Vantuil Pereira é reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas

O professor Vantuil Pereira foi reconduzido à decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH/UFRJ) para a gestão 2026-2030. A cerimônia de posse foi realizada nesta quarta-feira, 16/9, no campus da Praia Vermelha. Adriana Patrício Delgado assumiu a vice-decania, ocupada na gestão anterior por Paulo César Castro de Sousa.

À frente do CFCH desde 2022, Vantuil Pereira apontou a defesa dos direitos humanos e da dignidade humana entre os compromissos que pretende manter no segundo mandato. Também citou a autonomia universitária, a liberdade de cátedra, a transparência na gestão dos recursos públicos e a necessidade de recomposição do orçamento da Universidade.

“A recondução não é um cheque em branco. Eu recebo esse mandato com a obrigação e o compromisso de servir ao CFCH e à UFRJ”, afirmou.

Entre as prioridades para os próximos quatro anos, o decano mencionou melhorias na infraestrutura e nas condições de permanência estudantil e defendeu maior participação da comunidade universitária nas decisões da instituição. Vantuil Pereira também incluiu, entre os compromissos da gestão, o enfrentamento ao racismo e a outras formas de violência e discriminação.

O reitor, Roberto Medronho, dedicou parte da sua fala ao papel das Ciências Humanas em uma universidade que é também referência em outras áreas. “Em uma grande universidade, a pergunta ‘o que somos capazes de fazer?’ é absolutamente incompleta. Precisamos também perguntar: por que devemos fazer? Para quem devemos fazer? E que sociedade queremos construir?”, disse Medronho, ressaltando a contribuição das Ciências Humanas para a compreensão dos impactos sociais da produção científica e tecnológica.

Professora da UFRJ desde 2018, Adriana Patrício Delgado iniciou a carreira na educação básica e acumula experiência no ensino superior e em gestão. Em seu discurso de posse, ela apontou o diálogo com os diferentes segmentos da comunidade como princípio para o trabalho no CFCH.

“Nós nos colocamos em defesa do diálogo e da escuta. Um diálogo estabelecido com todos e todas que fazem essa Universidade viva cotidianamente”, declarou.

Paulo César Castro de Sousa deixou a vice-decania após quatro anos, mas permanece na Coordenação de Integração de Extensão do CFCH.

UFRJ comemora 20 anos do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação do campus Praia Vermelha

Na terça-feira, 15/9, foi realizada uma programação comemorativa pelos 20 anos de funcionamento do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Praia Vermelha, no Auditório da Casa da Ciência, em Botafogo. Com o tema “Memórias, trajetórias e futuros da informação”, o evento contou com uma programação diversificada, incluindo conferência, mesa temática, mesa-redonda, homenagens e apresentação musical.

Além do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, participaram da mesa de abertura o decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), Flávio Martins; o diretor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), Marcos Pinto; o coordenador do CBG do campus Praia Vermelha, Danilo Freitas; a representante do Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região (CRB-7), Isaura Soares; o chefe do Departamento de Biblioteconomia, Thayron Rangel; a coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI) da UFRJ, Paula Mello; e o presidente da comissão organizadora dos 20 anos do curso, o professor Gustavo Freire.

Reitor da UFRJ, Roberto Medronho; decano do CCJE, Flávio Martins; e coordenadora do SiBI-UFRJ, Paula Mello | Foto: Erica Gomes (SGCOM/UFRJ)

“Esta comemoração reconhece todas as contribuições feitas ao longo do tempo, mas também nos convida a olhar para o futuro. O grande desafio da nossa sociedade já não é apenas ter acesso à informação, é saber encontrá-la, organizá-la, avaliá-la criticamente e transformá-la em conhecimento. É justamente aí que a Biblioteconomia assume uma importância estrondosa. O bibliotecário e a bibliotecária contemporânea vão muito além da imagem tradicional do profissional que cuida dos livros e das estantes. Formar profissionais capazes de selecionar criticamente as fontes, preservar a memória e democratizar o acesso ao conhecimento, inclusive utilizando as novas tecnologias, é uma missão essencial da universidade pública, e os colegas da Biblioteconomia são fundamentais nessa missão. A UFRJ tem muito orgulho desses 20 anos do curso de Biblioteconomia!”, enfatizou Medronho.

Homenageados: professores aposentados do CBG/UFRJ e familiares que representaram os docentes do curso já falecidos | Foto: CBG/UFRJ

Valorizando as contribuições dos diferentes atores que ajudaram a construir a história do curso, a programação comemorativa propôs um resgate da trajetória do CBG/UFRJ e promoveu uma reflexão sobre os desafios e as perspectivas para a Biblioteconomia e a formação em informação. A iniciativa possibilitou, ainda, o reencontro de docentes, estudantes, egressos, gestores e profissionais que contribuíram para a construção e a consolidação do curso ao longo dessas duas décadas.

