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Eventos

UFRJ promove encontro internacional sobre crise climática e cenário global

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou nesta quinta-feira (22/5), na Inovateca, o 6º Encontro Anual Internacional – CCS em Faces 2026, promovido pelo Centro de Ciências da Saúde (CCS), por meio da Coordenação de Relações Internacionais (CRI). Com o tema “Crise Climática e o Cenário Global”, o evento reuniu pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater os desafios impostos pelas mudanças climáticas e suas consequências para a saúde pública, o meio ambiente e as relações internacionais.

Na abertura do encontro, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou a necessidade de articulação entre ciência, políticas públicas e cooperação internacional para enfrentar a crise climática. Em seu discurso, afirmou que o tema representa “talvez o maior desafio civilizatório do nosso tempo”.

Medronho ressaltou ainda que os efeitos das mudanças climáticas já impactam diretamente a vida das populações em todo o planeta, especialmente os grupos mais vulneráveis. “A crise climática não é uma abstração distante. Ela já se manifesta no aumento da frequência de eventos extremos, na intensificação de enchentes, secas e ondas de calor, na insegurança hídrica e nos impactos sobre a biodiversidade e a saúde humana”, afirmou.

Ao defender o papel da universidade pública diante desse cenário, Medronho destacou a importância da integração entre diferentes áreas do conhecimento e do fortalecimento da cooperação internacional. Segundo ele, a UFRJ tem ampliado suas parcerias acadêmicas com instituições estrangeiras, especialmente com universidades dos países do Brics, como parte da estratégia de internacionalização da instituição.

O decano do CCS, Luiz Eurico Nasciutti, enfatizou o caráter simbólico desta edição do encontro, que coincide com os 12 anos de criação da Coordenação de Relações Internacionais do centro. Para ele, a internacionalização se consolidou como um eixo estratégico para a produção do conhecimento e o fortalecimento institucional do CCS.

“Em um cenário marcado pela intensificação da crise climática e de seus impactos sobre a saúde, o meio ambiente e as desigualdades sociais, torna-se indispensável promover reflexões interdisciplinares e intersetoriais capazes de aproximar ciência, políticas públicas e sociedade”, afirmou o decano.

Ao longo do dia, o encontro promoveu debates sobre crise climática e cenário global, acordos internacionais, gestão ambiental e gestão pública da saúde. A programação contou com pesquisadores da UFRJ, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Universidade de Beihang, na China.   A superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ, Andrea Belfort, o coordenador de Relações Internacionais do CCS, Andrew Macrae, e a chefe de gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca, também participaram do evento, entre outros.   

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Reunião no MEC

Em Brasília, reitor da UFRJ apresenta ao MEC demandas por obras, moradia estudantil e projetos estratégicos

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, cumpriu na terça-feira (19/5) uma agenda de reuniões em Brasília voltada à captação de recursos e ao acompanhamento de projetos estratégicos da universidade. Em encontro no Ministério da Educação (MEC), o reitor apresentou demandas relacionadas à infraestrutura, assistência estudantil, moradia universitária e divulgação científica.

A reunião contou com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini; do secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinícius David; e da chefe de gabinete da Reitoria da UFRJ, Fabiana Fonseca.

A necessidade de recursos para a modernização da infraestrutura elétrica do prédio histórico do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História foi um dos temas discutidos no encontro. Na ocasião, o ministro autorizou a emissão da Certificação de Disponibilidade Orçamentária (CDO), etapa necessária para o repasse dos recursos que permitirão à UFRJ iniciar o processo licitatório da obra.

O IFCS foi contemplado na chamada interna da UFRJ para o edital FINEP Expansão 2025, com um projeto de R$ 6,5 milhões destinado à modernização da infraestrutura elétrica do prédio histórico.

Outro ponto apresentado ao MEC foi o projeto Minha Casa, Minha Vida Estudantil, proposta defendida pela UFRJ para criação de uma modalidade específica de habitação estudantil. A iniciativa busca ampliar a oferta de moradia para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, fortalecendo as políticas permanentes de assistência estudantil da universidade.

Durante a reunião, Medronho também detalhou o andamento de obras e projetos estruturantes em curso na universidade, como a reconstrução do Museu Nacional, a revitalização do Canecão e as contrapartidas previstas para a Praia Vermelha.

O reitor aproveitou ainda o encontro para convidar o ministro para agendas institucionais previstas na universidade, entre elas a inauguração de novos leitos dos hospitais contratualizados pelo HU Brasil no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), a próxima edição do Festival do Conhecimento da UFRJ e a abertura da nova exposição temporária do Museu Nacional.

