UFRJ concede título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone David

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, na quarta-feira, 7/10, o título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone Esperidião David, referência internacional no tratamento de doenças cardiovasculares. A homenagem foi realizada durante sessão solene do Conselho Universitário (Consuni), no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Praia Vermelha. Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor da Universidade de Toronto, no Canadá, o médico desenvolveu procedimentos que transformaram a prática da cirurgia cardíaca.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a trajetória de Tirone David evidencia a importância da pesquisa científica para o avanço da medicina e o papel das universidades na formação de profissionais comprometidos com o cuidado aos pacientes.

“A técnica que leva o seu nome, ao permitir a preservação da válvula aórtica na operação da raiz da aorta, expressa aquilo que dá sentido à pesquisa médica: transformar o conhecimento em benefício concreto ao paciente”, afirmou. Para o reitor, o alcance desse trabalho se estende às gerações de profissionais formadas pelo homenageado. “Essa é uma das maiores realizações de um professor: ampliar, por meio dos seus alunos, o alcance do seu compromisso com a vida.”

Medronho defendeu investimentos contínuos na formação médica, na infraestrutura dos hospitais universitários e na pesquisa científica. Segundo ele, a trajetória de Tirone demonstra a capacidade das instituições públicas brasileiras de formar profissionais que alcançam reconhecimento internacional. “Cabe a nós criar condições para que esses talentos, tantos outros talentos, floresçam, participem da ciência internacional e encontrem também no nosso país oportunidade de pesquisar, inovar, cuidar e ensinar.”

O reitor Roberto Medronho discursa durante a cerimônia – Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A necessidade de fortalecer a infraestrutura de ensino e assistência em saúde no Brasil também foi abordada pela vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci. Ao comentar a trajetória internacional de Tirone, ela ressaltou a importância de associar excelência científica à atenção humanizada. “A questão da empatia com as pessoas, a questão do acolhimento dos nossos pacientes, porque isso faz toda a diferença para quem está precisando de um atendimento médico”, defendeu.

A operação de David

Nascido em Ribeirão Claro, no Paraná, Tirone David concluiu a graduação em Medicina em 1968. Após realizar parte de sua formação especializada nos Estados Unidos, estabeleceu-se no Canadá, onde construiu uma carreira dedicada à cirurgia cardiovascular, à pesquisa e ao ensino. Na Universidade de Toronto, desenvolveu procedimentos para o tratamento de doenças das válvulas cardíacas e da aorta, além de contribuir para a formação de cirurgiões de diferentes países.

Entre suas principais realizações, está a operação de David, desenvolvida no fim da década de 1980. O procedimento permite reconstruir a raiz da aorta, porção inicial da principal artéria do corpo, preservando a válvula natural do paciente, quando ela apresenta condições adequadas. A técnica representou uma alternativa à substituição da válvula por uma prótese artificial e pode evitar a necessidade de uso permanente de medicamentos anticoagulantes.

Responsável pelo discurso de saudação ao homenageado, o diretor do Instituto do Coração Edson Saad (Ices/UFRJ), Mauro Paes Leme de Sá, destacou a importância dessa contribuição para a medicina. “O professor Tirone demonstrou que era possível preservar a valva natural do próprio paciente, reconstruindo a raiz aórtica ao seu redor.”

Na avaliação do professor, o legado do cirurgião não se limita aos procedimentos que desenvolveu. Seu trabalho se distingue pelo acompanhamento dos pacientes ao longo de décadas e pela avaliação sistemática dos resultados das operações, práticas fundamentais para o aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas.

“O senhor nos ensinou, por meio de sua obra, de seus escritos e do seu exemplo, que a excelência técnica e o cuidado humano com o paciente não são valores concorrentes, mas complementares”, declarou o professor. A contribuição de Tirone está presente na formação de sucessivas gerações de cirurgiões cardiovasculares, inclusive no Brasil.

Essa relação com a formação médica brasileira integra a história da UFRJ. Ao longo dos anos, o homenageado participou de atividades acadêmicas do Instituto do Coração Edson Saad, colaborou com o ensino na pós-graduação em Cardiologia e contribuiu com discussões de casos clínicos complexos. Logo, a concessão do título, proposta pela Faculdade de Medicina e pelo Ices, reconhece tanto sua projeção científica internacional quanto os vínculos estabelecidos com a Universidade.

Entre a cirurgia, a pesquisa e o ensino

Em seu pronunciamento, Tirone David relembrou as decisões que marcaram sua trajetória profissional. Ao concluir a formação cirúrgica no exterior, recebeu propostas de trabalho que lhe ofereceriam remuneração muito superior à de uma carreira universitária. A escolha, porém, foi permanecer no ambiente acadêmico, onde poderia conciliar a atividade cirúrgica com a pesquisa e o ensino.

“Eu tinha um desejo. Eu queria fazer a diferença”, contou o médico. “Eu quero sair desse mundo deixando o mundo melhor do que quando eu o achei.”

