UFRJ inaugura nova sede da Sgaada

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebrou oficialmente na quinta-feira, 5/11, a inauguração da nova sede da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada). O espaço está localizado no Polo de Biotecnologia da UFRJ (antigo BioRio), na Av. Carlos Chagas Filho, nº 791, no campus da Cidade Universitária. A mesa de honra da solenidade foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

O evento reuniu gestores, servidores, estudantes e lideranças dos movimentos sociais para consolidar um espaço físico que simboliza a superação de barreiras institucionais e o compromisso com a igualdade e a democratização do ensino superior público.

Durante a inauguração, o reitor destacou o papel histórico e social da Universidade. Ao evocar o samba tradicional, nomes da ancestralidade negra como Candeia e Noca da Portela e a memória das vítimas do Cais do Valongo e da escravidão, Medronho denunciou a permanência das desigualdades estruturais, do racismo e da violência que afetam cotidianamente a população negra e a periférica.

O reitor destacou que o conhecimento e a inovação não surgem isolados nos muros da academia, mas emergem também da vida nas favelas e das classes trabalhadoras. Medronho defendeu que o combate ao retrocesso democrático e à opressão social depende fundamentalmente de instituições públicas fortes.

O reitor, Roberto Medronho, destacou o papel histórico e social da Universidade | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

“A Universidade tem que ser a ponta de lança na luta pelas transformações sociais deste país, nas lutas contra a desigualdade, contra o racismo, contra toda forma de opressão e de discriminação. Enquanto tiver universidade pública gratuita, inclusiva, diversa e de excelência, nós vamos estar dizendo em bom tom e alto brado: não ao racismo, não à discriminação e não à desigualdade”, afirmou o reitor.

Durante a cerimônia, as dirigentes da Sgaada destacaram a trajetória que culminou na entrega do novo prédio. Denise Góes relembrou o início dos trabalhos em um espaço reduzido da Reitoria. Segundo a superintendente, embora pequeno para a demanda e para as equipes, o local foi o ponto de partida de projetos fundamentais.

“Isso aqui não é só um espaço. Isso aqui é fruto de uma conquista, de uma representação que nunca houve nesta universidade. A pauta dos segmentos vulnerabilizados nunca foi olhada com tanto cuidado”, declarou Denise, frisando a importância da construção conjunta com movimentos sociais, parceiros institucionais e órgãos públicos.

As superintendentes da Sgaada, Denise Góes e Cecilia Izidoro | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Além de abrigar as atividades operacionais e de atendimento, a nova sede comportará o Centro de Memória da Sgaada, voltado ao resgate, documentação e preservação da trajetória das lutas sociais e das ações afirmativas no âmbito acadêmico. A superintendente adjunta, Cecilia Izidoro, ressaltou que a nova estrutura possui o quádruplo da metragem anterior, ampliando a capacidade de atuação da equipe: “Pessoas indígenas, pessoas negras, pessoas trans, pessoas com deficiência (PCDs) vão alcançando devagar o seu lugar de direito. Esse lugar que sempre foi muito exclusivo, no que depender de nós, agora é inclusivo”.

A vice-reitora, Cássia Turci, relacionou a data festiva à concessão do título de doutora honoris causa conferido à escritora Conceição Evaristo, realizada mais cedo no mesmo dia. Para Turci, ambas as ocasiões convergem para o propósito de demonstrar à sociedade que a universidade pública pertence a todos. Ela também pontuou que a infraestrutura traz dignidade funcional e impulsiona as metas de acessibilidade e acolhimento em todos os campi da UFRJ.

Inauguração da nova sede da Sgaada | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A solenidade registrou ainda a presença de diversos pró-reitores, diretores de institutos, representantes do Complexo Hospitalar da Saúde, da Prefeitura Universitária, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e de núcleos ligados aos direitos humanos e acessibilidade.

Reitoria da UFRJ participa do Dia da Inovação 2026

Na segunda-feira, 19/10, data em que foi celebrado o Dia Nacional da Inovação, a Inova UFRJ, núcleo de inovação tecnológica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, organizou uma programação especial. O Dia da Inovação 2026 foi realizado das 9h às 17h, na Inovateca, localizada no Parque Tecnológico da UFRJ, na Cidade Universitária. A iniciativa reforçou o reconhecimento da importância da ciência, da tecnologia, do empreendedorismo e da inovação para o desenvolvimento da sociedade.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e a vice-reitora, Cássia Turci, participaram da mesa de abertura, que também teve a presença da diretora da Inova, Daniela Uziel; do representante da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Rodrigo Acioli; do diretor de patentes, programas de computador e topografias de circuitos integrados do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Alexandre Dantas; e do diretor do escritório da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) no Brasil, Schmuell Cantanhede.