Participaram da reunião o reitor Roberto Medronho; o ministro da Educação, Leonardo Barchini; o secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinícius David; e a chefe de gabinete da Reitoria da UFRJ, Fabiana Fonseca. Foto: Divulgação

Ecossistema Minerva de divulgação científica

Outro destaque da agenda foi a apresentação do projeto Minerva, ecossistema de divulgação científica e cultural da universidade. O ministro recebeu exemplares das três edições já lançadas da revista e elogiou a iniciativa, destacando a importância de ampliar a comunicação da produção científica desenvolvida nas universidades públicas.

O projeto reúne portal de notícias, revista impressa bimestral, redes sociais integradas, conteúdos multimídia e um banco de fontes de pesquisadores da universidade. A proposta prevê ainda novos produtos, como a versão infantojuvenil Minervinha, podcasts e ferramentas de monitoramento da imagem institucional da UFRJ. O objetivo da iniciativa é aproximar a produção acadêmica da sociedade e ampliar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na universidade.

A agenda em Brasília ocorreu em meio aos desafios orçamentários enfrentados pela universidade. Dados da Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3) apontam um déficit inicial de R$ 110,8 milhões, em 2026, nas despesas discricionárias, considerando custos de funcionamento, contratos, manutenção e despesas pendentes acumuladas de anos anteriores.

Reivindicações dos estudantes

No Rio, representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e de centros acadêmicos entregaram, na terça-feira (19/5), um documento com reivindicações à vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci. O encontro reuniu representantes das pró-reitorias de Graduação (PR-1), Gestão e Governança (PR-6), Políticas Estudantis (PR-7), Ouvidoria e outros setores da universidade.

Entre os pontos apresentados estão a reversão do corte de bolsas de monitoria e extensão, a implementação do protocolo de segurança aprovado pelo Conselho Universitário (Consuni), melhorias na acessibilidade para estudantes com deficiência, incluindo intérpretes de Libras, além de demandas relacionadas à alimentação oferecida nos restaurantes universitários.

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Nota de Pesar

UFRJ lamenta a morte de Noca da Portela, doutor honoris causa da Universidade

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lamenta profundamente a morte do sambista, compositor e baluarte da cultura popular brasileira Noca da Portela, ocorrida neste domingo (17/5), aos 93 anos. Autor de mais de 500 canções e um dos nomes mais importantes da história da Portela e do samba carioca, Noca deixa um legado marcado pela defesa da cultura popular, pela militância política e por uma obra que atravessou gerações.

Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, com o nome de Osvaldo Alves Pereira, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Começou cedo na música e, aos 14 anos, já compunha sambas-enredo. Em 1967, a convite de Paulinho da Viola, passou a integrar a ala de compositores da Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, tornando-se um de seus principais baluartes e autor de sambas campeões que marcaram a história da agremiação.

Além da trajetória na avenida, Noca construiu uma carreira marcada pelo engajamento social e político. Participou de movimentos culturais e democráticos, compôs jingles históricos e fez do samba também instrumento de memória, resistência e afirmação popular.

Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura brasileira, a UFRJ concedeu ao sambista o título de doutor honoris causa em agosto de 2020, em cerimônia virtual realizada durante a pandemia de Covid-19. A homenagem foi celebrada presencialmente em junho de 2022, em sessão solene marcada pela emoção e pelo reconhecimento à importância de sua obra para o cancioneiro nacional e para a história da resistência à ditadura civil-militar de 1964.

Na ocasião, Noca agradeceu à Universidade pela honraria e afirmou estar “recebendo flores em vida”. O parecer que fundamentou a concessão do título destacou sua relevância para a música brasileira e seu papel como voz ativa da cultura popular e da memória democrática do país.

Ao longo dos anos, Noca manteve uma relação próxima com a UFRJ e participou de diferentes iniciativas ligadas à valorização da cultura popular. Em fevereiro deste ano, a Universidade apoiou o projeto do Centro Cultural Casa do Noca, iniciativa voltada à preservação de seu acervo e de sua trajetória artística, articulada pela Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA).

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, amigo de longa data do compositor, também dividiu com Noca parcerias musicais e composições de samba ao longo dos anos. Ele lamentou a perda do artista e lembrou sua generosidade e alegria: “Era uma pessoa cheia de vida”.

O velório será realizado amanhã (19/5), na quadra da Portela, em Madureira, com cerimônia aberta ao público. Noca da Portela deixa filhos, netos, bisnetos e uma obra fundamental para a história do samba e da cultura brasileira.

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Eventos

UFRJ inaugura Centro de Livros da China na Faculdade de Letras

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, na quarta-feira (13/5), o Centro de Livros da China, instalado na Faculdade de Letras. A iniciativa é fruto da cooperação entre a UFRJ e o Grupo de Publicações Internacionais da China (China International Publishing Group – CIPG) e contou ainda com a participação do Instituto Confúcio da UFRJ, da China International Book Trading (Group) Co. Ltd. (CIBTC) e do Instituto de Inovação Beihang no Brasil (BIIB).

