“A soberania, hoje, depende cada vez mais da capacidade de produzir ciência, dominar tecnologias estratégicas, formar pessoas altamente qualificadas e transformar inovação em melhoria concreta da vida da população.” Com essa reflexão, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, abriu, nesta terça-feira (30/6), o fórum Diálogos para o Futuro – O Brasil em 2050, realizado no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Praia Vermelha.
Em seu discurso de abertura, Medronho defendeu que pensar o Brasil de 2050 significa assumir, desde já, um compromisso com a construção de uma nação mais justa, sustentável, democrática e soberana. Segundo ele, ciência, tecnologia e inovação devem ocupar posição central nesse projeto.
“Um país que não investe em ciência depende da inteligência dos outros. Um país que não domina tecnologias críticas se torna vulnerável nas cadeias globais de valor. E um país que não articula universidades, institutos de pesquisa, Estado e setor produtivo perde a oportunidade de transformar sua riqueza natural, cultural e humana em desenvolvimento social”, afirmou.
O reitor também defendeu mudanças no modelo de financiamento da pesquisa científica brasileira. Para ele, o país precisa investir em grandes missões nacionais, articulando universidades, institutos de pesquisa, empresas e governos em torno de desafios estratégicos.
Entre as prioridades citadas estão a transição energética, o enfrentamento da crise climática, a saúde, a segurança alimentar, a inteligência artificial, os semicondutores, a biotecnologia, o fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde e a neoindustrialização sustentável. “A competição faz parte da ciência, mas ela não pode substituir a cooperação. O país precisa financiar grandes missões nacionais, com recursos robustos, continuidade e visão estratégica”, destacou Medronho.
Ao apresentar o papel da UFRJ nesse processo, Medronho reafirmou o compromisso institucional com o desenvolvimento do país. “Somos uma universidade pública, nacional, comprometida com a excelência acadêmica e com o destino do Brasil. Produzimos ciência, formamos gerações, inovamos, cuidamos de pessoas, preservamos memória e cultura e contribuímos para o pensamento crítico do país”, disse.
O reitor defendeu também um novo pacto nacional em defesa da ciência e da inovação. “Que este encontro seja mais do que um seminário. Que seja um chamado à construção de um novo pacto nacional pela ciência, pela tecnologia, pela inovação e pelo desenvolvimento soberano. O Brasil de 2050 começa nas escolhas que fazemos hoje”, observou.
Promovido pela Revista Fórum, em parceria com a UFRJ, o encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos, representantes do setor produtivo e da sociedade civil para discutir estratégias de desenvolvimento para o país nas próximas décadas.
Extensão e Agenda 2030
A pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, destacou que as universidades têm papel decisivo na construção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e afirmou que a extensão universitária compartilha, em sua essência, os princípios da Agenda 2030. Ela argumentou que os quatro eixos do encontro — transição ecológica, neoindustrialização, desenvolvimento social e democracia, comunicação e inteligência artificial — formam uma agenda integrada para o futuro do país.
Ivana também ressaltou a proposta brasileira de incorporar três novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial), o ODS 19 (Arte, Cultura e Comunicação) e o ODS 20 (Direitos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais). De acordo com a pró-reitora, centenas de ações de extensão desenvolvidas pela UFRJ já contribuem diretamente para essas agendas.
Na abertura do evento, o jornalista Renato Rovai, fundador da Revista Fórum, afirmou que discutir o Brasil de 2050 significa transformar sonhos em projetos concretos de país. Segundo ele, o encontro busca reunir diferentes setores da sociedade para construir propostas capazes de fortalecer a democracia, ampliar as políticas públicas e enfrentar os desafios das próximas décadas.
A programação contou com a participação de pesquisadores, gestores públicos e especialistas de diferentes áreas, entre eles o filósofo Renato Janine Ribeiro, a diretora da Coppe/UFRJ, Suzana Kahn, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, a professora da Escola de Comunicação da UFRJ Ivana Bentes, a cientista Nina da Hora e representantes do BNDES, do governo federal, da Prefeitura de Maricá e de instituições de pesquisa.