“Para nós, a inovação é  fundamental para o desenvolvimento social e econômico do nosso país. O valor da inovação se revela na capacidade de responder aos desafios da sociedade. Ela ganha sentido quando uma descoberta se transforma em tratamento acessível, uma tecnologia melhora o transporte público, uma solução reduz impactos ambientais,  uma nova maneira de ensinar amplia oportunidades. Dessa forma, o desenvolvimento de patentes e de produtos, que vão mudar a vida das pessoas, é uma das nossas missões. Celebrar o Dia da Inovação, aqui na UFRJ, é reafirmar uma responsabilidade: transformar conhecimento em melhorias concretas na vida das pessoas”, ressaltou Medronho.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho, entrega certificado de patente para a pesquisadora Tatiana Sampaio | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Entre as atividades realizadas estiveram o lançamento da nova Vitrine Tecnológica da instituição; a entrega de certificados de patentes concedidas a inventores, como foi o caso da  professora Tatiana Sampaio; e a apresentação dos bolsistas, que integram o Programa de Mestrado e Doutorado para Inovação (MAI/DAI), iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com a parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “No ano passado, decidimos fazer esse Dia da Inovação inspirado na Inova Unicamp, que desenvolve atividades de grande importância na questão da difusão da inovação. Após fazermos nossas adaptações, demos forma a este evento”, contou  Uziel.

Turci falou sobre o significado de comemorar a data na Universidade: “Celebrar o Dia da Inovação  tem um papel fundamental para a nossa Universidade. Inovar mostra um pouco do potencial que  temos  na UFRJ, em todas as áreas do conhecimento, do trabalho sério que fazemos em prol da sociedade, do nosso valor”.

Entrega de certificados de patentes concedidas a inventores | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

UFRJ realiza XII Seminário de Integração dos Técnicos Administrativos em Educação

Teve início na segunda-feira, 19/10, o XII Seminário de Integração dos Técnicos Administrativos em Educação (Sintae) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A abertura foi realizada no Salão Nobre da Decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), na Cidade Universitária. A programação, que inclui atividades presenciais e remotas, segue até sexta, 23/10, e tem transmissão on-line pelo canal do evento.

A finalidade do evento é promover o compartilhamento de experiências e práticas cotidianas dos TAEs, favorecendo o diálogo entre as diversas áreas de atuação dos servidores. A programação foi estruturada por meio de Grupos de Trabalho (GTs) temáticos, que organizam as apresentações e as discussões. Entre os assuntos contemplados, estão: assédio moral e violência sexual em instituições públicas de ensino superior; saúde do trabalhador, qualidade de vida e cultura; assistência estudantil, acessibilidade e inclusão; e experiências dos TAEs em ensino e projetos de ensino.

Participaram da mesa de abertura do seminário a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; a vice-decana do CCMN, Walcy Santos; Esteban Crescente, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ (Sintufrj); Camila Baz e Gustavo Cravo, representantes da comissão organizadora do XII Sintae.

“A maioria dos técnicos administrativos em educação é responsável pela gestão universitária, que é muito importante, e sem ela não teríamos a facilidade de formar os nossos estudantes em cidadãos Não é fácil levar o dia a dia das universidades públicas, por falta de orçamento e  incentivo. Fico muito feliz de ver esse auditório cheio, porque mostra a força dos nossos servidores técnico-administrativos em educação”, afirmou Cássia Turci, destacando que o fato de o Sintae estar sendo realizado na semana que antecede o Dia do Servidor Público o torna ainda mais forte e  pulsante.

Vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Conforme contou Camila Baz, para viabilizar a realização do Sintae 2026, durante meses foi necessário o trabalho e a dedicação de uma comissão organizadora interinstitucional composta por mais de 70 integrantes: “Foi um árduo trabalho para fazer esse evento acontecer. Uma comissão gigantesca está funcionando desde março deste ano mostrando  para a UFRJ a importância desse seminário. Para complementar, quero trazer alguns números.  Ao longo desta semana, teremos um total de 226 trabalhos sendo apresentados, entre remotos e presenciais. Além disso,  tivemos mais de 40 universidades de todas as regiões do país, representadas na comissão organizadora e entre autores e coautores”.

Plateia cheia na abertura do Sintae UFRJ 2026 | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Na sequência da abertura, foi realizada a mesa de discussão intitulada “A carreira dos técnicos administrativos em educação: do reconhecimento institucional da carreira à conquista do RSC”. Mediada pela servidora da UFRJ Paola Meirelles, que atualmente está como pró-reitora de Pessoal da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a atividade teve a presença de Agnaldo Fernandes, representante da Comissão RSC UFRJ; Esteban Crescente, do Sintufrj; e Pedro de Sá , representando a Unirio.

Mesa de discussão “A carreira dos técnicos administrativos em educação: do reconhecimento institucional da carreira à conquista do RSC” | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Na parte da tarde, os TAEs puderam participar da oficina de letramento LGBTQIAPNB+ com Márcio Neves, diretor de Gênero e Pertencimento (DiGePe) da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada)  da UFRJ e acompanharam a mesa redonda “Políticas Culturais Universidade”, com  Jéssica Luzes e André Protásio, ambos servidores da UFRJ .

Toda a programação do XII Seminário de Integração dos Técnicos Administrativos em Educação da UFRJ pode ser consultada no site do Sintae 2026:  https://www.sintaeufrj.org.