A cerimônia reuniu autoridades acadêmicas e diplomáticas brasileiras e chinesas, além de estudantes, pesquisadores e representantes da comunidade universitária. O evento incluiu a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a UFRJ e o CIPG, seguida do descerramento da placa alusiva à criação do centro.

Durante a solenidade, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que o novo espaço simboliza o fortalecimento das relações acadêmicas e culturais entre os dois países. “O China Book Centre nasce não apenas como um espaço de leitura, mas como um centro de circulação de ideias, de aproximação acadêmica e de intercâmbio cultural”, disse o reitor.

Segundo Medronho, a criação do centro representa mais do que a chegada de um acervo bibliográfico à universidade. “A criação de um centro dedicado ao livro chinês na UFRJ é muito mais do que a chegada de um acervo bibliográfico. É a abertura de uma janela para uma civilização milenar”, afirmou.

O reitor observou ainda que a cooperação entre Brasil e China deve ir além das relações econômicas. “As relações entre Brasil e China não podem se limitar ao comércio, aos investimentos ou à infraestrutura. Elas precisam também se apoiar no conhecimento mútuo, na formação de novas gerações, na compreensão cultural, no diálogo acadêmico e na cooperação científica”, argumentou.

Medronho também mencionou a importância estratégica da parceria entre a UFRJ e a Universidade de Beihang, uma das principais instituições chinesas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, além do papel desempenhado pelo Instituto Confúcio na aproximação entre os dois países.

A cerimônia foi realizada ao lado da Biblioteca José de Alencar, da Faculdade de Letras, considerada pelo reitor um dos maiores patrimônios acadêmicos e culturais da universidade brasileira. Em seu pronunciamento, Medronho lembrou que o espaço abriga mais de 400 mil volumes e cerca de 8 mil obras raras autografadas.

Para o vice-presidente do Grupo de Publicações Internacionais da China, Xie Gang, o centro representa um novo passo no aprofundamento das relações culturais entre Brasil e China. Em discurso realizado em chinês, com tradução simultânea para o português, ele afirmou que o espaço deverá funcionar como um ambiente permanente de intercâmbio acadêmico e intelectual.

“Continuaremos atualizando recursos bibliográficos de qualidade e realizando regularmente palestras, encontros de leitura e atividades culturais para promover o intercâmbio entre os dois povos”, afirmou. 

Xie Gang também falou sobre a importância da tradução e da circulação de obras literárias e acadêmicas entre os países, citando a recente publicação, em chinês, do livro O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Segundo ele, iniciativas desse tipo contribuem para ampliar o conhecimento mútuo entre as sociedades brasileira e chinesa.

A cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, Tian Min, afirmou que o relacionamento entre Brasil e China vive “o melhor momento histórico” e enfatizou o papel da educação, da ciência e da cultura no fortalecimento da cooperação bilateral.

“Os livros são pontes importantes para o diálogo entre diferentes civilizações”, declarou a diplomata, que também defendeu a ampliação dos intercâmbios acadêmicos e culturais entre os dois países.

De acordo com Tian Min, o novo centro deverá se consolidar como um espaço de promoção da cultura chinesa no Brasil e de fortalecimento das relações entre universidades, pesquisadores e estudantes brasileiros e chineses.

Em seu discurso, o decano do Centro de Letras e Artes (CLA), Afrânio Gonçalves Barbosa, ressaltou a importância da inauguração do espaço para o fortalecimento das relações acadêmicas e culturais entre Brasil e China. Lembrou ainda que o intercâmbio da Faculdade de Letras com instituições chinesas começou há 16 anos e afirmou que a parceria vem ampliando oportunidades de cooperação, ensino e troca cultural entre os dois países.

A cerimônia de inauguração do novo centro foi realizada ao lado da Biblioteca José de Alencar, da Faculdade de Letras, apontada como um dos maiores patrimônios acadêmicos e culturais da universidade brasileira. O espaço abriga mais de 400 mil volumes e cerca de 8 mil obras raras autografadas.

Participaram da solenidade a vice-reitora da UFRJ, Cassia Turci; o diretor da Faculdade de Letras, Roberto de Freitas Junior; a chefe de gabinete da Reitoria, Fabiana Fonseca; a superintendente-geral de Relações Internacionais da UFRJ, Andrea Lima Belfort Duarte; o diretor da Escola de Química, Papa Matar Ndiaye; e o diretor chinês do Instituto Confúcio da UFRJ, Jiang Quanhong, entre outros. 

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Direto da Reitoria

Diretores e decanos debatem protocolo institucional para situações de violência urbana

A Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveu, na terça-feira (12/5), uma reunião com diretores de unidades e decanos para discutir a proposta de Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana, que deverá ser votada amanhã (14/5) no Conselho Universitário (Consuni). O texto estabelece diretrizes para a atuação institucional em situações de operações policiais, confrontos armados e outros episódios de violência que impactam a rotina acadêmica e administrativa da universidade.