O cirurgião recordou que, quando deixou o Brasil, pretendia aperfeiçoar sua formação no exterior e retornar ao país para contribuir com a atualização da medicina brasileira. Embora sua carreira tenha se consolidado no Canadá, manteve relações com profissionais e instituições de ensino do Brasil.

Ao agradecer a homenagem, Tirone afirmou que o reconhecimento dos colegas confirma o sentido que procurou dar à sua atividade profissional. “Eu estava preocupado em fazer cirurgia bem-feita e ajudar o meu paciente”, resumiu.

O compromisso com os pacientes esteve no centro do pronunciamento da vice-diretora da Faculdade de Medicina, Izabel Calland Ricarte Beserra, que representou a direção da unidade e a Decania do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Para a professora, a trajetória do homenageado reúne inovação científica, habilidade técnica e sensibilidade diante do sofrimento humano.

“Ele nos ensina que a técnica cirúrgica mais refinada perde o sentido se não for guiada por uma profunda compaixão e empatia pelo ser humano que está vulnerável na mesa de cirurgia”, observou.

A vice-diretora ressaltou que a concessão do título representa um ganho para a própria instituição. “A bem da verdade, é a nossa Faculdade de Medicina, o Instituto do Coração, todo o Centro de Ciências da Saúde e a nossa UFRJ que se engrandecem no dia de hoje.”

A cerimônia incluiu a exibição de um vídeo em homenagem ao cirurgião, com depoimentos sobre sua trajetória profissional e sua relação com pacientes e colegas, e uma apresentação artística do Grupo de Pesquisa Partitura Encenada, coordenado pelo professor Lenine Vasconcellos.

Integrantes da mesa e da comissão de honra reunidos após a cerimônia de concessão do título de Professor Honoris Causa ao cirurgião cardíaco Tirone David – Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

UFRJ inaugura novas instalações do NQTR no Polo de Xistoquímica e rende homenagem à inovação científica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na sexta-feira, 25/9, as novas instalações do Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real (NQTR), localizado no Polo de Xistoquímica Professor Cláudio Costa Neto (PXQ), na Cidade Universitária. A cerimônia, realizada no auditório do PXQ, reuniu lideranças acadêmicas e do setor produtivo. A mesa de honra foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e composta pela vice-reitora, Cássia Turci; o gerente-geral de PDI em exploração e produção do Cenpes/Petrobras, Henrique Penteado; o coordenador do NQTR, João Francisco Cajaíba; e a diretora do Instituto de Química (IQ), Marlice Aparecida Sípoli Marques.

Em seu discurso, o reitor da UFRJ ressaltou o papel estratégico da ciência aplicada produzida na universidade pública e a relevância do desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias para o país. Medronho enfatizou que a instituição demonstra diariamente sua alta capacidade científica em cooperação com grandes empresas nacionais e defendeu a necessidade de um orçamento adequado para a Universidade.

“Este é um trabalho que mostra a força e a importância da ciência e da sua aplicação, a necessidade de procurarmos soluções próprias para resolver nossos problemas. A UFRJ precisa ser reconhecida por tudo o que faz e receber o orçamento adequado às suas necessidades. No mundo atual, ou nós desenvolvemos nossas próprias tecnologias e inovações, ou nós nunca seremos uma nação soberana”, disse o reitor.

O público presente pôde acompanhar um resgate histórico da trajetória do laboratório,  realizado pelo professor João Francisco Cajaíba, que recordou as origens no Projeto Umbral, na década de 1980, concebido pelo professor emérito Cláudio Costa Neto. Durante a sua fala, o coordenador do NQTR destacou a evolução gradual da unidade, desde as primeiras instalações e as parcerias de pesquisa com a Petrobras até a consolidação de uma estrutura moderna focada em análises em tempo real, garantia de escoamento e novas frentes em geoquímica e saúde pública.

A inauguração também foi marcada por momentos de profunda emoção e reconhecimento ao legado acadêmico. A congregação do Instituto de Química anunciou a aprovação unânime da criação da Medalha Cláudio Costa Neto de Inovação, destinada a homenagear quem transforma conhecimento científico em desenvolvimento tecnológico. Durante a solenidade, foram entregues placas comemorativas de homenagem ao professor emérito Cláudio Costa Neto, patrono do PXQ, onde o núcleo está sediado, à professora emérita Hatsumi Nakayama e à pesquisadora da Petrobras Francisca do Rosário. A cerimônia contou ainda com a presença dos professores eméritos Luiz Antônio d’Ávila e Francisco Radler de Aquino Neto. Logo depois da solenidade, foi realizado um ato simbólico de inauguração e uma visita guiada aos laboratórios.

O professor emérito Cláudio Costa Neto participou do ato simbólico de inauguração das novas instalações do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

“É um momento muito especial estar podendo ver, assistir e ouvir tudo o que ouvi sobre o crescimento. Eu sempre disse que o que gratifica um professor é o que um aluno faz. Um bom aluno gratifica o professor. E essa gratificação chega hoje à inauguração deste superlaboratório, este nirvana, com uma maravilha de condições”, destacou Cláudio Costa Neto.