UFRJ concede título de professor emérito a Luiz César de Queiroz Ribeiro

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de professor emérito ao docente e pesquisador Luiz César de Queiroz Ribeiro, em sessão solene do Conselho Universitário (Consuni) realizada na sexta-feira, 16/10, no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito (FND), no centro do Rio. A cerimônia, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho,  celebrou quase 50 anos de dedicação do docente ao magistério e à pesquisa urbana crítica, e reuniu dirigentes, professores, técnicos-administrativos em Educação (TAEs), estudantes e familiares do homenageado.

Durante a solenidade, Medronho ressaltou a importância do papel das pesquisas de Luiz César para demonstrar como a segregação espacial afeta diretamente o acesso a oportunidades básicas de vida, afirmando ainda que o conhecimento gerado na Universidade deve servir como ferramenta decisiva para combater a barbárie, reduzir desigualdades e ampliar a cidadania.

Luiz César de Queiroz Ribeiro e o reitor Roberto Medronho durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Ao longo de sua atuação, os seus estudos sobre a moradia, a segregação e as desigualdades socioespaciais ajudaram a iluminar uma questão decisiva: o lugar onde uma pessoa vive influencia profundamente as oportunidades de vida. Essa questão tem a expressão concreta do cotidiano. Está no tempo gasto no deslocamento para o trabalho, no acesso à escola, à saúde, ao saneamento, na possibilidade de morar com segurança, desfrutar de espaços públicos, participar das decisões sobre o próprio território. Compreender essas diferenças é indispensável para construir políticas públicas mais justas”, destacou Medronho.

Trajetória acadêmica e legado intelectual

Graduado em Ciências Sociais, com mestrado e doutorado na área de Planejamento Urbano e Regional, Luiz César ingressou na UFRJ em 1979. Teve papel decisivo na reorganização do antigo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PPGPUR) no contexto da transição democrática e da resistência ao desmonte promovido pela ditadura militar, liderando a construção coletiva que deu origem ao atual Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur/UFRJ).

O pesquisador desenvolveu abordagens pioneiras sobre a urbanização capitalista e a produção do espaço sob a ótica do capitalismo dependente. Sua produção bibliográfica soma mais de 150 livros e cerca de 700 artigos científicos publicados. Entre suas obras de referência na literatura acadêmica nacional estão os livros Dos Cortiços aos Condomínios Fechados e Cidade, Povo e Nação. Ribeiro orientou e supervisionou mais de 300 estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, muitos dos quais atuam hoje em universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior. Teve presença ativa no Movimento Nacional da Reforma Urbana e no assessoramento a governos populares, conselhos de gestão e movimentos sociais.

Sessão solene do Consuni foi realizada no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

O novo professor emérito da UFRJ idealizou o Observatório das Metrópoles, projeto iniciado em 1995 em parceria com a ONG Fase, consolidado como rede nacional interdisciplinar. Desde 2009, a iniciativa é reconhecida como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), articulando 22 núcleos regionais em 18 estados. Mesmo após a aposentadoria, mantém atividade acadêmica como pesquisador visitante emérito da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e professor associado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Defesa da universidade pública e do povo brasileiro

Na cerimônia, Luiz César de Queiroz Ribeiro prestou homenagens à família  e aos colegas fundadores do Ippur/UFRJ e do Observatório das Metrópoles. Ao examinar o cenário contemporâneo, alertou para a encruzilhada histórica marcada pela exaustão do padrão de acumulação rentista e pelo avanço do racismo ambiental. Invocando a bússola teórica de Milton Santos, ele também aconselhou a nova geração de pesquisadores a manter acesas a indignação ética e a paixão pelo conhecimento.

“Aprendi nesta casa que o mérito acadêmico jamais é individual. Ele pertence a um coral. É essa síntese viva das vozes que me interpelaram, das divergências generosas que me ensinaram a pensar, dos afetos que me sustentaram e dos projetos coletivos que ousamos erguer juntos”, disse Luiz César.

Em discurso, o novo professor emérito da UFRJ, Luiz César de Queiroz Ribeiro | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Ribeiro assegurou que continuará a atuar na rede de pesquisa e comparou o conhecimento verdadeiro a um mapa de navegação cuja finalidade não é acorrentar a rotas prontas, e sim conferir coragem para inventar novos caminhos e fazer das cidades a casa comum de uma sociedade justa e sustentável.

“É no lugar, no chão compartilhado do cotidiano e na resistência das periferias que se gestam as contracondicionalidades e as solidariedades horizontais. É dos despossuídos e marginalizados que brota a força viva capaz de inaugurar uma outra civilização e devolver à história o seu sentido ético”, destacou o homenageado.

Construção coletiva da pesquisa urbana

A cerimônia reuniu pronunciamentos que resgataram aspectos humanos, metodológicos e institucionais da carreira do homenageado, com destaque para a insistência na construção de uma narrativa para explicar a realidade urbana brasileira, fundamentada na articulação entre a teoria marxista e a história, e apontando a generosidade intelectual como pré-requisito fundamental para o êxito de uma vasta rede nacional de pesquisa.

Os discursos sublinharam ainda o rigor na orientação da pós-graduação, o domínio transdisciplinar por áreas como sociologia, economia política e geografia, bem como o prazer de Luiz César em lecionar e compartilhar o conhecimento. Os oradores destacaram também a difícil tarefa exercida pelo homenageado de conciliar a excelência acadêmica com o engajamento político e a relevância social, reafirmando que a concessão do título reconhece não apenas um mérito individual, mas a história coletiva da pesquisa urbana e a consolidação institucional do próprio instituto.