Professores do curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Praia Vermelha | Foto: CBG/UFRJ

O evento comemorativo foi organizado por uma comissão de docentes do Departamento de Biblioteconomia do CBG/UFRJ, presidida pelo professor Gustavo Freire, com a colaboração de estudantes do Centro Acadêmico de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação Eliana Taborda, campus Praia Vermelha. Na ocasião, o trabalho do grupo também foi destacado pelo reitor da Universidade. Medronho elogiou o impacto positivo do acolhimento recebido ao chegar ao local, que conseguiu, inclusive, dispersar os efeitos do dia nublado no humor de um carioca como ele.

Estudantes do Centro Acadêmico de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação Eliana Taborda, campus Praia Vermelha, que colaboraram com a comissão organizadora do evento | Foto: CBG/UFRJ

Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação

Vinculado à Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC) da UFRJ, atualmente o curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da UFRJ é oferecido no campus da Praia Vermelha e na Cidade Universitária. Para mais informações, acesse https://depbiblio.facc.ufrj.br/graduacao . No link indicado, também está disponível uma entrevista com as coordenadoras da comissão de implantação do CBG/UFRJ, a professora e bibliotecária Mariza Russo e a bibliotecária Eliana Taborda.

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Escola de Química da UFRJ celebra 93 anos com inovação, debates e abertura da SEQ 2026

O Auditório da Escola de Química (EQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sediou, na quarta-feira, 26/8, a solenidade que marcou a celebração dos seus 93 anos de fundação e a abertura oficial da Semana da Escola de Química (SEQ) 2026. O evento reuniu docentes, técnicos administrativos, estudantes e representantes do setor produtivo para debater o papel estratégico da ciência e o desenvolvimento tecnológico nacional.

A mesa de abertura foi presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e foi composta pela vice-decana do Centro de Tecnologia (CT), Maria Inês Bruno Tavares; pelo diretor da EQ, Papa Matar; e pelo vice-diretor da unidade e presidente da SEQ 2026, Ladimir José de Carvalho. A edição deste ano da SEQ adotou um formato mais compacto, iniciando em uma quarta-feira, com uma programação dinâmica entre os dias 26 e 29/8.

Durante a cerimônia, Medronho defendeu que a solução para os grandes problemas nacionais reside em unir a competência científica acadêmica à criatividade nata do povo brasileiro, destacando a SEQ como um exemplo do protagonismo estudantil e da excelência que se espera de uma universidade pública. O reitor afirmou ainda que os estudantes que ingressam na EQ têm a oportunidade de atuar em um local de excelência, podendo interagir com todo o ecossistema da Universidade.

Reitor Roberto Medronho discursou durante a cerimônia | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

“Se o estudante tiver interesse em trabalhar nas áreas de bioquímica, biomedicina, nós temos não somente os departamentos, mas também a Faculdade de Farmácia, o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, a Faculdade de Medicina. Se o interesse for em tecnologia, temos a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia). Na área de inovação social, temos o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, o Instituto de História. Aqui nesta Universidade, a primeira criada neste país, vocês têm o privilégio de poder interagir e conviver com todas as áreas do conhecimento. E a Escola de Química é uma das instituições que ajuda a construir a história e o prestígio da UFRJ”, disse o reitor.

Tradição, parceria e sentimento de pertencimento

Ao refletir sobre os 93 anos de história e o vigor da instituição, o vice-diretor da EQ, Ladimir José de Carvalho, recorreu a uma metáfora baseada na Odisseia e comparou a Escola de Química à ilha de Ítaca, a terra natal pela qual Ulisses chorava de saudades mesmo diante de todos os confortos de um resort paradisíaco: “Aqui é a nossa Ítaca. É o lugar que nós queremos estar”, declarou, lembrando que em sete anos a instituição celebrará o seu centenário.

Cerimônia marcou a celebração dos 93 anos de fundação da EQ e a abertura oficial da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)

A importância de inovar e crescer mantendo a tradição de excelência também foi defendida pela vice-decana do CT, a professora Maria Inês Bruno Tavares. Ela celebrou a forte interação entre as cinco unidades do Centro de Tecnologia e a sólida parceria entre a EQ e o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA/UFRJ).

Já o diretor da EQ, Papa Matar, chamou a atenção para o que definiu como uma “nova realidade universitária”, caracterizada por mudanças profundas no perfil dos estudantes que hoje ingressam na instituição. Para Matar, esse novo cenário exige que docentes e técnicos dediquem especial atenção à criação de ambientes acolhedores. “Cabe a nós criarmos um ambiente para que o aluno se sinta acolhido”, afirmou o diretor, prestando também um reconhecimento às gestões anteriores que trabalharam continuamente para elevar o patamar acadêmico da unidade.