Visita guiada aos laboratórios do NQTR | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Núcleo de Desenvolvimento de Processos e Análises Químicas em Tempo Real

O NQTR, vinculado ao Instituto de Química da UFRJ, atua na criação de metodologias analíticas, processos químicos e soluções tecnológicas para atender a demandas científicas e industriais complexas. Aliando pesquisa aplicada, inovação e formação de recursos humanos especializados, o centro estrutura suas atividades em quatro principais linhas de pesquisa: garantia do escoamento, voltada à prevenção, controle e simulação de problemas no transporte de fluidos; geoquímica orgânica, focada no estudo da origem e transformação da matéria orgânica em rochas e fluidos; química fina, dedicada à síntese de compostos de alto valor agregado para os setores farmacêutico, alimentício e agroquímico; e química, saúde e tabagismo, voltada à caracterização de produtos fumígenos e suas emissões para subsidiar ações de saúde pública e regulação.

Para operacionalizar essas pesquisas, o NQTR conta com uma infraestrutura de ponta que abrange técnicas de caracterização elementar e espectroscópica, análises térmicas, sistemas cromatográficos diversos, reatores automatizados e células de alta pressão e temperatura capazes de simular variadas condições de processos.

O grande diferencial do núcleo reside no fato de que, além de utilizar instrumentação comercial avançada, a equipe projeta e desenvolve seus próprios equipamentos, protótipos, sistemas de aquisição de dados e softwares para monitoramento físico-químico em tempo real. Essa capacidade integrada permite ao laboratório oferecer desde a caracterização de materiais e testes de inibidores até o desenvolvimento de metodologias sob medida em parcerias de pesquisa e desenvolvimento com órgãos de fomento e grandes empresas.

Complexo Hospitalar da UFRJ sedia I Jornada de Doenças Raras

Teve início na segunda-feira, 21/9, a I Jornada de Doenças Raras UFRJ: cuidado contínuo, cuidado integral, no anfiteatro nobre do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Cidade Universitária. O objetivo do evento é promover o diálogo técnico-científico e institucional sobre a organização da rede de cuidado e da atenção integral às pessoas com doenças raras, abordando os desafios e as perspectivas no âmbito da saúde pública.

Entre os temas a serem discutidos ao longo dos dois dias da jornada, estão: desafios atuais e perspectivas do cuidado integral; políticas públicas; panorama da assistência de pacientes com doenças raras no estado; manejo dos pacientes na rede de atenção à saúde do município do Rio de Janeiro; e regulação e fluxo de pacientes entre serviços.

“Hoje temos a honra de receber um evento de doenças raras de todo o Complexo Hospitalar  da UFRJ, que reúne o  IPPMG, a Maternidade Escola (ME) e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). O IPPMG, que há 72 anos cuida de crianças, foi escolhido para sediar esta jornada porque desde 2023 fomos reconhecidos oficialmente pelo Ministério da Saúde como um centro de referência para doenças raras. Desde esse ano, também somos o único centro de referência para terapia gênica no estado do Rio de Janeiro”, afirmou o superintendente-executivo do IPPMG, Giuseppe Pastura.

Mesa de abertura: superintendente-executivo do IPPMG, Giuseppe Pastura; reitor da UFRJ, Roberto Medronho; superintendente-geral do CH/UFRJ, Amâncio Carvalho; e representante da HU Brasil Aristides Vitorino de Oliveira Neto | Foto: Guilherme Albuquerque (HU Brasil)

Além de Pastura, a mesa de abertura foi composta pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho; pelo superintendente-geral do Complexo Hospitalar da UFRJ, Amâncio Carvalho; e por Aristides Vitorino de Oliveira Neto, gerente-executivo de gestão da atenção hospitalar da HU Brasil, estatal responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais no país, incluindo o CH/UFRJ.  

Medronho elogiou a adequação da ideia central do evento, que é o cuidado contínuo e integral à realidade vivenciada por quem convive com algum tipo de doença rara. O reitor também destacou a importância de reunir, no mesmo processo de abordagem, assistência, pesquisa, inovação,  gestão e políticas públicas: 

“O paciente com doença rara percorre um caminho imenso até o diagnóstico. Depois há um longo percurso de tratamento, acolhimento e reabilitação pelo resto da vida. E isso é de uma enorme complexidade. Certamente, além de prover com um centro de referência em doenças raras, o Complexo Hospitalar UFRJ pode contribuir na abordagem dos pacientes com doenças raras em diferentes frentes. A Universidade também pode contribuir com perguntas que nascem da assistência, vão para a pesquisa e de lá retornam ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aos pacientes”, enfatizou Medronho.  