A discussão expôs diferentes preocupações da comunidade universitária sobre os impactos da violência urbana na vida acadêmica, na mobilidade e na permanência estudantil, além dos limites legais e operacionais da universidade diante de uma crise de segurança pública que afeta diariamente a cidade do Rio de Janeiro.

Durante a reunião, o reitor Roberto Medronho destacou que a universidade precisa atuar dentro dos limites legais previstos pelo ordenamento jurídico brasileiro. “O que nós vamos precisar ter muita sabedoria na decisão do Conselho Universitário é assegurar a legalidade das nossas decisões e o acolhimento real do corpo social que está vulnerável à violência urbana”, afirmou o reitor.

Medronho também ressaltou que a autonomia universitária não permite decisões à margem da legislação. “Alguns colegas confundem autonomia com soberania. Soberania é uma coisa, autonomia é outra. A autonomia universitária é prevista na Constituição, mas não nos coloca à margem do arcabouço jurídico do Estado Democrático de Direito”, disse.

No início da reunião, Carlos Frederico Leão Rocha, do Instituto de Economia, um dos conselheiros que pediu vistas ao processo no Consuni, apresentou suas considerações sobre a proposta e destacou a necessidade de clareza jurídica e administrativa nas decisões tomadas pela universidade. Segundo ele, a resolução surge em resposta à pressão para que a UFRJ tenha protocolos definidos diante de operações policiais e confrontos armados.

Um dos pontos centrais do debate foi a impossibilidade jurídica de abono de faltas em casos relacionados à violência urbana. Carlos Frederico ressaltou que a legislação não permite esse tipo de medida e alertou para os riscos administrativos e jurídicos envolvidos.

Ele também chamou atenção para o debate sobre o conceito de atividades essenciais dentro da universidade. Carlos Frederico observou que a legislação não permite tratar aulas como atividades essenciais nos termos previstos em lei. “As aulas não podem ser realizadas como atividades essenciais”, disse, ao ponderar que hospitais universitários, segurança e setores estratégicos precisam permanecer funcionando mesmo em situações críticas.

A definição de quais atividades podem ser consideradas essenciais em situações de crise foi um dos pontos que esteve no centro do debate. Na reunião, os participantes destacaram que a legislação federal já estabelece critérios para a caracterização jurídica de serviços essenciais, relacionados a atividades inadiáveis, como assistência médica, abastecimento de água, energia e transporte, o que impede o enquadramento das atividades de ensino nessa categoria.

Ao longo do encontro, os professores relataram as dificuldades enfrentadas diariamente para tomar decisões em meio a operações policiais e interrupções na mobilidade urbana. A preocupação com a comunicação rápida à comunidade universitária foi um dos temas mais recorrentes.

A diretora da Faculdade de Educação, Ana Paula de Abreu Costa de Moura, defendeu cautela em relação à suspensão de aulas presenciais e ao uso recorrente do ensino remoto como alternativa diante da violência urbana. Para ela, a universidade não pode naturalizar a substituição das atividades presenciais. “Está se tornando muito recorrente e costumeiro esse negócio de ‘vamos suspender aula’, ‘vamos colocar no remoto’”, afirmou.

Ana Paula também criticou o que considera uma transferência indevida da responsabilidade pela crise de segurança pública para a universidade. “Parece que todo o problema de segurança pública do Rio de Janeiro é responsabilidade da UFRJ”, disse.

Em sua avaliação, a instituição precisa denunciar a escalada da violência e seus impactos sobre estudantes e trabalhadores, sem abrir mão da ocupação dos espaços universitários. Ana Paula alertou ainda para os efeitos do avanço do ensino remoto sobre a vida acadêmica e para o risco de esvaziamento dos campi.

Outros dirigentes também destacaram os impactos desiguais da violência sobre estudantes de baixa renda e moradores de territórios periféricos. Ana Izabel Moura de Carvalho, diretora da Escola de Serviço Social, relatou as dificuldades enfrentadas por alunos que vivem em áreas conflagradas e dependem de longos deslocamentos para chegar aos campi.

Ao encerrar a reunião, o reitor Roberto Medronho afirmou que a intenção da administração central é construir decisões coletivas e mais seguras para toda a universidade. “O que nós queremos é manter nossas atividades e, fundamentalmente, garantir a segurança de todo o nosso corpo social, incluindo também os nossos terceirizados e os nossos pacientes”, declarou.

A proposta em discussão no Consuni prevê a criação de um gabinete de crise responsável por coordenar respostas institucionais diante de episódios de violência urbana, além da adoção de um sistema de níveis de segurança sinalizados por cores (azul, verde, amarelo e vermelho) para orientar medidas e protocolos de atuação.