SEQ consolida diálogo entre Universidade e mercado

Após a solenidade, a programação da SEQ 2026 deu início à sua primeira atividade, a palestra “Pesquisa e Inovação no Grupo L’Oréal – Institucional, Sustentabilidade, Oportunidades e Desafios”, proferida pela diretora científica da L’Oréal Brasil, Verônica Oliveira, e pelo diretor de pesquisa avançada, Túlio Ceretta.

Representantes da L’Oréal Brasil realizaram a primeira palestra da SEQ 2026 | Foto: Fábio Caffé (SGCOM/UFRJ)


A Semana da Escola de Química já faz parte do calendário acadêmico da Escola de Química, contando com uma média de 1.000 inscritos todos os anos. Abrangendo diversas áreas de interesse, com a participação de palestrantes reconhecidos nacionalmente e empresas atuantes no mundo inteiro, o planejamento e a execução da SEQ são liderados pela diretoria, professores e pelo Diretório Acadêmico da Escola de Química (Daeq). A programação completa das atividades pode ser conferida no site oficial do evento.

Escola de Serviço Social da UFRJ empossa nova diretoria em solenidade marcada por afeto e representatividade

O auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Praia Vermelha, foi palco, na sexta-feira, 21/8, de uma emocionante cerimônia de posse da nova diretoria da instituição. Com o auditório ornamentado e repleto de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados, a professora Gracyelle Costa Ferreira assumiu o cargo de diretora, tendo ao seu lado o professor Luis Eduardo Acosta como vice-diretor.

A solenidade, presidida pelo reitor da UFRJ, Roberto Medronho, marcou a transição da gestão liderada anteriormente pelos professores Ana Izabel Moura de Carvalho e Guilherme Silva de Almeida. Também compuseram a mesa de honra da cerimônia a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, e o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Vantuil Pereira.

Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho resgatou a história da Escola de Serviço Social, iniciada na década de 1930, ainda na Universidade do Brasil, consolidando-se como referência intelectual nacional e internacional. Medronho homenageou os professores eméritos José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho, reafirmando que a excelência acadêmica não se dissocia do compromisso prático com a sociedade.

Reitor Roberto Medronho participou da cerimônia na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

“Nossa missão não é formar técnicos para o mercado de trabalho, é formar cidadãos para transformar o mundo. Dirigir uma unidade universitária é assumir a responsabilidade de cuidar das pessoas, defender a pluralidade, promover o diálogo e, ao mesmo tempo, preservar a inquietação intelectual que faz uma universidade avançar”, destacou o reitor.

Despedida emocionada dos ex-diretores 

Os diretores que estão deixando a gestão da ESS expressaram profunda gratidão pela jornada à frente da instituição. O professor Guilherme de Almeida destacou o papel fundamental dos técnicos administrativos e recorreu à poesia de Cora Coralina para resumir o sentimento de dever cumprido: “O que vale da vida não é o ponto de partida, e sim nossa caminhada”.

Mesa de honra da cerimônia de posse na ESS | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Por sua vez, a professora Ana Izabel relembrou os desafios cotidianos e o esforço constante para fortalecer o trabalho coletivo. Citando o educador Paulo Freire, ela enfatizou que “não há educação sem amor”, desejando pleno sucesso aos novos gestores.

Os desafios e as bandeiras da nova gestão

O novo vice-diretor, Luis Eduardo Acosta, destacou sua origem uruguaia e sua vinculação histórica à tradição da reforma universitária de Córdoba. Acosta evocou o pensamento de Álvaro Vieira Pinto, professor histórico da casa, para defender uma universidade que olhe continuamente para os trabalhadores e setores populares que ainda não conseguiram nela ingressar. Ele também alertou para os desafios da “revolução cognitiva” provocada pela inteligência artificial e afirmou que a tecnologia deve ser capitaneada a favor da humanidade e não contra ela.

Gracyelle Costa Ferreira assinou o termo de posse como nova diretora da ESS da UFRJ | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

A nova diretora, Gracyelle Costa Ferreira, compartilhou uma memória marcante de sua caminhada. Em 2025, ao subir as escadas do auditório, ouviu de um trabalhador terceirizado que ela seria a próxima diretora da Escola. Na época, ela sorriu e recusou a ideia, mas a lembrança daquele momento a fez refletir sobre a força coletiva da comunidade escolar, que engloba docentes, técnicos, estudantes e terceirizados. Gracyelle prestou homenagem às suas ancestrais, mulheres trabalhadoras domésticas a quem foi negado o direito à alfabetização, e afirmou com orgulho ser produto direto das políticas de ações afirmativas na graduação. 