“Sua contribuição para a formação de pesquisadores e para a consolidação de uma comunidade acadêmica dedicada à compreensão crítica da sociedade brasileira. Para ele, esse processo exige continuidade, dedicação e rigor. Formar um pesquisador não significa apenas orientar a execução de um trabalho, mas desenvolver sua capacidade de formular problemas, construir argumentos e estabelecer relações consistentes entre teoria, método e investigação pública”, salientou o professor  Marcelo Gomes Ribeiro, do Ippur.

Ao destacar a trajetória do homenageado e o papel do Ippur, a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, afirmou que o conhecimento científico produzido pelo instituto é fundamental para responder aos desafios sociais e urbanos do estado e do país. Ela enfatizou ainda que a homenagem honra a própria Universidade ao celebrar quem dedica a vida à educação pública.

“Quando eu vejo a concessão de um título como este, não é o professor ou a professora que ganha, mas é a UFRJ. É fundamental reconhecer as pessoas que realmente trabalham pela educação deste país e por uma sociedade mais justa, igualitária e democrática, com cidades sustentáveis e acolhedoras para as pessoas”, declarou  Turci.

Luiz César de Queiroz Ribeiro recebeu o título de professor emérito da UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Mesa da solenidade

Além de Luiz César, compuseram a mesa de honra o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, que presidiu a sessão; a vice-reitora, Cássia Turci; o vice-decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), João Luiz Simas Pondé de Souza; e o diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), Luis Régis Coli Silva Júnior. Já a comissão de honra, responsável por conduzir o homenageado, reuniu representantes do próprio instituto, do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides/UFRJ), do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (Irid/UFRJ) e do Departamento de Geografia do Colégio Pedro II, além da equipe de gestão do Observatório das Metrópoles, colaboradores de projetos da instituição e lideranças da sociedade civil.

Faculdade de Farmácia da UFRJ empossa nova direção

A Faculdade de Farmácia (FF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebrou a cerimônia de transmissão de cargo e posse de sua nova diretoria. A professora Suzana Guimarães Leitão assumiu a direção da unidade acompanhada do professor Hilton Antônio Mata dos Santos como vice-diretor. O evento foi realizado na sexta-feira, 16/10, no Auditório Maria Thereza Loureiro Lima da FF, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ.

A mesa de honra da solenidade foi presidida pelo reitor da Universidade, Roberto Medronho, e composta pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; pela decana do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Avany Fernandes Pereira; e pelo diretor da FF na gestão 2022–2026, Carlos Rangel Rodrigues, ao lado dos empossados.

O reitor Roberto Medronho classificou a Faculdade de Farmácia como uma das “joias da coroa” da Universidade e reafirmou o papel das instituições públicas no combate ao negacionismo científico. Medronho fez um alerta sobre a vulnerabilidade do setor de saúde no Brasil, lembrando que entre 90% e 95% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (Ifas) consumidos no país são importados. O reitor defendeu maior financiamento e vontade política para a inovação tecnológica, citando a importância de pesquisas em terapias avançadas, medicamentos de precisão e biotecnologia.

Medronho reafirmou o papel das instituições públicas no combate ao negacionismo científico | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Precisamos fortalecer nossas pesquisas e criar condições para que descobertas se transformem em novas patentes, processos industriais e produtos acessíveis. Nós fortalecemos a farmácia universitária, porque é um projeto absolutamente fantástico, não só de ensino, mas de extensão, promovendo uso racional de medicamentos, orientando usuários e realizando acompanhamento farmacoterapêutico”, disse Medronho.

O ex-diretor da unidade, professor Carlos Rangel Rodrigues, realizou um resgate histórico da Faculdade de Farmácia. Rangel rememorou momentos marcantes desde a emancipação administrativa da faculdade, lembrando da evolução da matriz curricular ao longo das décadas, a expansão da pós-graduação em Ciências Farmacêuticas no país e as recentes reestruturações pedagógicas e organizacionais promovidas na unidade.

Cerimônia de posse da nova diretoria da Faculdade de Farmácia da UFRJ | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Docente da UFRJ há 31 anos, Suzana Guimarães Leitão destacou a trajetória da faculdade e comemorou a recente obtenção da nota máxima (nota 5) na avaliação do Ministério da Educação (MEC). A nova diretora da FF enfatizou a implementação do novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC), estruturado para integrar as diferentes disciplinas farmacêuticas, superando a histórica divisão entre ciclos básico e profissional e alinhando a formação às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Temos como missão da nossa Faculdade de Farmácia formar profissionais de excelência, produzir conhecimento e, sobretudo, reafirmar diariamente o compromisso da Universidade pública com uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. Que sejamos capazes de fazer da nossa Faculdade um lugar onde a ciência caminhe ao lado da ética, onde o conhecimento se traduza em compromisso com a saúde e a vida, e onde a educação continue abrindo caminhos para uma sociedade mais justa, democrática e solidária”, afirmou Suzana.