Referência nacional em pediatria, o IPPMG/UFRJ possui diversos especialistas em doenças raras e assiste crianças de 0 a 13 anos que necessitam de atenção de média e de alta complexidade. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas são afetadas com algum dos mais de 5.000 tipos diferentes de doenças raras existentes, como, por exemplo, esclerose lateral amiotrófica (ELA), fibrose cística e distrofia muscular.

Vantuil Pereira é reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas

O professor Vantuil Pereira foi reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH/UFRJ) para a gestão 2026-2030. A cerimônia de posse foi realizada nesta quarta-feira, 16/9, no campus da Praia Vermelha. Adriana Patrício Delgado assumiu a vice-decania, ocupada na gestão anterior por Paulo César Castro de Sousa.

À frente do CFCH desde 2022, Vantuil Pereira apontou a defesa dos direitos humanos e da dignidade humana entre os compromissos que pretende manter no segundo mandato. Também citou a autonomia universitária, a liberdade de cátedra, a transparência na gestão dos recursos públicos e a necessidade de recomposição do orçamento da Universidade.

“A recondução não é um cheque em branco. Eu recebo esse mandato com a obrigação e o compromisso de servir ao CFCH e à UFRJ”, afirmou.

Entre as prioridades para os próximos quatro anos, o decano mencionou melhorias na infraestrutura e nas condições de permanência estudantil e defendeu maior participação da comunidade universitária nas decisões da instituição. Vantuil Pereira também incluiu, entre os compromissos da gestão, o enfrentamento ao racismo e a outras formas de violência e discriminação.

O reitor, Roberto Medronho, dedicou parte da sua fala ao papel das Ciências Humanas em uma universidade que é também referência em outras áreas. “Em uma grande universidade, a pergunta ‘o que somos capazes de fazer?’ é absolutamente incompleta. Precisamos também perguntar: por que devemos fazer? Para quem devemos fazer? E que sociedade queremos construir?”, disse Medronho, ressaltando a contribuição das Ciências Humanas para a compreensão dos impactos sociais da produção científica e tecnológica.

Professora da UFRJ desde 2018, Adriana Patrício Delgado iniciou a carreira na educação básica e acumula experiência no ensino superior e em gestão. Em seu discurso de posse, ela apontou o diálogo com os diferentes segmentos da comunidade como princípio para o trabalho no CFCH.

“Nós nos colocamos em defesa do diálogo e da escuta. Um diálogo estabelecido com todos e todas que fazem essa Universidade viva cotidianamente”, declarou.

Paulo César Castro de Sousa deixou a vice-decania após quatro anos, mas permanece na Coordenação de Integração de Extensão do CFCH.

UFRJ comemora 20 anos do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação do campus Praia Vermelha

Na terça-feira, 15/9, foi realizada uma programação comemorativa pelos 20 anos de funcionamento do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Praia Vermelha, no Auditório da Casa da Ciência, em Botafogo. Com o tema “Memórias, trajetórias e futuros da informação”, o evento contou com uma programação diversificada, incluindo conferência, mesa temática, mesa-redonda, homenagens e apresentação musical.

Além do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, participaram da mesa de abertura o decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), Flávio Martins; o diretor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), Marcos Pinto; o coordenador do CBG do campus Praia Vermelha, Danilo Freitas; a representante do Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região (CRB-7), Isaura Soares; o chefe do Departamento de Biblioteconomia, Thayron Rangel; a coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI) da UFRJ, Paula Mello; e o presidente da comissão organizadora dos 20 anos do curso, o professor Gustavo Freire.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho; decano do CCJE, Flávio Martins; e coordenadora do SiBI-UFRJ, Paula Mello | Foto: Erica Gomes (SGCOM/UFRJ)

“Esta comemoração reconhece todas as contribuições feitas ao longo do tempo, mas também nos convida a olhar para o futuro. O grande desafio da nossa sociedade já não é apenas ter acesso à informação, é saber encontrá-la, organizá-la, avaliá-la criticamente e transformá-la em conhecimento. É justamente aí que a Biblioteconomia assume uma importância estrondosa. O bibliotecário e a bibliotecária contemporânea vão muito além da imagem tradicional do profissional que cuida dos livros e das estantes. Formar profissionais capazes de selecionar criticamente as fontes, preservar a memória e democratizar o acesso ao conhecimento, inclusive utilizando as novas tecnologias, é uma missão essencial da universidade pública, e os colegas da Biblioteconomia são fundamentais nessa missão. A UFRJ tem muito orgulho desses 20 anos do curso de Biblioteconomia!”, enfatizou Medronho.

Homenageados: professores aposentados do CBG/UFRJ e familiares que representaram os docentes do curso já falecidos | Foto: CBG/UFRJ

Valorizando as contribuições dos diferentes atores que ajudaram a construir a história do curso, a programação comemorativa propôs um resgate da trajetória do CBG/UFRJ e promoveu uma reflexão sobre os desafios e as perspectivas para a Biblioteconomia e a formação em informação. A iniciativa possibilitou, ainda, o reencontro de docentes, estudantes, egressos, gestores e profissionais que contribuíram para a construção e a consolidação do curso ao longo dessas duas décadas.