O texto também estabelece competências para diferentes setores da administração central, incluindo Reitoria, Pró-Reitorias, Prefeitura Universitária e Superintendência-Geral de Comunicação Social (SGCOM), responsáveis pelo monitoramento, comunicação e operacionalização das medidas previstas no plano de contingência.

A proposta será apreciada pelo Consuni na reunião desta quinta-feira (14/5). O debate mobiliza diferentes setores da universidade em torno do desafio de conciliar segurança, continuidade das atividades acadêmicas e preservação da vida universitária em uma cidade marcada pela violência armada.

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Posse

Reitor empossa nova direção da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo para a gestão 2026-2030

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou nesta sexta-feira (8/5) a cerimônia de posse da nova direção da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) para a gestão 2026-2030. O professor Alexandre José de Souza Pessoa assumiu o cargo de diretor da unidade ao lado do vice-diretor, professor Carlos Eduardo Nunes Ferreira, em solenidade realizada no Salão Nobre do Conselho Universitário, no edifício Jorge Machado Moreira, na Cidade Universitária.

Em seu discurso, Alexandre Pessoa destacou a trajetória histórica da FAU e reafirmou o compromisso da nova gestão com a defesa da universidade pública, da inovação e da formação crítica dos estudantes. O novo diretor lembrou que a escola completa, em 2026, 200 anos do ensino de arquitetura no Brasil e 80 anos como unidade independente da UFRJ.

“200 anos não são apenas um número expressivo, são uma marca profunda na formação desse país. Por mais de um século fomos a única escola de arquitetura do Brasil. Isso significa que grande parte dos arquitetos que pensaram, desenharam e construíram esse país passaram por aqui”, afirmou Pessoa.

Ao longo do pronunciamento, o novo diretor ressaltou o papel histórico da FAU na formação da arquitetura e do urbanismo brasileiros, lembrou a participação da unidade na criação de instituições como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o CREA-RJ, além da atuação da faculdade em projetos estratégicos da universidade, como os estudos para moradias estudantis no campus da Cidade Universitária.

Alexandre Pessoa também destacou os desafios enfrentados pela universidade pública diante do subfinanciamento e defendeu a ampliação das políticas de inclusão e permanência estudantil.

“A Universidade pública brasileira é um patrimônio da sociedade, é um espaço de produção de conhecimento, de formação cidadã e de construção de alternativas para o país”, declarou.

O novo diretor ainda defendeu a aproximação entre arquitetura, tecnologia e compromisso social. Segundo ele, ferramentas como inteligência artificial, modelagem digital e fabricação avançada já fazem parte da realidade profissional e precisam integrar a formação acadêmica de forma crítica e responsável.

“Queremos uma escola que prepare profissionais capazes de atuar em múltiplas frentes, que saibam projetar, pesquisar, ensinar, inovar e também criar novas formas de inserção no mundo do trabalho”, disse.

Na cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, ressaltou a relevância histórica da FAU para a universidade e para o desenvolvimento nacional, destacando a contribuição da unidade para o pensamento urbano, a formulação de políticas públicas e a transformação das cidades brasileiras.

“A FAU é uma dessas grandes expressões da nossa inteligência pública brasileira. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de arquitetos, urbanistas, pesquisadores, professores, gestores públicos e profissionais que ajudaram a pensar, a projetar e a transformar os espaços urbanos, as cidades, os edifícios, os territórios e mesmo o modo de vida”, afirmou o reitor.

Medronho também destacou o papel da arquitetura e do urbanismo diante dos desafios contemporâneos, como desigualdade social, sustentabilidade e planejamento urbano. “Em um país como o nosso, marcado por profundas desigualdades sociais e territoriais, a arquitetura e o urbanismo não podem ser vistos como mero campo técnico ou estético. São também campos políticos, científicos, econômicos e civilizatórios”, disse.

O reitor ainda enfatizou a importância da excelência acadêmica e da inovação como pilares da universidade pública e defendeu investimentos estruturantes para fortalecer a educação, a ciência e a tecnologia no país. 

Ao passar o cargo para o novo diretor da FAU, Guilherme Carlos Lassance destacou em seu discurso o caráter coletivo da gestão encerrada e a importância da continuidade institucional na universidade pública. Ele ressaltou a parceria com Alexandre Pessoa ao longo dos últimos quatro anos e afirmou que muitas das realizações da gestão foram construídas de forma compartilhada.

“Queria reforçar a importância dessa continuidade. A gente entende também que existem projetos de Estado e não de governo. Numa democracia madura, precisamos compreender essas continuidades para além das veleidades de cada gestão”, afirmou Lassence. E lembrou que Alexandre Pessoa “já foi diretor durante quatro anos”, em referência à atuação como vice-diretor na gestão anterior.

