O auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Praia Vermelha, foi palco, na sexta-feira, 21/8, de uma emocionante cerimônia de posse da nova diretoria da instituição. Com o auditório ornamentado e repleto de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados, a professora Gracyelle Costa Ferreira assumiu o cargo de diretora, tendo ao seu lado o professor Luis Eduardo Acosta como vice-diretor.
A solenidade, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, marcou a transição da gestão liderada anteriormente pelos professores Ana Izabel Moura de Carvalho e Guilherme Silva de Almeida. Também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira.
Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho resgatou a história da Escola de Serviço Social, iniciada na década de 1930, ainda na Universidade do Brasil, consolidando-se como referência intelectual nacional e internacional. Medronho homenageou os professores eméritos José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho, reafirmando que a excelência acadêmica não se dissocia do compromisso prático com a sociedade.

“Nossa missão não é formar técnicos para o mercado de trabalho, é formar cidadãos para transformar o mundo. Dirigir uma unidade universitária é assumir a responsabilidade de cuidar das pessoas, defender a pluralidade, promover o diálogo e, ao mesmo tempo, preservar a inquietação intelectual que faz uma universidade avançar”, destacou o reitor.
Despedida emocionada dos ex-diretores
Os diretores que estão deixando a gestão da ESS expressaram profunda gratidão pela jornada à frente da instituição. O professor Guilherme de Almeida destacou o papel fundamental dos técnicos administrativos e recorreu à poesia de Cora Coralina para resumir o sentimento de dever cumprido: “O que vale da vida não é o ponto de partida, e sim nossa caminhada”.

Por sua vez, a professora Ana Izabel relembrou os desafios cotidianos e o esforço constante para fortalecer o trabalho coletivo. Citando o educador Paulo Freire, ela enfatizou que “não há educação sem amor”, desejando pleno sucesso aos novos gestores.
Os desafios e as bandeiras da nova gestão
O novo vice-diretor, Luis Eduardo Acosta, destacou sua origem uruguaia e sua vinculação histórica à tradição da reforma universitária de Córdoba. Acosta evocou o pensamento de Álvaro Vieira Pinto, professor histórico da casa, para defender uma universidade que olhe continuamente para os trabalhadores e setores populares que ainda não conseguiram nela ingressar. Ele também alertou para os desafios da “revolução cognitiva” provocada pela inteligência artificial e afirmou que a tecnologia deve ser capitaneada a favor da humanidade e não contra ela.

A nova diretora, Gracyelle Costa Ferreira, compartilhou uma memória marcante de sua caminhada. Em 2025, ao subir as escadas do auditório, ouviu de um trabalhador terceirizado que ela seria a próxima diretora da Escola. Na época, ela sorriu e recusou a ideia, mas a lembrança daquele momento a fez refletir sobre a força coletiva da comunidade escolar, que engloba docentes, técnicos, estudantes e terceirizados. Gracyelle prestou homenagem às suas ancestrais, mulheres trabalhadoras domésticas a quem foi negado o direito à alfabetização, e afirmou com orgulho ser produto direto das políticas de ações afirmativas na graduação.
“Nós apostaremos na esperança como a práxis coletiva que transforma a escuta em planejamento, que transforma o planejamento em ação compartilhada e ação em aprendizado e construção propositiva. Essa esperança coletiva é maior do que uma equipe de gestão. Ela se concretiza através de vocês, através de nós, porque pessoas que aceitam assumir este ciclo aceitam junto também reafirmar a defesa de uma universidade pública, popular, fundada nos direitos e defendendo os seus direitos mais profundos no que envolve a democracia e os direitos humanos e sociais. É por isso que defender a Escola e o serviço social é também defender a capacidade da UFRJ de responder aos grandes problemas e desafios nacionais”, disse Gracyelle.
Homenagens da comunidade acadêmica
O encerramento da solenidade foi coroado por um momento de emoção, conduzido por aqueles que representam a própria razão de ser da instituição. O estudante Ezequiel subiu ao palco para presentear a nova diretora com o poema “Flores para você”. Ele dedicou os versos a quem, segundo suas palavras, o incentivou a seguir em frente e a continuar caminhando quando parecia não haver mais saída.

Logo em seguida, a assistente social Cristiane, que trilhou toda a sua trajetória acadêmica na Escola, da graduação ao mestrado, e hoje atua na instituição após ser aprovada em concurso público, tomou a palavra. Relembrando com carinho que o vice-diretor Luiz Acosta foi seu professor na graduação e que a nova diretora é uma “colega de trabalho incrível”, Cristiane expressou os sentimentos de toda a comunidade acadêmica. Em nome dos técnicos administrativos, docentes e estudantes, ela desejou à nova gestão uma caminhada repleta de energia, esperança, renovação, compromisso e afeto. Os participantes ainda caíram no samba no final da cerimônia, com a presença de uma bateria que animou o público.
Com uma equipe de gestão motivada, a Escola de Serviço Social da UFRJ inicia este novo capítulo reafirmando seu papel histórico de defesa dos direitos sociais e humanos no Brasil.