Professores do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Praia Vermelha | Foto: CBG/UFRJ

O evento comemorativo foi organizado por uma comissão de docentes do Departamento de Biblioteconomia do CBG/UFRJ, presidida pelo professor Gustavo Freire, com a colaboração de estudantes do Centro Acadêmico de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação Eliana Taborda, campus Praia Vermelha. Na ocasião, o trabalho do grupo também foi destacado pelo reitor da Universidade. Medronho elogiou o impacto positivo do acolhimento recebido ao chegar ao local, que conseguiu, inclusive, dispersar os efeitos do dia nublado no humor de um carioca como ele.

Estudantes do Centro Acadêmico de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação Eliana Taborda, campus Praia Vermelha, que colaboraram com a comissão organizadora do evento | Foto: CBG/UFRJ

Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação

Vinculado à Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC) da UFRJ, atualmente o curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da UFRJ é oferecido no campus da Praia Vermelha e na Cidade Universitária. Para mais informações, acesse https://depbiblio.facc.ufrj.br/graduacao . No link indicado, também está disponível uma entrevista com as coordenadoras da comissão de implantação do CBG/UFRJ, a professora e bibliotecária Mariza Russo e a bibliotecária Eliana Taborda.

Confira mais fotos do evento:

Escola de Química da UFRJ celebra 93 anos com inovação, debates e abertura da SEQ 2026

O Auditório da Escola de Química (EQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sediou, na quarta-feira, 26/8, a solenidade que marcou a celebração dos seus 93 anos de fundação e a abertura oficial da Semana da Escola de Química (SEQ) 2026. O evento reuniu docentes, técnicos administrativos, estudantes e representantes do setor produtivo para debater o papel estratégico da ciência e o desenvolvimento tecnológico nacional.

A mesa de abertura foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e foi composta pela vice-decana do Centro de Tecnologia (CT), Maria Inês Bruno Tavares; pelo diretor da EQ, Papa Matar; e pelo vice-diretor da unidade e presidente da SEQ 2026, Ladimir José de Carvalho. A edição deste ano da SEQ adotou um formato mais compacto, iniciando em uma quarta-feira, com uma programação dinâmica entre os dias 26 e 29/8.

Durante a cerimônia, Medronho defendeu que a solução para os grandes problemas nacionais reside em unir a competência científica acadêmica à criatividade nata do povo brasileiro, destacando a SEQ como um exemplo do protagonismo estudantil e da excelência que se espera de uma universidade pública. O reitor afirmou ainda que os estudantes que ingressam na EQ têm a oportunidade de atuar em um local de excelência, podendo interagir com todo o ecossistema da Universidade.

Reitor Roberto Medronho discursou durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Se o estudante tiver interesse em trabalhar nas áreas de bioquímica, biomedicina, nós temos não somente os departamentos, mas também a Faculdade de Farmácia, o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, a Faculdade de Medicina. Se o interesse for em tecnologia, temos a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia). Na área de inovação social, temos o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, o Instituto de História. Aqui nesta Universidade, a primeira criada neste país, vocês têm o privilégio de poder interagir e conviver com todas as áreas do conhecimento. E a Escola de Química é uma das instituições que ajuda a construir a história e o prestígio da UFRJ”, disse o reitor.

Tradição, parceria e sentimento de pertencimento

Ao refletir sobre os 93 anos de história e o vigor da instituição, o vice-diretor da EQ, Ladimir José de Carvalho, recorreu a uma metáfora baseada na Odisseia e comparou a Escola de Química à ilha de Ítaca, a terra natal pela qual Ulisses chorava de saudades mesmo diante de todos os confortos de um resort paradisíaco: “Aqui é a nossa Ítaca. É o lugar que nós queremos estar”, declarou, lembrando que em sete anos a instituição celebrará o seu centenário.

Cerimônia marcou a celebração dos 93 anos de fundação da EQ e a abertura oficial da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A importância de inovar e crescer mantendo a tradição de excelência também foi defendida pela vice-decana do CT, a professora Maria Inês Bruno Tavares. Ela celebrou a forte interação entre as cinco unidades do Centro de Tecnologia e a sólida parceria entre a EQ e o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ).

Já o diretor da EQ, Papa Matar, chamou a atenção para o que definiu como uma “nova realidade universitária”, caracterizada por mudanças profundas no perfil dos estudantes que hoje ingressam na instituição. Para Matar, esse novo cenário exige que docentes e técnicos dediquem especial atenção à criação de ambientes acolhedores. “Cabe a nós criarmos um ambiente para que o aluno se sinta acolhido”, afirmou o diretor, prestando também um reconhecimento às gestões anteriores que trabalharam continuamente para elevar o patamar acadêmico da unidade.

