A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebrou oficialmente na quinta-feira, 5/11, a inauguração da nova sede da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada). O espaço está localizado no Polo de Biotecnologia da UFRJ (antigo BioRio), na Av. Carlos Chagas Filho, nº 791, no campus da Cidade Universitária. A mesa de honra da solenidade foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho.
O evento reuniu gestores, servidores, estudantes e lideranças dos movimentos sociais para consolidar um espaço físico que simboliza a superação de barreiras institucionais e o compromisso com a igualdade e a democratização do ensino superior público.
Durante a inauguração, o reitor destacou o papel histórico e social da Universidade. Ao evocar o samba tradicional, nomes da ancestralidade negra como Candeia e Noca da Portela e a memória das vítimas do Cais do Valongo e da escravidão, Medronho denunciou a permanência das desigualdades estruturais, do racismo e da violência que afetam cotidianamente a população negra e a periférica.
O reitor destacou que o conhecimento e a inovação não surgem isolados nos muros da academia, mas emergem também da vida nas favelas e das classes trabalhadoras. Medronho defendeu que o combate ao retrocesso democrático e à opressão social depende fundamentalmente de instituições públicas fortes.

“A Universidade tem que ser a ponta de lança na luta pelas transformações sociais deste país, nas lutas contra a desigualdade, contra o racismo, contra toda forma de opressão e de discriminação. Enquanto tiver universidade pública gratuita, inclusiva, diversa e de excelência, nós vamos estar dizendo em bom tom e alto brado: não ao racismo, não à discriminação e não à desigualdade”, afirmou o reitor.
Durante a cerimônia, as dirigentes da Sgaada destacaram a trajetória que culminou na entrega do novo prédio. Denise Góes relembrou o início dos trabalhos em um espaço reduzido da Reitoria. Segundo a superintendente, embora pequeno para a demanda e para as equipes, o local foi o ponto de partida de projetos fundamentais.
“Isso aqui não é só um espaço. Isso aqui é fruto de uma conquista, de uma representação que nunca houve nesta universidade. A pauta dos segmentos vulnerabilizados nunca foi olhada com tanto cuidado”, declarou Denise, frisando a importância da construção conjunta com movimentos sociais, parceiros institucionais e órgãos públicos.

Além de abrigar as atividades operacionais e de atendimento, a nova sede comportará o Centro de Memória da Sgaada, voltado ao resgate, documentação e preservação da trajetória das lutas sociais e das ações afirmativas no âmbito acadêmico. A superintendente adjunta, Cecilia Izidoro, ressaltou que a nova estrutura possui o quádruplo da metragem anterior, ampliando a capacidade de atuação da equipe: “Pessoas indígenas, pessoas negras, pessoas trans, pessoas com deficiência (PCDs) vão alcançando devagar o seu lugar de direito. Esse lugar que sempre foi muito exclusivo, no que depender de nós, agora é inclusivo”.
A vice-reitora, Cássia Turci, relacionou a data festiva à concessão do título de doutora honoris causa conferido à escritora Conceição Evaristo, realizada mais cedo no mesmo dia. Para Turci, ambas as ocasiões convergem para o propósito de demonstrar à sociedade que a universidade pública pertence a todos. Ela também pontuou que a infraestrutura traz dignidade funcional e impulsiona as metas de acessibilidade e acolhimento em todos os campi da UFRJ.

A solenidade registrou ainda a presença de diversos pró-reitores, diretores de institutos, representantes do Complexo Hospitalar da Saúde, da Prefeitura Universitária, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e de núcleos ligados aos direitos humanos e acessibilidade.



