“Nós apostaremos na esperança como a práxis coletiva que transforma a escuta em planejamento, que transforma o planejamento em ação compartilhada e ação em aprendizado e construção propositiva. Essa esperança coletiva é maior do que uma equipe de gestão. Ela se concretiza através de vocês, através de nós, porque pessoas que aceitam assumir este ciclo aceitam junto também reafirmar a defesa de uma universidade pública, popular, fundada nos direitos e defendendo os seus direitos mais profundos no que envolve a democracia e os direitos humanos e sociais. É por isso que defender a Escola e o serviço social é também defender a capacidade da UFRJ de responder aos grandes problemas e desafios nacionais”, disse Gracyelle.

Homenagens da comunidade acadêmica

O encerramento da solenidade foi coroado por um momento de emoção, conduzido por aqueles que representam a própria razão de ser da instituição.  O estudante Ezequiel subiu ao palco para presentear a nova diretora com o poema “Flores para você”. Ele dedicou os versos a quem, segundo suas palavras, o incentivou a seguir em frente e a continuar caminhando quando parecia não haver mais saída. 

A nova diretoria da ESS foi homenageada por alunos e ex-alunos | Foto: Divulgação (SGCOM/UFRJ).

Logo em seguida, a assistente social Cristiane, que trilhou toda a sua trajetória acadêmica na Escola, da graduação ao mestrado, e hoje atua na instituição após ser aprovada em concurso público, tomou a palavra. Relembrando com carinho que o vice-diretor Luiz Acosta foi seu professor na graduação e que a nova diretora é uma “colega de trabalho incrível”, Cristiane expressou os sentimentos de toda a comunidade acadêmica. Em nome dos técnicos administrativos, docentes e estudantes, ela desejou à nova gestão uma caminhada repleta de energia, esperança, renovação, compromisso e afeto. Os participantes ainda caíram no samba no final da cerimônia, com a presença de uma bateria que animou o público.

Com uma equipe de gestão motivada, a Escola de Serviço Social da UFRJ inicia este novo capítulo reafirmando seu papel histórico de defesa dos direitos sociais e humanos no Brasil.

UFRJ inaugura Laboratório de Estudos Russos na Faculdade de Letras

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na terça-feira, 11/8, no bloco F da Faculdade de Letras (FL), o Laboratório de Estudos Russos Innopraktika. O novo espaço amplia a cooperação acadêmica e cultural entre o Brasil e a Rússia e cria oportunidades para atividades de ensino, pesquisa, intercâmbio e programação cultural voltadas à comunidade universitária.

A cerimônia reuniu o reitor da UFRJ, Roberto Medronho; o decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Barbosa; o diretor da FL, Roberto de Freitas Junior; a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte; e o cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, Feodosii Alexandrovich Vladyshevskii. Também estiveram presentes alunos e professores da FL.

Para Medronho, o laboratório representa um marco na aproximação entre os dois países. O reitor ressaltou o papel da língua e da cultura na aproximação entre os povos e destacou a trajetória da UFRJ na formação de tradutores, professores e pesquisadores. Segundo ele, o espaço permitirá que estudantes e servidores possam “aprofundar o estudo da língua russa em um ambiente equipado, moderno e voltado à inovação”, disse.

Em participação virtual, a primeira vice-diretora-geral da Innopraktika, Natália Popova, explicou que a iniciativa vai além do ensino da língua russa e funcionará como uma plataforma de aproximação cultural entre os dois países. “Tenho certeza de que nossa cooperação está apenas começando. Temos pela frente muitas palestras, diferentes projetos, estreias de filmes”, afirmou. 

A cooperação com a Rússia integra a estratégia de internacionalização da UFRJ. De acordo com a superintendente-geral de Relações Internacionais, Andreia Lima Belfort Duarte, os acordos firmados entre instituições dos dois países abrangem diferentes áreas do conhecimento e podem ampliar a mobilidade de estudantes, professores e pesquisadores, além do desenvolvimento de projetos conjuntos e da formação de redes internacionais de pesquisa. “Queremos transformar cada acordo em ações efetivas, duradouras e capazes de gerar benefícios para as nossas comunidades universitárias e para as nossas sociedades”, declarou.

A Innopraktika desenvolve projetos educacionais e culturais voltados ao intercâmbio internacional. A iniciativa reúne professores de instituições de ensino de referência da Rússia para trabalhar com estudantes de diferentes países, valorizando experiências culturais e questões contemporâneas e estimulando, por meio da educação e da arte, o diálogo entre diferentes tradições.

UFRJ promove encontro sobre Saúde Coletiva

O Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promove, até esta quarta-feira, 12/8, o 1º Encontro Temático em Saúde Coletiva. Dedicado aos 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), o evento resgata um dos principais marcos da construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e da consolidação do campo da saúde coletiva no Brasil. A programação reúne estudantes, professores, técnicos administrativos e convidados para palestras, debates e oficinas.