SEQ consolida diálogo entre Universidade e mercado

Após a solenidade, a programação da SEQ 2026 deu início à sua primeira atividade, a palestra “Pesquisa e Inovação no Grupo L’Oréal – Institucional, Sustentabilidade, Oportunidades e Desafios”, proferida pela diretora científica da L’Oréal Brasil, Verônica Oliveira, e pelo diretor de pesquisa avançada, Túlio Ceretta.

Representantes da L’Oréal Brasil realizaram a primeira palestra da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)


A Semana da Escola de Química já faz parte do calendário acadêmico da Escola de Química, contando com uma média de 1.000 inscritos todos os anos. Abrangendo diversas áreas de interesse, com a participação de palestrantes reconhecidos nacionalmente e empresas atuantes no mundo inteiro, o planejamento e a execução da SEQ são liderados pela diretoria, professores e pelo Diretório Acadêmico da Escola de Química (Daeq). A programação completa das atividades pode ser conferida no site oficial do evento.

Escola de Serviço Social da UFRJ empossa nova diretoria em solenidade marcada por afeto e representatividade

O auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Praia Vermelha, foi palco, na sexta-feira, 21/8, de uma emocionante cerimônia de posse da nova diretoria da instituição. Com o auditório ornamentado e repleto de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados, a professora Gracyelle Costa Ferreira assumiu o cargo de diretora, tendo ao seu lado o professor Luis Eduardo Acosta como vice-diretor.

A solenidade, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, marcou a transição da gestão liderada anteriormente pelos professores Ana Izabel Moura de Carvalho e Guilherme Silva de Almeida. Também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira.

Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho resgatou a história da Escola de Serviço Social, iniciada na década de 1930, ainda na Universidade do Brasil, consolidando-se como referência intelectual nacional e internacional. Medronho homenageou os professores eméritos José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho, reafirmando que a excelência acadêmica não se dissocia do compromisso prático com a sociedade.

Reitor Roberto Medronho participou da cerimônia na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

“Nossa missão não é formar técnicos para o mercado de trabalho, é formar cidadãos para transformar o mundo. Dirigir uma unidade universitária é assumir a responsabilidade de cuidar das pessoas, defender a pluralidade, promover o diálogo e, ao mesmo tempo, preservar a inquietação intelectual que faz uma universidade avançar”, destacou o reitor.

Despedida emocionada dos ex-diretores 

Os diretores que estão deixando a gestão da ESS expressaram profunda gratidão pela jornada à frente da instituição. O professor Guilherme de Almeida destacou o papel fundamental dos técnicos administrativos e recorreu à poesia de Cora Coralina para resumir o sentimento de dever cumprido: “O que vale da vida não é o ponto de partida, e sim nossa caminhada”.

Mesa de honra da cerimônia de posse na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Por sua vez, a professora Ana Izabel relembrou os desafios cotidianos e o esforço constante para fortalecer o trabalho coletivo. Citando o educador Paulo Freire, ela enfatizou que “não há educação sem amor”, desejando pleno sucesso aos novos gestores.

Os desafios e as bandeiras da nova gestão

O novo vice-diretor, Luis Eduardo Acosta, destacou sua origem uruguaia e sua vinculação histórica à tradição da reforma universitária de Córdoba. Acosta evocou o pensamento de Álvaro Vieira Pinto, professor histórico da casa, para defender uma universidade que olhe continuamente para os trabalhadores e setores populares que ainda não conseguiram nela ingressar. Ele também alertou para os desafios da “revolução cognitiva” provocada pela inteligência artificial e afirmou que a tecnologia deve ser capitaneada a favor da humanidade e não contra ela.

Gracyelle Costa Ferreira assinou o termo de posse como nova diretora da ESS da UFRJ | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

A nova diretora, Gracyelle Costa Ferreira, compartilhou uma memória marcante de sua caminhada. Em 2025, ao subir as escadas do auditório, ouviu de um trabalhador terceirizado que ela seria a próxima diretora da Escola. Na época, ela sorriu e recusou a ideia, mas a lembrança daquele momento a fez refletir sobre a força coletiva da comunidade escolar, que engloba docentes, técnicos, estudantes e terceirizados. Gracyelle prestou homenagem às suas ancestrais, mulheres trabalhadoras domésticas a quem foi negado o direito à alfabetização, e afirmou com orgulho ser produto direto das políticas de ações afirmativas na graduação. 

“Nós apostaremos na esperança como a práxis coletiva que transforma a escuta em planejamento, que transforma o planejamento em ação compartilhada e ação em aprendizado e construção propositiva. Essa esperança coletiva é maior do que uma equipe de gestão. Ela se concretiza através de vocês, através de nós, porque pessoas que aceitam assumir este ciclo aceitam junto também reafirmar a defesa de uma universidade pública, popular, fundada nos direitos e defendendo os seus direitos mais profundos no que envolve a democracia e os direitos humanos e sociais. É por isso que defender a Escola e o serviço social é também defender a capacidade da UFRJ de responder aos grandes problemas e desafios nacionais”, disse Gracyelle.