Suzana Guimarães Leitão e o reitor Roberto Medronho | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A cerimônia reforçou a importância da Faculdade de Farmácia não só para a comunidade acadêmica da UFRJ, mas também para toda a sociedade. Ao unir o resgate de sua história com projetos de inovação, melhorias na estrutura e mudanças no currículo, a solenidade destacou a defesa do ensino público, do fortalecimento do SUS e da independência científica e tecnológica do país.

Nides/UFRJ inicia nova gestão com foco em expansão e aproximação entre tecnologia e comunidade

A posse da nova direção do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para a gestão 2026-2030, reuniu, na sexta-feira, 9/10, autoridades acadêmicas, servidores, estudantes e lideranças de movimentos sociais no Salão Nobre do Centro de Tecnologia (CT). O ato marcou a transmissão de cargo do professor Felipe Addor para o técnico-administrativo em Educação (TAE) Flávio Chedid, acompanhado pelo professor Paulo Cézar Maia na vice-direção. 

Além dos novos empossados, a mesa de honra da solenidade foi composta pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pela vice-reitora da Universidade, Cássia Turci; e pelo diretor  da gestão 2022-2026, Felipe Addor.

Reitor Roberto Medronho presidiu a mesa de honra da solenidade | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“O Nides expressa uma das mais importantes razões de ser da universidade pública: colocar o conhecimento a serviço da dignidade humana. Desenvolver tecnologias sociais significa contribuir para melhorar a condição de trabalho, fortalecer a autonomia das comunidades, proteger o meio ambiente e apoiar políticas públicas que ampliem os direitos e a qualidade de vida”, afirmou o reitor durante a solenidade.

Um dos pontos de destaque da cerimônia foi o significado institucional da posse de Flávio Chedid. TAE da UFRJ e com trajetória ligada a projetos de extensão como o Núcleo de Solidariedade Técnica (Soltec) da Universidade, ele enfatizou a importância de um técnico-administrativo em Educação assumir a direção de uma unidade acadêmica.

O novo diretor do Nides, Flávio Chedid Henriques | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Felipe Addor conduziu o Nides nos últimos 8 anos, e manter o patamar de conquistas não vai ser nada fácil. Passamos de um para sete docentes, reformamos o Hangar, conquistando projetos que permitiam formar equipes”, lembrou o novo diretor do núcleo.

Entre os compromissos para o mandato, Chedid apontou a estruturação de uma nova sede para o Nides, o fortalecimento da integração com as demais unidades do CT e o andamento dos trâmites para a criação do doutorado em Tecnologia para o Desenvolvimento Social. 

Balanço da gestão

Ao encerrar um ciclo de oito anos na direção e mais de duas décadas de atuação na UFRJ, o professor Felipe Addor fez um resgate histórico das origens do Nides, comentando sobre os momentos críticos enfrentados ao longo da gestão, como os cortes orçamentários e as restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Ele destacou o fortalecimento do trabalho coletivo a partir de 2022 e homenageou precursores eapoiadores do núcleo, como o professor Walter Suemitsu, o ex-reitor Carlos Levi, e o professor aposentado Sidney Lianza (o Sidão). Citou também projetos marcantes desenvolvidos, como o Tangará, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Centro de Formação em Economia do Mar (CFEcoMar), em cooperação com o Movimento Baía Viva.

Flávio Chedid Henriques e Felipe Addor | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

Durante a solenidade, a nova direção prestou homenagem a Addor com a entrega de uma placa de agradecimento pelo seu empenho institucional.

Cássia Turci celebrou a diversidade da plateia e ressaltou o caráter inclusivo da cerimônia. A vice-reitora destacou ainda a relevância de manter um núcleo interdisciplinar focado em desenvolvimento social dentro do Centro de Tecnologia, aproximando a formação técnica das demandas humanas e consolidadas pela extensão universitária.

UFRJ concede título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone David

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na quarta-feira, 7/10, o título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone Esperidião David, referência internacional no tratamento de doenças cardiovasculares. A homenagem foi realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Praia Vermelha. Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor da Universidade de Toronto, no Canadá, o médico desenvolveu procedimentos que transformaram a prática da cirurgia cardíaca.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a trajetória de Tirone David evidencia a importância da pesquisa científica para o avanço da medicina e o papel das universidades na formação de profissionais comprometidos com o cuidado aos pacientes.

“A técnica que leva o seu nome, ao permitir a preservação da válvula aórtica na operação da raiz da aorta, expressa aquilo que dá sentido à pesquisa médica: transformar o conhecimento em benefício concreto ao paciente”, afirmou. Para o reitor, o alcance desse trabalho se estende às gerações de profissionais formadas pelo homenageado. “Essa é uma das maiores realizações de um professor: ampliar, por meio dos seus alunos, o alcance do seu compromisso com a vida.”

Medronho defendeu investimentos contínuos na formação médica, na infraestrutura dos hospitais universitários e na pesquisa científica. Segundo ele, a trajetória de Tirone demonstra a capacidade das instituições públicas brasileiras de formar profissionais que alcançam reconhecimento internacional. “Cabe a nós criar condições para que esses talentos, tantos outros talentos, floresçam, participem da ciência internacional e encontrem também no nosso país oportunidade de pesquisar, inovar, cuidar e ensinar.”

