como exagero, nem como uma questão menor. Trata-se de uma estrutura de garantia de direitos dentro da UFRJ, que atua em quatro dimensões: acolhimento qualificado; encaminhamento e articulação; prevenção e formação; memória institucional e transparência responsável. Que saiamos deste encontro com encaminhamentos concretos, pois esta é a melhor homenagem que podemos fazer a quem sofreu ou sofre violência”.

Reitor da UFRJ defende combate a todas as formas de violência e silenciamento | Foto: Renan Silva (Sintufrj)

A  representante da Associação dos Pós-Graduandos (APG) da UFRJ, Julia Garcia, fez uma alerta: “O assédio moral na pós-graduação tem afetado muito a saúde mental dos estudantes de modo geral. Mas o marcador de gênero agrava ainda mais a situação das mulheres”. Por sua vez, a discente que representou o DCE lançou um questionamento direto: “Como fazer a UFRJ ser um lugar melhor e mais acolhedor para as mulheres?” 

Cássia Turci compartilhou o que considera fundamental para a construção de uma universidade livre de violência e assédio: “Para mudar este cenário, precisamos discutir o tema sem medo. Não podemos nos calar nunca! É por meio do diálogo franco que as questões emergem. A maioria dos assédios acontece dentro das universidades, principalmente aqueles velados. Isso é muito grave e tem provocado muito  adoecimento mental. A universidade deve ser um lugar onde as pessoas se sintam bem”. 

 Ao falar sobre a participação das mulheres na Administração Central da UFRJ, a chefe de Gabinete da Reitoria lembrou um episódio vivenciado, no passado, como diretora  da Escola de Química. Fabiana Fonseca narrou que, certa vez, um docente entrou de maneira abrupta e desrespeitosa na sala destinada à gestão, que era ocupada por mulheres, para questionar uma norma institucional: 

“O professor não teve pudor algum em agir desta forma e questionar o motivo pelo qual eu utilizava uma vaga no estacionamento, tradicionalmente reservada para quem ocupava o cargo na direção da unidade. Duvido, se no meu lugar estivesse um homem, que ele teria tido esse tipo de atitude. Mas ainda bem que a UFRJ está caminhando, de modo irreversível, para um perfil cada vez mais diverso. Atualmente, 13 mulheres maravilhosas e competentes integram a equipe desta gestão”, disse, orgulhosa.