Durante a abertura do encontro, na segunda-feira, 10/8, no Auditório Dulce Helena Chiaverini, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, falou sobre sua participação na 8ª CNS, realizada em 1986, durante o processo de redemocratização do país. Para ele, a trajetória da saúde coletiva brasileira está diretamente relacionada à defesa da democracia. “Democracia e saúde estão vinculadas às lutas pela saúde pública, pela saúde coletiva. Sem democracia, nunca teremos uma saúde adequada”, afirmou.

Medronho também destacou os princípios que estruturam o SUS e defendeu a preservação de suas bases. “O princípio da universalidade é fundamental. O princípio da integralidade, o princípio da equidade e o princípio da participação social são inegociáveis”, declarou.

Já a vice-diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/UFRJ), Maria Soledade Simeão, ressaltou a importância da integração entre ensino, pesquisa, formação profissional e políticas públicas de saúde. Segundo ela, é necessário preservar a memória das conquistas históricas da saúde coletiva e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios contemporâneos da área. “O evento é um espaço de debate, de memória e de proposições, reconhecendo a importância das políticas que deram origem ao sistema de saúde”, afirmou.

Os três dias de atividades no Iesc também vão buscar o avanço da proposta de reforma curricular do curso de graduação em Saúde Coletiva da UFRJ. A expectativa é chegar a uma versão final do projeto e viabilizar a implantação do estágio supervisionado, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). “Teremos uma tarefa importante aqui no nosso corpo social, formado por professores, técnicos e estudantes: buscar uma formatação final para nossa proposta de reforma curricular”, disse a diretora do Instituto, Maria de Lourdes Tavares Cavalcanti.

A programação do 1º Encontro Temático em Saúde Coletiva inclui, ainda, oficinas voltadas aos estudantes. Entre as atividades, estão encontros sobre análise de dados na linguagem R e orientações para o preenchimento do Currículo Lattes.

SGTIC celebra 15 anos e destaca trajetória da transformação digital na UFRJ

Os 15 anos da Superintendência-Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foram celebrados, nesta sexta-feira (10/7), em uma cerimônia marcada por lembranças sobre a criação da área e reflexões sobre os desafios da transformação digital da universidade. Reunidos no Salão Nobre do Conselho Universitário, gestores que participaram dessa trajetória destacaram como a tecnologia deixou de ser um serviço de apoio para se tornar uma estrutura essencial ao funcionamento da instituição.

Em seu discurso, o reitor Roberto Medronho afirmou que a comemoração vai além de uma data simbólica e representa o reconhecimento de uma equipe que sustenta diariamente o ensino, a pesquisa, a extensão, a assistência e a administração da UFRJ.

“A tecnologia deixou de ser apenas uma área de apoio. Tornou-se parte essencial da missão universitária”, afirmou. Para o reitor, investir em infraestrutura digital significa fortalecer a produção científica, ampliar a capacidade de inovação e contribuir para a soberania nacional. “Defender a tecnologia pública é defender o conhecimento. Defender o conhecimento é defender a soberania”, destacou.

A atual superintendente da SGTIC, Ana Maria Ribeiro, relembrou sua própria trajetória na UFRJ para mostrar como a evolução tecnológica acompanhou a história da universidade. Das primeiras experiências com cartões perfurados às páginas iniciais da UFRJ na internet, ela destacou que a tecnologia passou a ocupar um papel estratégico em todas as áreas da instituição.

Segundo Ana Maria, a regulamentação recente das competências da SGTIC pelo Conselho Universitário marca uma nova etapa para a Superintendência, que hoje atua em áreas como governança digital, segurança da informação, inteligência artificial, redes, desenvolvimento de sistemas e infraestrutura tecnológica.

“Quem olha para a TIC apenas como infraestrutura não percebe seus inúmeros tentáculos e sua interface com todas as áreas”, disse. Ela também apontou projetos como o supercomputador Fênix, as parcerias com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Faperj e Huawei e a elevada qualificação da equipe técnica da Superintendência.

A professora Cláudia Werner, primeira superintendente da SGTIC, recordou os desafios enfrentados na criação da estrutura em 2011. Ela lembrou que recebeu o convite do então pró-reitor Carlos Levi após participar de um workshop sobre o futuro da tecnologia na universidade e assumiu a missão de organizar uma equipe que ainda era pequena para atender a uma instituição em expansão.

Cláudia recordou a elaboração do primeiro Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTIC) e a criação do então Conselho Gestor de TIC, iniciativas que ajudaram a estruturar a política de tecnologia da UFRJ. Para ela, os desafios continuam, embora assumam novas formas. “As tecnologias mudam. Os problemas continuam os mesmos, apenas com outra roupagem”, resumiu, ao exultar o fortalecimento da governança digital da universidade.

Também presente à cerimônia, o ex-reitor Carlos Antônio Levi relembrou o contexto que levou à criação da SGTIC. Segundo ele, já era evidente que a revolução digital transformaria rapidamente a universidade e exigiria uma gestão específica para responder às novas demandas.