O reitor Roberto Medronho discursa durante a cerimônia – Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A necessidade de fortalecer a infraestrutura de ensino e assistência em saúde no Brasil também foi abordada pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci. Ao comentar a trajetória internacional de Tirone, ela ressaltou a importância de associar excelência científica à atenção humanizada. “A questão da empatia com as pessoas, a questão do acolhimento dos nossos pacientes, porque isso faz toda a diferença para quem está precisando de um atendimento médico”, defendeu.

A operação de David

Nascido em Ribeirão Claro, no Paraná, Tirone David concluiu a graduação em Medicina em 1968. Após realizar parte de sua formação especializada nos Estados Unidos, estabeleceu-se no Canadá, onde construiu uma carreira dedicada à cirurgia cardiovascular, à pesquisa e ao ensino. Na Universidade de Toronto, desenvolveu procedimentos para o tratamento de doenças das válvulas cardíacas e da aorta, além de contribuir para a formação de cirurgiões de diferentes países.

Entre suas principais realizações, está a operação de David, desenvolvida no fim da década de 1980. O procedimento permite reconstruir a raiz da aorta, porção inicial da principal artéria do corpo, preservando a válvula natural do paciente, quando ela apresenta condições adequadas. A técnica representou uma alternativa à substituição da válvula por uma prótese artificial e pode evitar a necessidade de uso permanente de medicamentos anticoagulantes.

Responsável pelo discurso de saudação ao homenageado, o diretor do Instituto do Coração Edson Saad (Ices/UFRJ), Mauro Paes Leme de Sá, destacou a importância dessa contribuição para a medicina. “O professor Tirone demonstrou que era possível preservar a valva natural do próprio paciente, reconstruindo a raiz aórtica ao seu redor.”

Na avaliação do professor, o legado do cirurgião não se limita aos procedimentos que desenvolveu. Seu trabalho se distingue pelo acompanhamento dos pacientes ao longo de décadas e pela avaliação sistemática dos resultados das operações, práticas fundamentais para o aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas.

“O senhor nos ensinou, por meio de sua obra, de seus escritos e do seu exemplo, que a excelência técnica e o cuidado humano com o paciente não são valores concorrentes, mas complementares”, declarou o professor. A contribuição de Tirone está presente na formação de sucessivas gerações de cirurgiões cardiovasculares, inclusive no Brasil.

Essa relação com a formação médica brasileira integra a história da UFRJ. Ao longo dos anos, o homenageado participou de atividades acadêmicas do Instituto do Coração Edson Saad, colaborou com o ensino na pós-graduação em Cardiologia e contribuiu com discussões de casos clínicos complexos. Logo, a concessão do título, proposta pela Faculdade de Medicina e pelo Ices, reconhece tanto sua projeção científica internacional quanto os vínculos estabelecidos com a Universidade.

Entre a cirurgia, a pesquisa e o ensino

Em seu pronunciamento, Tirone David relembrou as decisões que marcaram sua trajetória profissional. Ao concluir a formação cirúrgica no exterior, recebeu propostas de trabalho que lhe ofereceriam remuneração muito superior à de uma carreira universitária. A escolha, porém, foi permanecer no ambiente acadêmico, onde poderia conciliar a atividade cirúrgica com a pesquisa e o ensino.

“Eu tinha um desejo. Eu queria fazer a diferença”, contou o médico. “Eu quero sair desse mundo deixando o mundo melhor do que quando eu o achei.”

O cirurgião recordou que, quando deixou o Brasil, pretendia aperfeiçoar sua formação no exterior e retornar ao país para contribuir com a atualização da medicina brasileira. Embora sua carreira tenha se consolidado no Canadá, manteve relações com profissionais e instituições de ensino do Brasil.

Ao agradecer a homenagem, Tirone afirmou que o reconhecimento dos colegas confirma o sentido que procurou dar à sua atividade profissional. “Eu estava preocupado em fazer cirurgia bem-feita e ajudar o meu paciente”, resumiu.

O compromisso com os pacientes esteve no centro do pronunciamento da vice-diretora da Faculdade de Medicina, Izabel Calland Ricarte Beserra, que representou a direção da unidade e a Decania do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Para a professora, a trajetória do homenageado reúne inovação científica, habilidade técnica e sensibilidade diante do sofrimento humano.

“Ele nos ensina que a técnica cirúrgica mais refinada perde o sentido se não for guiada por uma profunda compaixão e empatia pelo ser humano que está vulnerável na mesa de cirurgia”, observou.

A vice-diretora ressaltou que a concessão do título representa um ganho para a própria instituição. “A bem da verdade, é a nossa Faculdade de Medicina, o Instituto do Coração, todo o Centro de Ciências da Saúde e a nossa UFRJ que se engrandecem no dia de hoje.”

A cerimônia incluiu a exibição de um vídeo em homenagem ao cirurgião, com depoimentos sobre sua trajetória profissional e sua relação com pacientes e colegas, e uma apresentação artística do Grupo de Pesquisa Partitura Encenada, coordenado pelo professor Lenine Vasconcellos.