A cerimônia contou ainda com a presença do decano do Centro de Letras e Artes, professor Afrânio Gonçalves Barbosa, além de docentes, técnicos-administrativos, estudantes e convidados.

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Nota Oficial

Nota oficial

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comunica à comunidade universitária e à sociedade que, por decisão liminar proferida pelo Juízo da 26ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL Nº 5043357-62.2026.4.02.5101/RJ), foi determinada a suspensão do pregão eletrônico destinado à contratação de empresa para fornecimento de alimentação à Universidade, que se encontrava em curso nesta data.


A UFRJ informa que cumprirá integralmente a decisão judicial, em estrita observância ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da legalidade e da transparência que regem a administração pública.


A contratação em questão tem por objetivo assegurar a continuidade de um serviço essencial à comunidade universitária, especialmente aos estudantes usuários dos restaurantes universitários, razão pela qual a Universidade, por intermédio de sua Procuradoria Federal, analisará imediatamente os fundamentos da decisão judicial e adotará as providências jurídicas e administrativas cabíveis para resguardar o interesse público e a continuidade da prestação do serviço.


A UFRJ reafirma seu compromisso com a legalidade, a lisura dos processos licitatórios e a garantia da assistência estudantil, mantendo a comunidade informada sobre os desdobramentos do caso.

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Homenagens e títulos

UFRJ concede título de doutor honoris causa ao cardiologista português Fausto Pinto

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta segunda-feira (5/5) o título de doutor honoris causa ao médico cardiologista português Fausto José da Conceição Alexandre Pinto. A homenagem, realizada em sessão solene do Conselho Universitário, reconhece a trajetória internacional do pesquisador e sua contribuição para a ciência, a formação médica e o fortalecimento da cooperação acadêmica entre Brasil e Portugal na área da saúde. A cerimônia ocorreu no Auditório Halley Pacheco, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto tem uma trajetória marcada pela atuação em instituições científicas internacionais e pela defesa da cooperação entre universidades e sistemas de saúde dos países de língua portuguesa. Ao longo da carreira, presidiu entidades como a European Society of Cardiology e a World Heart Federation, além de dirigir a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa entre 2015 e 2022.

Em seu discurso, o homenageado destacou a importância histórica da UFRJ para a ciência e o ensino superior no Brasil e ressaltou os vínculos acadêmicos entre Portugal e Brasil. “A Universidade Federal do Rio de Janeiro é incontestavelmente uma das grandes referências do ensino superior no espaço ibero-americano e global”, afirmou. Segundo Fausto Pinto, a história da instituição “confunde-se com a própria evolução da ciência, da medicina e do pensamento crítico do Brasil”.

O cardiologista também enfatizou o papel da cooperação internacional diante dos desafios contemporâneos da saúde. “Nenhum país, nenhuma instituição poderá enfrentar isoladamente os grandes desafios globais da saúde. É através de redes de colaboração, de partilha de conhecimento e de construção de soluções conjuntas que conseguiremos avançar”, disse.

Ao mencionar a relação entre a Universidade de Lisboa e a UFRJ, Fausto Pinto afirmou que as instituições “partilham valores, objetivos e uma visão comum do futuro”. Para ele, o Brasil exerce papel central nesse processo de integração científica no espaço lusófono. “Pela sua dimensão, pela sua capacidade científica e pela qualidade dos seus recursos humanos, o Brasil assume-se como um verdadeiro motor desta comunidade na medicina”, argumentou.

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou não apenas a trajetória acadêmica e científica do homenageado, mas também sua dimensão humana e sua atuação internacional em defesa da medicina e da formação médica. “Fausto Pinto é um grande cidadão do mundo. Visitou mais de 120 países levando a mensagem da medicina, da cardiologia, da assistência digna, do ensino e da pesquisa”, afirmou Medronho.

O reitor também relembrou o primeiro contato com o cardiologista português, durante as tratativas para ampliar a cooperação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. “De imediato percebi que era uma pessoa diferente. O brilho no olhar e o carinho com que trata o outro mostram uma dimensão humana rara”, declarou.

Segundo Medronho, as reflexões apresentadas por Fausto Pinto sobre o futuro da cardiologia e da medicina dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da área da saúde. “Ali estavam lançadas as bases da medicina de precisão, da inteligência artificial e do uso racional das tecnologias”, disse.

A professora Gláucia Maria Moraes de Oliveira, da Faculdade de Medicina da UFRJ, também discursou em homenagem ao cardiologista português. Em sua fala, destacou o papel de Fausto Pinto na consolidação da cooperação acadêmica entre a UFRJ e a Universidade de Lisboa, especialmente nos acordos de validação automática de diplomas, dupla titulação e intercâmbio estudantil. “A excelência é uma construção diária, professor”, afirmou.