“A transformação acontecia com muita intensidade e rapidez, e era preciso preparar a UFRJ para essa nova realidade”, afirmou, lembrando que um dos primeiros desafios da época foi modernizar a infraestrutura tecnológica da universidade.

A vice-reitora Cássia Turci salientou que celebrar os 15 anos da SGTIC significa reconhecer uma área que mantém a universidade permanentemente conectada e em funcionamento. Ela observou que, muitas vezes, a comunidade universitária só percebe o trabalho da Superintendência quando ocorre algum problema técnico.

Durante a cerimônia foram feitas homenagens aos ex-superintendentes, aos servidores que integram a SGTIC desde sua criação e ao analista de tecnologia da informação Márcio Ayala, homenageado in memoriam na presença de seus familiares.

Fórum debate os caminhos da ciência e da inovação para construir o Brasil de 2050

“A soberania, hoje, depende cada vez mais da capacidade de produzir ciência, dominar tecnologias estratégicas, formar pessoas altamente qualificadas e transformar inovação em melhoria concreta da vida da população.” Com essa reflexão, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, abriu, nesta terça-feira (30/6), o fórum Diálogos para o Futuro – O Brasil em 2050, realizado no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Praia Vermelha. 

Em seu discurso de abertura, Medronho defendeu que pensar o Brasil de 2050 significa assumir, desde já, um compromisso com a construção de uma nação mais justa, sustentável, democrática e soberana. Segundo ele, ciência, tecnologia e inovação devem ocupar posição central nesse projeto. 

“Um país que não investe em ciência depende da inteligência dos outros. Um país que não domina tecnologias críticas se torna vulnerável nas cadeias globais de valor. E um país que não articula universidades, institutos de pesquisa, Estado e setor produtivo perde a oportunidade de transformar sua riqueza natural, cultural e humana em desenvolvimento social”, afirmou.

O reitor também defendeu mudanças no modelo de financiamento da pesquisa científica brasileira. Para ele, o país precisa investir em grandes missões nacionais, articulando universidades, institutos de pesquisa, empresas e governos em torno de desafios estratégicos. 

Entre as prioridades citadas estão a transição energética, o enfrentamento da crise climática, a saúde, a segurança alimentar, a inteligência artificial, os semicondutores, a biotecnologia, o fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde e a neoindustrialização sustentável. “A competição faz parte da ciência, mas ela não pode substituir a cooperação. O país precisa financiar grandes missões nacionais, com recursos robustos, continuidade e visão estratégica”, destacou Medronho.

Ao apresentar o papel da UFRJ nesse processo, Medronho reafirmou o compromisso institucional com o desenvolvimento do país. “Somos uma universidade pública, nacional, comprometida com a excelência acadêmica e com o destino do Brasil. Produzimos ciência, formamos gerações, inovamos, cuidamos de pessoas, preservamos memória e cultura e contribuímos para o pensamento crítico do país”, disse. 

 O reitor defendeu também um novo pacto nacional em defesa da ciência e da inovação. “Que este encontro seja mais do que um seminário. Que seja um chamado à construção de um novo pacto nacional pela ciência, pela tecnologia, pela inovação e pelo desenvolvimento soberano. O Brasil de 2050 começa nas escolhas que fazemos hoje”, observou. 

Promovido pela Revista Fórum, em parceria com a UFRJ, o encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos, representantes do setor produtivo e da sociedade civil para discutir estratégias de desenvolvimento para o país nas próximas décadas.

Extensão e Agenda 2030

A pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, destacou que as universidades têm papel decisivo na construção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e afirmou que a extensão universitária compartilha, em sua essência, os princípios da Agenda 2030. Ela argumentou que os quatro eixos do encontro — transição ecológica, neoindustrialização, desenvolvimento social e democracia, comunicação e inteligência artificial — formam uma agenda integrada para o futuro do país.

Ivana também ressaltou a proposta brasileira de incorporar três novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial), o ODS 19 (Arte, Cultura e Comunicação) e o ODS 20 (Direitos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais). De acordo com a pró-reitora, centenas de ações de extensão desenvolvidas pela UFRJ já contribuem diretamente para essas agendas.

Na abertura do evento, o jornalista Renato Rovai, fundador da Revista Fórum, afirmou que discutir o Brasil de 2050 significa transformar sonhos em projetos concretos de país. Segundo ele, o encontro busca reunir diferentes setores da sociedade para construir propostas capazes de fortalecer a democracia, ampliar as políticas públicas e enfrentar os desafios das próximas décadas.

A programação contou com a participação de pesquisadores, gestores públicos e especialistas de diferentes áreas, entre eles o filósofo Renato Janine Ribeiro, a diretora da Coppe/UFRJ, Suzana Kahn, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, a professora da Escola de Comunicação da UFRJ Ivana Bentes, a cientista Nina da Hora e representantes do BNDES, do governo federal, da Prefeitura de Maricá e de instituições de pesquisa.