Integrantes da mesa e da comissão de honra reunidos após a cerimônia de concessão do título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone David – Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

UFRJ inaugura novas instalações do NQTR no Polo de Xistoquímica e rende homenagem à inovação científica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na sexta-feira, 25/9, as novas instalações do Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real (NQTR), localizado no Polo de Xistoquímica Professor Cláudio Costa Neto (PXQ), na Cidade Universitária. A cerimônia, realizada no auditório do PXQ, reuniu lideranças acadêmicas e do setor produtivo. A mesa de honra foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e composta pela vice-reitora, Cássia Turci; o gerente-geral de PDI em exploração e produção do Cenpes/Petrobras, Henrique Penteado; o coordenador do NQTR, João Francisco Cajaíba; e a diretora do Instituto de Química (IQ), Marlice Aparecida Sípoli Marques.

Em seu discurso, o reitor da UFRJ ressaltou o papel estratégico da ciência aplicada produzida na universidade pública e a relevância do desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias para o país. Medronho enfatizou que a instituição demonstra diariamente sua alta capacidade científica em cooperação com grandes empresas nacionais e defendeu a necessidade de um orçamento adequado para a Universidade.

“Este é um trabalho que mostra a força e a importância da ciência e da sua aplicação, a necessidade de procurarmos soluções próprias para resolver nossos problemas. A UFRJ precisa ser reconhecida por tudo o que faz e receber o orçamento adequado às suas necessidades. No mundo atual, ou nós desenvolvemos nossas próprias tecnologias e inovações, ou nós nunca seremos uma nação soberana”, disse o reitor.

O público presente pôde acompanhar um resgate histórico da trajetória do laboratório,  realizado pelo professor João Francisco Cajaíba, que recordou as origens no Projeto Umbral, na década de 1980, concebido pelo professor emérito Cláudio Costa Neto. Durante a sua fala, o coordenador do NQTR destacou a evolução gradual da unidade, desde as primeiras instalações e as parcerias de pesquisa com a Petrobras até a consolidação de uma estrutura moderna focada em análises em tempo real, garantia de escoamento e novas frentes em geoquímica e saúde pública.

A inauguração também foi marcada por momentos de profunda emoção e reconhecimento ao legado acadêmico. A congregação do Instituto de Química anunciou a aprovação unânime da criação da Medalha Cláudio Costa Neto de Inovação, destinada a homenagear quem transforma conhecimento científico em desenvolvimento tecnológico. Durante a solenidade, foram entregues placas comemorativas de homenagem ao professor emérito Cláudio Costa Neto, patrono do PXQ, onde o núcleo está sediado, à professora emérita Hatsumi Nakayama e à pesquisadora da Petrobras Francisca do Rosário. A cerimônia contou ainda com a presença dos professores eméritos Luiz Antônio d’Ávila e Francisco Radler de Aquino Neto. Logo depois da solenidade, foi realizado um ato simbólico de inauguração e uma visita guiada aos laboratórios.

O professor emérito Cláudio Costa Neto participou do ato simbólico de inauguração das novas instalações do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

“É um momento muito especial estar podendo ver, assistir e ouvir tudo o que ouvi sobre o crescimento. Eu sempre disse que o que gratifica um professor é o que um aluno faz. Um bom aluno gratifica o professor. E essa gratificação chega hoje à inauguração deste superlaboratório, este nirvana, com uma maravilha de condições”, destacou Cláudio Costa Neto.

Visita guiada aos laboratórios do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real

O NQTR, vinculado ao Instituto de Química da UFRJ, atua na criação de metodologias analíticas, processos químicos e soluções tecnológicas para atender a demandas científicas e industriais complexas. Aliando pesquisa aplicada, inovação e formação de recursos humanos especializados, o centro estrutura suas atividades em quatro principais linhas de pesquisa: garantia do escoamento, voltada à prevenção, controle e simulação de problemas no transporte de fluidos; geoquímica orgânica, focada no estudo da origem e transformação da matéria orgânica em rochas e fluidos; química fina, dedicada à síntese de compostos de alto valor agregado para os setores farmacêutico, alimentício e agroquímico; e química, saúde e tabagismo, voltada à caracterização de produtos fumígenos e suas emissões para subsidiar ações de saúde pública e regulação.

Para operacionalizar essas pesquisas, o NQTR conta com uma infraestrutura de ponta que abrange técnicas de caracterização elementar e espectroscópica, análises térmicas, sistemas cromatográficos diversos, reatores automatizados e células de alta pressão e temperatura capazes de simular variadas condições de processos.

O grande diferencial do núcleo reside no fato de que, além de utilizar instrumentação comercial avançada, a equipe projeta e desenvolve seus próprios equipamentos, protótipos, sistemas de aquisição de dados e softwares para monitoramento físico-químico em tempo real. Essa capacidade integrada permite ao laboratório oferecer desde a caracterização de materiais e testes de inibidores até o desenvolvimento de metodologias sob medida em parcerias de pesquisa e desenvolvimento com órgãos de fomento e grandes empresas.

Complexo Hospitalar da UFRJ sedia I Jornada de Doenças Raras

Teve início na segunda-feira, 21/9, a I Jornada de Doenças Raras UFRJ: cuidado contínuo, cuidado integral, no anfiteatro nobre do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Cidade Universitária. O objetivo do evento é promover o diálogo técnico-científico e institucional sobre a organização da rede de cuidado e da atenção integral às pessoas com doenças raras, abordando os desafios e as perspectivas no âmbito da saúde pública.