Homenagens da comunidade acadêmica

O encerramento da solenidade foi coroado por um momento de emoção, conduzido por aqueles que representam a própria razão de ser da instituição.  O estudante Ezequiel subiu ao palco para presentear a nova diretora com o poema “Flores para você”. Ele dedicou os versos a quem, segundo suas palavras, o incentivou a seguir em frente e a continuar caminhando quando parecia não haver mais saída. 

A nova diretoria da ESS foi homenageada por alunos e ex-alunos | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Logo em seguida, a assistente social Cristiane, que trilhou toda a sua trajetória acadêmica na Escola, da graduação ao mestrado, e hoje atua na instituição após ser aprovada em concurso público, tomou a palavra. Relembrando com carinho que o vice-diretor Luiz Acosta foi seu professor na graduação e que a nova diretora é uma “colega de trabalho incrível”, Cristiane expressou os sentimentos de toda a comunidade acadêmica. Em nome dos técnicos administrativos, docentes e estudantes, ela desejou à nova gestão uma caminhada repleta de energia, esperança, renovação, compromisso e afeto. Os participantes ainda caíram no samba no final da cerimônia, com a presença de uma bateria que animou o público.

Com uma equipe de gestão motivada, a Escola de Serviço Social da UFRJ inicia este novo capítulo reafirmando seu papel histórico de defesa dos direitos sociais e humanos no Brasil.

UFRJ inaugura Laboratório de Estudos Russos na Faculdade de Letras

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na terça-feira, 11/8, no bloco F da Faculdade de Letras (FL), o Laboratório de Estudos Russos Innopraktika. O novo espaço amplia a cooperação acadêmica e cultural entre o Brasil e a Rússia e cria oportunidades para atividades de ensino, pesquisa, intercâmbio e programação cultural voltadas à comunidade universitária.

A cerimônia reuniu o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; o decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Barbosa; o diretor da FL, Roberto de Freitas Junior; a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte; e o cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, Feodosii Alexandrovich Vladyshevskii. Também estiveram presentes alunos e professores da FL.

Para Medronho, o laboratório representa um marco na aproximação entre os dois países. O reitor ressaltou o papel da língua e da cultura na aproximação entre os povos e destacou a trajetória da UFRJ na formação de tradutores, professores e pesquisadores. Segundo ele, o espaço permitirá que estudantes e servidores possam “aprofundar o estudo da língua russa em um ambiente equipado, moderno e voltado à inovação”, disse.

Em participação virtual, a primeira vice-diretora-geral da Innopraktika, Natália Popova, explicou que a iniciativa vai além do ensino da língua russa e funcionará como uma plataforma de aproximação cultural entre os dois países. “Tenho certeza de que nossa cooperação está apenas começando. Temos pela frente muitas palestras, diferentes projetos, estreias de filmes”, afirmou. 

A cooperação com a Rússia integra a estratégia de internacionalização da UFRJ. De acordo com a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte, os acordos firmados entre instituições dos dois países abrangem diferentes áreas do conhecimento e podem ampliar a mobilidade de estudantes, professores e pesquisadores, além do desenvolvimento de projetos conjuntos e da formação de redes internacionais de pesquisa. “Queremos transformar cada acordo em ações efetivas, duradouras e capazes de gerar benefícios para as nossas comunidades universitárias e para as nossas sociedades”, declarou.

A Innopraktika desenvolve projetos educacionais e culturais voltados ao intercâmbio internacional. A iniciativa reúne professores de instituições de ensino de referência da Rússia para trabalhar com estudantes de diferentes países, valorizando experiências culturais e questões contemporâneas e estimulando, por meio da educação e da arte, o diálogo entre diferentes tradições.

UFRJ promove encontro sobre Saúde Coletiva

O Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promove, até esta quarta-feira, 12/8, o 1º Encontro Temático em Saúde Coletiva. Dedicado aos 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), o evento resgata um dos principais marcos da construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e da consolidação do campo da saúde coletiva no Brasil. A programação reúne estudantes, professores, técnicos administrativos e convidados para palestras, debates e oficinas.

Durante a abertura do encontro, na segunda-feira, 10/8, no Auditório Dulce Helena Chiaverini, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, falou sobre sua participação na 8ª CNS, realizada em 1986, durante o processo de redemocratização do país. Para ele, a trajetória da saúde coletiva brasileira está diretamente relacionada à defesa da democracia. “Democracia e saúde estão vinculadas às lutas pela saúde pública, pela saúde coletiva. Sem democracia, nunca teremos uma saúde adequada”, afirmou.

Medronho também destacou os princípios que estruturam o SUS e defendeu a preservação de suas bases. “O princípio da universalidade é fundamental. O princípio da integralidade, o princípio da equidade e o princípio da participação social são inegociáveis”, declarou.