Museu da Computação é reinaugurado e amplia preservação da memória da informática brasileira

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reinaugurou nesta terça-feira (17/6) o Museu da Computação, espaço dedicado à preservação da história da informática brasileira e da contribuição da universidade para o desenvolvimento tecnológico do país. Instalado no Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (NCE), o museu apresenta uma nova configuração expositiva, resultado de um amplo processo de revitalização realizado nos últimos anos.

A história do museu começou há quase uma década. Seu marco inicial ocorreu em 2017, quando foi inaugurada a primeira versão do espaço, fruto do trabalho de pesquisadores, servidores e colaboradores empenhados em preservar equipamentos, documentos e sistemas desenvolvidos na UFRJ ao longo de décadas.

A reinauguração foi viabilizada por recursos obtidos em edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltado à revitalização de espaços científico-culturais. O investimento permitiu a realização de obras de adequação, a criação de uma nova expografia, a ampliação do acervo exposto e a modernização da experiência de visitação.

O Museu da Computação reúne artefatos tecnológicos produzidos entre as décadas de 1970 e o início dos anos 2000, período em que a UFRJ se destacou como um dos principais centros brasileiros de desenvolvimento em informática. O acervo preserva equipamentos, protótipos, documentos e sistemas criados nos laboratórios da universidade em uma época marcada pelos esforços nacionais para construir autonomia tecnológica e fortalecer a indústria brasileira de computação.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou que a preservação dessa memória é estratégica para o país em um contexto de rápidas transformações tecnológicas. “Conhecer a nossa história nos permite compreender que o Brasil não está condenado a ser apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior. Temos capacidade para produzir conhecimento, inovar e criar caminhos próprios”, afirmou.

Para o reitor, o museu também representa uma reflexão sobre soberania nacional. “Preservar essa memória é especialmente importante em um momento em que as tecnologias digitais, a inteligência artificial, o processamento de grandes volumes de dados e a cibersegurança se tornam dimensões estratégicas da soberania nacional”, destacou.

A coordenadora do museu, Ana Lúcia Rodrigues, destacou que o espaço busca mostrar que a história da computação vai muito além da rápida sucessão de tecnologias. “A computação é sempre orientada para o futuro. O Museu da Computação da UFRJ abre suas portas para provar que a computação tem, sim, muita história para contar”, argumentou.

O acervo apresenta os resultados de um período em que pesquisadores brasileiros desenvolveram soluções tecnológicas próprias e contribuíram para a formação de profissionais altamente qualificados. “Orgulhosamente reforçamos que o museu apresenta os resultados da construção de uma identidade nacional na área de computação e expõe os frutos do conhecimento produzido na UFRJ entre as décadas de 1970 e o início dos anos 2000”, disse.

A diretora do Instituto Tércio Pacitti, Angélica Fonseca da Silva Dias, ressaltou que o museu preserva não apenas equipamentos históricos, mas também a trajetória de pessoas que ajudaram a construir a ciência e a tecnologia no Brasil. “O Museu da Computação nasce da convicção de que conhecer nossa trajetória é essencial para construir o futuro. Cada equipamento, documento, fotografia e relato preservados representa um capítulo da história da ciência, da tecnologia e da inovação em nosso país”, observou.

Já o decano do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), Cabral Lima, destacou a importância da preservação da memória para a produção de novos conhecimentos. “A computação tem história. Tudo aquilo que queremos transmitir às próximas gerações precisa ser preservado. Conhecer o passado é essencial para construir o futuro”, disse.

Além de preservar a memória da computação brasileira, o museu foi concebido como espaço de ensino, pesquisa, extensão e divulgação científica. A proposta inclui atividades educativas, ações de acessibilidade, exposições temáticas e o uso de recursos digitais capazes de aproximar diferentes públicos da história da tecnologia produzida no país.

Após os pronunciamentos, foi realizado o descerramento da placa inaugural e a visitação ao espaço, que passa a integrar a rede de museus e centros de memória da UFRJ.

Instituto de Nutrição Josué de Castro celebra 80 anos de história, ciência e compromisso social

“Ao escrever obras fundamentais, como Geografia da Fome e Geopolítica da Fome, Josué de Castro retirou a fome do campo da fatalidade e a colocou no centro da responsabilidade política e social. Demonstrou que a fome tem causas concretas e que, portanto, pode e deve ser superada pela ação humana. Essa compreensão permanece extraordinariamente atual.”

Com essa reflexão, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, resumiu o espírito da celebração dos 80 anos do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), realizada nesta terça-feira (16/6). A solenidade homenageou a trajetória de uma das unidades mais tradicionais da universidade e destacou a atualidade do legado de Josué de Castro, pioneiro nos estudos sobre a fome e a segurança alimentar.