Segundo Gláucia, a atuação do homenageado ajudou a fortalecer iniciativas de integração entre escolas médicas de países lusófonos e ampliou as possibilidades de formação e circulação internacional de estudantes e pesquisadores. “Há um verdadeiro oceano de possibilidades em cada uma dessas conquistas, uma visão clara do futuro que desejamos para as nossas escolas e para os nossos países”, declarou.

A cerimônia foi presidida pelo reitor Roberto Medronho e contou com a participação do decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti; do diretor da Faculdade de Medicina, Alberto Schanaider; do professor emérito Manuel Domingos da Cruz Gonçalves; e do superintendente-geral do Complexo Hospitalar UFRJ-Ebserh, Amâncio Paulino de Carvalho. 

Trajetória

Fausto José da Conceição Alexandre Pinto nasceu em 3 de novembro de 1960, em Santarém, Portugal. Com atuação destacada na cardiologia mundial, Fausto Pinto é professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e ex-presidente da European Society of Cardiology e da World Heart Federation. 

Ao longo da carreira, publicou mais de mil artigos científicos e participou de centenas de conferências internacionais, consolidando-se como uma das principais referências da cardiologia contemporânea. Suas áreas de atuação incluem imagiologia cardiovascular, cardiologia de intervenção, insuficiência cardíaca, anticoagulação, cardiologia digital e saúde cardiovascular global.

O médico português foi pioneiro no uso da ultrassonografia intravascular aplicada ao estudo do coração transplantado e mantém forte relação acadêmica e científica com o Brasil. É membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Academia de Medicina da Bahia, além de ter recebido, em 2022, a Medalha da Ordem do Mérito Médico, na classe de Grande Oficial.

Fausto Pinto também teve papel central na aproximação entre a Faculdade de Medicina da UFRJ e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Durante sua gestão à frente da instituição portuguesa, foram fortalecidos acordos de intercâmbio, dupla titulação, cotutela e validação automática de diplomas entre universidades brasileiras e portuguesas.

Entre os resultados dessa cooperação está o acordo que permitiu, entre 2019 e 2024, a validação automática de diplomas médicos entre as duas instituições. Mais de 1.700 médicos formados pela UFRJ utilizaram o mecanismo para reconhecimento profissional em Portugal.

O cardiologista também é um dos idealizadores da Rede de Cooperação das Escolas Médicas de Língua Portuguesa (CODEM-LP), criada em 2019 com participação da UFRJ e da Universidade de Lisboa, reunindo instituições de países lusófonos como Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Macau.

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Direto da Reitoria

UFRJ e universidade russa avançam em cooperação acadêmica no âmbito dos BRICS

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, recebeu, na última quinta-feira (30/4), uma comitiva da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov, uma das mais antigas e conceituadas instituições de ensino superior da Rússia, fundada em 1755. O encontro teve como foco o fortalecimento da cooperação acadêmica e científica entre as duas universidades, com vistas à criação de grupos de trabalho e projetos conjuntos no contexto dos BRICS.

O BRICS é um agrupamento formado por onze países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O bloco atua como foro de articulação político-diplomática entre países do Sul Global e promove cooperação em diversas áreas.

A delegação foi recebida, além do reitor, pela superintendente de Relações Internacionais, Andrea Belfort, por representantes de diferentes unidades acadêmicas e pelo diretor da Escola de Química, Papa Matar Ndiaye. Também participaram os professores Daniel Barreiros e Wladimir Neves, além do estudante de mobilidade Serguei Gulov.

Durante a reunião, Medronho destacou a importância de ampliar a cooperação entre instituições estratégicas de ensino superior. Segundo ele, o intercâmbio entre a UFRJ e a universidade russa pode impulsionar projetos interinstitucionais e multidisciplinares, além de fortalecer a mobilidade acadêmica e as redes internacionais de produção de conhecimento.

A comitiva russa foi integrada pelo diretor da Faculdade de Processos Globais da universidade, Ilya V. Ilyin, pelo assessor Sergey V. Borisov, pelo pós-graduando Konstantin S. Gaidarov e pelo cônsul-geral da Federação Russa no Rio de Janeiro, Dmitry Pentin.

Ilyin ressaltou o papel estratégico da parceria entre duas instituições públicas de referência no bloco dos BRICS. Para ele, a cooperação pode contribuir diretamente para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países envolvidos, em um cenário de crescente integração internacional. O professor também ressaltou a importância das relações com o Brasil.

O encontro dá continuidade a uma agenda já em curso entre as duas universidades. Em outubro de 2024, uma delegação da UFRJ visitou o Centro de Pesquisa Marinha (Marine Research Center – MRC), localizado no Parque Tecnológico da universidade russa. Na ocasião, foram discutidas possibilidades de parceria em áreas como exploração de petróleo em águas profundas e monitoramento ambiental da Baía de Guanabara.