Já a vice-diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/UFRJ), Maria Soledade Simeão, ressaltou a importância da integração entre ensino, pesquisa, formação profissional e políticas públicas de saúde. Segundo ela, é necessário preservar a memória das conquistas históricas da saúde coletiva e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios contemporâneos da área. “O evento é um espaço de debate, de memória e de proposições, reconhecendo a importância das políticas que deram origem ao sistema de saúde”, afirmou.

Os três dias de atividades no Iesc também vão buscar o avanço da proposta de reforma curricular do curso de graduação em Saúde Coletiva da UFRJ. A expectativa é chegar a uma versão final do projeto e viabilizar a implantação do estágio supervisionado, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). “Teremos uma tarefa importante aqui no nosso corpo social, formado por professores, técnicos e estudantes: buscar uma formatação final para nossa proposta de reforma curricular”, disse a diretora do Instituto, Maria de Lourdes Tavares Cavalcanti.

A programação do 1º Encontro Temático em Saúde Coletiva inclui, ainda, oficinas voltadas aos estudantes. Entre as atividades, estão encontros sobre análise de dados na linguagem R e orientações para o preenchimento do Currículo Lattes.

SGTIC celebra 15 anos e destaca trajetória da transformação digital na UFRJ

Os 15 anos da Superintendência-Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foram celebrados, nesta sexta-feira (10/7), em uma cerimônia marcada por lembranças sobre a criação da área e reflexões sobre os desafios da transformação digital da universidade. Reunidos no Salão Nobre do Conselho Universitário, gestores que participaram dessa trajetória destacaram como a tecnologia deixou de ser um serviço de apoio para se tornar uma estrutura essencial ao funcionamento da instituição.

Em seu discurso, o reitor Roberto Medronho afirmou que a comemoração vai além de uma data simbólica e representa o reconhecimento de uma equipe que sustenta diariamente o ensino, a pesquisa, a extensão, a assistência e a administração da UFRJ.

“A tecnologia deixou de ser apenas uma área de apoio. Tornou-se parte essencial da missão universitária”, afirmou. Para o reitor, investir em infraestrutura digital significa fortalecer a produção científica, ampliar a capacidade de inovação e contribuir para a soberania nacional. “Defender a tecnologia pública é defender o conhecimento. Defender o conhecimento é defender a soberania”, destacou.

A atual superintendente da SGTIC, Ana Maria Ribeiro, relembrou sua própria trajetória na UFRJ para mostrar como a evolução tecnológica acompanhou a história da universidade. Das primeiras experiências com cartões perfurados às páginas iniciais da UFRJ na internet, ela destacou que a tecnologia passou a ocupar um papel estratégico em todas as áreas da instituição.

Segundo Ana Maria, a regulamentação recente das competências da SGTIC pelo Conselho Universitário marca uma nova etapa para a Superintendência, que hoje atua em áreas como governança digital, segurança da informação, inteligência artificial, redes, desenvolvimento de sistemas e infraestrutura tecnológica.

“Quem olha para a TIC apenas como infraestrutura não percebe seus inúmeros tentáculos e sua interface com todas as áreas”, disse. Ela também apontou projetos como o supercomputador Fênix, as parcerias com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Faperj e Huawei e a elevada qualificação da equipe técnica da Superintendência.

A professora Cláudia Werner, primeira superintendente da SGTIC, recordou os desafios enfrentados na criação da estrutura em 2011. Ela lembrou que recebeu o convite do então pró-reitor Carlos Levi após participar de um workshop sobre o futuro da tecnologia na universidade e assumiu a missão de organizar uma equipe que ainda era pequena para atender a uma instituição em expansão.

Cláudia recordou a elaboração do primeiro Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTIC) e a criação do então Conselho Gestor de TIC, iniciativas que ajudaram a estruturar a política de tecnologia da UFRJ. Para ela, os desafios continuam, embora assumam novas formas. “As tecnologias mudam. Os problemas continuam os mesmos, apenas com outra roupagem”, resumiu, ao exultar o fortalecimento da governança digital da universidade.

Também presente à cerimônia, o ex-reitor Carlos Antônio Levi relembrou o contexto que levou à criação da SGTIC. Segundo ele, já era evidente que a revolução digital transformaria rapidamente a universidade e exigiria uma gestão específica para responder às novas demandas.

“A transformação acontecia com muita intensidade e rapidez, e era preciso preparar a UFRJ para essa nova realidade”, afirmou, lembrando que um dos primeiros desafios da época foi modernizar a infraestrutura tecnológica da universidade.

A vice-reitora Cássia Turci salientou que celebrar os 15 anos da SGTIC significa reconhecer uma área que mantém a universidade permanentemente conectada e em funcionamento. Ela observou que, muitas vezes, a comunidade universitária só percebe o trabalho da Superintendência quando ocorre algum problema técnico.

Durante a cerimônia foram feitas homenagens aos ex-superintendentes, aos servidores que integram a SGTIC desde sua criação e ao analista de tecnologia da informação Márcio Ayala, homenageado in memoriam na presença de seus familiares.