Realizada no Auditório Professora Maria Thereza Loureiro Lima, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), a cerimônia reuniu estudantes, docentes, técnicos-administrativos e representantes da administração central da universidade para celebrar oito décadas de uma instituição que se tornou referência nacional no ensino, na pesquisa e na extensão na área da alimentação e nutrição.

Criado em 1946, o instituto carrega o nome de um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX. Médico, pesquisador, professor e diplomata, Josué de Castro revolucionou a compreensão sobre a fome ao demonstrar que ela não era resultado da escassez natural de alimentos, mas consequência de estruturas sociais e econômicas injustas.

Durante a solenidade, Medronho ressaltou a atualidade do pensamento de Josué de Castro e a relevância do trabalho desenvolvido pelo instituto ao longo de suas oito décadas de existência. “O maior legado desta instituição talvez esteja na capacidade de articular excelência acadêmica e compromisso público. A ciência encontra sua expressão mais elevada quando se coloca a serviço da vida, da dignidade e da transformação da sociedade”, afirmou.

Em sua fala, o reitor destacou ainda que o instituto ajudou a consolidar a nutrição como campo científico e profissional no Brasil, formando gerações de profissionais comprometidos com a saúde pública, a segurança alimentar e a justiça social. “Que as novas gerações continuem honrando a visão pioneira de Josué de Castro, reafirmando que a fome não é uma fatalidade e que a alimentação adequada não é um privilégio: é um direito”, conclamou.

Representando a família do patrono, Ricardo de Castro, neto de Josué de Castro, emocionou o público ao lembrar que a obra do avô continua inspirando os debates contemporâneos sobre alimentação, desigualdade e desenvolvimento. “Josué compreendeu cedo que a fome não era fruto da natureza, da seca ou da escassez inevitável de alimentos. A fome era produzida por estruturas sociais injustas, pela desigualdade de renda, pela concentração da terra e pela ausência de políticas públicas”, observou.

Para Ricardo, o instituto mantém vivo não apenas o nome, mas também o método de pensamento deixado pelo fundador. “Ao dar nome a este instituto, Josué não está presente apenas como memória. Ele está presente como método, uma forma de olhar para a nutrição de maneira ampla, interdisciplinar e comprometida com a transformação da realidade social”, disse.

A diretora do INJC, Avany Fernandes Pereira, destacou o papel da comunidade acadêmica na construção da história da unidade e definiu o instituto por quatro palavras: formar, acolher, refletir e agir. Em sua fala, agradeceu a dedicação de docentes, técnicos, estudantes e trabalhadores terceirizados que contribuíram para o fortalecimento da instituição ao longo dos anos.

Já a vice-diretora Verônica Oliveira ressaltou o desafio permanente de construir o futuro sem perder de vista o legado deixado por Josué de Castro. Segundo ela, o instituto segue produzindo conhecimento e formando profissionais comprometidos com uma alimentação mais justa, adequada e acessível para toda a população.

O decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti, também enfatizou a atualidade das questões enfrentadas pelo instituto. Em seu discurso, lembrou que desafios como a fome, a insegurança alimentar, as mudanças climáticas e a desinformação nutricional reforçam a importância da atuação da unidade na formação de profissionais críticos e comprometidos com a transformação social.

A cerimônia foi aberta por uma apresentação especial do médico pediatra, pesquisador e compositor Antônio Ledo, que interpretou a canção Tributo ao INJC e Josué de Castro, composta especialmente para a celebração dos 80 anos do instituto. A música aborda momentos marcantes da trajetória de Josué de Castro e destaca seu legado científico, humanista e político no combate à fome.

Em versos que lembram obras de Josué de Castro e a atuação do intelectual pernambucano na denúncia das desigualdades sociais, a composição homenageou aquele que transformou a compreensão da alimentação em um tema central para a construção de uma sociedade mais justa.

Ao longo de oito décadas, o Instituto de Nutrição Josué de Castro consolidou-se como uma referência nacional no ensino, na pesquisa e na extensão. A unidade oferece o tradicional curso de graduação em Nutrição, criado em 1948, participou da implantação do curso de Nutrição da UFRJ em Macaé e foi responsável pela criação, em 2011, do primeiro curso público de Gastronomia da Região Sudeste.

Hoje, o instituto também atua na formação de estudantes de diferentes áreas da saúde e mantém programas de pós-graduação reconhecidos nacionalmente, contribuindo para a produção de conhecimento e para a formulação de políticas públicas voltadas à alimentação e à nutrição.

Ao encerrar a cerimônia, a comunidade acadêmica foi convidada a visitar a exposição Identidade e Memória: 80 anos do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, que reúne fotografias históricas e capas de livros produzidos por docentes e técnicos da unidade, celebrando a trajetória de uma instituição cuja história se confunde com a própria luta pelo direito humano à alimentação adequada no Brasil.