A universidade russa leva o nome de Mikhail Lomonosov, considerado um dos maiores cientistas da história do país. Nascido em 1711, teve atuação destacada em diversas áreas do conhecimento, como física, química, biologia, astronomia e geografia. Foi responsável por formular a Lei da Conservação das Massas anos antes de Antoine Lavoisier, além de ter produzido a primeira gramática da língua russa.

A aproximação entre UFRJ e a universidade russa reforça o papel das instituições públicas de ensino superior na construção de redes internacionais de pesquisa e inovação, especialmente em temas estratégicos para o desenvolvimento global.

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Papa Matar toma posse como diretor da Escola de Química

A Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, nesta terça-feira (29/4), a cerimônia de posse de Papa Matar como novo diretor da unidade, em um evento marcado por emoção e simbolismo. Primeiro docente negro a assumir o cargo na história da instituição, ele foi conduzido à função em solenidade que reuniu comunidade acadêmica, familiares e autoridades, marcada pelo reconhecimento de trajetórias e pela reafirmação de compromissos institucionais.

Em seu discurso de posse, Papa Matar falou sobre os desafios contemporâneos da universidade, especialmente diante das transformações no perfil dos estudantes e das mudanças tecnológicas. Defendeu que a formação acadêmica deve ir além da excelência técnica e incorporar uma dimensão cidadã.

“A nossa tarefa é resgatar aquilo que é mais essencial: a verdade e a formação de cidadãos capazes de transformar a sociedade”, afirmou Papa. Ele também enfatizou a necessidade de adaptação às novas realidades, incluindo o avanço da inteligência artificial e as mudanças no ensino superior, defendendo uma universidade atenta ao seu tempo e comprometida com o futuro.

Durante a solenidade, o reitor Roberto Medronho destacou o significado da posse como um marco para a universidade. em sua avaliação, a nomeação do primeiro diretor negro da Escola de Química representa um avanço na construção de uma instituição mais diversa e comprometida com a equidade. “Não basta declarar que não somos racistas. Precisamos atuar de forma ativa na construção de uma universidade antirracista”, disse.

O reitor também ressaltou a trajetória acadêmica de Papa Matar, classificando-a como “absolutamente fantástica” e destacando seu perfil direto, ético e comprometido com o interesse público. Ao encerrar, Medronho reforçou o papel da universidade na formação de cidadãos e lideranças capazes de enfrentar desigualdades sociais, unindo excelência acadêmica e compromisso social.

A cerimônia foi marcada pela despedida de Fabiana Fonseca, que deixou a direção da Escola de Química há pouco mais de um ano para assumir a chefia de gabinete da Reitoria. Durante sua ausência, a condução da unidade ficou sob responsabilidade da então vice-diretora, professora Andréa Medeiros Salgado, que assumiu a direção em exercício até a posse da nova gestão.

Em discurso emocionado, Fabiana relembrou sua trajetória e destacou o caráter coletivo da gestão. “Este não é um adeus. É um até breve com a serenidade de quem confia no que construímos juntos”, afirmou. Ela também ressaltou a confiança na nova direção e a trajetória de Papa Matar na Escola. Segundo a professora, o novo diretor reúne “competência, espírito coletivo e visão institucional”, qualidades fundamentais para conduzir a unidade nos próximos anos.

Trajetória acadêmica

Nascido no Senegal, Papa Matar construiu sua formação acadêmica no Brasil. Graduou-se em Engenharia Química pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fez mestrado pela Coppe/UFRJ e doutorado pela própria Escola de Química. Desde 2013, é professor da UFRJ, atuando também na pós-graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos e no Programa de Engenharia Química da Coppe.

Antes, ele foi professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde também atuou na pós-graduação. Ao longo da carreira, publicou cerca de 40 artigos científicos na área de termodinâmica aplicada, com ênfase em biodiesel e sistemas envolvendo petróleo. Possui três patentes relacionadas a catalisadores e processos de purificação de biodiesel e realizou pós-doutorado na United Arab Emirates University.

Na Escola de Química, já exerceu a chefia do Departamento de Engenharia Química e integra o grupo de pesquisa ATOMS, coordenando laboratório voltado a processos de fluidos e descarbonização.

A posse de Papa Matar simboliza a continuidade de um projeto coletivo consolidado nos últimos anos na Escola de Química, marcado por avanços na gestão, na infraestrutura e na formação acadêmica, ao mesmo tempo em que inaugura uma nova etapa para a unidade.

A cerimônia de posse foi acompanhada por familiares do novo diretor, entre eles sua filha e seu irmão, professor do Cefet, em um momento que reuniu reconhecimento institucional e dimensão pessoal. Também participaram da mesa da posse a vice-decana do Centro de Tecnologia, Maria Inês Bruno Tavares e o novo vice-diretor da Escola, Ladimir José de Carvalho.