Entre os temas a serem discutidos ao longo dos dois dias da jornada, estão: desafios atuais e perspectivas do cuidado integral; políticas públicas; panorama da assistência de pacientes com doenças raras no estado; manejo dos pacientes na rede de atenção à saúde do município do Rio de Janeiro; e regulação e fluxo de pacientes entre serviços.

“Hoje temos a honra de receber um evento de doenças raras de todo o Complexo Hospitalar  da UFRJ, que reúne o  IPPMG, a Maternidade Escola (ME) e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). O IPPMG, que há 72 anos cuida de crianças, foi escolhido para sediar esta jornada porque desde 2023 fomos reconhecidos oficialmente pelo Ministério da Saúde como um centro de referência para doenças raras. Desde esse ano, também somos o único centro de referência para terapia gênica no estado do Rio de Janeiro”, afirmou o superintendente-executivo do IPPMG, Giuseppe Pastura.

Mesa de abertura: superintendente-executivo do IPPMG, Giuseppe Pastura; reitor da UFRJ, Roberto Medronho; superintendente-geral do CH/UFRJ, Amâncio Carvalho; e representante da HU Brasil Aristides Vitorino de Oliveira Neto | Foto: Guilherme Albuquerque (HU Brasil)

Além de Pastura, a mesa de abertura foi composta pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pelo superintendente-geral do Complexo Hospitalar da UFRJ, Amâncio Carvalho; e por Aristides Vitorino de Oliveira Neto, gerente-executivo de gestão da atenção hospitalar da HU Brasil, estatal responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais no país, incluindo o CH/UFRJ.  

Medronho elogiou a adequação da ideia central do evento, que é o cuidado contínuo e integral à realidade vivenciada por quem convive com algum tipo de doença rara. O reitor também destacou a importância de reunir, no mesmo processo de abordagem, assistência, pesquisa, inovação,  gestão e políticas públicas: 

“O paciente com doença rara percorre um caminho imenso até o diagnóstico. Depois há um longo percurso de tratamento, acolhimento e reabilitação pelo resto da vida. E isso é de uma enorme complexidade. Certamente, além de prover com um centro de referência em doenças raras, o Complexo Hospitalar UFRJ pode contribuir na abordagem dos pacientes com doenças raras em diferentes frentes. A Universidade também pode contribuir com perguntas que nascem da assistência, vão para a pesquisa e de lá retornam ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aos pacientes”, enfatizou Medronho.  

Referência nacional em pediatria, o IPPMG/UFRJ possui diversos especialistas em doenças raras e assiste crianças de 0 a 13 anos que necessitam de atenção de média e de alta complexidade. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas são afetadas com algum dos mais de 5.000 tipos diferentes de doenças raras existentes, como, por exemplo, esclerose lateral amiotrófica (ELA), fibrose cística e distrofia muscular.

Vantuil Pereira é reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas

O professor Vantuil Pereira foi reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH/UFRJ) para a gestão 2026-2030. A cerimônia de posse foi realizada nesta quarta-feira, 16/9, no campus da Praia Vermelha. Adriana Patrício Delgado assumiu a vice-decania, ocupada na gestão anterior por Paulo César Castro de Sousa.

À frente do CFCH desde 2022, Vantuil Pereira apontou a defesa dos direitos humanos e da dignidade humana entre os compromissos que pretende manter no segundo mandato. Também citou a autonomia universitária, a liberdade de cátedra, a transparência na gestão dos recursos públicos e a necessidade de recomposição do orçamento da Universidade.

“A recondução não é um cheque em branco. Eu recebo esse mandato com a obrigação e o compromisso de servir ao CFCH e à UFRJ”, afirmou.

Entre as prioridades para os próximos quatro anos, o decano mencionou melhorias na infraestrutura e nas condições de permanência estudantil e defendeu maior participação da comunidade universitária nas decisões da instituição. Vantuil Pereira também incluiu, entre os compromissos da gestão, o enfrentamento ao racismo e a outras formas de violência e discriminação.

O reitor, Roberto Medronho, dedicou parte da sua fala ao papel das Ciências Humanas em uma universidade que é também referência em outras áreas. “Em uma grande universidade, a pergunta ‘o que somos capazes de fazer?’ é absolutamente incompleta. Precisamos também perguntar: por que devemos fazer? Para quem devemos fazer? E que sociedade queremos construir?”, disse Medronho, ressaltando a contribuição das Ciências Humanas para a compreensão dos impactos sociais da produção científica e tecnológica.

Professora da UFRJ desde 2018, Adriana Patrício Delgado iniciou a carreira na educação básica e acumula experiência no ensino superior e em gestão. Em seu discurso de posse, ela apontou o diálogo com os diferentes segmentos da comunidade como princípio para o trabalho no CFCH.

“Nós nos colocamos em defesa do diálogo e da escuta. Um diálogo estabelecido com todos e todas que fazem essa Universidade viva cotidianamente”, declarou.

Paulo César Castro de Sousa deixou a vice-decania após quatro anos, mas permanece na Coordenação de Integração de Extensão do CFCH.